ETICA E EDUCAÇÃO – 2ª PARTE (8)

ETICA E DUCAÇÃO – 2ªPARTE (8)

 c) Educação no tratamento dos problemas éticos ligados à esfera da saúde. Considerações sobre a necessidade de integração de conhecimentos ligados à saúde no âmbito da educação escolar e social

 Desde a civilização grega clássica aos nossos dias, a medicina e a ética sempre se cruzaram, mas só 2500 anos depois é que as questões do esclarecimento e da informação se colocaram no debate sobre ética médica. Em nenhum texto, desde a Antiguidade Clássica, até ao século XVIII, se ouviu falar em informar o doente. Foi nessa altura que tais questões começaram a surgir. No entanto, até meados dos anos setenta, o médico permaneceu sempre como um virtuoso, um homem que sabe e que está ao serviço do doente, pessoa fragilizada a quem a doença reduz a razão, e que se entrega de alma e coração nas suas mãos, não procurando saber, não questionando, acreditando piamente na sua capacidade de o curar.

 A medicina viveu séculos segundo o mandamento de que a saúde do doente era a lei suprema para os médicos. Hoje, a vontade do doente é a lei suprema do exercício médico. O chamado consentimento esclarecido, o consentimento após informação do diagnóstico, índole, alcance, envergadura e consequências da intervenção ou tratamento, é um direito dos doentes de hoje quando querem saber o que se passa. Mas a medicina triunfalista actual, empolgada por um admirável e quase inacreditável desenvolvimento da ciência e da técnica, mas também de um cientismo desertificante, rapidamente foi perdendo o “cuidar do doente” como objectivo central do seu interesse, começando a pôr de lado uma boa parte das imortais virtudes hipocráticas, sem as quais a medicina perde toda a sua humanidade.

 Por outro lado, a sociedade, ao invés de humanizar as leis, vai-as subvertendo no dia a dia, ao tecer a corda cada vez mais forte com que enforca cada vez melhor os mais fracos. Por isso, na educação para a cidadania, a informação do cidadão e os conhecimentos que deve possuir em relação à medicina e à saúde não podem limitar-se à sua situação individual. (Continua)

 

                           (manel cruz)

(manel cruz)

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