A lei das 40 horas ou das 35 + IVA…

Cerca de 63% das câmaras municipais estão a aplicar as 35 horas semanais de trabalho. Isto significa que, dos 308 municípios portugueses, 195 mantêm o regime anteriorJN, 14 janeiro 2014

Em resumo, temos trabalhadores de primeira e trabalhadores de segunda nas câmaras municipais. Temos situações idênticas tratadas de forma diferente. Como é possível que a uns seja aplicada a regra das 35 horas semanais e a outros 40 horas? Nem vou discutir qual delas é a mais ajustada, essa é outra discussão que fica prejudicada com situações de desigualdade como esta.

Quem quer uma medalha ponha o dedo no ar

Nas terras pequenas desse Portugal profundo (tão profundo como a caridade de tia Isabel Jonet) há um hábito nobre, por ocasião dos feriados municipais: medalhar os cidadãos que se distinguem do outros, em áreas diversas, supostamente pela contribuição que deram à terra ou à sua gente. É uma espécie de óscares-de-trazer-por-casa em que as Câmaras penduram agradecimentos ao peito de quem lhes parece merecedor.

O problema é que este é para muitos autarcas o último ano de longos mandatos. E então é preciso encher o saco das medalhas até não poder mais, como vai acontecer em Pombal, no domingo, dia de S. Martinho e feriado municipal. Há medalhas para todos os gostos e feitios, num total de 26. Alguns dos que vão ser condecorados são repetentes. Outros há que ainda agora devem estar a perguntar-se por que razão vão ser considerados figuras de ouro no município. Será talvez o caso de Artur Trindade (pai), secretário-geral da Associação Nacional de Municípios, a quem esse barão das autarquias que é Narciso Mota (autarca de Pombal) vai agradecer não se sabe bem o quê.

Numa terra tão dada a fenómenos, o risco de ser medalhado é grande. Tão grande que, depois dos incêndios que há anos devastaram parte do concelho, o executivo homenageou até um falso benemérito, procurado por burla noutros pontos do país. Ou como diria Almeida Garret, se aqui voltasse,

- Foge cão, que te fazem barão!

- Pr’a onde, se me fazem visconde?

A Imprensa Regional.

Para promover os desígnios pessoais e colectivos de certos edis e edilidades existe a imprensa regional. Longe dos tempos em que servia a quezília política e ideológica, anunciava abertura de novas mercearias ou publicitava as carreiras de vapor para o Brasil ou os comboios para França, o pequeno jornalismo serve hoje de bandeja o longo rol de obras paroquiais e municipais. A mentalidade ainda é semelhante à que imperava durante essa longa noite radiofónica chamada Estado Novo: o jornalista local é uma extensão do funcionalismo , agora munido de gabinetes de comunicação que preparam as notícias. Estas não diferem muito, em teor e assuntos, do tempo da Segunda República (1926-1974), quando os senhores dos velhos municípios liberais (escudados em anacrónicos pretensos direitos medievais) se ufanavam de, com pompa e circunstância, inaugurar fontanários, caminhos rurais ou casas do povo. Hoje são rotundas, parques de merenda e auditórios, como se a cada concelho coubesse a necessidade de equipar-se segundo um pequeno país. No fundo não temos municípios mas antes 308 principados do “tipo Andorra” cada um com a sua biblioteca, o seu auditório, tribunal e complexos desportivos que poucos usam porque as muitas estradas levaram os habitantes a procurar outras paragens. No meio desta esquizofrenia urbanística estão, portanto, os jornais locais. [Ler mais ...]

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