Esta porra triste

Aos que emigraram e nos pedem notícias, acabamos a dizer: “Eu não vivo em Portugal, eu sobrevivo-lhe.” Levamos a nossa rajada diária de tiros sob a forma de notícias do caos – na saúde, na justiça, na educação, na máquina estatal. Cada jornal que lemos, cada bloco de notícias a que ainda temos estômago para assistir arrancam-nos o mesmo rosnado e impotente “Filhos da puta”. Fomos rebaixados de cidadão a contribuinte enquanto o diabo esfregava um olho. A grande máquina olha-nos com desconfiança, rotula-nos de prevaricadores, trata-nos com soberba e desprezo, cospe ordens de penhora, multas gordas de juros, exige-nos mais. O discurso oficial, a narrativa, ensina-nos a desconfiar de quem pede e a não duvidar da palavra de quem rouba. Ser forte com os fracos e fraco com os fortes é o credo que vigora. [Read more…]

Sempre em contato

dahon hitchens

© Christian Witkin/VF (http://vnty.fr/1EdNq4s)

I try to deny myself any illusions or delusions, and I think that this perhaps entitles me to try and deny the same to others, at least as long as they refuse to keep their fantasies to themselves.

Christopher Hitchens

[W]hen the truth becomes inconvenient, the person takes a flight from facts.

Troy Campbell e Justin Friesen

***

Efectivamente, com o Acordo Ortográfico de 1990, há quem fuja de factos e aproveite o embalo para evitar contactos e secções — e há quem julgue (e divulgue) que “as novas regras estão a ser aplicadas sem atropelos” e “sem problemas de maior“. Houve mesmo, in illo tempore, referências a matérias muito relevantes para a ortografia portuguesa europeia, como cortes de cabelo e barba.

No entanto, em suma, aquilo que actualmente temos é isto:

O candidato da coligação Mudança, Victor Freitas, esteve em contato com a população de Santa Cruz e do Caniço.

O candidato da coligação Mudança esteve hoje na freguesia de Santo António para contatar a população local.

O candidato da coligação Mudança esteve hoje no bairro da Ajuda para contatar a população local.

A coligação Mudança esteve hoje em Gaula contatando a população.

No âmbito das “Presidências Abertas” no concelho de Machico, o PS-M visitou hoje a freguesia do Porto da Cruz para contatar com a população.

contato

A miúfa de Rajoy e Passos

Sejamos honestos, não é o perdão ou a reestruturação da dívida grega que incomodam Rajoy e Passos. A miúfa de Rajoy e Passos é que o Syriza representa uma esquerda que irá desmantelar todas as grandes negociatas agarradas ao poder da responsabilidade do PASOK e da Nova Democracia.

Passos sabe melhor que ninguém que, tal como na Grécia, as grandes negociatas em Portugal têm cores políticas bem vincadas e associadas ao arco da governação.  Ao BPN chamavam-lhe o banco do PSD. Foi no BPN que Cavaco Silva obteve lucros de 140% pela compra e venda de acções em apenas dois anos, o mesmo Cavaco que em 1987 utilizou a expressão “gato por lebre” para criticar os lucros estratosféricos (mas inferiores a 140%) da bolsa de Lisboa. O triângulo entre a CCDR da Região Centro, a Tecnoforma e os colégios privados da GPS em que esteve envolvida a quadrilha composta por Passos, Relvas, Paulo Pereira Coelho e António Calvete colocaram de mão dada quadros do PSD e do PS em negociatas que prejudicaram fortemente o erário público, actualmente a ser investigadas pela UE. O BES foi outro dos bancos do PSD por onde passaram muitas negociatas entre as quais a dos submarinos que envolve dois distintos militantes do CDS: Paulo Portas e Jacinto Leite Capelo Rego. Já “de róseos dedos” são as negociatas realizadas à custa da Parque Escolar e os esquemas de Sócrates com o Grupo Lena.

Também em Espanha, o que não falta é matéria de investigação criminal envolvendo Rajoy no caso do financiamento do PP e sobre suspeitas de criminalidade financeira envolvendo a Opus Dei, altamente comprometida com a direita espanhola.  Aliás, a Opus Dei e toda a constelação de interesses instalada nos partidos do arco do poder em Espanha e Portugal irão continuar a boicotar o trabalho de Tsipras, tudo farão para impedir o Podemos de governar em Espanha e que o “mal” alastre a Portugal, arruinando os negócios destes distintos cavalheiros na Península Ibérica.

