“Sexo num eléctrico para trânsito”

Efectivamente: eléctrico. Exactamente: para.

Já faltou mais para o Estado

ter de resgatar o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias. A Controlinveste quer vender os edifícios históricos onde funcionam as redacções.

Diz que foi violada

Na primeira página do Jornal de Notícias de hoje, um título da sempre empolgante secção “Segurança” revela-nos que “uma rapariga de 14 anos diz que foi violada no Parque da Cidade”, no Porto. Pelo que se conta na notícia, a menor teve mesmo de receber tratamento hospitalar em consequência das lesões que sofreu, mas isso, para o JN, não chega para afirmar que ela foi violada e fica-se, prudente ou cinicamente, pelo “diz que foi”.

Tão cuidadoso é agora o JN com os títulos que quase nos faz esquecer que é o mesmo jornal que ainda há pouco contava que a ministra das Finanças tinha ido “mostrar o buraco” à Assembleia.

Ou isso, ou apenas revela agora a outra face do mesmo machismo.

Sondagens em Gaia

Os resultados das eleições em Vila Nova de Gaia fazem-me voltar à temática das sondagens.

Na página 8 do pasquim que se vendeu ao Menezes, um comentador, supostamente perito em sondagens, escreve:

“dois casos da A.M. do Porto – Gaia e Matosinhos. Em ambos os resultados eleitorais foram diferentes dos estudos. Em Gaia, o PS disparou para cima e o independente para baixo (…). A rever com atenção.

Isto, depois de ter justificado, na introdução do comentário que

“Os estudos efectuados a 5, 10, 20 ou mais dias antes das eleições são indicações ou tendências.

Até aqui, batatinhas. Mas, vejamos o que foi apontado pelas últimas sondagens divulgadas pelo JN – e já nem vou a outras que por aí foram faladas:

- Em junho, no JN: PS – 32,2%, Guilherme Aguiar – 30,7%, PSD / CDS – 22,7%;

- Em setembro, no JN: Guilherme Aguiar – 29,3%, PS – 29%, PSD / CDS – 25,1%.

Esta foi a sondagem publicada a 4 dias das eleições, sr. Comentador.

Também em Setembro, na RTP (Sondagem da Católica) – PS – 32% ; Guilherme Aguiar – 26%, PSD/CDS – 21%.

Pois bem, o Eduardo Vitor Rodrigues acaba por ganhar as eleições com 38,15%. Ou seja, na última sondagem do pasquim EVR tinha menos dez pontos. A Católica aproxima-se, mas fica longe…

O falso independente do PSD foi levado ao colo no braço esquerdo pelo pasquim, que uma vez por outra também recebia no regaço o candidato oficial. Tentou, até ao limite, mostrar que a coisa estava dividida, que todos podiam lá chegar

O PS ganha em Gaia com 38,15%, o PSD / CDS fica em segundo com 19,97% e o candidato oficioso em terceiro com 19,74%.

Isto é, o PS tem, sozinho, quase tantos votos como os outros dois juntos (diferença de 2161 votos) – era esta a proximidade prevista nas sondagens?

Não deveria a Direcção do Jornal de Notícias tirar consequências do papel que tiveram nestas eleições? Não considera a Direcção do Jornal de Notícias que a derrota em Gaia e, em especial, no Porto é também uma derrota editorial? Afinal os candidatos apoiados perderam, não?

Passe a palavra? Partilhe?

Passar a palavra? Partilhar? Com certeza, mas sem grande entusiasmo. Contudo, é importante dar-se a conhecer esta cacografia que actualmente se adopta em Portugal. Escreve-se *’direto’ e ‘Junho’ e tudo continua como dantes. Nem uma coisa, nem outra: a mistela do costume. Divulgado e partilhado está: siga.

Post scriptumNo JN já sou obrigado a escrever de acordo com o acordo ortográfico“. Rui Moreira foi obrigado a…?  A sério? Ah! Está bem. O Jornal de Notícias?

Projectando o presente, chegaremos a essa fase em que, teoricamente, passaríamos a financiar-nos no mercado, com uma dívida pública colossal, as famílias angustiadas, as empresas exangues e um país dividido. Não são boas as perspectivas.

(…)

Será o Governo, na sua actual configuração, capaz de conduzir o país nesta recta final até o pós-troika? Duvido.

