Quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão?

A propósito da criação de uma rede entre os sítios inscritos na Lista da Unesco como Património Mundial, tivemos declarações de um dos Vices-Presidentes da CCDRN. Cito:
“O vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN) Álvaro Carvalho defendeu hoje em Coimbra incentivos fiscais para que se possa preservar o património classificado do Alto Douro Vinhateiro.
A CCDRN quer que sejam criados incentivos fiscais, como “IMI mais reduzido ou outras medidas compensatórias em termos de IRC e IRS”, de forma a preservar o património do Alto Douro Vinhateiro, zona classificada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).” In http://www.ionline.pt/artigos/dinheiro/comissao-coordenacao-norte-quer-incentivos-fiscais-douro-vinhateiro
Continua a ignorância. O Estatuto dos Benefícios Fiscais prevê que os proprietários de bens classificados como Monumento Nacional (é o caso dos inscritos na Lista da Unesco como Património Mundial) tenham isenção de IMI. Aliás o que está de acordo com a Lei de Bases do Património, a Lei 107/2001.
O que tem acontecido é que por força de uma alteração no Orçamento de Estado de 2007, o IMI está a ser cobrado indevidamente a muitos proprietários no Porto, em Guimarães, em Évora, Sintra, etc.,etc.
Essa alteração traduz-se numa diferente redacção da transposição do referido Estatuto dos Benefícios Fiscais para o OE. Ora então temos tido sucessivos Orçamentos de Estado com essa nova redacção. E então a Autoridade Tributária está a cobrar o IMI desde 2009, ou seja com efeitos retroactivos (só podem cobrar até cinco anos antes), pois são as ordens decorrentes do chamado memorando de entendimento (o da Troika). Há pessoas com ordenados penhorados por causa disto. Há inclusive um caso em que um proprietário de duas casas em dois Centros Históricos (em concelhos diferentes) classificados como Monumento Nacional, numa casa tem isenção de IMI, noutra não!
Por um lado temos a Lei de Bases do Património, por outro temos a Lei que define o Estatuto dos Benefícios Fiscais. E ainda as sucessivas Leis dos Orçamentos do Estado. Portanto, o que será necessário é alterar o tal artigo dos OEs, corrigindo-o de acordo com a legislação existente. Qual IMI mais reduzido qual carapuça!

Memofante

O ex-Secretário de Estado da Cultura   Francisco José Viegas, na sua coluna de 23 de Junho no Correio da Manhã, a propósito de um livro (Portugal em ruínas, da Fundação Francisco Manuel dos Santos) refere-se ao trabalho do autor, Gastão de Brito e Silva, dizendo que este fotógrafo “… reúne num pequeno livro ……….dedicado a espiar não só as ruínas dos monumentos, mas também os sinais e os testemunhos deixados pelo tempo em edifícios que tudo corroeu: a incúria, o desprezo, o desinteresse, a ignorância e a fúria da construção civil”. Termina o artigo: “São, por si só, diques que não resistiram à nossa passagem ou ao nosso esquecimento, a doença fatal de um país.”

 

Pois. Lembrei-me logo de quatro coisas, entre várias: a barragem do Tua, o acordo ortográfico, a reestruturação dos serviços da área da administração do Património Cultural (Museus, Arquivos, etc.), e os bens Património Mundial . E a propósito da passagem de Francisco José Viegas pelo Governo, lembrei-me também ( isto da memória é tramado! ) de um artigo de Vasco Pulido Valente (também ele ex-Secretário de Estado da Cultura) de 11 de Janeiro de 2009, no jornal Público, intitulado “Uma história portuguesa”, que não resisto a citar parcialmente (recomendo a leitura na totalidade), pois assenta como um fato da House of Bijan nos titulares da pasta da Cultura dos Governos Sócrates (especialmente Isabel Pires de Lima, Gabriela Canavilhas e Elísio Sumavielle), e nos titulares da área da Cultura dos Governos Passos Coelho ( Francisco José Viegas e Jorge Barreto Xavier.
Nunca a gente que ocupou o Ministério da Cultura conseguiu perceber que a sua principal responsabilidade era o património”.
E não se chega à presente catástrofe em menos de anos sobre anos de abandono e de incúria. Quando se pergunta como depois da democracia e da Europa acabámos nesta melancólica miséria, basta pensar na política de promoção e defesa do património cultural; no oportunismo, desorganização e pura estupidez de que ela precisou para durar.

