Apropriação, descontextualização e subversão de Fernando Campos.
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
É fabuloso ver os jovens a expressarem-se desta forma, simplesmente lindo, reparem no respeito pelo outro. Não imagino quantos génios sairão desta escola tão fabulosa. Temos de proteger e estimular estes jovens. </sarcasmo>
A artista Joana Vasconcelos é a primeira mulher a expor no palácio de Versalhes!!
Em véspera do jogo Portugal-República Checa, passa despercebida esta vitória portuguesa! E ainda para mais, a de uma mulher!
Joana não é apenas a primeira, mas “a mais jovem artista contemporânea a ter o privilégio de se apresentar em Versalhes”, leio no DN do dia 18.
“As mulheres e a condição da mulher estão no centro do trabalho” desta artista que será a representante oficial na Bienal de Veneza em 2013!
Leva Portugal para Versalhes, leva mais que 11: a ouriversaria do Minho, o fado de Amália, as tapeçarias de Portalegre, crochet do Pico, as cerâmicas de Rafael Bordalo Pinheiro, a escrita de Valter Hugo Mãe, as fotografias do pai, o design de Henrique Cayatte, a cozinha portuguesa e a louça da Vista Alegre.
Parabéns Joana. Uma salva de palmas para si, que é portuguesa da cabeça aos pés!!
Penso neste assunto muitas vezes…
Hoje, ao ler o DN de 7 de junho, que andava perdido no balcão da receção da minha escola, uma notícia de última página chamou-me à atenção: a filha do tão conhecido arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer morreu na passada quarta-feira, aos 82 anos. O seu pai já vai com 104 e, no mês passado, esteve internado 15 dias no hospital. Estava ansioso por voltar a trabalhar!
Este homem tem mais de um século de vida. Não é comum alguém atingir a sua idade. Viu morrer muitos amigos e muitas pessoas de família. Está mais só. Muito mais só agora, sem a filha, a única. Saberá Niemeyer enfrentar duma forma mais sábia a morte dum filho? Será para ele a morte algo mais «natural» que para o resto dos mortais?
O trabalho poderá ser a sua grande companhia.
Lamento imenso a morte de Anna Maria.
(Lamento imenso a morte dos filhos de quem quer que seja ainda vivo).
Espero que a criação de Niemeyer não termine por aqui…
Fui até à Biblioteca Municipal da minha cidade, na esperança de encontrar um livro de ou sobre o autor de teatro e trovas medieval, Anrique da Mota, nascido no século XV e com quem Gil Vicente colaborou. Qual não foi o meu espanto que consegui: um livrinho de 120 páginas numa edição de Osório Mateus (um nome que me era completamente estranho).
Escrevo este post pelo seguinte: pela «Nota Prévia» redigida em 1999 pelos seus organizadores, José Camões e Helena Silva: “Em 1996, quando morreu, Osório Mateus [1940-1996] preparava a edição das Obras de Anrique da Mota destinada a integrar esta coleção”. [Ler mais ...]
Celebra-se hoje, pela primeira vez, o Dia Internacional do Jazz, uma proposta bem sucedida do músico e compositor, Herbie Hancock, considerado um dos mestres do Jazz.
A Unesco defende que o Jazz é uma expressão musical que “pode derrubar barreiras e simboliza a paz e a unidade”. (A música em geral).
Na Música, não há passado nem presente. No Jazz, podemos assistir ao encontro harmonioso entre J.S. Bach (1685-1750), J. Loussier e Bobby Mcferrin:
O fotógrafo Bob Carey tem em curso um projecto para angariação de fundos a favor da luta contra o cancro. A mulher dele gosta das fotos e padece de um cancro da mama desde 2006.
Indignai-vos!, uma palavra escrita sobre fundo vermelho na capa do livro de Stéphane Hessel (1917). Um livro publicado em 2011 e que andou nas «mãos dos cidadãos mais indiferenciados» em todos os locais públicos em França.
Deve ter muito para dizer um homem que conheceu praticamente todo o século XX, que privou com Sartre, que se juntou a De Gaulle, que recebeu a influência de Walter Benjamin, Marcel Duchamp ou Picasso, e que ainda redigiu, com poucos, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, adoptada pela ONU em 1948.
O Fast Forward é já neste fim de semana e é organizado pelos novos da Velha.
Há, pelo menos, duas razões para gostar desta fotografia: a da esquerda e a da direita.
A minha mania dos recortes de jornal (mais um).
