Cursos vocacionais: e agora?

muito se escreveu sobre os cursos vocacionais e o que há para escrever servirá apenas para tornar ainda mais negras as cores deste fundamentalismo ideológico de Nuno Crato. O modelo escolar alemão claramente dividido em duas vias está mais do que experimentado e muito longe de produzir os resultados esperados, isto dando de barato que é possível importar modelos organizacionais tal como se importa um opel ou uma salsicha.

Os cursos vocacionais estão a ser espaços para as coisas mais absurdas, nomeadamente, agressões bárbaras a colegas de escola, a professores e a funcionários. A coisa está em tal estado que já há diretores a pedir a colegas que aguentem as coisas até ao fim do ano porque não há nada mais a fazer.

Aprendizagens zero, com taxas de insucesso muito perto dos 100%.

Só que agora, temos um problema. Alguns cursos do 2º ciclo chegam agora ao fim do equivalente ao 6º ano e a estes alunos só resta uma de duas coisas:

- passam nos exames nacionais e podem transitar de via, entrando no ensino regular (7º ano);

- não passando, ficam retidos no 2ºciclo ou então a escola é obrigada a criar um vocacional de 3º ciclo (equivalência a 7º, 8º e 9º) para continuar a desgraça.

A primeira hipótese é tão provável como o Porto ser prejudicado por um árbitro – é uma hipótese possível, mas apenas académica.

No segundo caso, fazer avançar a cangada para o terceiro ciclo resulta apenas numa forma de continuar a fazer de conta. Manter o grupo no 2ºciclo é apenas repetir o erro.

E, enquanto isso, professores, funcionários e direções desesperam com um retrocesso aos anos 80, ao tempo em que a minha geração abandonou a escola algures entre o 7º e o 8º…

Repare caro leitor que estes vocacionais são claramente promotores (indutores!) de abandono escolar, num país que tem uma escolaridade de 12 anos. Dirão os menos atentos que quem não quer estar na escola, deve sair.

Pois, mas saindo, vão para algum lado, não?

Para as prisões? Ou para as Juventudes Partidárias?

Palpita-me que estamos perante a quadratura do círculo.

Cursos Vocacionais

Nuno Crato não é tão incompetente como alguns querem fazer crer. Sabe o que quer e está a tratar de desenvolver a política certa para a sua missão: reduzir a Escola Pública ao espaço de formação das classes trabalhadoras, deixando à esfera privada a formação das elites e da classe média que, diga-se, está cada vez mais pequena.

Só assim se entendem os cortes, brutais, na Escola Pública ao mesmo tempo que se investe mais nas Escola Privadas – no orçamento para 2014 aumenta o dinheiro disponível para os colégios.

Na mesma linha de desinvestimento na Escola Pública segue a opção de Nuno Crato pelos cursos Vocacionais. Começaram por ser uma experiência piloto (pdf) que, sem qualquer tipo de avaliação, se generalizaram. [Read more…]

Nuno Crato quer aumentar o ensino profissional

E para começar, acaba com ele.

As escola públicas tiveram este ano uma redução brutal (em muitos casos superior a 50%) nas autorizações para abrir cursos CEF e cursos Profissionais, algo já escrito no aventar há uns dias.

Os cursos CEF, são na sua maioria, cursos para os alunos que terminam o 2ºciclo do ensino básico (6ºano) e com uma história de algum insucesso. Muitos com problemas de comportamento e que encontram nesta solução dos Cursos de Educação e Formação uma boa possibilidade de fazer o 9ºano, ainda por cima num curso que dura dois.

Os profissionais (ensino secundário) eram uma sequência natural dos CEF, sendo que recebiam outro tipo de alunos também. A rede pública que oferece estes cursos é constituída pelas escolas secundárias, pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional e pela rede privada de escolas profissionais. O site da ANQEP explica tudo.

Ora, neste contexto as afirmações de Nuno Crato são absolutamente vazias de conteúdo real e completamente cheias de complexos ideológicos e de lugares comuns: o povo diz que é preciso gente que consiga apertar um parafuso ou colocar um cano e logo a direita mais atrasada corre para os braços das soluções anteriores ao 25 de abril. Esquecem-se de duas coisas:

- quem está na escola hoje  e quem estava na escola nessa altura.

- a natureza do mercado laboral de hoje, comparado com o mercado laboral de então.

E levando a discussão para o plano educativo, reitero um argumento já apresentado e que se relaciona com a possibilidade dos alunos passarem de uma via para outra, algo a que chamei, o problema dos alunos.

 

 

Cursos CEF e Profissionais – é urgente uma solução

Desde há uns anos que as Escolas Públicas (tal como algumas privadas) oferecem aos seus alunos a possibilidade de fazer um curso profissionalizante, algures ali pelo terceiro ciclo. Estes Cursos de Educação e Formação (CEF) destinam-se a alunos com o 6º ano concluído, tal como refere o IEFP:

“Face ao elevado número de jovens em situação de abandono escolar e em transição para a vida ativa, os cursos de Educação e Formação para jovens visam a recuperação dos défices de qualificação, escolar e profissional, destes públicos, através da aquisição de competências escolares, técnicas, sociais e relacionais, que lhes permitam ingressar num mercado de trabalho cada vez mais exigente e competitivo.”

