Desta, Rui Tavares, liberto-me desde já

livreO Rui Tavares foi eleito para o parlamento europeu com o meu voto. Pouco depois decidiu libertar-se da canga partidária, e mudou de grupo parlamentar. Com os meios ao dispor de deputado europeu tem-se entretido, por exemplo, a pescar à linha potenciais apoiantes de um novo partido que agora vai fundar.

Não vou gastar uma linha sobre o novo partido irmão de um partido que na Grécia está no governo. Por princípio assino a legalização de qualquer partido novo e constitucional, a democracia portuguesa baseia-se em partidos, para o melhor e para o pior, cada vez mais para o pior, é certo, e todos tem o direito ao seu, vai-se a votos, uns elegem outros não.

E assim seria não fosse a escolha da papoila para logotipo. É que a papoila é um símbolo da memória, desde a I Guerra Mundial. Neste caso serviu-me de fósforo: hélas, Rui Tavares, já que não me devolveste o meu voto, ficamos quites: com a minha assinatura não contes. Nem te fará falta, qual papoila saltitante, terás muita gente de direita para assinar.

Completamente de acordo

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(clicar para ampliar)

Tivesse eu arte e o mesmo teria escrito. Não esquecer de ler também o Joaquim.

Tradução do relatório do FMI no Parlamento Europeu

O eurodeputado Rui Tavares recorreu, ontem, à tradução do relatório do FMI patrocinada pelo Aventar e teve, ainda, a simpatia de agradecer no facebook.

Este facto é, decerto, motivo de orgulho para toda a comunidade que participou nesta obra colectiva, um verdadeiro monumento ao exercício da cidadania.

Em nome de todos, o Aventar agradece a Rui Tavares ter dado ainda mais sentido a esta tradução.

Para verem que não estamos aqui para enganar ninguém, aí ficam as provas.

rui tavares

Acordo ortográfico: Rui Tavares é mais ou menos a favor

nao2c4Rui Tavares, historiador e europedutado, escreve semanalmente no Público e decidiu que as suas crónicas sejam publicadas segundo as regras, por assim dizer, do chamado acordo ortográfico (AO90).

Há dias, resolveu republicar um desses textos no facebook. Não estando aqui em causa o conteúdo, que subscrevo inteiramente, um comentador notou que o cronista acordista usara a forma verbal “pára”, proscrita pelo AO90. Sempre combativo, Rui Tavares respondeu: “pára ou para têm ambos o uso possibilitado pelo AO. Para evitar confusões uso pára. Mas diga-se de passagem que sempre disse que a norma oficial, esta ou a anterior, é sobre a escrita oficial. Faz todo o sentido que se use a língua com critério e criatividade em simultâneo, e isso depende de cada um.”

Mais tarde, acabou por reconhecer que se enganara, no que respeita ao conteúdo do AO90, o que lhe fica bem. Na realidade, e de acordo com a Base IX, art. 9.º, do AO90, a forma “pára” desaparece: “deixam de se distinguir pelo acento gráfico: para (á), flexão de parar, e para, preposição”.

Apesar disso, voltou a defender o direito a fazer “adaptações no uso pessoal” e acaba por reconhecer que o acento em “pára” é necessário. Depreende-se, portanto, que qualquer um tenha direito, por exemplo, a acentuar conforme lhe apeteça, independentemente das regras ortográficas em vigor, ou até a prescindir de acentos, se considerar que o contexto é suficiente para que não haja ambiguidade. Segundo Rui Tavares, portanto, um conjunto de regras ortográficas é uma espécie de self-service em que cada um escolhe o que mais lhe agradar.

Não se negando ao debate, o cronista ainda dispara mais umas opiniões avulsas, sendo de realçar o reconhecimento de que algumas consoantes eliminadas pelo AO90 tinham valor diacrítico, o que, no fundo, equivale a dizer que deveriam ter sido conservadas, tal como o acento em “pára”. Já não deve faltar muito para que Rui Tavares, fazendo um uso pessoal da ortografia, acabe por renegar, na prática, o AO90, mesmo que o defenda, em teoria.

