A arte de vivermos a vida dos outros como se fosse a nossa

Eu sou da opinião de que as figuras públicas têm que ter comportamentos ligeiramente diferentes das pessoas ditas normais. Especialmente se estas figuras públicas fazem parte do cenário político de um determinado país, ou seja, pessoas que possuam algum tipo de responsabilidade para com o bem-estar da população. E o comportamento de que falo está relacionado com questões de integridade e honestidade, e outros valores do género. Estes valores têm obrigatoriamente que estar presentes na vida profissional desta gente, por uma questão de ética e moral.

A vida privada já é diferente. Exemplo: eu posso criticar a postura do Cristiano Ronaldo dentro do campo. Posso criticar-lhe a falta de humildade, e falta de outras qualidades que ele, como futebolista e como ídolo de muitos, devia ter. Nunca me passaria pela cabeça criticá-lo pela vida pessoal que tem. A vida privada de cada um é isso mesmo: privada.

O caso do Tiger Woods, um homem com uma carreira fantástica, que ganhou imensos torneios e prémios e que de todas as maneiras honrou o seu país, é representativo de tudo o que está errado com a sociedade americana. Do escrutínio terrível por que passam aquelas pessoas. E agora, foi forçado a desistir da carreira que tinha por causa de um escândalo que nem sequer tem nada a ver com o desporto que pratica.

Se Tiger Woods consumisse drogas, ou se fosse acusado de dopping ai sim, tinha obrigação de se desculpar e de se retirar. Mas por amor de Deus, alguém me explica como é que possível que um desportista excelente seja obrigado a abandonar a sua carreira por ter tido relações extra-conjugais? Mas o que é as pessoas têm a ver com isto?

Esta mania, porque eu não consigo dar-lhe outro nome, de nos metermos na vida dos outros atinge, actualmente, proporções inacreditáveis. E infelizmente, é um fenómeno que se está a espalhar. Será que não há ninguém que se aperceba que isto é sintoma de uma sociedade muito doente?

Comments

  1. João Machado says:

    Marilyn Mason é uma figura pública e, em público, deve comportar-se como Marilyn Mason, foi isso que o tornou figura pública. Por isso tem um comportamento diferente. E exige-se-lhe que mande às malvas a integridade e a honestidade. Mas percebo o que quer dizer.

  2. Luis Moreira says:

    Tens razão, Daniela o problema é que estas figuras públicas ganham muito dinheiro a vender a vida privada, pretensamenre exemplar.

  3. Artur Moreira says:

    Percebo a ideia, mas não concordo em absoluto. No caso citado, não conheço o suficiente da carreira e postura do Tiger Woods para saber até que ponto ele próprio poderá ter contribuido para a sua exagerada exposição mediática.

    Outros casos existem, porém, em que são nitidamente os próprios que se expõem, que abrem a porta da sua privacidade a terceiros, como forma de obter visibilidade e alcançar determinado estatuto.

    Como em muitas outras situações, considero que nesta se aplica o velho cliché do “cada caso é um caso”, porque se me revolta (como à Daniela) a invasão de privacidade até aos seus limites mais extremos, também não me revolta menos ver figuras públicas que se servem dos “media” para daí colher frutos, vindo mais tarde assumir o papel de “pobres vítimas cuja privacidade é constantemente violada”.

  4. maria monteiro says:

    são essas figuras públicas que se armam em defensoras de todas as santidades… talvez por ter ido ver o filme 2012 apetece-me mandar pastar, mas para o inferno, muitas figuras públicas