O futuro aprisionado no passado

fantoche

O season finale do Prós e Contras encheu-se de malta nova para debater o futuro do país. Independentemente da minha concordância ou discordância com as opiniões dos membros do painel, que dentro daquilo que é a sua ideologia política ou pensamento económico souberam argumentar com coerência, não posso deixar de referir a pobreza das intervenções dos líderes das duas maiores juventudes partidárias do país. O líder da JS limitou-se a fazer campanha por António Costa, sendo mesmo acusado por Mendes da Silva de estar a ler o teleponto no telemóvel, insistindo no discurso repetitivo e vago que, em parte e contra todas as expectativas, permitiu à coligação PSD/CDS-PP ultrapassar o PS nas sondagens. Já o líder da JSD regressou à narrativa gasta do confronto geracional, apontando o dedo aos nossos país e avós, responsáveis pela herança de dívida que nós, os jovens, carregamos aos ombros. Uma não-questão. Uma não-questão porque o único erro que os nossos pais e avós cometeram, no limite, foi votarem nos nossos carrascos. Porque quem onerou a minha geração e as que estão para vir foi uma casta de políticos irresponsáveis do chamado arco do poder, cuja incompetência aliada ao eterno embuste eleitoralista, cultura despesista e gestão clientelista em função dos interesses do costume nos trouxe até aqui. Creio, se a lógica não me falha, que Simão Ribeiro estaria com certeza a falar para dentro. Será que os barões do seu partido ouviram?

Observatório Do Mundo – Troika, A Nova Ordem Europeia

A TVI24 emitiu um programa que é, essencialmente, o documentário “Poderosa e Descontrolada: A Troika”, traduzido pelo Aventar faz algum tempo. Aproveite para ver ou rever, agora com partes narradas em português.

Acompanhe a reportagem do jornalista Harald Schumann, onde se explica com uma fria clareza a razão de se ter emprestado dinheiro à Grécia, a Portugal, à Irlanda e ao Chipre. Compare os argumentos apresentados com os que a direita debita e forme as suas próprias conclusões. Ficar informado está apenas a um clique de distância.

Discurso do grande Cacique Cavalo Cansado

índio

“A zona do euro são 19 países (…) mas se a Grécia sair ficam 18 países”
“Há muito tempo que eu pensava que (…) as coisas iam acabar mal”
“A zona euro irá sobreviver com a mesma força que teve no passado”
“Eu também digo que não entendo esta jogada”
(Declarações de Aníbal Cavaco silva)


Perplexo com estas declarações e receando ser parcial ao comentá-las, socorri-me da opinião do ilustre Grande Chefe Cavalo Cansado, sábio e prudente cacique de além mar, chefe dos Apanhas Na Tola, glória das pradarias do Oeste. Assim falou o venerando chefe:
[Read more…]

A crise europeia à luz da Grécia

Paulo Pereira

Freitas do Amaral, Pacheco Pereira e Manuel Alegre desferiram, a noite passada, duras críticas ao comportamento dos líderes europeus nas negociações com a Grécia. Numa mensagem que enviou a um debate de solidariedade que juntou figuras de vários partidos no Fórum Lisboa, Freitas do Amaral escreve que a “União Europeia passou a ser uma ditadura sobre democracias”. Pacheco Pereira critica o poder de “tecnocratas que detestam a democracia” e Manuel Alegre diz que é a própria “liberdade que está em causa” na Europa.

«Os sucessivos “diktats” de Berlim, mostram que a U.E. passou a ser uma ditadura sobre democracias», afirmou Freitas do Amaral.

Os gregos preferiram a dignidade a andar de cabeça baixa submissos as ordens de Berlim, com paralelos em acontecimentos históricos como o de os conjurados de 1640. Todos eles escutaram os apelos à razão, todos eles ouviram ameaças, mas todos eles lutaram contra a realidade que lhes impunham como inevitável . Os novos Miguéis de Vasconcelos e seus porta vozes dizem: ‘O Syriza nunca lhes devia ter feito frente, nunca os devia ter enfrentado, no meio é que está a virtude, mais vale um pássaro na mão do que dois a voar…’ Pois foi assim que chegamos até aqui, porque até agora nunca nenhum Governo da Europa teve a coragem de lhes fazer frente. O que eu sei é que há um País em que muita gente está disposta a comer terra sendo senhores de si próprios em vez de comer terra para reciclar a dívida dos bancos alemães e franceses.

