
(c) Agim Sulaj (mais)
Este e mais no World Press Cartoon Sintra, até 30 de Julho.
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
Fui até à Biblioteca Municipal da minha cidade, na esperança de encontrar um livro de ou sobre o autor de teatro e trovas medieval, Anrique da Mota, nascido no século XV e com quem Gil Vicente colaborou. Qual não foi o meu espanto que consegui: um livrinho de 120 páginas numa edição de Osório Mateus (um nome que me era completamente estranho).
Escrevo este post pelo seguinte: pela «Nota Prévia» redigida em 1999 pelos seus organizadores, José Camões e Helena Silva: “Em 1996, quando morreu, Osório Mateus [1940-1996] preparava a edição das Obras de Anrique da Mota destinada a integrar esta coleção”. [Ler mais ...]
Celebra-se hoje, pela primeira vez, o Dia Internacional do Jazz, uma proposta bem sucedida do músico e compositor, Herbie Hancock, considerado um dos mestres do Jazz.
A Unesco defende que o Jazz é uma expressão musical que “pode derrubar barreiras e simboliza a paz e a unidade”. (A música em geral).
Na Música, não há passado nem presente. No Jazz, podemos assistir ao encontro harmonioso entre J.S. Bach (1685-1750), J. Loussier e Bobby Mcferrin:
O fotógrafo Bob Carey tem em curso um projecto para angariação de fundos a favor da luta contra o cancro. A mulher dele gosta das fotos e padece de um cancro da mama desde 2006.
Indignai-vos!, uma palavra escrita sobre fundo vermelho na capa do livro de Stéphane Hessel (1917). Um livro publicado em 2011 e que andou nas «mãos dos cidadãos mais indiferenciados» em todos os locais públicos em França.
Deve ter muito para dizer um homem que conheceu praticamente todo o século XX, que privou com Sartre, que se juntou a De Gaulle, que recebeu a influência de Walter Benjamin, Marcel Duchamp ou Picasso, e que ainda redigiu, com poucos, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, adoptada pela ONU em 1948.
O Fast Forward é já neste fim de semana e é organizado pelos novos da Velha.
Há, pelo menos, duas razões para gostar desta fotografia: a da esquerda e a da direita.
A minha mania dos recortes de jornal (mais um).
Luis Jiminez (1940-2006) junto da escultura que o vitimou. No Público (16-6-2006) escrevia-se “trabalhava há quase dez anos na obra que viria acidentalmente a provocar-lhe a morte”.
A escultura e a política não têm nada a ver uma com a outra, pois não?… Pois eu acho que devia! O político é o artista da obra efémera. Começa, mas não acaba. A obra que produz tem curta duração e pouca ou nenhuma utilidade. O político tem projectos megalómanos como aquele cavalo para um homem só, mas Luis tencionava acabá-lo. [Ler mais ...]
O fotógrafo francês Robert Doisneau nasceu há cem anos.
Para assinalar a efeméride, temos novidades (preciosa informação de Francisco Belard, a quem agradeço) e vale a pena dar um demorado passeio por aqui.
A obra-prima, evidentemente, dispensa apresentações.
1950 © Robert Doisneau
Mesquita de Bobodjulasso, no Burkina Faso
“O prazer intenso que as civilizações tradicionais têm em manipular o ornamento (…) traduz-se no génio criativo, artístico e decorativo das arquitecturas de terra: gravado nas paredes ou aplicado em relevo, tanto é abstracto, gestual, geométrico, simbólico ou figurativo”.
A arquitectura tradicional de terra é resultado do acumular de saberes milenares, em que o homem utiliza o material retirado da natureza e o aplica para construir os seus edifícios segundo técnicas que tiram partido das suas características e potencialidades.
Essas técnicas mudam de local para local, não só em termos construtivos, mas sobretudo estéticos, assumindo cada uma delas uma identidade geográfica própria, que relaciona a sociedade, o edificado e o meio ambiente, e une o homem, a construção e a natureza.
É na plasticidade do material que o homem exprime toda a sua criatividade.
“Os métodos de utilização da terra permitem não dissociar a materialidade e a espiritualidade do acto de construir, pois este material permite a simultaneidade e a síntese das acções construtivas e artísticas. (…) É numa arquitectura escultural de terra crua que floresce a voluptuosidade dos arredondados, o erotismo e a sensualidade das formas.”
O Conjunto de Mário Simões é hoje em dia recordado com venerável afecto, mais do que fazia supor há uns bons anos atrás. Como outras bandas dessa época, Mário Simões fica para a história da música ligeira portuguesa como um grande impulsionador e divulgador da boa música dita dançável ou como é catalogada hoje em dia (Easy Listening Português).
