Tanta conversa moralizadora…

… e depois não é que são mesmo todos iguais?

Partidos da Madeira recusam devolver ajudas utilizadas fora da lei

Em causa estão 6,3 milhões de euros desviados para campanhas eleitorais e outras actividades partidárias, em violação da lei orgânica da assembleia que consigna tais apoios exclusivamente para o apoio à actividade parlamentar. O PSD é o partido que maior montante tem a devolver, mais de 4,4 milhões referentes aos dois anos. Segue-se o PS, com 1,3 milhões, o CDS-PP com 229 mil euros, os deputados independentes João Isidoro e Ismael Fernandes (dissidentes do PS e reeleitos pelo MTP) com 170 mil, o PCP com 159 mil, o BE 62 mil e o PND 25 mil euros.

Tanto discurso cheios de moralismo, especialmente por partidos como o PCP e o BE, e depois nem o exemplo conseguem dar. E veja-se ali, o PS, agora que é oposição e até começa começa com o discurso “é preciso fazer diferente” mas tão igual aos outros. E PSD e CDS-PP que têm o poder, se nem as suas estrelas locais consegue conter, imagine-se como alguma vez será capaz de meter mão nos tubarões da república. Finalmente, os pequenotes MTP e PND a quererem ser grandes mas começando o caminho logo pelos tostões do financiamento partidário.

Parabéns leitor, deixou de tomar uma bica para patrocinar mais um acto de elevação política.

Estou a ler bem?

Jardim vai emprestar  259 milhões de euros a cinco sociedades falidas da região. O valor previsto do financiamento a concedido pelo Estado em 2012 é de mil milhões. Vá, agradeça o peso que lhe tiraram de cima… da carteira.

A credibilidade deste governo atingiu o zero, mas da escala de kelvin

Subsídios serão repostos ao ritmo de 25% por ano a partir de 2015

Isto corresponde à n-ésima variante sobre o mesmo tema das calendas gregas. Tenho vergonha deste país que carrega parte da população com o fardo de pagar uma muito maior parcela da escandalosa nacionalização do BPN e do miserável buraco da Madeira. Ainda para mais com o enorme desplante de permitir à nobreza da função pública, a administração de topo, ter regimes de isenção destes cortes (já vai em 14!). Os erros foram cometidos por uns poucos, poucos estes que foram eleitos por muitos, e vai ser pago por uns poucos também.

Quando havia o escudo estes buracos também aconteceram muitas vezes. Mas, então, a desvalorização da moeda era o machado que a todos cortava o poder de compra por igual. Lembro-me, por exemplo, de haver depósitos a prazo que pagavam 18% ao ano, tal era a inflação. Agora, que esse algodão de limpar nódoas da má governação se foi, sobra-nos a sabedoria de Mazarin.

E não sou funcionário público.

Rouba mas faz

Esta frase faz parte dos hábitos de uma população que desvaloriza a ética e que, portanto, nunca tem problemas em eleger ou reeleger políticos que não escondam, ou que escondam mal, o recurso a meios ilícitos ou menos lícitos para, como é costume dizer, “fazer obra”.

O cidadão nem sequer se preocupa em negar que o seu político tenha ultrapassado orçamentos ou recorrido a maiores ou menores corrupções: desde que seja da sua cor, qualquer atropelo à honestidade é compreensível “porque fez muito pela nossa terra”. Para além disso, há sempre outros que fizeram o mesmo ou pior, desculpa habitual no mundo infantil dos países em que a corrupção faz parte do carácter nacional.

Alberto João Jardim, esse Sócrates sem Paris, é o mais português dos políticos portugueses, porque, na realidade, ninguém pode negar que tenha realizado obra.

E porque se há-de arrepender quando a conta vai para os cubanos?

Alberto João Jardim não se arrepende de ter aumentado a dívida e diz que ”não tinha, em consciência, o direito de deixar de aproveitar dinheiros de graça”. Tão de graça que até deixaram um buraco que parece o da camada do ozono.

