Os enfermeiros, os pilotos da TAP, os salários e a minha estupidez


Só posso ser estúpido. A sério. Só uma clara e inevitável estupidez me impede de perceber onde estão os argumentos sensatos dos sindicatos dos enfermeiros e dos pilotos da TAP.

Vejamos os primeiros. O Ministério da Saúde propôs pagar aos enfermeiros em início de carreira – reforço: em início de carreira – 1201,48 euros (aumento de 17,7%), isto é, mais 180 euros do que é pago actualmente. O sindicato da classe não gostou e quer um salário-base de 1510 euros. Vai daí, marcam-se quatro dias de greve, de 29 de Março a 1 de Abril.

A chefe do sindicato alega que o Governo “ainda não conseguiu explicar por que razão os enfermeiros não podem receber salários iguais aos de outras carreiras da função pública, como a dos professores”. Eu, trabalhador por conta de outrem, também não consigo perceber porque é que há outros trabalhadores por conta de outrem que ganham mais. Devem ser mais bonitos.

Agora os segundos. Os trabalhadores de terra da TAP aceitaram 1,8 por cento de aumento. Os pilotos não. Acham um insulto. Querem 8 por cento. Alegam que estão a perder poder de compra. Como os compreendo. Os desgraçados, em salário e subsídios, têm remunerações de mais de 5000 euros mensais. Uma miséria. É que estas pessoas têm que cuidar da família, que têm filhos em idade escolar, que há que pagar casa, carro, água, electricidade, enfim, as despesas normais de qualquer cidadão? Por isso fazem greve de seis dias em plena época alta, de férias da Páscoa, um momento económico fundamental para a empresa que representam.

A administração da TAP é demasiado bem paga? Se acham isso, revoltem-se perante a situação. Não queiram é fazer de nós parvos. Também acho que o Ronaldo, Messi, Kaká e companhia são demasiado bem pagos. Não é por isso que exijo um aumento de vencimento astronómico.

Dizem-me que todos têm o direito de lutar por melhores direitos, melhores condições de vida e a valorização da carreira, um eufemismo para reivindicar aumentos salariais. Concordo e aceito. Mas espero também que aceitem a minha vontade de perguntar onde raio esta gente meteu o bom senso.

Comments

  1. Pedro Sousa says:

    Não posso deixar de ter pena deles, coitadinhos. Em tempo de crise ter um aumentos “APENAS” de 17,7%, como é que eles vão sobreviver? Vão ser tempos muito difíceis mesmo. Ainda bem que não sou enfermeiro nem piloto da TAP e ganho a fortuna de 680€ mensais, pq não sei como iria sobreviver com a miséria de salários que lhes querem pagar. Já agora, uma correcção, um professor em inicio de carreira tem um vencimento de 1 145,79€, isto se for licenciado, pq se for Bacharel ganha menos ainda.

    • Tiago says:

      Bacharel em inicio de carreira nos tempos que correm??! Lol, nem em 2010 haviam bacharelato. Atualiza-te!!!

  2. Luis Moreira says:

    Quando há rapazes a ganharem 2,5 milhões de euros, não há bom senso que resista. Embora tenhas toda a razão, a verdade é que não há um mínimo de bom senso, a começar pelos boys milionários.

  3. Talvez... says:

    «não podem receber salários iguais aos de outras carreiras da função pública, como a dos professores»
    Que tal receber salários iguais a outras carreiras da função pública com salários mais baixos? Como tribunais ou polícias?

  4. maria monteiro says:

    “que tal receber salários iguais a … ” eles poder até podiam mas … não era a mesma coisa… deixavam de poder expressar a sua bondade, o seu voluntarismo…

  5. mjoao Rijo says:

    é que uns são bonzinhos e os outros têm asas…

  6. Indignado... says:

    Caro treinador de bancada, és mais um que fala do que não sabe… do esforço envolvido, do dinheiro gasto em formação, do desgaste sofrido por constantes turnos.