Perante este cancro, Tsipras terá sempre um forte e amplo apoio em Portugal e em Espanha entre as classes mais desfavorecidas. A miúfa está do lado de Rajoy e Passos Coelho.

Oh Marcelo, francamente

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Com o esgaseamento habitual, o prof. Marcelo perguntava aos deuses, via televisão:”Como é que se paga voluntariamente uma dívida prescrita? A dívida prescreveu, prescreveu. Não há dívida. Como é que alguém recebe uma dívida prescrita?”. . Referia-se, naturalmente, ao pagamento de uma dívida prescrita que o 1º ministro se aprestava a fazer (élection oblige…) à Segurança Social. O comentarista é um venerado prof. de Direito, por isso era razoável pensar que soubesse… Direito. Afinal, que diabo, ele quer ser Presidente da República e convém estar a par destas vulgaridades. Sempre pronto a ajudar quem precisa, aqui transcrevo parte de uma nota divulgada à Imprensa pelo ISS:
-“… «quando existem no Sistema de Informação da Segurança Social dívidas contributivas que estão prescritas» o contribuinte tem duas opções que pode tomar.
Uma das opções passa pelo contribuinte poder «invocar formalmente a prescrição junto dos serviços da Segurança Social e, nesse caso, as mesmas são retiradas do sistema e deixam de existir para todos os efeitos legais».
A outra opção é o contribuinte «requerer o pagamento das contribuições prescritas para que as mesmas possam ser consideradas na totalidade da sua carreira contributiva, para efeitos de contagem nos seus direitos futuros, nomeadamente na atribuição de uma pensão», explica a Segurança Social.”
Marcelo, Marcelo, que descuido é este em que vives?

Serviço

Ora aqui está o blog do governo – ai que Blasfémia!, a explicar porque é que o tadinho do  Passos foi uma vítima do sistema.

Um belo serviço, perdão, artigo, com uma cronologia que, de tão completa, resultará de um bom exercício de transcrição, digo, investigação do comunicado, ai, material preparado pelo assessor de imprensa, desculpem, jornalista. Até aquele pormenor das cartas terem sido enviadas sem aviso de recepção,  detalhe naturalmente ao dispor de qualquer jornalista, que dá margem para o papel de sonso,  agora na moda, do não sabia e, mais importante, mostrando que não existe possibilidade de mostrar que a notificação existiu. Ou se calhar existe, já que os serviços do estado não contactam os cidadãos sem tal registarem, mesmo que não exista registo válido judicialmente. É só uma questão do meticuloso jornalista querer procurar.

Bate tudo certo. Excepto aquela parte de ter pago o que não tinha que pagar. Como? Quem recebeu e a que título? E de o centro da questão não serem os serviços da Segurança Social mas sim o incumprimento fiscal por parte do primeiro-ministro.

Passos: “Em Portugal são relativamente poucos os cidadãos que pagam impostos”
As injustiças que o Governo quer corrigir são provocadas, em parte, pelo facto de apenas 40% dos portugueses pagarem impostos, e porque muitos fogem ao Fisco. É injusto, diz Passos Coelho. (Fevereiro de 2014).

Para além desta afirmação ser falsa, ó novidade,  vamos a ver, o cínico, autor deste e de outros discursos moralistas,  estava a falar dele próprio.

Expliquem agora a todos os que foram sujeitos a penhoras e outros apertos porque razão este cidadão que gosta de apontar o dedo aos outros passou ao lado das consequências. A existir erro nos serviços da Segurança Social, é aí que ele estará e não na suposta ausência de notificação. A que qual, de resto, não precisa de existir para que o dever em causa exista.

E se fosses chamar parvo a outro?

passos relvasPassa pela cabeça de alguém, na plena posse das suas faculdades mentais, que as contribuições para a segurança social sejam voluntárias?

Passa. Pelos sonhos húmidos de um neoliberal, que de resto muito simplesmente pretende a pura e simples extinção do estado providência substituído-o pelas seguradoras, haja quem puxe lustro ao lucro, e pela de um primeiro-ministro  eleito com a maior colecção de mentiras até hoje vista, convencido de ter enganado uma vez os idiotas que nele votaram e imaginando os mesmos repetidamente estúpidos, ao ponto de o reelegerem.

