Que cozinhado é este sr. ministro Relvas?

1.      Miguel Relvas, Ministro dos Assuntos Parlamentares, foi ouvido recentemente na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, na Assembleia da República, a propósito das suas “ligações” ao Ex-Chefe das Secretas;

2.      Ex-Chefe das Secretas, que segundo declarações públicas, terá enviado a Miguel Relvas, diversos “clipings” e um plano de Reforma dessas mesmas Secretas, propondo para directores do SIS e do SIED funcionários da sua confiança e nomes que não deveriam assumir cargos dirigentes;

3.      O Ministro dos Assuntos Parlamentares, que inicialmente desmentiu a recepção dos ditos “clipings” e do Plano para as Reformar, acabou por admitir agora no Parlamento a recepção via mail dos referidos documentos, aos quais garantiu nunca ter respondido.

4.      Chegados aqui, a 1.ª conclusão, é que Relvas mentiu!… E mentiu, porque negou primeiro, o que mais tarde confirmou. [Ler mais ...]

O que se passa no Público?

Reparem, a Directora do Público afirmou ao i que o Conselho de Redacção do Público fez “uma manipulação intolerável dos factos”. Mais, diz também que nenhuma notícia do caso das secretas deixou de ser publicada.

 

Hoje ficou-se a saber que, afinal, o Ministro Miguel Relvas nunca falou directamente com a jornalista em causa e que lhe foram dados 30 minutos para responder a todas as perguntas (enviadas por mail).

 

Por tudo o que já vi escrito nos jornais, mais parece estarmos perante uma guerra de poder interno no Público. A ser assim, é de enorme gravidade usar o nome de terceiros para batalhas internas de poder numa redacção. Ainda por cima quando o “usado” é um ministro. Como dizia o VPV, o mundo está a ficar perigoso…

Gosto do Relvas! Não à Demissão do Relvas!

Tenho um fraco pelo Relvas. A voz de aguardente, a arritmia discursiva. Daquilo não há aos pontapés. Nem sequer sabe ameaçar e passar incólume como o fils de pute parisien. Qualquer um que, como ele, ameaçasse expor a minha vida pessoal daria a saber ao mundo que já não tenho dinheiro para viver decentemente neste momento crucial do mês de Maio. Nem sequer para aderir às campanhas carnívoras do Pingo Doce e do MiniPreço. Terá de ser a minha mãe a entrar com a reforma nas promoções alimentícias com que alimento os meus rebentos. Com 42 anos, não vislumbro luz ao fundo do meu túnel. Posso pelo menos ser adoravelmente louco. O Relvas é mauzinho? É. Deve ser demitido? Não. Se fosse demitido, teríamos de demitir quase toda a gente do Regime, que é um Cu Infrequentável, nas suas traficâncias silenciosas habituais. Teríamos de demitir quase todo o Parlamento por não passar de uma plataforma de negócios privativos, a fazer fé, e faço, no Paulo Morais. O Relvas já se arrependeu e pediu perdão pelas ameaças e a perda de senso, coitado. O Relvas não pode pagar sozinho, demitindo-se, por todos os que à testa de escândalos nepotistas e negociações ruinosas para o Erário, se mantiveram ao alto e ainda cantam de galo socialista como se não fosse nada com eles. Era preciso que Relvas fizesse muitíssimo pior, fechasse uma Universidade, por exemplo, ou pressionasse magistrados por interposto magistrado, como no Freeport, permitisse uma barragem no Tua. Demos mais uma oportunidade ao Relvas. Relvas é fixe. Eu gosto do Relvas. Não nos fodam com esse súbito excesso de pudor nem com o novo cristo dos media Relvas!

Ou se demite ou é demitido

Ameaçar “fazer um blackout noticioso do Governo contra o jornal e divulgar detalhes da vida privada da jornalista Maria José Oliveira” não é um comportamento aceitável para quem sirva o estado. Ou Relvas se demite ou é demitido. Depois do que o PSD disse, e bem, sobre as pressões de Sócrates na comunicação social, não lhe resta outro caminho que não o de aplicar a receita que defendeu enquanto oposição.

Quanto ao Público, o meu sentimento é de desilusão. Então ameaçar divulgar detalhes da vida privada de uma jornalista não pode ser enquadrado como violação à lei? Até onde é preciso chegar? Até às vias de facto? Será preciso lembrar o recente caso da jornalista que viu a sua vida íntima divulgada na net?

