184450000

Em euros, o valor do plantel do Sport Lisboa e Benfica.

386750000 é o valor do Chelsea.

São mais de duzentos os milhões que separam as duas equipas e o Chelsea tem um onze inicial com um valor médio de 35 milhões e o SPORT LISBOA E BENFICA um valor médio inferior a 17 milhões.

O Chelsea é o campeão europeu em título e o SPORT LISBOA E BENFICA ganhou um título semelhante há 51 anos, precisamente na Holanda.

O Chelsea pode ir ao Real Madrid buscar o melhor treinador do mundo e o SPORT LISBOA E BENFICA tem o Jorge Jesus.

Eles conseguiram cá vir buscar o David Luíz e o Ramirez, dando em troca dinheiro e, à época, um cromo – o Matic.

O Chelsea pode vir ao BENFICA comprar quem quiser e o BENFICA pode ir ao Chelsea buscar quem eles já não quiserem.

Seria um clássico da bola referir frases do tipo “David contra Golias”, “São onze contra onze” e tal…

Mas, no futebol, ganha mais quem tem mais dinheiro. Sempre. Ou quase. Tem sido assim em Portugal, tem sido assim na Europa.

Só a cegueira de adepto me permite ter a certeza que hoje, contra a Ditadura do Capitalismo, o pobre, de Vermelho, vai ganhar ao, Rico e Monárquico, equipado de azul.

Acreditem!

De todos os lados

Praticamente não houve lua de mel do povo português com a troika. Pouco depois de a troika ter entrado em território nacional, começaram a chover os protestos e as manifestações em todo o país. Por tabela, o governo nunca teve estado de graça porque cometeu o erro, diga-se que pouco inteligente e muito saloio, de gritar aos quatro ventos que o governo iria “mais além da troika”, que a austeridade iria acontecer “custasse o que custasse” para se atingir o sublime objectivo de “empobrecer o país”. E como assim aconteceu, com tremendo sofrimento do povo e visível regozijo da senhora Merkel, o país atónito passou da desconfiança à rejeição, agravada por observar a olho nu o servilismo, a ausência de coluna vertebral de todo o gang da bandeirinha na lapela. A rejeição passou a ser demonstrada por todos os meios: na rua, nas escolas, nas famílias, nas empresas, nas forças armadas, nos lares, nas galerias do parlamento, em toda a parte. As vaias aos governantes têm-se sucedido, a Grândola Vila Morena passou a ser um hino de revolta de norte a sul do país. Os artistas explodiram ao verem em perigo a liberdade conquistada em Abril de 1974.

Mas havia uma nuvem sobre esta unanimidade popular: as pessoas julgavam-se sós, isoladas do mundo na sua revolta. Daí a desusada atenção com que passaram a olhar para a Grécia, Chipre, Irlanda, Espanha, Itália e França. Os sindicatos, os trabalhadores portuários, os bravos trabalhadores dos estaleiros de Viana do Castelo, a internet, os jovens, os artistas fizeram o resto: começaram a deslocar-se a Portugal figuras desses países para mostrarem a sua solidariedade e acordo. Puseram-se muitas esperanças em François Hollande, presidente da França, mas ele cometeu o erro fatal de ser demasiado bem educado, demasiado cavalheiro e conciliador com uma mulher como Merkel, formatada na arrogância prussiana e no bloqueio totalitarista da antiga RDA de sinistra memória. É um caso perdido. [Ler mais ...]

Greve ao dinheiro

Raphael Fellmer, alemão, sem profissão definida, 29 anos, casado e pai da bebé (na foto).

Decidiu fazer greve ao dinheiro e vive sem ele quase há 3 anos.

Dá palestras sobre greve ao dinheiro e sustentabilidade.

Já não é o primeiro.

Democracia e Capitalismo são compatíveis?

Portugal vive há uns tempos sob a tutela estrangeira e com mais ou menos mentiras de quem nos governa, todos os indicadores mostram que o caminho escolhido não serve.

Dizem-nos que é muito difícil ser deputado da maioria, imagino que tal reflexão, deste boy, surge num contexto solidário em que o senhor deputado vai ficar a viver com os 377 euros do subsídio de desemprego. Só pode!

E se o caminho não serve, podemos procurar encontrar outros, ainda que concorde com o Ricardo Araújo Pereira que na Visão aponta uma coisa óbvia – não tem que haver alternativa no caso em que algo é manifestamente mau. Se a receita que está a ser aplicada não serve, para que acabe não é preciso haver alternativa. Basta que pare!

