Uma recessão calorosa?

Efectivamente, terá havido uma gralha.

Eis os arautos da moralização

São estes os que nos andaram a justificar o castigo fiscal e dos cortes com o pretexto moralizador de que vivíamos acima das nossas possibilidades. Estes mesmo que, sem moral, tiveram esses negócios da Tecnoforma e da venda ilegal de acções. Que, sem vergonha na cara, não se lembram das assinaturas que apuseram.

Fisco apanha Marques Mendes em venda ilegal de ações

O Fisco detectou vendas ilegais de acções da Isohidra feitas por Marques Mendes e Joaquim Coimbra, em 2010 e 2011, e que terão lesado o Estado em 773 mil euros. As acções foram vendidas por 51 mil euros, mas valiam 60 vezes mais: 3,09 milhões.

“Contactado pelo Jornal de Notícias, o antigo líder social-democrata diz não se recordar de ter rubricado quaisquer contratos de compra e venda que dariam luz verde a esta acção, mas segundo as Finanças a assinatura de Marques Mendes está presente nos papéis.”

A notícia é de Janeiro e o visado diz que nada fez. A assinatura dele aparece nos documentos por milagre. E aí continua ele com as suas postas de pescada, o porta-voz do governo no oficioso canal de televisão. Na SIC, recentemente, disse que o orçamento para o próximo ano “não é a catástrofe que se tem dito”. Esse tal orçamento que terá uma suposta devolução de impostos se em 2015 houver menos fuga ao fisco. Como dessas em que um sujeito vende acções 60 vezes abaixo do seu valor para pagar menos impostos.

Beja: alunos ainda em casa

Transcrevemos uma mensagem de uma encarregada de educação:

No centro escolar Mário Beirão em Beja funcionam 3 salas de pré-primária. No entanto, existem cerca de 20 crianças em lista de espera. Existe também uma educadora de infância sem turma e uma técnica de acção educativa também sem grupo. Existe disponibilidade física para o funcionamento de outra sala. Segundo a direcção da escola, essa sala ainda não funciona porque falta uma assinatura do Secretário de Estado da Educação com a devida autorização.., isto desde que o ano lectivo começou…Ora, numa altura de contenção de custos não se admite termos gastos com duas pessoas e este número de crianças em lista de espera…Nem todos temos a possibilidade de pagar escolas privadas aos nossos filhos e a falta de uma assinatura faz esta situação arrastar-se por demasiado tempo…Sou mãe de uma dessas crianças… Que chora todos nos dias que quer ir para a escola e não pode…

Hoje é dia 21 de Outubro. O ano lectivo começou há mais de um mês, nem sempre de facto.

Quo vadis Portugal?

Tenho lido por aí que o crescimento económico praticamente nulo, ou descida do défice em 1% são insuficientes, mas representam uma pesada factura paga pelos trabalhadores. Em consequência defendem renegociação da dívida, revisão do pacto orçamental entre outras acções. Vamos por partes. É hoje consensual que apesar do discurso político que Passos Coelho e apoiantes apregoavam no início da legislatura, quando defendiam uma diminuição da despesa em detrimento do aumento da receita, falharam. Poderemos catalogar de incompetente o actual governo, serei sem margem para dúvida subscritor desta tese. Mas então se falhou o objectivo de diminuir a despesa, sou todo ouvidos às sugestões que possam vir dos opositores ao actual governo. Nomeadamente do PS que se perfila para ser alternância. Quanto a renegociar, significa exactamente o quê? Incumprir? Imaginemos por um instante que dizemos aos credores “não pagamos”. Alguém no seu perfeito juízo acredita que apesar do peso dos juros que Portugal suporta, passado algum tempo não estaríamos em situação idêntica? E quando voltássemos a bater à porta dos mercados, quais seriam as condições e taxas a que obteríamos o financiamento? Seguramente bem piores, pois como diz o povo, “gato escaldado…” e perdida a confiança dos credores, a receita seria mais gravosa que a actual. [Read more...]

