Colégios privados financiados pelo estado e escolas públicas sem alunos

A segunda morte da jovem bailarina

bailarinaLaura Ferreira dos Santos

Naquela altura, quase dois anos após o 25 de Abril, eu tinha dezassete anos e frequentava o único liceu “feminino” da cidade, que só então começava a receber rapazes, e apenas nas turmas do primeiro ano.
No liceu, ao nível das “ciências” — eu pertencia às “letras” —, destacava-se no meu ano a Carla, filha de família muito conservadora e rica. A Carla era também conhecida por ter uma irmã um ano mais nova, a Diana, de temperamento oposto. A Carla vestia de modo clássico, pouco ria, mal convivia com as colegas; a Diana era extremamente jovial, inclinada para as artes, a frequentar ballet e com resultados académicos muito inferiores aos da irmã.
Um dia, reconheci a Diana numa mota conduzida pelo namorado. Fiquei admirada: tendo uma mãe e um pai muito conservadores, não sabia o que pensar do que via. Mas gostei do ambiente de liberdade e alegria que parecia ir transportado naquela mota. [Read more…]

FMI exige perdão da dívida grega

IMF Greece

Apesar da recusa de Passos Coelho, o aluno lambe-botas que por acaso até tem ideias que na verdade não são dele, a extrema-esquerda do FMI voltou à carga: sem o alívio da dívida grega, as tropas de Lagarde estão fora do terceiro resgate grego.

É comovente. Outrora irrevogavelmente contra qualquer tipo de reestruturação da dívida daquele país, os senhores do dinheiro recusam agora alternativas que não envolvam essa solução. Uma irrevogabilidade ao melhor estilo de Paulo Portas perante a estupefacção dos miúdos marrões que não compreendem outras lições que não aquelas que os obrigaram a decorar. Depois queixem-se que levam tanga no recreio.

Passos Coelho – “Estamos hoje a lutar mais por Abril e pela liberdade”

Paulo Pereira

Passos Coelho – “Estamos hoje a lutar mais por Abril e pela liberdade”

Paulo Portas – “Mãos à obra, vamos ganhar…”

PS: veja e ouça, para depois não dizer que não sabia.

Momento Zen

“Tio, que diabo é isso da “mula da cooperativa”? Havia mesmo uma música com esse nome? Expliquei que havia e, para provar o que disse, procurei-a no youtube. Lá estava ela. Fiz soar a voz do velho Max e, para que se ouvisse melhor a obra, tirei o som à televisão. E estávamos nisto quando, no ecrã, apareceu Paulo Portas, discursando na cerimónia de lançamento do programa da coligação. De modo que o vice lá ia gesticulando e agitando os queixos sem que se lhe ouvisse uma palavra, ao som valsado da “mula”. Enfim, a vida é feita de pequenos nadas…

O céu sobre nós

Pode dar-se o caso de levantarem os olhos da estrada e descobrirem a figura de cartão no topo de um edifício, como me aconteceu a mim. Era a silhueta de um dos anjos de Wim Wenders, quase de certeza o Damiel, e suponho que deveria ser o anúncio de um ciclo de cinema. No cimo do edifício, olhando cá para baixo, as costas ligeiramente curvadas, os braços caídos ao longo do corpo, as assombrosas asas atrás de si, como se não lhe pertencessem, como podem elas pertencer a um homem de gabardina? Um homem curvado sobre os monólogos de quem está preso à terra e dela não pode desprender-se. Curvado sobre a dor do mundo e as suas finitas, previsíveis variantes.

Ainda bem que o vi de longe, de fugida, e que assim não pude deter-me nas imperfeições de um cartaz que o vento destroça, que a chuva deforma. Apenas vi uma silhueta, tão improvável que tomou a força de um anjo calado e impotente, ele que jamais poderá resolver um problema terreno. Poderá escutar os monólogos de cada um de nós, o sofrimento calado que vamos desembrulhando, dissecando, carregando connosco como pele, como carne, como memória que não se apaga. Ainda bem que o vi assim, de fugida, com o sol a fazer-me semicerrar os olhos, com a necessidade de não deixar de atentar na estrada, porque assim ele foi uma aparição inútil e transformadora, como todas as aparições. [Read more…]

A nova-velha Turquia!

