Madame Lagaffe, benemérita das crianças nigerianas, afinal não paga impostos.
via Indignados Lisboa
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
Christine Lagarde, de uma penada, descobriu que a situação da Grécia se deve ao facto de os gregos não pagarem impostos. Tendo em conta o exemplo desta senhora, fica-se com a impressão de que ser economista é, afinal, muito simples, embora a verdade seja a de que estamos diante de um discurso ideológico sem ponta de cientificismo ou de análise criteriosa.
Como se não bastasse a Lagarde deixar escapar afirmações tão simplórias, ainda acrescenta a bestialidade de que os problemas das crianças gregas perdem importância quando comparados com os das crianças do Níger. Não faço ideia se a alimária encanecida que preside ao FMI tem feito alguma coisa pelas crianças africanas, mas considero tristemente risível esta ideia de desprezar o sofrimento de uns por haver outros que estão pior: é uma falta de respeito por todos.
Como é que chegámos à situação de bancarrota ou pré-bancarrota?! E porquê insistir na narrativa que o senso comum já assimilou e reproduz todos os dias, culpando o passado e não tanto o caminho aselha seguido agora? Porque, salvo raros media, parece proibido assacar e imputar ao PS, e ao sapateiro que o guiou, responsabilidades crassas pelo que nos trouxe até aqui. Veja-se o Público: obnubilação completa dos casos e podres do espécime sob a égide de São José Almeida, uma das opinadoras residentes mais profundamente suspirante e messianística do passado rançoso recente do seu partido.
Se é certo que o TGV não se concretizou e, quanto a aeroportos, nasceu somente o elefante branco do de Beja onde as ervas e os chaparros medram, muito dinheiro foi queimado em estudos e compromissos, coisa a não escamotear no seu impacto. Perante a rebaldaria completa e a captura do Estado pelos fautores de negócios chorudos para si à conta de PPP e de outros desmandos grosseiros contra Portugal, o FMI, que é uma rigorosa merda falhenta e caolha, seria infinitamente melhor que continuarmos sob saque socialista, com os saqueadores socialistas de orçamentos sempre sorridentes, protegidos pela Procuradoria e pelo Diabo-a-Quatro, dignos de repouso e sossego.
Depois veio Passos com a Troyka, outra merda atrevida e caolha, inocular um zelo desmesurado na aplicação de uma receita sacana, estranguladora, subindo impostos como os outros, sacrificando os mesmos como os outros, desengordurando o Estado, mas pouco, coisa a que os outros se recusavam, porque estar no Estado, usá-lo, e sugar-lhe tudo para si, sempre foi o desígnio supremo dos ratos do Rato, a começar pelo devorista exemplar Soares, pai carnal e espiritual deles todos. [Ler mais ...]
Nesta pausa de Maio em que o trabalho aparece entre o Vítor e o Jesus porque o Mortimore e o Meirim já eram, apetece lembrar o FMI de José Mário Branco, na altura com 37 anos! Uma idade que me diz muito!
Porque o respeitinho é muito lindo:
Também está disponível a segunda parte: [Ler mais ...]
O sr. FMI sugere que a resolução dos problemas estruturais profundos é a única saída para o nosso país.
E parece-me que o Homem tem razão. Podemos começar por mexer na questão do financiamento às empresas. Os contribuintes europeus entregam o seu dinheirinho ao Banco Central Europeu, que o empresta aos Bancos a 1%. Depois, cada um de nós vai lá, aos bancos, “pescar” crédito a 6 ou a 7%. Ou seja, os Bancos emprestam-nos o NOSSO dinheiro e ganham com isso. É um exemplo de problema estrutural profundo que seria importante resolver. Mas há mais. [Ler mais ...]
Imagine que escrevia aqui que um organismo internacional, ligado à ONU, sugeriu aos governos deste mundo que baixem as pensões de reforma dado o risco de as pessoas viverem mais tempo do que aquele que está previsto, dando cabo da economia, recomendando mesmo que a idade de reforma se aproxime da esperança média de vida.
Claro que me chamariam tolinho, no mínimo, e seria mais uma vez acusado de esquerdista paranóico ou coisa que o valha.
