Os maus observadores

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Escreve o Filipe Tourais no Facebook:

A malta que se diz “de esquerda” farta-se de partilhar por aqui artigos do Observador, que lhes agradece a publicidade ao seu pasquim trauliteiro-liberal, a malta de direita nunca partilha artigos do esquerda.net ou do Avante, boicotam as fontes de informação “perigosas”.

É isto mesmo. O Observador cumpre duas funções: arranjar um emprego aos blogueiros da direita (coitada da Helena Matos, por exemplo, que viu terminado o contrato da sua empresa com a rádio pública) e avançar no velho projecto do Compromisso Portugal, defendendo este governo e exigindo-lhe que vá ainda mais longe. Haver quem se disponha a, por exemplo, discutir com seriedade um projecto encapotado de regresso à constituição de 1933, só por masoquismo.

O mais longe não é um projecto democrático, como só não percebeu nestes quatro anos que anda com os olhos tapados. Eles matam, seja por falta de assistência médica, seja pela fome e miséria, e uma ideologia que tem como objectivo a desgraça do seu próprio povo só se consegue estabelecer por imposição estrangeira (já temos), domínio quase absoluto da comunicação social (aqui o Observador é uma mera vanguarda) ou golpe militar (falta-lhes, felizmente, a tropa). O neoliberalismo é incompatível com a democracia política, ponto final.

É verdade que se a esquerda não tem patronato que ofereça 3 milhões a fundo perdido para um projecto que já os deve ter esbanjado, não é por isso que não temos, nem online, um jornal assumidamente das esquerdas, e que a direita se entretivesse a boicotar. Nós esbanjamos o bom senso, a capacidade de suprir divergências e de nos unirmos no essencial. E vamos pagar caro por isso, ai se vamos.

A irrevogável lata de Paulo Portas

Portas Careca

A propósito da anunciada greve dos pilotos da TAP, Paulo Portas vestiu o habitual disfarce de falso moralista e, em tom de profunda e fabricada consternação, afirmou que o protesto de 10 dias não é “razoável” e que não é “aceitável” que um grupo de pessoas “capture” uma empresa inteira, apelando de seguida ao “patriotismo” contra a decisão dos pilotos da transportadora portuguesa. E bem vistas as coisas, esta greve parece revelar uma tentativa do sindicato dos pilotos de conseguir para os seus associados uma fatia da empresa e não tanto uma preocupação genuína com o futuro da mesma.

Mas as palavras do profissional da pandeireta remetem-me para um passado não muito distante em que um destacado governante português tomou uma decisão pouco “razoável” e muito menos “aceitável” perante o contexto do momento em si, que resultou na apresentação da sua célebre e irrevogável demissão e que “capturou” não uma empresa mas um país inteiro, que como consequência dessa decisão assistiu a uma subida violenta dos juros da dívida pública. Será que alguém tentou apelar ao “patriotismo” desse governante? É possível. Mas ele estava mais focado nos seus objectivos pessoais, que como sabemos culminaram na sua promoção a vice-primeiro-ministro. Que autoridade tem agora esse sujeito para criticar a escolha dos pilotos da TAP que, tal como Portas fez, estão a olhar pela sua vida? Nenhuma. Mas lata tem de sobra.

