Associação Ateísta Portuguesa

Exmo. Senhor
Prof. Dr. José da Cruz Policarpo
Cardeal Patriarca de Lisboa
vigararia.geral@patriarcado-lisboa.pt
Lisboa

Excelência:

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) vem manifestar a V. Ex.ª o seu apreço pela grande melhoria do estatuto do ateísmo aos olhos da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR).

Em 2008, no dia 13 de Maio, o senhor cardeal Saraiva Martins presidiu em Fátima à «peregrinação contra o ateísmo na Europa». No mesmo ano, V. Ex.ª, Sr. Cardeal, considerou o ateísmo o «maior drama da humanidade», maior ainda que a fome, as doenças, as guerras e o terrorismo religioso. Foi por isso com agrado que notámos o tom mais conciliatório desta última Homilia de Natal e da mensagem de V. Ex.ª por essa ocasião. Tal como V. Ex.ª, também a AAP defende que «Ser crente ou descrente não pode transformar-se em conflito, um motivo mais para as tensões e agressões mútuas entre os homens.» [Read more…]

Fazer sexo com 86 anos dá demissão?

A televisão passou um filme de Narayan Dutt Tiwar, 86 anos, com três mulheres na cama!

E não é que o governador da província de Andhra Pradesh (Índia) em vez de ser agraciado com a medalha de serviços distintos, longevidade e outros que merece teve que pedir a demissão?

Anda tudo louco? Agora também é escândalo amar mulheres e fazer sexo com elas, mesmo aos 86 anos ou, principalmente, aos 86 anos, nas noites frias de inverno até as lágrimas aflorarem aos olhos ( esta é  uma frase que li sobre os esquimós, e não esfreguem as mãos porque lá, nos esquimós, o inverno dura 6 meses).

Eu não percebo este mundo: “é tempo de acabar”?

Falando de sentimentos

Falando de sentimentos

 Ao ler o magnífico texto de Raul Iturra, “ No rasto da sexualidade caminha o amor…”, eu gostaria de deixar aqui a minha humilde opinião acerca deste e de outros sentimentos. Tenho muita dificuldade em dissecar os sentimentos (diferentes de pessoa para pessoa) isto é, em definir as incomensuráveis formas e manifestações dos sentimentos, até porque antes dos sentimentos há as emoções (diferentes de pessoa para pessoa), que lhes dão origem, e antes das emoções (diferentes de pessoa para pessoa) há as imagens (diferentes de pessoa para pessoa) resultantes dos estímulos que as provocam e aos quais cada pessoa reage de forma muito diferente, conforme o seu padrão neural.

Sem falar na apropriação do sentimento (o sentimento de si), na reflexão e na consciência que sucedem ao sentimento (diferentes de pessoa para pessoa). A emoção causada pelo apontar de uma arma, por exemplo, e o sentimento de medo, bem como a reflexão e a consciência a que leva essa emoção são muito diferentes entre um filho meu e um filho das favelas do Rio de Janeiro.

Assim sendo, os sentimentos constituem um mundo tão vasto de diferenças que me parece podermos incorrer em algum grau de estultícia, ao pretendermos dissecá-los, dimensioná-los, fraccioná-los, escaloná-los, hierarquizá-los, atribuir-lhes uma cronologia e uma metodologia intrínsecas, fora do campo neuro-científico. E mesmo aí (!?), quando o conseguiremos? Penso que nem é muito seguro abordá-los com algum grau de confiança dentro dos campos da psicologia, da filosofia e da sociologia. Há um único contexto em que me parece legítimo atrevermo-nos a abordar parcialmente e de forma particular os sentimentos e com eles lidar como matéria, contexto esse que se situa apenas no campo da arte. No seio do contexto poético, literário e musical, por exemplo. Mesmo assim, com a prudência de nos contentarmos apenas com a plumagem, as cores, a luz e o som.