Lapidar.

O que é a Cultura para o projecto governativo de António Costa?

Li com atenção o discurso que António Costa proferiu no Porto em 6 de Junho passado. Detenho-me aqui brevemente no (pouco) que disse sobre a Cultura. Costa afirmou estar empenhado «em voltar a investir na Cultura, que considera, de par com a Ciência, uma das «bases da sociedade do Conhecimento, condição de uma sociedade de iniciativa, criativa, inovadora, capaz de vencer, tanto na sofisticação do software de última geração, como na revalorização dos produtos tradicionais, produzidos nos territórios de baixa densidade, ou em novas industrias internacionalmente competitivas.» Fico preocupada com isto, pois para além de ser muito pouco, revela aquele que é um dos actuais males da (parca, reduzida à gestão de fundos cada vez mais ridículos) política portuguesa para a área da Cultura.

A Cultura não precisa que o Estado se preocupe por ela com o software de última geração (nem a Ciência, certamente). Software de última geração há muito, e incessante – os mercados das industrias tecnológicas tratam muito bem de tudo isso, e Portugal está cheio de óptimos engenheiros e programadores, e tem-se até notabilizado por boas práticas e pequenos grandes sucessos nessa área. O que define uma política para a Cultura não é a tecnologia. O que a torna central numa sociedade civilizada é a possibilidade, mediante um conjunto de vontades políticas e financeiras, de preservar uma memória (identitária, artística, histórica, política), a possibilidade de permitir o desenvolvimento pleno e contínuo da criação artística (em todas as suas vertentes e ofícios), e a possibilidade de proporcionar às populações (independentemente da sua densidade demográfica) o acesso à fruição da arte – que na sua génese e essência é e será sempre o contrário do entretenimento, pois serve para pensar, e é o contrário do esquecimento. [Read more…]

modernices (populares) da língua portuguesa

significado jurídico de contumaz: “todo o indivíduo que deliberadamente se negue a apresentar diante um juiz quando chamado por motivos de seu interesse. A contumácia é a desobediência deliberada manifestada na ausência, após convocação para presença num julgamento”

significado popular de contumaz: “fulano x tinha dívidas perante y e não obstante o calo deixado, passou os bens para a mulher, faltou à audiência e ficou cão do tomás”

Cão do Tomás, perguntei. Sim. Cão do Tomás.

consequência óbvia do neologismo popular: a expressão “ferrar o cão” – (do tomás) – o acto que cada indivíduo comete quando detém quando não cumpre uma prestação à qual está obrigado pela celebração de determinado negócio jurídico. dever algo a alguém. em linguagem informal: deixar o calo. deixar um calote. deixar fiado.

O Estado, a Cultura e o Património

“…a função do Estado na Cultura tem de sair da mera dicotomia entre a preservação do património e o apoio à criação artística: o Estado tem de ser, cada vez mais, facilitador na relação com a referência e a experiência cultural, na fruição e acesso de cada cidadão à cultura. Este papel acrescido significa responder à procura com mais informação, com mais parcerias, com uma maior descentralização, com a colaboração – sem sobreposição, dirigismo ou substituição – com as autarquias, empresas e sociedade civil; com o apoio à criação e produção cultural e à internacionalização; e continuar a encontrar novos públicos em conjunto com as indústrias criativas, o turismo e a educação….”

Pois é.  A esta citação voltaremos.