E são cada vez mais as vozes que procuram caminhos alternativos.

O Fórum “Cidadania pelo Estado Social” é uma dessas iniciativas e hoje, em Braga, na Universidade do Minho, aconteceu mais um debate, onde a Educação Pública esteve em cima da mesa. [Ler mais ...]

No Insurgente andam a ler os os Donos de Portugal

Concluindo o óbvio: o grande capitalismo português é filho dos governantes. Os outros nem enteados.

Conferências TED censuram milionário que propõe aumento de impostos para milionários

Tanto quanto sei, as conferências TED convidam personalidades e pensadores de diferentes áreas para exporem o seu… pensamento. Ora, o pensamento sobre questões sociais é, parece-me, quase sempre político.

Por isso mesmo, tenho assistido a algumas intervenções que denotam atitudes políticas em assuntos que têm a ver com a educação, ecologia e ambiente, direitos humanos, etc.

Um milionário americano (e especulador) decidiu tecer considerações sobre economia, capitalismo, impostos, criação de emprego e afins, mas o seu discurso foi considerado “demasiado político”, razão pela qual a sua conferência não será publicada.

O que disse, de “demasiado político”, Nick Hanauer, a personalidade em questão? [Ler mais ...]

A filosofia da economia

A economia é dominada por duas grandes ideologias: o capitalismo e o socialismo. No essencial definimos capitalismo como o regime político que defende e promove os interesses do patronato e do grande capital, a banca, em detrimento da mão-de-obra assalariada. O socialismo pretende criar um regime político que defende o mundo do trabalho da exploração do patronato e da banca.

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Capitalismo à portuguesa

A reportagem da TVI – Portagens nas Scut ruinosas para o Estado é um edificante exemplo do empreendedorismo nacional. Encostadinhos ao estado, sem riscos, vivendo de rendas. Passeando-se entre o governo e os negócios. Sempre foi assim. São os Donos de Portugal.

O estado do capitalismo em Portugal

Portugueses vão andar mais 40 anos a pagar os custos das parcerias público-privadas.

É o chamado apoio à iniciativa privada. Total: 59,6 mil milhões.

Mudanças

(adão cruz)

Casa nova, por sinal bem bonita e arejada. Hoje, quando fui ao Aventar, tive aquela sensação que se tem quando se muda de casa. Salas diferentes, cozinha e quartos diferentes, vistas diferentes. Pareceu-me, no entanto, que esta mudança se deu dentro do mesmo quarteirão, dado que os vizinhos são, praticamente, os mesmos, o que muito me alegrou porque a sensação de mudança torna-se, assim, mais suave. [Ler mais ...]

As patranhas reaccionárias

(adão cruz)

Ainda com a presença na minha mente dos sujos e obscenos golpes da Venezuela e Honduras, bem ao estilo do imperialismo americano, e decorrendo de mais um miserável golpe na América Latina, no Equador, o meu pensamento voltou a escurecer e a enovelar-se num misto de raiva, revolta e indignação. [Ler mais ...]

Sem ponta de pudor

 
 
 
 

(adão cruz)

Sem ponta de pudor

 Quando hoje li no jornal que a igreja considera “indecente” o actual modelo económico, e que o capitalismo fez da mão-de-obra mera mercadoria, fiquei perplexo e pensei: eu já não devo andar neste mundo, eu já devo ter morrido e não dei por ela. Pois, se a igreja está enterrada até às orelhas no capitalismo! Quando D. Carlos Azevedo diz que há uma cultura exacerbada do individualismo, defendendo que “só com modelos humanistas” se pode combater a crise e traçar caminhos de futuro, e sustentando que os princípios morais têm de estar inscritos no coração das pessoas, faz-me rir, amargamente, é certo. [Ler mais ...]

O cardeal

Cañizares

Volto uma vez mais a esta repugnante foto de António Cañizares, patente num dos posts anteriores, cardeal do jet set espanhol, vivendo em Roma, e que passa a vida em forrobodós, casamentos, baptizados, aniversários, bodas de ouro e prata, de gente rica e famosa. Convidado para abençoar tudo o que seja festas multimilionárias, reaccionário até ao tutano, mostra, com efeito, não ter o mais pequeno sentido do ridículo, mas mantendo o portentoso sentido de orientação nas águas em que ele e a igreja se movem.