Uma noite nos noticiários

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É espantosa a lata de alguns comentadores e jornalistas. Garantem que a questão das presidenciais é prematura, mas deleitam-se em especulações, por vezes, delirantes, sobre o tema. A apresentação de Sampaio da Nóvoa, sobretudo, parece provocar-lhes uma certa urticária mental. Por uma lado, não se calam com o facto do candidato ser desconhecido. Por outro, acusam-no de apresentar a candidatura prematuramente com o objectivo – natural, digo eu – de se dar a conhecer a si e às suas propostas. Em que ficamos?
E já agora: não têm nada a dizer sobre umas eleições legislativas que por aí vêm? Ou estão felizes com a forma absolutamente canalha com que todos – sublinho: todos! – os canais de televisão e jornais vão, com a vossa ajuda, embalando os vossos concidadãos? Talvez seja muito esforço para as vossas cabeças – por receio de cansá-las ou, até, perdê-las – confrontar as muitas iniciativas e propostas que os vários partidos vão apresentando; e quando falo em vários partidos, gostava de sublinhar aqueles que existem para além dos do governo (conhecem?), com ideias muito diferentes, imaginem, daquela verborreia entre o imbecil e o terrorista com que os governopatas nos vai brindando (em que o esbulho de seiscentos milhões aos pensionistas, anunciado pela Maria Luís, é compensado com o patriótico orgulho de, quiçá por decisão governamental, termos a onda mais alta do mundo surfada por, ao que parece, Paulo Portas)?
Segundo li, a ciência mostra que – desculpem a dureza do exemplo – se colocarmos certos animais – uma rã, por exemplo – em água a ferver, o animal reage e faz uma tentativa desesperada para sair da armadilha. Mas se colocarmos o animal em água fria e aquecermos a água lentamente, o infeliz nela permanecerá, placidamente, até morrer.
Então, prezados concidadãos? Não estais a sentir-vos ligeiramente cozidos?
(foto de Uma Noite na Ópera, dos irmãos Marx)

Quem não se consegue governar a si próprio…

Acaba vivendo acima das possibilidades, avançando com teorias que as dívidas não são para se pagarem mas para serem geridas. O pior é que para suceder aos incompetentes que nos (des)governam já se perfilam os incompetentes que nos (des)governaram. A alternância está garantida, mas a mediocridade permanecerá imutável. O Estado a que a choldra chegou, ou uma versão sec. XXI para “de vez em quando é preciso mudar algo para que tudo fique na mesma”. Em Portugal mudamos de governo…

Coimbra, 17 de Abril de 1969. E tudo mudou para todos nós

 Humor na luta:

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A Simone e o Miguel

Senhores do Observador,

Eu sei que vocês são de Direita e eu até aplaudo a iniciativa e o site está muito giro do ponto de vista gráfico. Mas este tipo de artigos são escusados. Por um homem (Miguel Freitas da Costa) a debitar meia dúzia de lugares comuns sobre a Simone de Beauvoir e o feminismo, um homem que usa a expressão patriarcado entre aspas, é insultoso para a inteligência de quem lê o jornal. Eu sei que são de Direita mas têm mesmo de cair no erro de detestar intelectuais que não partilham das vossas opiniões políticas? Eu fui de Direita durante algum tempo e sempre gostei do Garcia Marquez. Agora que já não sou tanto de Direita continuo a gostar do Jorge Luis Borges. Pode-se ser de direita e gostar do Mário Cesariny. Não, a sério, juro que é verdade. Não estamos no século XVIII em que todos temos que imitar os philosophes. As percepções literárias mudaram e a forma como lidamos e experimentamos a literatura também.

E depois, meus amigos, vocês são os primeiros a queixar-se das pessoas que dizem, erroneamente, que não há intelectuais de direita. Haver há, nenhum escreve é para o Observador. O que é uma pena.

Adeuzinho e leiam mais livros, está bom?

Mariano Gago, 1948-2015

mariano-gagoTalvez o único ministro que nos deixou mais obra do que estragos.

A ameaça azul que paira sobre o reich

Sim, eu sei: estamos habilitados a chegar a Munique na próxima Terça-feira e sermos atropelados pela Blitzkrieg alemã. Mas quantos acreditavam, há três dias atrás, que recambiaríamos o Bayern para casa com três balázios na cabeça? Pois, em 87 também ninguém acreditava. A verdade é que, tal como os nazis do video em cima, o nervosismo parece ter tomado conta do adversário do FC Porto e as críticas vão chovendo. Até o médico com quase 40 anos de casa se pôs a andar.  Força Porto, faz aos alemães do futebol aquilo que devíamos fazer aos alemães da política. Fá-los engolir a arrogância. Para abanar o rabo já cá temos o primeiro-ministro e a senhora das Finanças.

