Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido. O poder absoluto de Mário Soares no PS


continuação daqui

«No II Congresso do Partido Socialista, que teve início no dia 30 de Outubro, cumprir-se-ia a «promessa» que Salgado Zenha e o secretário-geral me tinham feito em sua casa em Janeiro de 1975, no sentido de ser corrigido o erro e a injustiça cometidos no
turbulento I Congresso. Assim regressaria à Comissão Nacional e Directiva do Partido Socialista de que tinha sido co-fundador. Mas seriam, essencialmente, o trabalho entretanto desenvolvido e as decisivas iniciativas para o PS que iriam justificar plenamente
a minha ascensão ao Secretariado Nacional e a confirmação no pelouro de responsável pelas relações internacionais.
A própria comunicação social se apercebera desse facto, comentando um semanário que «o Grupo que em 74 foi marginalizado do PS durante a luta interna com Manuel Serra (grupo este que participava no PS desde os tempos da clandestinidade) deverá regressar ao primeiro plano, em particular, à Comissão Política Nacional. É o caso de Vítor Cunha Rego, Rui Mateus, Alfredo Barroso, Bernardino Gomes e Rudolfo Crespo. A sua ‘reabilitação política’ revelará um acentuar do peso dos moderados no seio do PS».
Para além da nítida alteração pró-ocidental que se verificara na política externa do Partido eu tinha, graças aos meus contactos com o Partido Social-Democrata Sueco, conseguido co-organizar a Cimeira de Estocolmo e a do Porto e tinha desenvolvido esforços e contactos na Europa, nos EUA e até em África, que colocariam o Partido Socialista no mapa da Internacional Socialista em termos de uma prestigiante «igualdade», não obstante a evidente manutenção da sua qualidade de partido recipiente. Mas apesar de eu estar convencido de que a minha ascensão se devia ao mérito do trabalho desenvolvido em prol do partido, também não tinha dúvidas de que o cumprimento da promessa que me tinha sido feita e eu reivindicara em Janeiro do ano anterior, seria um acto discricionário de Mário Soares, que ele de qualquer modo nunca me deixaria esquecer. Era primeiro-ministro do I Governo Constitucional, atravessava uma vertiginosa promoção nacional e internacional e aparecia nos media, sobretudo norte-americanos, como o «herói» dos mencheviques que derrotara os bolcheviques. Acima de
tudo, controlava de forma absoluta o Partido Socialista e em Setembro de 1976, no PS, tudo dependia da sua vontade.»

O Aventar disponibiliza a obra completa aqui

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