    Mas não te preocupes, tu e outros com tu, vê aqui o seguinte link:

    http://www.net-empregos.com/935623/recrutamento-de-enfermeiros-m-f-para-abu-dhabi/

    Quando já não sobrar nenhum em Portugal para fazer o que os enfermeiros fazem, talvez possas fazer tu… se souberes!

  7. maria monteiro says:

    todos são livres de partir para outras paragens até serve para sentirem um novo tipo de desgaste ….estarem longe das famílias

  8. João Pedro says:

    A sua estupidez é a mesma que a minha. Ainda ninguém me conseguiu explicar porque é que os professores e os outros licenciados de carreiras especiais da função publica ganham todos em inicio de carreira 1500€ e os enfermeiros não!
    O Sr. Pedro Sousa está um pouco desactualizado os professores neste momento ganham 1518€ após a negociação da carreira o ano passado com a nova ministra. Como justificar que foi tudo dado a uns e a outros não?
    É curioso que as pessoas não façam as contas para verificar que é totalmente FALSO que se proponha um aumento de 17,7% do salário!! É só fazer as contas e perceber um pouco de escalões na função publica para se saber que é uma completa e total mentira! mas pronto comem as noticias sem capacidade crítica e pensante, só para por umas baboseiras. isso só seria verdade caso estivessem todos os enfermeiros no escalão de entrada! Aliás não existe proposta para enfs especialistas, nem para quem ganhe acima dos 1200 ou sequer como será feita a transição da carreira. Não é só uma questão de números, é uma questão de carreira Em relação aos professores, devem tb saber que com Bolonha já não existem bachareis, certo? Além disso os professores eram passados AUTOMATICAMENTE para a carreira técnica superior assim que completavam a licenciatura desde 1998!! Os enfermeiros fazem licenciatura desde 1999 e estão à espera há 10 anos pelo reposicionamento justo!
    Se calhar se ouvir as intervenções de TODOS os partidos com acento na Assembleia da República do plenário do passado dia 16 de Março possa ficar mais elucidado e ajudar os outros a ficarem tb mais elucidados!
    Agora parafrasear noticias falsas é batota!

  9. Pedro Sousa says:

    Caro João Pedro. Acredite que desactualizado é coisa que eu não estou e não posso deixar passar em claro uma mentira como a que escreveu. Trabalho numa secretaria de uma escola e o um dos meus serviços é processar salários, por isso, acredite, sei do que falo. Um Licenciado em inicio de carreira ganha exactamente o que escrevi anteriormente. Após um ano de serviço passa do indice 126 para o 151 e passa a ganhar um vencimento iliquido de 1 373,13€. Após a entrada no quadro (ou seja, após alguns anos de trabalho ) é que passa a ter um vencimento iliquido de 1 518,63 €. Espero tê-lo esclarecido e, antes de fazer afirmações erradas, informe-se caro amigo. Mesmo com a entrada do Bolonha os outros professores em vez de iniciarem no 126 iniciam no 151, que como já lhe demonstrei não ganham o mesmo que disse no seu textinho. Acredito que ande mal informado, mas antes de chamar mentiroso a alguém, informe-se, pois pode acontecer, como aconteceu, ou seja, caiu no ridículo.

  10. Fernanda Alves says:

    Aos que estão a discutir salários acima dos mil euros:
    Antes de mais, quem me dera a mim receber mil euros. Não recebo! O meu salário é pouco mais de metade desse valor. Por isso digo: qual é moral de estarem a exigir salários de 1500 euros e mais, numa altura em que são pedidos mais sacrifícios aos portugueses. Lembrem-se daqueles que só recebem o salários mínimo, meus senhores! São milhões! E quando se fala da função pública, porque não falam daqueles que recebem apenas o salário mínimo, a grande fatia deste sector. Chefes de família, que se fartam de trabalhar, que andam na rua a suar a estopinha, e que ao dia 20 levam um ordenado miserável. Tenham juízo! Habituem-se a fazer sacrifícios, como milhões de portugueses, como eu!