Seria ainda conhecido pela colaboração com Amália Rodrigues, por ter sido escolhido, pelo Maestro Ferrer Trindade e pelo letrista Frederico de Brito, para fazer a primeira gravação da música Canção do Mar (apresentamos aqui o tema original extraído de um disco de 78 rpm), popularizada anos mais tarde pelo Trio Odemira, Amália Rodrigues e Dulce Pontes, pelo lançamento de um jovem talento do fado chamado Carlos do Carmo e por, em 1965, ter feito parte, do júri técnico que avaliou a final do primeiro concurso de Yé Yé, no Teatro Monumental em Lisboa.
Espero que gostem.
Foto de Mauro Pinto
A afirmação de Rosangela Rennó
“Não é preciso fotografar mais, já há muitas imagens no mundo.”
é, como todas as afirmações hiperbólicas e generalistas, simultâneamente redutora e excessiva, mas constitui um bom ponto de partida para uma aproximação à(s) atitude(s) de alguns fotógrafos contemporâneos.
O BESPhoto deixou o ano passado de ser o maior prémio de fotografia português para fotógrafos portugueses, passando a ser o maior prémio de fotografia atribuído em Portugal a fotógrafos de língua portuguesa. Veja uma curta panorâmica sobre a edição deste ano.
Hoje ouvi - na boa companhia dos meus alunos estudantes de Teatro - um poema de Bertolt Brecht. Fizemos o exercício de apontar o verso ou as palavras mais marcantes para cada um de nós:
”uma testa sem rugas é sinal de indiferença (…)
que tempos são esses onde falar de flores é quase um crime (…)
nada do que faço me dá direito de comer quando tenho fome (…)
deitei-me entre os assassinos (…)
fiz amor sem muita atenção (…) [a que melhor gravaram na memória!]
assim se passou o tempo que me foi dado viver (…)
não pudemos ser bons amigos (…)”
Ficam aqui alguns dos versos. Vale a pena ouvir tudo: «Aos que virão depois de nós».
Moebius Redux: A Life in Pictures de André Oliveira.

A banda desenhada foi, desde sempre, a par do comboio, um dos meus meios de transporte preferidos. Depois de um estágio na Disney, com a leitura dos Patinhas, em edição brasileira (perfeitamente legível, imagine-se), passei para a escola franco-belga, com o pequeno repórter Tintim e o ainda mais pequeno gaulês Astérix. A pulsão coleccionadora da revista Tintim proporcionou-me, ainda, o conhecimento de outros heróis e de outras escolas.
Habituado ao traço de Hergé ou de E. P. Jacobs, comecei por estranhar Corto Maltese e Blueberry, que, depois do estranhamento, se entranharam. Blueberry ainda por cima, fez parte de uma outra aprendizagem: a de que os índios eram seres humanos e a de que os brancos podiam ser desumanos.
Mais tarde, primeiro através de textos de divulgação publicados na própria revista Tintim e, depois, através da compra milionária de álbuns e revistas estrangeiros, tive ocasião de estranhar outros desenhos e outros heróis. Na revista Métal Hurlant, apareciam mundos desconhecidos, desfigurações espectaculares do traço franco-belga. Um dos autores assinava com o nome de Moebius e criava universos absurdos através de um traço absolutamente límpido.
Pouco tempo depois, descobri que Moebius era, afinal, uma espécie de heterónimo de Giraud, o autor de Blueberry. Sendo um homem das imagens, soube que teve, ainda, passagens pelo cinema e pelos jogos.
Hoje, morreu o cidadão Jean Giraud, criador dos autores Giraud e Moebius. É um bom dia para revisitar o tenente Blueberry e Jerry Cornelius.
Não ficaria bem comigo mesma, se, no dia da Mulher, não escrevesse uma única linha aqui no Aventar!
Ao pensar neste post, lembrei-me das mulheres que foram «primeiras»…
Artemisia (séc. XVII), a primeira mulher pintora a tornar-se membro da Academia de Arte do Desenho em Florença, de Hildegard de Bingen (séc. XII) a primeira compositora que se conhece e Francesca Caccini (séc. XVII) que escreveu a primeira ópera no feminino, Aphra Behn (séc. XVII), a primeira a viver só da escrita e Concépcion Pardo Bazan (séc. XIX), a primeira espanhola a estudar numa universidade.
Não me esqueci das portuguesas. Recordo apenas duas nascidas, curiosamente, no mesmo ano e ambas médicas e feministas: Carolina B. Ângelo (1871-1911), que não morreu sem antes dizer-se a primeira portuguesa a votar (1911) e Domitila de Carvalho (1871-1966) que dá nome a uma rua da minha cidade (Santa Maria da Feira). Domitila, a primeira a frequentar a Universidade de Coimbra e uma das 3 primeiras deputadas eleitas em Portugal! O que terá dito Domitila e as outras duas mulheres em voz alta, perante tantos homens? Vou procurar saber!!