Relvas Pode Ter Razão!

Se há político sob sítio é Relvas. Muitas vezes porque sim. Olham para ele e é como se vissem todos os monstros que foram felizes no saque e ficaram largamente impunes nos dois Governos do fils de pute parisien, quando pressões sobre jornalistas eram o prato diário e quando se foi longe de mais, por exemplo contra António Cerejo, jornalista do Público. Mas calma lá, camaradas! Uma coisa nada tem a ver com a outra. Que mal é que Relvas pode fazer ao jornalismo menor português comparado com tudo aquilo que o x-acto do Noronha e a tesoura do Monteiro fizeram ao Face Oculta?! Vamos por partes, camaradas: primeiro, temos uma série de filhos da puta corruptos para pôr na prisão. Foram postos de molho. Acham-se isentos. Nem se fala deles. Continuam a laurear a pevide depois do furto e da festa, a rir da nossa cara de parvos. Depois, e só depois, é que poderemos compreender que os camaradas ganhem essa tusa toda e esse moral com cio às fatias e essa pressa masturbatória em pedir a cabeça do inócuo Relvas, que até pede desculpas por qualquer coisinha. Para quê o assédio ao homem, como se não houvesse mais nada prioritário, ainda para mais quando o Público está, porque está!, editorialmente pejado de Óxido de PS, Refugo de PS, com um forte reagente não só à Passos Aselhice como às Pombinhas da Cat’rina Coelhianas. Acham que apanharam Relvas pelos colhões e pronto abana tudo o que com o PS-Merda nem tugia nem mugia jamais, podia vir o Papa. [Ler mais ...]

Relvas, demita-se!

Não há outra saída para tanta incompetência.

O Político Relvas é daqueles que se sente o cheiro à distância. Cheira mesmo mal! E não sei se é dos pés. É aquele tuga espertalhão que parece estar sempre a mentir, com um sorriso amarelo e de plástico, talvez do botox.

Recebia sms, mas não respondia e perante o trabalho livre do jornalista, atacou ferozmente?

Depois, parece que pediu desculpas, mas o texto do Conselho de Redacção do Público  é bem claro sobre o que aconteceu.

Não há outro caminho. Siga as dicas do seu Sr. Primeiro Ministro e dê uma oportunidade ao seu sorriso inverdadeiro.

Que título mais certeiro

(c) Público / Thomas Coex/AFP

A manchete de hoje do Público não poderia ter sido mais certeira. “O primeiro dia de tempestade do presidente normal” foi mesmo um dia de um raio: “Avião de Hollande teve de regressar a Paris depois de ser atingido por um raio“.

Reflicta-se

PÚBLICO, 16/4/2012

http://imagens.publico.pt/imagens.aspx/379238?tp=UH&db=IMAGENS&w=970

O País da Paz

Interessante e arejado o texto de José Vítor Malheiros, hoje no Público. Descortinou um segredo, um sonho, uma ideia política que há tempos circulava na sua cabeça. Escreveu ele que Portugal se devia dedicar à Paz.

Também eu quero que o nosso país continue a ser um país de paz como há poucos, dedicado a ela, especialista nesse domínio, como outros “se dedicam aos relógios”!
J.V.M. aponta mesmo para a ideia da criação de cursos, estudos e missões de paz! Portugal como o país especialista em promover a paz em todo o mundo.
Portugal já é acolhedor, mas seria mais que isso: tornar-se-ia “o país acolhedor por excelência”!
“Especializar-nos na paz, na arte do encontro, da conversa, da descoberta, da negociação, na alegria da diferença. (…) A paz sai mais barata que a guerra”!

E eu acrescento: Portugal seria o país da Paz como o Butão é do FIB (Felicidade Interna Bruta), os EUA da Coca-Cola, a Holanda das tulipas, o Brasil do Samba, etc.

Há coisa melhor que viver em paz?

A paz já é, por si, um cenário, uma música de fundo, um sabor e um perfume.

A Paz em Portugal, como já foi o Fado, a património mundial!! E porque não?

Quanto tempo demora a preparar uma aula? Autonomia, já!

