O meu voto de confiança

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E no entanto, nem todos andamos cá para ver andar os outros, e aprender a fazer como eles (sem pensar) fazem. Muitos escutam a sua humanidade pedir-lhes o que profundamente é no que a constitui: um anseio, que requer a caminhada – descoberta, conquista, chama-lhe o que quiseres. A maioria desses caminhantes são jovens, pessoas a quem contudo normalmente se atribuem todos os defeitos herdados dos pais, como se o Mundo que lhes é dado a viver nada lhes trouxesse, não os confrontasse, como se fossem apenas os genes de que são a reprodução mais recente. Alguns desses jovens viajantes que não querem já saber dos carros e das casas (que o desemprego que lhes destinam torna de qualquer modo inalcançáveis) fazem-se hoje portugueses noutros lugares.

Cruzei-me há dias com uma jovem estudante que quer cumprir a sua vocação e ser médica – ser médica pelas razões certas e eternas que fazem da medicina uma missão. Como o jornalismo o é, ou o ensino, e também a política, apesar de tudo aquilo a que assistimos e que nos é oferecido como normalidade. Gostaria de ser médica, essa médica, em Portugal, onde é tão precisa. Mas receia não aguentar a pressão, os sistemas informáticos de gerir pessoas ainda demasiado centrais no processo curativo, e ainda cheios de deficiências e de rigidez, sem espaço para a diferença (a singularidade que cada ser humano é), reproduzindo o que acontece na organizações, onde as pessoas competem pela sobrevivência e pelo poder, e onde a diferença não serve, não cabe.

Vi nessa estudante de medicina, como em muitos mais jovens que vou conhecendo, a visão desse mundo em mudança, dentro da cabeça dos mais novos, em gestação rápida que os tempos vão velozes, um mundo a nascer e que se construirá sem dúvida contra aquele que hoje decai alegremente, perante a indiferença de tantos para quem a injustiça é uma espinha de engolir.

Sr. Presidente não permita a saída de mais nenhum jovem

Faça tudo o que estiver ao seu alcance para que nem mais um faça as malas e invista a sua vida noutro país!

Do it now!

«Ninguém imagina que vai cair no desemprego»

“Ela confiava nas previsões metereológicas dos calos do senhor Carmichael. (…) O mundo está mal feito – soluçou. Aqueles que a visitaram nesses dias tiveram motivos para pensar que ela tinha perdido a razão. Mas nunca foi tão lúcida como então. (…) se Deus não tivesse descansado no domingo, teria tido tempo para terminar o mundo. -Devia ter aproveitado esse dia para não ficarem tantas coisas mal feitas -dizia. – Ao fim e ao cabo, ficava com toda a eternidade para descansar.”

No meio da minha leitura, por entre linhas e palavras que, não obstante estarem divinalmente (!) escritas  por Gabriel García Márquez, não pude deixar de pensar em Ana, trinta anos, designer gráfica, que não adivinhava, na manifestação de 15 de setembro, que semanas depois iria engrossar a estatística. [Ler mais ...]

Presidente Acagaçado

O Presidente Piegas

É verdadeiramente vergonhosa a atitude do senhor Presidente da República ao fingir que um impedimento de Estado, de última hora, o tenha impedido de cumprir a visita que estava programada.

Todos sabemos que as criancinhas metem medo ao mais avisado, e que o senhor Presidente, homem avisado e já por diversas vezes protagonista de “não atitudes”, tem medo delas, talvez, digo eu, por não saber lidar com jovens. No fundo, o homem é um piegas.
Ora, se não sabe lidar com jovens, por favor senhor Presidente, não queira ser Presidente deles, e se não sabe ser Presidente deles, não nos serve para nada, ainda para mais sendo piegas, que é coisas que nós não gostamos mesmo nada.
Com a suas idade, aproveite as reformas de dez mil euros, calce os chinelinhos, ligue a lareira e escreva memórias. Pode ser que assim o dinheirito lhe chegue até ao fim do mês.
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Os abraços em dia de S. Valentim

Nos US há o costume de as pessoas se abraçarem, mesmo as que não se conhecem, em plena rua as pessoas cruzam-se e abraçam-se. É dia de S. Valentim!

É um costume bizarro, num país onde as pessoas nem tempo têm de olhar para si mesmas, quanto mais para os outros, onde não há o costume tão português de nos tocarmos quando falamos uns com os outros, esse calor de confiança e amizade que tanto precisamos de mostar. Pois S. Valentim, faz esse milagre, as pessoas tocam-se, abraçam-se e seguem caminho com um largo sorriso, não percebi bem se é de alegria se de terem tido a coragem de transpor uma barreira.

E o homem lá estava na esquina a abraçar tudo e todos, jovens e velhos, mulheres e homens, era o típico Nova Yorquino, nunca saiu dali mas já viu tudo, gente de todo o mundo, ouviu notícias de terras de que não faz ideia nenhuma e, para ele, abraços de um homem da sua cidade, onde nasceu, onde vive e onde há-de morrer é o supremo gesto da tolerância, da paz e da comunhão.

Passei por perto uma e outra vez, mas havia sempre gente que se antecipava e para mim, abraçar alguém não era assim tão excepcional, mas caramba, adorava saber se era a falta de calor humano o que levava àquele gesto tão banal para quem vive aqui deste lado do Atlântico. Junto ao Mediterrâneo…

E o tipo olhou para mim, nem acreditou, eu percebi logo que não lhe podia dizer que aquilo era banal noutras partes do mundo, apertei mais para o tipo não ver a minha cara algo envergonhada e ele ao meu ouvido : Já viste o sorriso desta gente ? A maioria nunca foi abraçada na vida!

Gulbenkian – Envelhecimento e solidão

Dois projectos virados para o problema da solidão dos idosos e que promovem o diálogo e o convívio entre gerações foram apoiados pela Fundação no âmbito de um concurso que abrangeu o Alentejo e a região do centro.

Pais & Avós e Saltarico, assim se chamam os dois projectos foram apresentados, respectivamente, pela Santa Casa da Misericórdia de Mértola e pela Rede Europeia Anti-pobreza da Guarda. Ambos os  projectos promovem a partilha e a convivência entre crianças e idosos, através da expressão musical e plástica, educação física e introdução às novas tecnologias de informação e comunicação.

Saltarico, dinamiza oficinas etnográficas em que os “mestres” são os idosos e os “aprendizes” são os jovens estudantes do Instituto politécnico da Guarda. Estas actividades pretendem contribuir para a convivência saudável entre gerações, eliminando barreiras , preconceitos e estereótipos.

Premiar o Talento:

É um prazer ver jovens talentosos serem, paulatinamente, reconhecidos pela excelência do seu trabalho.

O Aventar sobre eles falou no começo desta aventura. Mais tarde foi a imprensa local. Agora foi a vez da nacional através do JN. Eles merecem.