Porto, o Melhor Destino Europeu 2012:

A cidade do Porto foi escolhida como “Melhor Destino Europeu 2012” por mais de 212 mil votantes. A escolha das 20 cidades a votos foi da responsabilidade de um júri da Associação de Consumidores Europeus. Confesso que não estou admirado. [Read more...]

Arquitectura de Terra

Mesquita de Bobodjulasso, no Burkina Faso

“O prazer intenso que as civilizações tradicionais têm em manipular o ornamento (…) traduz-se no génio criativo, artístico e decorativo das arquitecturas de terra: gravado nas paredes ou aplicado em relevo, tanto é abstracto, gestual, geométrico, simbólico ou figurativo”.

A arquitectura tradicional de terra é resultado do acumular de saberes milenares, em que o homem utiliza o material retirado da natureza e o aplica para construir os seus edifícios segundo técnicas que tiram partido das suas características e potencialidades.

Essas técnicas mudam de local para local, não só em termos construtivos, mas sobretudo estéticos, assumindo cada uma delas uma identidade geográfica própria, que relaciona a sociedade, o edificado e o meio ambiente, e une o homem, a construção e a natureza.

É na plasticidade do material que o homem exprime toda a sua criatividade.

 “Os métodos de utilização da terra permitem não dissociar a materialidade e a espiritualidade do acto de construir, pois este material permite a simultaneidade e a síntese das acções construtivas e artísticas. (…) É numa arquitectura escultural de terra crua que floresce a voluptuosidade dos arredondados, o erotismo e a sensualidade das formas.”

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Hoje também é dia mundial da árvore e da floresta

Tendo a sua beleza, e ironia, que o dia mundial da árvore e da floresta coincida com o dia mundial da poesia, aqui apenas vou focar o primeiro. A cada operação urbanística, a  que pomposamente se costuma chamar requalificação, é frequente haver árvores envolvidas e a sua envolvência consiste no abate. Parece existir um ódio às árvores. São cortadas, no seu lugar aparecem ruas e praças estéreis. Para disfarce plantam-se amostras de árvores que, apenas décadas passadas, terão igual força. Altura em que, naturalmente, serão requalificadas com um abate.

Foi este o tema que me trouxe para a bloga. Hoje, o ciclo repete-se.

one tree one swing one child

Souto Moura é a vergonha da Arquitectura portuguesa


Ao fazer um novo projecto para a Barragem do Tua, que em quase nada altera o projecto original, Souto Moura passa à História como um dos agentes da destruição do Vale do Tua e do Douro Património Mundial.
«De enorme qualidade», proclama, fremente de excitação, o presidente da EDP António Mexia. De «qualidade superior», carcareja o edil Artur Cascarejo de Alijó.
Afinal, onde está a pretensa genialidade de Moura? O enorme e disforme paredão continua por lá. A linha de alta tensão Tua – Armamar vai atravessar, com postes de mais de 60 metros de altura, dezenas de quilómetros do Douro Património Mundial. A linha férrea vai desaparecer. A paisagem única do Tua vai desaparecer. Genialidade aonde? Só se for na ponta do paredão.
O Regulamento de Deontologia da Ordem dos Arquitectos refere logo no Preâmbulo que o Arquitecto é «intérprete e servidor da cultura e da sociedade de que faz parte, devendo ter sempre presente que a arquitectura é uma profissão de interesse público.» Ora, Moura será intérprete e servidor, sim, mas da Cultura do dinheiro – aquele que a EDP lhe paga.
Passando ao lado da dignidade que todos os Arquitectos devem demonstrar na sua profissão, dignidade essa de que Souto faz tábua rasa, o artigo 3.º deste Regulamento é bem claro: «Orientar o exercício da sua profissão pelo respeito pela natureza, bem como pela atenção pelo edificado pré-existente, de modo a contribuir para melhorar ta qualidade do ambiente e do património edificado».
Parece-me que está tudo dito. Não é por ter ganho o Prémio Pritzer, por ter feito um estádio de futebol e por ter projectado apartamentos para ricos que Souto Moura vai ficar na história. Depois de deixar o seu nome indelevelmente ligado à destruição do Tua e do Douro Património Mundial, ficará na história, sim, como a vergonha da arquitectura portuguesa.

