E eis que a esperança no futuro do país renasce

Sua Al(ol)teza real

Foto@Carlos Pires/Monárquicos Portugueses Unidos

Portugal tem um “príncipe” que “enche o coração de Portugal de esperança, de alegria e de confiança num futuro risonho e promissor pela qual todos nós Portugueses sonhamos“. Confesso que fiquei comovido. Para além da maravilhosa descoberta de que Portugal tem um príncipe – espero que mais barato de manter que os restantes aristrocratas políticos que por cá andam – fiquei a perceber que o jovem de 19 anos acabados de fazer é um hino à esperança num futuro risonho e promissor. Aquele com que todos sonhamos.

Agora vou ali ouvir D. Nuno da Câmara Pereira para acalmar estas emoções. O meu batimento cardíaco está muito acelerado.

Encenações goebbelianas em Kiev

A extrema-direita ucraniana financiada por Washington contínua a bater recordes no que ao populismo e à demagogia diz respeito. Na passada Quarta-feira, o “insuspeito” New York Times faz referência a um “espectáculo cuidadosamente orquestrado“, com vista garantir uma dramatização suplementar à mais recente campanha anti-corrupção levada a cabo pelas autoridades ucranianas, durante o qual o chefe e o nº 2 dos serviços de emergência ucranianos foram detidos no decorrer de uma reunião do governo transmitida em directo na televisão, e onde o fantoche Yatsenyuk afirmou mesmo que “Isto é o que acontecerá a qualquer um que viole a lei e engane o Estado ucraniano”. 

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Discordância

Maria Helena Loureiro
concordancia

Com o objetivo de “incentivar o bom uso da língua portuguesa pelos alunos do 3.o ciclo do ensino básico e do ensino secundário, aumentando o seu interesse pelo conhecimento da norma-padrão do Português Europeu e estimulando o espírito de rigor e de excelência” o ME criou as Olimpíadas de Português que decorrerão de abril a setembro.
Na carta enviada às escolas, assinada pelo diretor geral da direção geral da educação, pode ler-se:
“A Direção-Geral da Educação da Educação (DGE), em parceria com o Agrupamento de Escolas Aurélia de Sousa, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Plano Nacional de Leitura e a Escola Secundária de Camões, têm o prazer de convidar os estabelecimentos de educação e ensino a participar na 3.a edição das Olimpíadas da Língua Portuguesa.”
Ainda não percebi se isto é só incompetência…

Paráfrases

Depois da “Pátria onde Camões morreu de fome e todos enchem a barriga de Camões” (Almada), e da “Pátria onde Pessoa morreu de bêbado e todos se emborracham com Pessoa” (parafraseio meu, já velhinho), bem vinda será a Pátria onde Herberto morreu em silêncio e todos declamamos Herberto.

Pátria assim é mesmo de poetas, e escreve-se com letra grande.

A Suprema Sagrada Congregação dos Santos Exames

Santana Castilho*

Para facilitar a leitura deste artigo, começo por um pequeno glossário:

Nuno Crato – Presbítero da Suprema Congregação dos Santos Exames, em nome da qual vem destruindo a escola pública e perseguindo os professores. Oficialmente designado por ministro da Educação.

IAVE – Sigla de Instituto de Avaliação Educativa. Sucedeu ao Gabinete de Avaliação Educacional, num lance típico de algo mudar para tudo ficar na mesma. O presbítero, que financia a coisa e propõe os nomes para que o Governo designe quem manda na coisa, repete até à exaustão que aquilo é independente, julgando que prega a papalvos. Aquilo passa pelos erros que comete e pelas indigências que promove com a resiliência dos irresponsáveis.

Cambridge English Language Assessment – Organização privada sem fins lucrativos, o que não significa que não facture generosamente o que faz e não pague principescamente a quem a serve. Pagar principescamente e gastar alarvemente é desiderato de algumas Non Profit Organizations.

PET – Do inglês, comumente entendido como animal de estimação, é aqui o acrónimo de Preliminary English Test for Schools. Personifica o mais actual exame de estimação de Nuno Crato.

PACC – Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades. É o cordão umbilical que liga Nuno Crato a Maria de Lurdes Rodrigues em matéria de vexame público do ensino superior e da classe docente. O facto de persistir, depois de classificada pelo próprio Conselho Científico do IAVE como prova sem validade, fiabilidade ou autenticidade, mostra de quem o IAVE depende e contra quem manifesta a sua independência.