  11. Enfermeiro says:

    Olá rapaziada. Como Enfermeiro, compreendo perfeitamente que não entendam metade do que se está a passar! A verdade é esta: não interessa só a qualificação académica, e é perigoso usá-la como único argumento de justificação (de aumento de salários)! Somos licenciados, somos qualificados, temos investido como nunca em formação (pos-grad, mestrados e doutoramentos), tudo para responder aos desafios que os cuidados de saúde actuais nos colocam! Além disso, temos uma profissão de complexidade 3, que não é mais nem menos do que o maior grau de complexidade de TODAS as carreiras da FP. E isso traduz, sem sombra de dúvida, a enorme responsabilidade, penosidade e risco a que estamos sujeitos na nossa actividade profissional! Ora estes 3 factores não estão, de modo algum a ser reconhecidos na nossa carreira e remuneração actuais! E ACREDITEM, ser enfermeiro não é NADA FÁCIL!!!! (sei que outras profissões tb não são fáceis, mas falo do que SEI!)

    AQUI FICA UM EXEMPLO!!!!

  12. nando says:

    gostaria de aqui lamentar a falta de profissionalismo que existe em portugal, que aqui é demonstrado. eu sou enfermeiro à 13 anos, sou licenciado à 8 anos, assumo muitas vezes funções de chefia numa unidade de cuidados intensivos, oriento alunos em estágio clínico, tenho ordenado base de 1145€. o governo ou se quiser o min. da saúde sugere que até 2013 passe a ganhar o ordenado base da carreira de enfermagem. quando neste momento e devido a ter Há 6 anos avaliações de desempenho positivas sem efeitos práticos no vencimento. Ou seja, aos 15 anos de carreira iria ganhar o mesmo que um enfermeiro recém formado. Onde está o aumento de 17,7% que o MS tanto fala? onde está a justiça

  13. filipe says:

    En 2013 terei 16 anos de carreira, e vou ganhar tanto como um recem formado.
    e ha quem diga q é justo.edito que admitam que
    nem acredito que seja sequer compreensivel.

  14. Talvez... says:

    filipe :
    En 2013 terei 16 anos de carreira, e vou ganhar tanto como um recem formado.

    Isso não é justo, mas os argumentos que se fazem ouvir em nada se prendem com isso.

  15. ricardo serra says:

    Não sei se é estúpido mas tenho a certeza que anda mal informado.
    Os tais cerca de 17% são apenas para um número insignificante de enfermeiros, os testantes 37000 não têm qualquer aumento, apesar das qualificações adquiridas.
    Segundo lesgislação aprovada por este governo PS nenhum trabalhador da administração pública com uma licenciatura pode receber menos de 1200€, o governo está em incunprimento desta lei.
    Exigimos os 1500 porque foi o concedido a outras carreiras especiais com o mesmo grau de especificidade, grau esse atribuído pelo governo.
    A luta vem desde há 10 anos! Não é de agora. E i que somente pedimos é que este governo cumpra a lei. Qualquer comenatador informado consegue perceber isso e entenderia que seria melhor comentar as ilegalidades que este governo comete em vez de despejar ignorância.

  16. Caro Ricardo Serra, ando tão mal informado que, no que se refere à greve em curso neste momento, só agora percebi que quem fizer greve, e aproveitando o feriado, fica uma semana sem trabalhar.
    E, sim, os tais 17 por cento referem-se aos enfermeiros em início de carreira. Os outros têm vencimento superior.

  17. inconformado says:

    Sr. José Freitas,
    Realmente és mesmo estúpido, caso contrário não escrevias tanta asneira…
    O AUMENTO DE 17,7% É SOMENTE PARA DOIS MIL DOS CERCA DE 39000 ENFERMEIROS EXISTENTES NO SNS. São os que auferem actualmente 1020€.
    ONDE ESTÁ O AUMENTO DE 17,7% NO VENCIMENTO DOS ENFERMEIROS QUE POR EXERCEREM A PROFISSÃO HÁ VÁRIOS ANOS, COM AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO POSITIVA, AUFEREM ACTUALMENTE MAIS DE 1200€?
    Percebeste agora estúpido!
    Informa-te antes de vires para aqui “mandar” bitaites.