José Gil, Director do Público por um dia, escreveu que:

“se não se souber o número de horas e a qualidade do tempo de que um docente precisa para preparar as lições podemos criar uma carga horária esmagadora e deprimente. E nunca obter uma docência de excelência. Para preparar as aulas os professores têm de ter uma vida própria — e já não têm. Têm cada vez menos férias, cada vez menos tempo para ser pessoas. Uma das questões que coloco é se os responsáveis políticos se dão conta da especificidade da profissão de docente. A relação professor-aluno é extremamente intensa, delicada, forte, vital e específica. Vital para criar qualificação no trabalho e consciência democrática.
É preciso fazer ressaltar esse factor que não está a ser pensado. A avaliação das competências tem de ter em conta um elemento inavaliável, inquantificável em que se funda a criatividade da educação.”

E esta é a questão central da Escola nos nossos dias – que condições têm os professores para desenvolver o seu trabalho com qualidade? [Ler mais ...]

Tempo para preparar aulas: a importância de perguntar

O Público de hoje, na comemoração do seu aniversário, teve como director o filósofo José Gil. É próprio do filósofo perguntar, reflectir sobre o que não se sabe, pensar, até, sobre aquilo que não se pode saber. Assim, o programa proposto pelo director circunstancial do Público é de uma importância decisiva, exactamente porque é compreensivelmente raro um jornal não noticiar o invisível ou o incognoscível. Afirma, a propósito, José Gil:

Vivemos num país desconhecido. Por baixo da informação tangível, dos números e das estatísticas, correm fluxos de acontecimentos inquantificáveis e que, no entanto, condicionam decisivamente a nossa vida. Quantas doenças psíquicas foram desencadeadas pela crise? Quanta energia vital se desperdiça na fabricação da imagem de um rosto jovem necessário exigido por tal profissão? São “dados” incognoscíveis ou imateriais, não susceptíveis de se tornarem informação. São não-notícias.

Como professor, e tendo em conta a destruição sistemática das condições de trabalho da classe profissional a que pertenço, apetece-me realçar a pergunta a que ninguém, a começar pelo Ministério, quer responder:

Quantas horas os responsáveis estimam necessárias para os professores prepararem as lições?

Na realidade, esta pergunta ignorada é fundamental e deveria condicionar qualquer decisão política no âmbito de um estatuto profissional. Nos tempos economeses em que vivemos, é, apenas, um assunto a evitar. Sobre o mesmo tema, já escrevi aqui e aqui.

Concursos de Professores – comentários à 2ª proposta do MEC

O Ministério da Educação e Ciência apresentou uma nova proposta para a revisão da legislação que regula a colocação do pessoal docente.

No Professores Lusos está disponível uma primeira análise, tal como no Blog de Ar lindo.

Vamos então ao debate!

Tínhamos escrito que:

“Agora, quanto à proposta em concreto,há alguns elementos que irão ser alvo de nova proposta por parte do MEC: vai criar um outro intervalo entre 6 e 21 horas, irá reduzir a exigência de 4 anos para entrar na primeira prioridade e penso que irá limitar a amplitude geográfica excessiva (obrigação de concorrer a 3 QZP’s) apenas aos docentes contratados.”

Sobre estas três apostas, acertamos em duas:

- o MEC apresenta uma nova proposta de intervalo para o concurso dos docentes contratados: “ a) Horário completo; b) Horário entre 15 e 21 horas; c) Horário entre 8 e 14 horas“;

- e a exigência de ter trabalhado com horário completo em quatro dos últimos 6 passou a ser: “docentes num horário anual não inferior a 12 horas letivas, em dois dos seis anos letivos imediatamente anteriores.”

Por outro lado, depois da primeira reunião no MEC tinha sido conhecida uma novidade má que tornava impossível o concurso para mudança de escola aos professores dos quadros, na medida em que um professor a concorrer de Tavira para Olhão poderia ir parar a Setúbal. Quanto a isto o MEC não muda nada!

Esta segunda proposta enquadra também a renovação de contratos que “ depende do preenchimento cumulativo dos seguintes requisitos: a) Apresentação a concurso; b) Inexistência de docentes de carreira no grupo de recrutamento a concurso e que tenham manifestado preferência por esse agrupamento de escolas ou escola não agrupada; c) Manutenção de horário letivo completo apurado à data em que a necessidade é declarada; d) Avaliação de desempenho com classificação mínima de Bom; e) Concordância expressa da escola; f) Concordância do candidato.”

As alíneas c) e e) vão criar dificuldades porque vão tornar mais dependente da boa disposição do diretor a renovação ou não da colocação.