TURQUIA EST. ISL

A Turquia iniciou uma nova política face ao auto-proclamado “estado islâmico” (“ei”), em consequência do atentado de Suruç, há 10 dias (20 de Julho), na fronteira turco-síria. A famigerada Kobane, na Síria, fica a apenas 10 km de Suruç, sendo aliás esse o destino dos membros da Juventude Socialista dos Oprimidos (assim mesmo, Partido Socialista dos Oprimidos), cuja acção de voluntariado visava ajudar à reconstrução desta cidade anteriormente ocupada pelos criminosos do “ei” e, bombardeada pela Força Aérea da Coligação. O atentado de Suruç saldou-se em 32 mortos e 104 feridos.

Este foi a mote, a razão convenientemente encontrada pelo Presidente da República (PR) Erdogan para esta mudança, mas a qual nada tem a ver com os acontecimentos do passado dia 20 de Julho. [Read more…]

Troika presa

num elevador em Atenas.
[Fonte: InfoGrécia]

Um concurso cruel, um ministério podre

Santana Castilho*

Escrevo imediatamente após o encerramento do concurso de colocação de professores, designado por Bolsa de Contratação de Escola, roleta russa absurda que ditou o caos do início do ano escolar transacto, com milhares de alunos sem aulas por mais de um mês.

A evidente subjectividade dos critérios da edição deste ano (onde é possível a formatação de lugares por medida) dará uma cascata de ultrapassagens injustas de uns candidatos por outos, numa autêntica corrida de sobrevivência, marcada pela incompetência de um ministério podre. [Read more…]

Peste na serra

Carlos Peixoto, aquele rapaz untuoso com pulsões fascistóides e o QI de uma nêspera, autor da tese de que a Pátria está contaminada pela “peste cinzenta”, é cabeça de lista da coligação de direita na Guarda. Só quero declarar que, por mim, cada votante neste mentecapto celerado não será considerado “eleitor”, mas “culpado”. Como culpado é já quem o escolheu como candidato. Culpado daquela arrogância bronca que fez Calígula nomear senador o seu cavalo Incitatus.

Alugam-se jardins centenários

No domingo passado, estava eu a dormitar na relva dos jardins de Serralves quando um dos seguranças se aproximou para avisar-me de que tinha de sair porque estava a ocupar indevidamente os jardins centenários da Fundação. Lá fui eu, estremunhada, para outras paragens com o meu paninho de estender sobre a relva.

Na edição de hoje do Jornal de Notícias fiquei a saber que os mesmíssimos jardins centenários vão ser encerrados ao público durante os próximos dias porque foram alugados a Jorge Mendes, super-mega-hiper empresário do futebol, que se casará em Serralves e pretende que a boda, recheada de estrelas do seu calibre, se mantenha livre de olhares indiscretos. [Read more…]

A crise: abstracção de fronteiras semânticas turvas

“O PS é que trouxe a crise para Portugal” – o argumento desonesto que serve duas carapuças principais: a dos apoiantes da coligação PSD/CDS e a dos apoiantes da coligação PCP/PEV. A que se juntam algumas outras classes anti-PS, como por exemplo os que jamais perdoaram a Mário Soares e a Almeida Santos os improvisos da descolonização e os que não esqueceram quem lhes estragou a rave do PREC (que gerou uma partezinha da crise, já agora). E no entanto, basta ver quantos foram os Governos do PSD para perceber a verdadeira natureza da crise – a que também o PS não é alheio, nem o CDS, claro está. E era isto.

É da esquerda, é da esquerda, da esquerda…

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via FB do Alex Gozblau

Os “portugueses não comem TGV” mas comem escolas privadas

escolas privadas

Estado vai gastar mais 53 milhões de euros com escolas privadas, lê-se no JN. Não come TGV? Então tome lá este pitéu e não se esqueça da maionese para escorregar melhor.

Não chega?

Queremos implementar oque se pode chamar uma parceria público-social que proceda à transferência de equipamentos sociais que estão sob gestão directa do Estado Central para as entidades do sector solidário que integrem a rede social local, desempenhando o Estado um efectivo papel financiador e regulador. [Intervenção do Mota Soares, na apresentação do Programa de Emergência Social (sic), já em 2011]

Traduzindo este fantástico parágrafo: Já em 2011, o tipo do beija-mão deixou preto no branco que o estado iria financiar as IPSS, que é o termo correcto para o eufemismo entidades do sector solidário que integrem a rede social local.