Eu considero surreal é que Marinho Pinto se indigne por causa de quem fez as buscas

Marinho Pinto considera surreal ser a GNR a fazer buscas na Madeira

Porque o problema não é quem faz as buscas mas a necessidade delas existirem. E sobre isso, nem piu.

Loucura total

Quem é que contou esta piada? Está mesmo boa! Imaginem que ouvi dizer que o João Jardim é o mandatário do Passos Coelho nas eleições internas do PSD! Este pessoal tem uma imaginação.

Então não se lembram deste vídeo, ou deste, ou… ou…

Eu não quero pagar os estrangeiros das equipas madeirenses… nem do continente, claro!

Voleibol

São 15h. No pavilhão do Gueifães está a começar um jogo de voleibol entre o Gueifães e o Leixões. A equipa de matosinhos luta pelo primeiro lugar no campeonato nacional feminino e as maiatas procuram um lugar na fase final que vai disputar o título. A luta pelo quarto lugar é com o Braga e com o Castêlo da Maia.

Já apuradas estão uma equipa dos Açores, o Ribeirense e uma outra da Madeira – o CSMadeira. Ambas com um plantel quase constituído por atletas profissionais vindas do outro lado do atlântico.

Quando se sucedem as notícias que dão conta das dificuldades que os clubes da Madeira sentem para honrar os seus compromissos por força do aperto financeiro importa questionar que sentido faz a aposta insular na profissionalização das suas equipas com atletas estrangeiras.

Que o “meu” dinheiro seja usado para apoiar o desporto, tudo bem e em particular o desporto jovem, fantástico.

Que o “meu” dinheiro seja usado para apoiar os clubes que estando numa ilha têm dificuldades inerentes à descontinuidade geográfica, tudo bem na mesma.

Que o “meu” dinheiro seja usado para ir buscar brasileiras, entrar em campo com 6 estrangeiras profissionais que vão competir com equipas do continente completamente amadoras é que não!

Se a TROIKA não servir para nada, que sirva para moralizar a verdade desportiva.

“ARMAS” Abandonou

A MADEIRA ESTÁ MAIS LONGE
O navio “ARMAS” que durante cerca de seis anos (desde 2006) fez a ligação marítima de transportes regulares de passageiros entre o continente (Portimão) e a  ilha da Madeira (Funchal), deixou de o fazer.
Como não poderia deixar de ser, a culpa cai no Governo Regional, que não deu ao armador espanhol as condições que este entendeu por necessárias para efectuar esse serviço.
Também como não poderia deixar de ser, independentemente da razão que eventualmente lhes possa subsistir, a oposição política e algumas associções empresariais acusam igualmente os governantes  regionais de protegerem e beneficiarem o Grupo Sousa,  concessionário das operações portuárias do arquipélago e com o monopólio da ligação marítima entre as ilhas da Madeira e do Porto Santo.
Quem fica a perder é o arquipélago, cujos habitantes deixam de ter uma via mais económica de acesso ao continente e às Canárias, aumentando o nível de vida, fazendo diminuir o emprego e aumentando o isolamento (parte das conclusões de uma petição pública colocada na Internet subscrita por muitos cidadãos).
.