O futuro está nos barcos

Na passada quarta-feira, Emanuel e Fernando davam-nos a alegria da medalha de prata em canoagem. A única medalha de Portugal nos Jogos…

No dia seguinte, Rui Tavares escreveu no Público que Portugal é um país de exclusão económica, social e política. A democracia está a degradar-se (não é novidade, reconhece). Falou em clientelismo, feudalismo e partidocracia.

Não sendo novidade o que afirmou ainda, vale a pena pôr o dedo na ferida: “um país que desperdiça gente não sobreviverá. Um sistema político que é pior do que a sociedade que representa não se mudará sozinho.”

Muito boa gente está a deixar o país porque está desempregada, era isso a que ele se referia. Deu exemplo, de um seu conhecido, um professor do ensino especial, que a esta hora pode muito bem estar a pintar cascos de barcos na Holanda.

E pintar cascos de barcos até é muito romântico, mas só  filmes como As Palavras que Nunca Te Direi, protagonizado por Kevin Costner e baseado no romance homónimo de Nicholas Sparks.

Boa sorte a todos os portugueses que, diariamente (às centenas?), saem do seu país porque o seu país não soube nem sabe aproveitar e dar valor ao que tem.

Estamos todos no mesmo barco.
 
 
Nota: O título deste post é inspirado na peça O Futuro Está nos Ovos de Ionesco, um dos grandes nomes do Teatro do Absurdo...

“Isto irá, Miguel”

Hoje, a minha leitura do Público ficou pelos seguintes temas: 25 de Abril, «fragilidade da democracia portuguesa» e Miguel Portas. Mas, sem dúvida, o que mais me impressionou foi a homenagem que Rui Tavares faz ao amigo, numa crónica cujo título é uma expressão usada por Miguel Portas quando este se referia ao seu estado de saúde: «Isto irá».Tavares escreveu: [Ler mais ...]

Gregos e Portugueses

(Foto: blog Defender o Quadrado)

Rui Tavares escreveu “somos como os gregos. E nós e os gregos somos tão europeus como os alemães” (PÚBLICO,15/2).
Nos últimos dias a Grécia é notícia: novas vagas de austeridade sem precedentes; violência dos protestos; incêndios (48 edifícios destruídos pelas chamas); noites de destruição; «clima de guerra urbana»; dezenas de feridos;  polícia alvo de cocktails molotov de manifestantes; remodelação do governo; eleições legislativas antecipadas; bancarrota…
 
Um jornalista grego disse hoje, contestando com razão: “Somos pessoas como outras quaisquer, não somos a ovelha negra no rebanho das ovelhas brancas. Os gregos não são os pecadores entre os inocentes alemães, finlandeses, australianos e holandeses. Os mediterrânicos não são os maus, os preguiçosos entre os muito bons”.

[Ler mais ...]

Rui Tavares, devolve-me o voto pá

No dia das últimas eleições europeias fui votar propositadamente perto das 19h – deu-me para achar que a essa hora o Miguel Portas estaria mais que eleito, e fazia questão em votar mesmo na Marisa Matias.

Umas horas depois descobri que tinha votado no Rui Tavares, o que pesem diferenças ideológicas muito me alegrou. Um historiador é um historiador, e a minha costela libertária não é amputável.

Serve este intróito disparatado para dizer ao Rui Tavares que sou muito ecologista, desde 1973 e com episódios de militância, mas não votei nem queria votar nos Verdes. Nada de especial contra a social-democracia de inspiração pacifista germânica, mas não é o meu voto. Lamentei a seu tempo que em Portugal essa corrente não tenha sido criada, e posteriormente tenha sido sequestrada, até tenho uma micro-culpa no cartório de que já me tentei penitenciar, e chega. Se alguém quiser ir a correr atrás do prejuízo e fundar um Partido Verde pode contar com a minha assinatura, não com o meu voto.

