Dietas de inteligência

Um verdadeiro tratado sobre linguagem e  regime de manipulação nos nossos media.

À Beira do Abismo

Quando um egolátrico teve quase TUDO no bolso, menos os portugueses.

A manif anti-pró-troika

Ontem foi dia de mais uma manif, que afinal não o foi. Ou foi, mas o contrário do que estavam à espera que fosse. Afinal, a manif pró-troika consistiu numa forma de romper aquilo que o movimento Que Se Lixe a Troika considera ser um bloqueio mediático às manifes de dia 26, que terão lugar em todo o país. A acção foi muito bem conseguida e deve fazer-nos pensar em pelo menos dois aspectos. [Read more...]

Passos e as 20 perguntas

Pergunta no Facebook: “Alguém sabe dizer se o Passos ganhou o carro no concurso apresentado pelo Carlos Daniel?”

Barack Obama, o “Spin Doctor” (e, já agora, alguém que mostre este filme ao nosso PR, sff)

Estratégias Editoriais

Eu abro uma casa de chá cor-de-rosa num aglomerado residencial com 10 mil habitantes. Conquisto a simpatia e a visita de, digamos, 10% do Bairro, que passa a frequentar o meu estabelecimento.
Um investidor olha para o meu negócio e para os meus clientes e acha que o que dá para um dá para dois. E vai daí abre uma casa de chá cor-de-rosa e assim consegue dividir os meus 10% ao meio, ficando cada um de nós com 5% dos moradores do bairro.
Se tivesse aberto um café azul iria conquistar o seu próprio público, constituído por aqueles que não gostando de casas de chá cor-de-rosa todavia apreciam cafés azuis.
Eu manteria os meus 10% e ele “criaria” um mercado novo de outros 10%. Entre ambos passaríamos a ter 4 mil clientes em vez dos 2 mil da primeira hipótese.

Assim estão as televisões e os OCS nacionais. Copiar o do lado e partilhar públicos é que é. Criar novos é muito arriscado!

Empreendedorismo no seu melhor.

Aparições

Lourdes (França), 1959
Lourdes (França), 1959

Nulo Silêncio Perante Clamorosa Impunidade

Portugal é o que é. Um país de misteriosa cobardia institucional: aquilo que, no grau e no tom, uma PGR nos faz ou não faz diz tudo da impunidade que o Dinheiro acumulado ilicitamente paga para sua criminosa salvaguarda e dano agudo dos nossos interesses colectivos. Do ponto de vista cívico, Portugal consentiu Sócrates duas vezes. Coisa sem perdão pelos séculos dos séculos, dado o preço altíssimo que todos pagamos por um só charlatão, absolutamente desonesto e insondavelmente dissoluto. Pior ainda: Portugal consentiu um tipo de controleirismo canino, sufocante, através dos media, graças a um sistema tentactular, caro ao Erário, assente em elevadíssimo número de avenças e bocas advocatórias. Portugal consentiu-o duas vezes. As guerras mais estéreis e as confusões mais convenientes vieram por meio dos media, como manobras de diversão relativamente aos negócios e negociatas que se faziam nos bastidores, especialidade e finalidade exclusivas de esse tipo charlatão de Governo. [Read more...]

A Nextpower Norte é um bocadinho nossa…

Lembro-me como se fosse hoje do dia em que conheci o Fernando Moreira de Sá. Foi no primeiro convívio do Aventar, no Machado, um restaurante onde se come e bebe como se não houvesse amanhã e onde ressalta, no menu das sobremesas, a «Cabeça do sr. Pinto da Costa».
Eu e os outros – o Vítor Silva, o Isac Caetano e o Miguel Dias – esperávamos à porta pelo Fernando, que nunca tínhamos visto na vida. Cada homem que entrava era alvo dos nossos comentários. Seria aquele? «Não», disse eu a certa altura, «este não tem cara de blogger». Afinal, era mesmo ele, que ouviu o comentário e veio ter connosco.
Os tempos foram-se passando e o Fernando Moreira de Sá assumiu-se como a alma do Aventar. Aquele que começara por ser apenas um Sinaleiro da Areosa tornara-se numa figura fulcral do blogue, muito mais do que um simples autor de posts. Prova disso mesmo foi o convite que endereçou a todos os autores, em Maio de 2010, para um fim-de-semana na sua casa do Douro, acabadinha de construir. O Aventar esteve lá antes da sua própria família!
Tudo isto para dizer que nunca poderia faltar, ontem, à festa do primeiro aniversário da Nextpower Norte, um spin-off da Nextpower, fundada pelo Rodrigo Moita de Deus em 2010. [Read more...]

