OS ROMANOS POTÍFICES E AS NOSSAS OPÇÕES PESSOAIS

Falar de Pontífices Romanos, não é nem simples nem fácil. Estamos a referir a quem manda para os que têm sentimentos de fé e obedecem aos ditados denominados Bulas, emitidos pelos mais altos dignitários da uma confissão. Para o caso, que falo, estou a referir a confissão romana, denominada católica. É governada por um delegado da divindade católica cristã, e é declarado infalível em matérias de fé…e outras.
Se falo da infalibilidade dos Romanos Pontífices, conforme a interpretação da lei, que conheço como advogado, devia apenas cingir-me ao que é citado falado na parte da lei. Mas, por viver no mundo do real e não na virtualidade do Vaticano, é-me quase impossível que o Pontífice não seja, pelo menos, considerado infalível ou de expressão verdadeira se emite uma opinião política.

Os Pontífices não se calam quando se tratam de política. O melhor exemplo é Karolus Wojtila, denominado também Papa João Paulo II. Sem sombra de dúvida, declarou uma guerra aberta a antiga União Soviética, hoje Rússia, até libertar do pacto comunista ao seu país natal, Polónia, colocar a Lech Walesa, (Popowo, 29 de Setembro de 1943) é um político polaco e activista dos Direitos Humanos. Foi um dos fundadores do sindicato Solidarność (Solidariedade) e o primeiro presidente da Polónia após a derrocada do Comunismo. Foi Agraciado com o Nobel da Paz de 1983.

Não podia menos que deixar de dizer que a infalibilidade consiste em matérias de fé e outras coisas. Essas outras coisas, são as mais importantes. Que sabe um laico de matérias de fé, se está reservada para os teólogos, matéria restrita aos religiosos que professam pobreza, fé e castidade, ao que todo católico está chamado a professar antes do matrimónio. Teorema de Wojtila ao longo do seu cumprido papado e da sua permanente insistência sobre guardar a vida para dar vida. No entanto, retirara do catecismo dois pecados que matam a alma, duas ideias que transcendiam ao mundo: a masturbação e a homossexualidade.
Não é por motivos diletantes que escrevo estas linhas. Há duas razões: aproxima-se no nosso uma nova forma de organizar a família, estrutura que tenho referido em outros textos meus, pois creio que devemos respeitar as formas mutantes de família. Antes, no mundo do ocidente, era o denominado sacramento do matrimónio, desde o Concilio de Trento, entre 1545 a 1563. Até o Concílio de Trento, o matrimónio estava reservado apenas para a aristocracia, a seguir passou a para a burguesia que queria imitar a nobreza e a partir de meados do Século XIX, em plena Revolução Industrial, o matrimónio passou a ser casamento para todos, pelas vantagens que oferecia: abono de família ou dinheiro pago para ajudar na gravidez da mulher, a criação dos filhos e a sua educação, pagas ou pelo Estado ou pela Empresa em que se trabalha, como mandam os artigos do Livro IV, Direito de família, do Código Civil de Portugal, modificado em 2007, artigos 1587 a 1972, especialmente nos derradeiros artigos sobre a filiação , dedução nos impostos e outras ajudas que o casamento oferecia, conquista dos Sindicatos dentro do liberalismo introduzido em Portugal por Mouzinho da Silveira, tão bem estudado pela Senhora Professora Catedrática Emérita, Miriam Halpern Pereira
Mas não apenas.

Os Sumos Pontífices entram por todos os sítios, sejam ou não Papas Romanos. Um meu colega do Aventar andou a brincar a ser Sumo Pontífice no seu texto Freeport, Portucale, a mesma luta, que, como homem sério que é e muito estimado por mim João Cardoso que tem comentados os meus textos, diz: Dos derrotados não me apetece falar hoje, mas num cenário destes têm uma enorme curiosidade em ver como encara Miguel Vale de Almeida o sucesso da causa que abraçou. Não é por nada mas um governo social-democrata-cristão e o casamento civil para homossexuais não enlaça muito bem. Pode ser que consiga o casamento pela igreja, afinal temos o sr. Ratzinger, a passear por cá em Maio. Promete.

