Ao escrever um post do Aventar em França estarei a contribuir para uma comédia

E quem diz comédia, diz tragédia. É isto o socialismo?

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Memorando para reforçar relações culturais entre Portugal e Espanha

Que tenham assinado o memorando, acho bem.

Que tenham boas intenções, também acho bem, mas de boas intenções assinadas estão os caixotes do lixo cheios.

Enquanto a cultura for um broche para colocar na lapela, especialmente em cimeiras internacionais vazias de conteúdo prático, nada mudará em Portugal.

Em relação a políticas culturais é que sim, por uma vez valia a pena Portugal fazer o papel de bom aluno. Em Espanha já há muito se percebeu o valor da cultura e dos apoios para as áreas criativas como formas de valorização da sociedade, como instrumento económico e como forma de afirmação internacional. Mas não basta querer, é preciso investir nos artistas e criadores, nas estruturas e nas indústrias culturais.

Ora, para isso é necessário um ministério da Cultura e um aumento do peso da cultura no Orçamento Geral do Estado. E aí é que a porca torce o rabo.

O Tesouro de Manuel António Pina

25 de abril sempre e, por estes dias, mais que nunca!

Código da Estrada no Porto: os livros perdem prioridade

feiralivroportoEstá suspensa a realização da Feira do Livro do Porto, em 2013. A Câmara Municipal, ainda presidida por Rui Rio, tem dinheiro para “sustentar os 700 mil euros de prejuízo do Circuito da Boavista, houve dinheiro para sustentar a empresa de Filipe La Féria em igual montante durante a sua polémica passagem pelo Teatro Rivoli, num negócio que saiu caro à cidade, aos seus artistas e aos agentes culturais” (Porto24), mas não está disposta a investir no apoio a um evento profundamente enraizado na história da cidade.

Tal como na estrada, é tudo uma questão de prioridades: no Porto de Rui Rio, a cultura e produtos derivados, como os livros, têm de deixar passar os carros, especialmente se forem desportivos.

A imagem de cima mostra a Feira do Livro noutros tempos e foi encontrada em Do Porto e não só. A imagem que se segue corresponde ao projecto de Rui Rio para a Feira do Livro deste ano. [Ler mais ...]

Obras de Paula Rego vão-se embora de Portugal

Ainda acham que o país poupa dinheiro por não ter ministro (Ministério) da Cultura?

Pois é, o populismo dá nisto.

Adenda: depois de alguns comentários a este poste, vi este artigo no Público de hoje. Nem de propósito…

Projectar Matosinhos mas pouco

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© antonioparada.com | O que pensará Carrilho sobre os planos de António Parada para a Cultura?

Quem é António Parada (na foto ao lado de Manuel Maria Carrilho)? Um jota S matosinhense, nascido entre os pescadores, ali à beira do mar, o que só lhe fica bem (a proximidade com o mar e as suas gentes, quero dizer). Frase-lema para as Autárquicas 2013: Proje[c]tar Matosinhos. Projectar lá para fora. Turismo portanto. Mas também equipamento para o Desporto. Para tirar as crianças da rua, disse. As mesmas que mandaria para o mercado de trabalho em caso de falta de aproveitamento na escola, decerto.

Quanto à Cultura, um projecto central parece animá-lo: abrir o Cine-teatro Constantino Nery às colectividades da região, as quais, defende, também deviam ter direito a pisar aquele palco por onde só andam “as elites”, como lhes chama. Ou seja, destruir um dos melhores projectos culturais do Norte para lá fazer cultura popular, que é o que faz mais falta ao povo, como toda a gente sabe, e nem tanto um programa sustentado de criação de públicos para a Arte – que colectividades haverá sempre, haja ou não teatros de arte e museus ali ao lado.

“Os erros dos políticos muitas vezes têm consequências dramáticas na vida dos cidadãos”, afirmou há dias. Outras vezes, têm consequências na vida dos próprios políticos, o que ainda assim é bastante menos grave.

