Um país de curta memória…


Eduardo Frei Ruíz-Tagle.

A segunda volta para as eleições para a Presidência da Republica do Chile, foram realizadas este passado Domingo 17 de Janeiro. Era uma segunda volta, o candidato mais votado na primeira volta, o industrial Sebastian Piñera, enriquecido pela mão do antigo e já falecido ditador, não apenas teve a maioria dos sufrágios, bem como um programa muito semelhante ao do seu rival, Eduardo Frei Ruíz-Tagle, filho de Presidente e Presidente ele próprio no segundo período presidencial, com a Democracia restabelecida no Chile.

Dois problemas aparecem no meu pensamento: o industrial enriquecido, recebe um imenso tesouro do Estado que, de certeza vai gastar em Obras Publicas e melhorar a arquitectura do Chile, para converter o país numa Nação de turistas, baseada nas suas empresas. Esse candidato que tem carisma, virtude que falta a Frei que parece ter esquecido as maneiras de falar e esse sorriso que conquista multidões. O Presidente Eleito sabe rir e cantar e dançar esse Berlusconi do Chile…enquanto Frei apenas pode falar palavras “huasas”, personagem folclórico do Chile, definido por mim noutros debates. Nem é capaz de seduzir a sua mulher….Conheço-o desde a infância: sabe ler, estudar e e excelente advogado, mas não conhece a realidade chilena.

Especialmente após o brilhante governo de Michelle Bachelet e o seu eterno sorriso e entusiasmo.. Nunca haverá outra Presidente com o seu carisma…um louvor para ela…um imenso beneficio para todos nós.

A minha segunda surpresa foi a persistência cheia de rancor do filho do homem que entregou a sua vida a uma causa, a causa do socialismo revolucionário..A causa pela qual lutava, estava incrustada num Movimento de Izquierda Esquerda = Revolucionaria ou MIR.. Não era um grupo do agrado de Salvador Allende porque retirava as promessas feitas de democracia aos Partidos que o tinham apoiado no Congresso Assembleia em Portugal. Mas o pai deste candidato, Miguel Enríquez, em conjunto com o seu sobrinho Andrés Pascal Allende, filho da sua irmã Laura, persistiam na ideia da prévias alamedas para a eleição de Allende.

Miguel Enríquez era um revolucionário gentil, apoiado especialmente pela população pobre de bairros industriais e pelo proletariado rural. Filho do Ministro da Educação de Allende, o Doutor Edgardo Enríquez, pessoa serena, senhor de si, ao qual eu recebera no seu exílio Britânico, conseguindo para ele a Cátedra de Educação na Universidade de Oxford. Foi ai que curara duas doenças a doença adquirida no exílio de Dawson onde fora enviado pelo ditador os. seus pés congelaram e dois dedos foram amputados. E a doença da morte do seu filho mais velho, Edgardo como ele, refugiado na Espanha do ditador, quem o enviara no denominado avião da morte e lançado ao oceano. Os dois ditadores tinham um pacto, chileno na Espanha, de certeza fugido, era devolvido e assassinado da forma descrita. Este filho não era politico, mas pagou as denominadas faltas do irmão.

Irmão pretendido por todas as raparigas elegantes da nossa sociedade. Arrogante, sentia-se um Manuel Rodríguez das lutas pela Independência do Chile. Namoradeiro como Manuel Rodríguez, seduziu e engravidou Damas e Jornaleiras. Eu próprio recebi em Cambridge em 1976, uma das namoradas do Miguel, grávida essa Dama, encurralada com Miguel Enríquez, assassinado ele pelas tropas da ditadura, ela ferida de bala no ventre, ao pé da criança de 7 meses de gravidez. A intervenção do Cardeal Silva Enríquez, a dama grande amiga como os seus pais de da velha cepa chilena, foi embarcada sem roupa e enviada a Cambridge, sitio onde eu tinha recebido aos seu pais, encontrado para eles sítios de Catedráticos, recebemos a Dama grávida, o filho nasceu….morto. Parecia ser o único filho de Miguel Enríquez.

Fidel Castro enviara um imenso ramo de flores, levadas ao cemitério com o bebé. Outra Dama, filha de Senador da esquerda socialista, reclamava ser a mãe do único filho do revolucionário, viveu com ele no exílio de Paris, até ficar a descoberto que parecia não ser esse verdadeiro filho e foi enviado de volta e adoptado por um empregado da família, da etnia Mapuche do Chile, quem o criara, insistira que era filho da Dama e de Enríquez e adoptou por nome o de Marco Enríquez Ominami Gumucio. Provado que esse filho de Manuela não era de Enríquez, foi devolvido ao Chile, formou o seu partido e teve, como sabemos, um alto numero de votos que não transferiu a quem devia, ao candidato de Concertação.