Contributos para os futuros acórdãos do Supremo Tribunal Administrativo

marteloTendo em conta a recente decisão do Supremo Tribunal Administrativo (STA), é fácil adivinhar o espírito dos futuros acórdãos desta prestigiada instituição.

Antes de mais, e sempre que estiver em causa algum cidadão com mais de cinquenta anos, os juízes usarão como referência o provérbio “Quem já andou não tem para andar”. Bastará substituir o verbo “andar” por outro qualquer que se possa relacionar com o caso que estiver a se julgado.

Para além disso, os juízes do STA continuarão a encarar perdas ou amputações com o mesmo espírito de abertura que usaram para considerar que não é grave estar impedido de ter relações sexuais a partir dos cinquenta anos. Continuamos sem ter a certeza se há vida para além da morte, mas, graças aos juízes, ficamos a saber que não há vida sexual para lá dos cinquenta. [Read more...]

Parabéns Nuno Crato

implosionFoi um golpe de mestre: lançar o caos nas colocações de professores contratados para obter a aprovação pública do golpe que faltava: a selecção directa pelos directores/presidentes de câmara e nalguns casos certamente será ouvido o senhor prior.

Pelos vistos era uma ambição antiga: os ex-ministros aplaudem de pé.

Vai ser um sossego, fazes greve não te renovo o contrato, refilas, aspas, colocas em causa seja o que for, aspas, aspas. Em termos eleitorais, ganham os caciques um seguro de voto, basta a promessa de trazerem de regresso à terrinha os filhos da mesma que, vejam lá, andam pelo país fora porque se esqueceram de estudar na faculdade e são mais novos que tantos outros.

Claro que esta aplicação da estratégia do choque nunca será comprovada. Só por milagre se provará que os caos foi propositado. Nuno Crato, um ministro bem escolhido. Maria de Lurdes Rodrigues (que foi bem mais discreta ao soltar a avaliação de professores  para ninguém reparar no assassinato da gestão democrática) e José Sócrates roem-se de inveja. A privatização é já a seguir.

Sobre greve, apenas isto…

Não sou dos que defendem o fim do direito à greve. Bem pelo contrário, considero a greve uma legítima forma de luta. Que apenas deveria ser utilizada em último recurso, perante situações excepcionais. Não é exactamente o que acontece em Portugal, onde a greve se tornou uma banalização, utilizada vezes sem conta, principalmente pela CGTP e sindicatos seus filiados para usar a rua muitas vezes para motivos políticos, em vez de procurar resolver problemas laborais. É pena que o faça, perdem credibilidade, sendo essa a razão para perderem sistematicamente o apoio do cidadão comum, também ele trabalhador e frequentemente o mais afectado com a greve. Nos transportes públicos deficitários é por demais evidente que não são as empresas as principais lesadas, mas os utentes. Mas para os sindicatos isso pouco importa, querem é gente na rua, promovendo a sua manifestação ou concentração que depois receberá o tempo de antena no jornal televisivo em horário nobre. [Read more...]

“”Greve? Eu não, sou dos que trabalha”

direito_greve_sindicalismoDiogo Barros

Ao ler tantos e tantos comentários negativos relativamente a quem faz greve, compreendo que trabalhar com um mínimo de direitos e condições em Portugal é, não só uma realidade que cada vez menos pessoas têm acesso, como uma verdadeira prova de valentia e coragem psicológica. Estas pessoas, além do serviço diário que naturalmente já fazem, são alvo quase que diariamente de uma lavagem cerebral atroz de que aquilo que têm são ‘regalias’ e que ‘há quem esteja disposto a trabalhar ainda por menos’. Eu não consigo imaginar a culpa e a pressão que muitas dessas pessoas devem sentir e acho isso abominável. Uma sociedade de lobos ávidos de sangue.

Ao defender o direito à greve de tanta gente trabalhadora que fala mal da mesma, sinto-me completamente num filme. Num filme cheio de pessoas, infelizmente, miseráveis a defender com unhas e dentes o direito à sua própria miserabilidade. É triste.