Passa pela cabeça de alguém que em pleno séc. XXI alguém queira combater o prolongamento da vida das pessoas reduzindo-as à miséria e obrigando-as a trabalhar até caírem para o lado?
Claro que não. Só passou pela cabeça do FMI, que não é composto por pessoas, nem publica análises escritas por humanos. Sejamos rigorosos: o FMI é composto por filhosdaputa e vai parindo umas coisas escritas por animais irracionais. Não, não estou a delirar, está no El País.
E já agora acrescento: a economia começa a estar para a ciência como a medicina esteve para a mesma há uns 100 e tal anos, no tempo da eugenia que descambou no nazismo. Eles andam aí.
Há dias, Christine Lagarde, DG do FMI, concedeu uma entrevista à estação televisiva CBS, centrada no tema da dívida grega. Sumariamente, afirmou:
No final, ao que se sabe pela comunicação social portuguesa, SIC em especial, Lagarde admitiu a bancarrota e a saída da Grécia do Euro.
Um farmacêutico grego, de 77 anos, suicidou-se na Praça Syntagma em Atenas. Na derradeira carta, deixou clara a razão da opção pela morte: ter sido privado de meios para a sobrevivência. O FMI, de Lagarde, lamentou. Hipocritamente.
Esta morte de Dimitris Chrisoula teve origem na pandemia das medidas do FMI. Efeito, de facto, pandémico que, surda e perfidamente, está a matar silenciosamente muitos europeus do Sul – em Portugal, em 2010, registaram-se 1195 suicídios, acima, das 1135 mortes nas estradas. São indicadores de reflexão obrigatória. [Ler mais ...]

O tratamento anterior aplicado à Grécia não funcionou. Por isso, vamos repetir a dose e vamos esperar que funcione. Este será o terceiro pacote de austeridade. É de doidos, é óbvio que não vai funcionar.
Sugestionado pelo título de uma série televisiva americana, ‘O Dia em que a Terra não Aguentou’, ocorreu-me formular a pergunta: “Qual o dia em que a União Europeia não aguentará?” E, de seguida, coloco outra questão: “Esse dia está próximo ou nem sequer se deve imaginar como provável?”
Por muito e esmerado esforço mental, sou incapaz de responder convictamente às duas questões. Valho-me da informação avulsa, e tanto quanto possível credível, publicada em diversas fontes de comunicação social e não só, e mais atabalhoado fico. Vejamos então:
A) O “The Guardian” informa:
O FMI adverte a possibilidade de catástrofe, pelo facto da Comissão Europeia contestar a Standard & Poor’s sobre a descida dos “ratings”.
A notícia do jornal inglês é, de resto, bastante extensa e não deixa de fora outros focos da crise: “Alemanha não vê razão para reforçar o fundo de resgate da Zona Euro, apesar da descida da notação da França”; “O incumprimento da Grécia não é impossível”; “Sarkozy pede a Espanha que mantenha o lugar no BCE, apesar da Finlândia e a Holanda o ambicionarem”;”O BCE reforçou o seu programa de compras de dívida na semana passada, mesmo antes da S&P cortar o “rating” a nove países”…
B) Leio o “The Irish Independent” e fico a saber:
Joan Burton está simplesmente a dizer uma verdade óbvia sobre um segundo resgate…porquê silenciá-la?
Segundo a revista Visão, os juros a cobrar pela Troika ( 34.400 milhões de euros num empréstimo de 78.000 milhões) correspondem a:
38 pontes Vasco da Gama
10,5 novos Aeroportos de Lisboa
20 linhas TGV Lisboa-Madrid
123 aviões Airbus A 380
17,5 fábricas Autoeuropa
265 hospitais
Não será isto aquilo a que chamam “viver acima das nossas possibilidades”?
O “La Stampa” anuncia hoje que o FMI está a preparar um resgate de 600 mil milhões de euros para a Itália (também saiu uma nota no Público).
Actualização: O FMI já veio desmentir a notícia do La Stampa.
