A cidade do Porto foi escolhida como “Melhor Destino Europeu 2012” por mais de 212 mil votantes. A escolha das 20 cidades a votos foi da responsabilidade de um júri da Associação de Consumidores Europeus. Confesso que não estou admirado. [Ler mais ...]
Arquitectura de Terra
Mesquita de Bobodjulasso, no Burkina Faso
“O prazer intenso que as civilizações tradicionais têm em manipular o ornamento (…) traduz-se no génio criativo, artístico e decorativo das arquitecturas de terra: gravado nas paredes ou aplicado em relevo, tanto é abstracto, gestual, geométrico, simbólico ou figurativo”.
A arquitectura tradicional de terra é resultado do acumular de saberes milenares, em que o homem utiliza o material retirado da natureza e o aplica para construir os seus edifícios segundo técnicas que tiram partido das suas características e potencialidades.
Essas técnicas mudam de local para local, não só em termos construtivos, mas sobretudo estéticos, assumindo cada uma delas uma identidade geográfica própria, que relaciona a sociedade, o edificado e o meio ambiente, e une o homem, a construção e a natureza.
É na plasticidade do material que o homem exprime toda a sua criatividade.
“Os métodos de utilização da terra permitem não dissociar a materialidade e a espiritualidade do acto de construir, pois este material permite a simultaneidade e a síntese das acções construtivas e artísticas. (…) É numa arquitectura escultural de terra crua que floresce a voluptuosidade dos arredondados, o erotismo e a sensualidade das formas.”
Hoje também é dia mundial da árvore e da floresta
Tendo a sua beleza, e ironia, que o dia mundial da árvore e da floresta coincida com o dia mundial da poesia, aqui apenas vou focar o primeiro. A cada operação urbanística, a que pomposamente se costuma chamar requalificação, é frequente haver árvores envolvidas e a sua envolvência consiste no abate. Parece existir um ódio às árvores. São cortadas, no seu lugar aparecem ruas e praças estéreis. Para disfarce plantam-se amostras de árvores que, apenas décadas passadas, terão igual força. Altura em que, naturalmente, serão requalificadas com um abate.
Foi este o tema que me trouxe para a bloga. Hoje, o ciclo repete-se.
Capela de Santa Ana, Canedo, Santa Maria da Feira
Em Portugal continua a fazer-se boa arquitectura e muito para além do duo de famosos, Siza e Souto Moura.

Capela de Santa Ana, Canedo, Santa Maria da Feira (Imagem http://www.archdaily.com)
Três espaços religiosos portugueses estão entre os candidatos ao Prémio ArchDaily 2011. E, dos três candidatos, destaco a Capela de Santa, que por ser mais perto é a única que conheço.
Resulta do trabalho do gabinete e|348, da Póva de Varzim e tem vindo a ser reconhecido como uma obra de excelência nos últimos tempos.
São poucas as palavras – até porque estou longe de ser um especialista em arquitectura – para descrever esta obra de arte. Deixo-vos a referência e as imagens dos três projetos. Aproveitem o fim-de-semana e conheçam-nos!
Ah! Faltava isto: votem!
Guerra na praça Tahir e censura no Facebook
Confrontos violentos na praça Tahir transmitidos em directo aqui:
http://occupy.elementfx.com/occupytv
Este endereço está bloqueado dentro do Facebook. Começou a outra internet, aquela onde os governos são senhores e a liberdade de expressão acabou.
Actualização: Como era de prever este artigo, na sua forma de publicação automática foi censurado pelos filtros do Facebook por conter a ligação maldita.
É muito fácil a um estado bloquear uma ligação no facebook, basta que umas centenas denunciem, neste caso um link, automaticamente bloqueado antes de ser revisto por um humano. O princípio do bloqueio contra ou a favor de um estado é intolerável.
Isto faz lembrar o ataque às Torres Gémeas?
Segundo familiares das vítimas parece que sim. Vai daí protestaram e os arquitectos foram obrigados a pedir desculpa aos ofendidos por um prédio a construir não em Manhattan, mas em Seul, na Coreia do sul.

