Mouros de Pazes

As Praças-fortes portuguesas em Marrocos eram um problema para o país. Rodeadas de inimigos, encontravam-se isoladas e dependiam da metrópole ao nível do abastecimento de víveres.

Portugal fazia esforços para celebrar acordos com os mouros que habitavam as áreas circundantes. Esses acordos davam origem a uma relação de vassalagem entre os mouros e a coroa portuguesa. No seu âmbito Portugal garantia protecção aos seus vassalos, bem como o direito de livre circulação e exercício de actividade comercial nos seus domínios. Em troca assegurava um clima de paz com as áreas circundantes às praças e cobrava tributos em espécie, principalmente cereais e gado.

A situação ganhava contornos diferentes nas praças do Norte e nas praças do Sul. Se no Norte, no chamado “Marrocos Verde”, existia um poder centralizado no sultão de Fez que permitiu o estabelecimento de alguns acordos duradouros, a autonomia política das tribos do chamado “Marrocos Amarelo”, no Sul, originou um clima de guerra quase permanente.

As tribos que aceitavam a vassalagem à coroa portuguesa eram chamadas de “Mouros de Pazes”. E apesar do facto de no Sul de Marrocos a “conversão” dos mouros de pazes ser mais difícil, vigorou durante seis anos um acordo com as tribos da região da Doukkala-Abda que trouxe para o lado de Portugal um imenso território com alguns milhares de quilómetros quadrados, só possível pela ousadia do capitão da Praça de Safim Nuno Fernandes de Ataíde, a quem os mouros chamavam “o nunca está quedo”, e da sua aliança com o alcaide mouro Yahya Bentafufa.

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Corsários Mouros

Desde o declínio do Império Romano que os piratas Norte Africanos, conhecidos como piratas da Barbária, termo derivado da designação dada pelos romanos ao troço Ocidental da costa do Magrebe, atacavam navios mercantes e povoações costeiras mal defendidas, de forma indiferenciada, e buscando apenas o saque que daí obtinham.

A partir do século XII a actividade dos piratas da Barbária ganha outros contornos, já que passa a integrar-se no contexto da guerra entre muçulmanos e cristãos, com o início dos ataques aos navios que transportam os cruzados para a Palestina e ataques às próprias povoações costeiras que lhes dão apoio.

Esta alteração legitima a sua actividade perante as autoridades do Norte de Africa e os piratas passam a ser considerados como corsários.

As conquistas cristãs no século XIII no Al-Andalus e os êxodos de populações que se lhes seguiram, concretamente nos séculos XV e XVII, com a conquista do Reino de Granada, o estabelecimento da inquisição e a expulsão dos mouriscos, são a principal fonte de recrutamento para a actividade corsária ou corso.

De facto, a guerra aos cristãos levada a cabo pelos Andaluses acaba por se transferir para o mar, estabelecendo-se muitos dos expulsos em núcleos costeiros de Marrocos, que se tornam autênticos “ninhos” de corsários que atacam permanentemente os navios e as costas da Ibéria.

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Alcácer-Quibir

Alcácer-Quibir foi o resultado de uma política desastrosa levada a cabo por um rei imprudente, que arrastou para a ruína a sua nação.

Uma política expansionista impulsiva e obsessiva, destituída de uma estratégia consistente, que relegou o interesse nacional para segundo plano e deitou a perder a própria soberania do país.

Nos campos de Alcácer-Quibir o rei tomou as decisões militares erradas, contra a opinião dos seus próprios capitães, que conduziram à derrota total do exército português.

Após a batalha de Alcácer-Quibir, de Oued El-Makhzen ou dos Três Reis, Portugal e Marrocos nunca mais seriam os mesmos.

Para Portugal, Alcácer-Quibir ficará para sempre como o maior desastre militar da sua história e pelo nascimento do mito do sebastianismo, que ainda hoje marca este povo triste e fatalista, à espera de alguém que o virá salvar num dia de nevoeiro.

Para Marrocos, a batalha de Oued EL-Makhzen ou dos Três Reis foi um dos momentos de glória da sua história, que ocorreu num período que marcou decisivamente a afirmação da sua nacionalidade e unidade territorial.

