Madame Lagaffe, benemérita das crianças nigerianas, afinal não paga impostos.
via Indignados Lisboa
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
Christine Lagarde, de uma penada, descobriu que a situação da Grécia se deve ao facto de os gregos não pagarem impostos. Tendo em conta o exemplo desta senhora, fica-se com a impressão de que ser economista é, afinal, muito simples, embora a verdade seja a de que estamos diante de um discurso ideológico sem ponta de cientificismo ou de análise criteriosa.
Como se não bastasse a Lagarde deixar escapar afirmações tão simplórias, ainda acrescenta a bestialidade de que os problemas das crianças gregas perdem importância quando comparados com os das crianças do Níger. Não faço ideia se a alimária encanecida que preside ao FMI tem feito alguma coisa pelas crianças africanas, mas considero tristemente risível esta ideia de desprezar o sofrimento de uns por haver outros que estão pior: é uma falta de respeito por todos.
Subsídios serão repostos ao ritmo de 25% por ano a partir de 2015
Isto corresponde à n-ésima variante sobre o mesmo tema das calendas gregas. Tenho vergonha deste país que carrega parte da população com o fardo de pagar uma muito maior parcela da escandalosa nacionalização do BPN e do miserável buraco da Madeira. Ainda para mais com o enorme desplante de permitir à nobreza da função pública, a administração de topo, ter regimes de isenção destes cortes (já vai em 14!). Os erros foram cometidos por uns poucos, poucos estes que foram eleitos por muitos, e vai ser pago por uns poucos também.
Quando havia o escudo estes buracos também aconteceram muitas vezes. Mas, então, a desvalorização da moeda era o machado que a todos cortava o poder de compra por igual. Lembro-me, por exemplo, de haver depósitos a prazo que pagavam 18% ao ano, tal era a inflação. Agora, que esse algodão de limpar nódoas da má governação se foi, sobra-nos a sabedoria de Mazarin.
E não sou funcionário público.
Os tempos e os regimes mudam mas as motivações das pessoas mantêm-se. Le Diable Rouge é uma peça teatral de 2008, com autoria de Antoine Rault. O extracto seguinte, dela retirado, é um diálogo entre Colbert e Mazarin, passado noutro tempo e noutro lugar, no reinado de Luís XIV, em França. Mas bem poderia ter tido lugar hoje em Portugal. Ou em 2008 neste mesmo Portugal.
Colbert: – Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço… [Ler mais ...]
Tudo somado, incluindo também os chamados CAE, CMEC e PRE, os apoios à produção pagos em Portugal somam quase 1800 milhões de euros e formam uma grande parte dos custos de política energética e de interesse económico geral (CIEG). Este ano, os CIEG e os custos de política energética totalizam quase 2302 milhões de euros – uma dívida que todos os meses vai sendo paga por todos nós.
(Público)
Como se vê, nem só de BPNs e tal vivem os buracos do país. É de sublinhar a grandiloquência com que as energias renováveis foram apresentadas. Foi um negócio de futuro, sem dúvida, mas novamente para alguns.
Ocorrem-me duas perguntinhas: será que os políticos portugueses (em especial os do “arco da governação”) lêem jornais? E, se lêem, será que compreendem?
A Jerónimo Martins, dona dos supermercados Pingo Doce, anunciou hoje que a sociedade Francisco Manuel dos Santos vendeu a totalidade do capital que detinha no grupo à sua subsidiária na Holanda, mas mantém os direitos de voto.
Não se podia taxar os ricos porque eles fugiam, mas eles fogem na mesma. São estes os responsáveis pela crise. São estes os que mandam trabalhar os outros mas se piram com a massa. Esta é a gordura, é esta que temos de cortar. Uma Europa com sistemas fiscais diferentes não existe, é pura fraude.
E não se esqueça de continuar a comprar no Pingo Doce. Vá lá.
Noticias recentes dizem-nos que apesar de tudo a quantidade de impostos que pagamos até nem é muito elevada quando comparamos com o resto dos países da OCDE.
Claro que somos também dos países que mais tem aumentado os impostos mas isso não interessa nada.
Importante é ter uma ideia do destino desse dinheiro.