Foi esse rancor que o levou a roubar milhares de votos a Frei, após este ganhar a primeira volta presidencial com um surpreendente numero de votos, mais de trinta mil. Durante a campanha da segunda volta, nunca aderiu a Frei, a quem desprezava por ser filho esclarecido e da pais certos e pelos Frei terem apoiado aos Gumucio em se libertar de tamanho vulto.

Parece uma conversa trivial, mas, de facto, épocas conturbadas, perturbam mentes esclarecidas. Apenas falou do candidato governamental no derradeiro dia da campanha e deu liberdade aos seus apoiantes para votarem por quem entendessem ser conveniente…..a revanche do desprezado e provado não filho de quem ele diz, dinamizado este rancor pelo mapuche que o adoptara e lhe incutira todos esses nomes falsos dentro. O nome Gumucio foi uma invenção de quem não deve usar nomes que não he pertencem e que apenas poucos de nos sabemos como foi inventado.

As batalhas políticas não são apenas planos políticos, são também enganos sociais, baseados na luta pela fama. Não consigo esquecer a luta entre a mãe do filho do “guerrilheiro” e a pretensa mãe de um filho que nunca existiu. Rixa de galos em tempos de tristeza e depressão.

Lutas entre a aristocracia, a alta burguesia, os ideais de reivindicar a pobreza dos outros por causa das posses desmedidas dos “guerrilheiros”.

E este é um dos motivo desse 2 pontos pelos que o partido do governo, perdeu a eleição. Na politica há mais coscuvilhice que programas, excepto os casos de Allende, Lagos e Bachelet, que nunca se deixaram comprar pelas armadilhas da CIA, que, estou certo, deva passar a governar com o novo presidente, o gigolô, o enriquecido pela ditadura, esse Berlusconi chileno que investiu uma grande quantidade de dinheiro para comprar votos….

O meu grande temor é voltar ao fascismo pinochetista, disfarçado de piñerismo. Bem sabemos que o pinheiro é uma arvore peganhenta, falsa, de madeira frágil, que desaba como o peso mais conveniente para se investir, Como a CIA tem feito no se jardim de trás dos EUA, América Latina. O peso mais conveniente são as entradas em dólares que um bandido vendido para enriquecer, e capaz de fazer…..Ominami Mapuche, Piñera (madeira)..o futuro do Chile treme…..porque deve desabar com o co-governo da CIA, como foi com Frei Montalva – a ditadura

Comments

  1. Nuno Castelo-Branco says:

    Como me sinto de consciência tranquila por não ser “republicano”. O que aí vem, não augura nada e bom. Nem cá, nem em Santiago.

  2. Carlos Loures says:

    Nuno, já tivemos esta «discussão» muitas vezes e, bem sei que não posso servir de juiz, mas a minha posição parece-me mais isenta: diga-me lá de que serviria ao Chile ter um rei em vez de um presidente eleito? O problema da corrupção não reside no facto de o regime ser monárquico ou republicano. Lá como cá, um modelo de sociedade voltado mais para o consumo do que para os verdadeiros valores – a solidariedade, a cultura, o respeito pelo outro… – está aberta a Piñeras, a Salgados, a Amorins, a essa gente com espírito empreendedor e que se move dentro do sistema como peixe na água. O que tem isto a ver com o regime? Acaso na Holanda, em Inglaterra, no Luxemburgo, em Espanha ou na Bélgica, as coisas se passam de forma diferente do que nos estados republicanos? Esta análise do Professor Iturra, uma pessoa que tão bem conhece os diversos estratos da sociedade chilena, inclusive as águas onde nadam os tubarões, demonstra-nos como, afinal, essa classe dita superior actua, tal como nas classes menos favorecidas, ao sabor de paixões, de ódios e de vinganças. Nas repúblicas, como nas monarquias, as pulsões menos nobres do ser humano triunfam sobre os princípios. E essa é a tragédia. Tragédia que, em Portugal estaria em cena quer o contra-regra se chame Cavaco ou Duarte Pio. No caso deste último, seria mais um «ponto».