Capela de Santa Ana, Canedo, Santa Maria da Feira

Em Portugal continua a fazer-se boa arquitectura e muito para além do duo de famosos, Siza e Souto Moura.

Capela de Santa Ana, Canedo, Santa Maria da Feira

Capela de Santa Ana, Canedo, Santa Maria da Feira (Imagem http://www.archdaily.com)

Três espaços religiosos portugueses estão entre os candidatos ao Prémio ArchDaily 2011. E, dos três candidatos, destaco a Capela de Santa, que por ser mais perto é a única que conheço.

Resulta do trabalho do gabinete e|348, da Póva de Varzim e tem vindo a ser reconhecido como uma obra de excelência nos últimos tempos.

São poucas as palavras – até porque estou longe de ser um especialista em arquitectura – para descrever esta obra de arte. Deixo-vos a referência e as imagens dos três projetos. Aproveitem o fim-de-semana e conheçam-nos!

Ah! Faltava isto: votem!

Corsários da Barbária

Desde o declínio do Império Romano que os piratas Norte Africanos, conhecidos como piratas da Barbária, termo derivado da designação dada pelos romanos ao troço Ocidental da costa do Magrebe, atacavam navios mercantes e povoações costeiras mal defendidas, de forma indiferenciada, e buscando apenas o saque que daí obtinham.

A partir do século XII a actividade dos piratas da Barbária ganha outros contornos, já que passa a integrar-se no contexto da guerra entre muçulmanos e cristãos, com o início dos ataques aos navios que transportam os cruzados para a Palestina e ataques às próprias povoações costeiras que lhes dão apoio.

Esta alteração legitima a sua actividade perante as autoridades do Norte de Africa e os piratas passam a ser considerados como corsários.

As conquistas cristãs no século XIII no Al-Andalus e os êxodos de populações que se lhes seguiram, concretamente nos séculos XV e XVII, com a conquista do Reino de Granada, o estabelecimento da inquisição e a expulsão dos mouriscos, são a principal fonte de recrutamento para a actividade corsária ou corso.

De facto, a guerra aos cristãos levada a cabo pelos Andaluses acaba por se transferir para o mar, estabelecendo-se muitos dos expulsos em núcleos costeiros de Marrocos, que se tornam autênticos “ninhos” de corsários que atacam permanentemente os navios e as costas da Ibéria.

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EDP ou a “Casa Amarela”.

A EDP, que tenta ocultar o seu carácter empresarial feroz com a pele de um cordeiro filantropo, anda a pintar barragens de amarelo, sob o pretexto de Arte pública ou activo turístico. O Henrique Pereira dos Santos, consegue por-se na pele do lobo e chama-se a si próprio o conservador contraditório (eu chamaria a isso ser do contra, quando todos estão a favor e estar a favor quando todos estão contra). Eu acho que a EDP nos anda a roubar há tempo de mais. Com a agravante de pagar a alguém 150 mil euros (!) para gozar connosco em tom de amarelo. É como escrever num muro, em letras garrafais: ide-vos ****. Isto também pode ser considerado arte, pois as palavras também combinam bem com a natureza. Juízo! Até a população, que costuma usar a mesma paleta de cores que o Cabrita Reis nas fachadas das casas, acha a cor um asco. Uma habitante local chega mesmo a comparar o flagrante mau gosto com a bandeira nacional que podia lá ser colocada e tinha o mesmo efeito repelente. Não bastava a auto-estima deste país litoral estar em baixo, ainda vão ao interior atemorizar os pobres autóctones com a cor da loucura.

Avenidas Novas

Terceira área urbana de Portugal.

Guerra na praça Tahir e censura no Facebook

Confrontos violentos na praça  Tahir transmitidos em directo aqui:

http://occupy.elementfx.com/occupytv

Este endereço está bloqueado dentro do Facebook. Começou a outra internet, aquela onde os governos são senhores e a liberdade de expressão acabou.

Actualização: Como era de prever este artigo, na sua forma de publicação automática foi censurado pelos filtros do Facebook por conter a ligação maldita.