 

Este texto parece saído dos discursos do Paulinho das Feiras, mas retrata, formalmente o que é um CEF  – alunos “complicados”,  em risco de abandono que são encaminhados para um curso onde aprendem uma profissão (pasteleiro, empregado de mesa,…). Naturalmente, pelas suas dificuldades, muitos destes alunos seguiam, depois, para um curso profissional ao nível do ensino secundário.

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Os profissionais da caridade

Há duas espécies, os que andam a mendigar na rua e os que andam a “sugar” no Estado Social. Os primeiros, embora menos apresentáveis e mais chatos (não nos deixam ler o jornal sossegados) são bem mais respeitáveis que os segundos.

Quando se vai a uma qualquer repartição da Segurança Social, o que se lá vê é gentinha com o ar de quem foi à esmola. Jovens, na casa dos vinte anos, com um filho de meses ao colo e com outro na barriga, lá estão a fazer contas aos subsídios. Para ele subsídio de desemprego, para ela e filhos, subsídio de aleitamento, subsídio de família . A seguir vão tomar banho numa das casas do “Exército de Salvação”, comem numa das lojas da Santa casa da Misericórdia e vão dormir a uma casa da Câmara de que não pagam renda.

Pagam o plasma a prestações e o carro está sempre atestado, tomam o pequeno almoço num dos cafés da esquina, galão, sandes de queijo ou uma “bola de berlinde”, incluindo as crianças, antes de rumarem à AMI para receberem roupas lavadinhas e passadas a ferro.

Às três da manhã fazem um algazarra na rua, cerveja a rodos, tabaco e namorada. Se têm uma dor de barriga vão ao hospital, tudo de borla. Dizia-me a funcionária da Segurança Social no cabeleireiro, enquanto me arranjavam as unhas a mim e o cabelo a ela, que há famílias que levam 1 500,00 euros para casa por mês e oferecem porrada a toda a gente se a Segurança Social não lhes conceder mais um qualquer subsídio a que se acham com direito.

Há gente feliz!

A LPM anda muito por baixo

Os jornais online (e os blogues) têm caixas de comentários. É bom, e claro que é um risco. Em situações de conflitualidade social com o governo já sabíamos que os profissionais atacam. Por profissionais entenda-se gente que mete o mesmo texto em tudo o que é sítio possível, e/ou glosa os mesmos argumentos que por espantosa coincidência são os que o governo debita nesse dia. Conhecemos também as suas vozes nos fóruns, tipo TSF. Fenómenos espantosos de cozinheiros que debitam sobre educação, energias renováveis ou as finanças públicas, engasgando-se aqui e ali na gíria, exímios em falar com a mesma mestria técnica sobre qualquer assunto na ordem do dia, sobredotados num país de novas oportunidades.

Como temos guerra professores/governo em fase de aquecimento já começaram a atacar, como ontem referi. Pesquei de um dos locais do costume esta pérola, que me parece exemplar no que toca à estratégia, a mesma do ano passado: fazer passar a imagem da classe docente como a de uma cambada de privilegiados, podres de ricos, e sem fazerem nenhum. De salientar que ainda não perceberam a parte em que Sócrates perdeu a maioriazinha, não entenderam que os professores falam directamente com as pessoas, e esta mensagem não passa. Luís Paixão Martins, tens de lhes mudar o discurso, com este já perdeste, e se insistes muito ainda perdes o contrato, embora ganhes outro com o governo seguinte, que a falta de concorrência no mercado é tramada.

Profª Chiquérrima e Fina!

Este comentário já foi retirado pelos coleguinhas mais de 20 vezes! A revolta dos explorados, refiro-me aos professores, principalmente. Eu sou professora e o meu companheiro é…bem, não se pode dizer assim não é, mas também trabalha no Estado; Temos dois filhotes, já adultos, já votam, mas ainda andam na faculdade; Os dois juntos só ganhamos líquidos 6 mil euros! Claro que temos a segurança de sabermos que não nos põem no olho da rua e os horários também são adaptáveis ao nosso modo de vida; Agora até só dou 18h de aulas por semana, o que me permite ir à minha ginástica e ter a minha vida social, afinal somos licenciados! Ele eram as avaliações, as aulas de substituição, as reuniões com os pais, enfim, uma maçada! Parece que vou voltar a votar no PS, afinal esta ministra é nossa amiga e quer livrar-nos de todas aquelas maçadas! Como disse antes, eles, o pai e o menino, votaram no BE e eu e a menina votámos no CDS, sempre era mais adequado à nossa condição feminina e mais chiquérrimo. Mas tenho que aqui confessar que votaremos no partido que prometer acabar com todas aquelas maçadas que referi; Se forem vários a proteger o nosso status, faremos como nas últimas eleições: o menino e o maridão votam num e eu a menina noutro. Beijinhos aos colegas que estão aqui no fórum. Colegas, temos que lutar pela conservação do nosso status! Hoje, colegas, por causa do stress académico, até estou na neve, mas não digo onde por causa dos invejosos. Ai que aliviada estou! Beijinhos!