Ricardo Salgado

baralha e volta a dar.

Solidariedade com o Estabelecimento Prisional de Évora

epévora

NUNO VEIGA/LUSA

Sei que José Sócrates é culpado, mas o único castigo para a má governação consiste em não ser reeleito, à excepção do que tem acontecido com Alberto João Jardim. A má governação castiga, também, os governados, mas há quem o mereça, sobretudo se usar o voto da mesma maneira que usa o cachecol de um clube de futebol. Penso, a propósito, que faria sentido que o voto deixasse de ser secreto, para que os eleitores das maiorias pudessem ser os únicos a sofrer com as medidas tomadas pelos governos que elegeram, mesmo que indirectamente. [Read more…]

O mais certo é acabar em prescrição

Mas hoje teremos escumalha cavaquista em tribunal. É expectável que nenhum deles acabe no Estabelecimento Prisional de Évora.

Uma simples pergunta para Cavaco

Na sua última ida à televisão, ontem, Cavaco, o avisador, avisou para que os políticos não prometessem o que não poderiam cumprir, para evitar a erosão da democracia face às promessas não cumpridas pelos políticos. E que os partidos devem ser exemplo, bla, bla, bla, responsabilidade e tal.

Não é novidade para ninguém, e não o será para Cavaco, salvo se estiver ché-ché, que este governo prometeu resolver os problemas do país sem aumento de impostos. Neste momento, não interessa se a promessa era realista, importa que não foi cumprida, tendo por isso contribuído para o descrédito das instituições que Cavaco jurou defender.

Quanto ao exemplo dos partidos e do governo, não é preciso dizer mais do que Jacinto Capelo Rego, Tecnoforma, Citius, arranque do ano lectivo e leis orçamentais inconstitucionais.

Portanto, porque é que Cavaco ainda não demitiu este governo? Ou se aplica de facto a hipótese supra ou as suas palavras são palha para encher fronhas.

Coimbra não é uma lição

10898332_10153021611207474_1819505832906805730_n

Imagem roubada ao João Roque Dias

Quem tiver a oportunidade de consultar, por exemplo, documentação medieval, deparará com grandes oscilações ortográficas, visíveis no facto de as mesmas palavras surgirem grafadas de maneira diversa muitas vezes no mesmo documento escrito pela mão de um único escriba. Entretanto, passaram alguns séculos e houve milhares de pessoas a pensar sobre as questões linguísticas, pedagógicas ou didácticas, o que inclui reflexões sobre a escrita e conclusões sobre as relações complexas entre a fala e a escrita e entre ambas e a aprendizagem da língua, do conhecimento e do mundo. [Read more…]

Ano novo, Cavaco velho

Cavaco Silva falou, mais uma vez – nada nos é poupado! – ao País. Exigiu-nos a todos responsabilidade e transparência. E alertou para que não se fizessem falsas promessas neste ano eleitoral. Cavaco sabe, por experiência, de tudo isto. Basta ver a responsabilidade com que encara o seu cargo e a vigilância do bom funcionamento das instituições democráticas e a transparência com que geria os seus investimentos no BPN ou a operação Casal da Coelha. Quanto às promessas vãs, nunca Aníbal as fez, como todos sabemos ( de resto, como se sabe, Cavaco não tem nada a ver com a nossa infelicidade e o seu coração imaculado não nos quer senão bem). Mas disse mais. Falou da urgência do amor com casamento – ou do casamento haja amor ou não, tanto faz. Entre os “seus” partidos e, se possível, com uma poligâmica piscadela de olho a outros candidatos. Exigiu confiança nos políticos governantes – sentimento que, ao vê-lo, imediatamente se acende nos nossos corações – e, de caminho, foi deixando a sua mensagem essencial: as eleições não interessam. O que interessa é que quem for eleito faça o que lhe mandarem e cumpra os ditames vindos de longe, pelo que Aníbal não resistiu a uma uma subliminar nota de ameaça e terrorismo político – brando, claro, como os lusos costumes. Cavaco falou. Este ano ainda agora começou e só tenho más notícias.

Renovação de votos de casamento

Cavaco Silva renova cooperação com governo em 2015

Cavaco Silva e Passos Coelho reprovados em concurso para lixeiro da Póvoa de Varzim

Há pouco tempo, três funcionários da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim encontraram um envelope com 4407 euros e devolveram-no. O gesto dos três profissionais tem sido amplamente louvado.

Há quem diga que quem faz a sua obrigação não merece ser elogiado, mas a verdade é que vivemos num país em que há demasiadas pessoas que prosperam por não cumprir os seus deveres.

