A grande «débacle» do Bloco de Esquerda (onde se fala de um CDS que não foi a votos)

O Bloco de Esquerda sofreu uma grande derrota na noite de ontem. Quem esperava a continuidade dos resultados das Legislativas deve ter sofrido uma grande desilusão. Para além de provar que não está minimamente implantado ao nível do poder local, viu-se que nem nas grandes cidades o está. No Porto, continua sem eleger vereadores. Em Lisboa, perdeu mesmo o único que tinha.
A verdade é que, em Lisboa, o Bloco foi prejudicado pelo chamado «voto útil» – utilizado por todos aqueles que receavam uma vitória de Santana Lopes. No Porto, foi – inexplicavelmente – o costume.
Comparações com o PRD, essas, são pouco avisadas. O Bloco já tem uma estrutura minimamente organizada, tem o seu eleitorado fiel e tem uma história. O PRD nada tinha e por isso desapareceu tão rapidamente como tinha aparecido. Não é o caso do Bloco.
Quanto ao CDS, como disse aqui o João Paulo, não foi a votos. Coligou-se com o PSD em muitas Câmaras e, quando não se coligou, foi uma nulidade. Ou a demonstração de que a dinâmica das Autárquicas nada tem a ver com a dinâmica de umas Legislativas, através das quais o CDS ganhou o poder de ser o fiel da balança nos próximos anos.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Em termos de capacidade de crescer nenhum partido o conseguirá sem estar implantado a nível autarquicoE o BE não conseguiu essa implantação.É muito mau sinal. A queda do PRD começou por aí!

  2. Ricardo Santos Pinto says:

    O PRD existiu durante 2 anos e cresceu desmesuradamente de um momento para o outro. O BLoco tem crescido de forma sustentada, devagarinho, ao longo de 10 anos. O facto de não ter implantação autárquica significa isso mesmo – que, a nível autárquico, nunca passará disto. O CDS também não tem implantação autárquica e não é por isso que corre o risco de desaparecer.

  3. maria monteiro says:

    o BE é um partido “não abençoado” pela Igreja… para ter implantação autárquica são precisos muitos anos de trabalho árduo…


  4. O PRD existiu enquanto Ramalho Eanes soprou nesse balão. Quando deixou de insuflar ar, o PRD esvaziou e desapareceu. E o BE sem Louçã, será que lhe acontece o mesmo? É preciso não esquecer que, para o bem e para o mal, o BE (tal como o CDS com Portas) tem no líder um forte chamariz eleitoral.

  5. maria monteiro says:

    também se dizia que o PCP sem ACunhal tinha os dias contados, depois dum CC demasiado “intelectual”, aparece Jerónimo que estraga todas as previsões…