Quando a “Biologia do espírito” for uma ciência incontestável dentro da neurobiologia, como espero, aí sim, podemos analisar e dissecar os sentimentos como fazemos hoje com as orações de um texto. Sem medo de que eles percam a beleza da mais nobre essência do ser humano.

nÃO sEJAS dURO dE oUVIDO – dEZ/09 – # 13- Jonsi & Alex:

Foi em Julho de 2009, ainda viciados no último dos Sigur Rós, que o seu mentor e vocalista nos oferecia um dos melhores trabalhos do ano: Riceboys Sleeps, agora através do seu projecto pessoal Jonsi & Alex, a meias com o seu companheiro. Absolutamente genial como sempre, como tudo em que se envolve.

Os gays aceitam esta vergonha?

O PS diz que aprova o casamento gay mas deixa de fora a “…adopção atendendo ao superior interesse das crianças…”

Eu nunca disse isto, tenho dúvidas, não percebo o interesse na palavra “casamento” mas enfim, se as pessoas são mais felizes…

Quanto à adopção, e depois de umas belas conversas com as meninas da Jugular, estou profundamente crente que o mais importante é o caracter das pessoas, não a sua orientação sexual.

Vir do seu próprio campo o mais vergonhoso, rasteiro e afrontoso argumento é que me deixa em paz, tantas foram as vezes que me chamaram homofóbico.

Os senhores deputados da quota do Simplex, não se demitem? Não deixem assim, um pobre cidadão, que teve a honestidade de colocar dúvidas, mas que se modificou e muito, em relação a estes temas. Mudei de ideias por ser fraquinho nas minhas convicções? Do lado dos homossexuais porta vozes, só havia ambição?

Eu é que me sinto incomodado por alguem vir dizer que “…o superior interesse das crianças…” não fica salvaguardado com a adopção por homossexuais?

Eu, o homofóbico?

Não sei se é o chinês ou o caralho!

Ainda estamos no tempo das prendas

Antes  que o ano termine, uma prenda para todos os que nos visitam.

FUTaventar: BENFICA procura o futuro

O Benfica está a mostrar que está diferente. Está nos primeiros lugares do campeonato depois de ter feito uma exibição esmagadora contra o Porto.
Tem jogadores falados para outros grandes (menores que o Benfica, pois claro, que é o MAIOR clube do mundo) clubes da Europa – Di Maria, Javi Garcia, David Luis.

Real quer David Luis

Mas, meteu os pés ao caminho e foi ao Brasil procurar gente que possa ajudar a construir o Benfica do futuro próximo. Se por um lado são jogadores que a curto prazo podem ser alternativas aos craques do 11 inicial, por outro são miúdos com enorme potencial que tendo um bom período de adaptação ao futebol europeu podem vir a ser um caso sério: Kardec, Airton, Éder Luís.

FENPROF, FNE e os movimentos

Em Portugal existe uma espécie de pré-conceito para com as pessoas que estão nas organizações. Se houver uma bolsa para estas coisas, os “militantes” têm um valor muito abaixo dos independentes. O que só pode ser um mau sinal.
Obviamente há gente boa em ambos os lados – nos que dão algum do seu tempo livre para o bem colectivo ou nos que se limitam a viver a sua vidinha sem nada dar ao outro. Como também há gente menos boa, claro.
No ENORME movimento social que se gerou com a luta dos professores, a realidade motriz foi muito diversa e marcadamente prismática – não houve apenas um motor, houve vários. E isso foi o segredo do sucesso da mobilização, onde a Internet e os SMS tiveram um papel decisivo.
Sabemos TODOS que na FENPROF há muita gente do PCP, do BE e menos do PS e do PSD… Também sabemos que na FNE há muita gente do PSD e menos do PS…
Mas… há MUITA gente na FENPROF e na FNE que nada tem a ver com os partidos. E todos deveriam saber que a pressão exercida pela classe junto dos dirigentes sindicais é intensa, permanente. Sou dirigente da FENPROF, cumpro o meu horário integralmente na escola – exerço por inteiro os meus deveres sindicais de procurar perceber o que sente a classe. Não me sinto menor por ser dirigente sindical – era o que mais faltava.
Seria até um absurdo – deixaria o SPN para ser independente, criava um blog e por isso passaria a ser uma melhor voz da classe.
Não posso aceitar que se entenda, ainda que o poder o deseje, que os professores Trindade, Gonçalves ou Guinote representem mais do que uma estrutura como a FENPROF. Não representam. São importantes e ainda bem que existem… Cada um no seu lugar.