Chegou (ou regressou) a Hungria, que acaba de pedir “ajuda” ao FMI. Com um governo de direita, fora do euro, a Hungria terá sido vítima de quê? dos mercados, da especulação e da crise internacional que provocaram, não foi que isso não existe. Deve ter sido bruxedo. Só pode.
Entretanto procurem bem pela notícia que encontrei por mero acaso. Está escondida, para ninguém saber. É segredo, tal como o facto de os mercados estarem a votar em Espanha desde ontem e Rajoy antes de tomar posse a ir da rajada.
O FMI anunciou hoje em comunicado que António Borges comunicou à Directora Christine Lagarde a sua intenção de deixar o FMI, com efeitos imediatos, por motivos de saúde.
António Borges ocupou o cargo em Novembro de 2010 pela mão do tristemente famoso Dominique Strauss-Kahn.
O substituto foi imediatamente apontado pela Directora do FMI. Quem vai desempenhar o cargo vai ser Reza Moghadam que entra em funções amanhã.
As palavras de circustância de Christine Lagarde foram (traduzidas à pressa):
António Borges conduziu o Departamento Europeu durante um periodo extremamente difícil para os membros da Eurozona. A sua vasta experiência no sector público e privado, e a sua experiência académica, combinadas com a capacidade de criar fortes relacionamentos com as autoridades dos países membros, foram de grande valor para responder a esta crise.
Espero ansiosa que Reza Moghadam, aplique ao nosso trabalho na Europa, a mesma visão estratégica, ímpeto e cuidado que demonstrou ter na sua anterior posição. A excelente prestação em todos os postos que ocupou no FMI bem como as suas qualidades de liderança fazem de Siddharth Tiwari uma pessoa qualificada para ocupar o cargo deixado vago por Reza Moghadam.
Tendo em conta o exemplo Grego e Italiano temo que alguma mudança governamental esteja na calha para Portugal. Será que o Gaspar se quer ir embora? Estamos a assistir a uma dança de cadeiras destinada a consolidar as políticas da Sra. Lagarde? (Pura especulação.) Ou o homem está mesmo doente?
Todas as opções são más.
A diretora-geral do FMI considerou como prioritário evitar a recaída na recessão do que endireitar à força as contas públicas no curto prazo, comentou a Eurointelligence. Viragem ao crescimento, em vez de austeridade, como prioridade, acrescentou esta agência europeia de informação. “Dito de um modo simples, as políticas macroeconómicas devem apoiar o crescimento. E a política monetária deve, também, manter-se altamente ‘acomodativa’, pois o risco de recessão ultrapassa o risco de inflação”, segundo as palavras da própria.
A citação é do Expresso, não é do Inimigo Público. E agora? Estava tudo a correr tão bem, a austeridade até ia chegar aos muito ricos… se calhar foi por causa disso. E nada a temer: arranja-se já um escândalo para Christine Lagarde. Trabalhadores da hotelaria de todo o mundo, cuidai-vos.
Os bancos já têm garantidos mil milhões até ao fim do mês. Se os políticos que temos estivessem interessados em ter uma campanha eleitoral para informar os cidadãos, então este seria seguramente um dos pontos em discussão – dadas as circunstâncias, talvez o único ponto em discussão. Em vez disso perderam-se em agitar bandeirinhas, pequenos insultos, chicanas políticas e outros jogos de crianças, tratando o cidadão eleitor como débil mental. O PS/D + PP tentou a todo o custo iludir esta questão. Afinal que interessa para umas eleições a política económica e social dos próximos anos? – Para os políticos, absolutamente nada.
Assim, porquê tanta pressa em disponibilizar o dinheiro aos bancos? – que ainda há pouco diziam estar perfeitamente capitalizados. – O motivo é simples, os bancos portugueses estão falidos, e não sou eu quem o diz, é o próprio governo. Se lerem o Memorando de Políticas Económicas e Financeiras, ontem divulgado pelo FMI, mas que já era do conhecimento público há muito tempo, poderão ler:
Nem uma única palavra acerca dos compromissos assumidos com o FMI. Apenas folclore. É o que dá estas campanhas eleitorais que há muito que não são mais do que arruadas de circo de fracos palhaços, malabaristas e ilusionistas.
