Criar & Criticar

yanis_ministerCarlos Roque

A enorme diferença entre o Syriza e as oposições que se babam com a sua estrondosa vitória por esse mundo fora é um detalhe de marketing: o partido grego tem um produto – um programa criativo que fez sonhar o eleitor – e elas não têm nenhum.
Isto das eleições rege-se pelas mesmas regras do mercado: é preciso vender. E, para vender, ou temos reconhecidamente um excelente produto ou, pelo menos, temos de fazer parecer muito bom o produto que temos. E, no panorama global das oposições, o que vemos? Criticar. Dizer mal, pura e simplesmente, e só, de cada acção dos governos – o produto dos outros – e perder paulatinamente uma excelente oportunidade de, ao fazê-lo, mostrar uma alternativa aliciante, o seu bom produto, e ganhar uns pontos de simpatia e de vontade de comprar de quem vota. [Read more…]

Retrovisores analíticos

A rodada geral de debates e comentários dos programas televisivos de ontem foi bizarra. A maioria dos comentadores do auto-designado “arco da governação”, sobretudo os da direita reinante (com as duas excepções conhecidas), encheram as velas com o que pensam ser os ventos de feição e aí vai disto. Esmeraram-se nos adjectivos e atacaram forte e feio.

Notem que não duvido da complexidade da situação da Grécia, da seriedade dos problemas que ela encerra e do interesse em os discutir. Mas permito-me chamar a atenção para o que tem sido uma tónica destes ataques: tenta-se atribuir ao governo agora eleito todos os alegados vícios de que o país enferma e todos os erros cometidos nos anos anteriores como acontece nas tragédias clássicas gregas, em que os sucessores são amaldiçoados com os pecados dos antepassados, numa trama que se dirige ao fatal desenlace sem que nada o possa impedir. Ora, quem governou a Grécia nos anos anteriores foram os “partidos irmãos” dos partidos dos nossos assanhados comentadores! A Grécia afundou-se na má governação, vigarices e e expedientes dos seus partidos de direita e de centro-direita, assistidos pelo Goldman Sachs. E, frequentemente, com a tolerância silenciosa ou mesmo cumplicidade dos que agora tanto se agitam.
Passaram quatro dias sobre a eleição e já há quem pergunte se o governo delas saído já resolveu todos os problemas da Grécia.
Corja de seráficos hipócritas, galinhas que cacarejam histéricas cada vez que uma ave quer voar alto.

Carta Aberta de Alexis Tsipras aos Leitores do Handelsblatt

Alexis_Tsipras © Libération

Mais uma vez, o Aventar na vanguarda do verdadeiro jornalismo, está a apresentar uma tradução colaborativa de um documento essencial para a análise política internacional.

A maior parte de vós, caros leitores do Handelsblatt, terá já uma ideia preconcebida acerca do tema deste artigo, mesmo antes da leitura. Rogo que não cedais a preconceitos. O preconceito nunca foi bom conselheiro, principalmente durante períodos em que uma crise económica reforça estereótipos e gera fanatismo, nacionalismos e até violência.
Em 2010, a Grécia deixou de conseguir pagar os juros da sua dívida. Infelizmente, as autoridades europeias decidiram fingir que o problema poderia ser ultrapassado através do maior empréstimo de sempre, sob condição de austeridade orçamental, que iria, com uma precisão matemática, diminuir drasticamente o rendimento nacional, que serve para pagar empréstimos novos e antigos. Um problema de insolvência foi tratado como se fosse um problema de falta de liquidez. [Read more…]

Presidente do IAVE chumba ao chumbar os professores

“Há um conjunto de professores que não reúnem condições para o ensino”. Professores reúnem. Um conjunto reúne. Vá lá, sr. Hélder de Sousa, meta as orelhas e vire-se para a parede.

A crise no Iémen

aqap

Apesar da crise permanente que o Iémen vive desde o início da “Primavera Árabe”, em 2011, a demissão do Presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi, nesta 5ª-feira 22 de Janeiro, apanhou todos/as de surpresa, sobretudo após a minoria xiita houthi ter ocupado o Palácio Presidencial na 3ª-feira 20 e, de na 4ª-feira 21, ter sido assinado um acordo no qual ambas as partes se comprometiam a redigir uma nova Constituição, inclusiva e, os houthisa retirarem as suas forças que sitiavam edifícios públicos, bem como a entregarem são e salvo, o Chefe do Gabinete Presidencial, entretanto raptado.