Imaginemos que recebemos o salário médio, que foram uns dez mil euros por ano em 2009, isso quer dizer que vamos pagar cerca de 3000€ de impostos.
Para onde é que vai esse dinheiro? Vejam na imagem abaixo ou experimentem “O teu Orçamento para 2012“
Declaração de (des) interesse: não sou rico nem aufiro rendimentos enquadráveis nos escalões mais altos de rendimentos.
O Estado necessita de receitas e numa altura de crise aumentam as vozes a pedir para se tributar os ricos; eles devem contribuir mais para o “equilíbrio” das contas públicas. Na ânsia de se procurar aumentar a base tributável, e por consequência o valor arrecadado em impostos, novas formas de tributação são constantemente imaginadas pelos criativos do costume. Desde o aumento das taxas mais altas do IRS à taxação das grandes fortunas, todas as ideias que sejam populares são bem-vindas para os tais criativos. Era bom que as pessoas estudassem os dossiês antes de proporem quaisquer medidas. Não é necessário procurar muito para se concluir que as pessoas que pagam impostos em Portugal já são muito penalizadas. É errada a ideia de que os ricos não pagam impostos.
Não tenho nada contra a cultura, até acho que a cultura, como a restauração, os artigos de vestuário e os refrigerantes (ou a Coca-Cola) deveriam estar sujeitos à taxa mínima, se possível isentos de IVA. Também sei que as receitas da cultura não devem representar muito em termos de receitas fiscais, talvez seja esta a principal razão de o Governo ter cedido, mas não percebo por que é que se criam exceções quando sabemos que há aumentos que serão bastante mais injustos e destrutivos para algumas famílias portuguesas.
Sei perfeitamente que estamos a atravessar um período em que a racionalidade e/ou a justiça das medidas não são os pontos de discussão mais importantes, mas impõe-se o mínimo de coerência.
A publicidade das atividades culturais já é patrocinada com o nosso dinheiro na televisão pública; os atores, realizadores e afins já têm tempo de antena mais do que suficiente para promoverem os seus espetáculos (o que não acontece com as outras áreas), por que motivo continua a haver tamanha descriminação positiva em relação a estas atividades?
Texto de João Pinto / Cortesia de Criticamente Falando
Dedicado a todos os liberais, em particular ao educólogo Ramiro Marques, vendedor de publicidade nas horas vagas.

Capítulo Terceiro
AMais-Valia
Para se manter dentro da História, todo ser humano precisa de consumir bens, sejam estes de agasalho, de abrigo, ou de alimentação. Para poder consumir, é necessário produzir esses bens de diversa qualidade e em diversas quantidades. Todo o ser humano sabe, especialmente os economistas ou os cientistas sociais.

Capítulo Segundo
Reciprocidade Comercial
1. Nascimento da ideia de Reciprocidade.
O título até parece mercantilista. Mas não é por causa da teoria mercantilista que está colocado. A teoria mercantilista faz de tudo o que existe um comércio, de todo o bem que é fabricado, uma mercadoria a ser convertida em dinheiro, em investimento, em lucro para o proprietário dos meios [Ler mais ...]
Eureka, a “Europa” pariu um perdão: depois de três anos de hesitações, metade da dívida Grega foi perdoada. Mas será isto uma boa notícia? Tomemos como exemplo o BPN. O que começou por ser um problema bancário e privado acabou num problema de Estado e público. Quem foi chamado, em última análise, para tapar o buraco? Nós, como se pode constatar no jornal i “Estado assume dívida de empresas públicas e do BPN à banca”. E como confirma o Público: “Custo acumulado do BPN no défice é maior que o corte nos subsídios de Natal e de férias”.
O tempo nos dirá se este perdão à Grécia não passa de um hiato até que este valor chegue a todos nós todos, europeus, via novos impostos.