E para terminar, numa reflexão anterior tinhamos alinhado outras dúvidas, nomeadamente em relação às prioridades dos docentes que trabalham no privado – “São igualmente ordenados na 1ª prioridade os docentes de estabelecimentos particulares com contrato de associação” (artigo 10º, ponto 3, alínea b)). Esta medida coloca em vantagem os docentes do privado – proposta, por isso completamente inaceitável!

Como alteração positiva, podemos também relevar a intenção de deixar bem claro o que acontece a um docente sem componente lectiva:

“a) Caso o número de voluntários exceda a necessidade, o Director deve indicar por ordem decrescente da graduação profissional;

b) Na falta de docentes voluntários, deve o diretor indicar por ordem crescente da graduação profissional.”

Agora,  segue-se uma análise mais detalhada, com o apoio da caixa de comentários do Aventar!

Educação, a árvore e o beija-flor

O Ministério da Educação e Ciência pela mão do Ministro Nuno Crato tem estado a colocar no terreno um conjunto bem significativo de mudanças (está aí a segunda versão do documento da gestão), umas troikistas, outras nem por isso.

A legislação sobre a avaliação de desempenho está aí, mas basicamente atira tudo para amanhã: diz que este ano é só produzir papeladas, não há aulas assistidas e uma amostra de relatório serve.

Mas tenho uma dúvida existencial: não há progressão nas carreiras por força do congelamento na administração pública. Logo, fazer coincidir a avaliação com os escalões torna o processo uma coisa sem sentido – quando é que terminam os escalões de um tempo que não está a ser contado?

As alterações do MEC são inúmeras e começa a ficar claro o caminho que está a ser traçado. [Ler mais ...]

Alguns comentários sobre a proposta de lei para os concursos de professores

Da nossa caixa de comentários, um texto que interessa partilhar, pela qualidade da análise:

1. A previsão de apenas 2 intervalos de horário é um absurdo e uma terrível falta de respeito pelos candidatos e pela sua graduação, pretendendo tornar equivalente e indistinguível a candidatura a horários entre 6 e 21 horas. Quem redigiu tal disparate não devia ser despedido, devia ser preso!

2. A divisão entre concurso interno e externo não é uma teimosia, é uma necessidade! As próprias palavras definem os dois concursos: um para quem já está dentro do sistema (já ocupa um lugar de quadro), outro para quem está fora e quer entrar (contratados, desempregados, docentes do particular e cooperativo). Claro que estes últimos, os candidatos do concurso externo, têm que vir depois dos candidatos do interno, não poderia ser de outra maneira!

3. A questão com os docentes dos quadros das regiões autónomas é uma falsa questão, pois eles já podiam, ao abrigo da legislação actual, concorrer em pé de igualdade com os do Continente, apenas não havia referência expressa aos mesmos.

4. A questão das prioridades do concurso externo, e, consequentemente, do concurso para contratação, é também gravíssima, concordando eu que o problema não está tanto na questão dos 4 anos, mas muito mais com a igualdade de tratamento de situações muitíssimo diferentes, ou seja, a colocação nesta 1.ª prioridade dos docentes dos estabelecimentos com contrato de associação. Na prática, esta aparente igualdade beneficia claramente os docentes dos colégios, pois estes muito mais frequentemente têm horários anuais e completos por anos sucessivos. E sem concursos, como se sabe… Ou seja, podem muitos destes passar à frente dos candidatos que sempre têm trabalhado no ensino público por terem mais tempo de serviço, mas também podem até ter muito menos tempo total e muito menor graduação, e, ainda assim, passarem à frente de quase toda a gente do público!…

Ainda assim, também é discutível passar-se de uma exigência que podia ser de apenas um dia de trabalho num estabelecimento público no espaço de 2 anos, para 4 anos completos nos últimos 6. E atenção que os candidatos podem ter 1460 dias ou mais nos últimos 6 anos, mas não cumprirem a condição de ter 4 contratos em horário anual e completo…

5. Chamo a atenção para a incongruência quanto ao concurso a Destacamento por Aproximação à Residência: num sítio (artigo 6.º n.º 2) diz-se que o concurso é anual, noutro (artigo 33.º n.º 1) diz-se que ocorre só no ano em que há concursos interno e externo, como actualmente.

6. Para o fim, deixei o que considero ser a melhor coisinha da proposta do MEC: o artigo 29.º n.º 6, que reintroduz o critério da graduação profissional para a determinação em cada escola / agrupamento de quem vai a concurso de DACL (horário zero). Espero que fique mesmo assim, para se acabar com a absurda discricionariedade dos directores nesta matéria!