Reserva, por favor.

Há uma tendência, cada vez mais acentuada, para a atomização do ministério publico quanto à comunicação social. Sem saberem como lidar com a pressão mediática assistimos a entrevistas (exclusivas).

Fazendo parte da sociedade, em termos mediáticos, os magistrados não devem ser tratado como monges mas também não são pregonistas da feira para questões da audiência.

Seria curioso ouvir, sobre este caso, a opinião do procurador distrital responsável num pais onde as autonomias reinam a coberto de uma qualquer desculpa sindical e/ou corporativa.

Nem venham falar de violação de segredo de justiça, de estatuto dos magistrados ou da constituição pois, antes de mais, em causa ficou um elementar dever de reserva.

Salazar nunca morrerá

Acredito, intimamente, que isto de se ser democrata não está inscrito no ADN de nenhum animal e que, portanto, a solidariedade, o respeito pelo outro, a aceitação da opinião contrária faz parte do treino para que o homem seja diferente do resto dos animais. Dentro de cada um de nós, está o lobo do homem que pode chamar-se Salazar ou Hitler, mas que é sempre o mesmo animal.

Ser democrata é, portanto, uma aprendizagem e um homem será tanto mais humano quanto mais democrata conseguir ser. Julgo que não será muito arriscado dizer que foi a Europa que inventou a democracia e que a levou a patamares inimagináveis há menos de cem anos. É a mesma Europa que, comandada pelo instinto ditatorial, castiga jornalistas da TVI por divulgarem uma conversa sinistra entre um empregado português e o seu patrão, conversa essa que deveria ser do domínio público, porque diz respeito ao público.

Em Portugal, os homenzinhos que detêm poder não conseguem chegar a ser lobos, ficando-se pelo pior que há nas raposas, verdadeiros pilha-galinhas da liberdade de expressão, como se pode deduzir das decisões tomadas na RDP porque um cronista resolveu exprimir aquilo que pensa, atitude condenável pelos pequenos salazares que infestam administrações e chefias.

Televisões e futebol

Alguma coisa se passa no mundo da bolaTV ou da TVbola. E não estou só a falar da concorrência que a Sport TV faz à pirataria.

Reparem: a SIC inimiga de estimação de qualquer portista, consegue entrevistas exclusivas de Pinto da Costa, pasme-se, com o Nuno Luz a entrevistar. O mesmo operador, a SIC, em dia de Sporting – Porto viaja no autocarro dos Super – Dragões para Lisboa e até entrevista o seu líder.

Mais a sul, vemos também, para surpresa minha, a direcção do BENFICA num discurso de aproximação à Olivedesportos – na entrevista de Luís Filipe Vieira ao jornal A bola, Vieira deixa cair o discurso anti Olivedesportos e até se refere à ajuda que a empresa deu ao Benfica em tempos idos.

Os dois, Porto e Benfica, são hoje detentores de canais de televisão – de que forma isso está a mexer com a Olivedesportos?

Para baralhar mais as coisas, aparece o Oliveirinha a atirar-se ao irmão

Alguém explica esta confusão?

Só faltava agora a A Bola dar a notícia que o PC ganhou um prémio mundial ou o Jogo informar da renovação do Aimar…

Entrevista de Umberto Eco – 80 anos de futuro

Nos últimos dias do ano passado, a revista Brasileira Época, do Universo da Globo, publicou uma Entrevista com Umberto Eco, onde, entre outras coisas, o autor e pensador reflecte sobre a Internet e o seu papel como instrumento pedagógico:

PROFESSOR O pensador e romancista italiano Umberto Eco completa 80 anos nesta semana. Ele está escrevendo sua autobiografia intelectual (Foto: Eric Fougere/VIP Images/Corbis

PROFESSOR O pensador e romancista italiano Umberto Eco completa 80 anos nesta semana. Ele está escrevendo sua autobiografia intelectual (Foto: Eric Fougere/VIP Images/Corbis

“A internet é perigosa para o ignorante porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece – e sabe onde está o conhecimento. A longo prazo, o resultado pedagógico será dramático. Veremos multidões de ignorantes usando a internet para as mais variadas bobagens: jogos, bate-papos e busca de notícias irrelevantes. “

Leitura obrigatória.

