Fátima. O ano em que os portugueses foram pedir emprego a Nossa Senhora*

Não dura sempre. Um dia deixam de pedir de joelhos, e exigem-no de pé. Fiem-se na virgem e não corram e vão ver o trambolhão que levam. Tenham medo, muito medo, Portugal não é a Grécia, é mais Maria da Fonte e sobretudo Revolta do Manuelinho. É de uma vez, sem sindicatos ou partidos e vai tudo raso.

*Título roubado a uma excelente reportagem de Rosa Ramos.
Sobre as alterações populares que no final da 3ª dinastia fizeram do cobardolas João de Bragança o “corajoso” João IV, há muito estudadas por António Oliveira e outros, falta material de divulgação na net. Se mais ninguém o fizer um dia destes trato disso.

8 de maio de 1945: a guerra acabou na Europa

Escolho esta fotografia de Yevgeny Khaldei, intitulada O Hastear da Bandeira Soviética nos Telhados do Reichstag para ilustrar o dia por várias razões. A sua beleza plástica é indiscutível, não tenho pachora para o mito cinematográfico de ocultar que a guerra se decidiu a leste e a sua batalha decisiva foi a de Kursk e também porque demonstra como antes antes do photoshop já se retocavam imagens.

Esta é a versão original. Após o corte publico a retocada. Descubra as diferenças… [Ler mais ...]

O que é um pandêgo?

É parecido com um pândego, mas com dificuldades em acentuar. Para além disso, trata-se de alguém que, provavelmente, acredita que São Francisco de Assis é igual a Torquemada porque são ambos católicos.

Giraldo

Nos meados do século XII o Gharb Al-Andalus vivia tempos conturbados. A ameaça do reino de Bortuqal era cada vez maior. Ibn Arrik (Afonso Henriques) conseguira fazer descer a fronteira para o Vale do Tejo e transferira a sua capital para Coimbra, onde procurava granjear o apoio dos moçárabes e fazer no Alentejo uma guerra de desgaste com os seus cavaleiros-vilãos. Para além disso, contava com o apoio dos temíveis Franj, ou cruzados, que mostraram toda a sua crueldade durante os massacres que levaram a cabo na conquista de Lisboa de 1147, na qual inclusivamente assassinaram o bispo moçárabe da cidade.

Do lado do Islão a unidade era difícil de alcançar, já que os recém-chegados Almóadas sentiam dificuldades em unificar o território, pois subsistiam bolsas de resistência Almorávida e de Reinos de Taifas, que se recusavam a aceitar a sua soberania, obrigando a uma constante dispersão de forças para garantir a unidade territorial do Al-Andalus.

Também é verdade que os próprios reinos cristãos disputavam entre si os territórios conquistados ao Islão, o que os colocava frequentemente em guerra aberta uns com os outros.

A guerra entre cristãos e muçulmanos tinha assim contornos que iam muito para além do campo religioso e cultural, e que em termos estratégicos, ideológicos e mesmo espirituais, dava origem a alianças aparentemente pouco lógicas, mas facilmente explicáveis, como a que uniu em determinado momento as cavalarias espirituais Muçulmana e Cristã, personificadas pelos Muridines de Ibn Qassi e os Templários de Ibn Arrik, ou a que uniu os Almóadas de Abu Yaqub Yussuf Al-Mansur ao Reino de Leão de Fernando “o Baboso”.

O Alentejo e a Extremadura Espanhola estavam no centro da disputa pelos territórios de fronteira, e neste contexto surge uma figura controversa e pouco conhecida, que foi determinante nos conflitos que ocorreram neste período, de nome Giraldo “o Sem Pavor”.

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Ferroviários em Greve

Instantâneo de Joshua Benoliel, 1911.

Os Donos da Propaganda

A versão vídeo de Os Donos de Portugal (que enquanto livro é uma obra historiográfica notável, não sendo exactamente uma investigação académica) levantou na extrema- direita (e em alguma direita também) o que era de esperar: incapacidade de contestar os factos e a acusação repetida de que se trata de um trabalho de mera propaganda política.