A estupidez não conhece fronteiras, nem formas, nem geografias. Eu, à minha maneira, também acho um Fiat 500 parecido com um Ferrari. Deve ser porque também tem rodas.
Cidades Globais:
No próximo dia 4 de Novembro, no Ipanema Park Hotel – Porto, Seminário Cidades Globais com os seguintes oradores/temas:
“Gestão Eficaz, um desafio em tempos de crise” com o Prof. Poças Martins, o Eng. João Carvalho Guerra e moderado pelo Dr. Nuno Camilo (10h15).
“Soluções para financiamentos – QREN, a última oportunidade” com o Eng. Carlos Duarte da CCDRN (12H00)
“Regiões Administrativas em Portugal e Espanha” com Dr. José Luís Carneiro e autarca espanhol a designar e moderado pelo Dr. Manuel Cabral (14h30)
“Comunicar as Cidades – os novos desafios da Era Digital”, Fernando Moreira de Sá (17h00)
“O Estado Social e o papel das Autarquias” com Dr. Marco António Costa, Sec. Estado da Segurança Social (17h45)
Mais informações e inscrições em www.cidadesglobais.com
Sacro egoísmo que urge
Uma notícia acerca da impossibilidade de colocação no mercado de milho produzido em Portugal, demonstra facilmente a completa desorganização que impera na nossa economia. No preciso momento em que os produtores nacionais entregam o resultado do seu labor e investimento, atraca um enorme navio carregado de milho importado do leste europeu. Os circuitos de distribuição encontram-se não se sabe bem em que mãos e assim se desperdiça uma oportunidade de poupança de divisas, prejudicando-se a solvência de mais uns tantos agricultores. O costume. Uns breves momentos de reflexão, fazem-nos facilmente concluir acerca da inevitabilidade do seguinte panorama num futuro bem próximo: [Ler mais ...]
Terreiro do Paço, a veneziana S. Marcos em Lisboa


Olhando para o Terreiro do Paço, com o seu amplo espaço e com as colunas a convidarem o olhar a pousar no rio, noto o quanto esta praça tem os mesmos ingredientes paisagístico-arquitectónicos da Praça de S.Marcos, em Veneza. Já o ambiente humano é completamente diferente, faltando ao deserto que é a congénere lisboeta a vida que enche S. Marcos. Valham-nos as cíclicas manifs que a populam, ou poderíamos pensar que se destinava aos pombos aquela imensidão, na qual até se estoirou em abundância o escasso dinheiro para trocar a bela calçada portuguesa por uma vulgar lage de “terra” batida.
A má obra da Parque Escolar
O Tiago Mota Saraiva desmonta mais uma socretinice do Daniel Oliveira, agora defensor cego da Parque Escolar.
Acrescento que a Parque Escolar enquanto dona de obra demonstrou uma incompetência que chega a tocar as raias do ridículo. Dos pavilhões onde chove, e a culpa é do clima à ausência de estacionamento (não me venham com a conversinha dos professores usarem transportes públicos: a carta de condução e a propriedade de um veículo automóvel é hoje obrigatória na profissão, e chega a ter indirectamente força de lei) ao aumento do consumo energético:
Daniel Oliveira titulou seu artigo “As escolas públicas querem-se velhas e frias” com uma ironia que lhe acerta no pé.
Não se trata de mera incompetência: é dos livros que o dono da obra tem de conhecer muito bem o local onde se implanta e as funções a que se destina. Não é o caso da Parque Escolar e as direcções das escolas foram na maior parte dos casos completamente afastadas do seu planeamento e execução. Se é verdade que um bom arquitecto, ou engenheiro, se preocuparia com isso, nem sempre sucedeu. Como também é dos livros, a catástrofe está à vista, e como bem sabemos, é irreversível.
Baixa-Chiado quê?
O presidente do Metropolitano de Lisboa está contentíssimo com uma cambalhota toponímica parola e patega. Alguém se lembrou de rebaptizar a estação Baixa-Chiado e chamar-lhe PT Bluestation a troco, está bem de ver, de uns euritos. E como, hoje, onde há euros há tudo, nada mais importa.