Mas há ainda pior neste caso. João Ramos de Almeida chegou a esta conclusão: [Read more…]

asfixia

Schauble sabe-o perfeitamente. Se os gregos atingirem os pretendidos 3% de saldo primário orçamental (sem juros) conseguirão atingir a meta à custa de uma enorme crise humanitária e política no país. Dada a posição geopolítica dos gregos no controlo do mediterrâneo, não interessa nem à Europa nem aos EUA ter ali um estado colapsado, passível de receber a qualquer momento a influência de 3 ameaças: a perigosa extrema-direita grega, o fundamentalismo islâmico ou a influência russa.
Dada a actual dívida dos gregos (240% do pib, mais coisa menos coisa), mantendo-se o pib grego numa condição coeteris paribus durante as próximas décadas, Atenas demorará cerca de 60 anos a tornar a sua dívida sustentável, isto é, se no decorrer dos tempos não criar mais dívida. A dívida grega é pura e simplesmente impagável ou pagável à custa de um século de sofrimento do povo grego. Compreende-se o medo de varoufakis nas negociações: financiamento a curto prazo. Sem financiamento a curto prazo, nenhuma ideia que o governo grego tenha para inverter a situação será concretizada não existe fundo de maneio para a concretizar, tão pouco para o país cumprir as suas obrigações. [Read more…]

Factor BES

O BES foi ao Factor X

E foi muito bom:
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a história de passos, o sortudo

Já diz o ditado popular que os impostos são tão certos como a morte. Retirando a palavra impostos, colocando a palavra contribuições, o milagre segundo são pedro é difícil de explicar.
Todos os meses, mais tarde ou mais cedo as contas hão-de bater que nem mísseis nos nossos costados. Umas, de forma involuntária, com cariz coercivo, escondidas por detrás de um contrato social de difícil descodificação que estabelecemos com o estado na nossa folha salarial. Nunca nos foi perguntado se queríamos pagar impostos para receber bens e serviços do estado, sempre nos foi exigido como uma norma de conduta comunitária. Outras, de forma voluntária através da figura jurídica do contrato-adesão. Se queres o serviço de um privado, ou aceitas, pagas e tens ou não aceitas e não tens.
O milagre segundo são Pedro é esquisito e ao mesmo tempo irónico. São Pedro desconhecia a dívida porque, vá-se lá saber houve uma falha de um sistema informático. [Read more…]

Pais do Amaral, o inquisidor

guilhotina

Os livros ardem mal, avance a guilhotina.

É o capitalismo, estúpido

continenteJá tivemos algumas experiências semelhantes no Aventar:  um artigo que denuncia uma situação serve de rastilho para outras denúncias que explodem na caixa de comentários. No L’obéissance est morte desabou um verdadeiro continente sobre as práticas laborais da família Azevedo, gente que passa por honesta e honrada (e não foi bem assim que o pai Belmiro se lançou nos negócios).

Da compilação que fizeram, seleccionei alguns exemplos do capitalismo neoliberal em todo o seu esplendor. Também podia chamar a isto cambada de filhosdaputa, ou parafraseando Boris Vian, havemos de vos cagar em cima, a empresa até é do norte, mas fiquemos pelo capitalismo. Este é mesmo selvagem, ainda é ilegal, mas fica impune. Testemunhos do Homem Sonae, como lhes chamou em tempos Belmiro: [Read more…]

Postcards from London #5

Do a thing a day that scares you

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repetimos as coisas, quase sempre, quase todas as coisas. como se fosse a primeira vez e fosse tudo sempre novo. assim é nas viagens. em toda a parte, suponho. falo da maioria das pessoas. creio haver uma minoria que já nada repete. e se fecha ao mínimo desgosto ou susto. gosto de pensar que é mesmo uma minoria, mas na verdade não tenho a certeza.

