Excesso de informação ou quando o trigo é ainda demasiado para se consumir tudo


relogio_2507

O problema não é novo mas ameaça agudizar-se. Somos cada vez mais vítimas do excesso de informação. Vítimas mas também criminosos, quando nos colocamos na situação de produtores de conteúdos.

Todos os dias consumimos e produzimos muita informação. Sejam notícias lidas em jornais e revistas, de papel ou online, publicações de episódios da vida de ‘amigos’ no Facebook ou outras redes sociais, além de comentários a fotografias, dos vídeos que partilharam e demais informações, tweets da comunidade que ‘seguimos’, post em vários blogues, sejam dos informativos ou opinativos.

Todos os dias, a todas as horas, produzem-se milhões de conteúdos novos. Acompanhar tudo é impossível. Claro que a primeira tarefa é separar o trigo do joio. O problema está em quando mesmo o trigo que resta é demasiado para ser consumido.

Comments

  1. O excesso de informação (ou melhor dizendo, excesso de publicação) é também, além da vertente apresentada, uma forma de controlo.

    Vejamos. Como é que se tem controlado o que é público ao longo dos tempos? Primeiro, pela distribuição, em que o acesso aos livros era muito condicionado (como imagem, pense-se no “O Nome da Rosa”). Com a banalização da impressa e com o advento da rádio e da televisão, o controlo passou a ser exercido pelo crivo do acesso aos meios de amplificação dos seus pontos de vista (um exemplo actual é o Prós&Contras). Finalmente, com a Internet, os condicionamentos económicos e de meios desapareceram e, sem grandes entraves, qualquer pessoa pode divulgar pertinente informação ou meras trivialidades.

    Apesar destes novos e democráticos meios, o controlo da informação não desapareceu no entanto. É aqui que entra o que prefiro chamar de excesso de publicação. No meio do trigo e do joio são plantadas as sementes da desfirmormação, onde é difícil perceber se o que é apresentado é real ou manipulado; se é opinião ou factual; se esconde parte da informação ou se mostra o que é relevante.

    Nos dias de hoje, casos destes abundam. O aquecimento global existe? A nossa economia está de facto a sair da crise? As populações ficam de facto melhor servidas com o fecho dos SAP e de escolas? Um mail recebido com uma criança desaparecida não será apenas uma fraude?

    Searas de bits prosperam nos campos da rede e uma foice crítica é essencial para seleccionar e relacionar o que seja de nota.

  2. António Soares diz:

    Talvez,com uma justiça mais capaz,fosse possível separar bem o joio…mas a justiça,está cheia de gente,com joio,e assim, é muito difícil!!

  3. Também se deve ter em conta o forte controlo sob a forma como são apresentadas as notícias. Esqueçamos por um momento os blogs e os mails em cadeia, etc.

    Se nos focarmos apenas nas fontes main stream veremos que as notícias e a informação sai de facto cá para fora e quando se trata destas fontes é raro aparecerem mentiras descaradas e os artigos de opinião são mais ou menos bem assinalados. No entanto o que aparece na primeira página dos jornais (tanto digitais como em papel) é fortemente controlado assim como o “tempo de vida” de uma dada história.

    Aqui reside uma das piores subversões do nosso sistema “democrático”. Podemos assistir a este tipo de controlo inúmeras vezes exercido directamente ou simplesmente interiorizado e auto aplicado pelos jornalistas. Por exemplo, notei isto mesmo quando se deu o ataque israelita ao barco que ia para Gaza, as fontes internacionais foram rápidas a reportar o evento e deram-lhe destaque desde o principio, em Portugal foi necessário esperar pelo meio da manhã para que isso acontecesse, vejam a propósito aqui. Durante a noite foram saindo notícias sobre este caso, apenas não tiveram qualquer tipo de destaque.

    Recomendo o seguinte livro sobre este assunto: Manufacturing Consent: The Political Economy of the Mass Media.

    • Luís Moreira diz:

      Meu caro Helder, aqui no Aventar foi uma farturinha, a discussão sobre o barco e a Faixa de Gaza!

  4. É verdade Luís, falou-se muito sobre o barco aqui no aventar, mas a qualidade da discussão desapareceu ao fim de meia dúzia de posts… – Outro problema de gestão de informação.

    Vejam agora outro exemplo de manipulação. Se forem aos meios de comunicação internacionais (hoje 2010.07.26 11:00) vão ver nas primeiras páginas a história dos “diários de guerra” (por exemplo no The Guardian, ou no NYT, ou no Der Spiegel, etc…). Na imprensa portuguesa quase não se fala no caso, encontrei uma referência no Sol e outra na TVI 24, em ambos os casos sem honra de primeira página e a reproduzir a indignação da casa branca sobre o caso.

    Notem que, ao que tudo indica, a revelação destes documentos vai ter uma importância comparável aos The Pentagon papers. Para um país que está envolvido no Afeganistão, isso deveria ter um bocado de importância…

  5. As questões aqui colocadas pelo Jorge Fliscorno e pelo Hélder Guerreiro apontam para a democratização da produção de informação aberta pela era da internet e para uma eventual manipulação dos ritmos informativos pelos grandes poderes. Vou mais para a primeira opção, sem deixar de registar que há casos relevantes onde a segunda premissa se aplica. Não acontece é tantas vezes.

  6. Ricardo Santos Pinto diz:

    Diz o Helder: «Também se deve ter em conta o forte controlo sob a forma como são apresentadas as notícias.»
    E tem toda a razão.
    Olhem este exemplo bem recente. Saiu no jornal há uns dias: «Um operário de construção civil faleceu ontem ao fim da tarde em Oliveira de Azeméis vítima de acidente de trabalho num a obra. O homem de 54 anos teve morte imediata, ao ser esmagado por uma máquina.»
    O que realmente aconteceu foi o seguinte: «Um operário de construção civil faleceu ontem ao fim da tarde, na Escola Básica e Secundária Ferreira de Castro, em Oliveira de Azeméis, vítima de acidente de trabalho numa obra de requalificação da Parque Escolar, sob a empreitada da Mota-Engil. O homem de 54 anos teve morte imediata, ao ser esmagado por uma máquina.»

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