O fanatismo wahhabita e o paradoxo saudita

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O fundamentalismo islâmico é-nos muitas vezes vendido como um fenómeno circunscrito a meia dúzia de organizações, das quais a Al-Qaeda e mais recentemente o Estado Islâmico parecem ser as principais embaixadas onde tudo começa e acaba. Por várias vezes, o João José Cardoso chamou neste espaço a atenção para diferença entre a generalização que se faz do radicalismo islâmico e o wahhabismo, a interpretação mais radical e opressiva do fanatismo religioso que tem na acção das organizações referidas a sua máxima expressão. O financiamento, esse, chega em quantidades industriais da Arábia Saudita, destacado parceiro comercial do Ocidente moralista repleto de Charlies que gostam de aparecer mas que na realidade se estão nas tintas para o alto patrocínio que o regime de Riade disponibiliza para os criminosos que erguem o Corão em nome da destruição arbitrária.

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Conferindo

Presidida por Luís Marques Guedes e comandada por Maria Luís Albuquerque, – acompanhados por um jovem g.n.i. (governante não identificado) – ocorreu mais uma conferência de imprensa do governo. Correu tudo bem. A ideia era a de levar a cabo uma operação de terrorismo comunicacional sem que as vítimas sentissem dor (como acontece com as mordeduras dos vampiros). E assim foi. Sei que foi assim porque não aconteceu nada aos conferencistas – que se retiraram com o mesmo ar sonso com que entraram -, sem que alguém, ao menos, lhes subisse para a mesa e lhes atirasse…confetis. Os jornalistas “independentes” convidados, depois, a comentar, estiveram todos a contento, fornecendo mais uma dose de anestesia. De modo que, quando o untuoso Paulo Rangel, desbundou em entusiástico apoio, já pareceu normal a muita gente. Destoou Manuela Ferreira Leite que malhou no governo com juvenil entusiasmo. Ao que isto chegou!

Num país que já foi inventado: Portugal Anedótico e digno de registo

Joaquim Vitorino

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1. Estava eu a alinhavar um artigo onde queria fazer referência a um texto publicado por um correspondente do jornal “O Concelho da Murtosa”, mensário, edição de Agosto de 2006.
2. Dirigi-me à redacção e director do jornal para aquela consulta e ouvi isto: não temos. Perguntei onde podia encontrar, e a resposta foi: na biblioteca municipal.
3. Lá fui e disse ao que ia. A senhora foi ver e disse: só temos até 1996. E perguntei onde poderia encontrar. A resposta foi: na Câmara, no gabinete do senhor vereador do pelouro da cultura. Estranhei muito e fui a outra biblioteca, que supostamente teria.
4. Dirigi-me à biblioteca municipal de Estarreja, uma vez que aqueles dois concelhos são gémeos e o que se publica dum lado publica-se do outro. E aí, ouvi isto: temos até 2005, mas depois a Câmara deixou de comprar.
5. Fui então à Câmara da Murtosa e na recepção (lá escrito receção), disse ao que ia, e que na biblioteca não havia. Respondeu ele: então vá ao jornal. Lá tive que contar todos os passos anteriores. Aí, disse-me para esperar e subiu as escadas. Voltou alguns minutos depois, dizendo. Temos; e o que é que o senhor pretende? Respondi que queria consultar e, eventualmente obter fotocópia duma página. Mandou-me subir e dirigir-me a um dado gabinete, que a senhora já sabia o que eu queria. [Read more…]

Oh Jerónimo, francamente!