O Prémio*

Alexandra Lucas Coelho foi premiada num do mais importantes prémios atribuídos em Portugal. Dou-lhe os meus sinceros parabéns. E ainda bem que no seu discurso disse o que lhe apeteceu.
Mas o texto aqui escrito por Sarah Adamopoulos (que não conheço) leva-me a dizer o seguinte: quem fingiu, e bem, que havia cultura no governo foi Gabriela Canavilhas e o seu SEC de então; e nessa matéria foram muito bem secundados por Francisco José Viegas, e apenas com uma diferença, é que com Sócrates havia Ministério da Cultura e Secretaria de Estado da Cultura, e com Passos Coelho não há MC mas também não há SEC. A reestruturação dos serviços da área da Cultura feita por FJV é a mesma que estava preparada anteriormente, e que apenas pode ser adjectivada de vergonhosa, aliás como a sua prestação como SEC.
Com isto não estou a defender que com Jorge Barreto Xavier é que a coisa está boa, nem que a sua intervenção quando do prémio tenha sido correcta. Outro aspecto tem a ver com o prémio monetário. Se, como se diz, o prémio tem uma parte de dinheiro público, então direi que como contribuinte não quero que os meus impostos sejam aplicados em prémios literários. Claro que essa decisão não é minha, é de um governo, este ou outro, que seja legitimamente eleito. E por isso este país não é de Cavaco Silva, como diz Alexandra Lucas Coelho, mas também não é de Siza Vieira, ou de qualquer outra estrela da nossa área dita cultural.
Quanto ao papel que deve ter um Secretário de Estado da Cultura de qualquer governo, pergunto, e então o património cultural? E a língua, que é também património? E o Acordo Ortográfico? Como ficamos?
Como dizia um primo meu, esta malta acha que a cultura é uma casa à parte do país.
*Título de um livro de Manuel Vásquez de Montalbán, cuja leitura recomendo

Rui Feijó

Rui Feijó (1921-2008) foi o primeiro Delegado da Secretaria de Estado da Cultura do Norte.
Fazia ontem anos se fosse vivo. Foi homenageado na Casa das Artes, à Rua Ruben A, no Porto. Edifício este pelo qual lutou, entre outras coisas muito importantes e estruturantes, na área da Cultura e do Património. Deixou trabalho feito e é um exemplo do que deve ser um Director-Geral.
Na área cívica e política teve também intervenção, tendo no período anterior ao 25 de Abril ajudado muita gente (Manuel Alegre esteve refugiado na sua casa em Lousada, por exemplo).
O seu legado está por estudar, mas a homenagem foi merecida. A ele voltaremos.

Há uma ética de esquerda e uma ética de direita?

No jornal Público de 22 de Janeiro é apresentado um trabalho, pela pena do jornalista José António Cerejo, sobre a Casa Fernando Pessoa, sobre a sua directora Inês Pedrosa, e sobre adjudicações. O artigo é claro. Conheço o CCP (Código da Contratação Pública), mas sem mais pormenores sobre o que foram os ajustes directos realizados (despachos de autorização de abertura dos procedimentos, consulta/s efectuada/s, etc.) não posso dizer se os casos apontados estão ou não dentro da legalidade.

Mas uma coisa eu sei, os mais elementares princípios de ética estão ausentes deste/s caso/s referidos na notícia. Esta matéria não tem tido o mesmo “tratamento” na opinião pública à semelhança de outras mais ou menos parecidas.

E daí a minha dúvida, haverá uma ética de esquerda e uma ética de direita?

Na caixa do artigo é referido o nome de Rui Pereira, director municipal.

E pensei, este director Municipal, Rui Pereira, será a mesma pessoa que foi chefe de gabinete do Secretário de Estado da Cultura Francisco José Viegas (ex-director da Casa Fernando Pessoa)?

Os Mirós, o Património Cultural e a hipocrisia

A sra. deputada Gabriela Canavilhas, ex-Ministra da Cultura do 2º governo de José Sócrates (2009-2011), vem insurgir-se contra a venda dos badalados Mirós, por parte do Estado Português. Argumenta com a eventual inventariação e classificação dos quadros, baseando-se na Lei de Bases do Património Cultural (Lei 107/2001).