Fazido e mal pago

José Manuel Fernandes escreve, hoje, no Público (em papel), sobre o célebre vídeo da revista Sábado em que estudantes universitários são apanhados a demonstrar uma ignorância que, na sua opinião, se deverá estender a uma geração inteira. No Blasfémias,  discorre sobre a greve geral de ontem com o mesmo simplismo, típico de quem descobriu as soluções ou de quem é pago para fingir que as tem. Nesse mesmo texto, JMF é apanhado a usar um particípio passado digno, provavelmente, das respostas dos estudantes que critica: “fazido”. São episódios como este que podem dar mau nome a uma geração inteira.

Fica aqui o excerto:

Felizmente há uma explicação: o povo que não fez greve afinal queria ter fazido greve, mas teve medo. Só um país aterrorizado, depreende-se, é que face a tantas malfeitorias, não começou ainda a protagonizar tumultos “à grega”.

Adenda: felizmente, alguém informou José Manuel Fernandes do erro e, agora, já aparece um “feito” escorreitíssimo no lugar do “fazido” universitário. Não teria ficado mal uma explicação. Para a história, ficam os comentários, se não forem apagados, e o printscreen que se segue.

Stop Online Piracy Act ou Hoolywood a querer mandar na Internet

Era uma questão de tempo até que a maior invenção comunicacional da humanidade entrasse no circuito do controlo político. Até agora temos usufruído de uma liberdade ímpar para fazermos chegar o nosso ponto de vista, a nossa música, a nossa arte e tantas outras coisas – as nossas parvoíces incluídas – a uma audiência potencialmente global. E isto feito sem o controlo económico, político e de censura/edição a que os meios de comunicação social tradicionais estão sujeitos.

 

[Read more...]

Há poucos jornais excelentes em Portugal

A arte de criar títulos jornalísticos não é fácil, já se sabe: obriga a manter o equilíbrio entre o rigor e a criatividade, entre a honestidade e a sedução, ingredientes que, ao mesmo tempo, possam informar e atrair o leitor.

No i de hoje, sem acesso à edição online até ao momento, a primeira página tem um título apelativo: “Avaliação. Há poucos professores excelentes nas escolas”. Depois de seis anos de reclamação e vociferação, não deixaria de ser escandaloso que, afinal, se descobrisse que a excelência docente era diminuta. Mesmo sem estar terminado o processo da chamada avaliação de professores, o i parece já possuir todos os dados que lhe permitem fazer uma afirmação destas na primeira página.

O Paulo Guinote já comentou. Mesmo correndo o risco de o repetir, convém relembrar que a imposição de quotas obriga a que o número de professores considerados excelentes seja sempre diminuto. Por outro lado, com um método de avaliação mal concebido, ser considerado excelente pode ser diferente de ser excelente. Para além disso, muitos professores excelentes recusaram-se a participar numa avaliação que não o é. Conclui-se daqui que continuaremos sem saber se há muitos ou poucos professores excelentes, a não ser nos títulos dos jornais sensacionalistas produzidos por quem não quer pensar e lidos por quem fica, afinal, impedido de pensar.

A Educação continua a ser um tema maltratado e mal tratado, com muitos ignorantes atrevidos que opinam sobretudo sobre o que não sabem, alguns deles erigidos em directores de jornais. Entretanto, todos os que trabalham nas escolas continuam a mitigar, com dificuldades cada vez maiores, os efeitos nefastos que as asneiras governativas e a ignorância jornalística têm sobre o sistema educativo.

A Tragédia de um Jovem Pai – Khaled al-Hamedi -, só por ser Amigo de Saif Al Islam Kadhafi

ALBUM DE FAMÍLIA DE KHALED AL-HAMEDI 

O Secretário Geral da Nato congratulava-se, há dois dias, no twitter: “Historic. I’m first #NATO SecGen to visit #Libya. At midnight we end operation to protect #Libyans – one of most successful in NATO history”.

Trago-vos a história de Khaled al-Hamedi. É símbolo do tenebroso, assombroso y trágico que se abateu sobre as gentes da Líbia. No meu blog pessoal F-Se detive-me em alguns detalhes que não podemos ignorar. Especialmente o facto de Jornalistas de renome mundial, de agências noticiosas intocáveis na praça pública, de cadeias de televisão globalmente aferidas como imparciais Y credíveis, Y, como bem se lembram, todos insinuaram, sem contenção ou hesitação, que Saif Al-Islam forjara histórias de bombardeamentos a alvos civis, Y, que, afinal, tudo não passava de uma forma de alimentar as audiências internas da Líbia para justificar a determinação de Kadhafi em não se render à magnânima Força de Salvação Internacional, a NATO. 22 de Julho de 2011 assinala um desses muitos dias, [Read more...]