Parece, portanto, que os portugueses não comem TGV mas já comem IPSS. E vão comer mais, pois esta ideia que foi transversal à legislatura já se anuncia que terá continuidade na próxima, se os tipos da estalada ganharem: [Read more…]

Orgulho

Nem sei se devia contá-la, porque há histórias que nos dão vergonha só de vê-las, assistir ao seu desenrolar faz-nos cúmplices do que vimos, e contá-las pode ser uma forma de servir-nos delas, ou isso tememos, que por contar estejamos a instrumentalizá-las e não é isso que queremos. Mas não contar é também como fechar os olhos ao que se viu, negar que tenha ocorrido, e tampouco podemos permiti-lo.

Era uma tarde de muito sol numa rua central da cidade. À porta de um hotel há dois contentores de lixo sempre cheios, muitas vezes os sacos ficam no chão até serem recolhidos. Passo por ali todos os dias, muita gente o faz. [Read more…]

Uma memória

Foi no princípio da década de 60. Era noite de Santo António e estávamos em Alfama.  O grupo residia no Bairro Santos para poder frequentar a universidade mas tratava aquelas vielas por tu.  Todas as sextas-feiras, como quem cumpre uma promessa,  abancava na Guitarra de Alfama, uma tasca de fado vadio por onde, em noites de grande sorte, passava  João Ferreira-Rosa,  Teresa Tarouca  e um actor de teatro que juntava à sua bela figura uma  voz estupenda, o Francisco José Teixeira.  Artistas fixas da casa eram a Cesária, a cigana, e a Júlia, que era vendedeira e à noite, por não ter com quem deixar o filho, deitava o bebé numa canastra que todos  nós embalávamos enternecidos.  Parece que deu resultado porque, muitos anos depois,  numa noite em que fui dar dois dedos de conversa com a Celeste Rodrigues à Viela, ali encontrei  o rapagão em cozinheiro a acompanhar no pão de cada dia a  sua orgulhosa mãe. O dono da tasca era o Alexandre que, de guitarra em punho, cantava de cabeça à banda fados espirituais e finíssimos  como se pode ver pela amostra: “Fui enganado por três / Com promessas como as tuas /  Vais lá para casa um mês / Se eu me der bem continuas”.  Acontecia de tudo naquele lugar.  Até aconteceu o Zé Tamagnini aparecer-nos com  um saco de bacalhau demolhado a pedir a cozinha emprestada para ali fazer  um Bacalhau à La Goyera de que o pai, o saudoso cirurgião  Augusto Tamagnini,  lhe tinha dado a receita.  A enchente foi tal , a rebaldaria tão tamanha, que o petisco se ficou  pelas mesas próximas da cozinha, onde o Zé pontificava com um grupo de ajudantes  organizado pela Solveig Hansen, que era hospedeira de terra duma companhia de aviação americana. Não tenho opinião sobre o cozinhado porque não o vi nem ao menos o cheirei.  Mas nunca duvidei dos dotes culinários do Zé.  Realmente, ali acontecia tudo.  Uma noite até apareceu uma senhora chiquíssima, acompanhada  de uns meninos da Linha, que pediu ao Alexandre para  apagar as luzes todas porque só gostava de cantar à escuras.  O tasqueiro andou de mesa em mesa a transmitir o recado e a pedir obediência.  Foi no meio duma completa treva que a senhora  deitou aos ares o seu fio de voz. E nós, mudos como penedos.  Mas logo havia o Luís Artur, que era meu colega na faculdade, de se lembrar de dizer em tom de pânico: “Oh Júlia,  dá o biberon ao menino a ver se ele se cala”.  Foi ali o ensaio geral do Dia de Juízo. [Read more…]

Portugal em 1975


“As raparigas estão de um lado, os rapazes estão do outro”

O absoluto descaramento eleitoral da coligação PSD/CDS-PP

PaF

 

Esta montagem da máquina de propaganda social-democrata/centrista é de um absoluto descaramento. Por um lado temos aquilo que aparentam ser duas crianças agarradas ao avô, quiçá à sua guarda depois dos seus pais terem seguido o conselho de convite à emigração que Pedro Passos Coelho nega mas que existiu, de resto em linha com tantas outras aldrabices com que foi iludindo os portugueses ao longo de quatro anos. Já o avô, cuja pensão esmagada por sucessivos cortes e aumentos de impostos directos e indirectos não lhe permite acompanhar o seu filho, por cá fica para, à semelhança de tantos outros avós deste país, substituir os seus filhos nas funções de pais que a acção deste governo lhes impede de cumprir.

