A cópia privada e a Lei de Moore

O vice-presidente da SPA é muito engraçadinho. Usou do “argumento” de que o iPhone 6 Plus custa mil euros e que uma taxa de 15 euros não é nada. Mais, acabou de sugerir que, com esta nova lei, deixam de andar a prevaricar, sem dizer como. Especialmente quando o direito à cópia privada existe.

A Maria João Nogueira esteve muito bem, pena que lhe tenham cortado a palavra para falar David Ferreira, o qual veio falar em roubo. Roubo de quê? E fala em aumento no máximo de 1.5%. A questão mesmo é que não lhe importa se é justo ou não eu pagar a porcaria da taxa só porque tenho um disco com conteúdos meus.

José Valverde, falando pela indústria, tocou num ponto sensível: esta malta que defende a cópia privada quer pretender, sem o assumir, que a cópia privada será uma forma de resolver o problema da pirataria.

Agora fala o SEC dizendo uma mentira. Sim, mentira, porque dizer que o montante a pagar é um valor nos dias de hoje, baixo, na ordem dos cêntimos, é falsear, a realidade. E é na parte da realidade que entra a Lei de Moore. Esta lei, postulada por Gordon Moore, diz que o número de transístores dos circuitos electrónicos duplica a cada 18 meses. É um estimador que tem previsto muito bem a evolução da tecnologia. É uma lei que também tem servido para prever a evolução de outras tecnologias tais como a capacidade de armazenamento e de memória em uso nos dispositivos. A mentira do SEC, mentira por omissão, consiste em não dizer que os valores máximos deste imposto serão atingidos em apenas 5 anos.

Letria, da SPA, acabou de confirmar o que já aqui foi escrito: nem 40% do imposto recolhido pela cópia privada chega aos autores. Esta é que esta. Na verdade, o valor que chega aos autores é, de facto, mais baixo. Letria fala das dificuldades dos autores. Mas acontece que, e isto Letria não o diz, muitos autores estão a ganhar um novo fôlego, precisamente, porque conseguem chegar directamente ao seu público através do digital e das novas tecnologias, sem intermediários como AGECOP e afins.

Pelo caminho, seremos todos taxados, com ou sem justa causa.

Adenda: petição “Impedir a aprovação da proposta de lei n° 246/XII, da Cópia Privada

Comemoração mediática

Comemorando os 35 anos do Serviço Nacional de Saúde, a RTP2 não encontrou melhor destaque que fazer uma extensa entrevista ao seu maior inimigo, Artur Osório Araújo, presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada. A banha da cobra foi vendida sem vergonha nem a mais pequena sombra de rigor ou decência. Ficamos a saber o que vem aí para abocanhar os restos do BES Saúde e ferrar o dente na jugular do SNS. Mais tarde, a RTP tentou disfarçar o golpe e, assim, José Manuel Silva teve direito a duas ou três perguntas “a despachar”a que, felizmente e como era de esperar, respondeu rigorosa e certeiramente. Preparem-se, que isto agora é a sério. (Nem falo aqui nas discretas e envergonhadas comemorações governamentais; só faltou pedirem desculpa aos donos por ainda não terem feito o serviço de destruição completo).

A lei da cópia privada no Prós e Contras

Está a começar o programa Prós e Contras na RTP1, desta vez sobre a proposta de lei da cópia privada. Eis algumas questões que gostaria de ouvir respondidas pelo SEC, pela AGECOP e pela SPA:

  1. Como é que demonstram que a cópia privada tem prejuízo para os autores?
  2. Como é que é possível exercer o direito de cópia privada se os DVD e CD vem protegidos tecnica e legalmente contra a possibilidade de fazer cópia privada?
  3. Qual é a percentagem de dinheiro recolhido pela cópia privada que chega aos autores?
  4. Como é que determinam que autores é que recebem dinheiro vindo da cópia privada?
  5. Porque é que quem não exerce o direito da cópia privada tem que pagar este imposto (sim, é um imposto)?
  6. Como é que quem paga o direito da cópia privada nos produtos digitais não irá pagar duas vezes o mesmo imposto?
  7. Com que base é que os meus equipamentos usados para fins profissionais e pessoais onde não irei exercer o direito da cópia privada terão que pagar esse imposto?

