Confusões convenientes

É confrangedor ver a ligeireza com que jornalistas e comentadores televisivos de direita (passe o pleonasmo…) manipulam os factos nas suas análises. Nem digo que seja sempre má fé; muitas vezes é pura ignorância. Não têm conta as considerações que já ouvi sobre o alegado embaraço que a corrente situação política provoca ao líder parlamentar do PS, Ferro Rodrigues, considerado próximo e até colaborador dos governos de Sócrates. Ora vão lá estudar a história, criaturas. Ferro Rodrigues foi ministro nos governos de Guterres (XIII e XIV) e não nos de Sócrates. Da sua acção – e sou insuspeito de qualquer simpatia política por tais governos – retenho uma imagem de decência e de capacidade de diálogo à esquerda que os seus sucessores nunca tiveram. Foi o líder do PS antes de Sócrates e não merecia as circunstâncias em que foi substituído por este. Por isso, parem lá com as telenovelas e ajeitem a “narrativa”.

Com o bloco central quem paga é você!

tax payers banks

José Ramalho, vice-presidente do Banco de Portugal, a entidade supervisora que não supervisiona coisa nenhuma, disse ontem na comissão de inquérito do BES que seriam os bancos a pagar a factura do Novo Banco. Muitos contribuintes respiram de alívio ao ouvir estas palavras, pois não percebem que a Caixa Geral de Depósitos também é um banco, que por sinal é público e como tal de todos nós. Outros percebem isso mas esquecem-se que a contribuição de cada banco para o fundo de resolução é proporcional à sua quota de mercado e a CGD, nem de propósito, é quem tem a maior. Fica o lembrete. Seja o PS, seja o PSD, seja o BPN ou o BES, quem paga a factura, de uma maneira ou de outra, é sempre o mesmo. Sim meu caro, é você. Mas não se preocupe que o Sócrates está preso na cela nº44 e comeu cozido à portuguesa ao jantar. Se o Sócrates está preso é porque está tudo bem.

O seu a seu dono

Há muito quem se questione sobre se a gravidade de comportamentos criminais de alguns políticos – refiro-me aos já condenados – não é muito menor que a devastação que provocaram no desempenho, dentro da lei, dos seus cargos. É sim; frequentemente. Mas são coisas de natureza distinta. Por isso, aos juízes exijo o escrupuloso desempenho do seu papel, rigor e sentido de justiça, no estrito âmbito dos seus deveres. Quanto ao resto, nós tratamos da luta política. Recuso em absoluto alienar a minha responsabilidade de cidadão na acção de juízes. Já tivemos Tribunais Plenários, não queremos mais. Não quero que o sistema judicial se encarregue de me vingar as ofensas e agressões políticas. Isso é outro plano. As respostas políticas dão-se na sua esfera própria, seja qual for a sua natureza. Pacífica ou não. Quem de direito tratará da justiça. De nós espera-se justeza.

Ninguém é perfeito, mas nem todos abusamos da imperfeição

cimpor 2001

Tirei esta fotografia em 2001, são os portões da Cimpor, em Souselas, tentávamos bloquear a entrada dos primeiros resíduos industrias tóxicos que ali iriam ser utilizados como combustível gratuito, num processo conhecido por co-incineração.

Foi uma luta inglória. Do outro lado estava um secretário de estado e depois ministro do Ambiente apostado em aplicar as técnicas neoliberais de combate político, à velha moda tatcheriana os cidadãos de Coimbra foram acusados de não passarem de uns nimbys (termo popularizado por Nicholas Ridley, secretário de estado de Margaret Thatcher), e a batalha quando perdida afirmou um político bem falante, firme, implacável, que escolhera a cidade onde estudara três anos (e que ficou a odiar profundamente por razões meramente passionais) como cobaia, José Sócrates de seu nome. O Zé.

Do lado da minha cidade a reacção foi conduzida de forma infeliz, num combate desigual, que esqueceu dois aspectos fundamentais: a localização da Cimpor já era em si um problema (como os ecologistas locais denunciaram ainda na década de 70) e mais do que uma questão ambiental era de um negócio que falávamos: a fábrica ia receber combustível gratuito e uma série de benfeitorias (que verdade se diga diminuíram mesmo a poluição que já levávamos).  Fomos muito poucos os que questionámos o óbvio interesse económico, e levantámos suspeitas sobre a eventual corrupção do político que assim aparecia aos olhos dos portugueses como uma estrela cadente. [Read more…]

Entretanto

Enquanto em Portugal andamos a por ex-primeiros-ministros em prisão preventiva e a queixarmo-nos muito do nosso sistema de Justiça, convém recordar que nos Estados Unidos, Darren Wilson, que deu seis tiros a um adolescente desarmado, não vai ser acusado.

