Disso não precisamos

Perguntaram-me já, imensas vezes, porque raio é que eu, sendo jovem, não gosto do Pedro Passos Coelho. Eu respondo, invariavelmente, que se eu seguisse as guidelines que regem os jovens ditos normais, nem sequer saberia quem era o Passos Coelho.
Há políticos que gosto, outros que não gosto e outros que me são completamente indiferentes. Passos Coelho enquadra-se um pouco na segunda e terceira categoria. Chamem-lhe preconceito se quiserem, mas tenho tendência a desconfiar de alguém que entrou para uma jota aos 14 anos e depois pouco fez sem ser participar na vida partidária. Eu sei bem, por experiência própria, o que pode fazer uma entrada precoce numa juventude partidária, seja ela qual for. E depois, parece-me que Passos Coelho é, todo ele, um político de plástico. O que diz, o que faz, os gestos, os maneirismos, os sorrisos. É tudo tão flagrantemente planeado. Não lhe ouvi uma ideia de jeito; ele diz o que ele pensa que as pessoas querem ouvir. Também não posso dizer que o ouvi propor muita coisa. Sempre que abre a boca é para mandar indirectas a Manuela F. Leite, como aconteceu no programa dos Gato Fedorento.
Mas anda muita gente entusiasmada com este senhor. Especialmente pessoas do PSD. É compreensível. Afinal de contas, ele é bonito e fica bem na televisão. Tem um bom timbre, uma boa voz. Não comete gaffes. E eu, que nem sou nada dada a profecias, vou fazer uma: Passos Coelho vai ser, mais tarde ou mais cedo, eleito Presidente do PSD. E provavelmente irá tornar-se Primeiro-Ministro. E aí sim, vamos verificar que Passos Coelho vai ser outro Sócrates. Talvez não tão mau. Mas parecido, sem dúvida. E disso o país não precisa.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Com toda a razão, Daniela, só não precisavas de dizer que ele é bonito…

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