Alberto Castro, Jornal de Notícias, 28 de Maio de 2013

Sou contra a *co-adoção de crianças por casais do mesmo sexo

Estava sossegado a tomar o meu café, depois de umas páginas sobre o Cícero e o Timeu de Platão, quando, sei lá bem porquê, comecei a ler as notícias do dia e me deparei com um título fundador (já S. Tomás de Aquino lembrava, no De Ente et Essentia e bem acompanhado pelo Estagirita, que “[q]uia parvus error in principio magnus est in fine”). Decidi, muito rapidamente, trazer de novo ao Aventar aquela que é, aparentemente, uma das mais enigmáticas bases do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90): a XVI.

Segundo o Público, «[d]epois de Áustria, Finlândia, Alemanha e Israel, Portugal é o quinto país onde a co-adopção de crianças por casais homossexuais foi aprovada». Acrescentaria que, sendo o quinto país em que a co-adopção de crianças por casais homossexuais foi aprovada, Portugal será muito provavelmente o primeiro a não saber escrevê-la. Salvo honrosas e excelentes excepções, como o Público.

Efectivamente, segundo a base XVI do AO90, «[n]as formações com prefixos (como, por exemplo […]  (co- []), só se emprega o hífen nos seguintes casos: a) Nas formações em que o segundo elemento começa por h: […], co-herdeiro […]; b) Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na mesma vogal com que se inicia o segundo elemento […]; Não se emprega, pois, o hífen […] Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente […] coeducação».

Ora, sabendo nós [Read more…]

Felizmente, há jornais que usam “a nova ortografia”

Há quase dois anos, Edviges Ferreira, deixou-nos descansados, pois «a comunicação social já está quase toda a usar a nova ortografia», o que «irá facilitar».

Sim, ainda bem. É a nossa sorte.

JN 852013

João Tordo fez-me Chorar

Agora mesmo,  a minha mulher chamou-me a atenção para o Conto de Natal de João Tordo, num suplemento do Jornal de Notícias de hoje, Somos Livros. Tinha começado a ler e estava a achar divertido, partilhou. Decidi ler também. Atirei-me ao texto na esteira daquele prazer que cintilava nos olhinhos dela. Éramos os quatro na cozinha. Filhas brincando, pintando, a mais velha a aprender a ler com um puzzle de palavras entre mãos com que formava sucessivas frases. Da narrativa do João não falarei. Quem puder, que a prospecte e a sinta com o corpo todo, num JN junto de si. Do que senti, sim, tenho de falar e já. Não é todos os dias que se chega ao fim de uma leitura com os olhos marejados. E não fui apenas eu. A minha mulher também. Mal terminei, saí da cozinha com a palma das mãos nos olhos. Ela terminou depois de mim e eu vi as suas lágrimas, que para mim são o ápice do Belo, o Excesso do Poético, enquanto eu estiver vivo. Não sucede vulgarmente que o coração se nos estremeça só com uma história escrita certamente no Olimpo, junto das musas, olhos nos olhos com elas. Se quiserem enternecer-se e seguir neste dia mais humanos e mais sensíveis, leiam este conto do João. Foi uma Epifania para mim. Mais uma pela qual dou graças a Deus.

Aqui mais ninguém opina


«Chegou a hora de nos despedirmos do Manuel António Pina.
A dor é sempre grande quando morre alguém que brilha no nosso céu.
O Pina era a mente mais brilhante que escrevia nas páginas do Jornal de Notícias.
Enquanto eu tiver a honra de dirigir este jornal, ninguém mais escreverá opinião neste espaço que era dele mas que ele fazia questão que fosse sempre tão nosso.
Obrigado, Pina.

Manuel Tavares»
(última página do JN de 20-10-12)

Acordo Ortográfico: “Jornal de Notícias” pára para ver

A imagem foi detectada pelo olho de lince do nosso Dario Silva, na página do Jornal de Notícias, ontem de manhã. Relembre-se que o centenário e respeitável periódico adoptou o acordo ortográfico (AO90) já há algum tempo.