Os pais de Michael Brown querem levar o caso ás Nações Unidas.

Michael Brown tinha 18 anos e tinha acabado o liceu. Era negro.

A prisão preventiva de José Sócrates

Quem me lê há algum tempo sabe da forma como me atirei a José Sócrates durante o tempo em que foi primeiro-ministro. «Atirei-me» a José Sócrates é, aqui, um eufemismo, porque no auge do socratismo o antigo primeiro-ministro tornara-se o meu ódio de estimação. Por razões políticas mas também porque, do ponto de vista jurídico, tudo me parecia demasiado óbvio: projectos da Câmara da Guarda, Cova da Beira, Freeport, licenciatura, compra da PT, Face Oculta, etc.
Três anos depois, José Sócrates está preso preventivamente. E ao contrário do que eu próprio poderia supor, não estou nada feliz com o desfecho. Ver a queda de um homem como José Sócrates não é uma coisa bonita de se ver.
Será talvez o tempo de deixar a Justiça trabalhar e, a seu tempo, avaliar o trabalho feito. Com a esperança de que todo este caso não tenha qualquer influência no futuro político do país. Era o que faltava que os principais beneficiários da prisão de José Sócrates fossem precisamente Paulo Portas e Passos Coelho – e logo eles…

A detenção do cidadão Sócrates pelo juiz Caius Alexandre (Roma, ano III D.C.)

Poderemos?

Sobre este discurso de Pablo Iglesias, dirigente do Podemos, no comício internacional promovido pelo GUE/NGL na véspera da IX Convenção do Bloco de Esquerda, tenho a dizer que é a melhor peça de oratória e lucidez que ouvi em toda a minha vida, e já levo mais de 40 anos a ouvir, ou ler, discursos de esquerda. E a fábula do país onde os ratos votavam nos gatos até a tinha publicado em tempos no Aventar, o que me reduziu um bocado o efeito.

Em Portugal faltam-nos duas coisas: quem seja capaz de falar assim, mas antes de mais e sobretudo (quando são precisos os dirigentes sempre apareceram, é uma constatação histórica) quem o ouça.

E mais não digo por enquanto, vejam o vídeo.

A “Justiça” ao serviço de quem?

jose-socratesCarlos de Sá

José Sócrates foi detido, já toda a gente sabe. O que muitos não saberão é que o Correio da Manhã TV estava no aeroporto à espera da detenção, e que o semanário SOL tem uma edição especial a sair amanhã (Domingo) “com tudo sobre o caso” – segundo o próprio jornal.

Quando a “Justiça” deixa “escapar” informações que permitem a uma TV estar lá no momento da detenção, e a um semanário ter em 24 horas pronta uma edição especial, isso quer dizer – tem querido dizer sempre –  que a PGR tem nada entre mãos.
Noto ainda a oportunidade da detenção: na véspera da eleição do secretário-geral do PS, quando as suspeitas de um outro caso já mordiam as canelas da ministra da Justiça, e quando o ministro do Ambiente disparava em todas as direcções para se livrar das culpas que carrega pela morte de 10 pessoas e o internamento de dezenas de outras.
Era bom que José Sócrates fosse detido pelas razões certas, não por mais um frete que a “Justiça” presta à Direita. Pode-se ter enterrado, de vez, esta “Justiça” em que já ninguém acredita: os apoiantes de Sócrates, e não só, clamam pela detenção de Paulo Portas, Durão Barroso, Passos Coelho e do próprio Cavaco Silva.
Oxalá esteja enganado, mas fortemente me parece que a montanha vai parir mais um ratinho – o suficiente para que a investigação de outros casos pare, e tudo dê em nada.

Porque Eu Amo Jesus!


Fode-me por trás, perdão,
vamos unir as nossas almas,
vamos juntar os nossos corpos,
vamos voar nas asas do amor.