Luis Jiminez (1940-2006) junto da escultura que o vitimou. No Público (16-6-2006) escrevia-se “trabalhava há quase dez anos na obra que viria acidentalmente a provocar-lhe a morte”.
A escultura e a política não têm nada a ver uma com a outra, pois não?… Pois eu acho que devia! O político é o artista da obra efémera. Começa, mas não acaba. A obra que produz tem curta duração e pouca ou nenhuma utilidade. O político tem projectos megalómanos como aquele cavalo para um homem só, mas Luis tencionava acabá-lo. [Ler mais ...]
O fotógrafo francês Robert Doisneau nasceu há cem anos.
Para assinalar a efeméride, temos novidades (preciosa informação de Francisco Belard, a quem agradeço) e vale a pena dar um demorado passeio por aqui.
A obra-prima, evidentemente, dispensa apresentações.
1950 © Robert Doisneau
Mesquita de Bobodjulasso, no Burkina Faso
“O prazer intenso que as civilizações tradicionais têm em manipular o ornamento (…) traduz-se no génio criativo, artístico e decorativo das arquitecturas de terra: gravado nas paredes ou aplicado em relevo, tanto é abstracto, gestual, geométrico, simbólico ou figurativo”.
A arquitectura tradicional de terra é resultado do acumular de saberes milenares, em que o homem utiliza o material retirado da natureza e o aplica para construir os seus edifícios segundo técnicas que tiram partido das suas características e potencialidades.
Essas técnicas mudam de local para local, não só em termos construtivos, mas sobretudo estéticos, assumindo cada uma delas uma identidade geográfica própria, que relaciona a sociedade, o edificado e o meio ambiente, e une o homem, a construção e a natureza.
É na plasticidade do material que o homem exprime toda a sua criatividade.
“Os métodos de utilização da terra permitem não dissociar a materialidade e a espiritualidade do acto de construir, pois este material permite a simultaneidade e a síntese das acções construtivas e artísticas. (…) É numa arquitectura escultural de terra crua que floresce a voluptuosidade dos arredondados, o erotismo e a sensualidade das formas.”
O Conjunto de Mário Simões é hoje em dia recordado com venerável afecto, mais do que fazia supor há uns bons anos atrás. Como outras bandas dessa época, Mário Simões fica para a história da música ligeira portuguesa como um grande impulsionador e divulgador da boa música dita dançável ou como é catalogada hoje em dia (Easy Listening Português).
Seria ainda conhecido pela colaboração com Amália Rodrigues, por ter sido escolhido, pelo Maestro Ferrer Trindade e pelo letrista Frederico de Brito, para fazer a primeira gravação da música Canção do Mar (apresentamos aqui o tema original extraído de um disco de 78 rpm), popularizada anos mais tarde pelo Trio Odemira, Amália Rodrigues e Dulce Pontes, pelo lançamento de um jovem talento do fado chamado Carlos do Carmo e por, em 1965, ter feito parte, do júri técnico que avaliou a final do primeiro concurso de Yé Yé, no Teatro Monumental em Lisboa.
Espero que gostem.
Foto de Mauro Pinto
A afirmação de Rosangela Rennó
“Não é preciso fotografar mais, já há muitas imagens no mundo.”
é, como todas as afirmações hiperbólicas e generalistas, simultâneamente redutora e excessiva, mas constitui um bom ponto de partida para uma aproximação à(s) atitude(s) de alguns fotógrafos contemporâneos.
O BESPhoto deixou o ano passado de ser o maior prémio de fotografia português para fotógrafos portugueses, passando a ser o maior prémio de fotografia atribuído em Portugal a fotógrafos de língua portuguesa. Veja uma curta panorâmica sobre a edição deste ano.
Hoje ouvi - na boa companhia dos meus alunos estudantes de Teatro - um poema de Bertolt Brecht. Fizemos o exercício de apontar o verso ou as palavras mais marcantes para cada um de nós:
”uma testa sem rugas é sinal de indiferença (…)
que tempos são esses onde falar de flores é quase um crime (…)
nada do que faço me dá direito de comer quando tenho fome (…)
deitei-me entre os assassinos (…)
fiz amor sem muita atenção (…) [a que melhor gravaram na memória!]
assim se passou o tempo que me foi dado viver (…)
não pudemos ser bons amigos (…)”
Ficam aqui alguns dos versos. Vale a pena ouvir tudo: «Aos que virão depois de nós».
Moebius Redux: A Life in Pictures de André Oliveira.