Mesmo a anarco-direita (que encontrou ali argumentação contra o papel do estado na economia que muito lhe convém) torce o nariz, é da sua natureza, e ao que parece um documentário de tese tem de ter contraditório, sobretudo quando a tese não nos convêm. Não dizem o mesmo dos estafados comentadores do regime que invadem as televisões todos os dias, num saudável pluralismo de repetições.

Mas vejamos um exemplo de argumentação da extrema-direita: [Ler mais ...]

04h26 – 1º comunicado do MFA

“É dada ordem para ser transmitido o primeiro comunicado. Foi com emoção que em todo o País centenas de militares ouviram pela voz de Joaquim Furtado o primeiro de vários comunicados que haviam sido redigidos pelo Maj. Vitor Alves. Estava previsto que os comunicados seriam lidos pelo Maj. Costa Neves, no entanto, Joaquim Furtado, locutor de serviço ao RCP, ao saber das intenções do Movimento de imediato se prontificou para o fazer. No comunicado pede-se para que a população se mantenha calma e apela-se à classe médica para ocorrer aos hospitais.”

 

Texto do site http://www.25abril.org

00h20 – Grândola

Paulo Coelho é o locutor de serviço, nessa noite, no «Limite». Sem saber dos compromissos assumidos por dois dos seus colegas, Carlos Albino e Manuel Tomás, quase faz perigar a transmissão da senha à hora exacta por ter antecipado a leitura de anúncios publicitários. Mas, após alguns momentos de tensão, no final da leitura do primeiro anúncio, Manuel Tomás , também presente na cabine técnica, consegue, dando um pequeno safanão (aparentemente sem intenção) na mão do técnico de som José Videira, provocar o arranque da bobine que contém a senha. Então, pela voz previamente gravada de Leite de Vasconcelos, através dos potentes emissores da Rádio Renascença, ouve-se a primeira quadra da canção Grândola, Vila Moreno, de José Afonso. Já no final da transmissão o agente da Censura, ali presente, dá sinais de que escutara algo que não previa .”

Aqui numa versão absolutamente singular de Sara Tavares

(texto do site http://www.25abril.org)

22h55 – E depois do Adeus

“24 de Abril de 1974, 22.55 – A voz de João Paulo Dinis anuncia aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74 «E Depois do Adeus». Era o primeiro sinal para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas.”

(texto do site http://www.25abril.org)

Donos de Portugal

No meio de 24h que a RTP2 vai dedicar a documentários (privatiza-a, filho privatiza-a, que a malta depois nacionaliza e dá-te um cortador de relva) pela 1h 30 deverá estrear o documentário de Jorge Costa Donos de Portugal.

O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza. Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as grandes famílias cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins – afirmam-se sobre a mesma base.
Quando a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.

Esta noite não vou ver, é de festa. Mas amanhã estará num computador perto de todos nós (tás a ver, relvinhas, tu privatizas, nós nacionalizamos-te).

Mouros de Pazes

As Praças-fortes portuguesas em Marrocos eram um problema para o país. Rodeadas de inimigos, encontravam-se isoladas e dependiam da metrópole ao nível do abastecimento de víveres.

Portugal fazia esforços para celebrar acordos com os mouros que habitavam as áreas circundantes. Esses acordos davam origem a uma relação de vassalagem entre os mouros e a coroa portuguesa. No seu âmbito Portugal garantia protecção aos seus vassalos, bem como o direito de livre circulação e exercício de actividade comercial nos seus domínios. Em troca assegurava um clima de paz com as áreas circundantes às praças e cobrava tributos em espécie, principalmente cereais e gado.

A situação ganhava contornos diferentes nas praças do Norte e nas praças do Sul. Se no Norte, no chamado “Marrocos Verde”, existia um poder centralizado no sultão de Fez que permitiu o estabelecimento de alguns acordos duradouros, a autonomia política das tribos do chamado “Marrocos Amarelo”, no Sul, originou um clima de guerra quase permanente.