Temos assim, Rui Tavares, que me gamaste o voto. E para quem conheça minimamente Cohn-Bendit, que tem tanto de distraído como de desbocado, é claro que já tinhas pensado nisso muito antes da desculpa que agora arranjaste, favor que de resto deverias agradecer ao Francisco Louçã. Já me tinham ido à carteira, à conta bancária, aos bolsos, ao voto é a primeira vez, e não gostei.

Os erros de casting da ala direita do BE

Quando um movimento político como o Bloco de Esquerda nasce de três pequenas organizações espera-se que cresça com a adesão de independentes (tanto no sentido em que não são filiados nelas, ou muito simplesmente porque nem no BE se filiam).

Doze anos depois constata-se que esses independentes foram sistematicamente recrutados por uma das pequenas organizações originais, e com brilhantes resultados à vista: José Sá Fernandes,  Joana Amaral Dias,  a senhora que preside ao município de Salvaterra de Magos e agora Rui Tavares são casos de sucesso evidente.

Note-se que nunca tive nada contra esse alargar à direita, mas muito contra todos os entraves possíveis e imaginários sempre colocados quando se pretendeu fazer o mesmo à esquerda.

No caso de Rui Tavares, que agora fica como deputado independente por outro grupo parlamentar que não o do BE, não me pronunciando sobre um conflito que ainda não entendi (não li os artigos que promoviam Daniel Oliveira a um dos quatro fundadores do BE, embora a confirmar-se que ali era referida a fonte é óbvio que competia a Rui Tavares exigir publicamente a reposição das suas palavras), é caso para dizer que já chega. Mas duvido muito, a menos que a ala direita do BE se decida a ir a votos, coisa em que acredito tanto como no pai natal.

Rui Tavares afasta-se do BE mas mantém poleiro

“É-me impossível manter confiança pessoal e política no Coordenador Nacional do BE e, em consequência, continuar a fazer parte da delegação no Parlamento Europeu do partido por ele liderado, passando simplesmente à condição de deputado independente, integrado no grupo dos Verdes europeus.”

Rui Tavares gosta de afirmar que se move em nome da honestidade e da boa-fé. Não seria honestidade e boa-fé, uma vez que não confia no coordenador e não quer continuar na delegação, pôr o lugar à disposição do BE, já que foi eleito como representante (independente) do BE, nas listas do BE, num lugar do…BE?

E davam grandes passeios ao Domingo…

Em devido tempo e no local correcto, a caixa de comentários, já me pronunciei sobre este «post» do Tiago Mota Saraiva: acho vergonhoso que um Partido político, como é o caso do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, ande a pagar viagens a bloggers para que eles possam visitar gratuitamente Bruxelas e possam ver, «in loco», como se vive bem na Europa.
Soube na altura, por fonte que me solicitou sigilo, que Fernanda Câncio também esteve presente nessa passeata, a par de outros que o assumiram, como Maria João Pires, também do Jugular, ou um tal de Paulo Pena. Não o revelei exactamente por causa desse pedido, mas agora que o Nuno Ramos de Almeida o tornou público, fui libertado do compromisso.
Não sei, nem me interessa, se o convite partiu de Rui Tavares ou de outro Deputado europeu do Bloco de Esquerda. Também não me interessa muito o súbito amor entre Fernanda Câncio e o Bloco. O que me interessa, isso sim, é que o meu dinheiro – sim, o meu e o de todos os contribuintes – seja desperdiçado por Partidos políticos que julgam que na Europa se pode gastar à tripa-forra. Nem que seja para convidar pessoas para darem grandes passeios ao Domingo – pessoas cujo interesse é completamente nulo para Portugal no contexto do Parlamento Europeu.
Um discurso, o do Bloco de Esquerda, que contrasta muito com a prática que acabamos de ver. Começo a pensar que, um dia no poder, o Bloco acabaria por ser mais do mesmo.