Fico a pensar que o PS anda realmente em baixo e que fariam melhor os socialistas se começassem a preparar os seus dirigentes locais no sentido de um combate político que fosse de facto alternativo ao do PSD.  E que fosse de Esquerda, já agora (isso é que era!) E já que estamos no domínio do sonho: que fosse capaz de compreender o verdadeiro alcance de um programa sério para a Cultura numa região subdesenvolvida. Mas lá está: quem tem o entendimento que tem António Parada da Educação não pode entender isto.

Um auto-retrato de António Parada, com programa eleitoral completo para Matosinhos, aqui.

Pontapé oficial

Levantei-me muito cedo no Sábado. Eram mais de 300 os quilómetros que nos separavam da Manifestação de Professores. Como eu, alguns milhares de professores (o SPN levou 60 autocarros) usaram a A1 para chegar a Lisboa.

Já depois das portagens, mesmo à entrada da capital, parou tudo! Alguns minutos depois, nem para trás, nem para a  frente. O diz que disse, os telemóveis que tocam e rapidamente se percebe que aconteceu alguma coisa.

Ficamos muito tempo dentro do autocarro  - para quem fuma, foi um tempo sem fim!

Chegámos, ainda sem almoçar, atrasados à Manifestação. Fomos a pé do Marquês ao Rossio e no fim o nosso autocarro estava parado 500 metros depois do viaduto, isto no sentido Santa Apolónia / Parque das Nações (são, segundo o Google Maps cerca de 5 km).

A viatura que nos transportou para casa tinha um problema no motor e tivemos que parar em todas as estações de serviço para meter água.

Quando chego a Gaia, um colega havia deixado a carteira num outro autocarro que já se tinha dirigido para Aveiro. Sim, isso mesmo – ainda fui a Aveiro!

Eram quase 4 da manhã quando consegui descansar.

Mas, mesmo assim, não compreendo este comportamento do Militar da GNR!

Subscrevo!

feira do livro

O blogue “Clube de Leitores”, que obteve 37,19% dos votos no nosso concurso do ano passado, tendo vencido a sua categoria, referiu ontem o fim da Feira do Livro do Porto.

Dando conta duma notícia do JN, “De acordo com o que noticiou o diário, na origem do problema está a recusa da Câmara Municipal do Porto em renovar o protocolo de quatro anos que terminou o ano passado, através do qual a organização da feira recebia 75 mil euros, apoio logístico e isenções camarárias”.

Ficamos a saber que a CMP não tem 75 mil euros para subsidiar um dos maiores eventos culturais da cidade.

Questão de prioridades, dir-se-á, e as corridas da Boavista são melhor investimento… Já os imperadores romanos nos tinham ensinado o “panem et circenses” para manter o povo feliz e contente.

O blogue adianta ainda, segundo Miguel Freitas, da APEL, “A avançar a feira iria realizar-se em Junho, mas para isso, segundo cartas enviadas pela APEL aos associados, terão de ser os editores a assumir a verba que a Câmara de Rui Rio deixou de atribuir”. E o secretário-geral da associação de livreiros não acredita que os sócios estejam dispostos a suportar gastos adicionais “num período de crise em que vivemos“. Junte-se o facto de  “os resultados comerciais no Porto não serem relevantes para a maioria das editoras“.

Perante esta situação, também eu subscrevo a frase lapidar do blogue: “Não há muitas palavras para estes acontecimentos para além de uma enorme vergonha e uma série de insultos que me queimam cada vez a língua”.

As diferenças entre José e Pedro

José foi Pai por convite  e Pedro um amigo de Jesus. Não creio que, pela proximidade ao Mister, qualquer um deles tenha merecido passos_coelho_jose_socrates_lusauma convocatória para a cidade condal. Aliás, estes dois nomes, com muitas semelhanças e algumas diferenças, terão alguma dificuldade em encontrar um lugar simpático lá em Cima.