Para já, chega!

José Manuel Costa

Nota: Este texto, como todos os assinados por mim, não respeita o Acordo Ortográfico de 1990, vulgo Novo Acordo Ortográfico.

Concursos de professores Olímpicos: escolas privadas nos concursos públicos

Os concursos de Professores, como antes escrevi, são um acontecimento mediático ao nível de uns Jogos Olímpicos: são de quatro em quatro anos e o fundamental é participar.

Só consigo registar uma diferença: os Jogos Olímpicos são em ano bissexto e os concursos de professores, nem por isso.

Seguindo a natural esquizofrenia que alimenta a mente dos nossos políticos, qualquer equipa que tome conta do Ministério da Educação tem que mexer na legislação de concursos. E esta é a primeira nota a salientar – torna-se impossível gerir uma carreira nestas condições, em permanente mudança.

Na proposta que agora foi apresentada pelo MEC há duas questões que estão a monopolizar a discussão:

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Concurso de professores e as prioridades – público e privado

Começar um texto com duas ligações externas vai contra todas as regras, mas o fundamental é a discussão e essa surge depois destas duas sugestões:

- no pé-ante-pé podemos encontrar um excelente trabalho de comparação entre a legislação em vigor e a proposta do MEC;

- no Educar a Educação podemos ver um esquema que mostra uma possível consequência da proposta do MEC.

E ainda antes de ir ao ponto quente da discussão virtual entre os docentes, importa colocar as coisas no tom certo:

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Mais um caso de jornalismo de oportunidade

O Adriano Campos fez no Adeus Lenine uma investigação sobre Carlos Moedas e os seus interesses económico-profissionais, que era para ter aqui referido e  por qualquer amnésia perdi pelo caminho. A revista Sábado publica agora o que era obviamente notícia. Referência à fonte? não a vejo. O costume.

Vem isto também a propósito de um artigo do Público Uma década depois do boom, o que é feito dos blogues? que utiliza o curioso método de ir perguntar a quem já cá não anda, ou mal anda, como isto anda, uma grande andança em prol da investigação jornalística. O Pedro já tratou do assunto, mas como lá deixei um comentário que foi censurado aproveito para o deixar aqui, desenvolvido: quem está a morrer são os jornais, jornais como o Público que inventa este fantástico modelo de negócio: Quer ler o Ipsilon completo? depois de comprar o jornal paga mais, usa a aplicação para tablet e descarrega a versão completa, uns 400 MB, coisa pouca, deve vir em papel couché de 200gr. Ou como o Expresso que depois de ter andado pelos lados do Aeiou vai agora para o Sapo, o que se por um lado se compreende porque ali andam bons profissionais é no mínimo ridículo, nenhum jornal de referência se mete dentro de um portal.  [Ler mais ...]

À procura do sorriso perdido

Não é preciso conhecer nenhum estudo científico para chegar à conclusão que os portugueses sorriem cada vez menos.” A situação económica e social potenciou a inibição da expressão (…) O sorriso é uma reação que advém de se viver com bem-estar e felicidade” – isso já sabemos. Apenas as crianças “continuam a apresentar mais frequentemente um sorriso largo” . As crianças não vêem as notícias e também não as querem ouvir na rádio – pedem música. Na televisão, passam os bonecos…

Lêem e vêem o que querem.
Se calhar é isso que devemos começar a fazer também, nós os adultos! Selecionar o que vemos, lemos e ouvimos, para bem da nossa saúde mental.
E há tanta coisa boa e bonita para ver/ler/ouvir.