11141764_809356702491052_4987628384302809147_oUm dirigente político não tem descanso nas solicitações a que comente tudo e mais alguma coisa, seja em que lugar for, sejam quais forem as condições. E porque isso faz parte das obrigações que a sua condição impõe, ele corresponde e responde. A palavra é a sua arma. E como a comunicação, para que os jornalistas a divulguem, tem de ter em si alguma retórica mais exuberante – que, por vezes, resulta em grande, outras vezes, nem por isso -, a coisa nem sempre corre bem. Ora, tudo isto vem a propósito das respostas dadas pelo meu ilustre amigo e camarada Jerónimo de Sousa quando, durante uma uma daquelas entrevistas de passagem, caracterizando o PS, afirmou que aquele partido “não é carne nem peixe, é como que um caranguejo moído”; mais tarde, confrontado com esta declaração, deu ao nobre crustáceo uma caracterização mais, digamos assim, cinética: “o PS é como um caranguejo porque não anda para a frente nem para trás, anda para o lado”. Meu caro Jerónimo, se queres caracterizar o PS pela sua indefinição, a sua desorientação política e a sua incapacidade de ser, sequer, assertivo em alguma proposta, tens mil recursos estilísticos, analogias, metáforas. E animais sem fim. Mas o caranguejo? O insigne membro dos crustáceos, infraordem dos brachyura? Que inclui maravilhas zoológicas – e gastronómicas…- como a navalheira, a santola, a sapateira?! [Read more…]

Claro como água

O Observador oficial da extrema-direita pariu uma proposta de nova Constituição. Fui ver. Onde está:

Artigo 1.º

República Portuguesa

Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

Riscavam a vontade popular, e o resto.

Ainda não substituíram pela jurisprudência divina ou o voto censitário dos empreendedores, nem assumem que querem uma sociedade presa, injusta e de caridade.

Fica para o próximo sonho erótico, seja com a tropa, ou com um Sebastião vindo e cavalgando seu submarino branco, ou mesmo a América após a vitória de um candidato do partido do chá.

Um Rato encarcerado

Branqueamento de capitais, fraude e apropriação indevida de bens são as acusações que pendem sobre Rodrigo Rato, nº2 do governo de José Maria Aznar (1996-2004), ex-director do FMI e ex-presidente do Bankia, o banco espanhol que foi nacionalizado em 2012 por Rajoy, o mesmo Rajoy que promoveu uma amnistia fiscal que beneficiou este destacado barão do Partido Popular espanhol que foi detido durante a tarde de ontem. Qualquer semelhança com casos de políticos portugueses da mesma área ideológica envolvidos em esquemas similares é pura coincidência. Até porque ainda que a criminalidade seja idêntica, por cá estão todos em liberdade. Nós temos esse péssimo hábito de tratar muito bem a escumalha criminosa do regime.

Multiplicai-vos e coisa e tal

Ora vamos lá pôr as medidas governamentais por ordem:
1º – baixaram brutalmente os salários e condições de trabalho à função pública.
2º – aumentaram os horários de trabalho dos funcionários para, pelo menos, 40 horas.
3º – vão permitir aos mesmos funcionários, se eles produzirem descendência, a dispensa de meio dia de trabalho.
4º – pelo meio dia de trabalho atrás mencionado, caso usufruam tão generosa dádiva, descontarão 40% do salário.
Sei que há outras propostas vindas da mesma fonte. Mas este é o “osso” da questão. Passem-me um pau de marmeleiro, que quero responder.

Dois minutos para o jogo do tanso*

Leio no Público que a Igreja Católica quer que ver o Aborto a ser debatido na Campanha Eleitoral. Leio que: “Movimento de cidadãos defende que as mulheres que estão a pensar abortar devem ver antes as ecografias e pretende que os pais participem na decisão. “

Três comentários:

1- Eu acho muito bem porque assim como assim nunca ninguém vê um boi nas ecografias portanto esta medida parece-me tão estúpida quanto útil.

2- Eu acho óptimo que os pais participem na decisão até porque tenho a certeza que o puto de 17 anos que engravidou a namorada está cheio de vontade de ser pai e de explicar á familia dele e dela o que aconteceu. Aliás, não se fiquem por aqui. Se os paizinhos depois não demonstrarem qualquer interesse na criança devem ser multados e/ou presos. Ah, o quê, isto já não é chantagem emocional barata? Perdoem-me.