Há milhões a ganhar na cidade de Lisboa, mesmo para lá do metro. A CML pode até rebaptizar lugares e monumentos. O Marquês de Pombal, por exemplo, pode passar a chamar-se Marquês de Borba Reserva Tinto, o Jardim Zoológico ganharia o nome de Twiskas World, o Campo das Cebolas podia, sem prejuízo algum, chamar-se Caldos Knorr, a Praça Camões passaria a MultiOpticas Serviços Opticos, o Jardim da Estrela soaria bem como Starbucks Coffee Company Garden, a Sé de Lisboa seria conhecida como Espírito Santo Ventures-SCR e a Mouraria tornar-se-ia Fly Emirates.
Isto seria apenas o princípio, depois viriam as ruas e avenidas: a Rua Duque de Palmela chamar-se-ia AutoEuropa Street, a Rua do Século promover-se-ia a Millenium BCP Street e até o Beco do Jasmim cheiraria melhor chamando-se Chanel Parfums & Fragrances.
É fácil, afinal, ser moderno e cosmopolita. Difícil, difícil, vai ser escolher o novo nome a dar à cidade de Lisboa. Alguém tem ideias?
Grandeza (ainda não) perdida
A propósito das imparáveis demolições de edifícios antigos nos centros urbanos portugueses, noutras paragens vão resistindo peças arquitectónicas de grande valor estético e que são também património nacional de dois povos. Neste caso, a foto documenta o hospital da Ilha de Moçambique, onde à pureza das linhas, podemos acrescentar uma certa grandeza evocadora de outras paragens. Lourenço Marques/Maputo, também tem sido poupada às demolições extensivas que são coisa corrente por cá, na sua antiga capital metropolitana. Sabendo que a falta de dinheiro e de “oportunidade de negócios” podem ser poderosos aliados da preservação de muito daquilo que os nossos antepassados construíram, a actual escassez de crédito representará (?) um feliz travão a tudo o que os “srs. Costas autárquicos” têm feito em Portugal.
Pouco a pouco dão cabo de tudo
Porque continua a destruição do património ambiental e colectivo, porque há erros que se pagam caro, porque queremos um país mais civilizado, porque há coisas que já nem deviam ser equacionadas, porque continua a sonegação do que pertence a todos a favor de poucos mas com interesses fortes, porque queremos um patamar de desenvolvimento mais inteligente, leia e, se concordar, assine esta petição.
A Estação de Porto São Bento Entre as Mais Belas
“A estação de comboios de São Bento, no Porto, foi considerada uma das 14 mais belas do mundo pela revista norte-americana Travel+Leisure. Os painéis de azulejos azuis e brancos de Jorge Colaço, que enchem as paredes desta estação da Linha do Norte, colocaram o edifício na mesma lista de outras paragens ferroviárias como a neoclássica Gare du Nord, em Paris, ou Atocha, em Madrid.”
Parabéns a quem a sonhou…
Arte urbana portuguesa no top 10 do Guardian
Numa escolha de Tristan Manco o Guardian seleccionou 10 obras-primas da arte urbana. Contemplados o português Vhils (Alexandre Farto de seu nome) e um trabalho dos brasileiros Os Gémeos e do italiano Blu, realizado em Lisboa.
Uma boa nova para a arte urbana portuguesa, com a vantagem de colocar estas coisas em discussão. Por exemplo: António Sérgio Rosa de Carvalho cuspiu sobre a obra alfacinha (acima representada):
“Verdadeiro crime de Lesa-Património, esta intervenção “emite” em termos de Pedagogia o pior “sinal”possivel … (sic)
numa pretensa defesa dos prédios abandonados em que foi feita. Há gente que confunde arte com o-que-eu acho-que-é-arte. São os donos da obra. O prédio em causa era uma vulgaríssima construção novecentista, das que andam por aí aos pontapés. Agora é depositário de uma obra-prima da arte contemporânea mundial, que por sinal em termos de mercado vale muito mais que o prédio (em relação ao terreno, já não sei). Esta gente é a mesma que apupou os impressionistas, os surrealistas, e o que mais quiserem: a História da Arte está cheia dos seus donozinhos, que a serem seguidos ainda nos mantinham ao nível da Vénus de Willendorf (com todo o respeito que tenho, e é muito, pela arte do Paleolítico). [Ler mais ...]