Alberto João Jardim: O Elogio a Quem o Merece

Visitei pela primeira vez a ilha da Madeira no ano de 1976, no verão, em pleno Agosto, e durante doze anos fui visita assídua do arquipélago. Várias vezes por ano lá aportava e, entre Agosto e Setembro de cada ano, lá passava eu e a minha família perto de um mês na praia, no Porto Santo, o que me permitiu conhecer como poucos a ilha dourada e razoavelmente a ilha da Madeira. Depois, e durante os vinte e poucos anos seguintes, acompanhei a vida do arquipélago através dos mesmos familiares e das notícias que lia e ouvia, mas com poucas viagens feitas. A minha última viagem foi feita em Abril do ano passado.
Durante os trinta e cinco anos que passaram desde a minha primeira vez, ouvi de tudo sobre o arquipélago, sobre as suas gentes e em especial sobre o seu Presidente. O sr Jardim, da Madeira.
Durante esses anos foi sendo construída aqui no continente uma imagem negativa do nível de vida das ilhas e da capacidade intelectual das gentes da Madeira, e acima de tudo da competência e da honestidade do Presidente do governo Regional e dos membros do seu governo.
Quando conheci as ilhas, estas tinham um nível de desenvolvimento fraco e provinciano. Vindo eu da segunda maior cidade do País, via que a esse nível pouco as diferenciava das cidades limítrofes da minha e se calhar nem mesmo da minha. Lá como cá, o País era Lisboa, a capital o Estoril, e o resto era paisagem. Naquela altura nem o Algarve tinha ainda ganho mais um “L” para o internacionalizar e por essa razão não era ainda o País anglo-germânico que hoje é.
Com o passar dos anos vi a regionalização a ser implementada, as obras públicas a acontecerem com as estradas novas e os “furados” a rasgarem a terra, o crescimento do aeroporto, a criação da Zona Franca, o incremento do turismo de qualidade, e de um modo geral o grande desenvolvimento daquela parte de Portugal.
Corrupção, compadrio, favores, cunhas, e outras coisas do género, por certo que as houve e há, mas não mais do que em todo o Portugal de uma ponta à outra. [Ler mais ...]

Esperança?

Offshore da Madeira, o porto de abrigo dos piratas

Sabe quem ganha com o offshore da Madeira? sabe que o director regional de impostos da Madeira está acusado pelo Ministério Público de evasão fiscal?  Sabe porque não recebe a Madeira 500 milhões de euros de fundos comunitários para combater a pobreza? Sabe que os nossos governos deixam estes vigaristas fugir aos impostos e branquear dinheiro sujo, incluindo criminosos internacionalmente perseguidos, porque isso inflaciona o nosso PIB? Mais de 2000 milhões de euros roubados a todos nós, ou seja: mais do que vai ser cortado nos ordenados da função pública  fazem parte das suas preocupações?

Ouça uma destas entrevistas com o autor de Suite 605. Vai ver que lhe dói, e não é pouco.

Antena 1 – Entrevista a João Pedro Martins

via Andreia Peniche

Acertar ponteiros

Neste passado Domingo perdeu-se mais uma oportunidade de melhorar a coesão nacional: os Açores foram obrigados a atrasar uma hora tal como Portugal continental e a Madeira. Ou seja continuam atrasados uma hora em relação ao resto do país. Não é justo.

Claro que pode usar-se o argumento dos meridianos e tal e coisa, mas não deixa de ser uma oportunidade perdida.

A dupla vergonha das eleições da Ilha da Madeira

Porto-Santo-praia.jpg

LA MARSEILISE 

No dia 7 de Outubro, comentava um texto de António Fernando Nabais, que diz no fim: Alberto João Jardim já manifestou a sua indignação pelo facto de a Academia Sueca estar a querer imiscuir-se na campanha eleitoral, tendo criticado especialmente a parte em se pode ler “todos falam, fervorosos, na língua estranha”, o que terá sido entendido como uma referência menos elogiosa ao sotaque madeirense. Como retaliação, os madeirenses estão proibidos de importar móveis da IKEA. (o sublinhado é meu).

[Ler mais ...]

Impunidade parlamentar

Como perceber o voto num político que vive amparado numa rede em que o poder legislativo, o poder executivo e o mundo empresarial têm ligações tão próximas e tão evidentes, ao ponto de podermos falar de uma legalização da corrupção? Jardim representa tudo o que não devemos aceitar num político, desde o desbragamento reles até à assumpção de que gasta mais do que aquilo que tem, com a desculpa de que tem “obra feita”.

Jardim fá-lo porque sabe que isso lhe rende votos. A relação da maioria dos cidadãos com a política é a mesma de um elemento de uma claque com o clube que apoia, é uma relação afectiva, tribal no sentido mais básico do termo.