não que eu seja particularmente destemida ou corajosa. Mas gosto de começos. do princípio. quando tudo se anuncia e é possível. não é, no entanto – acho – possível estar sempre a começar qualquer coisa. uma viagem, um texto, um trabalho, uma amizade, um amor, tudo. Começamos tudo muitas vezes e acabamos tudo vezes demais. tudo com idênticas repetições, mas que, a cada vez, nos parece diferente e novo. escrevo isto no avião e se calhar porque me sinto sempre frágil aqui. E hoje é também do cansaço do fim desta pequena viagem, outras vezes repetida mas, sim, desta vez anunciando não sei bem o quê, um pouco assustador.

ao acordar esta manhã estava um sol encantador. arrumei por isso as tralhas rapidamente, tomei o pequeno almoço servida pelas miúdas portuguesas que me trataram como se fossem a minha mãe, ou seja, com muito mimo, deixei a mala no hotel e saí para a rua. lembrei-me de voltar a covent garden e assim fiz. apanhei o metro para leicester square e caminhei um pouco até ao mercado animadíssimo como dele me lembrava. e com sol, como nunca o tinha visto. turistas misturados com locais, porém numa proporção desequilibrada a favor dos primeiros, é evidente. ando por ali, sento-me ao sol, fumo ao sol, sou um pequeno gato ao sol, esta manhã. há palhaços, homens-estátua, equilibristas, vendedores de tudo e de nada que (me) importe. coisas pequeninas, que na sua maioria não servem para nada, objetos diversos, quinquilharia. como nem sequer tenho fome, não gasto um cêntimo, devia dizer um ‘penny’, em covent garden. apenas aproveito o sol para olhar para as pessoas na sua vida pachorrenta de domingo. enquanto estou ao sol lembro-me da noite de ontem, no pub. o peixe e as batatas fritas e uma conversa inesperada à chuva. nada que vá começar, seja como for. [Read more…]

Passos Coelho, as dívidas, as prescrições, os pagamentos, as mentiras e as desculpas esfarrapadas

passoscoelhoEste exemplar da espécie humana nunca deixa de me surpreender, malgré tout!

Senão vejamos: Passos Coelho não pagou à Segurança Social as contribuições devidas durante um período em que recebeu com Recibos Verdes;

A primeira desculpa, idiota, é que entretanto pagou apesar de a dívida já estar prescrita. Ora isso não é possível. Nenhuma contabilidade suporta a entrada de uma “receita” sem título justificativo válido. Como tal, a Seg. Social já lhe devolveu, ou ainda vai devolver, o dinheiro.

(versão integral em: http://wp.me/p29WGc-Ad )

Salário: bugigangas, bibelots, cenas assim…

bibelot

“O pagamento do trabalho é feito com artigos de decoração, de excelente qualidade.(Mesas, cadeiras de rattan,madeira ou ferro; espelhos, pequenos moveis, candeeiros de mesa e tecto, e muitas outras peças.

Passos Coelho: entre a irresponsabilidade e o incumprimento

Passos Coelho divida SS

Foto@Mentiras de Passos Coelho & CIA

No fim de contas, esta história da dívida de Pedro Passos Coelho à Segurança Social até acabou por correr muito bem ao ilusionista de São Bento. A situação irregular emergiu, o regime apressou-se a criar um cordão sanitário em torno do primeiro-ministro, alegando erro dos serviços administrativos, e por fim, cereja em cima do bolo, Passos Coelho, o magnânimo, decidiu mostrar ao país toda a sua generosidade e pagou a sua dívida, apesar de, e aqui partilho das dúvidas do perigoso cata-vento Rebelo de Sousa, ser difícil de perceber como se paga voluntariamente uma dívida já prescrita que, por ter prescrito, deixou de existir.

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Amnésia, do grego ἀμνησία

Alcídio Faustino

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Fiquei revoltado com a recente notícia que dá nota do incumprimento de Passos Coelho à Segurança Social (SS).
Quero lembrar aqui a situação desesperada de muitos amigos meus que, em situações análogas, foram de imediato notificados pela SS para pagar as respetivas dívidas, sob pena de verem penhorados todos os seus bens e os seus já magros salários.
Pois são precisamente os serviços agora dirigidos por Mota Soares que têm perseguido os contribuintes em falta como cães perdigueiros, alegando o dever cívico e patriótico de se ter a situação regularizada com a SS. [Read more…]

Um xico esperto

Mentiu (e mente) deliberadamente, contribuiu para os esquemas de fraude com os fundos comunitários, fugiu aos impostos (mas tem as costas quentes pelo ministro da tutela, dizendo-o “vítima de erros da própria administração”), piorou o estado do país e meteu-se num confronto com outro estado, através de uma colagem àqueles que nos exigem cada vez mais impostos e mais cortes.