Pacheco Pereira – Os gregos podem falhar, mas resistiram em nome da dignidade e do seu país

[Read more…]

A Grécia não está só

we_are_not_a_loan_greece±MaisMenos±

Το δημοψήφισμα

Κι αν πτωχική την βρεις, η Ιθάκη δεν σε γέλασε.

– Κ.Π. Καβάφης

Μα γι’ αυτό και μου συνέβη.

– Φερνάντο Πεσσόα

***

Η διατήρηση της υφιστάµενης κατάστασης δεν αποτελεί επιλογή υπό τις παρούσες συνθήκες. Αυτή η εξαιρετικά επικίνδυνη στρατηγική θα στοιχειώνει και πάλι την Πορτογαλία και την πορτογαλική γλώσσα στο εγγύς και το απώτερο μέλλον.

Ναι ή όχι;

Λοιπόν, η απάντηση είναι πολύ απλή. Θα μιλήσουμε για αυτό αργότερα, κατά τη συζήτηση – το λεγόμενο “discussão mais focada“.

Θα τελειώσω με μια φράση του Αλέξη Τσίπρα:

Βρισκόμαστε σε μια κρίσιμη καμπή που αφορά το μέλλον του τόπου.

Καλό Σαββατοκύριακο.

dre 03072015

Grécia: Manipulação na comunicação social em campanha pelo “Sim”

manipulação imprensa grécia

Dois casos de manipulação de imagens na comunicação social grega. Uma imagem de 2012 usada para sugerir filas nos multibancos gregos e uma vítima do terramoto da Turquia “transformado” em pensionista grego. Detalhes: infoGrécia.

“Trânsito para em Lisboa esta sexta-feira à tarde para deixar passar Eusébio”?

Não. “Trânsito pára em Lisboa esta sexta-feira à tarde para deixar passar Eusébio”. Felizmente, o Público não se mete nessas coisas.

6%

«Portugal has also obediently implemented harsh austerity — and is 6 percent poorer than it used to be» — Paul Krugman

Os invisíveis

FullSizeRender (1)

Somos tantos, senhores. Tantos que não contam para as estatísticas, porque não há estatísticas. Na onda deste retrocesso civilizacional que nos apanhou nos últimos anos, há milhares de jornalistas que vivem e trabalham fora de uma Redacção, em regime freelancer, que tantas vezes se mistura com a precariedade. Em casa, na sua esmagadora maioria.

Uma grande parte chegou a esta condição pela via do desemprego, nos últimos anos, depois de levar aquele “coice de mula” de que falava Óscar Mascarenhas. É a geração dos ’40 que predomina, mas o fenómeno está a ganhar dimensões gigantescas: a maioria dos jovens que agora chega à profissão nunca vai conhecer qualquer vínculo laboral, depois do estágio.  [Read more…]

Manipulação da opinião pública: a lição grega

All seeing sheep

Para além de todos os chavões, de todas as mentiras, de toda a manipulação e do esforço colossal que determinados sectores encostados ao regime têm levado a cabo para instituir a narrativa do pensamento único, aquela que coloca a responsabilidade da crise sobre os ombros do Syriza, ilibando os verdadeiros responsáveis – PASOK, Nova Democracia, FMI, supervisão comunitária e restantes jahidistas financeiros – e transformando a situação actual num embate entre os caloteiros que não querem pagar e os honrados regimes europeus que se submetem religiosamente à candura dos mercados, a verdade é que tudo junto se tem revelado, até ao momento, insuficiente para tombar o governo grego.

[Read more…]

Paulo Portas, um radical que não se importa de dar cabo de tudo

PPMLA

Durante uma homenagem ao congressista norte-americano luso-descendente Devin Nunes, Paulo Portas aproveitou o palanque para lançar algumas achas eleitoralistas para a fogueira grega:

Há um radicalismo que não se importa de dar cabo de tudo, por razões ideológicas.