Despachado o glossário, passemos ao calvário. [Read more…]

Herberto Helder, telúrico

Mulheres correndo, correndo pela noite

Mulheres correndo, correndo pela noite.
O som de mulheres correndo, lembradas, correndo
como éguas abertas, como sonoras
corredores magnólias.
Mulheres pela noite dentro levando nas patas
grandiosos lenços brancos.
Correndo com lenços muito vivos nas patas
pela noite dentro.
Lenços vivos com suas patas abertas
como magnólias
correndo, lembradas, patas pela noite
viva. Levando, lembrando, correndo. [Read more…]

Confirma-se

Sempre achei que, aquando da distribuição universal de inteligência, Diogo Feio não foi muito favorecido. Houve ali uma falha, um deslize, uma desigualdade, qualquer coisa que correu mal.
Agora afundou-se, emergindo a prova, qual submarino.

Minuta de Acórdão (para as várias instâncias)

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Enquanto procedia à análise forense de uns quantos cadáveres – de bivalves e crustáceos diversos – ocorreu-me a ideia de simplificar o trabalho dos nossos Juízes Criminais, que pudesse servir de minuta às várias instâncias, para usar no caso Marquês (do Sócrates) mas não só. Abaixo fica o resultado desse labor.

“Aos (data) reunido o colectivo (expressão válida mesmo que se trate de apenas um Juiz) e depois de considerar os fatos, sempre contingentes e imprevisíveis, mas muito caros, usados pelo indiciado, e ponderadas todas as circunstâncias que conformam o caso em apreço, o do tipo que nos retirou uma série de privilégios a que estávamos habituados, considerou e deliberou o seguinte:

- Este colectivo anda “há muitos anos a virar frangos” e não se deixa iludir com conversas da treta do tipo das alegações do indiciado. [Read more…]

Quo vadis, Caesar?

carlos cesar
Carlos César deixou que lhe subissem à cabeça as expectativas que se vão gerando em torno da sua figura. E, num inesperado brinde à direita, promete nada menos que ressarcir todos – todos! – os que investiram em papel do GES. Diz ele:“Penso que esse mesmo Estado que os estimulou, é o Estado que nesta fase deve garantir o ressarcimento de todos esses cidadãos e de todas essas empresas”.
Ora, que eu saiba, não foi o “Estado”, mas o BES, com o apoio publicitário de alguns governantes importantes, sim, mas irresponsáveis, quem o fez, ao serviço dos seus patronos. E César nem finge discriminar as vítimas incautas ou, pelo menos, analisar situações determinadas. Todos, e na íntegra. “Esse ressarcimento deve procurar ser um ressarcimento na íntegra das aplicações que eles fizeram. Mesmo que não o possa fazer numa única tranche ou numa única ocasião, o Estado deve assumir as suas responsabilidades neste domínio, porque não pode ser inocentado face à forma como estimulou a aplicação dessas poupanças”. Quer dizer, incluindo – ou sobretudo? – a malta da jogatana, os próprios culpados pela situação. Repare-se que não estamos a falar na garantia dos depósitos, mas das aplicações, sejam elas quais forem.
Não faltam queixas pela ausência de propostas por parte de António Costa. Nervoso, Carlos César chega-se à frente e, à falta de propostas, faz, sem análise de situação, sem fundamentos e limites objectivos, promessas redondas à moda antiga; a pagar pelos do costume. E, como de costume, lucros privados, prejuízos públicos. Carlos César cai assim bem no meio da teia que a direita tem para o seu partido: insistir com o eleitorado que, com o PS, regressará a despesa sem controlo. O promitente César tem, segundo muitas e excelentes pessoas, margem de manobra para voos mais altos, quiçá até Belém. Mas vai mostrando que não tem asas para tanto.

Ainda Herberto

logo

Quando fiz o meu teste de admissão no que viria a ser a RUC, e então se chamava Centro Experimental de Rádio, já por ali andava a colaborar com textos há mais de um ano. Achei que não valia a pena demonstrar que sabia ler e escrever, e decidi concentrar-mo no que me pareceu ser uma boa ideia para um curto programa (tínhamos uns 15 minutos para gravar).

