A professora de Espinho e o Eurojust – o contexto da Srª Ministra

Num post anterior referi com alguma ironia parte da música dos Da Weasel porque em Portugal anda muita gente distraída. Obviamente, não me passa pela cabeça criticar a letra, antes pelo contrário – lembro-me é de a ter ouvido a mesma música cantarolada por meninos em idade de Jardim de Infância, ou seja, há contextos. E é sempre preciso perceber os contextos.

Em Espinho, na escola Sá Couto (que conheço bem), como em qualquer outra organização é necessário entender o contexto.

Não quero, meu caro José Freitas, virar o bico ao prego. Com todas as letras é necessário dizer que o comportamento da minha colega é o menos correcto. E é o menos correcto porque usa a metodologia errada e porque recorre a argumentos que não são os adequados.

O que fui ouvindo: professora que fala de sexo, docente que fala de orgias, etc… Meus caros, a Educação sexual é um tema OBRIGATORIAMENTE tratado nas nossas escolas de forma transversal a todas as disciplinas: as orgias em Roma são um excelente pretexto para abordar estas questões.

Aliás, quer o conteúdo, quer a forma são coisas que acontecem aos melhores:

– o Professor que nunca berrou com um aluno ou com uma turma, que atire a primeira pedra;
– falar sobre as questões em torno da educação sexual, são um dever e uma obrigação de todos os professores.

Fecho esta dimensão: somos 150 mil e obviamente há uns que são bons e outros que nem por isso – a docente em causa não cometeu crime algum, apenas falhou.

Abro a porta para uma segunda dimensão, em que não vou concordar com o Paulo Guinote, que na Educação do meu umbigo defende a divulgação do som.
O que foi feito é uma ilegalidade – lembro que todos os arguidos do processo apito dourado contestaram a validade das escutas. Dizem eles ilegais – Pinto da Costa nunca negou o seu conteúdo, por exemplo.
Ou seja, há aqui uma dimensão ética que não deve ser deixada para trás – e não se compara a gravidade desta questão (um erro de uma “simples funcionária pública”) com as possíveis cunhas no caso freeport.

A propósito deste caso, assinalo esta questão:

– a professora foi “gravada” e imediatamente suspensa: sem defesa, sem notificação…
– no caso do sr. do Eurojust já temos tudo, mas nada.

Para concluir, dizer que isto só acontece porque tivemos quatro anos de Maria de Lurdes, de Margarida Moreira, de Lemos e de Pedreira – um contexto onde a classe docente foi SEMPRE colocada ao nível mais baixo que seria possível imaginar. Sou incapaz de enumerar as situações e declarações desta equipa que tinham como alvo os professores.
Não tenham dúvidas – são estas condições que nos tornam, depois, um alvo de tudo e de todos.
É por isso que dia 30 estarei em Lisboa – pela nossa dignidade!

Comments


  1. Concordo João Paulo. Concordo com quase tudo. Em termos jurídicos a divulgação do registo áudio não é admissível como prova (pelo que vou aprendendo). Não implica, necessariamente, que não possa ou não deva ser divulgado. Se assim fosse, se nenhum gravação ilícita fosse divulgada, muitos dos ‘escândalos’ conhecidos não teriam acontecido. Um exemplo clássico e famoso é o caso Watergate (é um exemplo que serve para quase tudo e também encaixa aqui).

  2. Snail says:

    Como já referi em idêntico comentário sobre um anterior post, depois de ouvir diversos excertos da gravação, fiquei pasmado com os títulos das notícias. Recordem-se que, desde ORGIAS NA SALA DE AULA até a PROFESSORA CONTA A SUA VIDA SEXUAL NA SALA DE AULA, todos estes títulos são real e objectivamente falsos.O que eu ouvi ontem, foi uma professora afirmar que estava sendo acusada de falar durante as aulas de cenas sexuais entre ela e o marido e perguntar, aos seus alunos, se alguma vez isso tinha acontecido; insistiu, salientando até que já tinha tomado um calmante, mas nenhum dos alunos confirmou tal acusação; depois a professora teceu alguns comentários sobre diversas atitudes menos próprias dos alunos, quanto aos “linguados” (acusando-os de só não beijarem as árvores porque elas não reagiam) e da perca da virgindade, mas tudo isto numa atitude recriminatória quanto à ferquente prática dessas acções.Só me pareceu que a professora perdeu a sensatez foi quando se referiu à mãe de uma aluna, com comentários menos próprios, e quando ameaçou os alunos, que a andavam a acusar, de se vingar nos próximso testes. Nesta altrura acho que ela já se teria descontrolado e não estaria em condições mínimas de continuar a aula.Mas saliento que não ouvi, na referida gravação, nada que tivesse qualquer ligação com as acusações decorrentes dos títulos das referidas notícias e pareceu-me que os comentários proferidos, quanto à actual permissividade sexual dos alunos, eram apropriados e muito importantes.Quanto aos termos utilizados, só estranho que se espante quem não anda em transportes colectivos ou frequente cafés onde se encontram adolescentes, os quais utilizam nesses locais, com o maior á vontade, todos os termos menos próprios desde CARALHO a FODA-se. E não me refiro só aos adolescentes mas, sobretudo, às adolescentas…


  3. João Paulo,Eu não defendo a gravação como prova em Tribunal.Apenas acho que como parte de uma denúncia não deve ser recusada.Assim como outras gravações, em outras situações.;)

  4. José says:

    Ouvimos há tempos uma Procuradora dizer em entrevista à RTP que não ia ouvir uma gravação sobre o caso Freeport que fazia parte do processo em Inglaterra e já na altura divulgado na imprensa nacional. Entre nós, professores, há quem ache que o delito cometido na gravação desta colega deve ser usado. Talvez este caso de voyarismo indecente, e de espalhanço docente, tenha mais importância do que o FreeportImaginemos colegas assim num conselho de Justiça de qualquer órgão auto-regulado. Dá que pensar!

  5. Lourenço says:

    Ouvi a gravação completa. Afinal o que se passou não é nada o que a Sic e a TV1 nos fizeram crer. Oiçam a gravação na íntegra e tirem as vossas conclusões.

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