Mas nem só de ideologias se fazem os radicalismos que não se importam de dar cabo de tudo. Outros há que dele fazem uso por motivos de ambição pessoal. Quando há exactamente dois anos e um dia atrás Paulo Portas apresentou a sua demissão, na sequência da nomeação da Maria Luís Albuquerque para ocupar o lugar deixado vago por Vítor Gaspar, o então Ministro dos Negócios Estrangeiros afirmava, em carta dirigida à nação:

Expressei, atempadamente, este ponto de vista [oposição à escolha da actual ministra para o lugar] ao Primeiro-Ministro que, ainda assim, confirmou a sua escolha. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível.

[Read more…]

Miguel Relvas, Paula Teixeira da Cruz e o PS dos Negócios

Não, não estamos em Palermo, Nápoles ou numa ditadura do terceiro mundo. Estamos nesse portugalito onde a Ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, não perde a apresentação do livro de Miguel Relvas, o mesmo Relvas que está no centro da investigação do Gabinete da Luta Anti-fraude da União Europeia (OLAF) sobre o financiamento da empresa Tecnoforma através de fundos comunitários em 2004, quando Passos Coelho era gestor da Tecnoforma e o próprio Miguel Relvas, então secretário de Estado da Administração Local, adjudicou 1,2 milhões de euros à mesma Tecnoforma para a formação de funcionários de aeródromos. O Miguelito de costas quentes, estava radiante na apresentação. Parecia um puto perdoado pela mãe depois de partir a cristaleira.

Se tivéssemos um presidente a sério isto seria motivo para demitir a Ministra, mas não sejamos demasiado exigentes.

Aliás a lista de presenças durante a apresentação do livro de Relvas foi muito esclarecedora: Maria Luís Albuquerque, Durão Barroso, Passos Coelho, Luís Marques Guedes, vários secretários de Estado, Fernando Seara (que também não perdeu a apresentação do livro de Domingos Névoa), Marco António Costa, o empresário José Maria Ricciardi e o PS dos Negócios (tal como o definiu Seguro) representado por Jorge Coelho. Se Nuno Crato também comparecesse, Relvas conseguiria o jackpot da falta de decoro.

A grande questão é: o que sabe Relvas para ter ascendente sobre toda esta constelação? Quando a coisa tem esta dimensão o mais provável são questões de financiamento do partido e/ou de campanhas eleitorais. Nah, estou a reinar, votem outra vez nos mesmos, força!

Lutar Com a Grécia

grecia_depois_nosAo lado da Grécia, não com ela, contra ela.
Esta semana, a Grécia poderá ser forçada a fazer uma escolha dolorosa: aceitar as políticas falidas da austeridade ou possivelmente sair da zona euro, o que causará caos na Europa. Podemos ajudar a criar a maior mobilização em prol da social-democracia já vista e assim anular esta crise”.
Assinar a carta é grátis.

Grécia: o que o NÃO significa

O discurso de Tsipras ontem à nação grega. [em inglês]

Grécia, a ponta do icebergue

Cartoon GreeceSerá que quando o casco rebentar, irresponsáveis servis como Pedro Passos Coelho e Mariano Rajoy vão alegar que não podiam antever tal cenário? É possível. Um incompetente telecomandado há-de ser sempre um incompetente telecomandado. Por agora, deixemos os miúdos desfrutar do conto para crianças do avô de Boliqueime, para quem está sempre tudo bem até ao momento em que as pessoas lúcidas lhe explicam, bem devagarinho para o cérebro não gripar, que afinal não é bem assim.

Cartoon@Hedgeye

O Alexandre, a Mariana e António Nóvoa

sampaio_da_novoa_alfredo_cunha_2015

© Alfredo Cunha 2015

Laura Santos

“Não deixemos que a esperança também emigre”.