Os meus parabéns a todos os trabalhadores com direitos por aí fora. Que não se sintam mal nesta sociedade que cada vez mais lhes aponta o dedo e que façam, mesmo, o oposto: lutem por manter o que têm e, mesmo, por ganharem mais! E obrigado por existirem e serem realmente, o motor do país.

A preparar o insucesso dos alunos

Para além de uma actualidade desastrosa na Educação, graças ao experimentalismo do ministro, vale a pena olhar brevemente para o futuro.

De uma maneira geral, vários ministros da Educação e alguns cúmplices mais ou menos assumidos têm declarado que o sucesso dos alunos depende exclusivamente – ou sobretudo – da escola ou, mais especificamente, do professor.

Esta afirmação pode parecer um elogio, mas, na realidade, é uma  desresponsabilização e uma mentira.

Começando pela mentira, sabe-se, empírica e cientificamente, que o meio socioeconómico em que uma criança é criada tem, na maior parte dos casos, uma influência enorme ou decisiva no seu sucesso escolar. Já escrevi sobre isso, no âmbito de uma polémica em que alguns aventadores participaram. Descobri hoje mais dois textos sobre o assunto: Poor Kids Are Starving for Words e Starting School at a  Disadvantage: The School Readiness of Poor Children. [Read more...]

O adensar da catástrofe Espírito Santo

PT

(imagem: Expresso)

A confirmar-se que Governo, Presidência da República e Banco de Portugal teriam já conhecimento da situação do BES em Agosto de 2013, a situação em si adquire contornos de uma gravidade sem precedentes. Significa que houve negligência por parte do presidente da República que nos garantiu, por mais que uma vez, que as acções do BES eram seguras, significa que o Governo omitiu a gravidade da situação aos portugueses impedindo que medidas adicionais fossem tomadas e significa também que cai a falsa imagem de inocência e candura de Carlos Costa, o imaculado presidente do Banco de Portugal que agora se assemelha, mais do que nunca, ao seu antecessor Constâncio. O BCE poderá bem vir a ser a sua próxima casa.

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Fiscocídio sádico

Na sua habitual estratégia de sadismo comunicacional, vários membros do governo foram alternando palpites sobre se a carga (canga?) fiscal que pende sobre os portugueses ia subir, baixar ou manter-se.

1º andamento: baixa a carga fiscal. 2º andamento: talvez suba a carga fiscal. 3º andamento: a carga fiscal mantém-se.
– Sai o OGE e o que nos dizem? Que a carga fiscal se mantém.
– O que vemos nós? Que vamos pagar mais impostos.
– Conclusão: eles disseram “a carga fiscal mantém-se; não disseram manter-se-à”.
Q.E.D.

Senhores capitalistas, seus acólitos neoliberais e beneficiários do sistema em declínio descontrolado:

acabou-se o «crescimento» “à maluca”.
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Professores e a desORDEM

Lugares comuns há muitos e são sempre um ponto de vista respeitável até porque, por definição, são vistos a partir de um ponto. Entendo a existência de imensos lugares comuns entre os  professores porque, numa classe com cem mil pessoas, há sempre uns mais esclarecidos que outros.

E um dos lugares mais comuns é o da necessidade de existir uma Ordem Profissional para que a classe se possa mostrar mais unida. É um argumento que, por inexistência de prova, pode ser apresentado, mas a classe, sem Ordem, já deu vários sinais de unidade nos últimos anos. A greve aos Exames o ano passado foi o mais recente.

Ora, neste lugar comum da ordem, parece-me que os professores se esquecem de duas coisas: [Read more...]