É muito fácil a um estado bloquear uma ligação no facebook, basta que umas centenas denunciem, neste caso um link, automaticamente bloqueado antes de ser revisto por um humano. O princípio do bloqueio contra ou a favor de um estado é intolerável.

Isto faz lembrar o ataque às Torres Gémeas?

Segundo familiares das vítimas parece que sim. Vai daí protestaram e os arquitectos foram obrigados a pedir desculpa aos ofendidos por um prédio a construir não em Manhattan, mas em Seul, na Coreia do sul.

torres gémeas

A estupidez não conhece fronteiras, nem formas, nem geografias. Eu, à minha maneira, também acho um Fiat 500 parecido com um Ferrari. Deve ser porque também tem rodas.

Cidades Globais:

No próximo dia 4 de Novembro, no Ipanema Park Hotel – Porto, Seminário Cidades Globais com os seguintes oradores/temas:

“Gestão Eficaz, um desafio em tempos de crise” com o Prof. Poças Martins, o Eng. João Carvalho Guerra e moderado pelo Dr. Nuno Camilo (10h15).

“Soluções para financiamentos – QREN, a última oportunidade” com o Eng. Carlos Duarte da CCDRN (12H00)

“Regiões Administrativas em Portugal e Espanha” com Dr. José Luís Carneiro e autarca espanhol a designar e moderado pelo Dr. Manuel Cabral (14h30)

“Comunicar as Cidades – os novos desafios da Era Digital”, Fernando Moreira de Sá (17h00)

“O Estado Social e o papel das Autarquias” com Dr. Marco António Costa, Sec. Estado da Segurança Social (17h45)

Mais informações e inscrições em www.cidadesglobais.com

Sacro egoísmo que urge

Uma notícia acerca da impossibilidade de colocação no mercado de milho produzido em Portugal, demonstra facilmente a completa desorganização que impera na nossa economia. No preciso momento em que os produtores nacionais entregam o resultado do seu labor e investimento, atraca um enorme navio carregado de milho importado do leste europeu. Os circuitos de distribuição encontram-se não se sabe bem em que mãos e assim se desperdiça uma oportunidade de poupança de divisas, prejudicando-se a solvência de mais uns tantos agricultores. O costume. Uns breves momentos de reflexão, fazem-nos facilmente concluir acerca da inevitabilidade do seguinte panorama num futuro bem próximo: [Read more...]

Braga 2012 – Saber explicar uma obra:

Terreiro do Paço, a veneziana S. Marcos em Lisboa

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Olhando para o Terreiro do Paço, com o seu amplo espaço e com as colunas a convidarem o olhar a pousar no rio, noto o quanto esta praça tem os mesmos ingredientes paisagístico-arquitectónicos da Praça de S.Marcos, em Veneza. Já o ambiente humano é completamente diferente, faltando ao deserto que é a  congénere lisboeta a vida que enche S. Marcos. Valham-nos as cíclicas manifs que a populam, ou poderíamos pensar que se destinava aos pombos aquela imensidão, na qual até se estoirou em abundância o escasso dinheiro para trocar a bela calçada portuguesa por uma vulgar lage de “terra” batida.

A má obra da Parque Escolar

O Tiago Mota Saraiva desmonta mais uma socretinice do Daniel Oliveira, agora defensor cego da Parque Escolar.

Acrescento que a Parque Escolar enquanto dona de obra demonstrou uma incompetência que chega a tocar as raias do ridículo. Dos pavilhões onde chove, e a culpa é do clima à ausência de estacionamento (não me venham com a conversinha dos professores usarem transportes públicos: a carta de condução e a propriedade de um veículo automóvel é hoje obrigatória na profissão, e chega a ter indirectamente força de lei) ao aumento do consumo energético:

Daniel Oliveira titulou seu artigo “As escolas públicas querem-se velhas e frias” com uma ironia que lhe acerta no pé.

Não se trata de mera incompetência: é dos livros que o dono da obra tem de conhecer muito bem o local onde se implanta e as funções a que se destina. Não é o caso da Parque Escolar e as direcções das escolas foram na maior parte dos casos completamente afastadas do seu planeamento e execução. Se é verdade que um bom arquitecto, ou engenheiro, se preocuparia com isso, nem sempre sucedeu. Como também é dos livros, a catástrofe está à vista, e como bem sabemos, é irreversível.

