Notícia das notícias em gráficos


O jornal Público divulga hoje o relatório da ERC sobre os gastos em publicidade por parte do Estado central – isto é, sem contar com autarquias, instituições de ensino, tribunais, Presidência e Assembleia da República. [Adenda a 20.Out.: a edição impressa acrescenta mais alguns detalhes. Sumário no fim deste texto.]

É portanto apenas uma parte do total desta desta despesa e desde logo espanta pelo seu valor: 408 milhões de euros! Caro leitor, fique sabendo que só para a propaganda do Estado central contribuiu no ano passado com mais de 40 euros. Contribuiu, aliás, bem mais do que este valor, pois o número de contribuintes efectivos é muito inferior a 10 milhões. Dada a falta de números oficiais, estima-se em 3.5 milhões o número de contribuintes efectivos. Neste caso, a sua generosa contribuição em 2009 para os cartazes do solar, das Novas Oportunidades, dos programas patrocinados na TSF, anúncios de página inteira em jornais e mais uma catrefada de "investimentos" (!) foi superior a 100 euros.

Mas vejamos esses números saídos hoje no Público, aqui apresentados em 5 gráficos, para depois  os lermos.

1. Gastos totais

 Gastos em PUB pelo Estado central

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2. Distribuição pelos diversos meios de comunicação social

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3. Gastos em televisão

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4. Gastos na imprensa

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5. Gastos na rádio

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Olhando para este números, regista-se que a televisão recebe a fatia de rei. pelas somas "TVI+TVI24" e "SIC + SIC Notícias" verificamos que a distribuição de dinheiro foi quase equitativa entre os dois grupos.

Quanto à imprensa, os grupos "Correio da Manhã + Sábado" e "Jornal de Notícias  + Diário de Notícias + 24 Horas" quase facturam ao Estado os mesmos valores. Que são o dobro do que o grupo "Expresso+Visão" facturaram. Já o Público, pese embora a inegável qualidade do jornal, é um claro perdedor.

Nas rádios, o domínio da TSF é notável, com uma facturação ao Estado mais de 18 vezes superior àquela que o Rádio Clube conseguiu. Apesar de as duas rádios (quando a Rádio Clube ainda estava no ar) terem uma programação que se podia dizer taco-a-taco.

O facto é que, também na comunicação social, o peso do Estado não é de ignorar. Só o Estado central corresponde a 10% da facturação mas há a não esquecer os gastos das autarquias, instituições de ensino, tribunais, Presidência e Assembleia da República. O que leva à habitual questão da isenção quando certos trabalhos jornalísticos vêm luz. Mas mais preocupante do que este aspecto é a actual tendência da comunicação social publicar, quase sem confirmação (sejamos benévolos), as notas de imprensa que recebe da parte do Estado e de agências de comunicação. O que resulta num quarto poder deveras enfraquecido.

 

Adenda

Surgiram também dificuldades em classificar o que é publicidade institucional e publicidade do Estado, já que falta uma definição legal suficientemente clara.
Foi também apresentado o top dos anunciantes: Direcção-Geral das Contribuições e Impostos (7,6 milhões de euros) nos jornais, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (5,8 milhões) na rádio, e a PT (87 milhões) na TV. Que foi motivo de discórdia por a PT (e a TMN, referida em 2008) não ser considerada estatal, embora as autoras defendam que pesou o facto de haver uma golden share do Estado e uma quota da CGD. Já o Taguspark foi excluído por ter quota de autarquias e da banca. (Públ
ico
)

Outras leituras:

Comments

  1. Essa da TVI é notável. Chama-se: vamos lá comprar esses gajos.

Trackbacks

  1. [...] recentescarlos fonseca em E então a Alemanha? Xenófoba, como sempreJoão José Cardoso em Notícia das notícias em gráficosJorge Fliscorno em A França já está a arderJorge Fliscorno em Hoje tenho vergonha de ser [...]

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