ETICA E EDUCAÇÃO – 2ª PARTE (4)

ETICA E EDUCAÇÃO – 2ª PARTE (4)

Educação dos problemas éticos ligados à pobreza e à prosperidade.

 

Não aceito facilmente que se dê às mudanças contemporâneas o nome de revolução da incerteza, embora compreenda que a pós-modernidade é o lugar, por excelência, do efémero e do fugaz. Esta pseudo-incerteza, resultado de bruscas mudanças da modernidade e de um coro de vozes neo-liberais, claro que acarreta muito de imprevisível.

 

Para quem tem da vida um sentido solidário, não hedonista e não individualista, esta sociedade fascina e apavora, exactamente por haver muitas certezas. Fascina pelo desafio de uma globalização de cariz humano que poderia ser profundamente enriquecedora, apavora porque, conhecendo nós as práticas anteriores do capitalismo, vemo-las reforçadas e requintadas na sociedade capitalista globalizada.

 

A ética na educação obriga a pensar e a reflectir na descoberta de alternativas humanas e humanizantes. Esta democracia de faz-de-conta, individualista e oligopolista, tem de dar lugar a uma democracia enraizada na diversidade e na complementaridade de todos os seus intervenientes. O desenvolvimento só é desenvolvimento no sentido positivo se decorrer dos potenciais contidos em cada pessoa, em cada comunidade, em cada região, em cada nação.

 

Não nos iludamos, só reconhecendo o valor de todos os seres humanos, fomentando a complementaridade, a sociabilidade e a irmandade entre as pessoas, as comunidades e as empresas, se consegue progredir no verdadeiro e global caminho da evolução que merece o nome de desenvolvimento, a grande mais-valia dos homens para quem o dinheiro não é nem pode ser um fim em si mesmo.

 

Se os grandes e poderosos fossem sensíveis e humanos, o que é um contra-senso, entenderiam que a esta ameaçadora globalização acima das liberdades e das consciências, deveria contrapor-se uma inserção internacional, caracterizada pela interdependência sem dependência, procurando explorar as sinergias entre mercado interno e externo. A abertura internacional, mais do que um meio de agigantar a eficiência económica, grande catalisador da exclusão social e da destruição ambiental, deveria ser um objectivo em si mesma, estimulando a cooperação e a circulação de experiências técnicas e sócio-culturais.

 

O desenvolvimento descentralizado, a auto-suficiência regional num espaço global, a consciencialização das enriquecedoras diferenças entre as dinâmicas regionais, nacionais e globais, a participação democrática e a socialização da partilha política são formas de desenvolvimento que levariam à participação da sociedade civil nas tais cimeiras de discussão das decisões de interesse público, aprofundando o enraizamento social dos processos políticos. (Continua)

 

                          (manel cruz)

(manel cruz)

Deixar uma resposta