    • Ricardo Santos Pinto says:

      Caro Inxconformado, acaba de perder toda a razão que tinha com o tipo de linguagem que utilizou com quem não concorda consigo.

  18. eumesmo says:

    Caro José Freitas e outros que tais, para que não restem dúvidas, posso confirma que são mesmo estúpidos. E passo a esclarecer. Desde já faço aqui a minha declaração de interesses, sou Enfermeiro (licenciado) e sou também Licenciado em Gestão estando neste momento a especializar-me em Administração Pública.
    Não costumo participar neste tipo de discussões ou foruns, porque embora úteis ao exercício do direito de expressão, são também muitas vezes utilizados para transmitir informações erradas (voluntariamente, ou não). Por isso, o bloguer José Freitas, como tantos outros bloguers e comentadores de blogues comentam…….não sabem bem o quê, mas comentam. Claramente são ignorantes em relação a esta matéria(como em relação a tantas outras), mas como ouviram umas noticiazitas nos intervalos dos jogos da bola, apanham-se com um computador à frente e temos doutorados para todos os gostos e áreas do saber. Por isso, Sr. José Freitas e outros estúpidos do género, oiçam rádio, vejam televisão, leiam notícias à vontade, mas enquanto não perceberem ou não forem capazes de ir à procura da informação que está além daquela que nos é imposta; estejam caladinhos, não comentem!!!

    • Ricardo Santos Pinto says:

      Concordo totalmente com a luta dos enfermeiros e já o escrevi neste blogue. Mas com o devido respeito, estúpido é quem não aceita uma opinião contrária à sua. E se este post fosse meu, eu sei o que faria a este comentário.

  19. eumesmo says:

    Caro José Freitas, vejo que afinal ainda não está esclarecido em relação a um aspecto desta greve.

    A GREVE TERMINA ÀS 8 HORAS DA MANHÃ DE QUINTA-FEIRA. Percebe o que isto quer dizer????? Eu explico como se você tivesse 4 anos. Os meminos e meninas que são enfermeiros, na quinta-feira levantam-se da caminha e vão trabalhar. O feriado, SEXTA-FEIRA SANTA, que como o nome indica é à SEXTA-FEIRA(pelo menos até ao ano passado foi) não fica assim imediatamente a seguir a um dia de greve.

    Mas voltando um bocadinho atrás, a greve começou no TURNO DA TARDE DE SEGUNDA-FEIRA, ou seja, a partir das 14 HORAS. Por este motivo os enfermeiros trabalharam na noite de domingo para segunda e no turno da manhã de segunda-feira. Só os turnos que iniciassem após as 14 horas é que poderiam fazer greve. Consegue perceber o que isto significa, ou é muito complicado????

    Diga lá, Sr. Informado José Freitas, quem fez greve ficou com a semana (5 dias) toda sem trabalhar?? Faça bem as contas, não se engane……….

  20. maria monteiro says:

    É tradição a função pública ter tolerância de ponto na 5afeira (leia-se 5ªfeira santa) de tarde

  21. Caros Inconformados e eumesmo,
    Estou de facto mal informado e sou um ignorante nestas matérias. É que não consigo perceber porque raio se marcam estas greves nesta semana e com esta configuração. Devem ter olhado para o calendário e descobriram que nesta semana era que era bom. Nem imagino porque…
    De resto, não gosta da minha opinião? Respeito.
    Sobre a linguagem catedrática, é coisa para não me deixar dormir hoje.
    P.S. Respeito todas as profissões, incluindo a de enfermeiro. Mas tanto como a de cantoneiro, também eles necessários para a saúde pública.

  22. indignado says:

    SR. José Freitas, continuo a achar que não está informado. Culpa sua, porque quem diz disparates como o sr. e a Maria Monteiro, dou-vos um pouco oportunidade de perceber melhor o que se passa

    Esta analise, está mais fundamentada…

    http://masporque.wordpress.com/2010/03/31/greve-enfermeiros-luta-irresponsabilidades-e-afins/

    “Sinto-me obrigado a escrever umas linhas acerca da luta dos enfermeiros. Antes demais porque percebo algum sentimento de revolta de certas pessoas quanto à forma de luta – greve. Percebo apenas porque compreendo algum desconhecimento da realidade das greves no sector da saúde, bem como, concordo que a greve não é o melhor meio de luta, mas é por vezes o possível e mais forte! Depois de ler algumas barbaridades, de tal já se aperceberam, convém frisar alguns aspectos. A questão fulcral não é, de todo, o dinheiro – mas há quem diga que o dinheiro resolve tudo.