 

Pequenos e médios trafulhas

Maria de Lurdes Rodrigues foi condenada. Por alegado crime insignificante (embora importe que se vá acumulando jurisprudência sobre casos que tais), comparado com o mal irremediável que fez no ministério que tutelou. As próprias palavras por si proferidas à saída do Tribunal ( “Nunca tinha entrado num tribunal. Estou muito mal impressionada com aquilo que aqui vi”) mostram a distância a que esta gente está dos problemas reais de que sofre o país, que governaram de modo, como diz a lei, “solidariamente responsável”.

Ela e o seu herdeiro espiritual Nuno Crato conseguiram um desolador efeito de devastação no sistema de ensino com o qual parecem ter uma relação no limite do patológico. Para lá de todos os problemas já conhecidos, hoje multiplicaram-se as notícias de escolas – algumas novas! – que vão encerrar, embora algumas tenham mais de quarenta alunos. Já não há limites para a barbaridade. No fim, restam condenações por pequenas e médias aldrabices, favorecimentos, tráfico de influências. Mas o mal pesado que foi e continua a ser feito ficará sem outra resposta que as anémicas reacções eleitorais. Só os crentes ficarão descansados, já que acreditam – como uma pessoa com quem falei hoje – que Deus ajustará as contas depois. Chamam a isto esperança de justiça. Eu, com o devido respeito, chamo alienação. Nisto, eles são mais felizes. Mas também mais disponíveis para ser enganados de novo.

Obrigada por este bocadinho, François! (II)

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A baixa política e o baixo jornalismo franceses geraram Valérie Trierweiler, uma cara bonita que aos 23 anos se agarrou com unhas e dentes (literalmente) à corda de ascender socialmente. Valérie era pobre mas aquilo não ía ficar assim. Ensombrada por essa infância de pobreza e por um casamento que não a tirou de lá, muito pelo contrário pondo no Mundo três filhos para criar, Trierweiler (nome do pai dos seus filhos, Massonneau de seu apelido de solteira) descreve no seu livro-vingança, escrito com a raiva do despeito, um começo de vida que evoca um famoso livro de Christiane Rochefort, Les petits enfants du siècle (1961): estimulado pelas ajudas estatais à natalidade, um casal em dificuldades esmifra-se por gerar a descendência que lhe permitirá comprar os electrodomésticos com que sonha. Despeito é a palavra que domina o livro, visando antes de mais François Hollande que, como a maior parte dos homens faz, trocou uma mulher na meia-idade por uma mais nova, mas talvez e sobretudo a mulher anterior: Ségolène Royal, mãe dos quatro filhos de Hollande a cujos poderosos calcanhares influentes Valérie tenta sem sucesso chegar.

Embora ciente da ironia do destino que expõe com crueldade o ciclo da infidelidade, a despeitada dedica longas passagens do seu livro-sensação Merci pour ce moment a desancar Ségolène. A actriz Julie Gayet, por quem Hollande se perdeu de amores, não está isenta de culpas, mas a pior de todas é Ségolène que, não satisfeita e tendo perdido a eleição presidencial anterior, se abalança em 2012 à presidência da Assembleia nacional de França, a câmara baixa do Parlamento francês. Supostamente em nome da defesa da separação dos poderes executivo e legislativo, Valérie lança no espaço do Tweeter 139 caracteres em defesa de outro candidato ao cargo, desafiando a paciência de Hollande que publicamente apoia Ségolène, «o símbolo supremo, a mãe, a intocável». Trierweiler também é mãe, «mas não a dos filhos do Presidente», e por isso não conta. Royal é uma espécie de Hillary Clinton, diz a dado passo a despeitada. O caso do tweet terá sido o começo do fim para Trierweiler.

