ETICA E EDUCAÇÃO – 2ªPARTE (2)

ETICA E EDUCAÇÃO – 2ª PARTE (2)

a) Educação no tratamento dos problemas éticos ligados à pobreza e à prosperidade.
Numa perspectiva omnilateral, formar e educar pressupõe que as pessoas vêm em primeiro lugar e não podem ser sacrificadas em nome de uma qualquer reestruturação produtiva. É por isso que as relações capitalistas são incapazes, pela sua natureza intrínseca, de prover o conjunto de direitos fundamentais de todos os seres humanos, a começar pelo direito à vida digna, à educação livre e aos cuidados de saúde, à habitação, ao emprego, à cultura, ao lazer e à aposentação. Não se podem criar escolas e seguir processos de formação de qualidade, dentro de um industrialismo e de um sistema social excludente, desigual e antidemocrático.
A pobreza ou o holocausto da pobreza como alguém lhe chamou, é a maior e mais cruel das violências, a mais descarnada evidência do fracasso social do capitalismo, o resultado exponencial de todas as ganâncias, o flagelo da consciência dos ricos, se não estivesse dominada pela iniquidade económica e pela insensibilidade ao sofrimento e ao drama de cada um. A pobreza é um fenómeno que não só não deve ser indiferente à educação como deve ocupar um lugar de preferência em todas as áreas educativas. Não só a pobreza do sul do planeta, do terceiro mundo, mas a pobreza dos excluídos do primeiro mundo, onde o abismo entre pobreza e riqueza é cada vez maior por força de um sistema altamente injusto, corrupto, explorador dos fracos, que não se coíbe de matar, massacrar e praticar genocídios, para aumentar os super-lucros e as mais-valias que já não sabe como utilizar, mas que entram no ciclo vicioso da especulação, da indústria militar e da guerra. Degradam-se as condições de vida porque as necessidades humanas são geridas pela política das sobras. Destrói-se a natureza pela proliferação de indústrias que nada produzem além de lixo. Envenenam-se as relações entre pessoas e países pela luta de interesses e pela invenção das guerras. Sob a mais descarada hipocrisia, nesta floresta de enganos e desvios, as grandes nações fazem da venda de armas e da morte dos filhos da humanidade o seu grande negócio. Mata-se programadamente por excesso de armas e falta de comida. Combate-se a cultura em todas as frentes. Impõe-se uma pretensa e soberana eficácia de todas as panaceias que originam fabulosos lucros, através da intoxicação televisiva. (Continua)

                            (manel cruz)

(manel cruz)

Deixar uma resposta