A prisão do incendiário

incendiario

Carlos Roque

Em relação às acusações por corrupção do Sócrates, palpita-me que muita gente, que se congratula pela sua detenção, se está rigorosamente nas tintas para cada uma delas.
Não é por isso.
Por ele estar preso, congratulam-se. Não pelo que o acusam, mas sim por o responsabilizarem por tudo o que de terrível aconteceu ao país… depois de ele abandonar o poder — o horror dos efeitos retroactivos da sua governação, que incendiou o país nos 4 anos a seguir — e por ele, o incendiário, ter tido o arrogante desplante de vir ainda criticar “a água a mais” destruidora dos bombeiros que andavam, mais ou menos desastrados, a apagar as chamas.
O Al Capone também não apodreceu na prisão por nenhum dos crimes que nos horrorizam — foi por outros que nada nos dizem.

José Sócrates não devia ter sido detido de noite

Clara Ferreira Alves está muito preocupada pelo facto de José Sócrates ter sido detido durante a noite quando chegava de Paris.
Não a preocupa o facto de José Sócrates andar a ser acusado de corrupção há 17 anos sem que tenha sido minimamente investigado em todo este período. Não a preocupa o facto de o Ministério Público ter travado em 2003 uma busca à sua residência que investigaria as ligações perigosas por causa do processo da Cova da Beira. Não a preocupa que os claros indícios de corrupção no caso Freeport tenham passado ao lado do Ministério Público. Não a preocupa que a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal de Justiça o tenham protegido descaradamente enquanto ele foi primeiro-ministro. Nada a preocupa, nem mesmo os evidentes sinais exteriores de riqueza que ele ostenta, tão suspeitos quão inexplicáveis.
Nem sequer se pergunta por que razão José Sócrates só foi detido depois de abandonar o poder. Porque isso não a preocupa. É um cidadão diferente dos outros, por isso, ao contrário dos outros, tinha o direito de estabelecer condições, como foi público, para as perguntas que o Tribunal lhe queria fazer.
O que a preocupa é que ele tenha sido detido durante a noite. Também acho. José Sócrates devia ter ido calmamente para casa, reunir-se com os principais implicados no caso, engendrar a estratégia de defesa, destruir as provas se ainda as houvesse e, aí sim, avisar as autoridades de que estava disponível para ser ouvido. Afinal, ele foi um primeiro-ministro, merece um tratamento especial.

Troika para o Bloco já!

Juntem Pedro Filipe Soares a João Semedo e Catarina Martins e está ultrapassado o impasse: uma liderança tricéfala! No Bloco, cabem todos…

Também tenho coisas para dizer

Interrompo o meu retiro nos planaltos das Lowlands para dizer quatro coisas que me parecem fundamentais:

1- Sócrates, como qualquer cidadão de um Estado Direito democrático, é inocente até prova em contrário. O facto de ser arguído não é prova da sua culpa ou inocência. Não serve de nada, penso eu, voltarmos ao caso da licenciatura ou do Freeport porque não é disso que Sócrates está a ser acusado. Ir buscar isto ou aquilo para provar a sua culpa na praça pública é um erro que descredibiliza quem escreve.

2- Contudo, (e isto vai para a Clara Ferreira Alves com quem eu desde já assumo uma relação amor-ódio) faz-me “espéce” o argumento que muitas pessoas já assumiram: que o processo está descredibilizado porque Sócrates foi preso mal chegou a Lisboa (e de noite, ainda por cima!), ou porque a televisão estava lá (!) ou porque a Felícia Cabrita entrou em histeria no Sol ou porque o Correio da Manhã foi, enfim, o Correio da Manhã. Tudo isto é entrar por um caminho que não devia interessar minimamente. Quer queiram quer não, parece que estão a tentar desviar a atenção do que é importante, como se o Procurador e a Procuradoria não tivessem pensado nas coisas antes de irem deter um ex-primeiro-ministro ao aeroporto, como se o tivessem feito para se vingar de Sócrates (com que razão? Não se sabe porque nesta linha de pensamento fica-se sempre pela insinuação) como se nós, os bloggers, os jornalistas de serviço, comentadores e malta do facebook, soubessemos mais e melhor do que quem está de facto envolvido no caso.

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Sacrificou-se um tubarão. Para quando o resto do cardume?