Apesar da falta de forças e dos azares da vida, quis estar presente na apresentação da Carta de Princípios de António Nóvoa (AN) no Teatro Rivoli do Porto. Nóvoa e o meu falecido Irmão Ademar tinham estreitado amizade nesse pós-25 de Abril “inteiro e limpo”. Eu acabara por ter o meu pequeno espaço dentro dessa amizade. Ademar falecera num 22 de Maio, a apresentação era a 25. Como não estar presente?
Primeiro problema: onde deixar o carro, vindos de Braga, pois eu e o marido decidíramos ir cedo para arranjar lugar no Teatro? Estacionámos, mas havia um problema com o parcómetro. Um arrumador perguntou delicadamente se podia ajudar. Pelo modo como se expressava, vi que não era como os arrumadores habituais. Disse-lho. Ele confirmou que outros já lhe tinham dito o mesmo. Perguntei o que lhe acontecera. De modo humilde e tentando esconder a tristeza, lá foi dando alguns pormenores. Tinha razoáveis habilitações académicas – indicou algumas -, mas há dois anos que não conseguia emprego. Já não tinha carro nem net, e o estado dos dentes da frente, para cuja recuperação não tinha dinheiro, também tinham sido um obstáculo à obtenção de emprego. Perdera a vergonha e tornara-se arrumador. Uma professora amiga dissera-lhe que vergonha era ficar de braços caídos. Ele sabia que era diferente dos outros arrumadores, mas sabia também que não era isso que lhe ia arranjar emprego. Percebi-o bem: a interminável construção civil à volta da nossa casa, dantes tão sossegada, e a falta de alternativas logísticas, mesmo para descanso de verão, agravaram a minha situação oncológica. Mas em que é que essa explicação me retira as dores e o perigo de vida? Seguimos as sugestões deste arrumador – só fixei um dos seus nomes, Alexandre – e sei que nunca mais o esquecerei. [Read more…]

Um exercício em História comparativa

Pessoas no Panteão em França:

– Voltaire
– Rousseau (cidadão de Geneva a ser enterrado no Panteão francês mas está bem).
– Jean Lannes
– Victor Hugo
– Zola
– Jean Monet
– Condorcet
– Abbé Grégoire
– Louis Braille
– Pierre Curie
– Marie Curie
– Alexandre Dumas

Pessoas em Westminster Abbey:
– Isaac Newton
– William Wilberforce
– Clement Attlee
– Beatrice Webb
– Charles Darwin
– John Herschel
– Angela Burdett-Coutts
– Samuel Jonhson
– Charles Dickens
– Geoffrey Chaucer

Pessoas no Panteão em Portugal:
– Óscar Carmona
– Sidónio Pais
– Humberto Delgado
– Guerra Junqueiro
– Almeida Garrett
– Sophia de Mello Breyner Andresen
– Manuel de Arriaga
– Teófilo de Braga
– João de Deus
– Aquilino Ribeiro
– Amália
– E agora Eusébio.

O princípio do fim da privacidade dos portugueses

Privacidade

Quando valores mais altos se levantam, o bloco central diz presente e coloca de lado as suas diferenças de fachada, à semelhança daquilo que aconteceu há uns meses quando se juntaram para tentar controlar o trabalho da comunicação social durante as campanhas eleitorais através de uma espécie de visto prévio estilo lápis azul. Como se o “ascendente” que têm sobre a imprensa não fosse já suficiente.

Foi ontem levada ao Parlamento uma proposta da maioria para reforçar o poder das secretas portuguesas cuja aprovação, segundo me foi possível apurar (não encontro informação que me esclareça para além da notícia do Expresso Diário de Terça-feira), terá contado com o apoio do PS. A proposta permitirá, entre outras coisas, que os espiões acedam às listas de chamadas de qualquer cidadão (Jorge Silva Carvalho, antigo chefe do SIED que trabalhou para a Ongoing mas que afirma nunca ter disponibilizado informações à empresa, começará a ser julgado dentro de dois meses por aceder ilegalmente à lista de chamadas do jornalista Nuno Simas), dados de comunicações online, informação bancária e dados fiscais, bastando para isso uma aprovação de uma comissão composta por três magistrados do Supremo Tribunal de Justiça. Contudo, a proposta do bloco central é vaga sobre os critérios subjacentes à tal aprovação, não implicando sequer a existência de indícios fortes do investigado ter cometido qualquer crime.

Sobre o último ponto, a Comissão Nacional de Protecção de Dados emitiu um parecer que critica violentamente a proposta, afirmando que representa “uma agressão grosseira aos direitos à privacidade e à protecção de dados pessoais e, em consequência, ao direito à liberdade“. Um Patriot Act ao virar da esquina. Sejam bem-vindos ao princípio do fim da vossa privacidade.