Acredito que possa haver perdão em doses industriais para distribuir a quase todos, mas palpita-me que perante o evidente interesse público do perdão, este vai a caminho de ser privatizado ou então convertido numa parceria público-privada.

Na prestação de contas educativas in loco, cá pela Litosfera, diria que há uma enorme diferença entre José e Pedro  - José fez mal, mas não procurou transformar e educação num negócio. Pedro olha para a Educação e para a cultura como uma coisa menor, vendável e apetecível aos amigos. [Ler mais ...]

Podias era fazer um upgrading no teu writestyle!

Margarida Rebelo Pinto. “Tive de fazer um downsizing do meu lifestyle”

Resistir, der por onde der, ao Tsunami 2013

Cavaco tem tido os seus deslizes que o afastam preocupantemente da realidade. Não lhe caberia, logo a ele, colocar o dedo culpado na grande ferida nacional em que redundou a nossa desindutrialização e desactivação pesqueira dos anos noventa. Foi por sua mão. Dói. Mas se o problema de desconexão com a História, com responsabilidades passadas, e, logo, com a própria realidade, fosse adstrito a Cavaco, menos mal. Há, porém, mais tartamudo nefelibata no resto da esfera representativa convencional, a qual anda pela hora da morte. Por exemplo, o deputado comunista, Jorge Machado, quando se atira contra o roubo consignado no OE2013, dizendo esta mesma palavra grosseira e grotesca «Roubo», apanha logo pela frente o deputado do CDS-PP, Nuno Magalhães, o qual convoca a Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, contra a suposta autorização de um vocabulário chulo por parte dos deputados, uma vez que na casa da democracia não se deveria autorizar hipérboles e desbragamentos de café, tasco e confeitaria [termos a que Louçã estava exclusivamente autorizado e os quais elevou a mito ciceroniano] argumentário perante o qual Assunção Esteves se limita a mostrar que pode ser seráfica, mas não é perfeita, pois, admitiu, estava distraída. Era uma cassete. Não reparou. Pelo que se limitou a chamar a atenção para a necessidade de evitar esse tal vocabulário rasteiro e básico, regressando à distracção ou lazer tagarela da presidência da Assembleia nos seus colóquios intestinos. De loucos. [Ler mais ...]

Democracia e Capitalismo são compatíveis?

Portugal vive há uns tempos sob a tutela estrangeira e com mais ou menos mentiras de quem nos governa, todos os indicadores mostram que o caminho escolhido não serve.

Dizem-nos que é muito difícil ser deputado da maioria, imagino que tal reflexão, deste boy, surge num contexto solidário em que o senhor deputado vai ficar a viver com os 377 euros do subsídio de desemprego. Só pode!

E se o caminho não serve, podemos procurar encontrar outros, ainda que concorde com o Ricardo Araújo Pereira que na Visão aponta uma coisa óbvia – não tem que haver alternativa no caso em que algo é manifestamente mau. Se a receita que está a ser aplicada não serve, para que acabe não é preciso haver alternativa. Basta que pare!

E são cada vez mais as vozes que procuram caminhos alternativos.

O Fórum “Cidadania pelo Estado Social” é uma dessas iniciativas e hoje, em Braga, na Universidade do Minho, aconteceu mais um debate, onde a Educação Pública esteve em cima da mesa. [Ler mais ...]

RTP

A comunicação social em crise aproveita tudo o que mexe para se safar – no jornal I  fala-se da RTP Porto e de como esta é um problema, segundo eles, o maior dos problemas.

Há coisas que não são para explicar – a RTP tem que existir a Norte e não apenas no formato delegação. E tem que existir porque sim. A dimensão noticiosa de um país civilizado exige a presença do serviço público de informação (televisão e rádio, neste caso) de proximidade.

O jornalismo está longe de ser uma ciência exacta e por isso as vivências dos jornalistas, a sua existência enquanto pessoas junto da população é fundamental para perceber o pulsar do país e, com base nisso, construir informação de valor acrescentado. Reduzir a RTP a Lisboa ou, pior, reduzir a RTP à SIC e à TVI é um mau caminho que prejudica o país.