Ainda assim, aparentemente, uma percentagem elevada de eleitores votaria novamente nesta  pessoa.

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Gostam mesmo, só não se sabe se usam ou não vaselina.

“Vítima de erros da própria administração”

Salário penhorado por dever cinco cêntimos ao Fisco.” Todas as vítimas são iguais, mas umas são mais iguais do que outras.

Postcards from London #4

Ride with Pride, despite this is a highway to nowhere


quando chego à universidade de westminster, depois de ter dado de caras com a estátua do sherlock holmes mal saio do metro, há pessoas de cabelos coloridos a fumar dentro do ‘perímetro’. e balões em vários tons de rosa e uma passadeira arco-íris. apesar de ir fazer a minha apresentação hoje duvido que tanta animação seja por minha causa e estou, evidentemente, certa. trata-se de uma festa organizada pelos estudantes lgbt – ‪#‎ridewithpride‬.
o átrio da universidade está transformado numa feira, com pessoas coloridas, com palcos onde se canta e toca. quase me dá vontade de esquecer a apresentação e ficar por ali a apreciar a agitação e a observar as pessoas. mas depressa realizo que a música é horrível e, por isso, decido ir para a sala 303.
a apresentação corre bem. os meus colegas gostam principalmente dos traillers dos filmes, que apresento, especialmente de ‘dot.com’ e de ‘ainda há pastores?’. No final e ao almoço e cá fora no ‘perímetro’ (se hoje a regra é infringir as regras, eu aproveito) enquanto se fuma um cigarro no meio dos balões cor-de-rosa, muitos hão-de vir falar comigo e dizerem ‘que coisa interessante! nunca tinha pensado em analisar o rural no cinema’ ou ‘os filmes que analisaram têm legendas em inglês?’ ou diante da minha resposta de que pelo menos os trailers tiveram de ser legendados pelo Diogo em inglês, ‘oh! sim, é esse o problema dos filmes portugueses, sabe? é tão difícil encontrar obras legendadas?’. Sei. Acontece o mesmo com muitas outras coisas. esta espécie de demissão de sermos vistos e compreendidos. mas, no entanto… [Read more…]

Poderosa e sem controlo: a troika

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Puissante et incontrôlée : la troïka; Documentário de  Harald Schumann, disponível em francês e alemão; ARTE / RBB; Fevereiro 2015

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“Excusatio non petita, culpabilita manifesta”?

Caro Julen Lopetegui, não é “excusatio non petita, culpabilita manifesta“. Poderia ser ‘culpabilitas’, sim, com ‘s’, mas não é. “Excusatio non petita accusatio manifesta”. Assim, sim. Claro, vem nos livros.

Este PSD já não me representa

Carlos Reis

Tenho uma visão personalista da política e da vida que, admito, ter bebido na minha formação cristã. Se por um lado o meu crescimento psicológico e emancipação individual me tornaram um liberal em matéria de costumes e de exercício das liberdades individuais, por outro lado eu nunca deixei de me definir como um católico – não como um ritualista fariseu, mas sim como um personalista, isto é, aquele que tudo subsume, a sua vida, e as suas convicções ao princípio de que acima de tudo está a dignidade da pessoa humana. A eminência da pessoa humana é para mim um dado absoluto em si mesmo. Para mim, a pessoa humana não pode ser encarada como um facto contingente, submetido às políticas, às filosofias ou às regras de conduta. Pelo contrário, estas é que têm de se submeter aquela.
Só depois de ser personalista é que eu sou um liberal. E sendo um liberal eu não sou um libertário. Porque a liberdade para mim está intrinsecamente ligada a um dever ético de responsabilidade. Um libertário acredita que a sua liberdade se basta a si mesma. Um liberal, por outro lado acredita que a liberdade só se justifica enquanto não prejudica a vida dos outros e só se realiza quando os outros também são livres. Um libertário é egoísta. Um liberal é generoso. [Read more…]