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O Senhor do Atlas

A cordilheira do Alto Atlas marroquino é uma longa muralha com 700 quilómetros de extensão, que constitui uma fronteira entre Marrocos atlântico e sub-tropical, e Marrocos continental e desértico.

Os seus cumes mais altos ultrapassam ou aproximam-se dos 4.000 metros, como são exemplo o Jbel Toubkal no Alto Atlas Ocidental, com 4.167 metros, o Jbel M’Goun no Alto Atlas Central, com 4.068 metros ou o Jbel Ayachi no Alto Atlas Oriental, com 3.757 metros de altitude.

O Alto Atlas é um mundo de montanhas, rios, lagos, planaltos, vales férteis e gargantas escarpadas, habitado por tribos berberes desde tempos milenares, que conservam a sua identidade pela distância e isolamento.

Para além de fronteira geográfica, o Alto Atlas sempre foi uma fronteira política, que separou as regiões sedentárias governadas pelo poder central, o blad al-makhzen (ou país da lei), das regiões nómadas auto-governadas pelas tribos, o blad as-siba (ou país dissidente).

Foi a última região de Marrocos a ser dominada durante a conquista Islâmica e a última a ser pacificada pelo colonialismo francês.

Esta é a história de um homem chamado Thami El Glaoui, qadi ou chefe da tribo Glaoua, conhecido como o Senhor do Atlas, e do seu papel ao lado das forças coloniais francesas durante a ocupação e pacificação do Sul de Marrocos.

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Tadelakt

Há centenas de anos que na região de Marraquexe se utiliza uma técnica de revestimento na construção, aplicada tanto em paredes, pavimentos e tectos, como em peças de mobiliário, como sejam banheiras, lavatórios, camas ou piscinas. Pelo facto de ser um revestimento impermeável, era inicialmente usado nas cisternas e nos hammam, ou banhos públicos, pensando-se que os Berberes já o utilizassem há cerca de 4.000 anos.

A sua grande qualidade estética, possibilidades plásticas, durabilidade e suavidade ao tacto, tornaram-no na imagem de marca dos interiores de Marraquexe, estando presente nos grandes hotéis e riads da Cidade, e fazendo a ponte entre o tradicional e o moderno.

Chama-se Tadelakt, designação que provém do Árabe “dlak”, que significa massajar ou amassar, dado que é uma argamassa tem de ser “apertada” para lhe ser retirado todo o ar existente no seu interior. O tadelakt é um reboco à base de cal da planície do Haouz, que utiliza o pó de mármore ou a areia fina como inerte, pigmentado, apertado à talocha, barrado com sabão diluído em água, polido com um seixo e, opcionalmente, finalizado com uma camada de cera.

É um revestimento da família dos nossos rebocos “estanhados”, “escaiolas” ou “queimados à colher”, que aliam o carácter estético e decorativo com a durabilidade e conforto do material.

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O azulejo Andalus

A arquitectura do Al-Andalus era profusamente decorada, seja em trabalhos de madeira talhada e pintada, de ferro forjado, de ornamentos em estuques ou de painéis de azulejo.

O azulejo Andalus foi a base para a azulejaria medieval e moderna, e absorveu muito dos painéis de tecelas romanos.

O seu fabrico ainda hoje subsiste em Marrocos.

A técnica utilizada é a do azulejo “alicatado”, assim chamado pelo facto de utilizar fragmentos de cerâmica vidrada, com combinações de distintas formas e cores, que posteriormente são agregados em painéis, através de uma massa à base de cal e areia fina ou gesso, processo chamado de “embrechamento”.

Esta técnica exige uma grande perícia ao nível do corte dos azulejos e mestria ao nível da disposição das peças para a composição dos painéis, já que as mesmas são dispostas com a face vidrada para baixo, não permitindo visualizar o resultado final.

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Abdelkrim El Khattabi e a Guerra do Rif

“O Rif é um caldeirão a ferver. Quem puser lá a mão queima-se.”

Em 1921 o Protectorado Espanhol de Marrocos iria ser abalado por uma guerra impiedosa levada a cabo pelas tribos Rifenhas e do País Jebala e Gomara, que ficou conhecida como a Segunda Guerra do Rif.