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Cavaco e o pró-forma eleitoral

O Cavaco Silva de hoje não teria aceitado tomar posse em 1985 à frente de um governo minoritário. Com o que teria inviabilizado uma maioria absoluta do seu partido nas eleições seguintes. Foi com um governo minoritário que Portugal entrou na então CEE, na Europa, como hoje se gosta de dizer. O Cavaco Silva de hoje tem a memória curta. Muito curta. O Cavaco Silva de hoje é um arremedo do Cavaco Silva de 1985. Décadas de exercício do poder retiraram-lhe lucidez e discernimento. O corajoso que em 1985 foi empurrado para a liderança do PSD, que aceitou formar governo e tomar posse em condições minoritárias, tornou-se num político medroso, autoritário e sem estamina. E, pior que isso, capaz de usar o cargo que lhe foi confiado como Presidente da República para condicionar a democracia, para condicionar a liberdade de voto, para condicionar consciências, usando a sua posição institucional para impor os seus desejos. [Delito de Opinião]

Um bom retrato da mão por trás do arbusto, como diria de novo Sócrates. Mas à “coragem” de 1985, chamar-lhe-ia  calculismo, dado o que se sabe da operação “congresso da Figueira da Foz”. 

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Peixe cru

Eu não como sushi e não se trata apenas de uma questão de gosto. Entendo que seria uma grande falta de respeito para com esses destemidos hominídeos do nosso comum passado, que consagraram gerações ao esforço de produção e conservação do fogo, se eu ignorasse esse extraordinário avanço da humanidade para dedicar-me a comer peixe cru. [Read more…]

Raul Vaz e o Contraditório

A Antena 1 emite às sextas às 19 um programa de comentário político (nos dias em que não haja bola, porque prioridades são prioridades), o Contraditório, no qual participam actualmente Ana Sá Lopes, Luís Delgado e Raul Vaz.

A ideia do programa consiste em apresentar os temas da semana e ouvir as interpretações dos comentadores, cobrindo o espectro político, apesar da particularidade de dois dos comentadores se posicionarem à direita (o Luís e o Raul), o que limita a variedade de opiniões.

É precisamente na diversidade das opiniões onde entra o tema “Raul Vaz” deste post. Não preciso de concordar com as leituras de cada comentador mas acho interessante ouvir os diversos pontos de vista, até para olhar para os problemas por diferentes ângulos. Neste aspecto, tem sido regra, em todas as emissões, Raul Vaz interromper as análises da Ana Sá Lopes, seja com breves à partes e bocas dignas do (mau) comportamento dos deputados nos debates parlamentares, seja inclusivamente com longas interrupções, que subtraem o tempo que seria da Ana. Numa das últimas emissões,  a do dia  10 do corrente, o boicote do Raul ao comentário da Ana atingiu proporções inéditas, com constantes interrupções e repetidamente a falar por cima da análise da sua colega de programa. No programa de ontem tal voltou a acontecer, se bem que em menor proporção. [Read more…]

Casta passista sob ameaça do Organismo Europeu de Luta Antifraude

Tecnofraude

Como se o cerco ao imperador Marco António Costa, com as suas Webrands e restantes tropelias, não fosse já suficiente para minar ainda mais a credibilidade da casta passista, o Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF na sua sigla oficial) está a apertar o cerco a Pedro Passos Coelho. A terra gira, o bloco central alterna-se no poder e a merda, tal como referiu e bem o António de Almeida, continua a ser a mesma. Só mudam mesmo as moscas.

Segundo o Público, o relatório do OLAF conclui que “a Tecnoforma e os seus dirigentes e/ou as entidades responsáveis pela atribuição dos financiamentos que a empresa recebeu do programa Foral cometeram actos susceptíveis de ser sancionados do ponto de vista financeiro e criminal“. Quem andava na linha da frente a abrir portas para a Tecnoforma? Pedro Passos Coelho. Quem geria o programa Foral? Miguel Relvas. Será que fogem para Paris para estudar Ciência Política em Outubro?

Rigor, meritocracia e outros contos para crianças com a chancela do PSD

Passos Frasquilho

Na corte do monarca laranja que não queria reinar para dar empregos aos amigos, previsibilidade é palavra de ordem. O soberano diz-se previsível e a corte comporta-se da forma previsível a que nos foi habituando.