A banda desenhada foi, desde sempre, a par do comboio, um dos meus meios de transporte preferidos. Depois de um estágio na Disney, com a leitura dos Patinhas, em edição brasileira (perfeitamente legível, imagine-se), passei para a escola franco-belga, com o pequeno repórter Tintim e o ainda mais pequeno gaulês Astérix. A pulsão coleccionadora da revista Tintim proporcionou-me, ainda, o conhecimento de outros heróis e de outras escolas.
Habituado ao traço de Hergé ou de E. P. Jacobs, comecei por estranhar Corto Maltese e Blueberry, que, depois do estranhamento, se entranharam. Blueberry ainda por cima, fez parte de uma outra aprendizagem: a de que os índios eram seres humanos e a de que os brancos podiam ser desumanos.
Mais tarde, primeiro através de textos de divulgação publicados na própria revista Tintim e, depois, através da compra milionária de álbuns e revistas estrangeiros, tive ocasião de estranhar outros desenhos e outros heróis. Na revista Métal Hurlant, apareciam mundos desconhecidos, desfigurações espectaculares do traço franco-belga. Um dos autores assinava com o nome de Moebius e criava universos absurdos através de um traço absolutamente límpido.
Pouco tempo depois, descobri que Moebius era, afinal, uma espécie de heterónimo de Giraud, o autor de Blueberry. Sendo um homem das imagens, soube que teve, ainda, passagens pelo cinema e pelos jogos.
Hoje, morreu o cidadão Jean Giraud, criador dos autores Giraud e Moebius. É um bom dia para revisitar o tenente Blueberry e Jerry Cornelius.
Não ficaria bem comigo mesma, se, no dia da Mulher, não escrevesse uma única linha aqui no Aventar!
Ao pensar neste post, lembrei-me das mulheres que foram «primeiras»…
Artemisia (séc. XVII), a primeira mulher pintora a tornar-se membro da Academia de Arte do Desenho em Florença, de Hildegard de Bingen (séc. XII) a primeira compositora que se conhece e Francesca Caccini (séc. XVII) que escreveu a primeira ópera no feminino, Aphra Behn (séc. XVII), a primeira a viver só da escrita e Concépcion Pardo Bazan (séc. XIX), a primeira espanhola a estudar numa universidade.
Não me esqueci das portuguesas. Recordo apenas duas nascidas, curiosamente, no mesmo ano e ambas médicas e feministas: Carolina B. Ângelo (1871-1911), que não morreu sem antes dizer-se a primeira portuguesa a votar (1911) e Domitila de Carvalho (1871-1966) que dá nome a uma rua da minha cidade (Santa Maria da Feira). Domitila, a primeira a frequentar a Universidade de Coimbra e uma das 3 primeiras deputadas eleitas em Portugal! O que terá dito Domitila e as outras duas mulheres em voz alta, perante tantos homens? Vou procurar saber!!
Mas há tantas outras, maravilhosas, como cada uma de nós, simples mortais!!
Acrescentem nomes a esta pequena lista!
As exposições ARTUR – na Casa da Esquina, em Coimbra, até 16 de Março – e ROOTS – na Influx Contemporary Art, em Lisboa, até 17 de Março- ambas resultantes de residências artísticas promovidas pelo LAC - Laboratório de Actividades Criativas na cidade de Lagos, entram agora na recta final de abertura ao público. Faltam poucos dias, [Ler mais ...]

Inaugura amanhã, 3 de Fevereiro, a exposição de arte urbana ARTUR, pelas 21.30h, na Casa da Esquina em Coimbra.
Entre Maio e Junho de 2011 decorreu na cidade de Lagos uma residência artística de street art e arte urbana que reuniu nomes destacados da cena nacional e internacional nas instalações de uma antiga cadeia, a sede do Laboratório de Actividades Criativas – LAC.
Dessa residência resultaram trabalhos em muros de rua (entre eles uma das melhores cinco paredes em Portugal de 2011 segundo o jornal Público) e uma exposição que, após ter estado patente em Lagos, se apresenta agora em Coimbra, adaptada ao espaço da Casa da Esquina.
Trata-se de uma oportunidade única para ver obras de Alexandros Vasmoulakis (Grécia), Antonio Bokel (Brasil), ±MAISMENOS±, Paulo Arraiano, Fidel Évora e Jorge Pereira (Portugal). ±MAISMENOS± e Jorge Pereira, presentes na inauguração, apresentam algumas obras inéditas nesta mostra.
De 3 de Fevereiro a 16 de Março de 2012, de 3ª a 6ª entre as 15 e as 18h. Entrada grátis, oferta de catálogo durante a inauguração.