A sra. deputada alega que a referida Lei de Bases estabelece de forma clara princípios fundamentais e estruturantes que atribuem ao Estado responsabilidades inequívocas na salvaguarda e valorização do património cultural”.

E continua, “Se não der seguimento à inventariação, tal como a lei prevê, então [o Estado] estará a contornar a lei e a afirmar publicamente que pretende deixar alienar bens públicos sem sequer os inventariar, o que é muito grave. E só temos duas semanas para travar este processo”.

Pois, digo eu. Isto é tudo muito bonito, mas pergunto, o que andou a sra. deputada Gabriela Canavilhas a fazer quando foi Ministra da Cultura? Uma coisa é certa, achou que a área do Património Cultural e dos Museus não era importante, pois delegou no seu Secretário de Estado essas matérias. O que desde 1980 até 2011 (sim, em 31 anos) nunca tal tinha sido feito por parte de todos os Secretários de Estado da Cultura (quando não havia Ministério) nem por parte de todos os Ministros da Cultura!

 

FLAN Colectivo

Um belo e criativo blogue com um grande post: Povo e Banqueiros.

“1% para a Cultura” II

1% pára a Cultura? Não, não pára. Para. Sim, preposição: para. Claro.

“1% para a Cultura”

Sim, há quem se manifeste pela Cultura. Nem tudo está perdido.

Alice Munro é Prémio Nobel da Literatura

Confesso que sei muito pouco sobre a autora.

Este vale a pena chorar

Há 25 anos, morria Carlos Paião. O doutor e a Bailarina, pois claro.

Pobres, parvos e de mãos atadas

Os manifestantes que irritaram a presidente actualmente em funções na Assembleia da República, Assunção Esteves, não passavam de agitadores para ali enviados pelo PCP, dizem-me vários. É provável. Em qualquer caso, o sindicalista Mário Nogueira andava por lá, e aquilo terá porventura sido uma acção combinada (os jornalistas das têvês referiram os olhares suspeitos que esses elementos presentes nas galerias ditas do povo da AR trocaram entre si antes da performance propriamente dita), e não uma reacção espontânea vinda de cidadãos ali reunidos de forma não-organizada.

No entanto, vale a pena observar a que ponto a indignação os tomou, como de resto tem tomado muitos mais que se têm manifestado desde que a vida em Portugal se tornou um verdadeiro inferno para a maioria – que são os que pagam a austeridade deste Governo, o IVA a 23% nas facturas dos fornecedores domésticos, as propinas imorais (no caso dos que ainda conseguem manter os filhos e netos a estudar), os cortes nas funções sociais do Estado (o aumento das taxas moderadoras nas consultas e urgências hopsitalares, por exemplo), e também a reforma dourada de Assunção Esteves. Comunistas ou não, as suas vidas (sejam eles trabalhadores, desempregados, aposentados ou pensionistas) estão transformadas numa luta pela sobrevivência que os indigna. [Read more…]

No Porto pintamos pela liberdade de expressão

A Associação Juvenil Projecto Ruído vai estar esta QUARTA-FEIRA (3 de Julho), pelas 16h30, na TRINDADE, a pintar um mural de protesto contra este projecto de lei, e convida todos a estarem presentes também! Mais info no Facebook.

Ao escrever um post do Aventar em França estarei a contribuir para uma comédia

E quem diz comédia, diz tragédia. É isto o socialismo?

Memorando para reforçar relações culturais entre Portugal e Espanha

Que tenham assinado o memorando, acho bem.

Que tenham boas intenções, também acho bem, mas de boas intenções assinadas estão os caixotes do lixo cheios.

Enquanto a cultura for um broche para colocar na lapela, especialmente em cimeiras internacionais vazias de conteúdo prático, nada mudará em Portugal.