Assim, fiel a uma tradição de recordes na nomeação de boys à prova de austeridade que nem Cavaco, Guterres, Durão ou Sócrates conseguiram igualar, há novas panelas que nos chegam com o selo de qualidade da São Caetano à Lapa. Miguel Frasquilho, transferido da bancada parlamentar laranja para o AICEP, contratou na passada semana uma secretária-geral-adjunta que, curiosamente, foi sua assessora nos tempos em que era Secretário de Estado do Tesouro no governo do traidor que virou as costas ao país que o elegeu primeiro-ministro para exercer funções de mordomo astronomicamente remunerado. O caso está envolto em polémica, com trocas de mimos entre a Administração e a Comissão de Trabalhadores, que aponta o dedo a Fraquilho por não ter aberto um concurso interno e por estar a perseguir a actual secretária-geral, que aparentemente não apresenta o grau de obediência necessário. Segundo se pode ler ainda no Expresso, o cargo foi criado por Miguel Frasquilho e esconde uma tentativa de esvaziar a função de Luísa Neiva de Oliveira.

Noutras latitudes, o governo contratou oito novos técnicos para a REPER, que incluem um ex-adjunto do Ministro do Ambiente e uma assessora do gabinete da Ministra das Finanças. Com as eleições à porta, a casta passista tem que olhar pelos seus que a vida está difícil. Algo que, afinal de contas, é mais que previsível. São coisas do rigor.

O marau

Ganhar 10.000 por mês para fazer na tv a sua própria campanha eleitoral e a da direita, rezar pela bipolarização – a bem ou a mal, se necessário – do país, queimar em lume brando adversários políticos, promover a proliferação de candidatos – da esquerda e da direita – à presidência da República para que o seu nome vá inchando, é obra só ao alcance de um marau espertalhão. Tem impacto popular? Tem. Como os programas da tarde, os anúncios de calcitrim, as telenovelas, a música pimba (não estou a fazer juízos de valor, estou a comparar estatísticas). Marcelo, repimpado e bem pago, vai fazendo pela vida. Cada vez mais rasteiro, é verdade, cada vez mais demagogo, é verdade, mas fazendo o seu caminho – movido a combustível caro – para Belém com a diligência de uma formiguinha e a elevação moral de uma minhoca.

“Os Condenados” – Peça de Teatro

ESTC - Os Condenados  (c) Filipe Ferreira

foto: ESTC – Os Condenados  (c) Filipe Ferreira

Exercício-espectáculo dos alunos finalistas do Curso de Teatro, Licenciatura, da Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC). 24 a 26 de Julho, Sala Garret, Teatro Nacional D. Maria II. ENTRADA LIVRE.

Carlos J. Pessoa, encenador e autor do texto, teve inicialmente como ideia para o trabalho de final de curso deste grupo de actores (há outros grupos a trabalharem outros textos/propostas), “Os Cenci”, uma tragédia familiar italiana, na Roma do final do século XVI, na qual Beatriz Cenci, a filha, é decapitada, punição que recebe por ter assassinado o seu pai tirano.

Esta estória, documentada nos “Anais de Itália” (Ludovico António Muratori, 1749), é apenas no verão de 1819 que Percy Bysshe Shelley a cristaliza numa tragédia em 5 actos, a qual é adaptada e levada à cena em 1935 por Antonin Artaud, precursor do Teatro da Crueldade, no qual se pretende a inexistência de distância entre o actor e a plateia. Todos são actores e todos fazem parte do processo.

É precisamente tendo este contexto em perspectiva, que tudo faz sentido para o encenador Carlos Pessoa, ao ver na televisão a execução de um grupo de cristãos coptas numa praia Líbia, pelo auto-proclamado “estado islâmico”, colocando-o em perspectiva para escrever e encenar “Os Condenados”, peça que sobe à cena durante o próximo fim-de-semana de 24 a 26 de Julho. Com ligações pessoais e profissionais a Alexandria, no Egipto, estas realidades/culturas que por vezes nos parecem longínquas, não lhe são estranhas e pôs mãos à obra para aquilo que até poderá ser considerado como um upgrade do Teatro da Crueldade, para o Teatro dos Horrores. [Read more…]

Mudaram as moscas…

Na anterior legislatura os socialistas abespinhavam-se cada vez que se falava nos casos que envolviam o então querido líder, actual prisioneiro 44. Da Cova da Beira ao Freeport, passando pela licenciatura entre outros casos que indiciavam trafulhice, tudo servia para colocar em causa a idoneidade do político que desgovernava Portugal, para deleite das hostes laranja e restante oposição. Nova legislatura, mudança de governo, trouxe pelos vistos mais casos da mesma reles estirpe, com uma única diferença, agora provocam sorrisos no Largo do Rato e simultaneamente irritação na Lapa. É caso para dizer, mudaram as moscas…

Portugal a um jogo do purgatório ou do paraíso

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Portugal vai atacar a subida de divisão na sexta-feira, contra a Itália, vencedora do grupo B, depois de termos ficado em segundo no grupo A, atrás do País de Gales. Ou seja, podemos ficar confortáveis com o purgatório ou lutar pelo paraíso!