Cavaco Silva recebeu os três lixeiros em Belém e aplaudiu a sua conduta, lembrando que o dinheiro encontrado corresponde a quase dez salários de cada um dos funcionários municipais.

Provavelmente, a situação dos homenageados poderá ter feito com que Cavaco relembrasse a sua periclitante situação financeira de aposentado sem posses para fazer face às suas despesas.

Para além disso, talvez Cavaco tenha experimentado um sentimento que mistura inveja e admiração, algo que todos sentimos diante de proezas que seríamos incapazes de realizar. A verdade é que o ainda Presidente da República, mesmo podendo fazê-lo, não contribui para a devolução do dinheiro que muitos trabalhadores têm perdido, num período que, curiosamente, teve início desde que chegou a Belém.

É claro que Cavaco não está sozinho, já que Passos Coelho não lhe fica atrás: na realidade, mal chegou ao governo, pegou nos envelopes que continham ordenados, retirou dinheiro em que tinha prometido não mexer e tem estado a entregá-lo aos seus donos. Seus, dele, Passos.

Em resumo, Cavaco e Passos não reúnem condições para trabalhar na recolha do lixo da Póvoa de Varzim. Percebe-se porquê: os governantes são políticos; os lixeiros da Póvoa sabem o que o dinheiro custa a ganhar.

Candura

cavaco silva

Ouvi uma e outra vez a declaração de Cavaco Silva sobre a candura e inocência da sua intervenção que, em tempo, garantia a saúde do BES e convidava os investidores a atirarem-se de cabeça. O presidente põe-se – como acontece com outros intervenientes neste processo – em posição de equilibrista sobre a linha traçada entre as duas alternativas desta dicotomia: ou é destituído das qualidades políticas, intelectuais e morais que o cargo exige (notem como, gentil e cortêsmente, evito dizer o que alguém mais… abrupto não hesitaria em dizer: “ou ele é um rematado idiota…”), ou produz aqui uma ou várias inverdades, já que o que diz não é compaginável com a realidade ( o nosso amigo mais desinibido diria: “…ou é um impenitente e incurável mentiroso”). Por mais voltas que se dêem, não há uma terceira possibilidade. A não ser que acumule.

Diz-me quem visitas dir-te-ei quem és

«Eh, isto no fundo o Dubai é o Algarve, o que é que com prédios mais altos...»

«Eh, isto no fundo o Dubai é o Algarve, o que é que com prédios mais altos…»

Portugal, cavalos lusitanos, sol e gajas boas encaixa perfeitamente num dizer de Aníbal Cavaco Silva, vendendo-nos aos ditadores árabes. O homem que denunciou a sogra à PIDE continua em forma.

Mas o dizer tem ocultado muito pior. Quem ocupa o lugar de Presidente da República foi visitar uma ditadura.

Escondido atrás das fachadas luxuosas dos arranha-céus e dos sorrisos seguros dos funcionários de direitos humanos dos Emirados Árabes Unidos (EAU) existe um péssimo registo de direitos humanos.
Nos EAU de hoje, tortura é aplicada quase impunemente e os ativistas da oposição, incluindo prisioneiros de consciência, são frequentemente detidos e mantidos sob custódia – alguns durante vários meses – sem acusação nem julgamento. Em 2011, cinco dissidentes foram condenados a penas de prisão.
Os direitos fundamentais continuam a ser recusados a trabalhadores estrangeiros, as mulheres sofrem discriminação na lei e na prática, e a pena de morte continua a ser imposta.
Em janeiro de 2012, o Conselho de Direitos Humanos da ONU escrutinou a situação de direitos humanos dos EAU, depois de em 2008 ter apelado para que fossem realizadas mudanças significativas. Na noite antes, 94 ativistas tinham sido levados a tribunal por criticarem o governo. A coincidência destes dois eventos chamou a atenção para as promessas que, até agora, têm sido apenas superficiais.
Fonte: Amnistia Internacional.

[Read more…]

“O que é que os gestores da PT andaram a fazer?!”

– pergunta, com um ar severo, Cavaco. Bem, entre outras coisas, se bem me lembro, andaram a ser condecorados por ti, Aníbal.

Correcta

dbcs

Cerimónia de condecoração do Dr. José Manuel Durão Barroso © 2006-2014 Presidência da República Portuguesa (http://bit.ly/DBCSAO90)

Efectivamente, foi correcta. Não, não foi *correta. Foi correcta. Com cê. Exactamente: correcta. Contudo, conhecendo os hábitos da casa, daqui a alguns meses, a citação sairá deturpada, ou seja, sairá *correta. Sim, claro, no Expresso

correctaActualização (4/11/2014): Entretanto, alguém decidiu aplicar o Acordo Ortográfico de 1990 ao excelente ‘correcta’. No título, claro. No texto, felizmente, o ‘correcta’ mantém-se. Os meus agradecimentos a Paula Blank, pela indicação deste habitual exercício de cosmética.  

correta

Não tenho certezas e raramente acerto

cavacoO presidente juntou hoje umas frases sobre o concurso dos professores e confirmou, mais uma vez, que é “um génio da banalidade”, como dizia José Saramago.