Na Alemanha

há 12 milhões e meio de pessoas no «limiar da pobreza(*)» (eufemismo onde cabe muita sobrevivência), de que os media não falam, que não votam, e que nenhuma força política representa. Só para avisar.
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(*) viver com menos de 60% do rendimento médio

Postcards from London #3

Perímetros de segurança… ou os fumadores que nos matam a todos, tão prematuramente, ou ainda a arte, tão delicada afinal, de ser português

londres – e não é o único lugar do reino unido ou do mundo em que senti já isto – é uma cidade que mistura a agressividade com a delicadeza. sim, é aparentemente possível ser delicado e agressivo, ao mesmo tempo. tudo é possível, já o sabemos, e as cidades e as pessoas são sempre tantas e imensas coisas que se torna difícil estabelecer perímetros em redor dos comportamentos, dentro dos quais caibam noções claras e arrumadas. as pessoas tratam-te por ‘love’ e por ‘darling’ como em mais nenhum lugar, com um tom animado e querido, como se fosses um velho amigo e, no momento seguinte, se alguma coisa não lhes soa bem no que dizes ou no que fazes olham-te com uma agressividade, ainda por cima fria, que te faz querer fugir dali. Olhas em volta, em toda a parte e as ordens gritam-te num silêncio agressivo, do asfalto – ‘look left’, ‘look right’, no metro ‘mind the gap’ , ‘keep your ticket’, ‘this side to go up’, ‘keep on the right’… – e outras vezes gritam-te mesmo, num tom de voz muito ‘cheerful’ no entanto, pelos altifalantes das carruagens, das estações, dos autocarros.
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Fernando Alvim, 1934-2015

O viola que foi de Carlos Paredes, um ribatejano e um beirão, deixou-nos.

Ofereceram-nos tudo o que de umas cordas para cima cheira e sabe a belo.

No dia em que os capitalenses se calarem com a peta do fado ser só deles, mantendo a lenda salazareira e de sua besta férrea, teremos entre outras coisas ensinado à UNESCO que leva banhadas. O Fado  é nosso, do Tejo para cima, ponto final, parágrafo.

Fiquem com a homenagem no sítio óbvio, Coimbra, Santa Cruz.

Leonard Nimoy

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“Live long and prosper”, disse ele, ao partir. Até Sheldon vai deixar correr uma lágrima.

Tornado: fundamentos filosóficos

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http://wp.me/p29WGc-A8

A luta continua, gramática para a rua

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Depois de uma, vem outra. Dizem que o Duarte Marques está de serviço à propaganda do PSD no facebook.

Outra possível explicação: se o BE dá erros (menores) na língua alemã, os alemães do PSD dão erros maiores em português.

Indulgências

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Lá estão os auto-proclamados gourmets (como eu detesto esta palavra!) a aconselhar o vinho do Porto para acompanhar sobremesas. Nunca percebi isto. Doce sobre doce. Ainda por cima com doce de ovos, o que é uma péssima ideia. A minha modesta sugestão é que o provem – um vintage decente, que não precisa de ser caro nem velho – com um bom queijo Terrincho, um Serra bem curado ou, como eu pequei há pouco, com um Parmesão de cura velha. Que diabo, temos o direito a mimar-nos de vez em quando. Se pudermos, claro…

Postcards from London #2

‘what is that landscape? / it is the landscape in my head’

tenho a sensação que nada fiz senão andar, hoje. andar na paisagem. andar à chuva. subir e descer escadas. andar. na paisagem que tenho na cabeça. andar por dentro das paisagens que outros têm ou tiveram na cabeça.

revisito de manhã a tate britain. o kiefer já não mora ali. mudaram-no para a modern mas também ali não está em exibição. fico um pouco desapontada com este desarranjo na paisagem que tenho dentro da cabeça. mas visito o mar de turner, tempestuoso, esbatido, violentamente poético. o céu de turner. igual ao mar. visito o resto, também, está bem de ver. blake. moore. e os demais cujas paisagens se exibem nos meus passos. saio da tate britain já é hora de almoço. ando um pouco ao longo de millbank. apanho um autocarro embaciado até parliament square e de novo se repetem paisagens, gestos. apanho o metro para southwark. quando saio chove copiosamente. tanto que resolvo almoçar num pub mesmo ali em frente. não chove dentro do pub e por momentos até penso sol dentro da minha cabeça. [Read more…]