Mário Rodrigues Teixeira (1932-2013)

PAI

Mário Rodrigues Teixeira nasceu a 3 de Setembro de 1932, em Rio Tinto, Gondomar.

Dos 7 aos 13 anos, acompanhou a Segunda Guerra Mundial, pelos comunicados de guerra dos Aliados que lia nos jornais para o seu pai. Seguia-se a colocação das bandeiras a sinalizar num mapa as movimentações dos exércitos envolvidos. Desde cedo foi, assim, aprendendo países, fronteiras e povos. [Ler mais ...]

Relvas vai estudar sem vírgula

vai_estudarBento XVI resignou e afastou-se de São Pedro. Relvas, resignado, resolveu afastar-se de São Bento. É compreensível: seria demasiado doloroso contemplar Passos perdido nos Passos Perdidos. Ainda por cima, como se não bastasse a dor de já não lhe chamarem ministro, não lhe sobra sequer a consolação de ser tratado por doutor, com as equivalências pela hora da morte. [Ler mais ...]

Adeus, até logo, até à próxima ou um problema de expressão

Por causa deste post dei-me a pensar na fórmula de despedida “adeus”. Raramente digo adeus. Prefiro um ‘até à próxima’, ‘até logo’, um simples informal ‘inté’ e um informalíssimo ‘xau’… Nesse aspecto acho que o ‘au revoir’ francês (que também usam o ‘adieu’) ou o ‘goodbye’ inglês têm mais sentido. Soam mais ligeiros e não contém uma certa carga negativa que, mal ou bem, atribuimos ao ‘adeus’.  A culpa não é da palavra, apenas da forma como interpretamos o seu significado.

Adeus!

O ‘adeus’ soa mais distante, como algo definitivo, embora na realidade seja uma recomendação. Estamos a recomendar ‘a Deus’ que acompanhe a quem nos dirigimos, ao mesmo tempo que encomendamos essa pessoa ‘a Deus’. Que tudo te corra bem, se Deus quiser. Vai com Deus.

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Então, continuação…

É coisa para acontecer de vez em quando. Está um gajo muito sossegado e batem-nos à porta, ou param-nos na rua. É uma daquelas pessoas que não conhecemos mas que nos interpela ou conhecemos de forma distante. Lá trocamos uma ou outra palavra, mais ou menos de circunstância, e nas despedidas dizemos um longíquo ‘adeus’, um breve ‘até à próxima’, um amigável ‘até já’. Em troca recebemos um banal ‘continuação’.

Continuação? Mas continuação de quê?

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De um bom dia? E se ele estiver a correr mal? Quer, por acaso, o parvalhão que o nosso dia continue uma merda?

De uma boa carreira profissional? Mas e se estamos desempregados? Quer o magano que continuemos assim, a viver do subsídio?

De uma continuação do que estamos a fazer? Provavelmente, mas e se isto é dito a um gajo que se está a enforcar? “Vá lá à sua vida, tenha uma boa continuação do seu suicídio, que corra bem. Tenha em atenção ao nó e veja lá essa corda que já teve melhores dias. Continuação…”.

É ridículo, não é? Como aqueles relatadores ou comentadores de futebol que dizem que uma equipa que está a perder tem de “correr atrás do prejuízo”. Ó senhores, pelas alminhas, quem é que vai correr atrás do prejuízo?

In memoriam a José Saramago: O Serralheiro/Escritor

Insubmisso.
Interventivo…
Jamais Omisso,
Genuflectido!

Homem de Crenças
Homem Sofrido
Nas Desavenças
Sempre Temido…

Homem do Povo
Sua Condição
Sempre e de novo
Homem do Não…

De Proletário
A prémio Nobel
Tão Solidário
Quão admirável

Génio das Letras
Obra que medra
Sem meias Tretas
“Jangada de Pedra”

Palavra em riste
Sempre em peleja
Fácies Triste
Postura castreja

Com Portugal
Palavra ao vento
“Memorial
“De” um “Convento”

“Pequenas Memórias”
De tão ruim
Velhas histórias
Desse “Caim”

Adeus, José
Lá nesse assento
Retoma o pé
Para novo alento!

Que contributo
Ante o fastio
Preenche o luto
Deste vazio?

(Mário Frota)