Oficialmente, o que precipitou a demissão presidencial, foi a demissão do Primeiro-Ministro Khaled Bahah, mas acontece que os houthis também deram o dito por não dito, pressionando por mais concessões não estando de acordo também, com o projecto de federalização do país em 6 Estados, querendo apenas a existência de duas regiões distintas. Ora esta posição vem reforçar, de certa forma, as exigências do Harak Janouby, a Vanguarda Separatista Sulista, liderada pelo socialista Ali Salim al-Beidh, que quer a independência do sul, num regresso à geografia política da Guerra Fria, aquando da existência do Iémen do Norte e do Iémen do Sul. Um projecto diferente das propostashouthis, sendo que nas horas seguintes à demissão do PR Hadi, 6 líderes de 6 províncias do sul, já afirmaram que não obedecerão a Sana’a, a capital, nem aos houthis. Já há registos, aliás, de ataques a postos e carros de polícia em Áden, principal cidade costeira do sul.
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Tão bem explicado que até eles entendem

é só para filhos de família que podem fazer mba’s muito selectivos onde se visitam os pobrezinhos nos seus habitats, aqueles pobrezinhos que só podem aspirar à mobilidade lateral que os leva a professores

Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?

Está bem, só uma: não (tentar) adoptar o AO90.

A Zila e a Tânia, em nome do serviço público

agora

Ontem, as vedetas da imprensa eram os professores, reprovados à volta com os “á” e os “”. E eu acrescentaria, com provas, o “mandas-te” em vez de “mandaste” e quejandos erros da matreirice de quem construiu, assim, ao longo dos séculos, esta língua complicada, diz-se. Uma coisa para iniciados, umas aves raras que no Porto, em Braga ou em Bruxelas, vão lutando pela Língua, contra tudo e contra todos, até aqueles que produzem licenciados sob o signo do erro banal. Depois, queixam-se de acordos ortográficos, nesta realidade paridos.

Hoje, foi a (inefável) Zila! Sob o olhar complacente – de cândido – da Tânia, dita Ribas, de Oliveira. Televisão de serviço público, que se preze, deve chamar à luz todas aquelas que nos libertam de temores, receios, baixa auto-estima a afins, num prestidigitar de cartas, mudando de baralho se se trata do pai, da mãe, do cão, do gato, do namorado ou do emprego. E nos explicam que a mãe, coitada, tem aerofagia; o filho vai fazer um olho negro no próximo jogo de futebol; o namorado ainda não está maduro, vai demorar, mas há-de aparecer; a gata vai procriar; o pai, esse, é bom homem, mas, de vez em quando, “explude”. Quase esquecia esta: “Lá para os 40, há rebento novo. Prepare-se! É o terceiro, que o amor para si vai, finalmente, chegar por essa altura”. Claro que o diálogo não foi bem este, há uns animais de permeio que não entraram na história. Mas o sentido está lá… E eu, que até nem sou jornalista, posso dar-me ares de criativo, com alguma ficção à mistura!

Serviço público, está bom de ver! Oram “explodam” lá de vez. E vão vender cálcio porta-a-porta. Como a outra, a da concorrência.

Ao menino e a Sérgio Sousa Pinto põe deus a mão por baixo

O dirigente do Partido Socialista (PS) nas relações internacionais, Sérgio Sousa Pinto diz, em declarações ao Diário de Notícias (DN), que esta viragem na Grécia irá fazer frente à austeridade, mas alerta que o “PS não é nem vai passar a ser o Syriza” em Portugal. Fonte.

Figo a presidente

Como acabou a peseta e o euro corre mal, El Dolarero ou Yuanero?

A reprova

Para avaliar candidatos a professor fazem-se uns testes giros. No último incluía-se um texto de José Manuel Fernandes. Repito: o analfabeto José Manuel Fernandes, que enquanto escreveu à borla no Blasfémias provou várias vezes ter com a gramática uma relação semelhante à que eu tenho com Passos Coelho. Se, mesmo revisto como sempre sobreviveu na profissão onde entrou um homem que escreve fazido à pala de mero oportunismo político, eu encarasse um texto de José Manuel Fernandes e tivesse de a partir dele escrever alguma coisa, juro que bloqueava, ou melhor, bloceava.