Tradução do conteúdo do
MEMORANDO DE ENTENDIMENTO SOBRE AS CONDICIONALIDADES DE POLÍTICA ECONÓMICA
Nota: O idioma da versão original e oficial do Memorando em referência é o inglês. A presente versão em português corresponde a uma tradução do documento original e é da exclusiva responsabilidade do Governo português. Em caso de eventual divergência entre a versão inglesa e a portuguesa, prevalece a versão inglesa.
A desculpa final do governo demissionário por ter evitado, ou pelo menos protelado, que os portugueses pudessem ler em português um memorando de entendimento com entidades estrangeiras, foi a de o acordo só ser oficial depois de assinado. Desde 6 de Maio que o Aventar disponibilizava uma tradução, que tem sido revista a partir de sugestões de leitores.
Foi assinado o acordo a 17 de maio, e a 20 de maio publicado no site do Ministério das Finanças.
Você sabia? Eu também não.
Já que pelos vistos o que prevalece é a versão inglesa, fique com:
É o que digo: com um governo que concorre assim com a iniciativa privada não vamos a lado nenhum. Privatizem-no.
No dia 1 de Junho, foi publicado no site do FMI uma tradução do MEPF (carta do governo para a Troika), ao que tudo indica não tem diferenças para a versão que traduzimos aqui no Aventar. Pode consultar esta versão em:
Nestes últimos tempos não se tem falado de outra coisa senão do acordo com a Troika. Os partidos fazem acusações entre si, a comunicação social vai vivendo destes pequenos atritos e os pundits produzem os respectivos sound bites. Depois de analisarmos toda esta barragem de comunicação, conclui-se que a triste verdade é que ninguém parece estar interessado em deixar os portugueses pensarem por eles mesmos. Decidimos por isso avançar com a tradução da Carta do Governo, o Memorando de Política Económica e Financeira.
Para ajudar à navegação, lembrar que dos documentos da Troika, constam três memorandos:
O documento MoU é o mais popular dos três e foi escrito pela Troika. O MEFP foi divulgado em simultâneo com o MoU e é a tal “carta” que Louçã citou no debate com Sócrates sobre a TSU (Taxa Social Única) – ver parágrafo 39. É um documento oficial onde o Governo anuncia o que vai fazer a troco do apoio financeiro. Foi entregue à Troika e é referido por diversas vezes no MoU. O MEFP mostra o futuro agreste que nos espera, bem diferente das suaves comunicações que têm sido feitas sobre o “bom acordo” que foi alcançado.
Revisão de: 2011.05.20 00:05
Índice
A. Introdução e perspectivas macro económicas
B. Redução da Dívida Pública e Défice
C. Racionalização do Sector Público
D. Proteger o Sistema Financeiro quanto a desalavancagem
E. Aumentar a competitividade através de reformas estruturais
F. Assuntos programáticos
Créditos
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NOTAS:
José Sócrates em debate com Jerónimo de Sousa, afirmou com alguma convicção que o memorando teria sido traduzido e disponibilizado aos portugueses. Mas o Minitério das Finanças não fez esse trabalho. Quem o fez foi a equipa do Aventar com a colaboração dos seus leitores. Pode ler, não graças ao governo, nem aos partidos, nem sequer à comunicação social, seguindo este link.
O Público refere que o governo preferiu dar aos portugueses apenas uma versão reduzida. Mas, enfim, nem isso é verdade, o que existe no site do MdF é apenas uma apresentação e um discurso, onde se tomam as liberdades de comunicação normais deste governo.
O Aventar já soube que o advogado de Strauss-Kahn irá intepor recurso para o Tribunal da Relação do Porto, caso os actos de que está acusado venham a ser provados.
Os bombeiros do belo edifício do Reichstag decidiram-se a defender aquilo que tudo indica ser do interesse da Alemanha, ou seja, o chamado “resgate a Portugal“. O mais surpreendente consiste na sugestão de Gysi, antigo membro do SED da anexada RDA, quando propõe um novo Plano Marshall destinado aos países em risco de colapso.