Quer a igreja quer o capital sempre coordenaram interesses e estabeleceram estratégias comuns para consolidarem as suas complementares posições. Sempre se engalanaram pomposamente, sempre se calaram perante os graves problemas nacionais e internacionais, e em tudo dão e sempre deram as mãos, em pactos mais ou menos secretos, para atingirem os seus idênticos fins, isto é, a Fé no Capitalismo, a Esperança na exploração e no super-lucro e a apaziguadora caridade de prometer aos pobres a vida eterna.

O capitalismo é reformável?

Copenhaga levanta muitas questões, uma delas é esta. A que título as geraçõess vindouras e os povos que ainda não alcançaram o bem estar, estarão preocupados com este sistema, que se mostra injusto, poluente, mas o único que cria riqueza acumulável?

O que se vê é que as gerações jovens consomem muito mais do que a minha geração, o que não impede que todos estejam a favor do ambiente, contra a destruição do planeta.

A verdade é que, ou há alguem capaz de renunciar ao consumo, a este nível de consumo, ou então a saída é o sistema, destruindo, ser capaz de inventar formulas e conceitos que só o desenvolvimento da tecnologia e da ciência permitem. Acabamos com o desenvolvimento assente no petróleo, por esgotamento deste, mas a tecnologia das pilhas, por exemplo, permite manter o modo de vida com vantagens ambientais. Mas antes da existência das pilhas ninguem acredite que os automóveis vão deixar de entrar todos os dias na cidade.

Aqui não funciona o altruísmo nem a solidariedade, funciona o consumo e o bem estar, por isso, não vale a pena fazer de conta que o problema é do sistema.

Mas, por outro lado, coloca-se a questão. Mas, então, o capitalismo é a fase final do desenvolvimento da Humanidade? Está tudo inventado com o capitalismo? Não há formulas alternativas mais justas e mais equilibradas social e sustentavelmente?

O que está á frente dos nossos olhos em Copenhaga, como já todos perceberam, é os países que estão acomodados a guardar o seu quinhão, e os países em vias de desenvolvimento a precisarem de poluir mais para chegarem aos níveis de bem estar que a sua população exige!

E a verdade é que não se vê alternativa, a não ser talvez, o bom senso! Nós todos, os que poluem mais deixar de poluir tanto, para que outros possam poluir um bocado. É isto, uma saída sustentável? Não é! A população que espera a sua vez é muito mais numerosa que a que goza previlégios de bem estar. É a tecnologia e a ciência que irão abrir novos caminhos sustentáveis e menos poluentes?

Ao fim de todos estes anos de procura de novos sistemas de produção e repartição, onde estão as alternativas?

O Diabo por Belzebú

É o espírito que conduz o mundo e não a inteligência

Antoine de Saint-Exupéry

 

Em 9 de Novembro 1989 caiu o muro de Berlim. Existia então a seguinte situação com os seguintes ingredientes imateriais: um sóciosistema podre, não reformável e condenado, uma constelação astral propícia, o mês dos Escorpiões, Novembro, e uma banda chamada “Scorpions” (“Escorpiões”) que cantando a canção “Wind of Change”* augurava mudanças. E estas mudanças materializaram-se.

 

O que na altura não se viu ou não se quis ver, foi o facto que todo o sistema mundial estava podre e caduco. Assim, este, com a queda do muro e com a despedida do indispensável antagonista “socialismo”, ficou fora de equilibrio de vez. Mas nós, na nossa mania de vermos apenas vencedores e vencidos e não tanto o bem comum e o TODO, declarámos a vitória unilateral do capitalismo pensando que iamos viver felizes para sempre.

 

Todavia, como um mundo unipolar e sem antagonistas não funciona, tiveram que surgir outros “ismos” (islamismo, fundamentalismo religioso, etc.) para tomar o lugar do defunto socialismo. Por outras palavras: substituimos, a partir e 1989, o diabo por belzebú. Por isso, após 20 anos de vãs tentativas – Globalização – de alcançarmos a felizidade, bem-estar e a harmonia, os ventos da mudança, desde 1989 suprimidos, ignorados e não aproveitados na altura para criar uma nova ordem, fazem-se sentir com cada vez mais força para restabelecer o equilibrio e a harmonia perdidas. Quem se opõe corre perigo de sucumbir, temos é que acompanhá-los. Assim teremos uma boa oportunidade de chegarmos, após alguns sustos e sobresaltos, a um mundo melhor.