Já em prova anterior José Adelino Maltez, homem culto e professor universitário, experimentou e falhou:

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Azar, o Zé julga que é jornalista

A vida é um palco, já dizia o Bardo, transformando-nos a todos em actores. No prolongamento desta imagem dramática, e sem ser original, é possível dizer-se que o mundo é um conjunto de palcos em que desempenhamos papéis diferentes. Não me faz, portanto, confusão que, de copo em riste, entre compinchas, possamos exercer o saudável direito ao disparate, mesmo que seja politicamente incorrecto ou só incorrecto e até desinformado, porque há sítios em que é lícito que  todas as louras sejam burras e todos os alentejanos, preguiçosos. [Read more…]

“Caprichos onanísticos”

O líder de um partido político que se refere à adopção e co-adopção por casais homossexuais como “disponibilizar crianças para satisfazer os caprichos onanísticos e preconceitos heterofóbicos dos gays e das lésbicas” deve saber que está a descer ao nível mais baixo da política, aquele em que não se hesita em aviltar um conjunto de cidadãos para marcar uma posição face a um adversário político. É isto que faz Marinho e Pinto neste artigo. Degrada e calunia tanto as famílias compostas por casais homossexuais que já existem como aquelas que poderiam vir a formar-se, reduzindo a vontade de dar um lar a uma criança a “caprichos onanísticos” e manifestação de “heterofobia”, e fá-lo porque encontrou nisso uma arma de arremesso político que ele provavelmente entende que pode valer-lhe uns votos.

Marinho e Pinto poderia esgrimir argumentos contra a adopção homossexual, ou não tivesse ele o direito a opor-se a essa possibilidade, mas não o faz, opta pela generalização ofensiva e aviltante. Poderá ser porque não sabe fazer melhor do que isso ou apenas porque é esse o caminho mais fácil. Seja como for, e para usar as palavras dele, “é bom que o país saiba o que pode esperar”, caso tenha andado distraído até aqui.

(Via Malomil)

Governar para números ou governar para pessoas?

Santana Castilho

O filósofo Slavoj ZizeK citou T. S. Elliot num comício da Syriza para dizer que “há momentos em que a única escolha é entre a heresia e a descrença”. E clarificou a ideia afirmando que “só uma nova heresia, representada hoje pela Syriza, pode salvar o que vale a pena salvar do legado europeu: democracia, confiança nas pessoas, igualdade e solidariedade”.

O estado em que a política educativa dos dois últimos governos colocou escolas e professores faz-me suspirar por um “momento Syriza” na Educação. Por uma nova heresia, que coloque cooperação onde hoje está competição. Porque a cooperação aproxima-nos e sedimenta-nos enquanto grupo e a competição, ampliando as diferenças, afasta-nos, isolados por egoísmos. Porque a cooperação serve as pessoas e harmoniza-as, tal como a competição, hoje sacralizada na nossa cultura, serve os números e os conflitos. [Read more…]

Passos Coelho, contador de histórias e de outras coisas que não existem

Ver Pedro Passos Coelho referir-se às propostas do Syriza como “contos de crianças“, independentemente de elas se virem ou não a cumprir, remete-me para os inúmeras histórias de embalar ovelhas com que este sujeitinho aldrabou o eleitorado na sua busca desenfreada pelo poder entre 2010 e 2011 e que o Ricardo Santos Pinto teve o cuidado de compilar pouco depois deste contador de histórias ter chegado ao poder.

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Não devem ser drogas leves!

Neste fim de semana um conjunto de pessoas (100 dizem uns, 400 dizem outros) deslocaram-se  da Covilhã a Évora, onde se manifestaram à porta do Estabelecimento Prisional. Por causa de José Sócrates, está visto.

Por entre declarações várias, o facto de dizerem que o antigo primeiro ministro estava preso por motivos políticos!

Mas o que me espantou foi alguns estarem de cravo vermelho e cantarem a Grândola Vila Morena!