O chefe da tribo, porque usa as mesmas cores do eleitor, merecerá sempre o seu voto. Para além disso, numa atitude muito mediterrânica, a possibilidade de o mesmo chefe revelar pouca seriedade nesta ou naquela área é sempre relativizado com um sorriso malandro que reduz as críticas a mau perder, ao mesmo tempo que desculpa a desonestidade com os resultados alcançados.

Há quem garanta que, na Madeira, nada voltará a ser o mesmo, que Jardim será obrigado a actuar de outra maneira, graças à firmeza do governo da República. Como São Tomé, cá estaremos, durante os próximos quatro anos, para confirmar que até pode não ser assim. Entretanto, a maioria absoluta continua e parlamento madeirense continuará a legislar de acordo com os interesses pessoais de alguns deputados, sujeitos à impunidade parlamentar.

Madeira:

Sobre os resultados da Madeira e os recados que os eleitores entenderam dar já escrevi AQUI.

O Alberto João Jardim, mais do que o PSD, ganhou as eleições. Mesmo que a vitória possa ser considerada amarga. Porém, a verdade é só uma: no segredo da mesa de voto, a maioria dos eleitores da Madeira deram mais uma maioria a AJJ.

E nesse mesmo cantinho secreto, castigaram de forma violenta o PS, o Bloco e a CDU. Uma geral das grandes. Por sua vez, o CDS teve um resultado histórico e o PTP idem.

Foram muitos os recados do eleitorado. Para todos. Até para nós…

Alberto João Jardim com maioria absoluta

45 vitórias eleitorais consecutivas na Madeira. Pudera, quem não vota no seu ganha pão? Uma coisa é certa, nunca poderá alguém dizer que o que se passa na Madeira não é culpa dos próprios. Apesar de AJJ, no seu discurso de vitória já estar a apontar desculpas para o liberalismo, os socialistas, Lisboa e a radiodifusão.

Enganar o Estado e ser eleito não é um exclusivo da Madeira. E ainda receber apoio popular, idem. Isto só prova que a democracia em Portugal é uma farsa.

adenda
Depois do caso dos recursos de uma empresa pública estar ao serviço de um partido, o que não é propriamente novidade, nem na Madeira nem no resto do país, anunciou o PS-Madeira que estava na sala uma eleitora que, quando foi votar, tinha o nome marcado nos cadernos eleitorais como já tendo votado. É caso para passar a pedir aqueles observadores da ONU que costumam vigiar as sólidas democracias africanas.

Hoje é Dia de Pesagens

 

Retomamos a rambóia habitual dentro de momentos.

 

Dia de reflexão na Madeira IV

-Já reflectiste?

-Estou indeciso, não sei de que é que me hei-de mascarar este ano.

Dia de reflexão na Madeira III

-Já vês luz ao fundo do túnel?

-Não, mas acho que vejo outro túnel pronto a inaugurar ao fundo deste túnel.

Dia de reflexão na Madeira II

A culpa é dos cubanos

Dia de reflexão na Madeira

Bandex: Cambalacho Pt 1 (estão falando da Madeira)

A vergonha das eleições da Madeira

ILHA+DA+MADEIRA+-+PORTO+MONIZ.jpg

O texto de António Fernando Nabais, poético e calmo, revela-nos o frenesi de Alberto João Jardim, que parece querer ser rei da Madeira. É-me impossível não dizer que este é um grande perdedor, porque vai perder votos, estou certo. Pensa tanto em si que compara a sua criminologia, provada como está pelos desvios de dinheiro cinco mil milhares de euros, e as dívidas em que fez entrar a ideologia que nos governa, muito diferente a minha, como é evidente, mas sinto pena do Primeiro-Ministro contar nas suas filas um homem que mente, desvia dinheiro, dá má reputação ao nosso país, e tem apoio… porque paga esse apoio. Crimes como os dele, mereciam for retirado da sua candidatura e despedido do seu partido. Bem sei que tem feito da Madeira um jardim que enche de dinheiro as arcas… de quem?