Na Base IX, 9º, do AO90, estipula-se que “deixam de se distinguir pelo acento gráfico: para (á), flexão de parar, e para, preposição; (…).” Como já várias pessoas notaram, o mesmo acordo obriga, no entanto, à manutenção do acento em “pôde”, para que não se confunda com “pode”, uma de muitas inconsistências inaceitáveis. [Read more…]

Paulo Ferreira, o “Homo Pingusdulcis”

A minha passagem pela catequese, mesmo depois de abandonar a Igreja, e a escolha de ideais de esquerda, mesmo sem frequentar nenhuma das suas igrejas, fizeram de mim um crente na solidariedade como pilar da sociedade. Não partilho, portanto, do entusiasmo marialva na sociedade como selva competitiva, repugna-me a imagem do homem predador do homem e tenho a mania de que é importante conceder direitos aos cidadãos, em primeiro lugar, porque é humano, e, depois, porque isso contribui para a paz social e para a produtividade.

Acredito, de qualquer modo, que são vários os caminhos para se chegar a estes ideais e não me custa acreditar que, para isso, o bom senso bastaria, sendo dispensáveis ideologias ou religiões. [Read more…]

Cama, crime e jóias

A manchete de hoje do Jornal de Notícias é mais um monumento em memória do jornalismo, tendo em conta que se trata uma actividade já extinta, substituída que foi pelo sensacionalismo. Note-se, a propósito, que as eleições regionais da Madeira merecem apenas um quadradinho lateral, não conseguindo sequer competir com o regresso apoteótico de um padre a Vouzela, uma semana depois de aí ter sido apupado. [Read more…]

Correio da Manhã pode transformar-se num jornal de referência

Todos os dias se confirma o que foi escrito aqui. Numa deriva perigosíssima, o próprio Correio da Manhã põe em manchete um assunto importante, arriscando-se a perder quota de mercado e fazendo lembrar o Jornal de Notícias de outros tempos. Face à crise e aos problemas sociais, o JN garante vendas ao misturar “orgias sexuais” com “José Castelo-Branco” Que podemos esperar desta luta entre titãs da comunicação social? Voltarão, um dia, à senda do jornalismo? Não perca o próximo episódio.

Teresa Guilherme é directora do JN

A manchete do JN de hoje, dedicada ao comportamento censurável de um médico, é a prova de que Teresa Guilherme assumiu a direcção do jornal, transformado agora numa filial da “Casa dos Segredos”. Não me espantaria que o próximo editorial fosse intitulado “Isso agora não interessa nada”, com a nova directora a explicar de que modo o estômago prescinde da ética, mostrando que um vício privado é mais importante do que qualquer outro assunto.

A ser verdade, o conteúdo da notícia refere-se, evidentemente, a factos graves, mas daí a considerá-lo digno de chamada à primeira página vai a distância entre um tablóide e um jornal. O Correio da Manhã que se cuide.

Notícia das notícias em gráficos

O jornal Público divulga hoje o relatório da ERC sobre os gastos em publicidade por parte do Estado central – isto é, sem contar com autarquias, instituições de ensino, tribunais, Presidência e Assembleia da República. [Adenda a 20.Out.: a edição impressa acrescenta mais alguns detalhes. Sumário no fim deste texto.]

É portanto apenas uma parte do total desta desta despesa e desde logo espanta pelo seu valor: 408 milhões de euros! Caro leitor, fique sabendo que só para a propaganda do Estado central contribuiu no ano passado com mais de 40 euros. Contribuiu, aliás, bem mais do que este valor, pois o número de contribuintes efectivos é muito inferior a 10 milhões. Dada a falta de números oficiais, estima-se em 3.5 milhões o número de contribuintes efectivos. Neste caso, a sua generosa contribuição em 2009 para os cartazes do solar, das Novas Oportunidades, dos programas patrocinados na TSF, anúncios de página inteira em jornais e mais uma catrefada de "investimentos" (!) foi superior a 100 euros.

Mas vejamos esses números saídos hoje no Público, aqui apresentados em 5 gráficos, para depois  os lermos.

1. Gastos totais

 Gastos em PUB pelo Estado central

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Parece que se chama Jornal de Notícias…

Jornal de quê?

Capa do JN (07-07-2010)

Parece que se chama “Jornal de Notícias“.

E parece que ninguém duvida da sua história, grandiosidade, rigor e influência no panorama da imprensa nacional.

Eu, pelo menos, não duvido. Ou melhor, não duvidava. É que a ver pela capa da edição de hoje, pergunto-me quais os critérios de selecção das ditas “notícias”.

