ETICA E EDUCAÇÃO – 2ª PARTE (6)

ETICA E EDUCAÇÃO -2ª PARTE (6)

 

b) Educação no tratamento dos problemas éticos ligados à informação. Simples reflexões sobre um tema demasiado complexo

 

Os grandes males dos predadores da humanidade, como o egoísmo, a segregação, a maldade, a ambição e a ganância são os ingredientes do grande caldo da competitividade, do culto da eficácia que mais não visa do que manipular homens com etiquetas de preço e comportamentos negociáveis, para fazer do cidadão um cliente desprovido de razão, vontade e emoções, tão desmiolado e rentável quanto possível.

 

Para isso, os poderosos apropriaram-se da maior de todas as armas, a grande arma dos déspotas, a comunicação social, a informação, melhor dizendo, a desinformação. Os meios de comunicação servem os fins políticos e económicos, por isso são um instrumento de poder. A informação como formação já não existe, passou a ser praticamente desinformação, e a desinformação arrasta para a desigualdade, facilita a injustiça e acelera a segregação. Tudo o que a informação globaliza torna-se virtual.

 

As ideias transfiguram-se na magia da electrónica, robotizando o indivíduo e impedindo-o de encontrar pontos de referência na reflexão política e social. A omissão, a falsificação, a mentira, a vulgar deturpação dos factos conforme os interesses constituem, hoje, a grande arma dos senhores do poder, bem mais mortífera do que as bombas e canhões. Estes matam o homem, a desinformação mata o homem e a ideia.

 

Lembro-me de ter lido umas palavras de Berlusconi, há mais de vinte anos atrás, que diziam o seguinte: “para que uma televisão dê lucro tem de estupidificar as massas”. Também, Já em 1965, Paul Sethe dizia que “a liberdade de expressão é a liberdade de 200 ricos difundirem a sua opinião”. Nordcliffe, magnata da imprensa inglesa, corroborava da seguinte forma: “Deus ensinou os homens a ler, para que eu possa dizer-lhes a quem devem amar, odiar ou aquilo em que devem pensar”. (Continua)

 

                        (manel cruz)

(manel cruz)

Comments


  1. Sethe, nos seus longínquos 1965, não conheceu a internet e os blogs. Talvez hoje não dissesse o mesmo. E Berlusconi não estava a teorizar uma doutrina de controle mediático das massas, estava a constatar um facto puro e duro. Lamentável para alguns, mas um facto. As massas preferem a estupidez, por isso é que o Mezzo ou o Aventar têm menos sucesso do que a TVI. As massas, por outro lado, têm esse direito, de ver e ler o que lhes apetecer. E daqui advém a importância da educação e da cultura.Fui jornalista muitos anos e esta teoria conspiratória dos “poderosos” controlarem a comunicação social está realmente muito mal contada e pensada. A comunicação social, na sua esmagadora maioria, são empresas. E como todas as outras empresas, procuram o lucro (ou,. pelo menos, não terem prejuízo…). É assim que garantem os vencimentos do pessoal que lá trabalha. Não digo que não haja, aqui e ali, relações perigosas com o poder político, religioso ou judicial, etc., mas não é certamente a regra nem é legitimo generalizar. Mandam sobretudo os interesses comerciais. E depois, para equilibrar, existem as deontologias e as éticas e os sindicatos e as ordens e os blogs. Etc. O que o Berlusconi constata, enquanto empresário do sector dos média, é que um produto mediático para ter sucesso comercial no mercado, tem de manter a bitola baixinha. Isso não é ser sinistro, é ser realista.

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