Vocês lembram-se daquele anúncio de prevenção da SIDA…
‘A Ana foi para a cama com o António, que foi com a Joana, que foi com o Ricardo, que foi com o Silvino, que foi com a Marta… etc, etc.?…
Resolvi modificá-lo um pouco…
O Fernando é professor e ficou sem colocação, a mulher é funcionária das Finanças e viu o subsídio retirado e o ordenado diminuido, e os impostos aumentados… Eles despediram a empregada doméstica, que deixou de ir ao talho, o talhante deixou de comprar calçado para a filha, o dono da sapataria deixou de ir de férias, a agência de viagens despediu parte dos funcionários, os funcionários engrossaram o fundo de desemprego, que já não pode aceitar mais gente porque já não tem com que pagar, o governo aumentou os impostos para fazer face a mais despesa, os impostos não entravam porque a actividade económica diminuiu, o Governo resolveu aumentar os impostos sobre os funcionários das finanças, que deixaram de ir ao talho, o talhante não trocou de carro, o dono da concessionária abriu falência, retirou os filhos do colégio, que teve de despedir professores… chegaram até aqui?… ok, chega!… É pior que a SIDA, não há perservativo!!
Marc Candoso, via Aurélia Madeira no Facebook
Um post a reutilizar um boneco anterior, em consonância com a actual governação: reutilizar a estratégia anterior.
Os miseráveis têm sido sucessivamente eleitos e até com maiorias absolutas. De que se queixam agora os que se indignam? Durante anos apoiaram activamente a estratégia de manter a economia aparentemente em crescimento à conta de sistematicamente se despejar dinheiro no cimento e no alcatrão e nos “apoios” às empresas e à banca. Mas sai o dinheiro de alguma árvore das patacas? Chegada a factura, gostava de saber onde estão agora todos esses “keynesianos” que até andaram a brincar aos manifestos.
Agora vieram as mentes brilhantes que ditam o nosso rumo com mais um leque de contenção. Esqueceram-se eles mesmo de serem contidos no uso do disparate e, consequentemente, aí está menos salário, mais trabalho e menos serviços prestados pelo Estado (mas com aumentadas taxas de acesso). E eis o último dos disparates, fechar a linha do oeste entre a Figueira da Foz e as Caldas da Rainha. Uma linha que atravessa a zona do país mais densamente povoada não consegue ser rentável. Por falta de pessoas não o será, sobra por isso a incompetente gestão que tem sido feita. Olhem-se para os horários que têm sido praticados nos últimos vinte anos, com viagens demoradas, ligações desconexas e esperas longas e desnecessárias para se perceber isso mesmo. A estratégia de fechar tudo excepto a linha do norte e alguns suburbanos vem de há décadas. Nada tem a ver com a “crise”.
Gostava de ver um governo formado pelo PCP e pelo BE, só para perceber o que iriam fazer quando chegasse a hora de pagar salários e quando, passado um ou dois anos, o dinheiro dos “ricos” já se tivesse ido. Se calhar nacionalizavam tudo para passarmos a ter em todo o lado a mesma excelência dessa CP que nem consegue fazer dinheiro passando pelo meio dele.
Lamentem-se, ou usando a novilíngua, indignem-se. Mas não se esqueçam do que fizeram ontem.
Fui recentemente alvo de protecção estatal, a qual se concretizou no pagamento à Câmara Municipal de Sintra de diversos emolumentos. Para se ter uma ideia do que se está a falar, aqui fica uma amostra:
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m.l. = metro linear; lista completa
Portanto, para me proteger – é para isso que estas coisas existem, não é? – preparar-me para o Inverno (algerozes, ter uma sebe com uma regueira que escoe as águas pluviais e arranjar um abrigo para um cão) ficar-me-ia neste exemplo, em cerca de 75 euros (considerando os 25 € a pagar pela “comunicação prévia”). Tive ainda que perder um dia de trabalho para seguir os trâmites que lhes permitam dizer que isto não é apenas extorsão. Ao menos que arranjassem um NIB e que se deixassem deste faz de conta. O resultado era o mesmo e sempre melhorava a produtividade nacional. Mas se calhar eu ficava mais desprotegido…
Li hoje no Público sobre uma tal Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas. Tive que ler duas vezes mas percebi.
Esta inesperada Associação deu-me uma ideia: acho que vou também criar uma associação.
Associação de Extorquidos* Para Pagar Cenas
Estatutos
1. Admissão de novos sócios: feita pelo acto de berrar ao nascer, sendo essa a forma de manifestar vontade de aderir à AEPPC.
2. Deixa de ser sócio quem, querendo, preencha um dos seguintes requisitos:
2.1 atingir a idade de 99 anos depois da idade adulta;
2.2 ou seja capaz lamber o seu próprio cotovelo.
nota: o ponto 2.2 não se aplica aos vivos.