Os amigos de Relvas

SONY DSC

Quando se traça a geografia política dos amigos de Miguel Relvas é impossível ficar indiferente à amplitude da máquina de influências que Relvas montou. Já conhecíamos o poder que continua a deter sobre Passos Coelho e Paulo Pereira Coelho, ambos envolvidos no caso Tecnoforma que está a ser investigado pelo OLAF (Gabinete da Luta Antifraude da União Europeia). Hoje, Durão Barroso assume a filiação ao grupo exclusivo dos amigos de Miguel Relvas apresentando o seu novo livro, no qual Aznar assina o prefácio. Este é o mesmo Durão Barroso que em Abril do passado ano lamentou que o ensino em Portugal perdeu exigência, como é sabido Relvas é a encarnação suprema da exigência do ensino nacional. Mas este é certamente um irrelevante detalhe comparado com o serviço que um ex-presidente da comissão irá prestar a uma pessoa que está a ser investigada por múltiplas fraudes curriculares e é suspeito de beneficiar a Tecnoforma quando foi Secretário de Estado da Administração Local. O ex-político mais descredibilizado do país demonstra assim ter um poder notável sobre o nosso primeiro-ministro e o ex-Presidente da Comissão Europeia. Espero que a Procuradoria Geral da República se interesse por esta questão e sobretudo que comunique muito com o OLAF.

Em Abril, Rodrigo Rato, vice-presidente do governo de Aznar, começou a ser investigado por fraude fiscal. Afinal faz todo o sentido o prefácio de Aznar ao livro de Relvas.

Adaptação de artigo publicado no diário As Beiras a 11/06/2015.

MAColopithecus

MAC

Via Submarino Amarelo

TiSA, TTIP, TPP: mais documentos secretos do governo das multinacionais

WikiLeaks-Global-Trade-Agreement-Triangulation

Hoje, às 15:00, a WikiLeaks tornou público um santo graal jornalístico da actualidade: o texto principal do maior “acordo comercial” na história, o TiSA (acordo sobre o comércio de serviços), cujos 52 países, juntos, constituem dois terços dos PIB global e que tem sido mantido secreto. As partes negociadoras são os Estados Unidos, os 28 membros da União Europeia e 23 outros países, incluindo a Turquia, México, Canadá, Austrália, Paquistão, Taiwan e Israel

Este tratado secreto imporá a todos os signatários cláusulas que beneficiam grandes empresas multinacionais em detrimento da soberania e os interesses públicos de cada país. Este tratado internacional será mantido em segredo durante cinco anos após a entrada em vigor. [Read more…]

Crowdfounding para a Grécia em baixo

O site Indiegogo tem estado recorrentemente em baixo desde ontem devido ao crowdfounding para salvar a Grécia lançado por um empregado inglês de uma loja de sapatos.

Thom Feeney

Eu criei a campanha de crowdfunding para apoiar o resgate grego porque estava cansado com a indecisão dos nossos políticos. Cada vez que uma solução para salvar a Grécia é atrasada, é uma oportunidade para que os políticos exibam o seu poder, mas durante este tempo o efeito real incide sobre o povo da Grécia.

A reacção foi tremenda, tenho recebido milhares de mensagens de agradecimento e, enquanto escrevo, quase € 630.000 foram prometidos por mais de 38.000 doadores. Muitos gregos enviaram-me mensagens dizer como ficaram felizes por saber que pessoas reais em toda a Europa se preocupam com eles. Deve ser difícil quando se acha que o resto do continente está contra você.

[Thom Feeney, no The Guardian]

Uma coisa é certa, a direita, tão fã da caridade, deve estar deliciada com a iniciativa.

Há esperança na Europa, falta ultrapassar as barreiras que os políticos levantam.

[Actualização 1/7/2015, 18:27]: acabei de saber que o valor recolhido ultrapassa um milhão de euros:
€1,005,217EUR, raised by 59,109 people in 3 days

O lapso de Cavaco Silva

lapso_cavaco_silva

Laura Santos

Nós devemos dar graças a Deus por termos a rede de instituições de solidariedade social que temos em Portugal“.