As estranhas “poupanças” do Governo (ou o negócio da caridade)

caridadezinhaCarlos de Sá

Este governo tão “liberal” a privatizar e vender todo o património do Estado ao desbarato, afinal tem tiques estalinistas: o cuidado de cidadãos que precisam da ajuda de outros para o seu dia-a-dia é, no entender dessa gente, monopólio das instituições (particulares, embora) de “solidariedade social”.
A essas IPSS, o Estado paga 950 Euros por mês e por pessoa, e as IPSS (meu Deus, como são “solidárias”!) ainda ficam 85% dos rendimentos (a pensão de reforma ou de sobrevivência, na maior parte dos casos) dos internados. Já se os deficientes pretenderem ficar na sua própria casa, o mesmo Estado “ajuda-os” com 178 euros. Tudo muito bem explicado nesta excelente peça do Público.
Vistas assim as coisas, o governo não tem, afinal, nenhum tique estalinista; está apenas a engordar a sua clientela política: o negócio da “solidariedade”, melhor dizendo da caridadezinha, envolve muitos milhões e paga o conforto de que geralmente se rodeiam os dirigentes das instituições ditas de “solidariedade social”, a maioria das quais geridas pelas “Misericórdias” ou pela Igreja Católica Romana.
Também a galopada deste governo contra os beneficiários do Rendimento Social de Inserção teve como finalidade justificar o aumento do “auxílio” às novas sopas-dos-pobres. Assim se retira o pouco que restava da dignidade dos cidadãos carenciados, para alimentar a clientela política.
Não é por acaso que o actual secretário de Estado é Agostinho Branquinho, o ex-deputado que ficou esclarecido acerca da Ongoing depois daquela empresa o ter convidado para administrador, por dois curtos anos, na sua sucursal brasileira. No momento da sua nomeação, Branquinho era administrador da Santa Casa da Misericórdia do Porto, onde estava desde que tinha regressado do Brasil.

A mercantilização da medicina e a gestão economicista da Saúde

transformam os hospitais em linhas de montagem de fazer doentes para a morte. Mal chegam e lhes são retiradas as roupas, os doentes (e não disse clientes) «começam a perder a sua identidade; passados uns dias, mergulham num corpo passivo». Nos EUA, como em Portugal. Ora leiam.

A uma heroína anónima

Fotografia retirada da página online do Público

Fotografia retirada da página online do Público

Não ficará para a História da nação.

Ficará certamente na pequena história familiar, talvez a mais importante de todas, e principalmente na história dos quatro irmãos mais novos que salvou antes de voltar a entrar naquele maldito apartamento e o seu corpinho ser, desafortunadamente e injustamente, roubado de toda a vida. Será falada na família como uma heroína. Será contada aos sobrinhos que talvez lhe venham a dar e que nunca chegou a conhecer, da forma falaciosa que as nossas memórias nos fazem reviver momentos passados.

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É preciso respeitar Portugal, é um grande país

ZEE PT

(foto roubada ao J. Manuel Cordeiro)

Apresentado esta semana, o Orçamento de Estado 2015 prevê medidas adicionais de 291 milhões de euros para garantir que o défice não vai além dos 2,7%. Claro que nem com toda aquela maquilhagem com que a cinzenta Maria Luís apareceu no noticiário da RTP me convenço que vai ser desta que este governo incompetente (até nas desculpas) cumpre uma meta.

Isto deixou-me a pensar nas recentes declarações do primeiro-ministro francês sobre o seu OE15, que ao contrário do nosso prevê um défice de 4,3%, bem acima dos 3% impostos pela UE ou dos 2,7% impostos pela Maria das finanças. Dizia Manuel Valls, que pretende adiar por 2 anos o cumprimento do défice exigido por Bruxelas para 2015 (depois de ter já adiado de 2013 para 2015), que

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Presidência do Brasil

pres brasil

O leitor sabe então que Ulisses, reiteradamente qualificado pelo narrador como o mais subtil dos homens, vive a experiência da perfeição, desde o dia em que o acaso dos mares ou a vontade dos deuses marinhos o atiraram para aquela ilha perfeita, para os braços da perfeita Calipso.

Isabel Pires de Lima

 

Segundo o Público, a palavra ‘mentira’ foi a mais frequente durante o debate entre Dilma Rousseff e Aécio Neves.

Ao ler os programas de governo quer destes dois candidatos à presidência do Brasil, quer da candidata que ficou em terceiro lugar na primeira volta (Marina Silva), detectei palavras muito mais interessantes do que ‘mentira’ — caso não saibam, uma variante específica do conceito ‘indiciariamente inverdadeiro‘.