Agarrei n’ O Humor em Quotidiano Negro, e com o ar mais sério do mundo adaptei alguns textos ao formato noticiário alargado com alguma música. Para quem não está a ver, as notícias eram como esta:

A população de Bogotá está a aumentar, e o número de mortos cresce em proporção. Já não há espaço nos cemitérios para enterrar mais gente.
Um engenheiro teve uma ideia: enterrar os mortos de pé. E justificou “Cabem muito mais cadáveres e é mais higiénico.”
A Câmara Municipal de Bogotá está entusiasmada, pondo reservas apenas a que o processo seja mais higiénico. Disse um funcionário: “É um arroubo lírico do engenheiro.”

A coisa correu bem, o problema foi depois de publicada a votação do júri, quando expliquei a um dos seus membros que me elogiava a criatividade da escrita:

– Não são meus, pá. São do Herberto Helder.

– Quem é esse gajo?

Não cheguei a ser desclassificado, mas hoje já ouvi a versão “Ah, morreu o pai do Daniel Oliveira” e poderia acrescentar que no meio docente reina alguma preocupação entre os profes de Português, menos dados à poesia sem riminhas, que não sendo todos são bastantes, agora que o homem morreu ainda os obrigam a dar mais uns textos que nunca perceberam, a falta que faz um decassílabo.

Diário da República, 24 de Março de 2015

De facto, é preciso enfrentar o fato:

Processar prestações de invalidez, velhice e morte e outras
que com elas se relacionem ou sejam determinadas pelo mesmo fato e se insiram na área de atuação do respetivo núcleo.

Efectivamente, “em Portugal, as novas regras estão a ser aplicadas sem atropelos” e “sem problemas de maior”:

Certificar os fatos e atos que constem dos arquivos municipais, sem prejuízo da competência nesta matéria confiada a outros serviços.

dre2432015Post scriptum: Foi há cem anos: [Read more…]

92%

92%? Efectivamente: 92%.

Herberto Helder, 1930-2015

O poeta não se chora, ou mesmo lamenta, mija-se-lhe os verbos, bebamos:

Lugar, lugares

Era uma vez um lugar com um pequeno inferno e um pequeno paraíso, e as pessoas andavam de um lado para outro, e encontravam-nos, a eles, ao inferno e ao paraíso, e tomavam-nos como seus, e eles eram seus de verdade. As pessoas eram pequenas, mas faziam muito ruído. E diziam: é o meu inferno, é o meu paraíso. E não devemos malquerer às mitologias assim, porque são das pessoas, e nesse assunto de pessoas, amá-las é que é bom. E então a gente ama as mitologias delas. À parte isso o lugar era execrável. As pessoas chiavam como ratos, e pegavam nas coisas e largavam-nas, e pegavam umas nas outras e largavam-se. Diziam: boa tarde, boa noite. E agarravam-se, e iam para a cama umas com as outras, e acordavam. Às vezes acordavam no meio da noite e agarravam-se freneticamente. Tenho medo – diziam. E depois amavam-se depressa, e lavavam-se, e diziam: boa noite, boa noite. [Read more…]

Helder, sim, Helder.

Ao contrário daquilo que se lê por aí. Helder, sem acento. Exactamente.

Crónicas de Timor-Leste – X

António José

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DepoisDoSol… dois mundos… após as 19h quase tudo o que é vida em Dili deixa de funcionar ou melhor o ambiente é claramente outro. O trânsito apressa-se e não tarda, desaparece o frenesim diurno. Não é que não haja vida para lá dessa hora, mas tudo muda de figura. Não é apenas a luz que muda, é o comportamento das pessoas. Todas sem excepção ou com as quais me cruzo e que desenvolvem o assunto, o dizem: “não vale a pena andar por aí.” Parece um jogo de sombras… mas faz-me imensa falta a luz da noite. Poder andar nela, senti-la, solto de receios e imposições. Por pouco que seja é ela que dá descanso ao imenso ruído visual, intenso, do dia. Ok, o fruto proibido, aqui. Pelo que vejo, a maioria respeita-o. Tentarei não lhe dar espaço por muito que me apeteça sair da norma. [Read more…]

Serviço Público

Diamante

Na sequência do julgamento de Rafael Marques em Luanda, a editora Tinta da China está a disponibilizar gratuitamente no seu sítio internet o livro “Diamantes de Sangue“.