Capaz do muito bom, mas muitas vezes tentada pelo medíocre, já tivemos de quase tudo neste Europeu: o individualismo em vez do colectivo; as virtudes do colectivo, sublimadas pelas referências individuais; já nos passeámos em campo, na boa, como se fosse um passeio em cada um inventa uma brincadeira para se divertir sozinho; e já divertimos o público como equipa, como grupo, trocando a bola com mestria, rematando com estilo; já esportulámos golos fáceis e já fizemos golos de compêndio. [Read more…]

Desemprego 2011-2015: propaganda ou factos?

A estratégia da coligação do governo consiste em procurar convencer as pessoas de que a austeridade funcionou e para tal precisam de apresentar alguma prova. Não podem usar os objectivos enunciados em 2011 e que justificaram toda a austeridade (baixar o défice para menos de 3% e controlar a dívida pública) porque esses objectivos falharam redondamente e não há como esconder esse facto.

Viram-se para isso para os números do desemprego, mais facilmente manipuláveis, se bem que os incompetentes da coligação o estejam a fazer de forma tão tosca que facilmente são desmascarados. Assim se percebe que Bruno Maçães tenha ficado abespinhado quando O WSJ não seguiu o enredo que a coligação tinha desenhado.

Agora saiu um tempo de antena com a mensagem oficial, cheia de números martelados. Parece que o plano consiste em repeti-los ad nauseam até que os portugueses os assimilem. No fundo, continuam a fazer o que fizeram ao longo de quatro anos.

Desmonta-se a seguir a propaganda do PSD/CDS quanto aos números do desemprego.

wrong “Em 2011, quando o PS deixou o Governo, herdámos um desemprego de 12,7%”
Factos: Em Junho 2011 o desemprego era de 12,1%

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Os Euros e a austeridade assinalados

Manuel Ferrão

Os Euros e a austeridade assinalados,
Que da ocidental dívida Lusitana,
Por mares de défices nunca de antes navegados,
Passaram além de Viana,
Em desempregos e precariedades esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente próxima edificaram
Nova Pobreza que tanto sublimaram;
E também as memórias chorosas
Daqueles governantes que foram dilatanto
As privatizações, as taxas [n]as terras viciosas
De Grécia e Portugal andaram devastando;
E aqueles que por vendas desastrosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
Cessem do sábio Grego e Americano
Os livros grandes que fizeram;
Cale-se do Nortenho e do Alentejano
As famas das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Troikiano,
A quem Coelho e Portas obedeceram.
Cesse tudo o que a sabedoria antiga canta,
Que outra austeridade mais alta se alevanta”

Efectivamente: mais do mesmo

Hoje de manhã, fiquei a saber que o Parlamento iria fazer “maratona antes das férias” e que, nessa maratona, seriam votados quer o “Projeto de Resolução n.º 1021/XII/3.ª (PCP) – Sobre o sector da Assistência em Escala (Handling) no transporte aéreo”, quer o “Texto Final apresentado pela Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública relativo à Proposta de Lei n.º 326/XII/4.ª (GOV)” que aprova, por exemplo, “os regimes processuais aplicáveis aos crimes especiais do sector segurador”, quer ainda o “Projeto de Resolução n.º 1522/XII/4.ª (PS) – Recomenda ao Governo um conjunto de melhorias que promovam uma maior equidade e eficiência no acesso aos fundos comunitários pelo setor agro-rural”.

Isto é, ‘sector’, ‘sector’ e ‘setor’. Ou seja, sector e setor. Portanto, é mesmo facultativo. No fim de contas, é tudo à vontade do freguês.

O jornalista da Lusa refere-se a “mais do mesmo”, relativamente aos trabalhos desta tarde, na Assembleia da República. Foi exactamente isso que pensei, ao ler o Diário da República de ontem. Efectivamente, mais do mesmo.

Houve fato?

Sim, houve fato.

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E fatos? Houve fatos? [Read more…]