No dia 29 de Abril deste ano, Cavaco Silva agraciou várias instituições e individualidades ligadas ao exercício da Solidariedade Social. Na curta intervenção efectuada na altura, ressaltou que, nos últimos anos, tinham conseguido “atenuar o sofrimento de milhares de portugueses que foram atingidos pela crise económica e financeira”.
Até aqui, nada a objectar. O problema, a meu ver, surge quando Cavaco Silva afirma que “Nós devemos dar graças a Deus por termos a rede de instituições de solidariedade social que temos em Portugal”, frase a que alguns canais televisivos deram destaque.
[Read more…]

Danos e dolo

Santana Castilho *

Parafraseando José Saramago, há uma regra fundamental que é, simplesmente, não calar. Não calar!

O despacho nº 7031 – A/2015 introduz o ensino de mandarim em algumas escolas secundárias públicas no próximo ano-lectivo. Os professores serão chineses e as despesas correm por conta da República Popular da China, mediante um protocolo com o Instituto Confúcio. Este instituto tem por objectivo imediato a promoção da língua e da cultura chinesas. Mas outros vêm a seguir, ou mesmo antes, pese embora tratar-se de matérias a que Confúcio era avesso. Com efeito, logo que a iniciativa foi conhecida, chegaram notícias de experiências idênticas de países ocidentais, que cancelaram acordos similares por ameaça à liberdade académica (vigilância indesejável de estudantes e actos de censura). Dito nada pelo Ministério da Educação sobre este começo menos auspicioso, sobram perguntas, a saber: que diz o ministro à suspeita transnacional (França, Suécia, EUA e Canadá, entre outros) quanto à utilização do Instituto Confúcio como instrumento de promoção da ideologia do governo chinês? Poderemos aceitar que uma disciplina curricular do sistema de ensino nacional seja leccionada por professores estrangeiros, escolhidos pelo governo da China, pagos pelo governo da China e com programas elaborados por uma instituição que obedece ao governo da China? Conhecida que é a complexidade extrema da aprendizagem do mandarim, particularmente no que à escrita respeita, fará sentido iniciá-la… no 11º ano? Terá a iniciativa relevância que a justifique? Pensará o grande timoneiro Nuno Crato substituir o Inglês (cujos exames acabou de entregar a outra instituição estrangeira) pelo mandarim, como língua de negócios? Ou tão-só se apresta, pragmaticamente, a facilitar a vida aos futuros donos disto tudo, numa visão futurista antecipada pela genialidade de Paulo Futre?
[Read more…]

Para onde foi o dinheiro emprestado à Grécia?

Lê-se no The Guardian que menos de 10% foi usado para reformar a economia e apoio social.

Less than 10% of the money was used by the government for reforming its economy and safeguarding weaker members of society

Only a small fraction of the €240bn (£170bn) total bailout money Greecereceived in 2010 and 2012 found its way into the government’s coffers to soften the blow of the 2008 financial crash and fund reform programmes. Most of the money went to the banks that lent Greece funds before the crash.
(…)
This [o perdão da divida grega] eliminated about €100bn of debt, but €34bn was used to pay for various “sweeteners” to get the the deal accepted. That €34bn was added to the Greek debt. Greek pension funds, which were major private lenders, also suffered terrible losses.

Then €48.2bn was used to bail out Greek banks which had been forced to take losses, weakening their ability to protect themselves and depositors. Lastly, €140bn has been spent on paying the original debts and interest.

Less than 10% of the bailout money was left to be used by the government for reforming its economy and safeguarding weaker members of society.

Greek government debt is still about €320bn, 78% of it owed to the troika. As the Jubilee Debt Campaign says: “The bailouts have been for the European financial sector, while passing the debt from being owed to the private sector to the public sector”.

Resposta: banca. Como se pode ler acima, os resgates foram para o sector privado europeu, transferindo-se divida detida pelo sector privado para o sector público.

Confrontar isto com a treta que a direita vai dizendo sobre o assunto.

Portugueses: preparem-se para pagar

Por breves momentos, alguns portugueses mais ingénuos acreditaram nas palavras do habitante do Palácio de Belém, que afirmava, sem reservas, que os portugueses podiam confiar no BES. Estávamos em Julho de 2014. Alguns meses mais tarde, confrontado com perguntas incómodas de uma jornalista, Cavaco desmentia Cavaco e afirmava, naquele tom de indignação dissimulada habitual em políticos sem coluna vertebral, que nunca tinha feito qualquer declaração sobre o BES.