A Ditadura de Pinochet

Leio no Público de hoje que o Presidente Piñera quer fazer aprovar um novo regulamento para eliminar a palavra «ditadura» das referências ao período entre 1973 e 1990 ( governo de Pinochet) e substituí-la por «regime militar» nos manuais escolares.
O general com “mão de ferro” , que depôs Salvador Allende (tio da escritora Isabel Allende e pai da senadora com o mesmo nome!), instaurou “um regime de brutal repressão política”. Veio a descobrir-se o desaparecimento de mais de 3 mil pessoas e a prisão ilegal e tortura de 37 mil.
Lembrei-me imediatamente de Luis Sepúlveda, que conta em A Lâmpada de Aladino (2008), as atrocidades levadas a cabo por militares chilenos “a homens de talento”  amigos do escritor, durante a ditadura de Pinochet. Vale a pena reler: ” O Siete  era um jornalista chileno, desenhador talentoso além de fotógrafo, a quem um militar chileno tentou decepar a mão direita (…). O militar, uma besta (…) odiava, como todos os militares, as mãos dos homens de talento. Por essa mesma razão, antes de assassinar Víctor Jara [16/9/1973], outro (…) lhe cortou as mãos, atirando-lhe depois uma guitarra para que tocasse. Também ao maravilhoso pianista argentino Miguel Ángel Estrella tentaram cortar as mãos numa prisão uruguaia, mas o querido Chango continua a tocar. (…) [O Siete ] Com sete dedos apenas, a sua paixão pelo desenho transformou-se em mais do que uma necessidade, transformou-se num desafio. Aprendeu a segurar o lápis entre o polegar e o mindinho direitos e, entre outras obras de arte, falsificou durante anos os melhores passaportes e vistos de que precisávamos para sobreviver no exílio”.
Histórias que não se podem esquecer, antes contá-las aos mais novos e reavivá-las aos mais velhos.

A vidinha à portuguesa ‘on-line’

Um homem chega à casa. Janta em paz e conversa com a família, sem ligar a noticiários ou entrevistas televisivas. Acaba a pitança,  senta-se diante do computador, acede ao ‘Público’ on-line e dá de caras com estas notícias:

  1. Um funcionário e dois ex-trabalhadores das Finanças suspeitos de corrupção
  2. Holanda dá mais garantias às iniciativas privadas, diz Alexandre Soares dos Santos
  3. Escritório de Júdice condenado a pagar 2,5 milhões de euros a antigo cliente
  4. Líder parlamentar do PSD e quadros da Ongoing juntos em encontro maçónico

Bolas, o que é isto? Interroguei-me. De uma rajada, quatro notícias perfiladas segundo o actual ‘design’ nacional. Há funcionários anónimos suspeitos de corrupção – já não bastavam os mediáticos!;  temos a ingrata Holanda, para onde no passado encaminhámos judeus aos montes, a fazer  concorrência desleal em garantias às iniciativas privadas; ficámos informados de que há um escritório condenado a pagar 2,5 milhões de euros – sim o título diz que é um escritório! – e, no fim, revelam-nos uma frustrada jantarada maçónica entre o líder parlamentar ‘laranja’, o pessoal da Ongoing e mais uns quantos notáveis. Para o ramalhete jornalístico ficar completo, faltou uma noticiazinha, pequena que fosse, a anunciar eleições para a Direcção Espiritual da ‘Opus Dei’.

Vendo bem, a minha estupefacção é injustificada. Como dizia o Eça, este País sempre foi e será assim; ou visto através de outra lente literária, a tese da clivagem social entre os vulgares e os invulgares, defendida por Raskólnikov em “Crime e Castigo”, tem neste recanto e nas suas terras pingadas no Atlântico o laboratório experimental que a personagem de Dostoiévski imaginou.

Servindo-se de feios, porcos, maus, lindos, partidos e inteiros, os jornais limitam-se a narrar ‘on-line’ a  vidinha à portuguesa. E dela não sairemos tão depressa, a menos que… alguém quebre o galho.

A menina da fotografia

A menina da fotografia cresceu e chama-se Maria da Conceição Tina saiu no Público esta semana. Patrícia Carvalho pegou no depoimento da hoje mulher e professora que nos anos 60 foi a menina retratada por Gerard Bloncourt numa fotografia ícone da emigração portuguesa em França e teve aquele toque de génio que faz a jornalista desaparecer do texto e dar-lhe a magia de um depoimento.

É uma pequena obra-prima: está ali a História, do que fomos e somos, a beleza de uma mulher que se abre revelando a memória, a teia que força hoje a sua filha desempregada a emigrar (as repetições na História são ambas tragédias), conta-nos como a mulher só este ano se soube a menina retratada e fotografa-lhe a vida que foi a de tantas meninas e meninos, nem todos com um final quase feliz.

Parabéns a Patrícia Carvalho, a Gerard Bloncourt  e a Maria da Conceição Tina, e deixo-vos aqui o pdf para que estas páginas circulem pela rede,  partilhem, partilhem sff, num tempo de cinzas há sempre um raio de sol onde a vida da gente também sai no jornal.

Baixar A menina da fotografia

P3

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O jornal Público continua a inovar, desta vez com um novo suplemento, o P3.

