Alentejanos do mundo

                    (adão cruz) (adão cruz)

Aqui há uns anos, no trajecto do aeroporto de Antuérpia para o hotel, um patarata de um funcionário de uma empresa farmacêutica, divertiu meio autocarro com anedotas de alentejanos e de pretos. Até na Bélgica os alentejanos e os pretos foram chamados à baila para fazer cócegas à mediocridade! Não tive coragem de o mandar abaixo de Braga porque era longe, e hoje estou arrependido.

Eu podia estar calado, mas respeito as pessoas e a verdade, e sinto, apesar de incapaz, uma grande obrigação de as alertar para as lavagens mentais do nosso povo. Enquadram-se neste esquema as anedotas referidas que, a brincar a sério, não têm outra finalidade senão injectar nos cérebros menos atentos, a ideia de que os alentejanos e os negros são estúpidos e malandros, grosseira forma de escamotear a sua consciência política de explorados, que muitos dos portugueses explorados não têm. Pretos, alentejanos, sul-americanos, asiáticos, muçulmanos, os “avessos” do homem, os “paralíticos” do tempo e da inteligência, negra como a pele e magra como a fome! Ou os índios mexicanos de Chiapas, uma espécie de alentejanos lá do sítio, uma enorme fartura de fome para engordar ditaduras de séculos. O que se pretende é fazer crer que os “alentejanos” deste e de outros países são todos umas anedotas, uns malandros e subversivos, que têm de ser metidos na ordem, a fim de que a sua fome continue a ser o sustento da voraz “inteligência” dos finos e dos espertos.

 A minha vivência, a minha profissão e as minhas leituras proporcionaram-me durante décadas, um contacto muito estreito com as diversas gentes, brancas e negras, alentejanas e minhotas, portuguesas e estrangeiras. O suficiente para considerar quem quer que veja a inteligência a preto e branco, amarelo ou mestiço, ou quem quer que alentejane a estupidez, como um infeliz que não atingiu a maturidade mental.

 

nÃO sEJAS dURO dE oUVIDO – dEZ/09 – # 12- Animal Collective:

Estava 2009 a começar (Janeiro) e os Animal Collective lançavam um dos melhores trabalhos do ano: Merriweather Post Pavilion. Um trabalho genial e que só podia entrar nas escolhas de 2009.

Erros médicos

no rastro da sexualidade camimha o amor;no rastro do amor caminha a sexualidade

NO RASTRO DA SEXUALIDADE CAMINHA O AMOR

NO RASTRO DO AMOR CAMINHA A SEXUALIDADE.

Ensaio de Etnopsicologia.

amor

amor

A frase que me serve de título, não é minha. Retirei-a de um texto sem autor que comenta as ideias de Freud sobre o amor. Amor que, no texto de 1908, O eu e o isso, tal como no de 1905: Três ensaios sobre sexualidade (comentados anteriormente neste blogue), é definido como pulsão, a qual, como o autor a pensa no texto de 1915: A pulsão e as suas vicissitudes, é um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático, como o representante psíquico dos estímulos que se situam no consciente, acautelados pelo Id do inconsciente. Definições que podem ser lidas em http://classiques.uqac.ca/classiques/freud_sigmund/freud.html.

No presente texto quero falar eu. Sempre defendi a ideia de que o amor surge primeiro e, a seguir, o desejo. Freud coloca o desejo antes do amor, porque tinha como objectivo curar neuroses, atribuídas à falta de satisfação da libido. Eis porque define amor como pulsão. Aliás, o próprio autor tinha problemas pessoais com o sentimento amor. A energia de Eros (libido) faz referência a tudo o que pode sintetizar-se como amor, incluindo: o amor a si mesmo, aos pais, aos filhos, à humanidade, ao saber e aos objectos abstractos. Nele convergem pulsões parciais de ternura, ciúme, inveja e desejos sexuais orientados para os mesmos objectos. O amor é, assim, apresentado como uma ampliação do conceito de sexualidade e ao mesmo tempo ancorado na inadequação radical dos objectos à satisfação sexual, vinculada a um factor de desprezar inerente à sexualidade humana. Citação retirada do texto de Olivia Bittencourt Valdivia, publicado em A Linguagem Interminável dos Amores, Jornal do Federal Nº 34, 1993.

Esta é a teoria psicanalítica a falar. Mas, nós, como explicamos os nossos amores, e como entendemos se devemos distinguir idades e sexos para saber que o sentimento aparece primeiro: amor ou o da paixão? Sempre fui da opinião que o amor ia em frente da paixão. A paixão é a libido que orienta os nossos comportamentos e desnorteia a razão. Paixão que não aparece apenas na idade púbere. A paixão é um sentimento que é uma força da natureza e começa nos tempos em que, pela nossa frente, há quem nos alimente, nos agasalhe e nos aconchegue. Paixão é essa grande inclinação ou predilecção por esse ser humano, por quem nutrimos um grande afecto, violento, um amor ardente. É razoável que essa primeira paixão se materialize no seio da mãe que nos alimenta. Sentimento que perdura ao longo de toda a nossa vida e que, quando nos falta, provoca-nos tristeza. As mães têm essa vantagem na corrida de afectos perante os descendentes, corrida que acaba quando, em frente da criança, aparece um outro tipo de paixão. Uma afectividade diferente do seio que amamenta, convertido em amor pela pessoa que trata de nós na idade púbere.

