ETICA E EDUCAÇÃO -2ª PARTE (3)

ETICA E EDUCAÇÃO – 2ª PARTE (3)

Educação dos problemas éticos ligados à pobreza e à prosperidade

 Toda esta religião do mercado, todos estes rituais dos sacerdotes do poder espalhados pelos cultos reverenciais do dinheiro são consagrados em cimeiras onde um profundo défice de moralidade define a repartição do que ainda resta para roubar. Toda esta lógica neo-liberalizante, tão cara ao primarismo de tantos chefes de estado e seus correligionários, insensível à exclusão social e à generalização da pobreza, tende à anulação do homem, à minimização da presença do estado, à privatização de tudo o que é rentável e à promoção de uma cultura de gestão cuja meta não é outra senão a mecanicidade da sociedade, em que os homens tendem a não ser mais do que peças.

A actual globalização é o cenário do desenvolvimento desigual. Problemática e contraditória, dissolve espaços e tempos e impõe padrões e valores profundamente controversos. Centrada numa competição onde só intervêm os grandes grupos económicos, com desmesurado poder de controlo do capital e mercados, envolve grandes riscos e ameaças, não só para os trabalhadores mas para a humanidade em geral. Reduzindo o trabalho humano a uma mercadoria, subordina-o à escala global. Privando os empregados de todos os direitos de participação, leva à acumulação aguda da riqueza nas mãos de uma minoria, em detrimento de quem trabalha e do desenvolvimento social. A globalização competitiva adultera o conceito de desenvolvimento, identificando-o falaciosamente com crescimento económico, modernização e eficiência, tomadas abstractamente, onde interagem apenas os agentes do dinheiro na mera defesa dos interesses individuais. Deixa esmagar os anseios sociais pelos grupos económico-financeiros transnacionais, sacrifica a diversidade e a soberania, globaliza tudo à custa das economias nacionais, à custa do que é local, do diferente, do singular. Sob o eufemístico prisma do desenvolvimento, promove-se todo um conjunto de relações excludentes e politicamente totalitárias, gerando um infernal sistema progressivamente concentrador e destruidor. Quanto mais riqueza e poder concentrados, maior desigualdade, maior potencial de desordem e violência, maior ingerência no coração dos povos soberanos. Veja-se, como exemplo, a tragédia de milhões de argentinos que fizeram do país a terceira potência económica da América Latina. A cega ortodoxia e desumana insensibilidade do FMI aliada à irresponsabilidade, falta de sentido de Estado e à corrupção das elites dirigentes levaram à inevitável catástrofe. (Continua)

 

                       (manel cruz)

(manel cruz)

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