O P3 nasceu para todos os jovens (e não só) que se encontram afastados dos órgãos de informação por não se reverem nos temas tratados. É um site de informação generalista produzido por uma equipa que concilia a experiência jornalística do PÚBLICO com a ousadia dos estudantes da Licenciatura e do Mestrado em Ciências de Comunicação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A nossa preocupação é que este site seja feito por jovens e para jovens. 

Pretendemos acompanhar a actualidade nacional e internacional e apostar nos temas culturais e nas novas narrativas multimédia. A recomendação de conteúdos e a interacção nas redes sociais são preocupações constantes, reforçando o incentivo à participação dos utilizadores. Por outras palavras, contamos com os teus textos e as tuas imagens. 

Convidam à partilha. Atendendo ao considerável número de pessoas a escrever, por exemplo em blogs, parece-me que não lhes faltarão materiais originais.

Boa sorte, estou curioso.

Um endereço muito significativo

Já não é o que está na notícia, mas corre pelo facebook que já lá esteve. E se não aconteceu, bem podia ter acontecido…

 

Ainda o sucesso dos alunos

A jornalista Bárbara Wong, autora da notícia aqui comentada, teve a paciência suficiente para responder à crítica/provocação que deixei no Educar em Português, de que é co-autora. Devo dizer que não li apenas a edição on-line.

Mantenho a crítica de falta de trabalho jornalístico, porque não é questão de somenos conhecer o currículo das autoras do estudo, entre outros aspectos. O texto limita-se a indicar em que Universidade trabalham. É pouco. O facto de Cláudia Sarrico ter feito parte do grupo de trabalho que preparou a avaliação externa das escolas não me deixa mais descansado, pelo que explicitarei a seguir

As escolas confrontam-se com vários problemas resultantes das ideias que circulam pelos meios políticos e universitários que presidem às políticas educativas. O pouco que conheço deste estudo leva-me a entrever duas dessas ideias: a imposição acrítica de conceitos vindos das áreas da gestão e da economia e, sobretudo, a diminuta influência da origem social nos resultados escolares. [Ler mais ...]

A professora que falava de sexo

A professora Josefina Rocha, da Escola EB 2,3 Sá Couto, em Espinho, será julgada, acusada de ter ofendido e humilhado duas alunas. Espero, em primeiro lugar, que a professora seja condenada ou considerada inocente, o que é tão óbvio que merece ser reafirmado. Estranhamente, para o leigo que sou, o juiz terá afirmado que os indícios apontam para “uma provável condenação da arguida.”

Depois, gostaria de vir a perceber a importância que a gravação da aula, realizada à revelia da professora, teve, efectivamente, no processo, sobretudo tendo em conta outras decisões tomadas pela justiça acerca de escutas. Será, também, importante saber que riscos poderá vir a correr qualquer professor cujas aulas possam ser gravadas sem o seu consentimento. Para quem estiver interessado em ouvir, é anunciado que poderá descarregar aqui um ficheiro mp3 com a célebre gravação.

Entretanto, considero absolutamente lamentáveis as escolhas dos títulos do Público (“Professora que falava de sexo nas aulas de História vai a julgamento“) e do Correio da Manhã (“Professora que falava de sexo vai ser julgada“). Não é preciso saber muita gramática para perceber que aquele imperfeito (“falava”) serve para transmitir a ideia de um hábito, de um acontecimento frequente. Ora, tanto quanto sei, a professora está a ser julgada por causa do que aconteceu numa aula e não por ter o hábito de falar de sexo em todas as aulas.

Finalmente, e dentro dos limites éticos da profissão docente, não sei como é possível ensinar História ou Literatura, por exemplo, sem falar de sexo, de política ou de religião, por exemplo. Se o politicamente correcto americanóide vier a impor-se, estou a ver muito professor a ser obrigado a engolir a cicuta.

João Salgueiro e o elefante no meio da sala

João Salgueiro é um dos suspeitos do costume. Teve o dom de contruir uma boa carreira profissional de braço dado com a política e a banca, logo os dois principais sectores artíficies da crise mundial – e interna – que enfrentamos.

Numa entrevista sauve que concedeu ao jornal Público deixou conselhos para ultrapssar a crise. Os conselhos do costume.

Com profundos laços que o mantém emaranhado no mundo da política e da alta finança, não se lhe ouviu uma palavra sobre o seus gananciosos confrades do mundo da banca. Nem um simples ‘mea culpa’, nem um reconhecimento de erros, de falhas de avaliação, de caminhos enviesados. Nada. Um imenso nada.