Adiante.

Se algum defensor, promotor e amigo do Acordo Ortográfico de 1990 se der ao trabalho de percorrer as páginas das propostas de Dilma Rousseff, Aécio Neves e Marina Silva, deixo já um aviso: tropeçará inevitavelmente em palavras exóticas, como aspecto, aspectos, concepção, confecções, excepcional, excepcionais, facções, infecciosaspercepção, perspectiva, perspectivas, recepção, receptiva, receptividade, receptivos, receptor, respectivamente, respectivas, respectivo, respectivos, ruptura e rupturas. [Read more...]

“Não tenho qualquer reação”

diz Mourinho. Nem eu. Efectivamente, em português europeu, ‘reação‘ não existe.

Que é que as esposas dos juízes do STA lhes andam a dizer?*

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* Título alterado, visto que, por lapso, tinha escrito STJ em vez de STA, tendo incorrido no mesmo engano ao longo de todo o post. Peço desculpa a todos os que inadvertidamente enganei. Estava preocupada com a notícia em si e confundi os Supremos. É o que dá quando nos concentramos naquilo que é realmente importante: a falta de conhecimentos – e de pinadelas – destes profissionais.
Depois de ter conhecimento desta notícia, só posso pensar que os doutos juízes do Supremo Tribunal Administrativo*  andam a ser – e bem – enganados pelas esposas.

Ora bem, todos estão com mais de 55 anos de idade e acham que ter relações sexuais naquela idade é irrelevante. Vários estudos provam que o sexo depois dos 50 é bom e faz bem à saúde, a menos que se enverede por práticas de risco (de notar que esta é uma notícia falsa).  Portanto, temos aqui algumas questões sobre as quais convém reflectir:

1- Os digníssimos juízes do STA* (entre os quais há uma mulher) pensam que sexo depois dos 50, sobretudo para mulheres, é irrelevante, o que, por si só, leva a pensar que esses senhores não conhecem bem as suas esposas. Ou que as esposas estão tão fartinhas de os aturar que lhes dizem que já não estão em idade para essas maluquices. Agora, pergunto eu, se está provado que sexo depois dos 40 é tão melhor, o que é que aquelas marotas andam a fazer? Hmmm, cheira-me a esturro! Se calhar, os senhores juízes até preferem não saber;  [Read more...]

João Grancho, uma carreira

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O seu currículo omite quantos anos esteve destacado na Associação Nacional de Professores, uma micro-organização para-sindical criada, como muitas outras, precisamente para livrar os seus dirigentes do suplício de terem alunos.

escrevi sobre a sua sustentada procura do poder,  quando tomou posse.

Agora pode acrescentar 2012-2014 – Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário ao currículo, e ocultar demissionário por motivos pessoais, despachado por plágio, deferido.

Pelo reconhecimento da Palestina

O parlamento britânico aprovou esta semana uma moção de reconhecimento do Estado Palestiniano. Na semana anterior, o primeiro ministro da Suécia declarou a sua intenção de propor o reconhecimento da Palestina. Mas o mapa publicado esta semana pelo Courrier International mostra um seguidismo chocante entre os países da OCDE à política internacional dos EUA. As iniciativas britânica e sueca tem o potencial de criar um efeito dominó na Europa e gerar uma pressão insuportável contra a política da direita e da extrema-direita israelita. Seria tão fácil Portugal aderir a esta tendência, apoio popular não falta.

Quero deixar bem claro que sou um grande apoiante daquela que foi a Iniciativa de Genebra celebrada entre israelitas e palestinianos a favor da promoção da paz e do reconhecimento mútuo. Move-me o combate contra as políticas de direita belicistas, intolerantes e segregacionistas tanto de israelitas como de palestinianos, e não a nacionalidade de cada um. Como já escrevi há uns anos no Cinco Dias, acho que o problema entre Israel e a Palestina é em grande medida uma luta entre soluções de esquerda e de direita. O que é dramático é que a direita (Hamas e Likud) tem o monopólio do poder.