Depois de Armando Vara e Maria de Lurdes Rodrigues, chegou a vez de Sócrates prestar contas à justiça portuguesa. É um dia feliz, é um dia histórico, mas é mais uma prova da treta que é a justiça portuguesa, como o Ricardo explicou de forma simples e objectiva: enquanto tens poder estás acima dela, quando deixas de o ter cais. E isto é um facto incontornável. A justiça portuguesa, no que toca aos verdadeiramente poderosos, temporariamente ou não, é fraca, anedótica e, salvo raras excepções, inútil.

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O fim de semana de José Sócrates

Tinha ideia de escrever sobre a RTP, nomeadamente os direitos de transmissão da Champions League. Também esperava que algum autor se debruçasse sobre a Convenção do Bloco de Esquerda que decidirá a liderança do partido. Mas a surpresa aconteceu e José Sócrates domina as atenções gerais neste final de semana.

Não simpatizo com o político José Sócrates, mas não abri uma garrafa de champagne pela sua detenção. E por agora é apenas isso, detenção para interrogatório. Não estará sequer ainda constituido arguido nem submetido a qualquer medida de coacção. E qualquer cidadão goza de presumível inocência até sentença transitada em julgada, embora seja diferente ter um estatuto de arguido, acusado, réu ou condenado. Nem vou tecer comentários sobre os métodos do Juíz Carlos Alexandre. A seu tempo o processo será conhecido.

Concordo em absoluto com o Ricardo ali atrás, enquanto foi governante permaneceu intocável por maiores que fossem as suspeitas e insinuações levantadas na imprensa. Não foi o primeiro, nem será o último. Vale e Azevedo apenas teve problemas quando deixou o S.L.B., algo me diz que Pinto da Costa tem na presidência do F.C.P. uma excelente apólice de seguro. Na política as recentes condenações de Maria de Lurdes Rodrigues ou Armando Vara aconteceram com o P.S. na oposição, enquanto o caso B.P.N. vai marinando. Será interessante verificar o que acontece caso se verifique a provável alternância nas próximas legislativas. Algumas pessoas ligadas à actual maioria talvez já não durmam com total tranquilidade.

A casta revela-se em todo o seu impudico esplendor

Excepto por crime de sangue, em flagrante delito, não aceito a prisão (que “pudicamente” designam por detenção) de um ex-Primeiro Ministro como José Sócrates.

A frase é de João Soares, e é toda uma monarquia mental que vem à tona no neto de um republicano que nunca passou politicamente de um príncipe infante.

Somos todos iguais mas uns são mais iguais que os outros, também poderia ter dito, e aqui está toda a razão de uma casta, a sua lógica, o seu espírito solidário quando a começam a despir. Inimputáveis se julgam, condenados, mais que não seja pela história, um dia serão.joao soares

A detenção de José Sócrates é a vergonha da Justiça portuguesa

A detenção de José Sócrates é a vergonha da Justiça portuguesa. A vergonha de Pinto Monteiro, de Cândida Almeida e de todos os magistrados que dele se ocuparam enquanto ele era primeiro-ministro. É a vergonha de Noronha do Nascimento, que andou a cortar escutas com uma tesoura. Quando qualquer um, dentro ou fora da Justiça, percebia que estava ali a ponta de um novelo que, desenrolado, iria dar pano para mangas.
Não sei se Sócrates é culpado ou não, embora quem acompanha os meus escritos há algum tempo saiba que acho que sim. Que é culpado.
Mas há uma coisa que sei: que ele nunca teria sido detido se ainda continuasse a ser primeiro-ministro. Porque não estão em causa suspeitas de crimes cometidos nos últimos dois anos. Estão em causa suspeitas de crimes que já tinham sido cometidos enquanto estava no Governo.
E a verdade é que Sócrates passou sempre por entre os pingos da chuva. Ilibado constantemente, tendo a Procuradoria-Geral da República e o Supremo como escudos protectores. Como Vale e Azevedo enquanto foi presidente do Benfica. Como Ricardo Salgado enquanto foi presidente do BES. Como Passos Coelho enquanto for primeiro-ministro.
A Justiça, em Portugal, continua a funcionar apenas quando os poderosos deixam de ser tão poderosos. É essa a sua vergonha.