Pelo meio, a best-sellerista vai descrevendo a sua triste vida privada de “First Girl Friend”, como lhe chamavam os norte-americanos por não ser casada com Hollande, e os encontros com este e aquele, no âmbito das responsabilidades de Estado que, como mulher de Hollande, teve de acompanhar. O dia em que se encontrou pela primeira vez com Angela Merkel, por exemplo, que a convidou para ir ao festival de Bayreuth.

“O que tem valido ao SNS é a mãe, a Constituição”

Um balanço dos 35 anos do SNS por António Arnaut.

A justiça relativa dos erros

Portugal não conseguiu alcançar o desiderato de ficar em segundo lugar, posição que ainda poderia levá-lo à segunda ronda da Liga Mundial, feitas as contas pela Federação Internacional em reunião que terá lugar no dia 28 deste mês. É que, ao contrário da primeira edição da prova, ainda não se sabe quem avança, salvo os primeiros classificados, que garantiram já a acesso. No caso de Lousada, a Áustria é, assim, a única selecção com lugar marcado. [Read more...]

Sons do Aventar :: U2 :: Songs of Innocence II

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O tempo é bom conselheiro. Escrevi aqui sobre o último trabalho dos U2 logo após a sua publicação no iTunes. Agora, passados uns dias e depois de ouvir “Songs of innocence” várias centenas de vezes (sim, centenas delas) julgo estar mais habilitado para uma análise mais “profunda”.

Para início de conversa: é o melhor álbum dos U2 desde 1991. Ou seja, desde “Achtung Baby”. Nunca me tinha acontecido tal. Nas primeiras audições gostei, apenas e só. Quanto mais vezes ouvia e ouço, cada vez gosto mais. Talvez tenha começado por ouvir ainda com os dois anteriores em mente, os que menos gosto da banda. Um preconceito errado. Mea culpa.

As primeiras músicas que me despertaram a atenção foram “Every breaking wave”, “California”, “Song for Someone”, “The Troubles” e “Raised By Wolves”. Ao longo dos dias e das várias audições despertei para “Iris, hold me close” e “Sleep like a baby tonight”, “Cederwood road” ou “This is where you can reach” e assim de repente temos praticamente todo o álbum. Portanto, estou rendido. Algumas vão “explodir” ao vivo graças ao seu enorme potencial em concerto. Outras vão ficar para sempre coladas ao corpo. Ok, não estamos perante um “War”, “Inforgettable Fire”, “The Joshua Tree” ou mesmo “October”. Mas não fica muito longe de alguns deles, não senhor. Arrisco mesmo que é um renascer.

Agora é esperar, ansiosamente, que arranquem os concertos! E enquanto isso, mais umas centenas de vezes a ouvir estes “songs of innocence” enquanto não chega o “Songs of Experience”…

Every breaking wave on the shore
Tells the next one “there’ll be one more”
Every gambler knows that to lose
Is what you’re really there for
Someone I was fearless
Now I speak into answer phone
Like every falling leaf on the breeze
Winter wouldn’t leave it alone
Alone

If you go?
If you go your way and I go mine
Are we so?
Are we so helpless against the tide?
Baby, every dog of street
Knows that we’re in love with defeat
Are we ready to be swept off our feet
And stop chasing
Every breaking wave

Até já, Itália

por

Portugal tem hoje o confronto final da Liga Mundial contra a Itália, que ontem foi goleada – 6-1 – pela Áustria. Falta saber se a exibição dos transalpinos não foi um disfarce, sabendo o treinador italiano que a equipa técnica nacional (Mário Almeida, Fernando Ribeiro e Marcos Ferreira) esmiúça até ao tutano os adversários em todas as situações de jogo e treino. Por isso, terá jogado, ontem, em ritmo de treino, precavendo-se para hoje, o jogo de todas as decisões. [Read more...]

O mais incompetente governo que Portugal já teve

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A lista poderia continuar mas esta chega para ilustrar um governo que falhou todas as metas que ele mesmo tinha estabelecido. Um governo que em 3 anos virou o país de pantanas num passeio onde não teve oposição. Qual é a pressa? O que interessa é chegar ao poder, sem traições.

 

Obrigada por este bocadinho, François!