ReconhecimentoPalestina

(Imagem Courrier International)

Intelectualmente desonesto

Começou por andar por aqui e por ali, mas estou certo, há uns bons anitos que o senhor Professor não dá aulas. Passou pelo CAE do Porto, ainda no tempo dos mini-concursos em papel, andou por aquela coisa que não sei bem o que é, mas que tinha uma linha telefónica e queria criar uma ordem, saltou para a DREN e depois para o Governo. Teimava em falar de professores como professor, o que não era rigorosamente verdade, mas, sobre isso, quem lhe  paga as despesas que se manifeste. A mim, enquanto professor, só me apetece lembrar o pensamento:

Bem prega frei Tomás, faz o que ele diz e não o que ele faz.

 

Mais do mesmo…

Há muito que deixei de acreditar no actual governo. Esta legislatura constituiu uma oportunidade perdida para reformar o Estado, à boleia dos compromissos externos assumidos. O pouco que se fez foi na maior parte das vezes errado. PPP’s, SWAP, foram mantidas, a Banca foi protegida em nome do conceito “to big to fail”, apesar de muitos classificarem este governo de liberal, a verdade é que a Liberdade individual é sistematicamente desprezada em nome do politicamente correcto ou socialmente aceitável. Nem me vou dar ao trabalho de discutir o Orçamento de Estado, pois teria que ir muito ao detalhe para encontrar alguns, poucos, aspectos positivos (descida no IRC e pouco mais). Sobre o grande objectivo de redução da despesa pública, com o qual obviamente concordo, não me é indiferente a forma como é alcançada e não me parece que aumento da carga fiscal possa ser defensável num país que já trabalha meio ano para pagar um monstro.

Mas pior, do lado do principal partido da oposição contradições no discurso entre destacados figurões não auguram nada de bom.

Realidade, esse conceito subjectivo.

Quando um retrato, escrito, visual, sonoro, nos é apresentado como a realidade é preciso termos consciência que estaremos perante algo altamente subjectivo, sujeito a visões parciais, leituras próprias e, porventura, a manipulação.  Porque a realidade é algo muito pessoal, fruto de crenças e leituras individuais.

A crónica de Luís Naves no Delito de Opinião, sobre a situação financeira do país,  tem sintomas desta realidade subjectiva. Sem explicitar, justifica o governo por ser incapaz de fazer a última milha no corte da despesa, como se cortar na despesa se esgotasse em diminuir salários e pensões. Critica, aliás, a  “reposição de salários e pensões”, o que por si só já demonstra subjectividade, pois esta reposição apenas tem lugar em pequena parte. E diaboliza o Tribunal Constitucional, como se fosse este a causa de insucesso de um governo que, estrategicamente, optou por estar na ilegalidade como forma de aumentar a receita.

Enfim, voluntariamente ou não, ecoa o argumentário do governo, sem dedicar uma linha quanto ao que significou o BPN/BPP, submarinos, Swap,  BES, só para enumerar alguns casos, nas contas do estado e na desgraça que estamos a viver.

Um retrato de aguarela difusa, feito a trincha número 10, que não deixou espaço para quantas dezenas de milhares de milhões de euros saíram do estado para pagar negócios públicos e privados, ruinosos ao país e de culpa solteira.

Orçamento para a Educação: esquerda e direita

evrNão é fácil encontrar palavras para escrever sobre o orçamento apresentado pelo Governo. Parece-me que os nomes atribuídos à mãe do Pedro Proença nos jogos do Benfica serão insuficientes para qualificar esta gentinha medíocre. E, como vem sendo habitual, a Educação é o sector com o maior corte: 700 milhões.

A esta hora a cambada larangista que passou do primeiro parágrafo estará a pensar que não há dinheiro para mais, que tem de ser, que vivemos acima das nossas possibilidades. Claro que também estão a reflectir sobre o BPN e o BES e as empresas do Relvas e do Coelho.