Grande! Grande! O Grandioso Povo Da Cidade Líbia de Sirte! #ILoveKadhafiPeople

A Magnânima Ajuda Humanitária ao Povo Líbio! Este mundo deve Imaginar que as Pessoas da Cidade de Sirte São Imortais, Y, que desta destruição Ninguém Morreu! Os Habitantes da Cidade de Sirte Foram Caluniados – sucessiva, descarada Y constantemente -, pelos JORNALISTAS MUNDIAIS; rotulados  de MENTIROSOS, quando em desespero-apelo diziam que estavam a ser alvo de bombardeamentos indiscriminados. Lembramos  o cuidado reiterado de Saif al Islam em explicar Y esclarecer Y advertir que a População Líbia, nas últimas décadas, tinha sofrido uma grande alteração, dado os fluxos migratórios, sendo, portanto, composta também por PRETOS. Repito: Saif al Islam destacou por inúmeras vezes: são PRETOS a quem foi reconhecida a cidadania Líbia. Ainda hoje, quando abrimos os Jornais de referência Mundial, com Jornalistas de Referência Mundial que, no conhecimento, inclusive, aferido  pela Amnistia internacional, do LINCHAMENTO indiscrimindado de: homens, Mulheres Y CRIANÇAS, continuam impunes, soberbos, Y poderosas Máquinas de guerra Mediáticas a escrever MERCENÁRIOS! Y à conta da Palavra MERCENÁRIO, escrita por INSUSPEITOS jornalistas de RENOME MUNDIAL vão sendo degoladas Pessoas PRETAS, só porque são Pretas. São homens, Mulheres, Jovens Adolescentes Y CRIANÇAS! Y a cobro da Solenidade de Renome Mundial, O GENOCÍDIO é Paternalizado como Praxis de louvável Liberdade Rebelde sob a capa da Palavra MERCENÁRIO.“GROTESCO! GROTESCO! GROTESCO!” Já Não [Read more...]

Quando os criminosos são polícias a coisa passa ao lado

Mário Brites foi acusado por dois polícias de algo que nunca se verificou. Como consequência passou cinco meses na prisão, perdeu o emprego e ficou com a vida destruída. Hoje dorme num carro e come graças à solidariedade de amigos. Por sorte, no meio de tanto azar, a Polícia Judiciária desconfiou da veracidade da acusação e desconfiou que algo não batia certo. Na origem de tudo estava, aparentemente, uma vingançazinha merdosa por questões de condomínio.

Os jornais, exceptuando honrosamente o Correio da Manhã, passaram ao largo desta história como se ela não tivesse acontecido, ao contrário do que fizeram no erro judiciário que motivou uma noite de prisão para Isaltino Morais. Trata-se dos mesmos jornais que, acertadamente, se mostram lestos quando denunciam as insuficiências do sistema judicial português. O problema, aqui, é que nunca passam de generalizações que o senso comum conhece e repete de cor, a menos que envolvam figuras públicas.

Casos particulares como o de Mário Brites são brevemente tratados como se o particular, o anónimo e a pessoa comum não fizessem parte e não fossem vítimas desta coisa arruinada que é a justiça portuguesa, na qual proliferam más práticas individuais que, somadas, perfazem o todo.

Denunciar a injustiça é, em qualquer sociedade, tarefa prioritária de cidadãos livres que assim se assumam.  Quando os media de um país olham para a prisão insustentada de um concidadão durante cinco meses e não lhe dedicam uma única linha, mais vale mudarem-se para a Correia do Norte. São tão bons jornalistas como os jornais que lá há.

Rendimento social de inserção: a próxima vítima

Em vésperas de concluir o 2º ciclo Cristina Oliveira da Silva escreve no Diário Económico, e o revisor concorda:

No período homólogo, eram precisamente este último grupo – os rendimentos de trabalho – que assumiam a liderança.

Também descobriu que 18% dos chulos do Rendimento Social de Inserção têm conta bancária, e 29% outros rendimentos como “acções, depósitos a prazo, contas-poupança ou outros.” Não se percebe se os 29% incluem ou não os 18%, e nem isso agora interessa para nada, como diria a grande Teresa de outros embustes.

Qual o valor dessas poupanças, e já agora quanto rendem, não é notícia. Notícia são os 18% que têm a lata de receber do estado tendo conta num banco. Que horror. Vão já pedir para a porta das igrejas, seus malandros (rosnar miudinho).

