Palma Inácio, o «último herói romântico de Portugal»

Palma Inácio nasceu em 1922 em Ferragudo. Mecânico de Aeronáutica Civil, protagonizou diversas operações de sabotagem do regime durante a Ditadura. Em 1947, aderiu ao Golpe dos Militares, cabendo-lhe como missão sabotar os aviões da base aérea da Granja, em Sintra. Esteve durante 7 meses na clandestinidade, período após o qual foi preso pela PIDE no Aljube. Conseguiu escapar da prisão, saltando de uma altura de 15 metros, fugindo para Marrocos, Estados Unidos e Brasil.
Em 1956, desviou um avião para sobrevoar Lisboa e lançar 100 mil panfletos contra o regime. Em 1967, deu-se o mais espectacular golpe contra a Ditadura – o assalto ao Banco de Portugal da Figueira da Foz como forma de financiamento das operações da LUAR, que entretanto fora criada em Paris. Foi aí que planeou um outro golpe, a tomada da cidade da Covilhã, que fracassou. Preso no Porto, volta a fugir serrando as grades da cela. Foi detido novamente e violentamente espancado, agora em Caxias, em finais de 1973, quando tentava entrar em Portugal.
Foi o último preso político a ser libertado, a 26 de Abril de 1974, apesar da contestação de alguns sectores, que o viam como um preso de delito comum. Aderiu então ao PS, e por este Partido foi eleito Deputado à Assembleia da República na IV Legislatura. Chamaram-lhe o «último herói romântico de Portugal».