Baixa-Chiado quê?

O presidente do Metropolitano de Lisboa está contentíssimo com uma cambalhota toponímica parola e patega. Alguém se lembrou de rebaptizar a estação Baixa-Chiado e chamar-lhe PT Bluestation a troco, está bem de ver, de uns euritos. E como, hoje, onde há euros há tudo, nada mais importa.

Há milhões a ganhar na cidade de Lisboa, mesmo para lá do metro. A CML pode até rebaptizar lugares e monumentos. O Marquês de Pombal, por exemplo, pode passar a chamar-se Marquês de Borba Reserva Tinto, o Jardim Zoológico ganharia o nome de Twiskas World, o Campo das Cebolas podia, sem prejuízo algum, chamar-se Caldos Knorr, a Praça Camões passaria a MultiOpticas Serviços Opticos, o Jardim da Estrela soaria bem como Starbucks Coffee Company Garden, a Sé de Lisboa seria conhecida como Espírito Santo Ventures-SCR e a Mouraria tornar-se-ia Fly Emirates.

Isto seria apenas o princípio, depois viriam as ruas e avenidas: a Rua Duque de Palmela chamar-se-ia AutoEuropa Street, a Rua do Século promover-se-ia a Millenium BCP Street e até o Beco do Jasmim cheiraria melhor chamando-se Chanel Parfums & Fragrances.

É fácil, afinal, ser moderno e cosmopolita. Difícil, difícil, vai ser escolher o novo nome a dar à cidade de Lisboa. Alguém tem ideias?

Grandeza (ainda não) perdida

A propósito das imparáveis demolições de edifícios antigos nos centros urbanos portugueses, noutras paragens vão resistindo peças arquitectónicas de grande valor estético e que são também património nacional de dois povos. Neste caso, a foto documenta o hospital da Ilha de Moçambique, onde à pureza das linhas, podemos acrescentar uma certa grandeza evocadora de outras paragens. Lourenço Marques/Maputo, também tem sido poupada às demolições extensivas que são coisa corrente por cá, na sua antiga capital metropolitana. Sabendo que a falta de dinheiro e de “oportunidade de negócios” podem ser poderosos aliados da preservação de muito daquilo que os nossos antepassados construíram, a actual escassez de crédito representará (?) um feliz travão a tudo o que os “srs. Costas autárquicos” têm feito em Portugal.

Pouco a pouco dão cabo de tudo

Porque continua a destruição do património ambiental e colectivo, porque há erros que se pagam caro, porque queremos um país mais civilizado, porque há coisas que já nem deviam ser equacionadas, porque continua a sonegação do que pertence a todos a favor de poucos mas com interesses fortes, porque queremos um patamar de desenvolvimento mais inteligente, leia e, se concordar, assine esta petição.

A Estação de Porto São Bento Entre as Mais Belas

A estação de comboios de São Bento, no Porto, foi considerada uma das 14 mais belas do mundo pela revista norte-americana Travel+Leisure. Os painéis de azulejos azuis e brancos de Jorge Colaço, que enchem as paredes desta estação da Linha do Norte, colocaram o edifício na mesma lista de outras paragens ferroviárias como a neoclássica Gare du Nord, em Paris, ou Atocha, em Madrid.”

Parabéns a quem a sonhou…

 

 

Arte urbana portuguesa no top 10 do Guardian

Numa escolha de Tristan Manco o Guardian seleccionou 10 obras-primas da arte urbana. Contemplados o português Vhils (Alexandre Farto de seu nome) e um trabalho dos brasileiros Os Gémeos e do italiano Blu, realizado em Lisboa.

Uma boa nova para a arte urbana portuguesa, com a vantagem de colocar estas coisas em discussão. Por exemplo: António Sérgio Rosa de Carvalho cuspiu sobre a obra alfacinha (acima representada):

“Verdadeiro crime de Lesa-Património, esta intervenção “emite” em termos de Pedagogia o pior “sinal”possivel … (sic)

numa pretensa defesa dos prédios abandonados em que foi feita. Há gente que confunde arte com o-que-eu acho-que-é-arte. São os donos da obra. O prédio em causa era uma vulgaríssima construção novecentista, das que andam por aí aos pontapés. Agora é depositário de uma obra-prima da arte contemporânea mundial, que por sinal em termos de mercado vale muito mais que o prédio (em relação ao terreno, já não sei).  Esta gente é a mesma que apupou os impressionistas, os surrealistas, e o que mais quiserem: a História da Arte está cheia dos seus donozinhos, que a serem seguidos ainda nos mantinham ao nível da Vénus de Willendorf (com todo o respeito que tenho, e é muito, pela arte do Paleolítico). [Read more...]