A rede viral dos jornalistas em vésperas da conclusão de qualquer coisa lá funciona: no I Cláudia Reis troca um cerca por um quase. Estão feitos ao bife, os quase 18%, os quase 29%  ou, o mais provável, os cerca de 47%, levam já com o corte do RSI, vão lá viver por conta dos rendimentos, cabrões de merda, e a partir de agora o pagamento é feito por transferência bancária, seus chulos, não tens conta? vai pedir para a porta da igreja, filhodaputa, moinante, gatuno (rosnar já muito grande). É por causa disto que este país não avança, não é Cristina Oliveira da Silva? (cães a ladrar muito alto, em primeiro plano).

Governo suspende anúncios com Gisele Bundchen

Um governo suspendeu um conjunto de anúncios onde aparece a modelo Gisele Bundchen em fato de banho alegando que o seu conteúdo é

discriminatório e que infringe os artigos referentes aos direitos das mulheres consagrados na Constituição.

O mais estranho é tratar-se do governo de um país cujo turismo ganha milhões promovendo por imagens como esta

O Que Importa é Escrever…

Tenho vindo a aprender que para escrever artigos de opinião em jornais basta saber juntar letras sob a forma de palavras. Esta é a primeira condição. A segunda condição é agrupar as palavras formando frases; e, coleccionando algumas frases atinge-se a terceira condição. Eis um texto! O que lá vem dito e a sua validade técnico-científica são contas de outro rosário.

Recentemente, Manuel Caldeira Cabral escreveu um artigo de opinião no Jornal de Negócios a falar sobre transportes; abstenho-me de comentar a análise e os pontos de vista do autor sobre o universo vasto dos transportes em Portugal. Mas não posso deixar de questionar a validade técnica de todo um artigo quando, sendo um professor universitário, parece querer fundamentar o seu texto em… artigos de opinião… publicados nos jornais.

Refere o autor que “um maquinista pode chegar a receber mais de 5 mil euros por mês, entre salário, horas extra-ordinárias e outras formas de remuneração”

Terá lido algum artigo de opinião no Expresso? alguma “notícia” no Sol?

Talvez devesse o autor consultar a tabela salarial dos maquinistas… “é fazer as contas”.

Repito: “Declaração de interesses: muitos dos meus amigos e amizades são, ou foram, maquinistas  (…).”

Murdoch: não o deixem fugir!

Parece estar em sérios apuros. O Sr. Murdoch e filho James, estão a ser pressionados para comparecerem no Parlamento britânico, com o fim de se esclarecerem factos acerca do escandaloso processo das escutas.  Durante anos, além da ilegalidade das escutas que devassaram a privacidade de um sem número de pessoas, existem fortes indícios da prática de coacção moral exemplificada pela clara chantagem e campanhas de ódio que a imprensa de sarjeta exaustivamente promoveu. Também não é de excluir um ataque aos assuntos do Estado, procurando destruir reputações e o minar das instituições. Recorde-se a fanática campanha em torno de Diana Spencer, um “cavalo de batalha” ideal – a personagem que normalmente se designa como uma “idiota útil” – que quase arruinou a estrutura do poder na Grã-Bretanha e aquilo que conhecemos por Commonwealth. Murdoch é claramente um dos  responsáveis, pois tentou precisamente o mesmo na Austrália, de forma exaustiva promovendo o referendo onde felizmente foi um dos principais derrotados pela população.

[Read more...]

Serões da província.

Arriscando-me a ser crucificado pela opinião internauta, claramente anticlerical, gostaria de comentar um caso que se passou em Valpaços e que a comunicação social, ávida por escândalo, noticiou recentemente.
Ao que parece, o pároco local recusou a comunhão a uma menina (com 16 anos) que trazia um generoso decote. Seguiu-se uma ofensiva à tia da decotada, que viu negada a pretensão de ver celebrada uma missa pela memória de um parente. A tia queixou-se e acha que o padre é retrógrado.
Os comentários à notícia, repartidos por vários órgãos de comunicação social, são bestiais. Os do costume apedrejam o padre, atirando-lhe com a pedofilia, a homossexualidade, a impotência, a Idade Média, tudo conceitos e razões válidas para se discutir um assunto como este.
Esta gente razoável, não frequenta a missa e grande parte assume mesmo o seu ateísmo. E, claro, como não são religiosos, nem católicos, nem frequentam a missa, são os que estão mais aptos para opinar. O seu julgamento é sempre com base num facto muito simples: tudo é mau no catolicismo (embora existam milhares de religiões e seitas no mundo) e que dentro desta maldade existem sempre umas coisas piores e imensamente más, como o facto da pobrezinha não poder conter os seios dentro do top e ir assim tomar a comunhão. Segundo alguns, os direitos dos seios deviam ser tidos em conta.
I dont give a shit for atheísm. Da mesma maneira que os ateus deviam preocupar-se com o catolicismo. Dar importância é favorecer, lembram-se? Não conhecem a célebre máxima de Óscar Wilde? [Read more...]