Proposta do ME para acordo com os sindicatos

Em formato pdf no site do SPN.

Tudo muito bem explicadinho, se não percebem à primeira, soletrem

Ana Gomes explica tudo às crianças:

Antes de mais, discordo por razões metodológicas (oiço invocar “razões tácticas” com estarrecedora hipocrisia). Ora, quem está disposto a pagar o preço político por fazer o mais difícil – afrontar os preconceitos culturais que vedam o contrato de casamento civil a pessoas do mesmo sexo – não deve deixar-se encalacrar pelo menos, pelo que já é social e legalmente aceitável. Tanto, que ainda recentemente um tribunal português confiou crianças a um tio assumidamente homosexual e a partilhar casa com outro homosexual.

Ler o resto no Causa Nossa (que neste caso também é minha).

o dia dos inocentes

Não consigo entender de que inocentes falo. Se dos históricos, esses bebés mandados assassinar por Herodes denominado O Grande, da família não judaica Idumeu, que derrubara a dinastia judaica Hasmonea, fundada pelo filho mais velho do Sacerdote Levítico Matatias, Judas o Macabeu. Rei que iniciou a dinastia Hasmonea, que reinou sobre a Judeia por mais de um século, até à entrada em Jerusalém dos Idumeu, todos eles denominados Herodes.
Herodes entrando em Jerusalém (36 adC). Miniatura de Jean Fouquet (entre 1470 y 1475)

Herodes entrando em Jerusalém (36 adC). Miniatura de Jean Fouquet (entre 1470 y 1475)

Este Rei, não legítimo por não ser Judeu, vivia no terror de ser assassinado, especialmente pelo anúncio profético de Jeremias, Capítulo 31-versículo15 da Bíblia, que diz que Raquel, sacerdotisa judaica, ia chorar sobre os seus filhos mortos (ver também Raquel citada no livro de Jeremias na Bíblia Judaica, adoptada por todas as confissões cristãs de hoje em dia) Flávio Josefo, historiador judaico, que narra a vida dos Idumeus, nada diz sobre matança de bebés. Apenas Mateus, no seu evangelho, recolhe a profecia de Jeremias no Capítulo 2, versículos 13-18. No Capítulo 18 diz: Uma voz se ouve em Ramá, lamentação e gemido grande: é Raquel que chora seus filhos, e recusa ser consolada porque não existem… [Read more…]

Um provinciano

Quando o meu filho foi estudar para Milão e depois para Haia, basicamente disse-lhe que ele iria encontrar gente da mesma idade com comportamentos, hábitos e valores diferentes, o que não queria dizer que estavam errados. Cada um de nós resulta das circunstâncias que umas vezes encontramos, outras vezes são as circunstâncias que nos encontram a nós, do ambiente familiar, da educação…

Logo, seria natural que, uma vez ambientado, conhecesse amigos e amigas que o convidariam para sair, jantar e tudo o que um jovem deve fazer. E ele, ou se encolhia na sua concha com medo da vida ou sairia a gozá-la, o que em nada contrariava os valores e a educação que tinha recebido. Deixei tudo muito claro. Perante um hábito sexual, ou de consumo de drogas ou de álcool, a questão resumia-se a explicar que respeitava muito as opções de cada um, mas que aquelas não eram as dele. Sem juízos de valor.

Isso não impediu que eu na minha primeira visita a Milão, depois de ele lá estar, não estivesse próximo de um ataque cardíaco quando percebi que uma amiga dormia no quarto dele em cima de um colchão. Faziam intercâmbio, os de Milão iam passar fins de semana a Roma e Veneza e vice-versa.

Quando eu vim para Lisboa (reparem para Lisboa) o meu pobre pai não foi capaz de me dizer nada, a não ser que sendo eu jovem, havia o perigo de uns gajos mais velhos… enquanto um soluço abafava o que ele não era capa de encarar de frente. Que esses perigos existem e é preciso enfrentá-los.