As tribos que aceitavam a vassalagem à coroa portuguesa eram chamadas de “Mouros de Pazes”. E apesar do facto de no Sul de Marrocos a “conversão” dos mouros de pazes ser mais difícil, vigorou durante seis anos um acordo com as tribos da região da Doukkala-Abda que trouxe para o lado de Portugal um imenso território com alguns milhares de quilómetros quadrados, só possível pela ousadia do capitão da Praça de Safim Nuno Fernandes de Ataíde, a quem os mouros chamavam “o nunca está quedo”, e da sua aliança com o alcaide mouro Yahya Bentafufa.

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17 de Abril :: Feriado Nacional

O dia 17 de Abril deveria ser feriado nacional!

O 14 de abril não é feriado em Espanha

A II República Espanhola fez 81 anos.

 

Em Portugal, por enquanto, acabaram com o 5 de outubro.

Um dia a Ibéria terá as suas terceiras repúblicas.

O Titanic de Lourenço Marques


Bem perto da Praça Mac-Mahon, na Rua Consiglieri Pedroso em Lourenço Marques, existia a Papelaria Spanos. Era ali onde os meus pais tinham a assinatura de revistas como Tintim, Pisca-Pisca e os Almanaques Disney, pelos quais eu e o Miguel tanto ansiávamos. Para nossa casa também seguia uma publicação francesa, a Historia, dirigida por Christian Melchior-Bonnet, da Librairie Jules Tallandier. Nela escreviam André Castelot, Christine Garnier, Paul Morand, Alain Decaux, Marcel Brion, Jaques Chastenet, Paul Carell, entre muitos outros nomes da Academia Francesa, da política e da literatura europeia de então.

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56 heróis nacionais

Uma equipa de investigadores de Santiago de Compostela elaborou uma lista com 56 republicanos portugueses assassinados pelo franquismo espanhol na região da Galiza

A ler no DN, e acrescento: se estão em valas comuns a homenagem não pode ficar por uma placa.

Marcação do dia da Páscoa

A cultura cristã na sociedade portuguesa é pouco informativa e muito alegórica. Quero com isto significar que a relação das pessoas com a Igreja e com o conhecimento e a informação em torno das “coisas” da religião são muito pouco conhecidas e boa parte da população desconhece elementos centrais da própria religião.

Não sou um estudioso da religião, nem pouco mais ou menos, mas sempre tive muita curiosidade em perceber algumas coisas, nomeadamente porque é que a Páscoa não é sempre no mesmo dia tal como o Natal. [Ler mais ...]

Ressurreição

Na sequência de algumas crónicas sobre as minhas vivências na guerra colonial da Guiné, publicadas no Aventar e no Estrolábio, recebi um mail de um amigo que não vejo há quarenta e cinco anos. Por mero acaso, este amigo, o alferes Ruca, leu os meus textos e enviou-me esse mail dizendo: você é que é o médico da minha companhia, o Adão Cruz?! Vou mandar-lhe uma foto em que estamos os dois à porta de uma Dornier. Com efeito lá estávamos, a entrar ou a sair, não me lembro bem, da avioneta [Ler mais ...]

20 anos sem Salgueiro Maia

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Claro que é para roubar!


Bem podem desfazer-se em explicações que não convencem nem o mais seráfico “menino Jesus”. A abolição dos feriados trata-se simplesmente de um descarado saque, obrigando os assalariados ao trabalho gratuito em quatro datas tradicionalmente votadas ao lazer que como se sabe, nunca foi nem é sinónimo de preguiça.
Esta manhã, o alegadamente irmãozinho de causas turvas Magalhães, teve a ousadia de sugerir a demissão de Ribeiro e Castro, o único deputado que mostrou não ser mais um invertebrado naquela mole de holotúrias parlamentares.
O dia esteve em grande, pois ao insulto da abolição do 1º de Dezembro, acrescentou-se o descarado assalto com a chancela B(uíça)PN. Corja!
* Imagem: no Brasil e ao contrário daquilo que se passa em Portugal, as Forças Armadas cultivam a memória da nossa História comum.

Já vos disse que estou a adorar o Imperium?

Mas não pode fazer isso!” Balbuciou Quinto “O sistema romano de justiça é o mais íntegro do mundo!”

“Meu Caro Quinto” Replicou Cícero com um sarcasmo tão paternal que me fez sorrir “aonde é que vais buscar essas ideias feitas? Aos livros infantis?”

“Então estamos acabados?” Lamuriou Quinto

“Não, não estamos acabados.” – Ripostou Cícero e pude notar que a sua vontade de lutar estava de regresso “E mesmo que derrotados não cederemos sem luta. Vou começar a preparar o meu discurso e tu, Quinto, vais ver se me consegues uma multidão. Invoca todos os favores. Porque não lhes impinges essa ideia de que a Justiça Romana é mais íntegra do mundo e vês se me consegues encontrar um par de senadores respeitáveis para nos acompanharem ao fórum? Pode ser que alguns até acreditem nisso”

———

Cícero: um cínico com princípios. Dos meus preferidos. E Robert Harris consegue, na minha opinião, um Marcus Tullius a roçar a perfeição. Cheio de defeitos, cheio de “dramatic flairs”, mas mesmo assim absolutamente encantador. E sempre achei que Cícero, o homem, devia ser mais ou menos assim. Um político no verdadeiro sentido da palavra, manhoso, calculista, extraordinariamente inteligente mas que era acima de tudo, e curiosamente, um sonhador. Alguém que tinha o sonho de manter viva uma ordem que estava condenada a morrer.

(Imagem da série Rome da HBO. Não é muito fiável historicamente mas a imagem está invulgarmente bela)

Hoje dá na net: História da matemática I (Férias da Páscoa)

O segundo vídeo Aventar para as  férias da Páscoa é sobre a história da Matemática.

Com a qualidade da BBC, um vídeo, em dois episódios que nos leva às origens da matemática – excelente para alunos do ensino básico e secundário

História da Matemática I

História da Matemática II

(Som Português do Brasil)

A etimologia, o latim, o futuro

Com dedicatória ao meu amigo Fernando Nabais e suas declinações ortográficas.

Parabens Mafalda !

A Mafalda faz hoje 50 anos.

Somente Braudel

Fernand Braudel nasceu em França em Agosto de 1902. Ele é na minha modesta e insignificante opinião, o melhor historiador do século XX. O que quer dizer que ele é o melhor Historiador da História, se tivermos em consideração o que hoje em dia entendemos por História. É de sublinhar, contudo, que este tipo de classificações valem o que vale, o que é “melhor” ou não é muito relativo quando falamos de Ciências Sociais, ou cientistas sociais. Mas se tivesse que haver um melhor seria Braudel. Ele queria ser médico mas o seu pai não concordou e então ele tornou-se professor depois de estudar História. Depois de ensinar em algumas escolas de Paris e depois de conhecer Lucien Febrvre, um dos fundadores dos Analles, foi para o Brasil onde ajudou a fundar a Universidade de São Paulo.

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Pão e Rosas

Para todas as mulheres que lutaram pelo pão, mas também por rosas. Muito em particular por uma amiga que hoje nos deixou.

 

Hoje dá na net: Os piores trabalhos na Idade Média

Os seis vídeos hoje publicados analisam os piores trabalhos que se podiam desempenhar na Idade Média: tentem imaginar o mundo de odores que seria ajudar um cavaleiro a tirar a armadura após uma batalha ou poder ter o duvidoso privilégio de apanhar sanguessugas, esse simpáticos bichinhos usados para fins medicinais.

O apresentador é Tony Robinson, actor que desempenhou o papel de Baldrick na maravilhosa série Blackadder, em que brilhava ao lado de Rowan Atkinson, o célebre Mr. Bean. Esta viagem até aos tempos medievais alia dois ingredientes britânicos da melhor qualidade: o rigor e o humor. Vale a pena, mesmo sem legendas. Os cinco que faltam estão já a seguir ao corte.


As Heroínas do Chile

Pintura a óelo de Bejamin Subercaseaux

Pintura a óelo de Bejamin Subercaseaux. Dança Chilena: La resfalosa (palavra popular) ou resbalosa dicionário da Real Academia dela Lengua Española) Doña Javiera Carrera (aristocrata criolla: filha de espanhóis, nascida no Chile), com os seus irmãos, lutou pela independência do Chile)

Durante a Primeira Grande Guerra da Europa as mulheres começaram a aparecer nos campos de batalha, como enfermeiras. A britânica Florence Nightingale, solicitou licença ao seu Governo para levar um grupo de aguerridas mulheres para curar os feridos no campo de combate da Crimeia. [Ler mais ...]

Vítor Gaspar, o cábula mentiroso

Ontem li a do dom de deus mas nem reparei nesta afirmação:

Não temos pressa e a história garante que venceremos a crise.

Que ele não tenha pressa, compreendi-te, está na zona de conforto, não conta os tostões para ir ao médico nem os subtrai para fazer a sopa do desempregado.

Agora essa garantia da História, que toca cá para os meus lados, merecia que ele explicasse quando, onde e em que regime político uma crise desta envergadura foi vencida com a receita da austeridade, da privatização e do desemprego. Ele ou quem quer que seja. O cábula mentiroso não confessa a ignorância, afirma-a como verdade. A menos que se trate da história da carochinha, entendi-te.

Saudades da Ilha de Gorée, Senegal

Ilha de Gorée

Porque hoje á Sábado, deixo de lado a nefasta gente. O Gaspar, tido como sábio burocrata das finanças, dizem, está em pânico. Que, assim, permaneça por longo e arrastado tempo. Cheio de pânico e mentalmente imobilizado para novas medidas de austeridade. Infelizmente é desejo sem sucesso, penso.

Porque hoje é Sábado, sinto vontade de gritar: QUE SE TRAMEM OS COELHOS, OS GASPARES E TODOS OS OUTROS QUE GRAVITAM À SUA VOLTA E Á VOLTA DE OUTROS QUE TAIS! Sim, todos eles, já inscritos na História como os argos das argoladas.

Porque hoje é Sábado, imaginei-me a revisitar a Ilha de Gorée, frente a Dakar. A caminhar por aquelas ruelas estreitas, marcadas por histórica arquitectura de portugueses, primeiro povo europeu a chegar a essa pequena ilha, em 1444. Mas, onde também se me colou no pensamento a tristeza da ‘Casa dos Escravos’; ali eram retidos de passagem para a América.

Porque hoje é Sábado – Saravá Vinícius! – sinto-me a admirar o casario de Gorée, semelhante na traça à Baixa do Sapateiro em São Salvador. Como fomos enormes e nos deixámos apoucar desta maneira! Desditas do processo histórico. E olhando o Atlântico de uma praia de  Gorée, africana e ufanamente empoeirado, ouço com solenidade e indescritível gozo interior Ismaël Lô; a entoar uma espécie de miscigenação melódica, afro-árabe, que, no fundo, pode simbolizar o cruzamento de civilizações nesse pedaço de terra senegalesa, Património da Humanidade.

Em defesa da Monarquia

O meu amigo Nuno Resende vai ficar todo contente com o título. Mas só com o título mesmo. Como sabem, o Nuno incluído, não sou Monárquico.
Confesso a publicidade enganosa. O post nada tem a ver com esta questão a não ser lateralmente.
Numa aula de 9.º ano, após falar não sei quantos minutos das Ditaduras e da sua implantação na Europa dos anos 30, lembrei-me de que talvez os alunos não soubessem o que era uma Ditadura.
Perguntei e confirmei. Não sabiam. Nem sequer suspeitavam.
Após deambulações várias sobre liberdade, partidos políticos, eleições e demais exemplos que lhes permitissem perceber o que é uma Democracia, fiz a pergunta do costume: «Então, qual é o contrário de Democracia?»
E levei com a resposta do costume: «Monarquia».
Ironicamente, é quase sempre a resposta dos alunos àquela pergunta.
Foi então que me vi na obrigação de defender a Monarquia. Não, a Monarquia não é uma Ditadura – e expliquei por quê, dando vários exemplos e fazendo notar que, à Monarquia, deve opor-se a República e não a Democracia ou a Ditadura.
- «Ó setor, mas se o povo não vota no Rei, então isso é uma Ditadura.» [Ler mais ...]