O Exército de África e a Legião Espanhola sofreram derrotas esmagadoras e, em desespero, os espanhóis utilizaram armas químicas em grandes quantidades sobre aldeias inteiras.

Apesar da superioridade numérica e de armamento do exército de Espanha, o Protectorado esteve à beira do fim, perdendo grande parte do seu território, que em 1925 se resumiu às principais cidades.

A revolta dos guerrilheiros Rifenhos só foi esmagada em 1926, quando a França entra na guerra com uma força de 300.000 soldados comandados pelo general Pétain, que incluía tropas senegalesas e a Legião Estrangeira, que se junta aos 250.000 soldados espanhóis comandados pessoalmente pelo ditador Miguel Primo de Rivera.

Apesar da derrota dos rifenhos, os sucessos militares dos mujahidin do Rif foram decisivos na formação de uma consciência nacionalista marroquina, e deveram-se não só à coragem e determinação do povo Rifenho, como também ao génio político e militar do seu líder, um berbere oriundo da tribo dos Beni Urriaguel chamado Abdelkrim El Khattabi.

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Eles saíram à rua a 20 de janeiro

Que horror filha, até vão fazer uma revolução em Marrocos

Está a correr bem. No Egipto a tropa avisa educadamente que “os protestos neste momento delicado conduzem a resultados negativos”, perante “greves nos caminhos-de-ferro, nos correios, no serviço de ambulâncias, em vários media, nas indústrias têxtil e do aço…”.

Os nossos irmãos do sul começam no domingo, com 50 000 polícias já metidos ao barulho, aliás já começaram:

sit-in Solidarité Egypte Rabat Maroc

A cidade de Ceuta é espanhola?


Sim, é.
Vejam aqui. E aprendam alguma coisa com esta casa de má fama.

Marrocos verde e Marrocos amarelo

 

“Os nossos lugares em África eram praças de guerra. As suas muralhas conservadas até hoje – na maioria dos casos – atestam a sua solidez. Os seus moradores podiam dormir sossegados. Para as erguer não se pouparam os bons materiais, alguns deles vindos de Portugal, como a pedra de cantaria, a madeira e a cal. Trabalharam nelas os melhores artífices da metrópole e dirigiram-nas os melhores debuxadores e mestres de pedraria do tempo, nacionais ou estrangeiros. Assim os irmãos Arrudas em Azamor e João de Castilho em Mazagão, como Butaca e Danzino em Arzila.”

Circundando as praças foram criadas as atalaias, geralmente em pontos elevados, a partir dos quais se espiava o campo e se avisavam as praças de qualquer movimento suspeito, através de sinais de fogo, com bandeiras ou toques “a rebate” de sino.

Tinham nomes próprios, como por exemplo os das atalaias de Arzila _ a Atalaia do Facho, a Atalaia Ruiva, a Atalaia Gorda ou a Atalaia Alta.

A vigilância dos terrenos circundantes também se fazia através de operações diárias, como relata um viajante francês que esteve em Mazagão em 1602:

“…Todos os dias de manhã saem de Mazagão cerca de 40 de cavalo que vão descobrir o campo e nele ficam até o meio-dia; e depois desta hora saem outros 40 que só voltam à tardinha. Seis deles, chamados atalaias, tomam lugar em postos afastados e ficam de vigia; e, se eles descobrem qualquer coisa de suspeito, recuam rapidamente e, visto este movimento da vigia da povoação, dá logo duas ou três badaladas, ao mesmo tempo que os outros de cavalo correm na direcção da atalaia em perigo. Para dar sinal à Praça há em todos os lugares, onde as atalaias se postam, um grande pau de madeira de mastro, ao alto do qual içam com uma corda uma espécie de bandeira, que é o aviso para os moradores se armarem.”

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Presença portuguesa em Marrocos

Portugal sempre soube que não lhe era possível conquistar Marrocos. Principalmente mantê-lo no seu poder. “Um reino português em Marrocos era sonho irrealizável com os nossos parcos recursos em gente e dinheiro”.

O próprio infante D. Henrique, o grande defensor e impulsionador da política expansionista de Portugal em Marrocos, tinha consciência disso.