 

Penso que em breve a canção “Wind of Change” conhecerá uma nova edição – talvez em em Novembro de 2010?

 

RD – bloguer convidado

 

P.S. Por mais paradoxal que pareça: depois da grande mundança qualitativa teremos os dois antagonistas, capitalismo e socialismo (ou egocentrismo e sóciocentrismo), de volta – felizmente! Todavia, desta vez sem estarem bipolarizados e sob uma forma de pensar e agir que permita vencer a dualidade entre os dois: olhando para a frente e primeiro para o benefíco do próximo. É esta a receita para os tempos áureos que o mundo periodicamente tem conhecido e voltará a conhecer quando a grande “seca” acabar. E então, em vez de quaisquer “ismos” estúpidos, teremos novo crescimento e ascensão sócioeconómica, política, cultural e ecológica para todos, ou seja, para os mais ricos e os mais humildes. Claro, tudo isso até que um dia voltarmos ao comportamento linear que depois traz consigo novos “ismos”. A não ser que entretanto tenha chegado o momento em que se cumpre o seguinte vaticínio feito em 1969:

 “O desenvolvimento espiritual da humanidade  acontecerá em três épocas: 1º comportamento  instintivo animalesco,  2º comportamento linear  sob o lema: o que serviu ontem, também há-de  servir hoje e 3º pensar e comportamento “em  espiral”. Com o comportamento em “espiral”  começará a reunificação entre natureza, homem  e técnica e com ela a época mais nobre da humanidade.” 

Professor Pannikar, catedrático para a filosofia  hinduista da Universidade de Benares (Frankfurter  Allgemeine Zeitung, 22.01.69)

Dias de Novembro

No século XX há duas datas que marcam o caminho da humanidade por uma outra sociedade que derrube o capitalismo, chamem-lhe comunismo, socialismo, arroz com ervilhas ou o que quer que seja.

 A 7 de Novembro de 1917 na Rússia a primeira revolução triunfante criou a União Soviética, trazendo uma lufada de esperança aos explorados de todo o mundo.

 

Comite central do partido comunista russo em 1917

A 9 de Novembro de 1989, o derrube pelos berlinenses do muro que simbolizava a vergonha em que se transformou a URSS, onde o pior dos capitalismos, aquele onde domina uma clique de burgueses burocraticamente cooptados governando com mão de ferro um povo condenado a uma enorme desigualdade social e submetido por uma máquina repressiva incontrolável.

Faz hoje 20 anos que, simbolicamente, a URSS deixou de ser um aparelho de propaganda do capitalismo, regressando ao capitalismo tradicional, em breve seguida pela China. A URSS, o país onde provavelmente se  assassinaram mais comunistas que em qualquer outro. Um dia que honra a memória dos homens assinalados a vermelho na imagem, membros do comité central do partdo bolchevique em 1917.

Duas grandes datas, das maiores de um século, onde por duas vezes alguns dias mudaram o mundo.

O equívoco da plutocracia

  

 

 

 

 

 Desde que deixei de pertencer ao grupo coral da igreja de Santo António da Polana (Lourenço Marques, Moçambique), raras foram as vezes em que presenciei à celebração de uma missa. Respeitando a Igreja e as suas tradições como é normal em qualquer português consciente do importantíssimo papel por ela desempenhado durante os séculos da formação da nossa nacionalidade, confesso não ter sido bafejado pelo sopro redentor da Fé. Talvez por ignorância ou atávica preguiça, os textos sagrados foram lidos como curiosidades filosóficas, histórias exemplares para a formação da conduta da res publica, ou no pior dos casos, como frutos da superstição necessária que consolidou gentes esparsas num mundo que já foi muito maior.

 

  O discurso pronunciado há uns tempos por Bento XVI em França, carece de cuidadosa atenção. No país de todos os laicismos e de todas as superstições iluministas, o Papa procedeu a um violento e implacável ataque a este novo capitalismo dos nossos dias que parece ameaçar a própria existência da até agora vitoriosa civilização ocidental liberal. Este chamado capitalismo que desde os anos oitenta do século XX foi sendo crismado consoante o surgimento deste ou daquele grupo de manipuladores do sistema, é um perfeito mas odiado desconhecido. Não se lhe reconhecem quaisquer regras nem limites. Não é um capitalismo quantificável em obras, nem materializável em metal sonante.