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A entrevista de José Sócrates ao JN

Quando José Sócrates entrou para o gabinete onde geralmente reune com a imprensa, já o Director do JN, José Leite Pereira, o esperava. Vestira o seu melhor fato para a ocasião, comprado de propósito na melhor loja do edifício Avis.
– Boa tarde, sr. Director – disse o primeiro-ministro.
– Muito boa tarde, sr. primeiro-ministro -José Leite Pereira levantou-se atarantado para cumprimentar o primeiro-ministro, mas logo se pôs na posição original. Atabalhoado, deitara abaixo um pass-partout com a foto de um projecto que José Sócrates acarinhava especialmente, o da moradia de Valhelhas, dos tempos em que era técnico na Câmara da Covilhã.
– Peço desculpa, sr. primeiro-ministro.
José Sócrates dirigiu-se ao seu lugar e, sem querer, calcou José Leite Pereira enquanto passava por ele.
– Peço muita desculpa, sr. primeiro-ministro.
Sem tempo para conversas de circunstância, José Sócrates foi directo ao assunto:
– Sr. Director, não sei se o nosso amigo Joaquim falou consigo…
– Falou, falou, sr. primeiro-ministro. Aquilo das perguntas que os putos da redacção andam a fazer, não é? Peço muita desculpa, sr. primeiro-ministro, mas a rapaziada nova tem sangue na guelra. São jovens, têm a mania da independência e não têm medo de ninguém. Às vezes, nem eu tenho mão neles. Mas para já está resolvido, sr. primeiro-ministro. Pu-los a fazer a cobertura da transmissão do Loto 2.
– Óptimo.
– A do Euromilhões não, que aquilo dá na TVI e nunca se sabe…
– Agradecia que não me falasse desse canal.
– Tem razão, sr. primeiro-ministro, não volta a acontecer. Peço muita desculpa. Pensei que as coisas estavam melhores, agora que está lá o Júlio. Nunca mais falaram do Freeport!
Sócrates arregalou-lhe os olhos.
– Peço muita desculpa, sr. primeiro-ministro.
– Olhe lá, não deixar publicar aquela do anúncio a pedir um blogger que me apoiasse foi um tiro no pé, não acha? Claro que aquele Ricardo Santos Pinto, esse sujeitinho ordinário, ia logo aproveitar.
– É um porco, sr. primeiro-ministro, é um porco!
– E depois publica aqueles anúncios do «relax». Não é muito coerente, pois não, isso?
– Pensei que não ia gostar do anúncio, sr. primeiro-ministro. Foi por si. Peço desculpa, sr. primeiro-ministro.
– Foi por mim, foi por mim, mas eu é que fico mal no retrato.
– Peço muita desculpa, sr. primeiro-ministro, não volto a repetir.
– Bem, vamos começar a entrevista. Onde é que está o outro jornalista, o que vai fazer as perguntas difíceis para dar sinal de imparcialidade?
– Deve estar a chegar, sr. primeiro-ministro. Seja como for, fui eu que escrevi as perguntas dele. Já as enviei ontem, sr. primeiro-ministro.
– Eu vi. Bom, vamos começar.
– Quando quiser, sr. primeiro-ministro.
– Ó homem, ao menos levante-se. Vai estar de joelhos durante toda a entrevista?

Da censura da Direcção do Jornal de Notícias ao Aventar

O Aventar solicitou ao Jornal de Notícias, a publicação do seguinte anúncio:

O mesmo foi recebido pelos “Serviços de publicidade” e foi pago.

Como o mesmo não viu a luz do dia, foi pedida uma justificação, e a resposta foi a seguinte:

“Um dos meus colegas fez uma tentativa de contacto telefónico para o nº de telef. constante na ficha mas sem sucesso.

O anúncio não foi autorizado a publicar pela nossa Direcção.

Quanto ao valor já foi restituído na 6ª feira passada para o cartão de crédito com que efectuou o pagamento.”

Tudo isto foi já devidamente publicado no Aventar.

Face a tal, e no meio de total estupefacção perante semelhante comunicação – principalmente no que refere à afirmação “O anúncio não foi autorizado a publicar pela nossa Direcção” -, tratou o Aventar de solicitar a mesma publicação no jornal Público, que aceitou.