    Apesar de ser o mais badalado motivo da luta dos enfermeiros, o acréscimo remuneratório não é, nem de perto nem de longe, a principal reivindicação dos enfermeiros. Mais importante que isso é, a meu ver, a entrada na administração pública de milhares de enfermeiros com vínculos precários às instituições do SNS.

    O reconhecimento de um esforço suplementar dos enfermeiros, na última década e na actualidade, na reconfiguração das suas funções e competências, na revalidação e recertificação de conhecimentos. Como todos sabemos é notória a elevada taxa de enfermeiros com estudos superiores de 2º e 3º nível e tende a aumentar, igualmente sabemos que isso custa dinheiro, esforço e dedicação.

    Os enfermeiros reclamam um tratamento idêntico ao que é garantido a outros técnicos superiores de saúde. Os enfermeiros não são, como muitos ignorantes vieram afirmar, meros subditos dos médicos. Uma relação de multidisciplinariedade cumpre-se nos princípios de ajuda, discussão e partilha. Os enfermeiros também não mandam nos auxiliares de acção médica. O facto de um médico prescrever determinado fármaco ou plano de tratamento implica que o enfermeiro o ponha em prática? Sim, mas nunca sem que o enfermeiro discuta com o médico da possibilidade, vantagens/desvantagens, segurança do tratamento. Nunca sem antes verificar a prescrição, a dosagem, a segurança, a fiabilidade, a adequação de determinado fármaco a uma certa doença. Sim, o enfermeiro reduz drasticamente o erro clínico. Sim, o enfermeiro é responsável pela administração de fármacos (compreendem a responsabilidade – 1 mEq por vezes mata), pela instituição de planos de cuidados, pela monitorização do utente no seu todo, pelo tratamento de feridas (as feridas – querem falar delas?). Este parágrafo termina assim com o intuito de esclarecer a suposta irresponsabilidade dos enfermeiros. Aqueles que não podem de modo algum ganhar o mesmo que os médicos porque têm menor responsabilidade – não é sr.º henrique raposo (com letra minúscula) [consultem barbaridades deste senhor aqui]?

    Os enfermeiros vivem numa situação de precariedade, competitividade exagerada e desemprego. Não há regulação no acesso ao ensino superior de enfermagem, tal como, e não menos preocupante, não existe noutras áreas. Acresce, em particular, o facto de as instituições de saúde não contratarem os enfermeiros necessários. Os serviços de saúde estão saturados e os enfermeiros são obrigados a trabalhar a 150% – dados do Ministério da Saúde.

    Outras questões – transição de carreira, taxas de acesso a enfermeiro principal, entre outras – estão manifestamente postas de lado pelo Ministério da Saúde que, arrogantemente, tem demonstrado uma atitude de desprezo pelos enfermeiros. O sector dos Cuidados de Saúde Primários está em completo stand-by, uma série de concursos anulados, mais enfermeiros sem vínculo à administração pública – mais enfermeiros na precariedade. O INEM – concurso para SIV’s – colocado na reciclagem, enfermeiros com expectativas frustradas ao longo de meses a fio. Enfermeiros nos CODU’s retirados, o Pizarro diz que foi para os colocarem nas SIV’s – a Ordem dos Enfermeiros já pôs os pontos nos i’s (link).

    Os Enfermeiros já são discriminados há mais de uma década – algum dia a bomba tinha de rebentar – para os mais incautos e para aqueles que levantam a bandeira da crise para argumentar da irresponsabilidade dos enfermeiros em reivindicar nestes moldes, relembro-vos que esta luta já conta mais dias, meses e anos que a palavra ‘crise’ – mas o governo nunca deu ouvidos.