Em relação a políticas culturais é que sim, por uma vez valia a pena Portugal fazer o papel de bom aluno. Em Espanha já há muito se percebeu o valor da cultura e dos apoios para as áreas criativas como formas de valorização da sociedade, como instrumento económico e como forma de afirmação internacional. Mas não basta querer, é preciso investir nos artistas e criadores, nas estruturas e nas indústrias culturais.

Ora, para isso é necessário um ministério da Cultura e um aumento do peso da cultura no Orçamento Geral do Estado. E aí é que a porca torce o rabo.

O Tesouro de Manuel António Pina

25 de abril sempre e, por estes dias, mais que nunca!

Código da Estrada no Porto: os livros perdem prioridade

feiralivroportoEstá suspensa a realização da Feira do Livro do Porto, em 2013. A Câmara Municipal, ainda presidida por Rui Rio, tem dinheiro para “sustentar os 700 mil euros de prejuízo do Circuito da Boavista, houve dinheiro para sustentar a empresa de Filipe La Féria em igual montante durante a sua polémica passagem pelo Teatro Rivoli, num negócio que saiu caro à cidade, aos seus artistas e aos agentes culturais” (Porto24), mas não está disposta a investir no apoio a um evento profundamente enraizado na história da cidade.

Tal como na estrada, é tudo uma questão de prioridades: no Porto de Rui Rio, a cultura e produtos derivados, como os livros, têm de deixar passar os carros, especialmente se forem desportivos.

A imagem de cima mostra a Feira do Livro noutros tempos e foi encontrada em Do Porto e não só. A imagem que se segue corresponde ao projecto de Rui Rio para a Feira do Livro deste ano. [Read more…]

Obras de Paula Rego vão-se embora de Portugal

Ainda acham que o país poupa dinheiro por não ter ministro (Ministério) da Cultura?

Pois é, o populismo dá nisto.

Adenda: depois de alguns comentários a este poste, vi este artigo no Público de hoje. Nem de propósito…

Projectar Matosinhos mas pouco

candidatura_parada_matosinhos

© antonioparada.com | O que pensará Carrilho sobre os planos de António Parada para a Cultura?

Quem é António Parada (na foto ao lado de Manuel Maria Carrilho)? Um jota S matosinhense, nascido entre os pescadores, ali à beira do mar, o que só lhe fica bem (a proximidade com o mar e as suas gentes, quero dizer). Frase-lema para as Autárquicas 2013: Proje[c]tar Matosinhos. Projectar lá para fora. Turismo portanto. Mas também equipamento para o Desporto. Para tirar as crianças da rua, disse. As mesmas que mandaria para o mercado de trabalho em caso de falta de aproveitamento na escola, decerto.

Quanto à Cultura, um projecto central parece animá-lo: abrir o Cine-teatro Constantino Nery às colectividades da região, as quais, defende, também deviam ter direito a pisar aquele palco por onde só andam “as elites”, como lhes chama. Ou seja, destruir um dos melhores projectos culturais do Norte para lá fazer cultura popular, que é o que faz mais falta ao povo, como toda a gente sabe, e nem tanto um programa sustentado de criação de públicos para a Arte – que colectividades haverá sempre, haja ou não teatros de arte e museus ali ao lado.

“Os erros dos políticos muitas vezes têm consequências dramáticas na vida dos cidadãos”, afirmou há dias. Outras vezes, têm consequências na vida dos próprios políticos, o que ainda assim é bastante menos grave.

Fico a pensar que o PS anda realmente em baixo e que fariam melhor os socialistas se começassem a preparar os seus dirigentes locais no sentido de um combate político que fosse de facto alternativo ao do PSD.  E que fosse de Esquerda, já agora (isso é que era!) E já que estamos no domínio do sonho: que fosse capaz de compreender o verdadeiro alcance de um programa sério para a Cultura numa região subdesenvolvida. Mas lá está: quem tem o entendimento que tem António Parada da Educação não pode entender isto.

Um auto-retrato de António Parada, com programa eleitoral completo para Matosinhos, aqui.