É uma simples e quimérica abstracção de números e de equações ou teoremas, quantas vezes imaginários, mas  que controlam efectivamente a vida de todos, desde o mais ignoto habitante da Matabelalândia, até ao refastelado accionista do NASDAQ novaiorquino.  Longe vão os tempos dos empreendedores florentinos que se alçaram à categoria principesca pelo patrocínio do Renascimento, pela criação material que fez o mundo ocidental saltar etapas e libertar-se da tacanhez territorial de uma Europa fria, pobre, suja, feudal e sem reminiscências daquele luxo oriental que auferira durante dois milénios.

Já não existem Médicis, nem Függers e no horizonte, erguem-se os guindastes que possibilitam a construção de novos polos económicos que nada têm que ver com a produção de novidades, a promoção de postos de trabalho que tranquilizam a sociedade, ou pelo menos, que se destinem a embelezar a vida dos centros urbanos. Estas provisórias torres de aço, gigantescos Meccano que parodiam aquele famoso guindaste medieval que durante séculos foi erguendo a Catedral de Colónia, servem apenas a mera especulação. Constroem casas de minguada dimensão, sem real valor de investimento e que se inserem naquilo que o medo incutido pela insegurança, habilmente designa por condomínio.

É este mundo de medo e de condomínios que arruina a segurança física e mental de todos. Medo do vizinho que menos pode, medo do estrangeiro que connosco se cruza na rua sem em nós sequer reparar, medo do continente mais a sul, mais a leste ou a  ocidente, onde se trabalha para uma improvável perdição dos nossos.

O simples exercício de um quarto de hora de zapping televisivo, demonstra-nos a fragilidade de todo um sistema perfeitamente virtual e logicamente dispensável. Uma breve visita ao canal Bloomberg ou à CNBC,  consiste num quase paranóico exercício de masoquismo, pois a linguagem cifrada da especulação mais chã e despudorada, evidencia-se na interminável passagem de cifras, siglas, onde uma multiplicidade de termos ininteligíveis procuram conformar aquilo que para a quase totalidade dos cidadãos é absolutamente inexplicável. Consiste num mundo de fantasia alicerçada no éter das suposições de uma economia que não encontra correspondência material na realidade visível. Os serviços – ou aquilo que se imagina existir como tal -, ocupam plenamente o espaço outrora reservado aos golpes de génio de cientistas e estudiosos que mediante aturado labor, nos deram mais tempo de vida, conforto e democracia no consumo acessível para aqueles que jamais conheceram algo mais que a miserável farpela que os protegia do frio, ou a malga de sopa e o bocado de pão que enganava a fome. Longe vão os tempos dos titãs da indústria e da finança. Onde estão os Krupp, os Thyssen, os Vanderbilt, Hearst ou Citroën? Onde param as portentosas realizações sociais daquelas empresas que dentro dos seus muros incluiam creches, hospitais, escolas técnicas, primárias e laboratórios de pesquisa onde o mais humilde podia ambicionar a glória da ascensão pela simples manifestação do talento? Onde estão os herdeiros dos Luíses XIV ou Joões V que  imortalizaram na pedra os sonhos de grandeza e nos proporcionam aquilo que orgulhosamente exibimos como a nossa cultura? Onde estão aqueles Alfredos da Silva que construíram impérios, arrancaram milhares à gleba ancestral e impeliram ao estudo várias gerações que nos deram o mundo moderno de que desfrutamos despreocupadamente e de forma tão ingrata?

 

Este capitalismo dos nossos dias, não é o capitalismo do conceito que aprendemos e que muitos até reprovaram de forma violenta, acabando-o até por copiá-lo travestido de estatismo. É algo de profundamente nefasto, mesquinho e brutal no seu apetite de exploração. Trata-se de uma manipulação iconoclasta que não conhece nações nem fronteiras, que não respeita homens ou locais de trabalho e que para cúmulo da nossa previsível infelicidade, abre de par em par as até agora bem aferrolhadas portas do nosso mundo, possibilitando o ímpeto oportunista de novos comunismos ou aventureiros de ocasião, desta vez providos do ensinamento da História e dos impiedosos recursos tecnológicos que farão sentir o esmagador peso de uma inaudita opressão. É isto o que o futuro parece reservar à totalidade das nações e países, mas teremos ainda a possibilidade de o esconjurar?