Cofres cheios…

cofres cheios

Crónicas de Timor-Leste – IX

António José

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Foi nesta casa que foram assassinados os chamados “5 de Balibó”… não será necessário tecer grandes palavras…
Tony Stewart, Brian Peters, Greg Shackleton, Gary Cunningham e Malcolm Rennie.
Eu tinha 14 anos e também não me esqueço.

Duarte Marques, um anti-sistema de contos para crianças

Pedro e Duarte

Em mais um artigo anti-tudo o que mexe à esquerda do bloco central, Duarte Marques afirma hoje que a não ascensão, em Portugal, de partidos anti-sistema se deve ao facto de serem os partidos da coligação, PSD e CDS-PP, os partidos anti-sistema em Portugal.

Ora bem, não sei se isto se integra nas palestras de propaganda barata que profere perante o seu leal exército repleto de abanadores de bandeiras e trepadores sociais, e aí tínhamos esta idiotice chapada explicada, ou se o deputado “velho dos tempos da união Nacional” caiu e bateu com a cabeça, tendo ficado cerebralmente afectado.

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Iémen. Razões para o massacre.

O ponto de partida para uma melhor compreensão das dinâmicas actuais no Iémen, deve passar por uma leitura prévia do texto publicado a 23 de Janeiro, A Crise no Iémen.

As razões para o massacre da passada 6ª-feira em duas mesquitas xiitas de Sana’a (entre 137 e 142 mortos, as fontes contradizem-se), uma vez mais de forma quase telegráfica, sem no entanto ser simplista, são as seguintes:

1º É necessário clarificar, relativamente a um dos dados do referido texto, que a demissão do Presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi não foi irrevogável, continuando no cargo. Após a tomada de controlo da capital Sana’a pelos houthis, a Presidência, o Governo, as Embaixadas e demais instituições públicas, abandonaram a capital e rumaram até Áden, no sul, num movimento táctico, cujo objectivo principal foi o da procura da legitimação por parte da Comunidade Internacional, garantido de imediato e em simultâneo, já que as Embaixadas e respectivo pessoal, acompanharam institucionalmente o Governo legitimo do Iémen; [Read more…]

Neo-fundamentalismo cristão

dementes

Por estes dias, o João José Cardoso chamou-me a atenção para uns indivíduos que, simpatia a dele, considerou mentecaptos. Confesso que, ao ver tamanhos primatas em semelhante êxtase fundamentalista, algo que pelos vistos até foi saudado por algumas camadas adeptas do nacional-socialismo cá da terra, que criticam as manifestações e os pedidos de demissão que vão sendo dedicados a alguns dos nossos parasitas governamentais mas que pelos vistos até vêm com bons olhos uma intervenção militar do Estado mais violento do planeta contra um governo que, corrupto ou não, foi democraticamente eleito, fico ainda mais certo que não há sebastianismo que se equipare ao saudosismo fascista que alguns idiotas por cá cultivam. Deus nosso senhor tenha misericórdia da sua alma e que a cada um cresça uma pequena Cerejeira no rabiote.

Por falar em fundamentalistas, e na falta de quem entre as hostes cristãs rivalize com os paranóicos bombistas que acreditam na fábula das 40 virgens, o meu amigo Simão, homem de bons devaneios que apesar de inúteis oferece de forma gratuita, apresentou-me estes lunáticos da Igreja Universal do Reino de Deus e o seu exército de seres inenarráveis auto-denominados Gladiadores do Altar. Felizmente ainda ninguém lhes parece ter dado uma arma para a mão, mas, considerando o crescente poder da IURD e de outros paranóicos evangelistas no Brasil, não deve faltar muito tempo até que este grupo de radicais se transforme numa espécie de força paramilitar ao serviço de homens que se dizem ao serviço de Deus mas que estão apenas ao serviço deles próprios, tal como as contas bancárias destes “profetas” revelam.

Saudações suspeitas com o braço direito em riste, formações militares e marchas, uniforme verde-tropa e palavras de ordem, e tudo isto dentro de uma igreja. Ou lá o que aquilo é. Chega a ser assustadora a naturalidade com que um batalhão de tropas da IURD entra pela igreja a marchar e bate continência ao pastor-general. Até Dilma Rousseff bate continência ao controverso fundador da IURD, Edir Macedo, homem que pede o dízimo ao pé descalço e se desloca de helicóptero, tal é o seu desprendimento dos bens terrenos.