De reter estas duas afirmações:

- “Um dos meus colegas fez uma tentativa de contacto telefónico para o nº de telef. constante na ficha mas sem sucesso.”

- “O anúncio não foi autorizado a publicar pela nossa Direcção”.

Pelos vistos, para o Jornal de Notícias, depois de aceitar um anúncio e receber o preço, dar o dito pelo não dito ao cliente, rompendo com um contrato sem sequer fundamentar, de dizer porquê, só merece o esforço de uma mísera tentativa de contacto telefónico.

Mais ainda: só após interpelação escrita é que o Jornal de Notícias veio comunicar que “O anúncio não foi autorizado a publicar pela nossa Direcção”. Mais nada. Porque razão foi tal decidido pela Direcção do Jornal de Notícias, nem uma palavra.

Aliás, na mesma linha de fazer uma só tentativa de contacto telefónico para contactar o cliente do qual se aceitou um serviço e respectivo dinheiro e depois se mandou à fava.

Devem estar em contenção de custos…

Fora a já referida violação contratual – já de si grave e que dá lugar a inequívoca obrigação de indemnizar a outra parte nos termos do Código Civil -, irei pronunciar-me, sucintamente, à não autorização da Direcção do Jornal de Notícias – que duvido ter-se tratado de uma decisão unânime – em publicar tal anúncio, enquadrando-a, com especial enfoque em sede do Código da Publicidade (aprovado pelo DL 330/90, de 23/10, e actualizado até ao DL 57/2008, de 26/03).

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Brasileiro dotadão no Jornal de Notícias

 

Adivinha: destes dois anúncios, qual foi publicado no «Jornal de Notícias» e qual foi censurado?
Pois, pois, o JN é muito criterioso na escolha dos seus anúncios…

Ratinha húmida e peludinha no Jornal de Notícias

Adivinha: estes dois anúncios deviam ter sido publicados no «Jornal de Notícias». Um foi publicado, o outro foi censurado.
Qual é que foi censurado e qual é que foi publicado?
Pois, pois, o JN é muito criterioso na escolha dos seus anúncios…

José Leite Pereira censurou o Aventar (Mário Crespo II)


O anúncio hoje dado à estampa no «Público» ia ser publicado inicialmente no «Jornal de Notícias» do último Domingo.
Acontece que o Director do JN, José Leite Pereira, censurou o Aventar. Este mail é a prova de que José Leite Pereira, demonstrando que os amigos são para as ocasiões, proibiu que o anúncio fosse integrado na edição de Domingo, apesar de já estar paginado pelos serviços do jornal e de já estar pago. «Vejam lá que anúncios andam a pôr», ter-lhe-á dito o «amigo Joaquim» em tempo oportuno.
Será que, apesar de não ter sido contactado pelo Director do JN, posso considerar-me um segundo Mário Crespo?