Mas, lamento informar, estão enganados. É mesmo possível fazer diferente e, ao mesmo tempo, fazer melhor.

Em Vila Nova de Gaia andou um senhor que fez o que queria e ainda lhe sobrou tempo para ajudar meio mundo a tratar da respectiva vidinha. A dívida consolidada da autarquia é, depois do pesadelo,superior a 318 milhões. Mas, mesmo com esta dificuldade, foi possível, num ano reduzir o prazo de pagamentos a fornecedores de 206 para 111 dias o que é fantástico para a economia local. O passivo foi também reduzido em quase 33 milhões.

A Câmara de Eduardo Vitor Rodrigues conseguiu ainda baixar várias taxas municipais (derrama, imi, água) e investir na Educação: para além do alargamento da oferta dos livros escolares ao 2º ciclo, a Escola a tempo inteiro tem hoje uma dimensão única por estes lados. As escolas estão abertas das 7h30 às 19h30. É claro que este projecto pode colocar várias questões (o mais discutido a alternativa hiper-escola / hiper-rua) , mas estamos a falar, de um enorme investimento na Escola Pública e na qualidade do serviço prestado, até porque, como sugere David Rodrigues, estamos a falar de docentes qualificados.

Parece-me, pois, que é possível fazer diferente e fazer melhor porque um concelho da dimensão de Gaia é um território já com algum significado. É tudo uma questão de prioridades e, estou convencido, que por cá, ninguém se importará de exportar o modelo para o todo nacional. Não estamos e não podemos estar condenados a viver na miséria e a aposta na Escola Pública é a única que nos poderá tirar deste buraco onde a direita nos quer colocar.

Informação

Factos ocorridos:
– Um cidadão, cumpridor e trabalhador vai pela rua e, subitamente, é parado por uma meliante. Esta exige-lhe a carteira e rouba-lhe todo o dinheiro. Incauta, a ladra não pediu o porta moedas nem lhe roubou o cartão multibanco. Assim, feitas as contas, restaram-lhe 11.20 € no porta-moedas e 400 € na conta bancária. Todavia, para a vítima, o roubo tinha sido coisa de monta, já que acabara de fazer um levantamento. Ficou, assim, tomado de desespero.

Versão do Telejornal:
Título – “Cidadão obtém ganhos de 411.20€!

- Abordado à saída de um banco, um cidadão, ameaçado por uma alegada assaltante, viu a sua conta contemplada com 400€ e obteve 11.20€ de dinheiro de mão. A assaltante explicou à vítima que era obrigada aquela operação por o seu chefe, estrangeiro, imagine-se, a obrigar a isso. Alegou ainda que o dinheiro de que se tinha apossado se destinava a um bem maior, sublinhando a sorte do cidadão, já que ainda lhe tinham restado meios que ela, se quisesse, poderia ter incluído na importância apropriada. Logo, tais meios eram um evidente ganho. O cidadão conformou-se.”

(Qualquer semelhança com os noticiários que se seguiram à apresentação do Orçamento Geral do Estado é pura coincidência).

Fotografia é Morte


Pelas palavras de Les Carlson e a perspectiva de David Cronenberg, a Morte explicada e resumida em seis minutos.

Connie Converse

A Connie Converse era, imagino, uma maravilhosa desadaptada, com os seus antiquados óculos de lentes muito grossas, as suas canções melancólicas, carregadas de frustração e humor e humilde sabedoria, gravadas na cozinha de casa, com a chuva a cair lá fora.

Podiam ter-se perdido essas canções todas, quando ela desistiu de tentar viver da música. Faz agora 40 anos, tinha já ela 50, e uma vida ensombrada por depressões recorrentes, Connie escreveu uma série de cartas aos amigos e familiares, com vagas referências a uma “vida nova”, meteu tudo o que tinha na bagageira do carocha, e partiu para nunca mais ser vista. [Read more...]

OE 2015: desinvestimento

de mais 700 milhões de euros na Educação. Isto já não é avariar o Estado: é negar o próprio desenvolvimento.