Pontapé oficial

Levantei-me muito cedo no Sábado. Eram mais de 300 os quilómetros que nos separavam da Manifestação de Professores. Como eu, alguns milhares de professores (o SPN levou 60 autocarros) usaram a A1 para chegar a Lisboa.

Já depois das portagens, mesmo à entrada da capital, parou tudo! Alguns minutos depois, nem para trás, nem para a  frente. O diz que disse, os telemóveis que tocam e rapidamente se percebe que aconteceu alguma coisa.

Ficamos muito tempo dentro do autocarro  – para quem fuma, foi um tempo sem fim!

Chegámos, ainda sem almoçar, atrasados à Manifestação. Fomos a pé do Marquês ao Rossio e no fim o nosso autocarro estava parado 500 metros depois do viaduto, isto no sentido Santa Apolónia / Parque das Nações (são, segundo o Google Maps cerca de 5 km).

A viatura que nos transportou para casa tinha um problema no motor e tivemos que parar em todas as estações de serviço para meter água.

Quando chego a Gaia, um colega havia deixado a carteira num outro autocarro que já se tinha dirigido para Aveiro. Sim, isso mesmo – ainda fui a Aveiro!

Eram quase 4 da manhã quando consegui descansar.

Mas, mesmo assim, não compreendo este comportamento do Militar da GNR!

Subscrevo!

feira do livro

O blogue “Clube de Leitores”, que obteve 37,19% dos votos no nosso concurso do ano passado, tendo vencido a sua categoria, referiu ontem o fim da Feira do Livro do Porto.

Dando conta duma notícia do JN, “De acordo com o que noticiou o diário, na origem do problema está a recusa da Câmara Municipal do Porto em renovar o protocolo de quatro anos que terminou o ano passado, através do qual a organização da feira recebia 75 mil euros, apoio logístico e isenções camarárias”.

Ficamos a saber que a CMP não tem 75 mil euros para subsidiar um dos maiores eventos culturais da cidade.

Questão de prioridades, dir-se-á, e as corridas da Boavista são melhor investimento… Já os imperadores romanos nos tinham ensinado o “panem et circenses” para manter o povo feliz e contente.

O blogue adianta ainda, segundo Miguel Freitas, da APEL, “A avançar a feira iria realizar-se em Junho, mas para isso, segundo cartas enviadas pela APEL aos associados, terão de ser os editores a assumir a verba que a Câmara de Rui Rio deixou de atribuir”. E o secretário-geral da associação de livreiros não acredita que os sócios estejam dispostos a suportar gastos adicionais “num período de crise em que vivemos“. Junte-se o facto de  “os resultados comerciais no Porto não serem relevantes para a maioria das editoras“.

Perante esta situação, também eu subscrevo a frase lapidar do blogue: “Não há muitas palavras para estes acontecimentos para além de uma enorme vergonha e uma série de insultos que me queimam cada vez a língua”.

As diferenças entre José e Pedro

José foi Pai por convite  e Pedro um amigo de Jesus. Não creio que, pela proximidade ao Mister, qualquer um deles tenha merecido passos_coelho_jose_socrates_lusauma convocatória para a cidade condal. Aliás, estes dois nomes, com muitas semelhanças e algumas diferenças, terão alguma dificuldade em encontrar um lugar simpático lá em Cima.

Acredito que possa haver perdão em doses industriais para distribuir a quase todos, mas palpita-me que perante o evidente interesse público do perdão, este vai a caminho de ser privatizado ou então convertido numa parceria público-privada.

Na prestação de contas educativas in loco, cá pela Litosfera, diria que há uma enorme diferença entre José e Pedro  – José fez mal, mas não procurou transformar e educação num negócio. Pedro olha para a Educação e para a cultura como uma coisa menor, vendável e apetecível aos amigos. [Read more…]

Podias era fazer um upgrading no teu writestyle!