E lá vim eu de “mala de cartão” na mão e aterrei em Santa Apolónia, onde sou de imediato assediado por um gajo que me diz “é pá, tu não és o Couto?” e eu que sim, e quando dou comigo estava dentro de um mini vermelho, conduzido por um gajo que nunca tinha visto na vida, a atravessar Lisboa, até a um bairro ( que mais tarde soube ser Alcântara) onde me esperavam os amigos de Castelo Branco.

Claro, andei a ser gozado meses seguidos…

O bispo de Lamego foi eleito por quem? E representa o quê?

“É bom que a sociedade civil que elegeu os deputados se pronuncie. Nem sempre os deputados representam a sociedade civil”, argumenta o bispo de Lamego (…)

nos treinos para 2010, onde os bispos preparam para atacar o centenário da República que lhes tirou os privilégios, e em que seremos visitados pelo único chefe de estado não eleito da Europa (ainda há reis, mas essencialmente como papel de parede).  Um ano em que o disparate promete boas colheitas, sendo mesmo previsível a existência de excedentes de produção, permitindo exportar um produto que ainda cultivamos através de processos artesanais. E assim se combaterá o défice.

Professores e Ministério: não há fretes para ninguém

Parece que hoje é o dia P. P de proposta! Correcção pós-publicação: no site do SPN já podemos ler a última proposta do ME.
A luta dos professores é pela dignidade das suas carreiras, mas é também algo muito mais amplo do que isso. Por um lado trata-se de mostrar a toda a população que nem um governo maioritário consegue vergar a maioria do povo e, prova, também por isso, a todos os poderes e respectivos pretendentes que não é possível fazer tudo, ainda que às vezes pareça.
Depois das eleições, o PSD avança com as duas mãos para uma espécie de acordo com o PS, o que até nem foi mau para resolver um problema que estava criado – o da avaliação dos dois últimos anos. E desde então as reuniões entre os sindicatos e os novos donos da 5 de Outubro foram-se sucedendo.
O Bloco central de interesses, PS e PSD colocaram as suas máquinas no terreno – o PS pelo lado do governo e em alguns movimentos de opinião unipessoais. O PSD através da FNE.
Acontece que as propostas do ME não são melhores que as de Maria da Lurdes – e se os problemas, antes, eram as opções políticas, não é por mudar de personagem que o enredo muda. Isto é, a “Santa” pode passar de Lurdes a Isabel, mas o pecado continua lá. E por isso só posso aplaudir, como se de um golo do Saviola se tratasse, as declarações de Mário Nogueira ao Rádio Clube.

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Erros primários…Sra. Ministra

Erros primários e grosseiros com desastrosas e irremediáveis consequências

 A Senhora ministra da Saúde parece-nos boa pessoa e uma pessoa bem intencionada. O mesmo não diremos da sua capacidade para realizar o que quer que seja de marcante e de transformador. Em primeiro lugar, porque não nos parece ser pessoa de garra, sendo mais evidente, para nós, que apenas preenche o lugar na máquina PS. Máquina demolidora e destruidora de tudo o que de positivo fomos conquistando, a passo de caracol, no campo da Economia, da Educação, da Saúde e da moral.

 A Senhora ministra da Saúde está preocupada com a saída dos profissionais de saúde do sistema público para o privado, afirmando que vai trabalhar para aumentar o ânimo e a motivação dos funcionários do Serviço Nacional de Saúde. “Preocupa-me um pouco a saída, principalmente porque há uma fatia de profissionais de grande experiência que estão a sair, profissionais que se formaram dentro do sistema público, que são os responsáveis pelos bons desempenhos e que são também os formadores dos mais jovens”.

 Até daria vontade de rir, se a situação não fosse de amargura. A Senhora ministra preocupa-se um pouco, com o mais grave problema da assistência médica em Portugal, ou seja a destruição do Serviço Nacional de Saúde, por ironia, desenvolvido nos tempos mais sérios do PS. [Read more…]

A máquina do tempo: em demanda de Eça* (1).