3- Eu percebo que a Igreja tenha que fazer este papel e eu nem lhes estou a pedir para serem a favor do aborto, ou da homosexualidade ou da ideia de que as pessoas têm direito de fazerem o que querem com o próprio corpo e que há algo chamado direitos individuais que têm que ser respeitados e que não cabe aos homens decidirem pelas mulheres ou heterossexuais pelos homossexuais ou brancos por pretos. Mas não deixo de me perguntar se a Igreja portuguesa não deveria dar ouvidos ao Papa e pensar que em vez de se dedicarem aos temas fracturantes, deviam começar a dar importância a outras coisas que se calhar não aparecem nos jornais mas que são mais úteis para a sociedade em geral.

*Título roubado a Cátia Rodrigues do Canal Q.

A elevada probabilidade do Dono Disto Tudo se safar

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Sabemos bem como acabam estas histórias. Muito aparato e abundância de informação que parece anunciar que desta vez é que vai ser, mas no final do dia o mais provável é ninguém ser responsabilizado. Oliveira e Costa e Dias Loureiro vivem uma vida tranquila, após terem arrastado o país para o buraco fraudulento do BPN, cuja factura para os contribuintes já terá ultrapassado os 6 mil milhões de euros. Nada lhes aconteceu. João Rendeiro também vive em liberdade, após a hecatombe do seu BPP, que tendo ficado mais barato para o pagador do costume, ainda custou algumas dezenas de milhões ao erário público. Hoje diverte-se na BlogosferaJardim Gonçalves até chegou a ser condenado a dois anos de cadeia por crimes de manipulação de mercado e falsificação de documentos mas, como sabemos, as elites podem sempre pagar uma fiança avultada, neste caso 600 mil euros, e ficam imunes às decisões judiciais. Ter dinheiro coloca-nos, efectivamente, acima da justiça. Até porque a maioria dos criminosos não consegue açambarcar tanto.

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Da ignorância da nossa burguesia

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Descubro pelo José Simões que os nossos parolos, a malta da patronal, andam a viralizar isto, um erro, dizem eles.

No princípio era o verbo, ó analfacoisas.  Isto é um verso, um belo verso, até a poesia popular ultrapassou há muito a fase das quadras. Mas não lhes podemos exigir que lá cheguem, ainda pensam que o hino da mocidade é um poema.

A lama há-de engolir-nos

Não deve ter chegado a cinco minutos a “reportagem” (algum nome haverá que dar-lhe) a que assisti na Correio da Manhã TV. Quando passo por lá é em zapping acelerado, não vá salpicar-me naquele lamaçal interminável, mas desta vez, e suponho que seria porque era tarde e eu estava exausta e sem sono, deixei-me ficar a olhar. A notícia contava que uma mulher fora assassinada, outra ficara em estado crítico, ambas muito jovens. O homicida confesso, já detido, era o ex-namorado de uma delas. Depois de várias imagens dos familiares das vítimas lavados em lágrimas à porta do hospital, o “repórter” (algum nome haverá que dar-lhe) levou-nos a conhecer a mãe do homicida.

Uma mulher assustada, envelhecida, que respondia às perguntas como se estivesse a ser interrogada pela polícia, sem saber que não tinha porque fazê-lo. Abriu as portas de casa para que a filmassem. Pobre casa, de paredes de pedra, escasso mobiliário. Sobre um móvel, algumas garrafas de vinho, nas quais a câmara se detém com minúcia e malevolência. Este repórter quer deixar clara a sua mensagem. Não lhe chega acossar uma mulher assustada, é necessário que devassemos a sua intimidade e que o país lhe veja os pobres trastes e as garrafas de vinho. Vejam, ela bebe. Ou ela, ou o homicida, ou ambos. [Read more…]

O culto da imbecilização no ensino num suposto exame da 4ª classe

Tem feito furor por aí um suposto exame da 4ª classe de 1968, que circula nas redes. Acabo de descobrir que a coisa partiu de um jornal, o Dinheiro Vivo, e circula agora por várias páginas comerciais, daquelas que publicam tudo o que dê cliques. Como qualquer não-idiota pode constatar, isto não é um exame, são páginas de um caderno de exercícios:

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Nem é preciso ter a 4ª classe, ou o 4º ano para lá chegar. Não me daria ao trabalho de escrever aqui uma linha sobre o assunto, não fosse a circulação disto grave pela ideologia, e estupidez, que está a espalhar. Vamos lá ver: [Read more…]

Estou-me nas tintas para as eleições (dos outros)

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Emigrem, trabalhem mais 4 dias por ano, recebam menos dinheiro, trabalhem mais horas por semana e paguem mais impostos.