A Lisboa de António Costa, de Manuel Salgado e de um tal Zé-qualquer-coisa

Durante umas horas na tarde de ontem, arrasaram aquilo que existiu durante um século. Foi tudo reduzido a pó, desde cantarias e lindíssimas grades, às varandas de outros tempos e portas em madeira de casquinha. Tudo para o entulho. É assim a Lisboa moderna desta “situação” no estertor que todos sentem sem o dizer. Antes de volatilizar-se, pratica a terra queimada, demolindo o tecido urbano, cavocando preciosos “terrenos” em praças, avenidas e ruas. Em nome das negociatas habituais, estacionamentos e do interesse do sector do betão que proporciona rendas e poleiros a uns corvos que ocasionalmente passam pelos gabinetes ministeriais, esmaga-se uma cidade inteira. Demoliram-se dois prédios em plena Praça Saldanha, hoje um local quase inóspito pela fealdade e baixa qualidade arquitectónica escandalosamente exibida por uma Câmara Municipal que não merece tal denominação.

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O Senhor do Atlas

A cordilheira do Alto Atlas marroquino é uma longa muralha com 700 quilómetros de extensão, que constitui uma fronteira entre Marrocos atlântico e sub-tropical, e Marrocos continental e desértico.

Os seus cumes mais altos ultrapassam ou aproximam-se dos 4.000 metros, como são exemplo o Jbel Toubkal no Alto Atlas Ocidental, com 4.167 metros, o Jbel M’Goun no Alto Atlas Central, com 4.068 metros ou o Jbel Ayachi no Alto Atlas Oriental, com 3.757 metros de altitude.

O Alto Atlas é um mundo de montanhas, rios, lagos, planaltos, vales férteis e gargantas escarpadas, habitado por tribos berberes desde tempos milenares, que conservam a sua identidade pela distância e isolamento.

Para além de fronteira geográfica, o Alto Atlas sempre foi uma fronteira política, que separou as regiões sedentárias governadas pelo poder central, o blad al-makhzen (ou país da lei), das regiões nómadas auto-governadas pelas tribos, o blad as-siba (ou país dissidente).

Foi a última região de Marrocos a ser dominada durante a conquista Islâmica e a última a ser pacificada pelo colonialismo francês.

Esta é a história de um homem chamado Thami El Glaoui, qadi ou chefe da tribo Glaoua, conhecido como o Senhor do Atlas, e do seu papel ao lado das forças coloniais francesas durante a ocupação e pacificação do Sul de Marrocos.

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Sobral de Monte Agraço já tem um parque infantil.

Odorico de Paraguaçu ou o modelo de um edil.

Não sei se recordam este chavão publicitário que passou na televisão durante a década de 1990. Ele é, ainda hoje, bem revelador da «mentalidade paroquial» e municipalista que grassa na sociedade portuguesa desde, pelo menos, o Liberalismo. Nessa altura, profundas modificações foram operadas na divisão administrativa do país e vários foram os municípios levados à extinção. Choveram cartas nas Cortes. As velhas elites que diziam falar pelo povo, clamavam que estavam ameaçadas as liberdades daquelas antigas e venerandas terrinhas. Estavam era ameaçados os tachos oligárquicos onde as velhas famílias comiam e que agora, rotos e vazios, lhes eram retirados.
Contudo, o liberalismo teve mão para por no lugar esses rincões do Antigo Regime, oferecendo lugares novos aos velhos e criando novos lugares para os novíssimos. Hoje, tal seria impossível. As oligarquias deixaram de ser consanguíneas e passaram a ser partidárias. O dinheiro comanda. Apenas se falou em reduzir o número de municípios o caciquismo local tremeu. Mais depressa caía outra vez o Carmo e a Trindade do que se acabavam com concelhos. Alguns presidentes, daqueles da velha guarda, mestres e doutorados em eleições, vieram dizer que nunca, que as liberdades das antigas e venerandas terras, etc, (os tachos), etc, bastiões, etc, desenvolvimento, etc, progresso, etc., NÃO & etc.
É óbvio que a III República jamais conseguiria acabar com um munícipio que fosse e virou-se para as freguesias. Como a maioria dos presidentes da junta não tem sequer o quarto ano de escolaridade, nem o mestrado em argúcia política como os edis municipais, é fácil manobrá-los. Os municípios rejubilaram. Menos juntas, menos dinheiro, menos patetas a quem pagar jantaradas para servir nas campanhas. [Read more...]