Primeiro de Agosto de 1900. Lisboa está transformada num caldo morno. No Rossio, onde páro para beber um fresco capilé, à sombra dos prédios, nos cafés e esplanadas discute-se política, a revolta dos boxers, mas sobretudo o atentado mortal contra o rei Humberto de Itália. Subo o Chiado, lentamente, parando de vez em quando para me abanar com o «palhinhas».

Quando entro na redacção da Rua Larga de São Roque, o Neves tem um ar «de caso». Vejo logo que há mouro na costa. O Neves é um major de artilharia na reserva a quem a administração do jornal confiou a chefia da redacção. Coxeia de uma perna, recordação de uma zagaiada em Coolela, voz estentórea, modos bruscos – «oficial e cavalheiro», costuma dizer-se. O Neves esqueceu decididamente a segunda premissa da função castrense.

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Apontamentos de Inverno (4)

Montouto

(Montouto, Galiza)

Vergonha

Quando surgiu essa coisa do bicho chamado “Gripe A”, sossegaram que no calor não haveria grande perigo. O pior iria ser mesmo durante o frio. Pois bem, o frio veio em força e afinal não há modo do predito bicho atingir o pico. Se calhar é por causa da chuva. Se calhar o tal bicho não se dá nem com o calor nem com a chuva. Ou seja: virou vedeta e agora para atacar tem que se lhe dar condições especiais.

Assim vai ser difícil atingir os 3 milhões de infectados em Portugal que estavam previstos pela Direcção Geral da Saúde, com um pico calendarizado para meados de Novembro que não aconteceu.

Isto é uma vergonha: não se atinge os objectivos do controlo do défice, nem do controlo do desemprego, nem do crescimento económico, e agora nem do número de infectados com “Gripe A” cujo pico pandémico já deveria ter acontecido.

Uma vergonha!

O caso de Colton Harris-Moore: o criminoso herói

Foi do portuense Siga ou do norte-americano Jesse James que me lembrei quando conheci o caso de Colton Harris-Moore. Nos EUA comparam-no a Huckleberry Finn ou a Robin dos Bosques. Prefiro vê-lo como apenas como um criminoso jovem, embora com estilo, e não como um justiceiro que rouba aos malvados ricos e entrega aos pobres ou uma simples vítima órfã de um pai cruel.

Colton Harris-Moore

Tal como Siga, criminoso jovem desde criança, Colton Harris-Moore entrou no mundo dos assaltos muito cedo. Tal como Jesse James é encarado como um rebelde com causa, cheio de estilo e a quem apetece ajudar e bater palmas.

Colton Harris-Moore só tem 18 anos mas uma vida cheia de aventuras. Num churrasco de família, ele, criança, e o pai discutiram, tendo terminado com o homem a apertar o pescoço ao miúdo. A mãe saiu de casa e levou-o. Ainda não tinha feito nove anos e já a polícia o procurava. Tinha roubado uma bicicleta. Foi o primeiro de um currículo gigante, construído em dez anos.

A seguir às bicicletas vieram automóveis, barcos e aviões, que pilotou mesmo se ter qualquer aula, tendo sido quanto baste a leitura de um manual que encomendou pela internet. Ao longo de dez anos foi construindo uma legião de fãs através da internet. No YouTube há hinos que o glorificam. No Facebook tem milhares de seguidores. Que se saiba, nenhuma delas foi vítima de Colton.

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Alentejanos do mundo

                    (adão cruz) (adão cruz)

Aqui há uns anos, no trajecto do aeroporto de Antuérpia para o hotel, um patarata de um funcionário de uma empresa farmacêutica, divertiu meio autocarro com anedotas de alentejanos e de pretos. Até na Bélgica os alentejanos e os pretos foram chamados à baila para fazer cócegas à mediocridade! Não tive coragem de o mandar abaixo de Braga porque era longe, e hoje estou arrependido.