Sermão aos amphiprion ocellaris

palhacos

Explicador

Paulo Nunes de Almeida, Presidente da AEP, é o verdadeiro artista

Sem Título

Leitor devidamente identificado

Hoje vou falar-vos do meu Patrão. Sim, porque este senhor de quem vou falar-vos continua a ser o meu patrão, visto que eu e mais cerca de 60 colegas continuamos suspensos da Empresa TRL Texteis há quase 2 anos. Este senhor de quem vou falar-vos é apenas o Presidente da AEP, o Exmº. Dr. Paulo Nunes de Almeida.
Ocupando o cargo que ocupa, este senhor deveria ser o exemplo número 1 para qualquer patrão, certo?
Errado! Este senhor não é exemplo para qualquer patrão, pelo contrário, é o pior exemplo de ser humano que possa existir. Passo a explicar.
Em meados de Maio, há dois anos, este senhor comunicou aos funcionários, no final de uma sexta-feira de trabalho intensivo (visto que os funcionários estiveram a dar no duro para terminar uma encomenda para o estrangeiro), que a partir da segunda-feira seguinte deviam suspender os seus contratos de trabalho, porque não tinha forma de pagar mais salários. Claro que ele sabia que se podia fazer isso porque já tínhamos quase 2 meses de salários em atraso. Isto foi bastante violento para todos nós, principalmente para as pessoas que durante quase toda a sua vida trabalharam nesta empresa.
Mas isto não foi o pior. [Read more…]

Comissão de Inquérito? Vou antes cortar o cabelo

JGui

Foto@Correio da Manhã

A amnésia tem sido uma das maleitas predominantes nas várias audições da Comissão de Inquérito ao caso BES. Aparentemente, ninguém se lembra de rigorosamente nada do que por lá se passou. Às vezes, fica mesmo a sensação que nenhum destes sujeitos lá trabalhava. Como diria Mariana Mortágua, tudo amadores.

Segundo a edição de hoje do Expresso, amnésia poderá também ter sido a justificação para que o empresário José Guilherme, o tal que deu uma prenda de 14 milhões de euros, em numerário, a Ricardo Salgado (outro com longo historial de problemas de memória), se tenha esquecido de passar pela Comissão de Inquérito ao caso BES, para a qual notificado, alegando motivos de saúde e o facto de estar em Luanda para não comparecer na comissão parlamentar. Contudo, e pela relação comercial de 40 anos que mantém com o barbeiro Aurélio Robalo, José Guilherme conseguiu contornar estas vicissitudes e dar um salto a Lisboa para aparar as pontas. Podia ter-se lembrado de passar na comissão mas é possível que estivesse com pressa. First things first.

Ilusionismo socialista pré-eleitoral

Costa arco-íris

Foto@Expresso

A fotografia da autoria de José Carlos Carvalho, publicada no jornal Expresso a propósito do périplo de António Costa pelo país, encerra em si todo um cenário onde o idílico se mistura com o que de mais belo e poético existe na propaganda política pré-eleitoral. Um cenário cinzento onde um tímido arco-íris tenta sobressair das trevas e um António Costa sorridente remetem-nos para o imaginário da utopia socialista de um novo Portugal que ganha forma pela mão de um líder confiante e optimista com uma mão cheia de nada e outra repleta de coisa nenhuma. Vem-me imediatamente à memória aquele Pedro Passos Coelho que, triunfante e auspicioso, viajava pelo Portugal pós-chumbo do PEC IV, vendendo ilusões e fazendo promessas que todos sabemos como acabaram.

A anunciada primavera socialista mais não será do que a continuação daquilo a que hoje assistimos. Mudam-se caras, recuperam-se dinossauros e, com o tempo, novos boys infestarão a administração pública. A vassalagem a Berlim será total, o compadrio público-privado continuará e a “irreverência” de alguns sectores ditos mais à esquerda do Partido Socialista acabará por desvanecer e por ser silenciada em nome de uma suposta estabilidade que pouco ou nada se distinguirá daquilo que é a governação da coligação no poder. Infelizmente, centenas de milhares de portugueses acreditam que António Costa, o mudo, traz na cartola um conjunto de truques que darão a Portugal um novo Portugal. Mas como qualquer ilusionista do bloco central, Costa terá apenas mais do mesmo para oferecer, faça ele quantos périplos fizer. Não esperem fazer a mesma escolha e obter resultados diferentes. Isso só em contos para crianças.