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145 mil exemplares vendidos em 4 dias (de uma 1ª tiragem de 200 mil)

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Valérie Trierweiler na noite da eleição de François Hollande, em Maio de 2012

[Resumo do 1º capítulo]
Valérie (Val) era feliz junto do seu François, organizando almoços de caridade e promovendo o bem em redor dela com a ajuda, designadamente, do seu chefe de gabinete – um antigo jornalista da RFI. Até que outra mulher (há sempre outra) lhe tirou o marido e o descanso. Interrogado certa tarde no apartamento conjugal, na sequência de algumas notícias que o davam como adúltero (um fotógrafo paparazzi apanhara-o a sair de motorizada pela manhã, da casa dessa outra mulher), François confessou: que sim, que andava a dormir com outra há um mês. Val conteve-se para não gritar com ele nem partir loiça, e propôs-lhe que fizesse sem mais demoras uma declaração pública pedindo-lhe desculpas e comprometendo-se a não voltar a ver essa outra mulher. Sucede que François estava afinal a mentir, e que já andava naquilo há mais tempo. Há quanto tempo François? perguntou Val. Há três meses. Não, há seis. Não, desculpa, há nove. Um ano, na verdade, disse finalmente François, antes de voltar para o seu gabinete. Val fica ali feita parva no apartamento e a sua tarde de trabalho vai para o galheiro.

À noite, François volta para jantar e Val vai dar com ele de joelhos no quarto, a cabeça entre as mãos. Como é que vamos fazer? pergunta perdido de todo. Durante o jantar, Val pergunta-lhe onde está afinal o presidente exemplar, que anda naquela vida durante a noite enquanto as fábricas fecham, o desemprego aumenta e a sua popularidade baixa todos os dias? [Read more...]

Música da semana – VII

Uma vez mais destaco o talento do inigualável Mike Hadreas.

Empate com água na boca

Ponto prévio: A Áustria, que ontem empatou Portugal na Liga Mundial, tem um estatuto de 21 lugares acima de Portugal no ranking internacional. Foi campeã europeia de indoor, destronando o grande dominador desta variante, a Alemanha, onde joga mais de meia equipa que ontem se exibiu em Lousada. Desses seis, três jogadores são titulares da equipa alemã que venceu a Liga Europeia de clubes na variante de campo, os restantes jogam noutras equipas da Bundesliga. Foi contra esse adversário que Portugal mais uma vez se superou, impondo-lhe o 1-1 final. [Read more...]

Boicote?

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Num café da minha rua, uma máquina de tabaco não aceita moedas de 1 euro alemãs e austríacas. Que é do símbolo, que cria uma espessura diferente das outras, diz o dono do café. Será?

Setembro existe

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Fonte: Financial Times (http://on.ft.com/1BxKxsI)

Segundo a RTP, o jornal *Finantial Times divulgou que o Banco Espírito Santo terá feito empréstimos não declarados ao Espírito Santo Internacional, através do Panamá. O problema é que o jornal Finantial Times não existe. Aquilo que existe é o jornal Financial Times. Como *atualizado, em português europeu. Não existe. Aquilo que existe é actualizado. Quanto a Setembro, sim, existe: Setembro existe. Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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Please say yes…

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-Os assuntos de qualquer nação apenas a ela dizem respeito. Considero positiva a realização do referendo na Escócia. Como também defendo o mesmo princípio para o País Basco, Catalunha e nem me importaria que Portugal para satisfazer a vontade de muitos monárquicos realizasse uma consulta para decidir o regime político. No final há que respeitar o resultado. Principalmente os estrangeiros, como eu, era o que mais faltava ter uma palavra a dizer nos destinos de qualquer nação que não a minha. A Democracia pode ser uma maçada para alguns e nem sempre estamos de acordo com as consequências da livre escolha. Mas não existe sistema melhor. No entanto confesso estar a torcer por uma vitória do Sim à independência da Escócia.

Liga Mundial de Hóquei começa hoje

Portugal, através da sua selecção sénior, inicia hoje a participação na primeira ronda da Liga Mundial. Recorde-se que, há dois anos, os Linces conseguiram mesmo a qualificação história para a segunda ronda.