Salgueiro Maia e Zeca Afonso devem estar a dar voltas nos caixões, mas pergunto-me: o que é que andam a fumar na Covilhã?

Radicais para todos os gostos

RadicaisFotomontagem@Uma Página Numa Rede Social

No Domingo abateram-se os corruptos gregos. Na Segunda o sistema salivou como se não houvesse amanhã. Hoje, Terça-feira, coisas extraordinárias acontecem. O PSI-20 abriu a sessão em queda. Culpa do Syriza? Nada disso, culpa dos radicais que geriram e destruíram a PT e do BPI, que foi hoje alvo de “corte de rating” por parte do BBVA. Culpa do Syriza? Nada disso, culpa dos “fracos rácios” de eficiência na operação do banco e do “modelo de negócio desequilibrado em Angola. Aguenta Ulrich, ninguém te mandou fazer negócios com radicais.

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Auschwitz

Setenta anos após a libertação dos campos de Auschwitz pelo Exército Vermelho, na caminhada que de Estalinegrado e Kursk  até Berlim virou o rumo da guerra, relembro as vítimas que morreram duas vezes, uma às mãos do nazismo e todos os dias na continuação do esquecimento.

Relembro o Porajmos, 220000 ou 1500000 mortos, o maior genocídio (pelo menos relativamente à população total da etnia) cometido pelo mal que assolou a Alemanha e muito mais Europa.

Não se fizeram filmes e séries de televisão, não se escreveram prateleiras de livros, não lhes deram uma pátria porque também não a tinham (e ao menos por eles não se roubou a terra a outros), não constam dos manuais escolares. Não contam, são ciganos, e até nos massacres há vítimas que são mais vítimas do que outras.

Vinte e três mil ciganos alemães e austríacos foram prisioneiros em Auschwitz, e cerca de 20.000 deles foram mortos naquele local. Fonte.

Para saber mais: Embaixada Cigana

Momentos

Ontem foi um dia animado. Tivemos o momento Marretas, com Pires de Lima, o momento lacrau de Massamá, com o Passos, o momento Salazar com Maria Alberta Fernandes e Camilo Lourenço, o momento a-sombra-do-radicalismo-ameaça-a-europa, com José Rodrigues dos Santos, o momento aibalhamedeuscaoropataperdida com os Luís Delgado e similares, os vários momentos ai que vêm aí “os radicais extremistas de esquerda”, dos pivôs da RTP, enfim, um dia animado.
Houve até, valham-nos os deuses do Olimpo, o momento de verdadeiro serviço público, quando o José Manuel Pureza desembainhou a palavra e disse umas verdades como estalos na própria cara da RTP.

A propósito de contos de crianças – ele fez as contas

Passos diz que não será preciso cortar salários nem fazer despedimentos: O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou, este sábado, que fez as contas e está em condições de garantir que não será preciso cortar salários nem fazer despedimentos para consolidar as finanças públicas portuguesas.” Foi apenas há 4 anos.

Merkel também visita Sócrates

German Chancellor Angela Merkel in Florence

Angela Merkel in visita a Palazzo Vecchio a Firenze – Credits: EPA/TIBERIO BARCHIELLI/PALAZZO CHIGI PRESS OFFICE/HANDOUT

Uma enorme lata

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O próximo governo grego será o primeiro governo de esquerda da Europa desde… sejamos magnânimos, o governo francês de 1981-83. A rigor teríamos de ir ao Portugal da década de 70, ao V Constitucional, para não ir mesmo mais atrás, ao V Provisório. Obviamente não conto com as ditaduras dos satélites da URSS, que além de ditaduras são tanto de esquerda como o actual da China. [Read more…]

Pânico no sistema

Nervoso

Eles andam todos muito nervosos. Das clientelas dos blocos centrais aos teóricos do regime, passando pela extrema-direita ressabiada ou pelos apóstolos da ditadura dos mercados, a vitória esmagadora do Syriza nas legislativas de ontem na Grécia causou profundos arrepios a todos os parasitas que se alimentam ou que anseiam vir alimentar-se do apetitoso lombo do sector público, quais percevejos comodamente instalados costas do rinoceronte estatal.

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El diccionario de Griego

Uma excelente crónica de Juan Cruz.