Margarida Rebelo Pinto. “Tive de fazer um downsizing do meu lifestyle”

Resistir, der por onde der, ao Tsunami 2013

Cavaco tem tido os seus deslizes que o afastam preocupantemente da realidade. Não lhe caberia, logo a ele, colocar o dedo culpado na grande ferida nacional em que redundou a nossa desindutrialização e desactivação pesqueira dos anos noventa. Foi por sua mão. Dói. Mas se o problema de desconexão com a História, com responsabilidades passadas, e, logo, com a própria realidade, fosse adstrito a Cavaco, menos mal. Há, porém, mais tartamudo nefelibata no resto da esfera representativa convencional, a qual anda pela hora da morte. Por exemplo, o deputado comunista, Jorge Machado, quando se atira contra o roubo consignado no OE2013, dizendo esta mesma palavra grosseira e grotesca «Roubo», apanha logo pela frente o deputado do CDS-PP, Nuno Magalhães, o qual convoca a Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, contra a suposta autorização de um vocabulário chulo por parte dos deputados, uma vez que na casa da democracia não se deveria autorizar hipérboles e desbragamentos de café, tasco e confeitaria [termos a que Louçã estava exclusivamente autorizado e os quais elevou a mito ciceroniano] argumentário perante o qual Assunção Esteves se limita a mostrar que pode ser seráfica, mas não é perfeita, pois, admitiu, estava distraída. Era uma cassete. Não reparou. Pelo que se limitou a chamar a atenção para a necessidade de evitar esse tal vocabulário rasteiro e básico, regressando à distracção ou lazer tagarela da presidência da Assembleia nos seus colóquios intestinos. De loucos. [Read more…]

Democracia e Capitalismo são compatíveis?

Portugal vive há uns tempos sob a tutela estrangeira e com mais ou menos mentiras de quem nos governa, todos os indicadores mostram que o caminho escolhido não serve.

Dizem-nos que é muito difícil ser deputado da maioria, imagino que tal reflexão, deste boy, surge num contexto solidário em que o senhor deputado vai ficar a viver com os 377 euros do subsídio de desemprego. Só pode!

E se o caminho não serve, podemos procurar encontrar outros, ainda que concorde com o Ricardo Araújo Pereira que na Visão aponta uma coisa óbvia – não tem que haver alternativa no caso em que algo é manifestamente mau. Se a receita que está a ser aplicada não serve, para que acabe não é preciso haver alternativa. Basta que pare!

E são cada vez mais as vozes que procuram caminhos alternativos.

O Fórum “Cidadania pelo Estado Social” é uma dessas iniciativas e hoje, em Braga, na Universidade do Minho, aconteceu mais um debate, onde a Educação Pública esteve em cima da mesa. [Read more…]

RTP

A comunicação social em crise aproveita tudo o que mexe para se safar – no jornal I  fala-se da RTP Porto e de como esta é um problema, segundo eles, o maior dos problemas.

Há coisas que não são para explicar – a RTP tem que existir a Norte e não apenas no formato delegação. E tem que existir porque sim. A dimensão noticiosa de um país civilizado exige a presença do serviço público de informação (televisão e rádio, neste caso) de proximidade.

O jornalismo está longe de ser uma ciência exacta e por isso as vivências dos jornalistas, a sua existência enquanto pessoas junto da população é fundamental para perceber o pulsar do país e, com base nisso, construir informação de valor acrescentado. Reduzir a RTP a Lisboa ou, pior, reduzir a RTP à SIC e à TVI é um mau caminho que prejudica o país.

Quero que parte dos meus impostos continue a ser utilizado na RTP, no serviço público de informação e, claro, na sua produção no Porto e nas restantes delegações a norte.

A solução para o país não passa por fechar a paisagem e levar tudo para Lisboa.

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Actualização via face: Encontrei este texto da Jornalista Magda Rocha que não resisto a publicar: [Read more…]

Um hotel na Torre de Belém e o Museu dos Coches para a BMW?

Património cultural pode ser concessionado a privados.

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