Tendo sido o Plano Marshall um dos cavalos de batalha da luta que Estaline travava contra os vitoriosos Aliados do Ocidente, os novos tempos parecem fazer dissipar as nuvens de outrora e Gysi está absolutamente certo, quando se insurge contra os esmagadores juros que serão impostos a Portugal. Sincero ou piedoso impulso, ou apenas um recurso na luta política parlamentar alemã – os “bons” e os “maus” -, esta sugestão vem ao encontro dos nossos interesses. Oxalá pudesse ser implantada, mas no extremo Ocidente da península europeia, não se vislumbra um único agente político com credibilidade para gerir um hercúleo plano que deverá ser rapidamente implementado.
O Memorando da Troika foi divulgado ao país no dia 3 de Maio. Em Inglês. Entretanto, o País ficou à espera que fosse disponibilizada a tradução de documento tão importante. Pelo Governo, por um dos Partidos ou pela Comunicação Social – todos tinham obrigação de o fazer.
O País ficou à espera, mas mais valia que tivesse ficado à espera sentado. Os dias passaram-se e nada. Não fosse o Aventar traduzir o documento na sua totalidade, através do Helder Guerreiro e do Jorge Fliscorno, e hoje o País continuaria sem saber o que diz esse Memorando. Um trabalho de fôlego que tem vindo a ser constantemente actualizado e melhorado graças à participação dos nossos leitores e às mais diversas contribuições.
Repare-se que o Aventar é um blogue constituído por pessoas que têm as suas profissões e que não tinham qualquer obrigação de substituir nesta matéria o Estado, o Governo, os Partidos ou a Comunicação Social.
Percebe-se agora que não vai haver tradução oficial do Memorando de Entendimento com a Troika. Nem é preciso. A tradução do Aventar já está a correr por mail e já foi publicada em todo o lado, mesmo que muitos – de forma extremamente elegante – tenham preferido omitir a fonte a que recorreram.
Não havendo tradução por quem de direito, a tradução do Aventar passa a ser, assim, a TRADUÇÃO OFICIAL do documento. Não precisam de agradecer.
Por Santana Castilho *
1. Nós, eleitores, somos avessos à mudança. É só olhar para a história da nossa democracia. Avessos à mudança, conservadores e medrosos. A irracionalidade do medo, digo eu, não permitirá a 30 por cento dos eleitores, dizem as sondagens, ver que o Estado protector foi posto em licença sabática, substituído dissimuladamente pelos interesses e pelas empresas do regime e está falido. Isso, com todas as letras, falido.
Se tudo correr bem, teremos salários porque nos vão emprestar 78.000 milhões de euros. Mas não desaparece o problema. Desaparece o aperto com que o aventureirismo e a irresponsabilidade de Sócrates nos arrastaram para a vergonha internacional.
O chefe da equipa do FMI foi claro quando referiu, publicamente, que a situação a que chegámos, isto é, não termos reservas para satisfazer compromissos se não vierem em nosso socorro já em Maio, obrigaria a que o pedido de resgate tivesse sido apresentado há muito tempo. [Ler mais ...]
Vejam só quanto são nossos amigos os parceiros europeus.
Os 78 mil milhões da ajuda externa estão divididos em duas parcelas: uma assegurada pelo FMI (26 mil milhões) e outra garantida pelos países europeus (52 mil milhões). Acontece que os juros do empréstimo do FMI serão de 3.25% nos primeiros 3 anos e de 4.25% no quarto ano. Já a taxa de juro média dos empréstimos garantidos pelos países europeus será “claramente abaixo dos 6.0% e deverá ficar nos 5.5%” (afirmou Olli Rehn, citado pelo i).
Isto porque «as regras europeias prevêem que a taxa de juro aplicada aos programas de assistência financeira seguem a regra aplicada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) mais um “pequeno prémio” de risco (no Público.)»