Neste ano, contudo, essa expectativa pode ser bem diferente. Houve demasiados problemas, há uma preparação incompleta, houve desinteresse de alguns atletas, não houve respeito pela Federação e pela camisola nacional.

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Quem o diz é seleccionador nacional, Mário Almeida, que, frontal e sem receios, analisou para a FPH o momento. [Read more...]

Aroma de Hitler

Cada vez estou mais convencida de que o mundo está a transformar-se na caricatura de si mesmo, ridícula e superficial até ao limite do suportável.

Numa época em que se vão fazendo evidentes as semelhanças entre o momento actual e a história recente, e em que por isso tão vital é conhecê-la, quanto mais não fosse como antídoto para a repetição do que ela teve de pior, reparem na promoção que um canal televisivo temático decidiu fazer de uma série de programas dedicados à II Guerra Mundial.

O perfumista Lourenço Lucena foi convidado a criar um aroma para cada um dos protagonistas da série: Winston Churchill, Adolf Hitler, Franklin D. Roosevelt, Hideki Tojo, Benito Mussolini e Josef Estaline. Conhecer os “aromas da história”, é a original metáfora, e enormíssimo desafio, porque os aromas desta história não são aqueles que costumam caber num frasquinho de essências: o sangue derramado, e “só o sangue cheira a sangue”, dizia Anna Akhmátova, o gás das câmaras de Auschwitz-Birkenau, a carne queimada em Hiroshima. Não era simpático, deve ter pensado o perfumista, e por isso inspirou-se nas características dos protagonistas, homens fortes, de aroma intenso. [Read more...]

Sanções, petróleo e os hipócritas do costume

Rex Putin

(Na foto: shake-hands entre o presidente russo Vladimir Putin e Rex W. Tillerson, CEO da Exxon Mobil)

Há algo que não bate certo nesta cruzada do Ocidente contra o opressor russo. Na verdade, existem várias coisas que não batem certo. O Ocidente – leia-se a política externa norte-americana imposta aos seus colaboradores habituais – vai endurecendo o discurso contra a suposta ingerência de Moscovo na crise ucraniana e as sanções sucedem-se. É expectável que hoje sejam apresentadas novas sanções, tanto da parte dos EUA como da UE, que incluem proibições ao sector financeiro russo de aceder a capitais norte-americanos e a empresas energéticas de se financiaram nos mercados de capitais da União. Um acto de coragem? Não é o que parece.

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In Memorian (II)

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Dedicado a todos os seres humanos que perderam a vida às mãos de bárbaros terroristas num dia infame.

Teatro no Porto: Rádio Saudade

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 O TIPO  (Teatro Inédito do Porto) estreia amanhã Rádio Saudade. É no Teatro da Vilarinha e custa apenas cinco euros. Como ainda falta algum tempo para a estreia, o futuro espectador pode ler a sinopse e a ficha técnica. O mesmo espectador pode ficar a conhecer o curriculum desta jovem companhia teatral.

In Memoriam

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Dedicado a todos os seres humanos que perderam a vida às mãos de bárbaros terroristas num dia infame.

Ainda vamos a tempo

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De conseguir o apuramento para o Euro 2016. Do meu ponto de vista a escolha indicada seria Jesualdo Ferreira. Dos nomes que vi por aí, espero que a FPF não opte por Vítor Pereira ou Fernando Santos. Basta de mediocridade… Temo que a escolha não seja de Fernando Gomes, mas condicionada por Jorge Mendes e pela empresa CR7…

Franchsing – o renascer do velho cabeça de ovo!

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Isto ia acontecer um dia. Depois das desvairadas recriações de famosas personagens literárias em filmes e séries de televisão, por vezes com recursos cénicos delirantes ou anacronismos patuscos – eventualmente com resultados interessantes, diga-se -, chegou-se ao puro gangsterismo editorial.