“Não vemos (…) D. Henrique fechar os olhos às realidades e querer conquistar um país que Portugal, de pouca população e pobre, não podia abarcar. Um realista que ele sempre se revelou não podia ter tão estulta pretensão; e se algum dia teve esse sonho, filho da inexperiência primeira, deve ter acordado dele quando o mar imenso se começou a abrir diante das suas caravelas. Os perigos eram aí, afinal, menores e as vantagens maiores.”

Portugal podia, quanto muito, manter praças na costa de Marrocos, que mesmo assim se mostraram extremamente dispendiosas para os cofres do reino. Tinham que ser abastecidas por mar, dependendo totalmente de uma logística exterior, e exigiam a cobrança de impostos especiais em Portugal, extremamente impopulares.

Existia inclusivamente uma grande dificuldade em recrutar homens para defender e habitar nas praças de Marrocos, recorrendo-se em grande parte a condenados que alcançavam o perdão após a sua permanência aí de um ou mais anos.

As praças-fortes eram sobretudo um investimento sem retorno palpável, apenas mantidas por razões estratégicas, já que asseguravam a navegabilidade das naus livre das pilhagens dos piratas norte africanos, garantiam a segurança do Sul de Portugal contra possíveis ataques do reino de Fez e asseguravam no contexto regional a hegemonia estratégica de Portugal em relação a Espanha.

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Influências do Português na Darija Marroquina

 

 As muralhas portuguesas de Arzila

A Darija Marroquina é o dialecto Árabe Magrebino falado correntemente em Marrocos.

Falado, porque apenas o Árabe Clássico (Al-Arabia Al-Fus’ha) pode ser escrito com o alfabeto Árabe, o que significa que a Darija apenas pode ser transcrita com a ajuda do alfabeto latino.

É um dialecto porque tem o seu próprio sistema léxico (vocabulário), sintáctico (de organização das palavras na frase) e fonético (pronúncia), dentro de uma forma restrita da própria língua Árabe.

Resulta de influências introduzidas em duas situações principais:

A primeira, com alterações na sua pronúncia e em alguns aspectos gramaticais, através da influência das várias línguas Berberes, situação que se vem processando desde a conquista do Magrebe no século VIII pelos Árabes.

A outra resulta da adopção de vocábulos do Francês e Espanhol, durante a primeira metade do século XX, com o estabelecimento dos protectorados.

Mas a Darija Marroquina tem uma outra influência, bem mais antiga do que a Francesa ou Espanhola, apesar de  muito mais limitada _ a influência Portuguesa, que data do período do estabelecimento das praças fortes de Portugal na costa de Marrocos a partir do século XV.

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As dinastias berberes no despontar de Bortuqal

“Por muito pouco que eu viva saberei devolver aos muçulmanos todas as províncias que lhes tomaram os cristãos durante este período calamitoso. Para combater os nossos inimigos enchê-las-ei de cavaleiros e de peões que ignoram o repouso, que não sabem o que é viver na moleza, que não sonham senão em domar e treinar os seus cavalos, em cuidar das suas armas e em precipitar-se para o combate à primeira ordem.”

Com estas palavras Yussuf Ibn Tachfin parte de Sevilha acompanhado por Al-Mu’tamid, rei de Sevilha, Al-Mutawakil, rei de Badajoz e Abdallah, rei de Granada, para defrontar as forças de Afonso VI de Castela e Leão, que tinham sido reforçadas com tropas enviadas por Rodrigo Diaz de Vivar, o famoso El-Cid, O campeador, comandadas pelo seu vassalo Alvar Fañez.

Os Almorávidas respondiam assim ao pedido de auxílio feito pelos Reinos do Al-Andalus reunidos na conferência de Sevilha.

Os dois exércitos defrontam-se em 1086 na batalha de Zalaca, nos arredores de Badajoz, na qual as forças do Islão esmagam as dos Cristãos.

Mas Yussuf não tinha vindo ao Andalus para perpetuar os Reinos das Taifas. “Libertar a península dos cristãos tal foi o nosso único fim quando vimos que estavam quase a ser os seus donos e, por outro lado, quanta era a incúria dos príncipes muçulmanos, o seu pouco entusiasmo em fazer a guerra, as suas lutas intestinas e o seu gosto pelos prazeres. Cada um deles não tinha outra preocupação senão esvaziar as suas taças, escutar cantadeiras e divertir-se”.