A Lisboa de António Costa, de Manuel Salgado e de um tal Zé-qualquer-coisa
Durante umas horas na tarde de ontem, arrasaram aquilo que existiu durante um século. Foi tudo reduzido a pó, desde cantarias e lindíssimas grades, às varandas de outros tempos e portas em madeira de casquinha. Tudo para o entulho. É assim a Lisboa moderna desta “situação” no estertor que todos sentem sem o dizer. Antes de volatilizar-se, pratica a terra queimada, demolindo o tecido urbano, cavocando preciosos “terrenos” em praças, avenidas e ruas. Em nome das negociatas habituais, estacionamentos e do interesse do sector do betão que proporciona rendas e poleiros a uns corvos que ocasionalmente passam pelos gabinetes ministeriais, esmaga-se uma cidade inteira. Demoliram-se dois prédios em plena Praça Saldanha, hoje um local quase inóspito pela fealdade e baixa qualidade arquitectónica escandalosamente exibida por uma Câmara Municipal que não merece tal denominação.
O Senhor do Atlas
A cordilheira do Alto Atlas marroquino é uma longa muralha com 700 quilómetros de extensão, que constitui uma fronteira entre Marrocos atlântico e sub-tropical, e Marrocos continental e desértico.
Os seus cumes mais altos ultrapassam ou aproximam-se dos 4.000 metros, como são exemplo o Jbel Toubkal no Alto Atlas Ocidental, com 4.167 metros, o Jbel M’Goun no Alto Atlas Central, com 4.068 metros ou o Jbel Ayachi no Alto Atlas Oriental, com 3.757 metros de altitude.
O Alto Atlas é um mundo de montanhas, rios, lagos, planaltos, vales férteis e gargantas escarpadas, habitado por tribos berberes desde tempos milenares, que conservam a sua identidade pela distância e isolamento.
Para além de fronteira geográfica, o Alto Atlas sempre foi uma fronteira política, que separou as regiões sedentárias governadas pelo poder central, o blad al-makhzen (ou país da lei), das regiões nómadas auto-governadas pelas tribos, o blad as-siba (ou país dissidente).
Foi a última região de Marrocos a ser dominada durante a conquista Islâmica e a última a ser pacificada pelo colonialismo francês.
Esta é a história de um homem chamado Thami El Glaoui, qadi ou chefe da tribo Glaoua, conhecido como o Senhor do Atlas, e do seu papel ao lado das forças coloniais francesas durante a ocupação e pacificação do Sul de Marrocos.
Sobral de Monte Agraço já tem um parque infantil.

- Odorico de Paraguaçu ou o modelo de um edil.
Não sei se recordam este chavão publicitário que passou na televisão durante a década de 1990. Ele é, ainda hoje, bem revelador da «mentalidade paroquial» e municipalista que grassa na sociedade portuguesa desde, pelo menos, o Liberalismo. Nessa altura, profundas modificações foram operadas na divisão administrativa do país e vários foram os municípios levados à extinção. Choveram cartas nas Cortes. As velhas elites que diziam falar pelo povo, clamavam que estavam ameaçadas as liberdades daquelas antigas e venerandas terrinhas. Estavam era ameaçados os tachos oligárquicos onde as velhas famílias comiam e que agora, rotos e vazios, lhes eram retirados.
Contudo, o liberalismo teve mão para por no lugar esses rincões do Antigo Regime, oferecendo lugares novos aos velhos e criando novos lugares para os novíssimos. Hoje, tal seria impossível. As oligarquias deixaram de ser consanguíneas e passaram a ser partidárias. O dinheiro comanda. Apenas se falou em reduzir o número de municípios o caciquismo local tremeu. Mais depressa caía outra vez o Carmo e a Trindade do que se acabavam com concelhos. Alguns presidentes, daqueles da velha guarda, mestres e doutorados em eleições, vieram dizer que nunca, que as liberdades das antigas e venerandas terras, etc, (os tachos), etc, bastiões, etc, desenvolvimento, etc, progresso, etc., NÃO & etc.