Primeiro, afirmou que é preciso fazer uma “reflexão séria sobre o modelo de colocação de professores”. Todos sabemos que não há nada pior do que uma reflexão que não seja séria, como algumas que andam para aí perdidas e vão com qualquer um.

Depois, com a argúcia vácua que o distingue, declarou que “as coisas não correram bem na colocação dos professores.” Não há palavra mais reveladora do rigor de alguém do que “coisa”. No fundo, é o descanso do ignorante: Houve ali uns problemas na colocação dos professores: deve ter sido uma daquelas coisas que correm mal. Se as pessoas, ao menos, tentassem arranjar coisas que correm bem, mas não…

“Parece que está em vias de resolver-se o problema, mas até este momento já houve atrasos nas aulas e, portanto, os alunos foram prejudicados.” silvou, a seguir. Parece-me que não há como o verbo “parecer” para exprimir certezas e para mostrar que se está dentro de um assunto. [Read more…]

Uma atitude louvável

Com as mãos sujas, do BPN a toda uma presidência ao serviço dos interesses de uma classe, Cavaco Silva recusa-se a manchar as mãos limpas de um trabalhador distraído. É de aplaudir a preocupação com a higiene alheia.

Cavaco: entre o delírio e a inspiração divina

Cavaco desfocado

A minha dúvida relativamente a Cavaco Silva é se existe algum tipo de estratégia por trás de declarações deste nível de inconseguimento  ou se se trata apenas de perda progressiva de lucidez. Apesar de ambas as opções me parecerem válidas, estou mais inclinado para a segunda, até porque momentos de falta de lucidez são coisa a que o senhor Aníbal nos vêm habituando. Claro que, entre o batalhão de assessores e restantes membros da sua dispendiosa corte, alguém o deveria ter avisado que o Passos e Maria Luís já tinham informado o país sobre a inevitabilidade do efeito BPN sobre os contribuintes. A menos que Nossa Senhora de Fátima lhe tenha aparecido e revelado que estaria pronta para inspirar uma solução alternativa. Não seria a primeira vez que a sua inspiração intercedia por nós. Afinal de contas, ontem foi 13 de Outubro

Hammerfest, 1945

Ecos de um discurso vácuo e a memória de uma eleição extraordinária – a ler.

Sustenham a respiração:

Cavaco falou.

É preciso ter lata

cavacoSois vós a falar, Senhor Presidente? “Últimas décadas”, sabendo que ainda não completamos quatro após o 25 de Abril? Isto significa que admirais, senhor, as décadas anteriores a estas ou tentais excluir a década que governastes – mal, para mal de (quase) todos nós – na condição de primeiro ministro, no tempo em que ereis vivo?Tereis vós tido o topete de afirmar:
“os agentes políticos devem assumir, de uma vez por todas, uma cultura de responsabilidade e uma cultura de verdade”, em vez da “prática constante, sobretudo nas últimas décadas, [de] fazerem-se promessas e anunciarem-se medidas irrealistas com vista a conquistar o apoio dos cidadãos e o voto do eleitorado”.
Tendes uma distintíssima lata, concedo-vos. E uma absoluta falta de vergonha na cara.

O Estado do Sítio

O “presidente de todos os portugueses” está em Braga… a população rejubila…

Pergunta de retórica

Alguém viu o Cavaco?

O Banana

banana cavaco

Ao japonês Keisuke Yamada, ou pixiv, deu-lhe para fazer esculturas com bananas. Isso, com uma colher dá-lhes forma.

Um especialista em bananas, portanto.

Esta ficou muito parecida.

imagem roubada ao Rui Margalho no Facebook

Diálogos reais

cavaco-letizia

O Cavaco e o Carmo

cavaco_silva_katia_guerreiro

Os portugueses do presidente da república andam numa azáfama: que um prémio agora atribuído a Carlos do Carmo não vale nada, é irrelevante, não merecendo portanto cavaco presidencial.

Tenho uma falência, de pequenino, com o cantor Carlos do Carmo. Irrita, até me coço na testa com o fado canção onde se afirmou, não há anti-histamínico que me sossegue quando entra pelos ouvidos e por razões socais não posso mudar o disco. Sou insuspeito mesmo sendo de esquerda, portanto.