Um descendente/herdeiro de Agatha Christie, decidiu – e pode! – fazer negócio com uma escritora inglesa, à qual vendeu o direito de “continuar” a obra da mestra do policial, nomeadamente ressuscitando a figura de Poirot que vai, assim, continuar a exercitar “his little grey cells”. Isto é, Poirot é um franchising! Como asas de frango, cachorros quentes, hambúrgueres. Aposto que o pobre Hastings vai ser substituído por uma capitosa loira cheia de truques e o brioso chief inspector Japp por algum mutante especialista em artes marciais.

Mas o herdeiro e a autora estão felizes, que eu vi. Já lançaram o livro. E em vários países simultaneamente. Ousam declarar que vão continuar a obra de Agatha Christie e já prometem uma sequela. Se isto faz escola, vai ser o bom e o bonito. Estou a ver algum descendente de Proust autorizar um Em Gozo do Tempo Encontrado. De Eça poderá sair Padre Amaro II: o Gay ou A Reliquia II – o Regresso a Jerusalém. De Camilo, Amor de Perdição – Mariana Sabia Nadar!. E nem quero pensar nos heterónimos que Pessoa pode vir a ganhar. Para não falar na publicação de um Azul e Verde, que continuará, em variação cromática, Stendhal, ou na mina que seria continuar a obra de um velho moralista como Sade. E por aí fora. Tremei, escritores vivos! Um qualquer bisneto desusado pode continuar-vos. A possibilidades são infinitas. Basta arranjar um descendente/herdeiro com o adequado perfil de chulo.

Os primeiros livros da vida

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© André Letria

Talvez os livros mais importantes de todos sejam os que são feitos para as crianças, escritos e desenhados para que um dia os abram e descubram dentro deles quase tudo o que interessa saber. Talvez o que depois aprendam, e designadamente a ler, não sirva para quase nada, a não ser para deixarem de ser crianças. Na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica, em Lisboa, um curso de pós-graduação em Livro Infantil preenche uma lacuna de formação específica nessa área, destinando-se tanto a profissionais da Edição como do Jornalismo cultural, da Educação ou da Pedagogia, podendo interessar ofícios tão diversos quanto aqueles exercidos por bibliotecários, educadores de infância, assistentes sociais ou animadores culturais.

Vários especialistas ensinam o que sabem fazer melhor, entre os quais a escritora Margarida Fonseca Santos, os ilustradores André Letria e Danuta Wojciechowska, ou o designer gráfico Jorge Silva, e tendo já participado em conferências e seminários de edições anteriores do curso escritores fundamentais como Luísa Dacosta, António Torrado ou Alice Vieira, ilustradores de ponta e lança como António Jorge Gonçalves, ou importantes editores nesta área como Carla Oliveira ou Pia Kraemer. Coordenado cientifica e pedagogicamente por Dora Batalim e José Alfaro, o curso em Livro Infantil está aberto a todos quantos desejem alargar o seu campo de saberes ou simplesmente actualizar-se, e não apenas a licenciados. Mais informações aqui.

“Os onze poderes do líder”

Quem lê muito, acaba, mais tarde ou mais cedo, por ser capaz de produzir umas frases jeitosas, daquelas que ficam no ouvido. E, se tiver ódios de estimação entre figuras mediáticas, sujeita-se a escrever livros. É uma tentação, e já Oscar Wilde explicava isso muito bem, quando assumia que a única coisa a que não resistia era à tentação. Ora, a tentações, nenhum de nós é imune!

“Os onze poderes do líder” é um livro que acaba de sair. O autor, Jorge Valdano, figura incontornável do Real Madrid como atleta, mas proscrito por Mourinho como director, aquando da sua passagem pela capital espanhola, caiu na mais primária das tentações para ficar ainda mais célebre: mostrar ao mundo que, por mais cultura que se tenha e por mais livros que se leia, hélas, somos humanos e faz parte dessa característica mostrarmos ao mundo quais são os nossos inimigos. Amesquinhando-os. A primeira falácia. [Read more...]