Quero que parte dos meus impostos continue a ser utilizado na RTP, no serviço público de informação e, claro, na sua produção no Porto e nas restantes delegações a norte.

A solução para o país não passa por fechar a paisagem e levar tudo para Lisboa.

—-

Actualização via face: Encontrei este texto da Jornalista Magda Rocha que não resisto a publicar: [Ler mais ...]

Um hotel na Torre de Belém e o Museu dos Coches para a BMW?

Património cultural pode ser concessionado a privados.

Nobel Literatura 2012

Mo Yan, o primeiro escritor chinês a receber este galardão.  Ai Weiwei reage.

Movi.Kanti.Revo

A Google e o Cirquedusolei deram as mãos para uma criação única. Imperdível!

As fotografias do Príncipe Harry nu

O tipo tem piada. Temos que reconhecer que ele dá alma à coisa.

Desta vez, de férias nos States, divertiu-se com os amigos. Ou antes, com as amigas e parece que há por aí fotos de Sua Alteza sem roupa.

Confesso que tenho muitas dúvidas sobre a publicação deste tipo de imagens, do foro privado, por jornais como o Público ou como o Diário de Notícias.

Não me parece que seja pública uma dimensão claramente privada da vida de alguém que é, sem dúvida, uma figura pública. Uma coisa é alguém, intencionalmente, mostrar algo mais do que a sua dimensão pública, como fez a Nicole Kidman. Outra coisa bem diferente é o uso deste tipo de imagens do Harry que se limita a viver a vida.

 

What You see Might Not Be Real


Chen Wenling, What You see Might Not Be Real,  2009 [Ler mais ...]

Saudades do futuro

Francisco José Viegas, talvez deslumbrado com o facto de ser entrevistado pelo Le Monde, aproveitou a oportunidade para tentar ser profundo e acabou por ser involuntariamente lúcido.

Servindo-se de psicologia barata e usando frases de literatura comercial, explica que Portugal não consegue ser feliz com a Europa porque “uma parte essencial das nossas raízes continua em África e no Brasil…”. No fundo, Viegas tenta justificar, aqui, o seu velho entusiasmo pela lusofonia, essa espécie de conceito que serve, sobretudo, para que políticos e universitários garantam uns tachos e o direito a molhar o pé nas águas tropicais, quando devia servir para que livros e ideias circulassem. [Ler mais ...]

Sou um trabalhador de cultura

Diogo Curto no suplemento Ipsílon do Público coloca a questão dos professores no tom e no ponto certo: cultura!

Num artigo muito claro o Historiador faz notar a importância da Escola, nomeadamente ao nível da escolaridade obrigatória, para a dimensão cultural de um povo.

Quando Nuno Crato coloca exames no 4º ano está a provocar uma divisão artificial e precoce que vai destinar alunos a uma segunda via onde a Cultura será um anexo da profissão. Para uns, os de menos sucesso, estará à sua frente um percurso centrado na aprendizagem (???) de uma profissão. Para outros, os que têm mais sucesso nos exames estará em cima da mesa um cardápio mais cultural.

Olho lá para trás e penso que fui pela primeira vez a um Museu numa visita de estudo. Foram os Professores que me levaram pela primeira vez ao Teatro e a música, nas suas múltiplas dimensões menos populares, só me chegou na Escola. Isto, para não falar dos livros e das revistas…

E quando me perguntam qual é o meu problema com o Nuno Crato respondo isto mesmo: [Ler mais ...]

Para NÃO Acabar de Vez com a Cultura

Nem sempre concordo com Daniel Oliveira. Esta é uma das vezes em que concordo absolutamente e assino por baixo.