É óbvio que a III República jamais conseguiria acabar com um munícipio que fosse e virou-se para as freguesias. Como a maioria dos presidentes da junta não tem sequer o quarto ano de escolaridade, nem o mestrado em argúcia política como os edis municipais, é fácil manobrá-los. Os municípios rejubilaram. Menos juntas, menos dinheiro, menos patetas a quem pagar jantaradas para servir nas campanhas. [Ler mais ...]
Tadelakt
Há centenas de anos que na região de Marraquexe se utiliza uma técnica de revestimento na construção, aplicada tanto em paredes, pavimentos e tectos, como em peças de mobiliário, como sejam banheiras, lavatórios, camas ou piscinas. Pelo facto de ser um revestimento impermeável, era inicialmente usado nas cisternas e nos hammam, ou banhos públicos, pensando-se que os Berberes já o utilizassem há cerca de 4.000 anos.
A sua grande qualidade estética, possibilidades plásticas, durabilidade e suavidade ao tacto, tornaram-no na imagem de marca dos interiores de Marraquexe, estando presente nos grandes hotéis e riads da Cidade, e fazendo a ponte entre o tradicional e o moderno.
Chama-se Tadelakt, designação que provém do Árabe “dlak”, que significa massajar ou amassar, dado que é uma argamassa tem de ser “apertada” para lhe ser retirado todo o ar existente no seu interior. O tadelakt é um reboco à base de cal da planície do Haouz, que utiliza o pó de mármore ou a areia fina como inerte, pigmentado, apertado à talocha, barrado com sabão diluído em água, polido com um seixo e, opcionalmente, finalizado com uma camada de cera.
É um revestimento da família dos nossos rebocos “estanhados”, “escaiolas” ou “queimados à colher”, que aliam o carácter estético e decorativo com a durabilidade e conforto do material.
Por aqui se vê a força do PC
Nos últimos tempos têm surgido em alguns comentários teorias curiosas. Uma delas, que reúne bastantes adeptos, é a de que Saramago ou Siza Vieira não seriam o que são sem a força do PC. A teoria diz, mais ou menos, que se não fosse a força da máquina do PCP estes vultos jamais sairiam da penumbra, para sempre condenados à sua mediocridade natural.
Seria fácil, para mim, ficar estupefacto com tais teorias e subvalorizar a lucidez analítica de tão notáveis teóricos. Não o faço, porém, e reconheço a minha insignificância, tal como o meu mais rigoroso e completo analfabetismo.
Resta-me, portanto, ficar estupefacto com a força do PC. Ele é comité Nobel, ele é Alvar Aalto, Pritzker e Universidade de Harvard, ele é o governo francês, nada escapa ao poder manipulador do PCP e à sua capacidade de imposição de Medíocres.
E como Siza consabidamente não os merece, só posso enviar daqui, publicamente, os meus parabéns ao PCP.
O azulejo Andalus
A arquitectura do Al-Andalus era profusamente decorada, seja em trabalhos de madeira talhada e pintada, de ferro forjado, de ornamentos em estuques ou de painéis de azulejo.
O azulejo Andalus foi a base para a azulejaria medieval e moderna, e absorveu muito dos painéis de tecelas romanos.
O seu fabrico ainda hoje subsiste em Marrocos.
A técnica utilizada é a do azulejo “alicatado”, assim chamado pelo facto de utilizar fragmentos de cerâmica vidrada, com combinações de distintas formas e cores, que posteriormente são agregados em painéis, através de uma massa à base de cal e areia fina ou gesso, processo chamado de “embrechamento”.
Esta técnica exige uma grande perícia ao nível do corte dos azulejos e mestria ao nível da disposição das peças para a composição dos painéis, já que as mesmas são dispostas com a face vidrada para baixo, não permitindo visualizar o resultado final.
