Coisas para que serve ter o Estado nos negócios

Tudo somado, incluindo também os chamados CAE, CMEC e PRE, os apoios à produção pagos em Portugal somam quase 1800 milhões de euros e formam uma grande parte dos custos de política energética e de interesse económico geral (CIEG). Este ano, os CIEG e os custos de política energética totalizam quase 2302 milhões de euros – uma dívida que todos os meses vai sendo paga por todos nós.

(Público)

Como se vê, nem só de BPNs e tal vivem os buracos do país. É de sublinhar a grandiloquência com que as energias renováveis foram apresentadas.  Foi um negócio de futuro, sem dúvida, mas novamente para alguns.

Depois da fé na chuva, agora o dom de deus

No discurso oficial, que Vítor Gaspar proferiu sem rodeios em menos de cinco minutos, fez referência às origens familiares que tem em Manteigas, aludindo aos ensinamentos da sua avó Prazeres, para quem a “todos Deus conferiu um dom que, chegado o dia, será posto ao serviço para procurar o ‘bem comum’”. As Beiras

Ainda corremos o risco de confundir o governo com um conclave religioso. Aguarda-se o processo de beatificação da troika e as peregrinações pelo crescimento do PIB. E eu a pensar que o deus deste governo era o mercado,

Das macholiberalidades

De muito macho a mariquinhas e do tudo muito liberal ao vamos lá com calma.
 

I’m a lumberjack, and I’m okay.
I sleep all night and I work all day.

I cut down trees. I eat my lunch.
I go to the lavatory.
On Wednesdays I go shoppin’
And have buttered scones for tea

I cut down trees. I wear high heels,
Suspendies, and a bra.
I wish I’d been a girlie,
Just like my dear Papa.

Sou lenhador e sou a preceito.
Durmo toda a noite e trabalho o dia todo.

Corto árvores. Como o almoço.
Vou ao quarto de banho.
Às quartas vou às compras
E como scones com manteiga ao chá

Corto árvores. Uso saltos altos,
Ligas e sutiã.
Queria ter sido um mariquinhas,
Tal como o meu querido papá.

Chelsea despediu o treinador

Isto não seria propriamente uma notícia.

Tal como não será novidade que o Mister da cadeira de sonho, André Villas-Boas, estava de partida de Londres.

O mais espantoso é o que isto significa. O Chelsea arranca com um projeto inovador de tornar milionários todos os portugueses. O processo é simples e está, finalmente, em fase de concretização: começou com Mourinho, depois com Scolari – na Rússia pensavam que ele era português – e agora com o Villas-Boas.

O milionário Russo vai contratar, um a um, todos e cada um dos portugueses. Ao fim de uma semana despede-os e depois é só pagar a indemnização.

Desta forma Portugal sairá da crise e estaremos de volta aos mercados ainda antes do fim do ano.

Está confirmado que eu serei o próximo. Ou não.

Bota aí no vocabulário do AO: Inadimplência, inadimplemento e inadimplir

Um inadimplidoQuerem ver que FJV tem alguma razão! Precisamos, de facto, de alguns “ajustamentos pontuais” no Acordo Ortográfico e mesmo no Vocabulário, para ficarmos a par dos nossos companheiros brasileiros. Hoje, deparei na ‘Folha de São’ Paulo com o seguinte título:

Bancos se preparam para aumento da inadimplência

Assim, de chofre, interroguei-me: o que é isto? Inadimplência? Da leitura do texto da notícia, lá percebi que equivalia à nossa frase ‘Bancos preparam-se para aumento de incumprimentos’; isto é, lá como antes cá, a banca na louca corrida de se esvair em crédito concedido, colhe, em contrapartida, a explosão de casos de incumprimento de empresas e particulares – em 2011 as provisões para cobranças duvidosas de 23 bancos de grande e médio porte subiram muito, 42,2%.

Percebi. Todavia, nas buscas efectuadas nos dicionários de casa, entre os quais o ‘Dicionário da Língua Contemporânea Portuguesa’, da Academia das Ciências de Lisboa, não detectei o vocábulo ‘inadimplência’. Valeu-me o ‘Ciberdúvidas’ e também a ‘Wikicionário’. Este, porém, ressalva que ‘inadimplência’ não é um termo correcto. O ideal seria ‘inadimplemento’ como derivado do verbo ‘inadimplir’.

Por outro lado, o ‘Wikicionário’ diz que o sinónimo da ‘inadimplência’ ou ‘inadimplemento’, no vocabulário do Brasil (Direito) é ‘descumprimento’, ou seja, o nosso ‘incumprimento’. O melhor é mesmo descomprimir-me, porque me sinto deveras inadimplido.

A ilusão do sucesso no ensino privado

Um estudo da Universidade do Porto arrasa a verdadeira fraude que sempre foram as classificações dos alunos no ensino privado.

Fica demonstrado que os colégios dão muito jeito para entrar no curso pretendido mas depois se revelam uma má preparação, já que os alunos provenientes das escolas públicas obtêm melhores resultados na universidade. 

Passível de entendermos se tivermos em conta a inflação das notas no privado (para todos os efeitos trata-se de avaliar clientes), o ensino centrado nos exames (que não é a mesma coisa que centrá-lo na aprendizagem e na autonomia) e a realização dos exames nas escolas privadas (um completo absurdo, agravado pelo facto de estas escolas enviarem os seus professores para avaliarem exames vindos das outras escolas, suas concorrentes). Não sendo nestes factores que se colhe a explicação, digam-me lá onde está ela? bruxedo?

A fruta

O desenrolar do campeonato tem espevitado o curioso sobre a fruta no futebol que havia em mim.

O arquitecto da Robbialac e uma Barragem toda catita


«Assim, fica mais catita!», terá confidenciado Souto de Moura, entusiasmado, a António Mexia. «É para disfarçar. No meio da paisagem, ninguém vai perceber que são postes de electricidade. Uma espécie de pantomina dos elementos visuais».
Isso e o paredão. Com a nova cor escolhida por Souto de Moura, a própria paisagem vai ganhar um novo significado. Eu cá, por motivos óbvios, escolho o azul.