Não há indústria do calçado, do têxtil ou do mobiliário que sobreviva sem bons designers. E não há bons designers sem bons artistas plásticos. Não há desenvolvimento das telecomunicações, dos novos media e do entretenimento sem conteúdos. E não há conteúdos sem desenvolvimento das artes. Não há turismo competitivo sem atividades culturais. E não há atividades culturais, incluindo as do puro entretenimento, sem cinemateatroliteratura. Não há cinema comercial sem o experimentalismo do cinema de autor. Não há marketing sem publicidade, não há publicidade sem realizadores e guionistas.

Tobis

Temos sido bombardeados de más notícias. Desde o aumento brutal dos combustíveis, aos raides surpresa as reformas antecipadas, aos zigues zagues da reforma administrativa, à perda do poder de compra, à instabilidade laboral na função pública, ao encerramento anunciado de unidades hospitalares, empresas, fundações e associações públicas.

Desculpem ocupar o nosso tempo com algo de menor importância quando há pessoas que passam dificuldades e não conseguem ver a luz no final do túnel.

No meio desta tempestade pouco tempo há para falarmos de políticas culturais, de língua portuguesa – salvo acordo ortográfico – e da salvaguarda da nossa identidade cultural.

É de crucial importância a publicação, em Diário da República, da designação do acervo da Tobis como património de natureza arquivística e audiovisual.

Que os angolanos fiquem com os estúdios mas estes arquivos tem de ser devidamente tratados e disponibilizados ao público como o verdadeiro Tesouro Nacional que são.

Basta ler parte do preambulo para sabermos que nesse arquivo temos alguns dos mais importantes filmes dos anos trinta e quarenta. Desde Maria Papoila, (Leitão de Barros, 1937), O Pai Tirano (António Lopes Ribeiro, 1941), Aniki-Bóbó (Manoel de Oliveira, 1942), O Costa do Castelo (Arthur Duarte, 1943), ou O Leão da Estrela (Arthur Duarte, 1947).

Ser Gente

adão cruz

Quando eu era criança, diziam-me os meus pais que eu tinha de fazer tudo para ser gente. Ser gente? Mas o que é ser gente? [Ler mais ...]

IVA na cultura

Não tenho nada contra a cultura, até acho que a cultura, como a restauração, os artigos de vestuário e os refrigerantes (ou a Coca-Cola) deveriam estar sujeitos à taxa mínima, se possível isentos de IVA. Também sei que as receitas da cultura não devem representar muito em termos de receitas fiscais, talvez seja esta a principal razão de o Governo ter cedido, mas não percebo por que é que se criam exceções quando sabemos que há aumentos que serão bastante mais injustos e destrutivos para algumas famílias portuguesas.

Sei perfeitamente que estamos a atravessar um período em que a racionalidade e/ou a justiça das medidas não são os pontos de discussão mais importantes, mas impõe-se o mínimo de coerência.

A publicidade das atividades culturais já é patrocinada com o nosso dinheiro na televisão pública; os atores, realizadores e afins já têm tempo de antena mais do que suficiente para promoverem os seus espetáculos (o que não acontece com as outras áreas), por que motivo continua a haver tamanha descriminação positiva em relação a estas atividades?

Texto de João Pinto / Cortesia de Criticamente Falando

Gente Burra

Voz – Diga nomes de países da América do Sul.

Cátia – América do Sul não sei, voz, por acaso não sei.

Voz – Nem um?

Cátia – Hummm… (longa pausa)… áfrica? não sei.

Oh Cátia, qualquer dia acabas o 12º nas novas oportunidades…

A psicanálise da homossexualidade

divã de Freud

O divã de Freud

Após lançar rascunhos sobre a psicanálise, o que era dito pelo cientista em questão sobre a homossexualidade? Bem sabia ele quais eram as suas preferências. Era casado com a sua mulher Marta, com a qual tinham já quatro filhos. Ela já não queria mais e solicitou separar quartos.