Sons do Aventar :: U2 :: Songs of innocence

Songs of innocence

Songs of innocence

 

Já uma vez escrevi: os U2 até podiam lançar um disco de fados que eu o compraria para juntar à minha colecção. Porém, uma coisa é coleccionar. Outra é gostar. E sou assaltado por justas dúvidas da qualidade que teria tal obra.

As mesmas dúvidas que tenho com os últimos dois álbuns dos U2 (“How to dismantle an atomic bomb” de 2004 e “No line on the horizon de 2009″). Nem me atrevo a comparar com “War” de 1983, “The Unforgettable Fire” de 1984 ou “The Joshua Tree” de 1987 – estes dois últimos são os meus preferidos sendo que se fosse obrigado a escolher “o melhor” não teria qualquer dúvida: “The Joshua Tree”. Ainda hoje é obrigatório na minha playlist e a ele volto sempre que me apetece ouvir boa música. Ou seja, todos os meses.

Esta madrugada fui surpreendido com uma prenda da Apple: descarregaram automaticamente e de borla o novo trabalho dos U2, “Songs of Innocence”. Não teve nada de inocente. Uma borla que serve todas as partes envolvidas: os U2 pela promoção e sabendo que nos tempos que correm não é a vender música que se ganha dinheiro (é a vender concertos), a Apple que sabe como poucos publicitar os seus produtos sem gastar grande coisa em publicidade e eu que, independentemente da qualidade da obra, teria de a adquirir na mesma.

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Verdade, essa vingativa

Perdoem-me que regresse a temas locais.

O Porto tem um belíssimo teatro municipal, o Rivoli, um edifício de inícios do século XX, e que após um período de remodelação reabriu, em 1997, como um dos principais equipamentos culturais da cidade. Durante os mandatos do executivo liderado por Rui Rio, e no âmbito da sua política de “contenção de despesas”, o teatro foi entregue a uma empresa privada, a do encenador Filipe La Féria.

O actual executivo de Rui Moreira herdou um teatro entretanto vazio (La Feria saiu há anos) e abriu um concurso público para a escolha de um director artístico do Rivoli e do Teatro Campo Alegre. O escolhido foi Tiago Guedes, que, na sua primeira entrevista nessa qualidade, afirmou que encontrou um teatro que havia sido deixado “em muito mau estado pelo Filipe La Féria”, afirmação que parece ter enfurecido Álvaro Castello-Branco, líder da distrital do CDS-Porto, e que foi também vice-presidente durante os mandatos de Rio, e que para além de acusar Guedes de “ignorância e arrogância”, se declarou “preocupado porque pelos vistos há um avençado da Câmara Municipal do Porto que quer ter opinião política”. [Read more...]

Durão Barroso e 30 anos de política: reflectir

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© euinside (http://bit.ly/1seimMg)

Segundo o Expresso, Durão Barroso terá declarado o seguinte: “Eu acho que neste momento, por várias razões – algumas até pessoais -, é importante respirar, ter uma pausa, pensar, *refletir”. Não é verdade. Lamento imenso. Já aqui no Aventar tive a oportunidade de chamar a atenção para o correctíssimo e exactíssimo reflectir da entrevista de Durão Barroso. Reflectir. Efectivamente. Reflectir.

 

E você? aumentava os impostos?

Os actos de banditismo político em que consistem os saques – pomposamente designados por “cortes na despesa” – dos vencimentos dos funcionários públicos e das reformas dos aposentados, espécie criminosa de imposto dirigido a grupos específicos e, por isso, ilegal, estiveram, curiosamente, ausentes do debate entre os candidatos à liderança do PS. Isto percebe-se e pelas piores razões.

Sei que é injusto para muitos dos melhores portugueses dizê-lo, mas a verdade é que tais esbulhos têm apoio popular e dão votos. É que a soma dos espoliados por estes meios não chega a 10% do eleitorado. Os restantes pensarão – que as muitas excepções me perdoem – que enquanto os predadores estiverem a atacar os servidores públicos e os reformados, não lhes aumentam a eles os impostos. Isto explica que a questão fiscal seja a pérola de todos os debates. Até deste. A palavra de ordem é: “touche pas mon IRS“.