Até na estrondosa queda do comunismo, os dirigentes dos países do leste foram mais humildes.

Notícia das notícias em gráficos

O jornal Público divulga hoje o relatório da ERC sobre os gastos em publicidade por parte do Estado central – isto é, sem contar com autarquias, instituições de ensino, tribunais, Presidência e Assembleia da República. [Adenda a 20.Out.: a edição impressa acrescenta mais alguns detalhes. Sumário no fim deste texto.]

É portanto apenas uma parte do total desta desta despesa e desde logo espanta pelo seu valor: 408 milhões de euros! Caro leitor, fique sabendo que só para a propaganda do Estado central contribuiu no ano passado com mais de 40 euros. Contribuiu, aliás, bem mais do que este valor, pois o número de contribuintes efectivos é muito inferior a 10 milhões. Dada a falta de números oficiais, estima-se em 3.5 milhões o número de contribuintes efectivos. Neste caso, a sua generosa contribuição em 2009 para os cartazes do solar, das Novas Oportunidades, dos programas patrocinados na TSF, anúncios de página inteira em jornais e mais uma catrefada de "investimentos" (!) foi superior a 100 euros.

Mas vejamos esses números saídos hoje no Público, aqui apresentados em 5 gráficos, para depois  os lermos.

1. Gastos totais

 Gastos em PUB pelo Estado central

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[Ler mais ...]

O jornalismo está a aproximar-se cada vez mais do momento em que, se desaparecer, ninguém nota

Imperdível a entrevista de José Vítor Malheiros, por ocasião do aniversário do Público Online. O título é manhoso, mas o conteúdo fundamental para entender o jornalismo online em Portugal e arredores.

Gosto sobretudo desta fatia:

Há um conselho do [crítico de media, blogger e professor universitário americano] Jeff Jarvis: “Do what you do best, and link to the rest.” Isto é um bom conselho, mas é uma coisa a que as pessoas reagem muito [negativamente]. Mas mesmo que eu não faça um link, os leitores fazem. E, quando não o faço, eles sabem que não lhes estou a fornecer esse serviço e ainda pensam que estou a esconder algo.

Isaltino Morais condenado a pena de prisão e perde mandato… ou não

A informação imediatista tem destas coisas. Não se toma o devido tempo para interiorizar a informação e coloca-la disponível sobre o efeito de notícia e, assim, em poucos minutos tudo muda. E fica instalada a confusão.

O Sol adiantou que Isaltino Morais foi condenado a prisão efectiva. O i cita o Sol e diz o mesmo. A TVI diz o mesmo mas ligou a Isaltino, que disse não ter sido notificado. E, se assim for, vai recorrer. O Público prefere outro caminho e diz que a Relação desagravou a pena do autarca de Oeiras.

A SIC salienta que o ex-ministro e tio do sobrinho taxista da Suíça não vai perder o mandato e que a pena de prisão até foi reduzida.

Fiquei, pois, esclarecido. O melhor é esperar um pouco mais e comentar depois.

Administração Pública: os transparentes somos nós

Independentemente dos juízos de valor que façam ao que irei escrever neste artigo, desde já faço duas reservas: irei escrever a partir da minha experiência pessoal; e existem excelentes profissionais na Administração Pública e não são raridades.

O tema é muito simples, e parte da propalada ideia de que a Administração Pública preocupa-se em ser transparente: recorrentemente quando me dirijo a serviços públicos – principalmente a Conservatórias, Finanças e Tribunais – sinto-me como se fosse chatear alguém. Sou constantemente ignorado por aqueles que, dentro do balcão, tudo fazem para não olhar para mim: olham para o computador, para os papéis, para o chão, para o infinito. Chegam ao cúmulo de desviar o olhar quando, ao encararem-me, se apercebem que os vou abordar, ainda que seja para dizer “bom dia” ou “boa tarde”. Isto, mesmo em serviços em que as próprias chefias são de inquestionável lisura e educação, pelo que nem se pode colocar a possibilidade do “mau exemplo hierárquico”.

Pensava que fosse problema meu, embora, modéstia à parte, não vislumbrasse na minha fisionomia qualquer deformação que justificasse algum tipo de repulsa. Mas falando com outras pessoas – incluindo Colegas -, acabo por constatar que, na verdade, não é nada pessoal (felizmente!), é mesmo institucional: os transparentes somos nós, porque na Administração Pública há quem, pelos vistos, nem nos pode ver.