Mas vai ser a porcaria do meio dia que não se trabalhe (e recebendo menos 40% de salário – antes ou depois dos cortes?), desde que se seja funcionário público, que vai fazer com que apareçam crianças.

Eis o plano dos partidos “Portugal não é um paraíso de mão-de-obra barata”  e do “ai o dinheiro dos contribuintes e dos reformados”.

Os portugueses devem ser muito diferentes dos povos dos outros países, só pode. É o sol, contrário à agitação, que estraga tudo. Lá no norte está frio e é preciso aquecer.

Badamerda mais as vossas mentiras da treta.

Infografia: Público

Atentado terrorista na sede do BCE

Foi esta tarde, na sede do BCE, enquanto Mário Draghi dava uma conferência de imprensa. A senhora, cuja afiliação segundo o jornal Expresso serão as activistas do FEMEN, saltou para cima da mesa, o que deu origem a uma expressão de pânico na cara de Draghi que por si só já valeu a ousadia. “Acabem com a ditadura do BCE” (“End the ECB dictatorship“, versão light daquela que surge na camisola da senhora – “End the ECB dick-tatorship“) gritava a rebelde enquanto lançava confettis sobre a cabeça do presidente do BCE. Sorte do Constâncio que assistiu a tudo na primeira fila.

O incómodo amigo do primeiro-ministro

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Foto@RTP

Na semana passada, o país ficou a saber que Pedro Passos Coelho recrutou um ex-patrão e militante do PSD para delegar a responsabilidade de preparar o programa do PSD para as Legislativas deste ano. O amigalhaço em causa é Rogério Gomes, empresário que, tal como o primeiro-ministro, aparenta possuir uma vasta experiência no campo das ONG’s, experiência essa que, segundo o DN, lhe permitiu, através da ONG que actualmente gere com a esposa, fazer alguns ajustes directos com dinheiros públicos a instituições às quais esteve ou está ainda ligado.

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Aviso aos filhosdaputa que nos governam

É bom que vejam a reportagem da Ana Leal, que ontem foi exibida pela TVI.  À partida estais-vos na tintas: são hospitais públicos, os privados florescem, é coisa para pobres.

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Mas há um detalhe, ó filhosdaputa. São serviços de urgência. Ora não há privados que cubram as urgências de um país, pelo simples facto que este lado do negócio apenas dá lucro em Lisboa e Porto e mesmo assim não cobre todas as necessidades. E depois os serviços de emergência médica não vos vão diferenciar se vos estampardes numa estrada, se tiverdes um ticoteco na rua, uma emergência, portanto.  Não estou a ver uma dessas equipas que vai às estradas, também eles trabalhando em péssimas condições, a pedir de imediato um helicóptero porque se trata do sr. ministro, ou a reconhecer no focinho coberto de sangue um secretário de estado. Vai daí, em caso de azar, e ninguém está livre dele, trigo limpo farinha amparo, ireis para estas urgências como os outros. E arriscais-vos mesmo a ficar numa maca entalada entre outras num corredor, a serdes assistidos por um enfermeiro para 30 doentes, a ter o único médico capaz de vos tratar ocupado com outros doentes. De nada valerá, depois, um secretário de estado gritar que os médicos e enfermeiros eram comunistas. De nada valerá para vocês, e muito menos para a vossa família.

Resta-vos, depois da razia feita sobre o Serviço Nacional de Saúde, uma hipótese, é claro: não sair de casa. Mas é aborrecida.