  3. Raul Iturra says:

    Caros Carlos e Nuno, respondo aos dois em conjunto desde um computador britanico ebquanto o meu esta a ser tratado.As gralhas são minhas e do teclado ingles do dito. Se o Carlos Loures não tiver pasado a lingua lusa um texto imposivel quanto sintaxis e gramatica, não teria havido texto. Os meus dedos fervilhavam por comentar as eleicoes do Chile e no podia. O meu temor e que a dita Covencao de Piñera, exprimido dentro do texto. E dito no Chile que o proximo presidente quiz afastarse dos esbirros do ditador. Grande mentira.Era um econmista pobre que enriquceu com as aldrabices da ditadura.Não merecia,de maneira nenhuma ser Presidente da Republica.No entant, a eleicao foi roubada por um pretendido filho de um patriota.O unico filho do Miguel e a sua dama,tive que o enterar eu em Cambidge.Perdemos uma eleicão, mas ganhamos um expulso membro da Concertacão de Partidos de Centro Esquerda DC,PS, PSD,Partido Radical Democrta, PC, todos juntos a lutar para Salvar a Patia.Bem sabemos que na primeira volta a Concetacão de Partidos, foi divida em quatro, com o pacto de se juntar e lutar todos unidos para Frei ganhar. Alias, o lema o moto da campanha da primeira volta era “unidos venceremos”, cunhada pelo meu irmão hispano chileno, concelheiro do PCCh.Ganharam 5 Deputados nessa primeira volta, entre eles Hector Gutierrez, Ninistro da Corte de Alcada, de Apelo no Chile que provou com os meus sobrnhos advogados PS, os outros são UDI de Piñera, os crimens do ditador, tiroulhe o foro de Senador Vitalicio e o declarou reu.Esa segunda volta todos os partidos se juntaram, excepto o pretenso filho do Patriota Henriquez. O meu grande temos e a volta ao fascismo do “disfarcado pinochetismo” da UDI.Se os meus comentafores reparam, apenas na primeira eleicão, com a democracia ganha, houve um esbirro do ditador que se apresentou e perdeu tanto, que apareceu o colaborador da ditadura e formou a União Democrta Indepente UDI Como e porque um desconhecido obtem tantos votos, se não for pelo apoio de forcas fascistas disfarcadas de democratas,entre eles o consogro do meu irmão,ca são denominados compadres, o Comandante em Chefe das Forcas Armadas não tiver mandado votar aos seus subordinados pela disfarcado pro ditadura,esse tambem disfarcado democrata liberal mas proditadura? Foi precisa uma conversa entre o Fiscal do Chile, o meu sobrinho e a sua hoje mulher, para que o matrimonio for aceite pelo General Porque tanto ruido de sabres no Chile, para um simples matrimonio entre um Fiscal do Pais Attorney General nos USA, o meu sobrinho,e a filha tambem fiscal ? Porque essa conversa previa entre o Concelheiro do PCCh e o geenetal em chefe? Desconfio do futuro! Chile tem umamemoria curta, era cedo demais para dividir a Concertacao e aceitar um “pretendido” aristocrata como candidato…. Não sera guerra civil, mas sim uma convencão entre os denominados liberais e os disfarcados ditadores. Os fiscais tiveram que falar tambem com o general, ate o convencer que esta união ideologicamente diferente, era mais do que possivel.A cerimonio, com Bispo e todo por causa do General, aconteceu, nas as familia no imenso campo da casa, estavam separadas, sentadas em mesas conforma as ideologias..Vejam como a ambicao do poder, separa aos mais unidos…Os direitos humanos e de solidariedade morrem,,,Nuno, sera monaqrquico sou amigo de Duarte Pio, mas no Chile desde 1823 os titulos foram retirados.Somos condes, assim se trata em privado, mas eu acrescenteria Code Nados…

    • Luís Moreira says:

      Caro Prof, a luta continua. A democracia tem destas coisas. Michele é uma grande mulher mas as regras em democracia são para cumprir.Abraço

  4. Só me admira (ou não), o povo. Neste caso o povo chileno. Estará o povo condenado a ser sempre cego?

  5. Vejamos.
    A questão chilena parece ter entrado na “normalidade” que se esperaria. Não percebo é a surpresa dos meus colegas.
    Bachelet é sucedida pela direita, embora a questão berlusconiana – que existe noutros moldes e em plena Caracas, com o sr. Chávez – esteja a alastrar a todo o mundo. Cá chegará, não se preocupem.

    Quando referi a questão “republicana”, estava longe de qualquer tipo de proselitismo e nisto fui mal interpretado pelo Carlos Loures, sem ofensa.