Eu podia estar calado, mas respeito as pessoas e a verdade, e sinto, apesar de incapaz, uma grande obrigação de as alertar para as lavagens mentais do nosso povo. Enquadram-se neste esquema as anedotas referidas que, a brincar a sério, não têm outra finalidade senão injectar nos cérebros menos atentos, a ideia de que os alentejanos e os negros são estúpidos e malandros, grosseira forma de escamotear a sua consciência política de explorados, que muitos dos portugueses explorados não têm. Pretos, alentejanos, sul-americanos, asiáticos, muçulmanos, os “avessos” do homem, os “paralíticos” do tempo e da inteligência, negra como a pele e magra como a fome! Ou os índios mexicanos de Chiapas, uma espécie de alentejanos lá do sítio, uma enorme fartura de fome para engordar ditaduras de séculos. O que se pretende é fazer crer que os “alentejanos” deste e de outros países são todos umas anedotas, uns malandros e subversivos, que têm de ser metidos na ordem, a fim de que a sua fome continue a ser o sustento da voraz “inteligência” dos finos e dos espertos.

 A minha vivência, a minha profissão e as minhas leituras proporcionaram-me durante décadas, um contacto muito estreito com as diversas gentes, brancas e negras, alentejanas e minhotas, portuguesas e estrangeiras. O suficiente para considerar quem quer que veja a inteligência a preto e branco, amarelo ou mestiço, ou quem quer que alentejane a estupidez, como um infeliz que não atingiu a maturidade mental.

 

nÃO sEJAS dURO dE oUVIDO – dEZ/09 – # 12- Animal Collective:

Estava 2009 a começar (Janeiro) e os Animal Collective lançavam um dos melhores trabalhos do ano: Merriweather Post Pavilion. Um trabalho genial e que só podia entrar nas escolhas de 2009.

Erros médicos

no rastro da sexualidade camimha o amor;no rastro do amor caminha a sexualidade

NO RASTRO DA SEXUALIDADE CAMINHA O AMOR

NO RASTRO DO AMOR CAMINHA A SEXUALIDADE.

Ensaio de Etnopsicologia.

amor

amor

A frase que me serve de título, não é minha. Retirei-a de um texto sem autor que comenta as ideias de Freud sobre o amor. Amor que, no texto de 1908, O eu e o isso, tal como no de 1905: Três ensaios sobre sexualidade (comentados anteriormente neste blogue), é definido como pulsão, a qual, como o autor a pensa no texto de 1915: A pulsão e as suas vicissitudes, é um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático, como o representante psíquico dos estímulos que se situam no consciente, acautelados pelo Id do inconsciente. Definições que podem ser lidas em http://classiques.uqac.ca/classiques/freud_sigmund/freud.html.

No presente texto quero falar eu. Sempre defendi a ideia de que o amor surge primeiro e, a seguir, o desejo. Freud coloca o desejo antes do amor, porque tinha como objectivo curar neuroses, atribuídas à falta de satisfação da libido. Eis porque define amor como pulsão. Aliás, o próprio autor tinha problemas pessoais com o sentimento amor. A energia de Eros (libido) faz referência a tudo o que pode sintetizar-se como amor, incluindo: o amor a si mesmo, aos pais, aos filhos, à humanidade, ao saber e aos objectos abstractos. Nele convergem pulsões parciais de ternura, ciúme, inveja e desejos sexuais orientados para os mesmos objectos. O amor é, assim, apresentado como uma ampliação do conceito de sexualidade e ao mesmo tempo ancorado na inadequação radical dos objectos à satisfação sexual, vinculada a um factor de desprezar inerente à sexualidade humana. Citação retirada do texto de Olivia Bittencourt Valdivia, publicado em A Linguagem Interminável dos Amores, Jornal do Federal Nº 34, 1993.

Esta é a teoria psicanalítica a falar. Mas, nós, como explicamos os nossos amores, e como entendemos se devemos distinguir idades e sexos para saber que o sentimento aparece primeiro: amor ou o da paixão? Sempre fui da opinião que o amor ia em frente da paixão. A paixão é a libido que orienta os nossos comportamentos e desnorteia a razão. Paixão que não aparece apenas na idade púbere. A paixão é um sentimento que é uma força da natureza e começa nos tempos em que, pela nossa frente, há quem nos alimente, nos agasalhe e nos aconchegue. Paixão é essa grande inclinação ou predilecção por esse ser humano, por quem nutrimos um grande afecto, violento, um amor ardente. É razoável que essa primeira paixão se materialize no seio da mãe que nos alimenta. Sentimento que perdura ao longo de toda a nossa vida e que, quando nos falta, provoca-nos tristeza. As mães têm essa vantagem na corrida de afectos perante os descendentes, corrida que acaba quando, em frente da criança, aparece um outro tipo de paixão. Uma afectividade diferente do seio que amamenta, convertido em amor pela pessoa que trata de nós na idade púbere.