Um ano depois das certezas de Cavaco posteriormente desmentidas por Cavaco, milhares de portugueses continuam a desconhecer o paradeiro das suas economias, em alguns casos a poupança de uma vida, e preparam-se para doar mais algum para o peditório do Espírito Santo. É que segundo as notícias que vieram ontem a público após o encerramento do prazo definido pelo governo para receber propostas vinculativas para a compra do Novo Banco, cuja corrida ficou reduzida aos camaradas da Fosun, da Anbang e ao fundo de investimento Apollo, as propostas dos finalistas não irão além dos 4 mil milhões de euros. Significa isto que o Fundo de Resolução bancária, cujo principal “accionista” é a nossa Caixa Geral de Depósitos, vai ter que assumir cerca de 900 milhões de perdas. Mais um ficheiro para o arquivo dos casos que não iam custar um cêntimo ao contribuinte.

Sobre a tempestade grega

Greek Storm

O ponto de não retorno talvez já tenha sido transposto. A entropia está em marcha. Portugal está agora na linha da frente da crise europeia. Como estava previsto no relatório da UBS, de setembro de 2011, sobre as graves consequências da eventual saída da Grécia da zona euro. Ou no relatório da Fundação Bertelsmann, de setembro de 2012, que vinculava a saída da Grécia à queda de Portugal, e a custos astronómicos para toda a zona euro, incluindo a Alemanha. Durante cinco anos a Grécia funcionou no dominó disfuncional da zona euro como um dique protetor perante as fragilidades de Portugal. Um governo português, formado por pessoas medianamente inteligentes e patrióticas, teria apoiado, mesmo que moderadamente, qualquer governo grego, fosse ele do Syriza ou de qualquer outro partido. Deveria fazê-lo por razões jurídicas e morais, mas também por puro egoísmo político. A Grécia era um dique protetor do interesse nacional. Infelizmente, o governo de Passos Coelho e o seu eco de Belém fizeram tudo para humilhar, enfraquecer e fragilizar Atenas. Agora, só um milagre poderia evitar que o dique grego se desmorone. Os nossos juros estão a subir, a desvalorização do euro significará desequilíbrio externo e perda do valor do aforro. Os “cofres cheios” vão começar a ser esvaziados. Quando mais precisávamos de estadistas, limitamo-nos a ter em Portugal os veteranos que utilizaram a malha larga da política partidária para se promover. Nos tempos de fartura, isso seria suportável. Pelo contrário, nos dias excecionais, como os que estamos a viver, tanta incompetência pode ser mortal para a sustentabilidade do Estado. Se ao menos houvesse o decoro de permanecer em silêncio.

O dique grego, por Viriato Soromenho-Marques [DN]

Foto@The Telegraph

O que nos separa

greciaA Grécia tem sido, para o nosso país, uma referência, nem que seja temporal. Com mais sal ou menos pimenta, por lá, o tempo tem estado um bocadinho à frente do relógio luso. Hoje eles, amanhã nós e não me custa nada subscrever os argumentos de quem apresenta Portugal como o cliente seguinte dos predadores.

E, podem os boys do regime, opinar em sentido contrário, porque sendo a minha ignorância em termos financeiros total, estamos em tabuleiros iguais, eles ficam na deles e eu na minha. Ambos ignorantes.

Mas, tal como disse ontem em Gaia, Sampaio da Nóvoa, não se trata de saber quantos ficam e até me apetece acrescentar: isto não é economia – é política, estúpidos! [Read more…]

Como se constata, o problema nunca esteve nas diferenças entre as duas propostas.

euro implosão

Juncker sugere a Tsipras acordo de última hora.  Com a condição em que seria preciso “aceitar [por escrito; por escrito?!] a proposta de sábado das três instituições” e, ainda, dar o dito pelo não dito (campanha pelo sim). Possivelmente, baixar as calças também poderia vir a ser pedido.

Exactamente, o que é que mudou que impedia que o acordo de sábado fosse aceite mas agora já é proposto de novo? Nada. Ah, não, a Grécia vai referendar uma decisão europeia, algo sucessivamente recusado em anteriores contextos. Quais?

[Read more…]