Contra a gripe – 1º de Maio ao ar livre

Vou para a Alameda com os meus amigos comemorar.
Conto que o Carvalho da Silva não demore muito com o discurso e a seguir vou para os copos e para os petiscos. Há petiscos e vinho de todas as regiões do país, produtos genuínos, do melhor, que no dia a dia normal não passam no estreito. Até há famílias de farnel de comer e chorar por mais. Em troca, compro o que os seus parcos salários não lhes permite comprar. O que trazem é da horta , do galinheiro, do quintal. Ficamos amigos para o resto da vida, embora nunca mais os veja.
Os meus amigos são comunistas, malta da minha terra e meus amigos de infância, juram a pés juntos que não há festa como aquela. Talvez a festa do “Avante” mas os comunistas são outra coisa. Está ali tudo por devoção, felizes e malta que está ali é porque é dos “nossos”.
Grandes abraços, gostos em comum e desta vez é que vamos mesmo subir. As sondagens não mentem. E, depois, estão todos contra nós, a começar pela comunicação social. Os americanos já estão a comer à mão em Cuba, isto não acaba assim, a Rússia já está novamente a crescer e agora é para sempre, já viram o que é o capitalismo. A camaradagem mede-se pelos copos e pelos petiscos que se oferecem aos camaradas que passam por ali perto, há fome e miséria. Chega para todos. Não sou comunista, mas hoje sou um deles. Aos copos, ao ar livre e à camaradagem.
Segunda-feira recomeçam as discussões ideológicas. Os camaradas todos contra mim. Mas os amigos de infância não são para toda a vida?

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