A verdadeira história de José Leite Pereira no JN

O «Jornal de Notícias» é um património, acima de tudo, do Grande Porto e da Região Norte. Jornal centenário, envolveu-se ao longo dos anos nas mais importantes causas da cidade, ao ponto de ser hoje um dos seus símbolos. No nosso JN, a liberdade foi sempre um valor supremo que ninguém conseguiu pôr em causa. A campanha pela demolição do Palácio de Cristal será, porventura, uma mancha num percurso nobre e fértil em momentos de defesa de toda uma comunidade.
Desde pequeno que me habituei a ver no JN um amigo. Cresci com as suas páginas, que há uns anos atrás eram muito grandes e desajeitadas. Passei horas e horas naquele edifício, procurando notícias sobre o FC do Porto no seu Arquivo Histórico e pagando, na altura, 30 escudos por cada fotocópia que pedia. Recordo com saudade a «Empresa do Jornal de Notícias», que editava também aquele vespertino de páginas amarelas e, mais tarde, «O Jogo». Todos os anos, com Serafim Ferreira à frente do pelotão, aí estava a «Empresa do Jornal de Notícias» a organizar a Volta a Portugal em Bicicleta.
É por isso que me invade uma enorme tristeza quando vejo o estado a que o meu JN chegou. Quando vejo naquilo que se transformou, nos últimos anos, por vontade de um empresário que percebe tanto de jornais como eu de automóveis. Por via do empresário e por via da pessoa que ele escolheu para dirigir o verdadeiro «porta-aviões» que é e sempre foi o JN no seio do Grupo Controlinveste. Falo de José Leite Pereira.
Recuemos uns anos. Em 2005, no âmbito de um negócio muito mais vasto, que foi patrocinado pelo poder político através de avultadas garantias bancárias, Joaquim Oliveira acabou por comprar uma série de títulos que estavam na posse da Lusomundo, como o JN, o DN, o 24 Horas, O Jogo ou a TSF. Para dirigir o título mais importante do Grupo, o JN, escolheu um jornalista que já fazia parte da Direcção desde 1998 e que dava garantias de se adequar aos objectivos que tinham conduzido ao patrocínio do negócio por parte do poder político.
Para se ter uma ideia dos objectivos que presidiram a essa escolha, o longo historial de jornalista de José Leite Pereira tinha como principal medalha a cova onde enterrou o «Diário Popular». A escolha ideal, como se vê, para dirigir um diário como o Jornal de Notícias. Algo que, de resto, se tem visto nos últimos anos: durante a sua gestão, o JN obteve os piores resultados de sempre a todos os níveis (comercial, audiências, qualidade, influência). A sua estratégia, suicida, de procurar ganhar espaço em Lisboa levou a um decréscimo significativo da importância do JN a Norte e, pior, sem resultados positivos em Lisboa.
Nada disto interessava, pois José Leite Pereira fora escolhido para liderar um projecto político bem claro. [Read more…]

Futebol Total, Esquecimento Parcial:

Por momentos vou esquecer toda a campanha de roubalheira a que se está a assistir no futebol português e esta cruzada infame de levar ao colo o Benfica a campeão.

Por instantes vou esquecer a paranóia comunicacional deste Partido Socialista de Sócrates entretido em censurar, o que certamente só pode encher de vergonha os seus fundadores e militantes como Manuel Alegre.

Numa só ocasião vou fazer de conta que não me estou a aperceber que o NOSSO Jornal de Notícias está a mergulhar a pique rumo ao descalabro pela mão de um coveiro travestido de jornalista.

Tudo esqueço quando sou, desta forma inacreditável, apanhado de surpresa! Por um azar inexplicável, foda-se! Não assisti ao jogo, nem no Dragão nem na televisão e apenas soube do resultado quando um amigo, adepto do Belenenses me telefonou (e eu no meio de uma reunião) insistentemente e me pergunta: “Conheces alguém que arranje televisões?”. E eu, aparvalhado e com vontade de lhe bater, respondo: “Eu não”. E ele, todo lampeiro diz-me: “É que a minha televisão deve estar avariada pois indica-me que o Porto está a ganhar por 5 a 1 ao Sporting”.  Cum catano! Uma jogatana destas e eu népia, nicles, nada. Ora foda-se, é preciso ter muito azar!!!

E que viva o meu eterno Pooooooorto!

Mário Crespo: O «amigo Joaquim» está sempre à disposição

Pois é, os amigos são para as ocasiões e o «Jornal de Notícias», o lamentável pasquim que em tempos foi um grande jornal, já tratou de Mário Crespo. Igual, exactamente igual ao que Miguel Pais do Amaral fez em tempos a Marcelo Rebelo de Sousa.
Quanto a Mário Crespo, confirma-se o que já aqui escrevi: é um dos poucos heróis corajosos neste pântano nojento em que se transformou Portugal. A sua presença no abominável JN de Leite Pereira era um dos poucos balões de ar puro naquele charco de águas pestilentas. Um dos poucos motivos para ler aquele repugnante panfleto.
Em seguida, falta tratar de Manuel António Pina, o Manuel Alegre do execrando folheto. Fica sempre bem alguém da Oposição para que se pareça democrático, livre e plural. Mas não deverá faltar muito. O «amigo Joaquim», armado do seu folheto nauseabundo, entrará em acção logo que se justificar.

A máquina do tempo: Parabéns Saramago!