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A torrar em lume brando

Como já todos se aperceberam Sócrates, não faz ideia nenhuma de como se sai desta situação, como não fazia quando a crise chegou. Mas há uma crise interna, estrutural que mina a capacidade do país e que tem sido escondida.

E a política do “tapa e esconde” continua como se vê pela tentativa de colocar nos centro do combate político o casamento gay e a regionalização. Não é que não sejam dois assuntos que a seu tempo devam ser dicutidos, as prioridades é que são outras, e tambem todos sabem quais são.

O desemprego que cresce sem cessar e a dívida que ameaça o desenvolvimento do país por muitos anos. São estes dois assuntos estratégicos que devem ser as prioridades e que devem concentrar todas as energias e toda a atenção.

Levar a oposição a desconcentrar-se destes dois assuntos chave e a esquecer o orçamento que irá materializar as políticas que realmente vão ser seguidas, é uma tentação para o primeiro ministro.

Igual tentação é apontar o dedo a Cavaco sempre que este tome uma decisão, seja ela qual for. Há sempre espaço para repartir responsabilidades, vitimizar-se, quiçá estender o tapete a decisões precipitadas resultantes do calor da luta.

Numa palavra, esta situação em lume brando é que não interessa ao governo, está só, já queimado, a apurar (se esta imagem de cozinha é permitida) para ser servida na mesa da sua incompetência, mentiras e suspeitas de compadrios.

A máquina do tempo: Batuko Tabanka – ponte entre Cabo Verde e a Galiza

Tenho aqui dedicado alguns textos, quer a Cabo Verde, quer à Galiza, dois países irmãos, duas culturas intimamente ligadas a Portugal – a galega a montante, nos alvores da nossa identidade, a cabo-verdiana a jusante, consequência das nossas navegações e do povoamento que fizemos das terras que nelas achámos. Ligações entre essas duas culturas? Não parecia fácil. Mas existem e não são poucas.

Há uma colónia de cabo-verdianos na Galiza, maioritariamente constituída por homens do mar e suas famílias. Um grupo de doze mulheres de Cabo Verde, residentes em Burela (Lugo), ensaia desde há cerca de uma dezena de anos, recuperando ritmos ancestrais como a «Batuka» que escutámos no vídeo acima. Amigos do Aventar, vou hoje falar destas corajosas mulheres que não querem que a memória e a voz da sua cultura se percam.O grupo nasceu durante um jantar em Burela. Uma das actuais componentes do grupo, perguntou: por que não batucamos como as velhas da nossa terra? E a pergunta, como uma semente, germinou e floresceu, resultando no «Batuko Tabanka». [Read more…]

Casa Pia

É inacreditável como este governo, este PS e esta Justiça se conseguem aguentar sobre todo o monte de esterco onde assentam os pés! A gente costuma dizer, em momentos menos bons, que a vida é uma merda. Para o governo, o PS e a justiça, isso seria uma expressão sem qualquer significado pejorativo, e com carácter de uma incrível redundância, dado que, na fossa em que larvam, merda seria uma espécie de aletria.

Privilégios – O Estado pode matar ?

Lembramo-nos ainda todos do assalto à Agência do BES ali ao Parque Eduardo VII.

Os dois assaltantes foram mortos a tiro por dois “snipers”, que friamente e a mando de quem nem sequer estava no terreno, esperaram pacientemente que os dois rapazes lhes dessem a possibilidades de os abater.

A questão aqui é que a vida dos funcionários da Agência e dos clientes corria perigo.Compreende-se que a partir de certo limite o perigo de morte incline a balança para esta actuação.