Mas há tantas outras, maravilhosas, como cada uma de nós, simples mortais!!
Acrescentem nomes a esta pequena lista!
As exposições ARTUR – na Casa da Esquina, em Coimbra, até 16 de Março – e ROOTS – na Influx Contemporary Art, em Lisboa, até 17 de Março- ambas resultantes de residências artísticas promovidas pelo LAC - Laboratório de Actividades Criativas na cidade de Lagos, entram agora na recta final de abertura ao público. Faltam poucos dias, [Ler mais ...]

Inaugura amanhã, 3 de Fevereiro, a exposição de arte urbana ARTUR, pelas 21.30h, na Casa da Esquina em Coimbra.
Entre Maio e Junho de 2011 decorreu na cidade de Lagos uma residência artística de street art e arte urbana que reuniu nomes destacados da cena nacional e internacional nas instalações de uma antiga cadeia, a sede do Laboratório de Actividades Criativas – LAC.
Dessa residência resultaram trabalhos em muros de rua (entre eles uma das melhores cinco paredes em Portugal de 2011 segundo o jornal Público) e uma exposição que, após ter estado patente em Lagos, se apresenta agora em Coimbra, adaptada ao espaço da Casa da Esquina.
Trata-se de uma oportunidade única para ver obras de Alexandros Vasmoulakis (Grécia), Antonio Bokel (Brasil), ±MAISMENOS±, Paulo Arraiano, Fidel Évora e Jorge Pereira (Portugal). ±MAISMENOS± e Jorge Pereira, presentes na inauguração, apresentam algumas obras inéditas nesta mostra.
De 3 de Fevereiro a 16 de Março de 2012, de 3ª a 6ª entre as 15 e as 18h. Entrada grátis, oferta de catálogo durante a inauguração.
Ao longo de uns bons anos fui recuperando a minha discoteca em vinil no formato mp3. Estavam riscados, muito uso, e nem agulha tenho no prato há bastante tempo.
Ia comprar os cd’s? isso é que era lindo. Já paguei o que era devido aos autores, quando adquiri os LP´s. As editoras quero que desapareçam do mapa, já faltou mais para comprar directamente ao produtor como gostaria de fazer com o vinho e as batatas, infelizmente não digitalizáveis.
Paguei o devido a quem cantou, tocou, escreveu? duvido, as editoras sempre ficaram com a parte de leão. Esta proposta ainda aceito discutir: “no preço de cada CD ou livro vendido, incluam uma percentagem para permitir a cópia privada dessa obra de autor.” Mas com reticências, porque carga d’água tenho de pagar para copiar o que comprei? e se não copiar, também pago?
Uma discussão bizantina. No mundo digital mais tarde ou mais cedo não haverá direitos de autor tal como ainda os concebemos. Não é uma opinião: é inevitável. Não perceber isto é tão tolo como discutir DRM’s, falando em “limitações técnicas“: algum DRM resistiu mais de um mês a ser crakado?
Nem tudo corre mal nas áreas da cultura e o LAC, Laboratório de Actividades Criativas, em Lagos, tem consolidado um trabalho iniciado há alguns anos que vem ganhando visibilidade aumentada, mostrando que as centralidades culturais podem afirmar-se também fora das grandes cidades e que as periferias não estão necessariamente condenadas a viver à margem dos processos criativos contemporâneos.
Funcionando numa antiga cadeia reconvertida para o efeito e sendo um projecto essencialmente associativo, o LAC começou por disponibizar espaços de trabalho a músicos e artistas locais, tendo vindo posteriormente a criar e dinamizar eventos de vária ordem e em diversas áreas artisticas. Consolidadas estas vertentes, o LAC lançou um Programa de Residências Artisticas (PRALAC) do qual se destacam dois projectos internacionais de elevada qualidade: o ARTUR e o ROOTS.
É precisamente destes dois projectos que surgem as primeiras boas notícias de 2012.
No campo da street art, a revista P3 elegeu as cinco melhores paredes de 2011, [Ler mais ...]
Por exclusão de partes, encontrar a pessoa certa.

Fado é Destino. Está tudo dito.
Mesmo na China, Ai Weiwei viveu dias de glória. Quando os artistas chineses explodiram nos mercados internacionais de arte, o regime exultou ainda que não apreciasse sinceramente os seus trabalhos. A China impunha-se – para lá do milagre económico, da industrialização galopante, da revolução tecnológica – também como brilhante produtor de cultura contemporânea.
