La amiga perdida

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Estoy sentado en mi estudio, a pensar en ti. Nunca te vi de esta manera: estricta, sabia, a saber enseñar. Ese dedo levantado para enfatizar las palabras que se deben saber. Y las que no se deben decir. Era como cuando yo tenía dos años y tú, algunos más. En esas alturas de la vida, no se notaba, como en las alturas de la vida de hoy. Tú estás guardada en un ánfora, rodeada por la familia.

Yo, lo que tú me enseñaste, a escribir poesía a la amiga que me dejó anclado en esta tierra solitaria, sin nadie que me acompañe, aún en momentos tan tristes como los que vivo, ahora que nos dejaste. [Read more…]

a materializacão da solidariedade

 
Teresa Gentil-homem

para Maria Teresa Gentil-homem, que honra o seu nome…

 Émile Durkheim em 1893, definiu solidariedade como o apoio que uma pessoa dá ao seu grupo social e, também, como esse grupo apoia a pessoa que mora só. Dai, nasceu mais tarde a sua obra O Suicídio, que foi um dos pilares no campo da sociologia. Escrita e publicada em 1897, foi um estudo de caso de um suicídio, publicação única na sua época, foi um exemplo de pesquisa e de como a ciência da vida social deve ser escrita (sempre em monografia). Fez escola: As monografias são, assim, meios de divulgação do conhecimento e da investigação. Entre o seu texto A divisão social do trabalho, em que define solidariedade, e O Suicídio, Durkheim criou o saber da Sociologia. A este sábio, que soube ser solidário com o mundo inteiro, devemos-lhe muito.

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Mistérios do Natal – o véu desceu para sempre

São cada vez mais frequentes os toques da Zeca á minha porta altas horas da noite Com 92 anos, vive com uma amiga com 97 anos, nenhuma delas tem família, eu sou quem está mais à mão.

Esta noite o bater da Zeca foi mais cedo e mais persistente. Abri a porta e a Zeca estava a chorar, a amiga Esmeralda estava a morrer. Do primeiro ao terceiro não são precisos elevadores, num ápice entrava na casa onde uma pobre mulher dava os últimos suspiros.

Abracei-a e morreu assim, sem um suspiro, sem um ai, sem um adeus…

Chegaram os jovens médicos do INEM, a polícia, o médico civil, o cangalheiro. Verificaram a morte e preparam tudo para a última viagem.

Naqueles vinte minutos em que estive sozinho com aquelas duas mulheres, onde estive tantas vezes, sempre em momentos críticos, lembrei-me que a única coisa que nos alívia é sermos úteis. Uma paz serena e raramente sentida apoderou-se de mim. Não há medos, nem frustações, nem ódios, tudo isso faz parte da vida que perdemos, quando vivos, no turbilhão da angústia, da ambição e da inveja.

“Tudo vale a pena se a alma não é pequena” diz Pessoa, mas não é verdade.

Eu odiei grande parte da minha vida e dava tudo para voltar atrás e perdoar!

As minhas amigas "tresmalhadas"

Era um espanto de mulher quando arribou a Castelo Branco, nos idos de setenta. Professora de ginástica, acabadinha de se formar, louraça, olho azul, mini-saia com umas pernas compridas a condizer, a Manuela era uma brasa, metade do pagode masculino de olhos em bico mas sem coragem de se chegar.

Foi lá o pobre do Vinagre, pobre duas vezes, porque andou de coração apertado enquanto viveu com os olhares de inveja dos outros e ainda coitado porque morreu cedo.

Ficou a Manuela viúva, um estadão, mas quem é que lá ía? naquele tempo, mulher com homem na vida estava entregue à maldicência e à solidão. A nossa conversa, de encher já se vê, é que sendo viúva de um amigo para nós era como se fosse um irmã… [Read more…]

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