Agora, comparece a situação com a do ourives que é chamado a casa para defender os seus bens que estão a ser assaltados. Fica em casa a acabar o jantar e apresenta a factura à companhia de seguros, ou tenta defender o que é dele?

No caso do Estado a violência é premeditada, calculista, estudada não há emoções misturadas. Quem mata, mata porque é essa a sua função, não tem a vida nem os bens em perigo. Não estou a dizer que não deve ser assim ou a emitir opinião, estou apenas a constactar um facto.

Agora quem, não tendo formação militar, que reage sob a emoção, correndo o tremendo risco de morrer, abate dois assaltantes, não tem a sua acção explicada perante a Lei ?

Então, o Estado que manda matar num caso é o mesmo Estado que pede até cinco de cadeia e acusa de Homícidio Privilegiado quem matou a defender o que é seu ?

Há um deus menor a tomar conta das nossas vidas a quem tudo é permitido!

Clube dos Poetas Imortais: Ernesto Sampaio (1935-2001)

Este é o último texto desta série, na qual privilegiei a presença de amigos e de poetas estrangeiros de língua portuguesa, pouco divulgados entre nós. Aglutinando esta a outra série, «Poemas com história», começarei em 2010 a série «Poesia & etc.», onde me debruçarei sobre poetas, vivos ou falecidos, eruditos ou populares, e, de quando em vez, um poema meu, de preferência inédito – sempre com paleio explicativo. Falarei também de poetas que nunca escreveram poemas. Digamos que o «etc.» do título é muito abrangente. Comecei este clube com o António José Forte e termino-o com outro poeta surrealista – Ernesto Sampaio.

Conheci o Ernesto Sampaio no café Gelo, em 1958. Na tarde de 16 de Maio eclodiram motins por ocasião da chegada a Lisboa, vindo da triunfal visita ao Porto, do general Humberto Delgado. Já houvera confrontos na estação de Santa Apolónia e repetiram-se, com maior violência, quando o general chegava à sede da candidatura, que funcionava no Teatro Avenida. No meio da refrega, encontrei-me lado a lado com o Ernesto Sampaio que conhecia, como já disse, do Gelo. E lá andámos na faina do arremesso de pedras, nos avanços e fugas – o trivial, nestas coisas. Já anoitecia, quando chegámos ao Gelo. Contámos aos outros, que tinham ficado à mesa do café a ouvir os rumores dos confrontos, o que se passara. [Read more…]

Os Imóveis do Estado

Há 910 entidades do Estado, das quais apenas 319 aderiram ao inventário.

Isto, apesar de haver uma Direção-Geral do Património que deve andar muito atarefada em gerir os bólides dos senhoes ministros e assessores.

Se nem sequer têm o inventário como fazem a gestão do imobilizado? Estão os imóveis a cair? Precisam de manutenção? Qual? Há rendas a receber? Quem as recebe? E quanto? Podem ser reabilitados e transformados por forma a tirar o melhor rendimento?

Como se percebe a tactica é a mesma. Confusão, ninguem sabe nada, um número restrito de pessoas pode fazer o que quizer. Arrendar, ficar com a massa, vender ao amigo e receber umas comissões.

Não interessa a ninguem clarificar as situações, ter o trabalho bem feito, haver transparência, gerir profissionalmente as situações.

A Direcção-Geral a quem está cometida esta tarefa, assobia para o ar, como não tivesse que dar explicações a ninguem, ninguem é demitido, anda tudo numa boa, vem dizer que a estrutura informática que comprou só faz o registo, não faz a gestão, é preciso começar tudo do principio.

Estas estruturas de gestão de imóveis existem há vinte anos, é só mexerem os pés, ver como se faz, há dezenas de empresas do ramo que trabalham com este tipo de ferramentas.

Ou então o Estado entrega o serviço a uma empresa privada, com relatórios sobre a situação e com propostas do que há a fazer em todos estes imóveis.

Mas é claro que não há pressa nenhuma, não há avaliação, assente no mérito, basta esperar sentado para progredir na carreira, os directores saem daquela Direcção vão para outra, paga o contribuinte, falta sempre pessoal…