O pico do reconhecimento por parte do regime aconteceu quando Ai Weiwei se associou aos arquitectos Jacques Herzog e Pierre de Meuron no projecto do Ninho de Pássaro, o estádio nacional de Pequim. Depois foi o descalabro – Weiwei critica os jogos olímpicos e, sobre a cerimónia de abertura e as pretensamente artísticas coreografias, declara: ” É horrível. Eu não gosto de quem abusa desavergonhadamente da sua profissão, de quem não faz julgamento moral”.
Seguiu-se a investigação ao número de estudantes vítimas do terremoto de Sichuan e da deficiente construção das escolas. Ai recenceou 5.385 nomes de estudantes mortos e publicou a lista no seu blogue, assim como outros elementos recolhidos na sua investigação. O blogue foi fechado pelas autoridades. Ai escreveu os nomes no muro do seu conhecido atelier de Design, FAKE. As autoridades chinesas não podiam aceitar as críticas de Weiwei à falta de democracia, o seu apoio à dissidência, as suas posições políticas pró-transparência. A seguir Ai tentou testemunhar a favor de um inspector que investigara as condições de construção nas escolas. Foi espancado pela polícia e teve que ser operado na Alemanha para estancar uma hemorragia cerebral resultante da agressão.
Em 2010 foi colocado em prisão domiciliária. Em Janeiro de 2011 o seu estúdio foi demolido, acusado de ser ilegal. Dezenas de obras foram destruídas. Em Abril foi preso de facto e o seu paradeiro desconhecido durante meses.
Depois disso foi acusado de fuga aos impostos e tem vivido um processo kafkiano que parece não ter fim, com números exorbitantes envolvidos e quantias astronómicas exigidas por cada recurso ou contestação.
Agora uma inocente fotografia de Ai Weiwei nu, acompanhado por quatro mulheres igualmente nuas [Ler mais ...]
Vamos começar pelo fim: o Hugo é meu amigo, ensinou-me o pouco que sei de photoshops e artes gráficas, sou portanto muito mais suspeito do que o costume.
É um dos melhores ilustradores, sobretudo na sua especialidade – colagens digitais, mashup gráfico se quiserem, que vi até hoje, e vejo umas coisas. Autor da imagem gráfica do Aventar (e doutros blogues onde escrevi ou escrevo), desabafava hoje assim:
Estou farto de andar a pedinchar que me paguem pelos trabalhos que faço ou que pelo menos me paguem alguma coisa “por conta”… Acho que vou começar a publicar os nomes dos “calotes”. A “crise” é desculpa para tudo e os “independentes” (desempregados de longa duração que vão fazendo uns biscates mal pagos, dependentes dos trabalhos para “amigos” a preços de amigo ou quase de borla) ou “freelancers” ou como queiram chamar a esta situação de fodidos e mal pagos, passam metade da semana atrás dos “clientes” para ver se recebem e outra metade atrás de promessas de trabalho que não passam disso…e mostrar sempre cara de “tudo bem”… ESTOU FARTO! mas tudo bem: ACEITO TRABALHOS DE DESIGN GRÁFICO, ILUSTRAÇÃO, FOTOGRAFIA!
Pode ver os seus trabalhos e contactá-lo no Grafices (nunca mais o convenço a mudar-se para o WordPress), e aqui. [Ler mais ...]
Para seguir através do blogue, do site do Laboratório de Actividades Criativas (LAC), ou do BUALA.
Reportagem fotográfica do dia-a-dia aqui e amizades feicebuquianas carregando na próxima palavra: esta.
Quinhentas e sete crianças, da Casa Pia, foram utilizadas como cobaias num estudo para determinar os efeitos neurocomportamentais da utilização de amálgamas contendo mercúrio nos dentes. Não deixe de ver esta reportagem.
Recomendo a leitura deste artigo a todos aqueles que elogiam o Acordo Ortográfico de 1990. O presidente da Associação Portuguesa de Escritores lembra os erros de natureza técnica e chama a atenção para o “risco de uma perigosa deriva da língua”. Por seu turno, o presidente da … [Ler...]

com Nuno Lopes, Beatriz Batarda e Miguel Guilherme
Um filme português realizado por Marco Martins (2005). Ficha IMDB
Uma comédia: hoje no parlamento. Começou com 20 minutos de atraso, está neste momento no ar. (Informação extensa sobre o caso BPN aqui e aqui.)
É Obama que dá ordem de morte a suspeitos de terrorismo.
Uma parte é porque despedem -
desculpem, “rescindem amigavelmente” - trabalhadores. Outra é porque não rescindem.
Últimos comentários