O murro do Papa

O Papa, justificando a violência contra os blasfemos que ofendem Deus, exemplificou com a resposta que daria – um murro na cara – a quem lhe insultasse a mãe. Sem mais considerações e independentemente da minha avaliação de tal resposta, gostaria só de lembrar Francisco, o Papa, e os que gostaram desta rábula, que as nossas mães existem – ou existiram – realmente. Existiram! Realmente! Para lá de todas as dúvidas.

Aviso público ao serviço público

José Manuel Pureza e a peça do José Rodrigues dos Santos sobre a Grécia.

Já agora, sobre as mentiras repetidas da direita a propósito da Grécia.

Eleições na Grécia: Tsipras no dia depois da vitória do Syriza

eleições gregas

Com ou sem maioria absoluta, amanhã começará um período interessante na Grécia. Teremos em Tsipras uma segunda versão do flop Hollande? Ou, por outro lado, terá o novo governo uma boa mão de poker para negociar com os credores gregos? Da esquerda à direita, ninguém ficará indiferente.

A esquerda portuguesa não é a grega, tem de encontrar o seu caminho

miguel tiago

O problema da esquerda portuguesa tem um nome: sectarismo. Tem outros, como dogmatismo, incapacidade de perceber que 100 anos depois nem o capitalismo é o mesmo nem combatê-lo pode ser de feito da mesma forma, mas esses são problemas de toda a esquerda europeia.

Se na Grécia temos outro caminho, a unidade entre forças que se degladiavam há meia-dúzia de anos, a capacidade de construir uma frente que ocupe o espaço da social-democracia ocupado pelo social-liberalismo, a aprendizagem com a queda do estalinismo, se no estado espanhol um outro surgiu, fora dos partidos tradicionais e contrariando a sua esclerose, em Portugal precisamos de outro ainda. [Read more…]

Portugal a fazer rir

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Partiu uma excursão da Covilhã para Évora com o mui nobre objectivo de ir visitar Sócrates. Foram três autocarros e numa bela proporção só poderão entrar três pessoas. A minha parte preferida foi quando uma das senhoras disse que José Sócrates “não pode provar a inocência porque foi preso logo à saída do avião, na manga” (deve ser da pressão do ar nos ouvidos) e a outra que afirmou que “Porque ainda não disseram o porquê dele estar preso, os jornais dizem o que querem, as pessoas dizem o que querem” (pois o que é preciso é um Salazar em cada estação da CARRIS para acabar de vez com o Correio da Manhã e a Manuela Moura Guedes). E por fim, a mesma senhora da manga do avião acha que Sócrates está na prisão para o silenciarem. O porquê de o quererem fazer não se sabe mas claramente não resultou porque nós continuamos a ouvi-lo.

Não olhes para trás, Orfeu

Tem a mitologia grega tanto por onde escolher que cada um guarda para a vida uma que faz sua: calhou-me a do Orfeu, fixemos este instante, quando tudo se iria resolver a meio contento proibido estava de olhar para trás e ver Eurídice, olhou e  assim a deixou ficada em estátua de sal.

orfeu euridice Jean-Baptiste Corot

Orfeu tirando Eurídice dos infernos, Corot, 1861

Serve perfeitamente para esta ida dos gregos a votos, uma cena que por acaso até foram eles que para nós, europeus, inventaram de forma primitiva e limitada, é certo, numa cidade-estado chamada Atenas. Não olhar para trás, seguir em frente, fugir dos infernos.

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Divisão dos Balcãs rascunhada em Moscovo entre Estaline e Churchill, 9 Out 1944

Teve a Grécia o azar de ficar no lado errado das contas de dividir entre Estaline e Churchill, e levou com outra invasão, a inglesa. A guerra civil, a primeira onde a guerra fria se joga nas guerras onde morrem os outros, a guerra civil da Grécia fecha o ciclo iniciado em 1936 pela de Espanha. Não é mera coincidência que agora seja na Grécia e na Espanha que a libertação pode começar, e não esqueçamos que as ditaduras onde os três povos sofreram (e os deixaram abertos à corrupção máxima e clientelismo das castas) iniciaram o seu fim em Portugal. Desta vez seremos os últimos, lá chegaremos. [Read more…]