Tadelakt

Há centenas de anos que na região de Marraquexe se utiliza uma técnica de revestimento na construção, aplicada tanto em paredes, pavimentos e tectos, como em peças de mobiliário, como sejam banheiras, lavatórios, camas ou piscinas. Pelo facto de ser um revestimento impermeável, era inicialmente usado nas cisternas e nos hammam, ou banhos públicos, pensando-se que os Berberes já o utilizassem há cerca de 4.000 anos.

A sua grande qualidade estética, possibilidades plásticas, durabilidade e suavidade ao tacto, tornaram-no na imagem de marca dos interiores de Marraquexe, estando presente nos grandes hotéis e riads da Cidade, e fazendo a ponte entre o tradicional e o moderno.

Chama-se Tadelakt, designação que provém do Árabe “dlak”, que significa massajar ou amassar, dado que é uma argamassa tem de ser “apertada” para lhe ser retirado todo o ar existente no seu interior. O tadelakt é um reboco à base de cal da planície do Haouz, que utiliza o pó de mármore ou a areia fina como inerte, pigmentado, apertado à talocha, barrado com sabão diluído em água, polido com um seixo e, opcionalmente, finalizado com uma camada de cera.

É um revestimento da família dos nossos rebocos “estanhados”, “escaiolas” ou “queimados à colher”, que aliam o carácter estético e decorativo com a durabilidade e conforto do material.

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Por aqui se vê a força do PC

Nos últimos tempos têm surgido em alguns comentários teorias curiosas. Uma delas, que reúne bastantes adeptos, é a de que Saramago ou Siza Vieira não seriam o que são sem a força do PC. A teoria diz, mais ou menos, que se não fosse a força da máquina do PCP estes vultos jamais sairiam da penumbra, para sempre condenados à sua mediocridade natural.

Seria fácil, para mim, ficar estupefacto com tais teorias e subvalorizar a lucidez analítica de tão notáveis teóricos. Não o faço, porém, e reconheço a minha insignificância, tal como o meu mais rigoroso e completo analfabetismo.

Resta-me, portanto, ficar estupefacto com a força do PC. Ele é comité Nobel, ele é Alvar Aalto, Pritzker e Universidade de Harvard, ele é o governo francês, nada escapa ao poder manipulador do PCP e à sua capacidade de imposição de Medíocres.

E como Siza consabidamente não os merece, só posso enviar daqui, publicamente, os meus parabéns ao PCP.

O azulejo Andalus

A arquitectura do Al-Andalus era profusamente decorada, seja em trabalhos de madeira talhada e pintada, de ferro forjado, de ornamentos em estuques ou de painéis de azulejo.

O azulejo Andalus foi a base para a azulejaria medieval e moderna, e absorveu muito dos painéis de tecelas romanos.

O seu fabrico ainda hoje subsiste em Marrocos.

A técnica utilizada é a do azulejo “alicatado”, assim chamado pelo facto de utilizar fragmentos de cerâmica vidrada, com combinações de distintas formas e cores, que posteriormente são agregados em painéis, através de uma massa à base de cal e areia fina ou gesso, processo chamado de “embrechamento”.

Esta técnica exige uma grande perícia ao nível do corte dos azulejos e mestria ao nível da disposição das peças para a composição dos painéis, já que as mesmas são dispostas com a face vidrada para baixo, não permitindo visualizar o resultado final.