Palavras inteligentes. A vós todos, queremos essa liberdade de opção que os Pontífices parecem não permitir. Ou por outras palavras, permitem mas recomendam distância com o objecto dos seus amores. O que o meu amigo João Cardoso não sabe, mas eu sim pelos meus vínculos com o Vaticano, é que o Bispo Camerlengo de Wojtila, vivia com o seu companheiro durante anos e Karolus, com o seu poder, fez esse favor ao seu amigo para não se condenar. Retirou da lista dos pecados que matam a alma a relação homossexual. Como João Cardoso, também espero que os CDS-PP e outros da fé romana, deixem o armário como o Deputado Miguel Vale de Almeida fez, causa que apoio vivamente. Estou mais certo que João Cardoso que Ratzinger deve retirar o conselho de castidade, aceitar as várias formas de família que existem como no resto de Europa. O germânico-romano deve pontificar, retirando do catecismo os conselhos de castidade pelo menos.

O restante já foi feito por Bento XVI: ao colocar ao seu compatriota Karl Heirich Marx no seu lugar ao reconhecer que o único que entendia de alienação e do pecado de ser capitalista eram Marx e Jenny sua mulher, a Baronesa Johanna von Westphalen que abandonara a Corte Imperial da Prússia e redigiu o Manifesto Comunista na base das ideias de Karl Heinrich, Engels e as suas próprias. Deve aparecer em Maio e espero bem que multidões apareçam para colocar Portugal entre os países modernos da Europa, como deve ser. Como a radicalmente católica Espanha fez.

Se Ratzinger diz tudo isto, contra as ideias da Cúria do Vaticano, é evidente que não será amedrontado por um país como o nosso, que, em breve, terá a sua liberdade de amar, será transparente como a vida do amor que aquece. Não há infalibilidade pontifical para a arte de amar. Wojtila amou, casou, enviuvou e a sua tristeza levou-o ao Pontificado mais aberto que o do João XXIII e do Pio XII, que salvou imensos hebreus da fogueira, levando-os ao Vaticano, ao seu paço de verão em Castelgandolgo, mandou Bispos e Sacerdotes ocultar judeus. Se já Cavaco é acusado de manipulações, o que fará com um revolucionário Ratzinger, que devia andar com o Bloco?

Os Pontífices sabem o que fazem. Se assim não fosse, não eram pontífices! Não perdem clientela e a pouco e pouco a nossa liberdade de opção arrebita. Se assim não fosse, Marx estaria ainda na lista dos livros proibidos, o melhor incentivo para a sua leitura….Luteranos, Anglicanos, Maronitas , Ortodoxos Russos e Gregos, como também os Arménios, aceitaram as formas de matrimónio que a livre opção, ultrapassados os de debates de Hipona (Santo Agostinho é também denominado) e menos valia luterano da salvação pelas ideias de Calvino e Knox, abrem-se as formas modernas da paixão.
É sabido que não sou um homem de fé. Mas, entre os meus estudos de Direito, Ciências Sociais, Antropologia, fundador de Cristãos para o socialismo e membro do grupo de Leonardo Boff, Frei Betto e a Teologia da libertação, teologia que me tem levado a estudar profundamente o Direito Canónico, Patrística, Catequese e os textos do Marx Luterano, com um Jack Goody a morder o meu calcanhar para eu entender como decorrem as relações sociais na nossa interacção social, aprendido por ele do nosso desaparecido professor Meyer Fortes, que aprendeu de pontificado pelo nosso pai fundador, Malinowski.
As famílias mudam, facto que deve ser aceite ou uma revolução é capaz de estalar. A paixão é uma força da natureza , que nem os Pontífices conseguem parar.

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