Como judeu, o Talmude proibia a masturbação e o amor entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, como diz na sua auto análise, sentia uma certa paixão pelo seu cunhado, casado com a irmã da sua mulher. O livro de Didier-Ansieu, de 1959, L’Auto-analysede Freud, Payot, Paris, traduzido ao luso-brasileiro em 1990, confirma esta asserção. Ninguém diz que Freud teve opções pelo mesmo sexo, mas o seu celibato obrigatório, levava-o a procurar sentimentos de acolhimento, por causa da sua mulher o ter mandado ao quarto vizinho. Como analisava no texto sobre resiliência, todo o ser humano precisa de afectividade e Freud tinha apenas a sabedoria dos seus discípulos e as queixas dos seus doentes e a [Ler mais ...]

A religião como teoria da reprodução social

casal namoradosUm ensaio com semelhante título deveria constituir um debate alargado e aprofundado de várias centenas de páginas. Os conceitos de religião e de reprodução social são, por si só, controversos, estando a proposta de trabalho que o título encerra em desacordo com as melhores hipóteses de estudo do campo religioso. Desde que Tylor (1871) e Frazer (1887), na perspectiva evolucionista e positivista (racionalista) do século XIX, decidiram que a religião era o preâmbulo da ciência, o tema tem sido debatido no campo do ideológico. As próprias contribuições de Marx e Engels (1844, 1846, 1867, 1878, 1892) abordaram geralmente a religião enquanto um conjunto de representações que desaceleram a passagem de uma a outra forma de trabalho na história dos povos. Durkheim e a tradição que fundou, prolongada em Malinowski, Radcliffe-Brown, Mauss e Lévi Strauss, separam do campo do quotidiano os assuntos que constituem matéria de acções e pensamentos que são criados mas não entendidos.

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E se privatizássemos a ideia de Ministério da Cultura?

 

 O ministério da Cultura é, como todos os outros, apenas a extensão de um governo. Independentemente de quem está à cabeça, se existe ou não, não passa de uma filial político-partidária. É certo que existiram consulados ministeriais mais activos do que outros. O de Manuel Maria Carrilho, apesar de muitas críticas, conseguiu dinamizar a  cultura pública e os seus múltiplos organismos. Mas por muito que se discuta, discute-se o irrisório, a banalidade. Gabriela Canavilhas desfila pelos salões, sorri, distribui gracejos. Umas pianadas. Talvez isso faça dela uma excelente ministra: o existir, apenas. Como até há bem pouco, o ser-se directora de Museu, para cujas habilitações concorriam, em primeiro lugar, aquelas damas que sabiam tocar piano e falar francês, Canavilhas encarna o papel na perfeição. O resto são fait-divers. O Ministério da Cultura é, antes de mais, a sopa dos pobres: para quem circula lá dentro como cliente de um partido ou, cá fora, dos artistas que aceitam todo o tipo de subsídios, desde que isso os mantenha a trabalhar. O MC não passa de uma extensão da Segurança Social.
E, por isso é que se discute uma banalidade: para quê tanta tinta sobre se irá existir, ou não, um Ministério da Cultura, se tudo o que se passa neste Ministério é, isso sim, e no mínimo discutível?
Por que não privatizar a ideia do Ministério? Por que não, traçar uma estratégia de verdadeira dinâmica nas extensões que dele dependem? Conferir estatuto de verdadeira independência a certas organismos como ao Igespar ou aos Museus Nacionais, por exemplo. Como é possível que o Igespar, cuja função é superintender e salvaguardar o património nacional esteja submisso aos interesses político-partidários frequentemente financiados pelos favores da construção civil e do asfalto? O património e o ambiente (outro ministério aberrante) deviam reger-se por fundos próprios, na directa administração de instituições público-privadas com poderes muitos específicos que o próprio Estado só pudesse contestar a nível judicial. Caso contrário, as situações como as do Tua, em que alguns arqueólogos, pressionados pelas chefias, chumbaram o interesse histórico e patrimonial de uma linha férrea centenária, continuarão a suceder-se.
A ideia de um ministério meramente formal, que exista para cortar fitas, distribuir benesses e prémios a uma elite endogâmica é que devia ser discutida, e não se o PSD vai extinguir o ministério. Nós sabemos – conhecemos muito bem, aliás -, qual são as estratégias do PS e do PSD para a cultura. Ambos os partidos estão no poder há tempo suficiente para perceber que qualquer um deles e cada dos seus apaniguados encaminhados para o MC não entendem, nem precisam entender o alcance e o valor da cultura. Bom, e talvez tenham alguma razão.
Os livros e o teatro não dão votos, nem passam cheques. Mas aí já teríamos que discutir os gostos do “povo”. E o povo, afinal, é quem mais ordena.