Portanto, este “pequeno” prémio de 2.25% é quanto vale a ajuda dos nossos parceiros. Ainda bem que não são nossos adversários…
Agora, vejam lá quem é o papão. Andou-se meses a falar que o FMI nos ia engolir vivos e, afinal, são aqueles que ficam para lá de Vilar Formoso que nos vão às canelas. Acresce ainda que o nosso iluminado engenheiro andou a tentar não pedir ajuda externa (leia-se FMI) à espera de uma eventual flexibilização do tal Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Se tal tivesse acontecido vê-se agora quão bom teria sido. Não valia mais ter pedido ajuda ao FMI (leia-se FMI e não FMI+BCE+CE) em vez de se ter colocado a estratégia eleitoral à frente de tudo o mais? Valer mais, valia. Mas não era a mesma coisa.
PPC veio com a linha de discurso ou nós ou eles. Na verdade, ele disse ou eles ou nós mas isto é apenas um detalhe. Por uma vez se vê uma argumentação que possa ser desenvolvida para pôr a descoberto os anos de governação que nos levaram à bancarrota. Sim, porque é disso que se trata neste empréstimo de 78 mil milhões de euros. 7800 euros a cada um de nós, seja bebé, seja moribundo. E atendendo a que apenas pagam impostos cerca de 3.5 milhões de portugueses isto dá hmmm é só fazer as contas.
Os nossos aventadores Helder Guerreiro, Jorge Fliscorno e mais alguns meteram as mãos na massa, e fizeram o que a comunicação social não fez: traduzir para português as 34 páginas do memorando do acordo com a troika FMI-BCE-CE.
Concorde-se ou não com o acordo é um documento fundamental e que provavelmente vai reger a nossa vida nos próximos anos. Temos todos direito a lê-lo, e não apenas aos resumos que jornalistas e políticos vão fazendo. Como muitos comentaram foi um verdadeiro serviço público prestado por estes nossos colegas, a quem presto homenagem, em meu nome e no dos restantes aventadores. E uma vergonha para a comunicação social, que não se deu a esse trabalho, que poderia e deveria ter sido feito por profissionais.
Não é uma obra acabada: alguns leitores chamaram a atenção para pequenos erros, naturais num trabalho feito voluntariamente por amadores, mas para já está concluída. Agradecemos, em particular ao Pedro Braz Teixeira que tem feito alguma revisão do texto, e solicitamos que na respectiva caixa de comentários nos indiquem qualquer falha que encontrem. Aguardaremos por essas críticas, passando depois à edição do texto em ficheiros para download. Trabalho partilhado e em rede, pois claro, como se faz no séc. XXI.
Mais uma vez, obrigado.

A secção algarvia do Aventar já soube que Zezé Camarinha, o antigo macho lusitano, vive dias de grande tristeza: “Ê consegui comer munta estrangêra, mas o marafade do Têxêra dos Santos conseguiu fornicar um país intêre sem sair de Lisboa! Ele é que é o maior!” Entretanto, o ex-ministro das Finanças, como se pode ler no Público, deu uma explicação para o facto, usando uma linguagem digna dos melhores manuais de sexo: “Procurei sempre avançar com soluções que me parecessem adequadas.”
Quinhentas e sete crianças, da Casa Pia, foram utilizadas como cobaias num estudo para determinar os efeitos neurocomportamentais da utilização de amálgamas contendo mercúrio nos dentes. Não deixe de ver esta reportagem.
Recomendo a leitura deste artigo a todos aqueles que elogiam o Acordo Ortográfico de 1990. O presidente da Associação Portuguesa de Escritores lembra os erros de natureza técnica e chama a atenção para o “risco de uma perigosa deriva da língua”. Por seu turno, o presidente da … [Ler...]

com Nuno Lopes, Beatriz Batarda e Miguel Guilherme
Um filme português realizado por Marco Martins (2005). Ficha IMDB
Uma comédia: hoje no parlamento. Começou com 20 minutos de atraso, está neste momento no ar. (Informação extensa sobre o caso BPN aqui e aqui.)
É Obama que dá ordem de morte a suspeitos de terrorismo.
Uma parte é porque despedem -
desculpem, “rescindem amigavelmente” - trabalhadores. Outra é porque não rescindem.
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