Agora só falta o Passos Coelho…

Sócrates detido

Já haverá quem faça contas eleitorais

Porreiro pá

O velório antecipado

Há uma revolução em curso na justiça portuguesa: vai tudo preso. Que é lá isso de fortes indícios e provas inquestionáveis, que é lá isso do in dubio pro reo, do latim “na dúvida, decida-se pelo réu”, princípio estruturante de qualquer Estado de direito que significa que tem de haver provas à prova de dúvidas para condenar (e indícios de monta para acusar).

Quem assim escrevia ontem no DN (obrigado Ricardo M. Santos pela dica) parece que antecipava o festival de carpideiras que agora vai chorar o seu amado Sócrates, hoje detido. Os mesmos que sempre acharam anteriores inquéritos uma fraude, viram perseguição onde se denunciava o curso domingueiro e idolatraram doentiamente o até há pouco pior primeiro-ministro que tivemos. Um tema que especializou Fernanda Câncio no jornalismo de causas e nestes queixumes cada vez que a Justiça investigava.

Sócrates foi preso

No mesmo processo que levou hoje à detenção de três homens do grupo Lena, José Sócrates foi preso e vai ser sujeito a interrogatório.

Desta vez convenço-me que a Justiça portuguesa entrou em modo espanhol, e que a casta começa a ser apanhada. educacao-b7d5
Isto é que vai ser um velório…

Errata: 

Além de Sócrates, a operação de buscas abrangeu também o empresário Carlos Santos Silva (administrador do grupo Lena e amigo de longa data do primeiro-ministro), Gonçalo Ferreira (advogado que trabalha na Proengel, uma empresa de Carlos Santos Silva) e Joaquim Lalanda de Castro (representante em Portugal da Octapharma, a multinacional farmacêutica para a qual Sócrates trabalha desde 2013)

Demissionismo e irresponsabilidade

“O governador do Banco de Portugal não me consulta, comunica-me”, afirmou a ministra das finanças, sacudindo o capote, na Comissão Parlamentar sobre o caso do BES. Quem acredita em semelhante patranha? E se acredita, como pode tolerar? Que diabo entende o pastelão de Belém por “regular funcionamento das instituições democráticas”?

Paulo Portas e o Bloco de Esquerda

Portas

© ANDRE KOSTERS/LUSA (http://bit.ly/1x6xXwm)

Segundo o Expresso, Paulo Portas terá dito o seguinte:

porque há pessoas que têm que projetar as casas, construí-las, equipá-las, produzir materiais e fazer a produção, reabilitação, recuperação e venda.

Ora bem, quem ouviu as palavras de Paulo Portas terá detectado algumas falhas nesta citação.

Concentremo-nos na mais grave.

Exactamente: projectar. Porque, em português europeu, projetar nada significa. Como é sabido, projetar [pɾuʒɨˈtaɾ] ≠ projectar [pɾuʒɛˈtaɾ] — como coação [kwɐˈsɐ̃ũ̯] ≠ coacção [kwaˈsɐ̃ũ̯] ou corretor [kuʀɨˈtoɾ] ≠ corrector [kuʀɛˈtoɾ]. Contudo, ‘coação’ e ‘corretor’ têm uma grande vantagem em relação a projetar.

Existem.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana

A criação de emprego segundo Paulo Portas

O político profissional Paulo Portas lembrou-se de perguntar quem tinha criado mais emprego, se o BE, se a Remax. Podia também ter perguntado quem foi o melhor marcador do último campeonato, se João Semedo ou se um jogador de futebol, mas não lhe apeteceu.

A mim apeteceu-me perguntar quanto emprego foi descriado pelo CDS ao lado do PSD, ou se quiserem por Paulo Portas e Passos Coelho. Descriado, destruído, arrasado, como queiram. Deu isto:

emprego portugal 2009 2013Dados INE, segundo a Pordata.

Podia ser pior? podia, mas estejam descansados que ele insiste.

 

A histriónica Isabel Moreira e a subvenção vitalícia dos políticos (tome Rennie que isso passa!)