O Historiador.

V. Magalhães Godinho (C) José Ventura / Expresso

 O ofício de Historiador já foi respeitado em Portugal.
Alexandre Herculano era ouvido pelos políticos, Oliveira Martins constituiu uma espécie de decano da sabedoria oitocentista e, mais recentemente, a perda de A. H. de Oliveira Marques originou um irremediável vazio na cultura portuguesa. Bem sei que José Mattoso assume ainda o papel de uma mítica figura, a que se recorre, de quando a quando, para questionar sobre o esplendor do Passado e honrar a intelectualidade a partir da ideia do velho sábio, entretido entre alfarrábios, a compilar dados inúteis que ninguém lê ou lerá a não ser ele próprio. Mas os últimos anos têm levado o resto do valor da figura do Historiador. E agora mesmo desaparece Vitorino Magalhães Godinho, um homem inconformado, como todos o deveriam ser.
Vendo bem, o grande problema na forma como se olha para o ofício de Historiador é o de nunca o considerarmos como um inadaptado, como alguém que ousa falar contra. O Historiador, para o público comum, é um ser inerte, acomodado, bibelot decorativo de arquivos e bibliotecas. Em último caso, um animador de palestras ou de comemorações de centenários, às vezes agitador de intelectuais ou entretenimento ligeiro para telespectadores curiosos. E a culpa deste cliché acaba por ser dos próprios.
Primeiro, porque os Historiadores, aqueles que acreditam que fazem ciência, que escrevem para o desenvolvimento do conhecimento colectivo, admitem que a História seja mal tratada. Todos os dias as Câmaras Municipais publicam “monografias” redigidas a título gratuito por amadores. Desde logo, o Historiador passa a ser um estoriador, um carola que vive de ar e vento e escreve uns artiguelhos por simples diversão. Aliás, qualquer indivíduo minimamente instruído parece mais do que qualificado para escrever História, desde o comentador político ao jornalista. E para um Presidente de Câmara cujo objectivo maior é encher o seu município com rotundas, chafarizes e sinais de trânsito, e exaltar estas hediondas obras, qualquer livro com fotografias e alguns textos laudatórios é passível de constituir edição maior da História Local.

Pois nenhum historiador clama contra isto. Nem a Academia Portuguesa da História, cujo objectivo principal devia ser o de zelar pela preservação da Memória nacional é capaz de se insurgir contra esta “deseducação” massiva que alimenta bibliotecas escolares, como se fosse possível levar a sério a prosa de um médico ou de um operário só porque leram meia dúzia de verbetes no dicionários do Pinho Leal!
Depois, o Historiador escreve quase sempre de si para si. [Ler mais ...]

a religião é a lógica da cultura


Für Elisen    Beethoven

A religião é a lógica da cultura*
Para a nossa filha Camila Iturra- González de Isley, no dia do seu Aniversário.

Retirada do livro Em nome de Deus. A religião na Sociedade contemporânea, livro escrito a partir do Seminário sobre Sociologia da Religião, coordenado pelo docente de UBI, Donizetti Rodrigues, Afrontamento, 2004- O texto tem sido reescrito com a data de hoje.

1. Introdução.

Falar da religião como lógica da cultura, é uma hipótese ou proposição que nem sempre é entendida com facilidade. Por vários motivos. O mais evidente, penso eu, é o processo

[Ler mais ...]

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