3. Todos os bens do sócio poderão ser-lhe temporariamente retirados, passando a pertencer ao Estado.
nota: o sócio pode pedir os seus bens de volta se optar por cancelar a sua inscrição nesta associação, o que terá de ser feito nos termos do ponto 2.
* chamam-lhes Contribuintes, como se fossem os próprios a quererem, de livre vontade, ver-se livres dos seus rendimentos

Esta do TGV manco foi, para mim, a gota. Ao contrário dos sapos que engoli porque o que veio de trás a isso obrigou, a esta cambalhota do TGV ninguém obrigou o governo. Isto é, se não contarmos com o lobby da construção…

Retrato de Vítor Gaspar enquanto ministro. Do Kaos.
Estamos no início do ano lectivo 2011/2012. Por isso nunca é demais recordar a cartilha que deve ser seguida para o sucesso escolar.
Mas a cartilha, de tão filosoficamente rica que é, poderá servir para o país inteiro e até ao Governo: sejamos capazes de escutar estas palavras e fazer de conta que a escola e os professores são a troika, estudar e aprender é trabalhar e pagar impostos, e que os alunos somos todos nós.
Tendo como base o Imposto de solidariedade sobre a fortuna que vigora em França, esse tenebroso país governado por comunistas, o I fez as contas:
Replicar a taxa máxima deste imposto sobre as 100 maiores fortunas portuguesas permitiria ao Estado um encaixe de 576 milhões de euros. É pouco menos que os 630 milhões de euros que o governo vai retirar aos trabalhadores em Portugal este ano à conta do corte de 50% no subsídio de Natal. Em 2009, os 100 mais ricos de Portugal contavam com um património de 32 mil milhões de euros, cerca de 19% do PIB desse ano.
Ia eu dar uma moedinha ao Amorim. Já não vou. Por outro lado tenho a sensação de que esta notícia a abrir telejornais mudava um bocadinho o meu país, mas é melhor tirar o cavalinho da chuva que até lá ele constipa-se.

A natureza humana é um conjunto de características descritas pela filosofia, incluindo formas de agir e pensar, que todos os seres humanos têm em comum. Vários são os ramos da ciência que estudam a natureza humana, incluindo sociologia, sociobiologia, psicologia, entre outros. Filósofos e teólogos também fazem pesquisas sobre o assunto. [Ler mais ...]
-Até agora o governo apenas anunciou medidas de agravamento fiscal, colocando o já asfixiado contribuinte ainda mais à mercê do proxeneta Estado. Esperemos pois que amanhã sejam apresentadas medidas que possam contribuir para começar a desmantelar o peso brutal, que condiciona a vida de todos os portugueses. Além de ser possível obter ganhos de eficiência e reduzir a despesa em muitos serviços, começando pelas mordomias, nos boys, institutos, fundações e afins, há muito por onde cortar…
Agora sim, com um Governo cheio de gente independente e tecnicamente apurada, chegaram as decisões que até hoje ninguém pensou tomar: aumentar impostos e vender activos que dão lucro.
Até que enfim que há coisas novas!
Quinhentas e sete crianças, da Casa Pia, foram utilizadas como cobaias num estudo para determinar os efeitos neurocomportamentais da utilização de amálgamas contendo mercúrio nos dentes. Não deixe de ver esta reportagem.
Recomendo a leitura deste artigo a todos aqueles que elogiam o Acordo Ortográfico de 1990. O presidente da Associação Portuguesa de Escritores lembra os erros de natureza técnica e chama a atenção para o “risco de uma perigosa deriva da língua”. Por seu turno, o presidente da … [Ler...]

com Nuno Lopes, Beatriz Batarda e Miguel Guilherme
Um filme português realizado por Marco Martins (2005). Ficha IMDB
Uma comédia: hoje no parlamento. Começou com 20 minutos de atraso, está neste momento no ar. (Informação extensa sobre o caso BPN aqui e aqui.)
É Obama que dá ordem de morte a suspeitos de terrorismo.
Uma parte é porque despedem -
desculpem, “rescindem amigavelmente” - trabalhadores. Outra é porque não rescindem.
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