Mas fosse a Kátia Guerreiro a ganhar um Grammy, pequenito e latino que seja sempre é um prémio votado pela indústria, portanto o mercado, era uma festa em Belém e poupavam uma trabalheira a desvalorizar a homenagem ao artista que tem tudo de pop latina (esse pequeno nicho do castelhano, português e portunhol, coisa pouca, o segundo do planeta), não era?

Preocupado com o futuro da selecção

Cavaco Silva convoca Conselho de Estado.

Senhor Presidente, o povo manifesta-se nas ruas!

Cavaco

Alguém arranje um Rennie ao senhor Aníbal. Têm sido muitas indisposições…

Condecorações para amigos

Gra Cruz

Nem só de desmaios, manifestações e cães polícia se fez este polémico 10 de Junho. Como vem acontecendo de há uns anos para cá, a presidência da República condecorou uns quantos portugueses. E se há lá nomes que não levantam grandes discussões como Eduardo Lourenço, Rodrigo Leão ou Mário Carvalho, a ocasião também serviu, como vem sendo habitual, para condecorar alguns amigos. Entre banqueiros, financiadores de campanha e altas patentes militares, não pude deixar de notar que Miguel Horta e Costa foi agraciado com uma das mais elevadas condecorações, a Grã-Cruz da Ordem do Infante do Henrique, que segundo o site da presidência se destina a “distinguir quem houver prestado serviços relevantes a Portugal, no País e no estrangeiro, assim como serviços na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua História e dos seus valores”.

[Read more…]

O rosnar de um regime decadente

Cão 2

Em Democracia, naquela em que ainda vivemos, o direito à manifestação ainda se mantém consagrado no ordenamento jurídico que, felizmente mas não por falta de vontade, os empregados parlamentares das diferentes máfias que compõem o sistema ainda não conseguiram alterar, para tristeza de todos aqueles que clamam por mais impunidade para o assalto diário de colarinho branco ao país que hoje celebra o seu dia. E enquanto o dia da submissão final não chega, há que ir rosnando a todos aqueles que tentaram colocar em causa o plano.

Durante a cerimónia comemorativa do 10 de Junho que teve lugar hoje de manhã na Guarda, o antigo accionistanegacionista da SLN sentiu-se mal e teve que ser retirado da tribuna onde debitava as habituais nulidades que o caracterizam. Alguns iluminados e idiotas deste país correram a culpar um grupo de manifestantes que levava a cabo um protesto legítimo contra o governo, tal como previsto no 45º artigo da “infame” Constituição da República Portuguesa. Eu sou da opinião do João José Cardoso, até porque Portugal não é uma monarquia: não está em condições para exercer funções, vá gozar a sua reforma que mal dá para as contas. Junto com a da Maria e considerando que não deve gastar um euro que seja há alguns anos, fruto de viver às nossas custas, mais caro por português do que a rainha Isabel por inglês, deve chegar.

[Read more…]

Golpe de estado

golpe militar
Infelizmente desconheço quem legendou a imagem, gostava de lhe dar os parabéns.

A tentativa de ocultação do desmaio presidencial


Alguém me sabe dizer quem é o responsável pela realização da transmissão das cerimónias oficiais do 10 de Junho? Sendo as imagens iguais em vários canais, fico na dúvida.
É que gostava de saber quem é que deliberadamente começou a mostrar os soldados como forma de ocultar o desmaio do Presidente da República. Assim, poderia classificá-lo como um péssimo jornalista com um péssimo sentido de oportunidade. Mais ou menos como os realizadores portugueses de futebol, que decidem mostrar primeiros planos de determinado jogador ou o público quando uma das equipas está quase a marcar um golo.
Mas esses, coitados, não sabem mais. Já o realizador de hoje, bem como os jornalistas que atribuiram as culpas aos protestos populares e os fotógrafos que aceitaram apagar as fotos do desmaio, esses, sabem-na toda.

O desmaiado Silva

 

cavaco desmaiado 2

O sr. que ocupa o Palácio de Belém foi comemorar o dia da sua raça para a Guarda, onde por mera coincidência o PSD destronou o PS nas últimas eleições autárquicas. Não vi, mas pelo que leio relatado desmaiou durante um discurso, os seguranças apagaram fotografias e escorraçaram jornalistas, e algumas especialistas em medicina do desmaio associaram em directo o fanico ao facto de estar a ser apupado.

Ora ser apupado faz parte do cargo que ocupa Cavaco Silva. Não estando em condições para discursar ouvindo apupos resta a Cavaco Silva resignar, e ir fazer turismo para a Turquia e a China a expensas próprias. Parece-me simples.

E já agora, não vi, mas tenho pena: perdi uma boa ocasião de começar o dia com uma gargalhada.