Senhor Passos Coelho, se tolera no seu partido um homem dessa laia, envergonho-me de si. Ou será que há mais deste tipo de lisura dentro do seu partido? Já vendeu o país à troika, parecia justo e necessário, mas com um político criminoso nas suas fileiras? Se eu for assim, da sua ideologia, primeiro era expulsar o grande mentiroso… O pior é que vai ganhar… [Ler mais ...]

O Nobel da Literatura e Alberto João Jardim

Aqui está um texto sobre Tomas Tranströmer, o Nobel da Literatura de 2011. No final do artigo, temos direito a um poema intitulado “Funchal”, da autoria do poeta sueco agora nobelizado. Alberto João Jardim já manifestou a sua indignação pelo facto de a Academia Sueca estar a querer imiscuir-se na campanha eleitoral, tendo criticado especialmente a parte em se pode ler “todos falam, fervorosos, na língua /estranha“, o que terá sido entendido como uma referência menos elogiosa ao sotaque madeirense. Como retaliação, os madeirenses estão proibidos de importar móveis da IKEA.

Quem o Ouvir Não é Mouco

“O pecado da Madeira foi saber aproveitar a autonomia de quem quis continuar a ser português”

Jardim entende que “o pecado da Madeira foi saber aproveitar a autonomia de quem quis continuar a ser português” no processo depois do 25 de abril.

“Porque não optámos pela independência, mas por ser portugueses, embora com autonomia própria”, frisou, acrescentando que, “se calhar, Lisboa ficou aborrecida com isso. Se pudesse queria entregar tudo. Ia a Madeira, Açores e as Berlengas”.

“Angola tem petróleo, ouro e diamantes, mas Lisboa continuou a mandar-lhes dinheiro e a pagar dívidas”

Para Jardim, “o pecado da Madeira foi primeiro ganhar autonomia política, quando as antigas colónias romperam com Lisboa”, acrescentando que o Estado português “continuou a mandar-lhes dinheiro de graça”.

Mencionou que “Angola tem petróleo, ouro e diamantes, mas Lisboa continuou a mandar-lhes dinheiro e a pagar dívidas”.

Referiu mais uma vez que decidiu aumentar a dívida da Madeira para evitar que a região parasse, destacando que esta “tem património. Tem ativos. Não comeu e bebeu o dinheiro. Não gastou em subsídios. Não está como as empresas públicas, que só têm coisas velhas no seu património”.

“Por que é que o Estado português continua a esconder a quantidade de dinheiro que direta e indiretamente dá às colónias desde 1974″

O candidato do PSD-M questionou “por que é que o Estado português continua a esconder a quantidade de dinheiro que direta e indiretamente dá às colónias desde 1974 e só fala da Madeira?”, justificando a pergunta com o argumento de que o Governo Regional “pôs tudo clarinho cá fora”: onde estão as dívidas e onde gastou o dinheiro.

“Onde está a dívida direta do Estado?”, interrogou.

In Expresso 2/10/2011

Outras contas da Madeira

Ouvi ontem na TSF o autor do livro Suite 605, João Pedro Martins, explicar muito bem explicadinho que o paraíso fiscal madeirense entra no PIB jardinista embora lá não deixe impostos, como é bom de ver. Desta forma a situação económica da Madeira é inflacionada, explicando-se assim porque é oficialmente a 2ª região mais rica de Portugal. Consequência: uma região com 30% da população a viver abaixo do limiar de pobreza ficou excluída dos fundos europeus, perdendo milhões todos os anos.

Tem toda a lógica: não paga a Europa, pagamos nós. Siga o bailinho.

Na Madeira as eleições são a fingir

Tem andado a atarantada direita a proclamar que Alberto João Jardim não passa de um “socialista” (eles pensam que o PS é socialista, e o CDS provavelmente centrista), que fez por lá o mesmo que se fez por cá.

