Acordo com o ME e sentimentos

Escrevi em inúmeros posts algumas das impressões, pessoais, sobre o acordo com o ME. Na “sequência do exame final ao acordo” surgiu um troca de mensagens com Octávio Gonçalves e tendo por base o valor do acordo – positivo ou negativo?


Para continuação do debate recordo que SEMPRE defendi que a questão central da nossa luta era a divisão na carreira e não a avaliação. E, até por isso, penso defender que o acordo foi péssimo na dimensão avaliação. E que tal ideia não me impede de o ver como algo positivo na questão da carreira.
E, se positivo, logo desnecessário o caminho do parlamento – no parlamento devemos colocar o que é de lá: a contagem integral do tempo de serviço congelado. Isso, sim, é no Parlamento onde, repito, o PSD é a chave – os outros 3 não chegam.
Logo, não concordo com os movimentos que defendem que os sindicatos não têm autoridade para assinar o acordo em nome dos professores. Têm porque a Lei o garante e porque, eu João Paulo, Professor a tempo inteiro na escola, Dirigente do SPN e da FENPROF vou a votos, em processos integralmente democráticos. Sou eleito pelos meus colegas, ao contrário dos movimentos que resultam de vontades legítimas, mas de planos diferentes. Os movimentos são importantes, mas lembro que a FENPROF representa mais de setenta mil professores. Um detalhe – na página do SPN podem ver as inúmeras reuniões onde os dirigentes do SPN vão dar a cara, face a face, com os professores.
Entendo a centralidade dos movimentos de cidadãos e isso é uma presença no meu discurso, até nas reuniões internas do movimento sindical. Acho que o Mário Nogueira, enquanto líder da Plataforma, bem como todos os seus membros erraram em dois momentos:
– no memorando de entendimento, onde votei não, tal como a maioria esmagadora dos professores da minha escola;
– no tempo que demoraram a perceber a necessidade de marcar uma nova manifestação, creio que a de Novembro…
Mas, sou dos que luta por dentro, procurando em cada momento contribuir para a reflexão comum da classe. Onde? Na FENPROF, claro!
Por isso, defendo que em nada se justifica o discurso claramente anti-sindical: apelam à saída dos sócios – que percebo nas linhas que alguns, entre os quais o Octávio e também o Ilídio, escrevem. A título de exemplo, Octávio escreve isto no seu blog: “a esfregar na hermenêutica paupérrima e no tacticismo torpe de gente” referindo-se, entre outros a Mário Nogueira e João Dias da Silva. Adjectivos desnecessários e que nada acrescentam – perturbam e criam ruído à argumentação. Sei que os professores que dão a cara pelos movimentos não são todos iguais e que uns são mais “acessíveis” (não encontro outra palavra de momento) e que, por exemplo, em Vila Real, a relação “institucional” é excelente e cordial, mas… Uma coisa é o que se pensa e outra o que se escreve, ou antes, como se escreve.
Depois, importa questionar outra vez, porque creio que o Octávio não percebeu bem:

– a divisão na carreira (o fim dos titulares) acontece porque há acordo. Não vale, meu caro, dizer que quer a carreira Maria de Lurdes sem a divisão… Eu também queria muita coisa – mas, isso não é honesto. A divisão acaba porque há acordo. Repito, por isso a pergunta:
– entre a carreira Maria de Lurdes (com a divisão, claro!) e a que vai surgir do acordo qual preferem?
E, aceita a provocação: tirando a tua preocupação com a burocracia escolar, o que pensas de aplicar o acordo apenas aos sócios, enquanto todos os outros ficam com o Estatuto Maria de Lurdes?

Quanto à questão mais ampla da Função Pública, o adjectivo é mais uma vez mal escolhido – tudo o que nos acontece não acontece porque chove ou faz sol. Acontece porque vivemos na sociedade que vivemos, no país que temos e não outro. Ou achas que a Função Pública não nos vai “usar” como argumento. Podes, de forma egoísta, dizer que isso não é nada contigo, mas é: por isso o SPN faz parte da FRENTE COMUM.

Em síntese, o acordo é o possível, bom na questão da carreira, mau na questão da avaliação…e MUITO positivo porque vai permitir discutir e negociar outras questões!

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