A proposta de acabar com a suspensão das subvenções vitalícias, de que usufruíam injustificadamente 400 iluminados, não foi adiante.
Mas nem tudo se perdeu. Foi uma boa ocasião para ver que, no fim de contas, Passos Coelho nunca nos desilude. E também foi bom para ver que António Costa ainda não foi formalmente eleito em Congresso e já mostrou ao que vem.
Pelo meio, algumas surpresas positivas, como a revolta que alastrou entre alguns deputados do PSD e do PS; e também algumas surpresas negativas – sim, confesso que sou intoleravelmente inocente quando ainda espero o que quer que seja seja de quem for na política portuguesa.
A histriónica Isabel Moreira, por exemplo, mostrou bem a matéria de que é feita. Se alguém tinha dúvidas perante a forma inflamada como muito justamente defendeu a coadopção, perdeu-as de vez depois desta polémica. Afinal, é mais uma do bando – nem mais, nem menos.
Mesmo que a proposta não tenha passado, a sua opinião sobre o assunto é esta: [Read more…]

Os deputados portugueses são uns escroques

escroques
A maioria dos deputados portugueses prepara-se hoje para atribuir a si própria uma subvenção vitalícia, para a qual não descontou e que diz respeito a meia dúzia de anos de «trabalho» no Parlamento.
É gente sem escrúpulos. Gente de baixa índole, de quarta ou quinta categoria moral, do piorzinho que este país já conseguiu defecar ao longo de tantos anos de História. Gente, não. Gentinha! Gentinha a quem milhões de portugueses pobres e miseráveis dão todos os dias lições de dignidade e de respeito.
Os mesmos que andaram estes anos todos a falar de justiça social e a cortar salários e pensões a quem tinha menos são os mesmos que, alegremente, se preparam para ficar de fora dos sacrifícios. Os outros que o façam. Quem tem 600 euros de reforma pode fazer um sacrifício pelo país, quem esconde contas milionárias não pode. É a coerência do escroque Passos Coelho, que já nem se esforça por esconder. E quem andou estes anos todos a vociferar contra o Governo é o primeiro a dar-lhe a mão quando o assunto realmente lhe interessa. É o escroque António Costa em todo o seu esplendor.
Não serão todos escroques. O Bloco de Esquerda – só o Bloco de Esquerda! – não tem qualquer deputado ou ex-deputado a receber essa subvenção. É o único Partido que pode falar. Foi o único Partido que ontem de manhã falou em Plenário para atacar esta medida. Foi o único Partido que forçou a votação de hoje. Nem o PCP, apesar de ter votado contra, pode falar. Votou contra porque os seus votos não eram necessários. Só por isso. E acabou de perder o meu voto para as próximas eleições.
E é nesta votação, de hoje, que se verá quem é escroque e quem não é. Desconfio que serão quase todos.

P. S. – PSD e PS recuaram e, perante a indignação geral, a proposta acabou por ser retirada. Os escroques vão remeter-se ao silêncio e irão esperar por uma melhor oportunidade. Melhor assim.
Foi bom tudo isto ter acontecido, assim aprendemos a conhecer melhor as pessoas e as suas intenções. Se alguém duvidava ainda da rectidão e da honestidade de escroques como Passos Coelho ou António Costa, então perdeu definitivamente as dúvidas.
O meu aplauso para os poucos que, dentro do PSD e do PS, se manifestaram contra esta medida.

Dedicada aos biltres da governação actual e passada

Um Parlamento que vive acima das suas possibilidades

parlamento(vive acima das suas possibilidades e trabalha quando lhe apetece, como fica provado pela foto em cima)

No espaço de um ano, o prejuízo da instituição Assembleia da República passou de 680 mil euros para 6.17 milhões. Uma subida, assim em contas de merceeiro, na ordem dos 907%. A coisa torna-se particularmente peculiar se considerarmos que o conselho de administração do parlamento é presidido por Albino Azevedo Soares (sim, o tal que ajudou a tentar encobrir o esquema do Passos), membro do partido cuja propaganda vomita rigor à mesma velocidade que Miguel Relvas tira um curso superior (um homem fala do Relvas e até rima!).

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Bandalhos do bloco central é favor ler com atenção

Três funcionários da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim encontraram 4.407€ no meio do lixo e, contrariamente ao que fariam determinado tipo de funcionários públicos bandalhos, foram honestos e entregaram o dinheiro às autoridades. Ganharam um voto de louvor num país onde outros bandalhos condecoram bandalhos no 10 de Junho. Há bandalhos com sorte. Felizmente ainda existe gente honesta proveniente da classe dos portugueses que andaram a viver acima das suas possibilidades. Pena é haver tantos bandalhos.