Deixando de lado o ridículo da comparação, este negacionismo parte do pressuposto que a Madeira sendo território português vive sob a alçada da Constituição da República. Não é verdade.

Na Madeira nunca houve 25 de Abril: Alberto João Jardim, empurrado pelo bispo local, tomou o poder e manteve a ditadura, com chapeladas eleitorais, uma rede de clientelas e negócios, típica de qualquer oligarquia. Desde a comunicação social que controla (e nós pagamos), ao futebol que sustenta (idem aspas), passando pela dependência do estado, empregador mor da coutada, digamos que fez por ali o que Marcelo Caeteano talvez tivesse feito por cá, não fosse a questão colonial.

Os sucessivos governos, poder judicial e presidentes deixaram andar. Uns por medo, outros por acordo tácito, todos com receio de perderem votos. No caso do poder judicial (e policial) nunca percebi, mas como todos os fenómenos deve ter uma explicação.

A última prenda vem na forma do “falei de mais” de hoje.  Chego a pensar que Passos Coelho faz destas para aparecer publicamente como um homem que assume erros, o que não é despiciendo, tendo em conta o que nos habituámos durante 6 anos. Foi o primeiro ajoelhar, outros se seguirão.

A Madeira não vai pagar a sua dívida e vai continuar a chular o continente. Ponto final. É quanto queiram apostar, e aqui se começará a provar que a troika apenas vai meter na ordem os direitos do trabalho. Parágrafo.

Pensar sem palas

Santana Castilho *

1. Eles serão fortes enquanto formos fracos e a indignação for só dalguns. Só pararão quando estivermos secos como os gregos e apenas nos restar o coiro, esbulhado todo o cabelo. Nas últimas semanas, depois do Instituto Nacional de Estatística e do Banco de Portugal terem “descoberto” o que muitos sabiam há anos, a degradação da política expôs-se em crescendo. Dum lado, reclama o PS contra o escândalo da Madeira. Do outro, grita o PSD que a responsabilidade pelo buraco do continente é do PS. Os dois têm razão. Porque os dois são culpados. Os notáveis do costume, alguns deles outorgantes da impunidade que protege a política, emergiram do ruído pedindo leis que sancionem os que gastam o que não está autorizado. Como se o problema fosse da lei, que existe e é ignorada, e não fosse dessa espécie de amnistia perpétua que decretaram. É, assim, fácil prever como terminará o inquérito que o Procurador-Geral da República determinou. O destino dos mesmos é o de sempre: sem o mínimo incómodo, muito menos de consciência, uns, eles, continuarão a dizer aos outros, nós, cada vez mais sufocados, que temos que pagar o que (não) gastámos.

Sobre a Madeira, um notável de Bruxelas mostrou surpresa. Estava em Wroclaw, na Polónia, com todos os ministros das finanças da Europa. Foram para decidir sobre a Grécia, que se afunda e arrastará com ela a Europa e o euro. Não sei quanto gastaram, mas foi muito. Sei que decidiram coisa nenhuma. Sobre a Madeira, outro notável, o presidente da nossa República, disse com ar grave: “Ninguém está imune aos sacrifícios”. Estava nos Açores, onde teve a oportunidade de apreciar o “sorriso das vacas” e verificar que “estavam satisfeitíssimas, olhando para o pasto que começava a ficar verdejante”. Não sei quanto gastou, mas não terá sido pouco. Disse-me Rita Brandão Guerra, deste jornal, que Sua Excelência se fez acompanhar de 30 pessoas, 12 seguranças, dois fotógrafos oficiais, médico e enfermeira pessoais, dois bagageiros e um mordomo inclusos.

[Ler mais ...]

Se Portugal Fosse a Espanha…

Este senhor não estaria acusado de incitamento ao separatismo? Mas, afinal, ele não queria dizer o que disse. É o diz que disse. E Portugal é o sítio certo para gente equivocada com as palavras. Em Espanha quer-me parecer que tratam estes assuntos de forma diferente.