O programa de governo e a habitação, rendas e urbanismo: algumas questões
Uma “casa portuguesa” na exclusiva zona lisboeta da Lapa
Tudo o que se tem dito acerca deste assunto, pertence ao domínio do óbvio e ao longo de muitos anos, as intenções ficaram-se pelo enunciado. Pretende-se um melhor funcionamento do mercado de arrendamento e para isso são apontadas algumas necessidades, como:
1. Dinamização do sector imobiliário. Esperemos que isto não signifique a continuação da desastrosa política de construção que tem desertificado os centros urbanos e levado a população a estabelecer-se nas caóticas periferias. Tem sido este o “dinamismo” do sector imobiliário nacional, aliás em clara convivência com os interesses da partidocracia na sua definição mais ampla (bancos e sociedades anexas, entidades municipais, “obras públicas”, etc).
2. A mobilidade das pessoas. Um princípio baseado em exemplos exteriores e que poderá ser exequível se existir trabalho e as necessárias infraestruturas que garantam às famílias, as condições que permitam o seu desenraizamento. É uma intenção de bastante duvidosa concretização. [Ler mais ...]
Salvem a Casbah de Tânger!
A Casbah de Tânger, ou castelo daquela cidade, património de inegável valor arquitectónico, encontra-se em risco de derrocada.
Integra-se na cintura de muralhas construída pelos portugueses durante os quase 200 anos em que aí permaneceram, e resulta da reconstrução da antiga cerca que já existia desde o século XII.
A Casbah foi implantada no ponto mais alto da cidade, em situação sobranceira em relação à Medina, desfrutando de uma vista panorâmica sobre o Estreito de Gibraltar.
A falta de conservação do imóvel, aliada à instabilidade do talude em que assenta, é um factor determinante para a situação crítica a que chegou.
Escadas até ao céu
As obras arquitectónicas, aquelas criadas com a intenção de perpetuarem o regime que as ergueram, sofrem dos inevitáveis debates por quem nelas vê tempos a olvidar. No entanto, com o decorrer da gerações, as gentes vão-se habituando e adoptam-nas como património. É este, o destino reservado às escadarias da Universidade de Coimbra. Goste-se ou não se goste do estilo ou da mensagem. Foram construídas e para sempre alteraram a malha urbana da cidade dos estudantes.
Escadas destas existem na Alemanha, Rússia, no monumento a Vítor Manuel II - em Roma -, em quase todas as capitais do leste europeu, em Pequim e Piong-Iang. Com o fito de glorificarem os poderes então instituídos, ergueram-se também na Mesopotâmia, Antigo Egipto e América Central. Têm vários tipos de mensagem, desde a vitória sobre as dificuldades topográficas, até a interpretações mais etéreas, aproximando os homens do topo, podendo este ser terreno ou celestial.
Em alguns casos, as escadas conduzem-nos a um espaço onde prepondera a figura de um Grande Chefe, chame-se ele Mao, Lenine, Kim il Sung ou Estaline. No caso coimbrão, trata-se da Universidade mais antiga do país e quando da construção do conjunto monumental, pretendeu-se marcar a posição e o activismo construtor da 2ª República e de Salazar. Nada de espantoso, pois em Paris fez-se o mesmo no Trocadero, obedecendo aos mesmos requisitos arquitectónicos que aproximavam regimes liberais como a 3ª República francesa, a Itália de Mussolini, a Rússia soviética, a Alemanha nacional-socialista ou os Estados Unidos da América. [Ler mais ...]
A besta acordou, escusava de ser em Coimbra
O que esta fotografia mostra a um conimbricense nada diz. O mamarracho chamado Escadas Monumentais pintado é coisa que felizmente vemos desde 1975, por regra feito pelo PCP, que na altura ocupou o espaço e tacitamente os restantes partidos e áreas políticas deixaram ficar.
Digo felizmente porque falamos de uma aberração arquitectónica e urbanística. Trabalho de Cottinelli Telmo, só mostra como aberrante foi a destruição patrimonial da Alta de Coimbra para dar lugar à Cidade Universitária, ícone da arquitectura fascista em Portugal, e para nós símbolo de como se tiram uma belas e funcionais escadas para se construir um verdadeiro suplício. [Ler mais ...]























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