Ao longo de uns bons anos fui recuperando a minha discoteca em vinil no formato mp3. Estavam riscados, muito uso, e nem agulha tenho no prato há bastante tempo.
Ia comprar os cd’s? isso é que era lindo. Já paguei o que era devido aos autores, quando adquiri os LP´s. As editoras quero que desapareçam do mapa, já faltou mais para comprar directamente ao produtor como gostaria de fazer com o vinho e as batatas, infelizmente não digitalizáveis.
Paguei o devido a quem cantou, tocou, escreveu? duvido, as editoras sempre ficaram com a parte de leão. Esta proposta ainda aceito discutir: “no preço de cada CD ou livro vendido, incluam uma percentagem para permitir a cópia privada dessa obra de autor.” Mas com reticências, porque carga d’água tenho de pagar para copiar o que comprei? e se não copiar, também pago?
Uma discussão bizantina. No mundo digital mais tarde ou mais cedo não haverá direitos de autor tal como ainda os concebemos. Não é uma opinião: é inevitável. Não perceber isto é tão tolo como discutir DRM’s, falando em “limitações técnicas“: algum DRM resistiu mais de um mês a ser crakado?
Nem tudo corre mal nas áreas da cultura e o LAC, Laboratório de Actividades Criativas, em Lagos, tem consolidado um trabalho iniciado há alguns anos que vem ganhando visibilidade aumentada, mostrando que as centralidades culturais podem afirmar-se também fora das grandes cidades e que as periferias não estão necessariamente condenadas a viver à margem dos processos criativos contemporâneos.
Funcionando numa antiga cadeia reconvertida para o efeito e sendo um projecto essencialmente associativo, o LAC começou por disponibizar espaços de trabalho a músicos e artistas locais, tendo vindo posteriormente a criar e dinamizar eventos de vária ordem e em diversas áreas artisticas. Consolidadas estas vertentes, o LAC lançou um Programa de Residências Artisticas (PRALAC) do qual se destacam dois projectos internacionais de elevada qualidade: o ARTUR e o ROOTS.
É precisamente destes dois projectos que surgem as primeiras boas notícias de 2012.
No campo da street art, a revista P3 elegeu as cinco melhores paredes de 2011, [Ler mais ...]
Em memória de Ray Manzarek. Concerto completo.
Sim, há aqueles padres que gostam muito de criancinhas e assim. Mas tirando isso, o que é percebem do assunto?
Para começar, fez questão de conhecer pessoalmente a mulher de Bruno de Carvalho.
Paulo Portas visitou o túmulo de Chavez. Aguarda-se uma manifestação de protesto, caturra, dos seus eleitores.
Olha se a Maria Teixeira Alves sabe…
Não parece, mas este é um assunto deveras importante.
A moça defende o Pinochet. O jornal onde trabalha terá alguém apologista do Estaline na redacção?
«Não me incomoda de maneira nenhuma, é um direito que tenho e que me assiste em função do tempo que dediquei à causa pública» CM
‘recessão’ escreve-se com dois esses: r-e-c-e-s-s-ã-o. Exactamente: -essão.
Sim, o Sporting, o Royal Sporting Club Anderlecht. Daqui a pouco, será o Benfica. Força, Paços!
«CDS aceita “excepcionalmente” taxa de sustentabilidade sobre pensões». Começa a ser um hábito. A missa dominical, o sermão socratiano, a liturgia marceliana e os Conselhos de Estado aos domingos.
«Seguro diz que o Governo nem para cair é competente». Que tome notas para mais tarde rever.
Alguns dos blogues mais citados são os que menos gostam de citar os outros. Pedro Correia.
Esta lei tem de ser agora promulgada pelo Presidente da República, que se espera volte a ser iluminado por Nossa Senhora de Fátima e chumbe esta lei
Ámen.
Esta gente não se limita a destruir-nos financeiramente, quer também a nossa alma. E a alma de qualquer sociedade é a Família.
… foi ontem. O de hóquei em patins pode ser hoje?! Só dependemos de nós!
Os golos de Joana Santos (17m) e de Sara Ferraz (47m) não chegaram para vencer as gibraltinas.
A vida sexual da corta-fiteira deve ser com pessoas heterossexuais sem sexo.
Diz que o Videla foi ter com a Thatcher. Mais vale tarde do que nunca.
Um golo de Ricardo Silva aos 24 minutos não foi suficiente contra os suíços do Partille.
Comentários recentes