    Esta breve descrição não expõe todos os motivos desta luta mas aqueles que acho mais preponderantes e urgentes. Relembro que discordo de muitas formas de greve, da calendarização das mesmas, entre outras; mas urge salientar que a forma de greve utilizada pelos enfermeiros não é irresponsável como muitos lamentam. A greve dos enfermeiros é feita com pré-calendarização de modo a diminuir os prejuízos da mesma para os utentes e instituições de saúde. A greve dos enfermeiros assegura os cuidados mínimos em todas as instituições. O facto de mais de 90% dos enfermeiros efectuarem greve não implica que mais de 90% dos enfermeiros estejam fora do seu local de trabalho. Há enfermeiros em greve que se mantém nos seus locais de trabalho a assegurar os tais ‘cuidados mínimos’. Nenhuma situação de urgência ou emergência deixa de ser atendida devido à greve.

    Outras formas de luta? Talvez. Mas nem com greves o Ministério da Saúde nos ouve! – Estamos esclarecidos?”

    Se tiverem dúvidas, podem ver aqui estes blogs, entre muitos outros…

    http://doutorenfermeiro.blogspot.com/

    http://cogitare.forumenfermagem.org/

    Se quiserem ser sérios, é isso que devem fazer…

    • Luís Moreira says:

      Indignado, nós lemos com atenção mas não precisa de chamar disparates à opinião dos outros…

  23. Indignado,
    Compreendo que não sejam apenas questões salariais a estarem na origem desta greve. Mas é o que transparece. A culpa, como de costume, é da comunicação social, claro, e de alguns sindicalistas que, por certo mal informados, repisam sempre esta matéria.
    Sobre os dias escolhidos para a greve, terá a sua opinião. Eu tenho a minha. Como é óbvio muitos enfermeiros trabalharão no dia feriados (eu também) e no fim de semana (eu também). Mas não a maioria.

  24. Quinta-feira não é feriado nem há tolerância de ponte, nem é hábito haver. Acabando a greve às 8h não vejo como é que esta greve “prolonga” o fim-de-semana.

    • Luís Moreira says:

      Claro que não. é tudo uma coicidência a greve ser seguida de um dia feriado e de um fim de semana. Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele!

  25. maria monteiro says:

    vai haver tolerância de ponto aos trabalhadores que exercem funções públicas na administração central e nos institutos públicos no período da tarde de Quinta -Feira Santa, dia 1 de Abril de 2010 agora se é o caso dos enfermeiros não sei

  26. Cara Maria Monteiro, essa informação está correcta, haverá de facto tolerância de ponte no período da tarde de Quinta-feira. Se os enfermeiros terminam a greve às 8h da manhã desse dia, significa que “recomeçam” a trabalhar (porque a maior parte deles está a assegurar os serviços mínimos durante toda a semana) nesse dia, quinta-feira de manhã. Assim sendo e se tem conhecimento desse facto, não percebo como é que pretende querer relacionar a greve com o feriado. Se houvesse intenção por parte dos enfermeiros de prolongar o fim-de-semana a greve não terminaria às 8h da manhã de quinta-feira.

    • Luís Moreira says:

      Pois, sim! mas pelo sim pelo não é seguida (a greve) por um feriado e um fim de semana.Há coincidências do catano!

  27. maria monteiro says:

    Caro ” ” não estou a relacionar a greve dos enfermeiros com o feriado (se bem que a uma sexta ou segunda sempre se pode juntar o protesto ao agradável… quando o único protesto é não ir trabalhar ) Em relação aos enfermeiros, e não estou a falar nesta greve, tenho verificado que em lares e centros de 3ªidade a presença física do enfermeiro, em certas épocas do ano, é mais de número de telefone num papel entregue a um vigilante do que de presença física. Isso é uma questão que os enfermeiros também têm que reflectir…está em causa a dignidade da classe

  28. Luis Moreira, se ler com atenção os posts anteriores deverá conseguir perceber que a greve não é nem depois de um fim-de-semana nem antes de um feriado com fim-de-semana.