Aceitando a fatwa lançada pelos alfaquies da Hispânia, destrona os reinos das taifas, elimina os seus chefes, poupando a vida apenas a Al-Mu’tamid, que desterra para Marrocos, e unifica o Al-Andalus no ano de 1091 sob o poder Almorávida, estabelecendo Sevilha como sua capital.

Desde os tempos do Califado de Córdoba que a Hispânia Muçulmana não tinha o seu território governado por uma entidade centralizada.

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Os Berberes

No meu artigo “O Gharb Al-Andalus” fiz por várias vezes referência aos Berberes sem explicar em concreto quem é esse povo habitante do Norte de África. Justifica-se assim uma explicação.

Em primeiro lugar devo dizer que utilizarei preferencialmente a designação Amazigh e não Berbere, pelo sentido depreciativo que está na sua origem.

De facto o termo Berbere vem do nome bárbaro e foi a designação que os Romanos deram às populações que viviam no Norte de África quando da sua conquista.

Imazighen, plural de Amazigh, quer dizer “homens livres” em Tamazight, designação dada ao conjunto de línguas dos Imazighen.

Recentes análise ao ADN realizadas nas populações Amazigh revelaram que não se pode falar de uma raça Berbere, mas sim de várias etnias, já que se provou terem raízes em lugares tão distintos como o Sul da Península Arábica (actual Iémen), a região sub-Sahariana e a Europa.

Essas origens remontam a um período de há cerca de 30.000 anos. A migração para o Norte de África terá sido iniciada há cerca de 10.000 anos, considerando-se que os Amazigh constituem a sua população residente desde há 5.000 anos.

Sabe-se que os romanos não influenciaram a sua sociedade, pelo facto de ocuparem espaços distintos no território, o campo versus cidade.

O mesmo não se poderá dizer dos Árabes, que conquistando o Magrebe no século VII, expulsaram os Amazigh das regiões férteis e os empurraram para as montanhas e o deserto.

Até ao século XII é travada uma guerra pelo território e pela islamização dos Amazigh, que apesar de aparentemente submetidos nunca abdicaram da sua identidade, organização social e governo das áreas em que viviam. [Ler mais ...]

Contrastes

“A imagem de Marrocos nos relatos de viagens dos Portugueses (1870-1996)” é uma compilação de textos de viajantes portugueses a este país do Norte de África, da autoria de Abdelmouneim Bounou, publicada pela Universidade Sidi Mohammed Ben-Abdellah de Fés em 1998.

Neste textos é patente o fascínio que Marrocos exerce nos viajantes portugueses, os sentimentos que neles desperta, o mistério que encerra.

O texto que se segue é um extracto das “Viagens a Marrocos” de Rui da Câmara publicado originalmente em 1876 pela Livraria Internacional no Porto:

“CONTRASTES ENTRE EUROPEUS E MOUROS

Conserva esta raça, apesar de separada do continente por um estreito braço de mar, os costumes, os trajes, os traços da sua fisionomia como nos primeiros tempos: por aqui se verá quão diferente é em tudo dos nossos hábitos:

O europeu monta pela esquerda e com estribos compridos; o mouro pela direita e com estribos muito curtos.

O europeu ferra os seus cavalos com ferraduras abertas; o mouro com ferraduras fechadas, afectando a forma de boca de cântaro.

O europeu monta em selim raso e leve; o mouro em seiras pesadas.

O europeu leva as ilhas dos seus cavalos apertadas; o mouro completamente largas.

O europeu leva os alforges á garupa e divididos em dois; o mouro leva-os ao pescoço do cavalo e a um lado.

O europeu, se monta um burro, aguilhoa-o atrás na garupa; o mouro adiante, entre as espáduas.

O europeu usa armas curtas e de alcance; o mouro armas compridas e de pouco alcance.

O europeu prefere a pólvora de grão miúdo; o mouro prefere a pólvora de grão grosso. [Ler mais ...]