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A torrar em lume brando

Como já todos se aperceberam Sócrates, não faz ideia nenhuma de como se sai desta situação, como não fazia quando a crise chegou. Mas há uma crise interna, estrutural que mina a capacidade do país e que tem sido escondida.

E a política do “tapa e esconde” continua como se vê pela tentativa de colocar nos centro do combate político o casamento gay e a regionalização. Não é que não sejam dois assuntos que a seu tempo devam ser dicutidos, as prioridades é que são outras, e tambem todos sabem quais são.

O desemprego que cresce sem cessar e a dívida que ameaça o desenvolvimento do país por muitos anos. São estes dois assuntos estratégicos que devem ser as prioridades e que devem concentrar todas as energias e toda a atenção.

Levar a oposição a desconcentrar-se destes dois assuntos chave e a esquecer o orçamento que irá materializar as políticas que realmente vão ser seguidas, é uma tentação para o primeiro ministro.

Igual tentação é apontar o dedo a Cavaco sempre que este tome uma decisão, seja ela qual for. Há sempre espaço para repartir responsabilidades, vitimizar-se, quiçá estender o tapete a decisões precipitadas resultantes do calor da luta.

Numa palavra, esta situação em lume brando é que não interessa ao governo, está só, já queimado, a apurar (se esta imagem de cozinha é permitida) para ser servida na mesa da sua incompetência, mentiras e suspeitas de compadrios.

A máquina do tempo: Batuko Tabanka – ponte entre Cabo Verde e a Galiza

Tenho aqui dedicado alguns textos, quer a Cabo Verde, quer à Galiza, dois países irmãos, duas culturas intimamente ligadas a Portugal – a galega a montante, nos alvores da nossa identidade, a cabo-verdiana a jusante, consequência das nossas navegações e do povoamento que fizemos das terras que nelas achámos. Ligações entre essas duas culturas? Não parecia fácil. Mas existem e não são poucas.

Há uma colónia de cabo-verdianos na Galiza, maioritariamente constituída por homens do mar e suas famílias. Um grupo de doze mulheres de Cabo Verde, residentes em Burela (Lugo), ensaia desde há cerca de uma dezena de anos, recuperando ritmos ancestrais como a «Batuka» que escutámos no vídeo acima. Amigos do Aventar, vou hoje falar destas corajosas mulheres que não querem que a memória e a voz da sua cultura se percam.O grupo nasceu durante um jantar em Burela. Uma das actuais componentes do grupo, perguntou: por que não batucamos como as velhas da nossa terra? E a pergunta, como uma semente, germinou e floresceu, resultando no «Batuko Tabanka». [Read more…]

Casa Pia

É inacreditável como este governo, este PS e esta Justiça se conseguem aguentar sobre todo o monte de esterco onde assentam os pés! A gente costuma dizer, em momentos menos bons, que a vida é uma merda. Para o governo, o PS e a justiça, isso seria uma expressão sem qualquer significado pejorativo, e com carácter de uma incrível redundância, dado que, na fossa em que larvam, merda seria uma espécie de aletria.

Privilégios – O Estado pode matar ?

Lembramo-nos ainda todos do assalto à Agência do BES ali ao Parque Eduardo VII.

Os dois assaltantes foram mortos a tiro por dois “snipers”, que friamente e a mando de quem nem sequer estava no terreno, esperaram pacientemente que os dois rapazes lhes dessem a possibilidades de os abater.

A questão aqui é que a vida dos funcionários da Agência e dos clientes corria perigo.Compreende-se que a partir de certo limite o perigo de morte incline a balança para esta actuação.

Agora, comparece a situação com a do ourives que é chamado a casa para defender os seus bens que estão a ser assaltados. Fica em casa a acabar o jantar e apresenta a factura à companhia de seguros, ou tenta defender o que é dele?

No caso do Estado a violência é premeditada, calculista, estudada não há emoções misturadas. Quem mata, mata porque é essa a sua função, não tem a vida nem os bens em perigo. Não estou a dizer que não deve ser assim ou a emitir opinião, estou apenas a constactar um facto.

Agora quem, não tendo formação militar, que reage sob a emoção, correndo o tremendo risco de morrer, abate dois assaltantes, não tem a sua acção explicada perante a Lei ?

Então, o Estado que manda matar num caso é o mesmo Estado que pede até cinco de cadeia e acusa de Homícidio Privilegiado quem matou a defender o que é seu ?

Há um deus menor a tomar conta das nossas vidas a quem tudo é permitido!