Business as usual?

Lembram-se deste flop, faz agora um ano, em que um fuzileiro lança um drone e este cai directo no Tejo? Trata-se de um AR4 Light Ray da empresa Tekever, cujo CFO é Rodrigo Adão da Fonseca (RAF), homem da blogosfera (O Insurgente) que tem uma ligação de longa data com o actual  Ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco (JPAB), que remonta a 2010 quando assumiu funções de assessor do então líder da bancada parlamentar do PSD e coordenou a moção estratégica de JPAB nas internas do PSD. Após a vitoria de Pedro Passos Coelho,  JPAB abandonou a liderança parlamentar social democrata e RAF deixou de ser seu assessor, sem que tal o colocasse em situação de ruptura ideológica com o PSD. Pelo contrário.

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Recompensar a má gestão bancária

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Foto@Econintersect

A edição online do jornal I revelou ontem que o conjunto dos 4 maiores bancos nacionais – BES, BPI, BCP e CGD – acumulou prejuízos na ordem dos 9,5 mil milhões desde que há quatro anos Portugal se submeteu ao plano de austeridade que teve no resgate dos bancos a sua principal prioridade. Claro que, e o jornal fez essa mesma referência, metade desta catástrofe bancária diz respeito à hecatombe BES, cuja custo directo para o contribuinte rondará já os 5 mil milhões de euros, valor esse que dificilmente será recuperado na totalidade. Mais uma factura das aventuras bancárias com a chancela do liberalismo económico a ser suportada pelos otários do costume: nós.

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Poderosa e Descontrolada: A Troika

Documentário do canal Arte  sobre as intervenções da Troika. Contém cenas eventualmente chocantes, não sendo recomendado a quem acredita na propaganda do governo. Um trabalho de  Harald Schumman (autor de Quando a Europa salva os bancos, quem paga?, que também já legendámos) aqui em segunda versão, com correcções nas legendas e melhor qualidade de vídeo que a primeira.

Esta versão estará em breve disponível para download.

The battle of Montevideo

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 Foto@The Independent

Tal como o senhor Mujica teve oportunidade de explicar ao senhor Obama há quase um ano atrás, trata-se de uma batalha que leva já alguns anos. E segundo a organização não-governamental Avaaz, a tabaqueira Philip Morris poderá estar a levar a melhor contra o governo uruguaio, que processou devido às suas leis anti-tabaco, consideradas pela organização como sendo das melhores do mundo e que envolveram a introdução de medidas como o aumento do tamanho das mensagens de saúde relacionadas com o consumo de tabaco em 80% ou a proibição dos fabricantes de comercializar diferentes variedades da mesma marca de tabaco.

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Günter Grass, 1927-2015

O filme tem as suas limitações, mas O Tambor é, de longe, o romance onde se desenhou a nazismo até ao mais delicado detalhe, uma perfumaria de pormenores. Obrigado, Günter Grass.

A Primavera Passista

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Como diria Diácono Remédios, “a notícia é uma boa notícia“. E é mesmo. Todo o emprego que alguém quiser criar neste país é sempre bem vindo, excepto nos casos em que se verificar tratar-se das subespécies “exploração” ou “pré-escravatura”. E logo a Concentrix (nunca ouvi falar) ,uma empresa que apesar de não confirmar, o Expresso sabe que tem a Apple entre os seus clientes. Fiquei tão entusiasmado com tudo isto que até coloquei ali em cima o logótipo Compro o Que é Nosso, que é um logo bonito e que me enche de esperança no amanhã em que valorizamos o que é nacional, apesar de não ter grande coisa a ver com esta situação específica. Abençoados os anos de eleições e as Primaveras do optimismo e da ilusão que antecedem Verões de porcos no espeto, concertos de música pimba à borla, canetas, isqueiros e réguas com fartura! Venham daí essas descidas de impostos e os programas para resgatar emigrantes da hecatombe socrática que o desgraçado do Passos herdou. Ah, o triunfo da austeridade em todo o seu esplendor!

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