Palavras difíceis de prender

A minha mania de guardar recortes de jornal.
Este é do Público (11 dezembro 2010) e refere-se ao poema que Liu Xiaobo escreveu no cárcere na véspera da entrega do Prémio Nobel da Paz. Não o deixaram ir a Oslo, mas nem por isso deixou de «gritar» e fazer-se ouvir. No jornal lemos “Mas as palavras são mais difíceis de prender, e Liu conseguiu fazer chegar ao exterior um poema inédito”!
Ficam aqui essas palavras de um homem que diz não possuir nada e, no entanto, é Prémio Nobel da Paz (é tudo)…
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Acampados: de Tianmen aos actuais indignados

Ao jeito de campanha suja e desonesta da sua prelidecção, esse ex-maoísta militante, chamado José Manuel Fernandes, com a ligeireza de um cérebro desprovido de massa encefálica,  enfunado de desonestidade intelectual ou das duas coisas, escreveu um ‘post’ abjecto. Da matemática cerebral que lhe escasseia, descobriu a seguinte lei algébrico-social: “Unidos contra a democracia”.

Confesso que estranhei o facto da ensaísta, de voz sensual e afectada, não se ter também indignado, como é habitual, contra os “Indignados”, no mesmo blogue. Ficámos, pois, reduzidos ao dislate de Fernandes que faz equivaler o comportamento censurável de cerca de uma dezena de nazis à atitude de mais de um milhar de cidadãos cívica e politicamente correctos que, com legitimidade e em obediência às leis, protestavam contra as medidas governamentais e em reacção às penosas condições de vida a que estão submetidos.

De todos estes juízos sumários,  de gente cujo desplante e a falta de verticalidade os levam a fácil ascensão social e profissional,  há histórias a lembrar. Uma delas é recordar que a Praça de Tianmen e a carnificina sobre acampados de que foi cenário em 1989 ficaram, definitivamente, gravadas na ‘História Política do Mundo’, no capítulo dos horrores contra a humanidade.

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Deve ser engano

O Nobel da Paz é tantas vezes tão mal atribuído que quando acertam parece engano. Liu Xiaobo tem dedicado a sua vida a ser preso pelo regime fascista chinês, símbolo do capitalismo em ascensão.

Os senhores do novo império dominante ficaram furiosos. Azar o deles. Na China terão de aprender mais tarde ou mais cedo que o imperialismo tem pés de barro e não passa de um tigre de papel, por muito que o poder esteja na ponta da espingarda.

Um país, um sistema

A-protestor

Liu Xiaobo foi condenado a 11 anos de trabalhos forçados pelo regime de Pequim. Liu Xiaobo foi condenado porque tem ideias diferentes para o governo da China e porque o governo da China não quer ideias diferentes no seu império.

Digo  11 anos de trabalhos forçados porque os fascistas chineses adoptaram para os seus prisioneiros o sistema laogai, que consiste grosso modo em garantir que não gastam um chavo: os condenados são obrigados a garantir o seu sustento através do trabalho escravo,  em penitenciárias privatizadas à luz do melhor modelo norte-americano (os impérios copiam-se).

Liu Xiaobo esteve em Tianamen, vai para 20 anos, o que garante o apoio à sua condenação por parte dos fascistas espalhados por todo o mundo que vêm nesses acontecimentos uma mera manobra da CIA. Esperem pelo próximo Avante.