Clube dos Poetas Imortais: Ernesto Sampaio (1935-2001)

Este é o último texto desta série, na qual privilegiei a presença de amigos e de poetas estrangeiros de língua portuguesa, pouco divulgados entre nós. Aglutinando esta a outra série, «Poemas com história», começarei em 2010 a série «Poesia & etc.», onde me debruçarei sobre poetas, vivos ou falecidos, eruditos ou populares, e, de quando em vez, um poema meu, de preferência inédito – sempre com paleio explicativo. Falarei também de poetas que nunca escreveram poemas. Digamos que o «etc.» do título é muito abrangente. Comecei este clube com o António José Forte e termino-o com outro poeta surrealista – Ernesto Sampaio.

Conheci o Ernesto Sampaio no café Gelo, em 1958. Na tarde de 16 de Maio eclodiram motins por ocasião da chegada a Lisboa, vindo da triunfal visita ao Porto, do general Humberto Delgado. Já houvera confrontos na estação de Santa Apolónia e repetiram-se, com maior violência, quando o general chegava à sede da candidatura, que funcionava no Teatro Avenida. No meio da refrega, encontrei-me lado a lado com o Ernesto Sampaio que conhecia, como já disse, do Gelo. E lá andámos na faina do arremesso de pedras, nos avanços e fugas – o trivial, nestas coisas. Já anoitecia, quando chegámos ao Gelo. Contámos aos outros, que tinham ficado à mesa do café a ouvir os rumores dos confrontos, o que se passara. [Read more…]

Os Imóveis do Estado

Há 910 entidades do Estado, das quais apenas 319 aderiram ao inventário.

Isto, apesar de haver uma Direção-Geral do Património que deve andar muito atarefada em gerir os bólides dos senhoes ministros e assessores.

Se nem sequer têm o inventário como fazem a gestão do imobilizado? Estão os imóveis a cair? Precisam de manutenção? Qual? Há rendas a receber? Quem as recebe? E quanto? Podem ser reabilitados e transformados por forma a tirar o melhor rendimento?

Como se percebe a tactica é a mesma. Confusão, ninguem sabe nada, um número restrito de pessoas pode fazer o que quizer. Arrendar, ficar com a massa, vender ao amigo e receber umas comissões.

Não interessa a ninguem clarificar as situações, ter o trabalho bem feito, haver transparência, gerir profissionalmente as situações.

A Direcção-Geral a quem está cometida esta tarefa, assobia para o ar, como não tivesse que dar explicações a ninguem, ninguem é demitido, anda tudo numa boa, vem dizer que a estrutura informática que comprou só faz o registo, não faz a gestão, é preciso começar tudo do principio.

Estas estruturas de gestão de imóveis existem há vinte anos, é só mexerem os pés, ver como se faz, há dezenas de empresas do ramo que trabalham com este tipo de ferramentas.

Ou então o Estado entrega o serviço a uma empresa privada, com relatórios sobre a situação e com propostas do que há a fazer em todos estes imóveis.

Mas é claro que não há pressa nenhuma, não há avaliação, assente no mérito, basta esperar sentado para progredir na carreira, os directores saem daquela Direcção vão para outra, paga o contribuinte, falta sempre pessoal…

Fé e doutrina – ciência e razão

Fé e doutrina – ciência e razão

O coração bate em média 60 vezes por minuto, 3.600 vezes por hora, 86.400 vezes por dia, 31.536.000 por ano e cerca de dois biliões e meio de vezes numa vida de 80 anos. O coração tem movimento automático, ele gera o seu próprio movimento, ele é a sede do seu próprio automatismo. Não precisa de ninguém a dar-lhe corda, não precisa de ninguém a empurrá-lo, não precisa de bateria. Mesmo fora do peito, isolado, ele continua a bater, se o alimentarem. É um interessantíssimo fenómeno que a ciência, após décadas e décadas de profundo estudo, explica de forma muito clara e transparente.

Se perguntarem a qualquer papa, cardeal, bispo ou padre, seja qual for a religião que professe, não sabem explicar, nem há espírito santo que os ensine. Mas também não são obrigados a saber. O que me admira é que não sabendo as coisas reais ainda que complexas, se arvoram nos únicos sábios de coisas transcendentais e sobrenaturais,  e deitando mão da sua “sabedoria” são capazes de arranjar mil e uma explicações para tudo, como arranjam para explicar muitos outros fenómenos da vida. O exemplo mais marcante, neste momento, é a Evolução. A evolução das espécies é hoje um facto científico situado ao mais alto nível dos factos científicos. E a igreja sabe-o. Então que será da criação e de todos os criacionismos que para aí proliferam? A ICAR está á rasca para descalçar a bota, mas lá vai tentando descalçá-la. Que há que deus a evolução não contradiz a criação. Bravo! Não se vê como não contradiz, mas eles lá sabem. Já devem ter muitas cabeças a pensar no assunto, não para procurarem ou ajudarem a procurar a verdade, mas para arranjarem formas de continuar a mentira, a falsificação e o ludíbrio.