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O programa de governo e a habitação, rendas e urbanismo: algumas questões

Uma “casa portuguesa” na exclusiva zona lisboeta da Lapa

Tudo o que se tem dito acerca deste assunto, pertence ao domínio do óbvio e ao longo de muitos anos, as intenções ficaram-se pelo enunciado. Pretende-se um melhor funcionamento do mercado de arrendamento e para isso são apontadas algumas necessidades, como:

 1. Dinamização do sector imobiliário. Esperemos que isto não signifique a continuação da desastrosa política de construção que tem desertificado os centros urbanos e levado a população a estabelecer-se nas caóticas periferias. Tem sido este o “dinamismo” do sector imobiliário nacional, aliás em clara convivência com os interesses da partidocracia na sua definição mais ampla (bancos e sociedades anexas, entidades municipais, “obras públicas”, etc).

 2. A mobilidade das pessoas. Um princípio baseado em exemplos exteriores e que poderá ser exequível se existir trabalho e as necessárias infraestruturas que garantam às famílias, as condições que permitam o seu desenraizamento. É uma intenção de bastante duvidosa concretização. [Read more...]

Salvem a Casbah de Tânger!

A Casbah de Tânger, ou castelo daquela cidade, património de inegável valor arquitectónico, encontra-se em risco de derrocada.

Integra-se na cintura de muralhas construída pelos portugueses durante os quase 200 anos em que aí permaneceram, e resulta da reconstrução da antiga cerca que já existia desde o século XII.

A Casbah foi implantada no ponto mais alto da cidade, em situação sobranceira em relação à Medina, desfrutando de uma vista panorâmica sobre o Estreito de Gibraltar.

A falta de conservação do imóvel, aliada à instabilidade do talude em que assenta, é um factor determinante para a situação crítica a que chegou.

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Escadas até ao céu

As obras arquitectónicas, aquelas criadas com a intenção de perpetuarem o regime que as ergueram, sofrem  dos inevitáveis debates por quem nelas vê tempos a olvidar. No entanto, com o decorrer da gerações, as gentes vão-se habituando e adoptam-nas como património. É este, o destino reservado às escadarias da Universidade de Coimbra. Goste-se ou não se goste do estilo ou da mensagem. Foram construídas e para sempre alteraram a malha urbana da cidade dos estudantes.

Escadas destas existem na Alemanha, Rússia, no monumento a Vítor Manuel II - em Roma -, em quase todas as capitais do leste europeu, em Pequim e Piong-Iang. Com o fito de glorificarem os poderes então instituídos, ergueram-se também na Mesopotâmia, Antigo Egipto e América Central. Têm vários tipos de mensagem, desde a vitória sobre as dificuldades topográficas, até a interpretações mais etéreas, aproximando os homens do topo, podendo este ser terreno ou celestial.

Em alguns casos, as escadas conduzem-nos a um espaço onde prepondera a figura de um Grande Chefe, chame-se ele Mao, Lenine, Kim il Sung ou Estaline. No caso coimbrão, trata-se da Universidade mais antiga do país e quando da construção do conjunto monumental, pretendeu-se marcar a posição e o activismo construtor da 2ª República e de Salazar. Nada de espantoso, pois em Paris fez-se o mesmo no Trocadero, obedecendo aos mesmos requisitos arquitectónicos que aproximavam regimes liberais como a 3ª República francesa, a Itália de Mussolini, a Rússia soviética, a Alemanha nacional-socialista ou os Estados Unidos da América. [Read more...]

A besta acordou, escusava de ser em Coimbra

O que esta fotografia mostra a um conimbricense nada diz. O mamarracho chamado Escadas Monumentais pintado é coisa que felizmente vemos desde 1975, por regra feito pelo PCP, que na altura ocupou o espaço e tacitamente os restantes partidos e áreas políticas deixaram ficar.

Digo felizmente porque falamos de uma aberração arquitectónica e urbanística. Trabalho de Cottinelli Telmo, só mostra como aberrante foi a destruição patrimonial da Alta de Coimbra para dar lugar à Cidade Universitária, ícone da arquitectura fascista em Portugal, e para nós símbolo de como se tiram uma belas e funcionais escadas para se construir um verdadeiro suplício. [Read more...]

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