 

 José Saramago faz hoje 87 anos e continua a escrever. A escrever bem. Não gostei do seu «Caim», mas gostei muito do «Levantado do Chão», do «Memorial do Convento», de «O Ano da Morte de Ricardo Reis», do «Ensaio sobre a Cegueira»… E de outros de que gostei mais moderadamente, além de outros ainda dos quais gostei pouco ou não gostei nada. Sou só um leitor entre os milhões de leitores que tem espalhados pelo mundo. E não sou admirador incondicional de nenhum escritor . Os autores sabem que cada livro é sujeito a julgamento e cada leitor é um juiz.. Ter escrito tantos livros, entre os quais três ou quatro obras-primas, não é para todos. Diga-se o que se disser, goste-se dele ou não, Saramago é um grande escritor. Como juiz, este é o meu veredicto.

O que é pena é o cidadão José Saramago às vezes dizer coisas que não ficam bem ao escritor José Saramago. E não me estou a referir a esta questão da Bíblia, uma boa acção de marketing por parte do escritor e uma tontice por parte da Igreja. Refiro-me, por exemplo, à defesa da absorção de Portugal pelo estado espanhol, que é, como se costuma dizer, uma ideia de cabo de esquadra!  Mas hoje é dia de festa, cantam as nossas almas, como diz a estúpida letra brasileira da imbecil canção ianque, e antecedi este texto de uma declaração de Saramago que subscrevo inteiramente. Uma definição exemplar, na minha opinião, evidentemente, da falsa democracia em que vivemos. Em poucas palavras, disse aquilo que eu andei aqui semanas a tentar transmitir. Deste vez, o cidadão foi digno do escritor. E vou contar uma história.

Corria o ano de graça de 1966, mais precisamente o dia 24 de Novembro. Por esses anos, semanalmente, quando a censura não cortava tudo, publicava uma crítica de poesia no «Suplemento Literário» do Jornal de Notícias. José Saramago que, nessa altura era um nome apenas conhecido no meio editorial, publicara um livro na colecção Poetas de Hoje da Portugália Editora – “Os Poemas Possíveis” – e teve a amabilidade de mo mandar com uma simpática dedicatória.

Ao contrário do que na maior parte das vezes acontecia, gostei da colectânea e escrevi um texto muito favorável que terminava assim: «Em conclusão. “Os Poemas Possíveis” é um livro bem escrito, onde se evidencia um meritoso trabalho de oficina, sem concessões à proverbial «inspiração» poética. Apenas nesta medida, apenas quem não pretenda pedir outras razões a José Saramago que as de um trabalho bem feito, este livro agradará plenamente.» Como já tenho dito, por aqueles tempos discutia-se muito a prevalência, ou não, do conteúdo sobre a forma. O poemário de Saramago ia ao encontro do que eu defendia semanalmente naquela pequena tribuna.

Até aqui, tudo estava a correr bem. Acontece que quem fazia a paginação do suplemento se enganou e no título, em grandes letras, a seguir ao nome da obra escreveu JOSÉ SERRANO. Guardei para sempre a cópia dactilografada para, em caso de dúvida, poder provar que a culpa não foi minha. Escrevi repetidamente ao director do suplemento (Nuno Teixeira Neves) pedindo-lhe que escrevesse ao autor, em nome do jornal, pedindo desculpa. O que, segundo me disseram, ele não fez. Por isso, espero que Saramago não se lembre do obscuro crítico literário que há mais de quarenta anos ficou sob suspeita de lhe ter trocado o nome.  

Há catorze ou quinze anos, estava no Aeroporto da Portela com o editor Lyon de Castro. Íamos, salvo erro, para Francoforte, para a feira anual dos editores, e de repente quem pára junto a nós – o José Saramago que cumprimentou o Francisco Lyon de Castro. (Saramago, num dos seus Cadernos de Lanzarote faz-lhe uma curiosa alusão; num sonho, o editor vem abrir-lhe um portão).

Estávamos perto do free shop e logo me afastei a ver com atenção excessiva uma qualquer mercadoria que ali se vendia. O Lyon de Castro ainda olhou para mim, com evidente vontade de me apresentar (ele adorava brilhar, e o Saramago ainda não ganhara o Nobel, mas já era um escritor muito conhecido). Pelo canto do olho observei as movimentações e debrucei-me ainda mais sobre qualquer artigo. Não fosse o Saramago lembrar-se do dia em que fui suspeito de lhe ter trocado o nome…Talvez tenha feito mal, pois era uma boa altura para lhe ter pedido desculpa por esse erro que não cometi. O que faço hoje com 43 anos de atraso.

Parabéns, José Saramago!