    Maria Monteiro, nesse aspecto concordo plenamente consigo, mas haverá classes profissionais perfeitas? Se quisermos, podemos apontar infinitamente defeitos e vícios a todas as classes profissionais, das menos às mais qualificadas, sem excepções. Podemos também falar do salário mínimo, das reformas baixas e de tudo isso. Mas que modelo de sociedade queremos? Quando leio certos comentários só me lembro da expressão: “eu posso estar mal, mas só não quero é que tu estejas bem”. Será que se em vez de nos invejarmos começássemos a ser solidários com causas que não as nossas, não poderíamos estar todos um pouco melhor? Mas o que é que fazemos, cultivamos a mediocridade. Em vez de sermos TODOS mais exigentes, não, criticamos aqueles que lutam por algo. Peço desculpa, mas acho uma afronta um enfermeiro ganhar 1020 euros ilíquidos (sem descontos) tendo em conta a sua responsabilidade e nível de formação. Mas não são os 1020 que são excessivos, até são escassos, acho também uma afronta à dignidade humana o salário mínimo nacional, acho uma afronta os valores das reformas mais baixas, acho uma afronta os índices de ilíteracia que temos, acho uma afronta muitos salários (também baixos) que se praticam no sector privado, acho uma afronta os salários das forças policiais (que correm riscos que mais ninguém corre). E se alguém se lembrar de lutar por um destes aspectos, eu vou criticar, como temos hábito de fazer? Não, vou é apoiar, porque quero uma sociedade produtiva, evoluída e nivelada por cima. Ou será que não estamos melhor, se todos estivermos bem????

    • Luís Moreira says:

      betoze, eu não conheço suficientemente a posição dos enfermeiros para me pronunciar, mas quanto às greves serem marcadas para semanas com feriados, é velho como o mundo. todos fazem isso…

  29. Pedro says:

    Quanto aos Srs. que aparecem por aqui a chamar estúpidos aos outros, esquecem que os outros também têm profissões das quais os srs. dependem. O Indignado é um bom exemplo de como uma hipotética razão se esfuma com maus argumentos. 15 enfermeiros para Abu Dahbi? 15? É esse o seu argumento? Está indignado, talvez, porque assim não tem hipótese.
    Quanto aos pilotos da TAP, o caso é outro. Além de serem muitíssimo bem pagos, mesmo em termos globais, marcam as greves sempre prejudicando outros sectores profissionais (eu sei que a greve prejudica sempre alguém, geralmente utentes, o que não é aqui o único caso) por exemplo toda a indústria do turismo. São filhos de um Deus maior, neste caso de um monopólio, e comportam-se como tal. Pode-se chamar uma greve de direita, de filhinhos de papá, birrinha de meninos bem,se é que me faço entender

  30. Pedro says:

    Aliás, o que acabei de dizer em relação aos pilotos da TAP é tão verdadeiro que não aparecem aqui, nem noutro forum público a defender as suas “razões”. Porque será?

  31. Que exemplo de respeito pela opinião dos outros. Caro Indignado, indignados ficam todos os enfermeiros, a maioria, que certamente não se revêem em semelhante.

  32. maria monteiro says:

    Caro ” ” eu pessoalmente começaria por exigir melhores condições de trabalho, redução da carga horária, formação continua gratuita… e lembrando-me do que me disseram uma vez no Alentejo “enfermeiro furioso é enfermeiro perigoso” porque não estadias gratuitas em termas, cartões spa …