Uma das razões pelas quais a RTP deve ser privatizada

Em que medida é que o baptizado do filho do Cristiano Ronaldo é serviço público?

Twilight Zone Press:

O dia em que comprei o JN e levei o Acção Socialista

Expresso: Vaidade ou Ignorância?

Que o jornalismo anda pelas ruas da amargura, já sabíamos. Agora, que o Expresso ignore o que os outros sabem, não abona a seu favor. E nem falo de blogues, esses fazem comichão a alguns jornalistas encartados e, no caso do Aventar, chega a provocar coceira.

Mas o Expresso não lê o Público, o Correio da Manhã, o TVI24, a Bola, a Sábado, etc.? Não se vê por lá a SIC? O trabalho deles não é estarem informados para poderem informar?

Ignorância? Não, não creio, seria demasiado grave. Vaidade e arrogância, só isso.

A chapelada dos media.

A ideia de que a Comunicação Social existe para salvaguardar a Liberdade, para defender os Direitos Humanos, cai por terra quando se percebe a dimensão do logro da manipulação da imagem sobre a morte de Bin Laden. A Comunicação Social existe para isso mesmo, para manipular, para especular, para enganar. E por detrás de uns tontinhos que saem das escolas de jornalismo a pensar que vão salvar o mundo pela notícia, está o bonecreiro que idealiza um outro mundo, mais de acordo com as suas regras e com as regras de um ou outro grupo de homens bastante mais inteligentes do que os aprendizes de frases feitas. De resto, o dito jornalismo “independente” é tão ou mais independente consoante sobem ou descem as audiências.

Passos Coelho tem dupla personalidade

De acordo com o DN, Mário Soares terá afirmado ao i que Passos Coelho é “bem-intensionado”. No i podemos ler que, afinal, Passos Coelho é “bem-intencionado”. São discordâncias como estas que deixam o leitor confuso, sobretudo se for um leitor que acredita que os jornalistas devem saber português.

Entretanto, Mário Soares lá vai amassando o barro do centrão (no DN, escreve-se sentrão). Numa coisa, concordam os diários: Passos Coelho é alguém com quem se pode falar. Resta saber se é alguém que saiba ouvir.

Este programa teve ajuda à produção de

Esta frase tem-se espalhado pelo final da maioria ou mesmo da totalidade dos programas televisivos portugueses. O que se segue a esta expressão é, invariavelmente, uma série de marcas comerciais, o que me faz pensar que estamos diante de patrocínios, conceito bastante diferente de ajudas, sobretudo se desinteressadas.

Dando de barato essa questão quiçá ética, não consigo perceber, por mais que me esforce, em que língua está esta frase, porque, embora as palavras sejam portuguesas, parece uma daquelas traduções estapafúrdias feitas directamente na internet. Fará sentido, por exemplo, dizer-se algo como “Este pudim de abade de Priscos teve ajuda à confecção da minha mãe” ou “Este trabalho teve ajuda à elaboração dos meus colegas Fulano e Sicrano”? Não será mais propriamente português dizer que “A minha mãe ajudou-me a fazer este pudim.”ou “Fulano e Sicrano ajudaram-me a fazer este trabalho.”?

Mesmo invertendo a ordem e colocando as entidades adjuvantes no fim da proposição, não seria suficiente escrever “A produção deste programa teve a ajuda de…”, por exemplo?

Que alguma mente luminosamente ignorante se tenha lembrado, num programa qualquer, de inventar esta coisa, ainda vá. O que, para mim, permanece um mistério é o de se saber como é que isto se disseminou a ponto de invadir todo e qualquer genérico final. Proponho que se volte a escrever em português nos programas portugueses, pelo menos no final. Será pedir muito?

Uma pesquisa rápida pela Internet levou-me a descobrir que, como era previsível, não estou sozinho nesta perplexidade: vão aqui e participem.

%d bloggers like this: