O Hollande é um krido

Depois de uma manifestação de apoio aos palestinianos ter acabado mal, andamos numa daquelas rotinas de o governo de Israel atacar a excessiva densidade populacional de Gaza diminuindo o número de vivos ali residentes, o governo do Partido Socialista Francês decidiu patrocinar a seguinte, proibindo-a.

Como não chegasse, estava tudo a decorrer ritualmente, quando a polícia de Hollande actuou:

[via reportagem do Le Monde]

Perfeito. A cruzada Helena Matos adorou, adorou, adorou.

É disto que falamos quando falamos do que sobra da Internacional Socialista. Acreditar que destes partidos pode vir decência, é um repetido logro. Quem ali ande e seja social-democrata está condenado a fugir, mais cedo que muito tarda. Valha-nos S. Pasok, e de uma forma ou outra estes partidos caminharem para seus seguidores.

De todos os lados

Praticamente não houve lua de mel do povo português com a troika. Pouco depois de a troika ter entrado em território nacional, começaram a chover os protestos e as manifestações em todo o país. Por tabela, o governo nunca teve estado de graça porque cometeu o erro, diga-se que pouco inteligente e muito saloio, de gritar aos quatro ventos que o governo iria “mais além da troika”, que a austeridade iria acontecer “custasse o que custasse” para se atingir o sublime objectivo de “empobrecer o país”. E como assim aconteceu, com tremendo sofrimento do povo e visível regozijo da senhora Merkel, o país atónito passou da desconfiança à rejeição, agravada por observar a olho nu o servilismo, a ausência de coluna vertebral de todo o gang da bandeirinha na lapela. A rejeição passou a ser demonstrada por todos os meios: na rua, nas escolas, nas famílias, nas empresas, nas forças armadas, nos lares, nas galerias do parlamento, em toda a parte. As vaias aos governantes têm-se sucedido, a Grândola Vila Morena passou a ser um hino de revolta de norte a sul do país. Os artistas explodiram ao verem em perigo a liberdade conquistada em Abril de 1974.

Mas havia uma nuvem sobre esta unanimidade popular: as pessoas julgavam-se sós, isoladas do mundo na sua revolta. Daí a desusada atenção com que passaram a olhar para a Grécia, Chipre, Irlanda, Espanha, Itália e França. Os sindicatos, os trabalhadores portuários, os bravos trabalhadores dos estaleiros de Viana do Castelo, a internet, os jovens, os artistas fizeram o resto: começaram a deslocar-se a Portugal figuras desses países para mostrarem a sua solidariedade e acordo. Puseram-se muitas esperanças em François Hollande, presidente da França, mas ele cometeu o erro fatal de ser demasiado bem educado, demasiado cavalheiro e conciliador com uma mulher como Merkel, formatada na arrogância prussiana e no bloqueio totalitarista da antiga RDA de sinistra memória. É um caso perdido. [Read more...]

Convém recordar que Zeus é grego

Hollande já teve o primeiro aviso. Isto ainda acaba com o rapto da Europa.

Apanha-se mais depressa um anglófilo do que um coxo

Até tenho o Rui Rocha em conta de alguém de quem se discorda mas que produz leitura agradável, mas… touche pas a mon pote. Não fosse o delito de ter escrito que o contributo decisivo para a modernidade veio da Inglaterra (a pérfida Albion do God Save the Queen) ainda passava, uma vez ultrapassados os limites aqui fica a explicação óbvia para as ilusões criadas pela fotografia que publica.

Não que isso me afecte muito (até tenho a mesma altura, só não uso é calçado para fingir que tenho outra), só que uma foto enganadora num texto onde cuidadosamente se omite que Daniel Cohen-Bendit tem tanto de francês como de alemão, necessitava de um contraponto da verdade a que temos direito

A seguir ao corte, a fotografia original com Hollande e Sarkozi, juntos e aos mortos. [Read more...]

Os truques do costume

Hollande parece que já encontrou o buraco inesperado nas contas francesas que desculpará as promessas que não vai cumprir. Diz a direita que segue Sócrates. Como se Passos Coelho não existisse.

PSD e CDS perdem as eleições em França

A derrota de Sarkozy não é suficiente para acreditar que a Europa se vai transformar num bloco solidário, deixando de ser uma multidão que marcha ao ritmo dos tambores alemães, tenha ou não pernas para isso. Hollande oferece-me tanta confiança como António José Seguro e, portanto, ficarei à espera de saber que promessas irá deixar de cumprir e se se irá desculpar com os erros do antecessor ou com as combinações prévias com o vizinho germânico.

Uma coisa é, para mim, iniludível: mesmo tendo escolhido Hollande como mal menor, houve uma multidão de franceses a votar contra a austeridade cega, contra a macroeconomia distante, ou seja, contra as políticas seguidas pelo governo português.

É oficial: Merkolland ou Hollandmerkl, eis a questão

O Partido Socialista Francês volta ao poder. Não será a esquerda, mas já não é a direita.

Vive la France!

Eleições na Grécia e na França: troicaram-lhes as voltas?

Pelas primeiras sondagens a noite promete: a Europa passa a ser governada por Merkholland (o que não é bem a mesma coisa), e os partidos da troica podem não ter maioria no parlamento grego (onde convém não esquecer que uma muito peculiar noção de democracia oferece 40 deputados ao partido mais votado). Syriza, o BE grego, pode mesmo ter ganho as eleições na Atica. E a Atica, é Atenas…