  33. Pedro Sousa says:

    Que baixo nível eu assisti aqui. Um dito licenciado em Gestão e em enfermagem a usar uma linguagem tão pobre e ignóbil. Caro inconformado ou eumesmo, ou como quiser ser chamado, para uma pessoa que quer defender a sua classe, digo-lhe que a pôs na lama com as baboseiras que escreveu. Partir para o insulto? São esses os argumentos? Estamos muito bem servidos sim senhor. Quanto à “IMPORTÂNCIA” do seu trabalho devo-lhe dizer que não é mais importante que um bom servente de trolha porque o senhor supostamente trata de pessoas (salvar fica com os médicos), mas se um operário da construção civil tb não fizer bem o seu trabalho pode matar muitas gente. Por favor, todos os trabalhos são importantes e o seu certamente tb o é. Se calhar até têm razão naquilo que exigem, sim pq este país vive desafogadamente para se dar aumentos devidos a todos que merecem. Agora usar como argumentos insultos a quem discorda da sua opinião? Isso é a sua democracia? Penso que não é. Disse que tinha duas licenciaturas portanto, e a menos que seja um filhinho de um qualquer papá rico que lhe pagou os cursos numa qualquer faculdade privada onde se compram canudos, deve ser uma pessoa inteligente, portanto digo-lhe que o primeiro sinal de inteligência é ouvir e aceitar (não quero dizer concordar) a opinião dos outros. Sei que ao ler isto provavelmente vai fazer a única coisa que sabe, ou seja, insultar e usar impropérios imprórios para alguém com o seu “ESTATUTO”, mas deixe-me que lhe diga, não lhe vou responder mais. Apenas o fiz desta vez pq penso que o Sr. foi longe demais.

  34. Comendador says:

    Já agora ponham professores, médicos( sem enfermeiros); engenheiros, políticos, gestores públicos, assistentes sociais, etc 24H a trabalhar numa Unidade de Cuidados Intensivos ou numa Urgência deste país e no dia seguinte tenham vários cangalheiros(entenda-se funerárias) á porta pois vão precisar e talvez não haja suficiente) – parece que só assim alguns entendam o que queremos dizer quando afirmamos não ser Licenciados de 2ª – é que no estrangeiro já entenderam e querem lá mais! mas como sempre aqui querem preguiça…, e Licenciaturas de Moderna.

  35. Comendador says:

    Caros amigos deixem-se de Inventonas, para que são precisos enfermeiros se temos o homem do talho a dar injecções, a vizinha do 1º esquerdo a desinfectar feridas com urina de cão, o barbeiro a dar palpites que já o tetravô dava, a Misericórdia a internar velhinhos em troca das reformas dos membros todos da família e de mais alguém como critério de desempate, enfim o cangalheiro a partir os ossos que nenhum enfermeiro estava lá para com dignidade e profissionalismo nos fazer a múmia de forma correcta e enfim despeçam esses inimigos do doente porque há por aí muito saber popular e é isso que a população pouco culta neste país precisa ( burros a tratar burros) se alguém se ofende é porque eu tenho mesmo razão !

  36. Comendador says:

    Pois cada um tem o que merece !

    E deixe que lhe observe que fazer comentários de qualquer coisa que desconhecemos a fundo é mesmo ser estupido mas não tenha duvidas ao perguntar – devo ser estupido ! ? porque o É mesmo !” mas já pensou que para estupido deve estar bem pago faça você greve para deixar de ser tão estupido e intelectualmente inutil ao comentar o que ignora ou conhece pela superficie tal como o odor que sente um pouquinho antes de decarregar o Tó – quelismo !

  37. Comendador, obrigado pela preocupação mas não me ofendi.

  38. maria says:

    Este portugal é uma festa! se todos deixassem de ser tao egoistas e menos preocupados em exigir direitos sobre uma qq coisa estipulada na lei… nao ha nenhuma pessoa disposta a abdicar um pouco do seu salario para tentar dar aos mais pobres?! bom eu com um ordenado de mil euros ficaria imensamente feliz independentemente da profissão.

    é tradicao em portugal e na sociedade as classes mais bem pagas exigirem mais direitos e tudo a que tem direito, esquecendo um pouco das pessoas que tem menos ordenado. que diferença faz abdicar de um salário na minha opinião acima da média?! portugal é um pais que vive acima das suas possibilidades.

    e bom com um salário base para inicio de carreira, esse ordenado permite a um profissional com “elevadas qualificações” ter uma casa e uma vida digna. depois reclamem que portugal vai mal. as pessoas é que não querem juntar forças para resolver o problema com medidas concretas e desperdiçam dinheiro e tempo muitas vezes em projectos sem resultados ou beneficios para a população em geral.

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