    As Michelle Bachelet – o seu sorriso e bonomia maternais – são a excepção e não a regra, pois o poder económico – mesmo que ao serviço do “PC”, como na China, Angola, etc – prevalece sobre todos os demais. Aqui tivemos Soares e Sampaio, dois homens da absoluta confiança dos poderes fácticos. Alguém alguma vez ouviu um queixume da finança contra estes dois presidentes? Jamais! Por sinal, até eram bons e fidelíssimos convivas daqueles círculos. se disso duvidam e sabendo da existência do risível “semi-presidencilismo”, perguntem a vós próprios como tendo sido presidentes estes dois “homens de esquerda”, tenha Portugal chegado a este ponto de loucura plutocrática? Estranho…
    Se a estes dois portugueses acrescentarmos Mitterrand, compreendem o que quero dizer.

    A república só o poderá ser se for protocolar. Rejeito liminarmente qualquer tipo de poder pessoal e de facto, Salazar foi um autêntico presidente da república, embora não o tivesse sido de jure. Foi um De Gaulle, mas sem eleições e Carmona, foi… quase nada, ou nada mesmo. Neste momento é clara a tentativa de presidencialização do regime. De um lado, a direita anseia pela 4ª república presidencialista, a ter início com o ex-primeiro ministro Cavaco Silva e a ser continuada por Durão Barroso. Do outro lado, o “mexicanizado” PS quer que tudo continue como está, desde que detenha Belém. Neste caso, o caricato “semi-presidencialismo” serve-lhe à maravilha, pois a presidência é um mero instrumento do exercício do poder. Assim sendo, não é sequer protocolarmente representativa. Ou têm os meus queridos amigos e colegas, alguma dúvida acerca da parcialidade dos drs. Cavaco, Sampaio ou Soares?

    Manuel Alegre é um tonitruante curioso institucional, mas sinceramente, não consigo imaginá-lo muito diferente de Jorge Sampaio. Será de longe, mais eloquente e apresentável em termos culturais que qualquer um dos”seus antecessores”, mas até que ponto não será mais um Carmona do PS? A última campanha eleitoral para a AR mostrou que é e de que maneira! Sampaio foi-o de Guterres e de uma forma quase anedótica.

    Quanto aos títulos, caro Raúl, existem de outra forma e fazem parte da natureza humana. o que lhe parece a “doutourite” que grassa por cá, mesmo existindo gente a servir hamburgueres no horroroso McDonalds e a ostentar o Dr. antes do nome?
    Neste momento, o que são os Comendadores, senão a nobreza da república? Até aproveitaram as ordens de cavalaria da monarquia! Neste momento, Pedro Santana Lopes pertence exactamente à mesma Ordem de que outrora foi grão-mestre o infante D. Henrique. No fundo poucas coisas mudam, mas neste nosso tempo, só chega a esse tipo de nobreza quem pertença ao círculo vicioso do poder financeiro-serviços-poder.
    Não tenha ilusões: jamais terá uma espécie de Evo Morales como presidente em Belém. Jamais. E mesmo o dito Evo, será para os bolivianos, a excepção que confirmará a regra. Espere e verá.

    Aqui deixo uma questão: não vos parece estranho, o facto dos sectores financeiros e dos media – Murdoch, por exemplo -, os conglomerados das farmácias, alimentação e construção civil, mostrarem tanta aversão a Carlos de Gales? Não o querem como Chefe de Estado, nem por sombras. É que o homem já disse exactamente o que pensa da actual sociedade de consumo. Paralelamente e de forma bem sintomática, a sua popularidade é hoje imensa em toda a Grã-Bretanha. Pois é… a afronta declarada à plutocracia. Neste caso, creio que os grupos económicos sairão derrotados. O homem tem toda a razão em hostilizá-los, é muito perseverante, teimoso e os ingleses também são conhecidos por isso. O sr. Murdoch não perde por esperar. Aliás, os australianos ainda há poucos anos o demonstraram. Nada de contar favas antes do tempo.

    Chefes de Estado sempre existiram e existirão. A grande diferença é a questão bonapartista do poder. Por mim, prefiro vê-la longe do nosso horizonte. É que vivemos cercados por instituições que detêm o verdadeiro poder e que jamais foram eleitas. Se a igreja foi na moral substituída pela Justiça, aqui deixo a questão de tentarmos saber quem elege todos esses Tribunais, Supremos, procuradorias, etc? Para ficarmos por aqui.

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