O lobo e as lombrigas

“Premiei um escroque da pior espécie” – diz João Duque, referindo-se ao mesmíssimo Ricardo Salgado que, há não muito tempo, quase canonizou no discurso de elogio que lhe fez aquando do doutoramento “honoris causa” promovido pelo ISEG. Brioso, o ex-admirador e deputado Carlos Abreu Amorim, com aquela coragem dos cachorros pequenos entre as pernas do (novo) dono, citou esta frase, atirando-a à cara do visado em plena Comissão Parlamentar. Ricardo Salgado é, já poucos duvidam, o lobo mau desta história. E os lobos maus metem medo (designadamente aos coelhos), mesmo quando acossados. Mas depois há estas lombrigas, ténias, carraças, pulgas e outros parasitas do sistema, servidores de quem manda na hora e sempre prontos a mudar de hospedeiro. Estes, metem nojo

Lista VIP minuto-a-minuto

Passos Coelho, Núncio e a burka fiscal FEMAIL

Depois de ter afirmado no Parlamento que não tencionava fazer striptease fiscal Passos Coelho certificou-se que o seu cadastro fiscal se apresentaria doravante apenas de burka. [Read more…]

Multiplicatio praecocx

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“Vocês são jovens; multipliquem-se!”, proclamou a ministra Maria Luís perante uma entusiasmadíssima (excitadíssima?…) plateia de jovens da JSD. A coisa é séria.

Logo ali, imagino eu, se trocaram olhares interrogativos:” isso é p’ra já?…”, ter-se-à perguntado a multidão, pronta a corresponder, com militante entusiasmo, ao apelo da líder. Não por vulgar lascívia, mas com a fervorosa e patriótica vontade de resolver o mais depressa possível o problema nacional que a ministra tão lucidamente diagnosticara.

Mas não, não era para já. E embora o conceito de “J” seja muito extenso, em matéria etária, nas lides políticas, convém manter, pelo menos, as aparências. Está escrito: “crescei e multiplicai-vos!”. O verbo crescer tem aqui um moralíssimo relevo. Portanto, enquanto os jovens guardam pudico e casto recato, Maria Luís vai-se insinuando nos produtivos terrenos da eutanásia selectiva que tanto entusiasma a sua mestra Christine Lagarde e aquece o coração de alguns jovens sociopatas laranjas. Por isso, enquanto os jovens não se multiplicam, subtraem-se os velhos, a “peste grisalha”, como lhes chama um desses jovens já com direito a voz na Assembleia da República. Ocorre-me à mente um truculento soneto de Bocage que bem ficaria nesta situação. Mas contenho-me; alguém tem de manter a compostura nestes eventos.

O eclipse no quartel

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Uma anedota já antiga esclarece-nos sobre a boa comunicação ao longo da hierarquia militar. Perante a eminência de um eclipse solar, o oficial de dia decide instruir os seus praças e comunica as suas intenções ao seu subalterno.
—Tenente, amanhã haverá um eclipse do Sol. Quero que a companhia esteja formada com farda de trabalho na parada, onde darei explicações acerca deste raro fenómeno que não acontece todos os dias. Se por acaso chover, nada se poderá ver e nesse caso a companhia ficará dentro da caserna.
O tenente dirige-se ao sargento: [Read more…]

O “Bardo” tunisino. Razões para o massacre.

O massacre do Museu do Bardo (21 mortos), em Tunes, tem razões claras, as quais tentarei sintetizar de seguida, sem no entanto cair no simplismo.

1º Há dúvidas sobre se o objectivo seria verdadeiramente o museu, ou o Parlamento, muito próximo (aliás a notícia começa a ser veiculada como sendo um ataque ao Parlamento), no qual decorria a votação de uma lei anti-terrorista. É esta a convicção do Ministro dos Negócios Estrangeiros Taieb Baccouche e de muitos outros tunisinos; [Read more…]