Sócrates, a comunicação social e os sapos

Um comentário de uma leitora ao texto que ontem publiquei leva-me à seguinte reflexão:

Não pretendi, nesse texto, apelar à demissão de José Sócrates porque alguém ( Moniz e Moura Guedes ) o tenha feito. Pretendi, isso sim, afirmar que alguém (quem quer que seja) não disposto a conviver com a liberdade de expressão e de imprensa não pode ser primeiro-ministro. No caso de o ser, resta-lhe deixar de sê-lo. Admito que a redacção do artigo se preste a mal-entendidos, especialmente a última frase.

O Correio da Manhã transcreve hoje os despachos do procurador Marques Vidal e do juíz António Costa Gomes, em que o primeiro afirma:

do teor das conversações interceptadas aos alvos Paulo Penedos e Armando Vara resultam fortes indícios da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo para interferência no sector da comunicação social visando o afastamento de jornalistas incómodos e o controlo dos meios de comunicação social, nomeadamente o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes, da TVI, o afastamento do marido desta e o controlo da comunicação do grupo TVI, bem como a aquisição do jornal Público com o mesmo objectivo

e o segundo:

‘Indícios da existência de um plano em que está envolvido o Governo’

Do teor das conversações interceptadas aos alvos Paulo Penedos e Armando Vara resultam indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o senhor primeiro-ministro, visando:

– o controlo da estação de televisão TVI e o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes e do seu marido, José Eduardo Moniz, para dessa forma ser controlado o teor das notícias através da interferência na orientação editorial daquela televisão.

– o controlo do jornal Público para, desse modo, se proceder ao controlo das notícias publicadas com interferência na orientação editorial daquele jornal”  acrescentando mais adiante “Resultam ainda fortes indícios de que as pessoas envolvidas no plano tentaram condicionar a actuação do senhor presidente da República, procurando evitar que o mesmo fizesse uma apreciação crítica do negócio“.

Perante isto, pergunto: está José Sócrates disposto a conviver com a liberdade de expressão e de imprensa? Tem José Sócrates grandeza e sentido de estado suficientes para governar com críticas adversas? Respeita José Sócrates os princípios basilares da separação de poderes e evita a promiscuidade entre estado e comunicação social?

E concluo: um país que desvaloriza estes indícios não valoriza nenhum sistema democrático nem os seus princípios mais básicos.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Tens a razão toda! Uma democracia que desvaloriza estas evidências e que tem um primeiro ministro com este caracter não dura muito. Como se vê, isto já cheira mal como uma pocilga…

  2. Maria** says:

    a face oculta o quê?-ponham-se a pau que este é um ataque concertado a todas as instituições.

    http://apombalivre.blogspot.com/2010/02/face-oculta-o-que-ponham-se-pau-que.html

    Ora agora que o vento sopra a favor , lá parece a dona manuela , com aquele seu arzinho de dona de casa mais muito fina , a dizer de suas banalidades que ela é mesmo do tipo de meter o dedito espevitado em frente do nosso nariz naquela do–“eu não dizia?….”

  3. Maria** says:

    palavrinha de honra que eu até estimo os jornalistas mas acho que alguns se passaram.

    –Ora pois claro , como é a gente se podia esquecer de prof Medina carreira?

    Nem nós o podemos esquecer , nem ele deixa; que o excelso professor não perde pitada e ele são só encómios para que as têvês amigas lhe dêem o almejado tempo de antena, para ele expôr o seu pensamento que antigamente era ecléctico mas que agora já nem por isso.

    http://apombalivre.blogspot.com/2010/02/palavrinha-de-honra-que-eu-ate-estimo.html

  4. Pedro says:

    Ó Maria, eu nem falei nesse senhor. Mas força, o espaço é seu, desde que não venha ( como não veio ) para aqui insultar ninguém.
    E já agora ponha o link do Aventar lá na pomba livre, a publicidade, habitualmente, paga-se,


  5. Deixo aqui um mail que enviei ao Dr. Pacheco Pereira com algumas dúvidas sobre as alegadas tentativas de controlo de órgãos de comunicação social por parte do Governo. Se alguém me souber dar respostas, agradeço!

    Dr., Pacheco Pereiro,

    tomei a liberdade de lhe enviar este mail porque, penso, ele traduz uma grande parte do sentimento e “dúvidas” dos portugueses relativamente às putativas tentativas de controlo de órgãos de comunicação social por parte do governo.

    Em primeiro lugar, gostaria de referir que, apesar me interessar muito pela discussão política, não sou de nenhum partido. Aliás, já votei, em diferentes momentos da minha vida, em todos os partidos que tem actualmente acento parlamentar.

    Voltando então às tentativas de controlo de órgãos de comunicação social, faço-lhe as seguintes questões:

    As televisões não vivem da publicidade e, tal facto, não faz com que estas estejam, em grande parte, condicionadas aos grupos económicos?

    Os dois principais sectores da economia são o estado e o mercado não resultará daí uma força junto da comunicação social quase intrínseca àquele partido que estiver no puder?

    Será que a consciência desta força intrínseca é algo que só foi constatado pelo actual governo e que governos anteriores não terão também abusado de tal condição?

    Será que não tenta, toda e qualquer oposição, controlar também a comunicação social para que esta lhe seja favorável e, ao mesmo tempo, incomoda para os governos movendo, para o efeito, influências?!

    A diferente hierarquização que a SIC faz na grelha dos noticiários relativamente aos restantes noticiários (que referiu no “Ponto por Ponto”) e o destaque e importância que essa estação atribui à notícia não pode ser lido como uma capacidade de influência que a oposição, nomeadamente o PSD, tem junto daquela estação onde, nomeadamente, Pinto Balsemão (ilustre militante do partido) é presidente?

    Será que Mário Crespo e Manuela Moura Guedes, por exemplo, também não representam interesses?

    Será que esta pressão do governo não é normal num quadro de anormalidade de falta de regulamentação e fiscalização de um órgão multipartidário que execute os contratos com a comunicação social de forma a evitar tais aproveitamentos?

    Será que este não é mais um caso em que a oposição tenta denegrir a imagem do Primeiro-ministro via ataques de ordem de carácter e pessoais como, por exemplo, quando trouxe indecentemente para as eleições a eventual opção sexual do PM se (tentando passar a ideia que era homossexual!), no caso da licenciatura em que se empolgou ao máximo um episódio de um exame de Inglês (quando se vê nas conferências internacionais que o PM fala fluentemente!) ou no do Freeport (que nada se provou!)?

    Será que a oposição não compreende que a sucessiva tentativa de utilização destas estratégias acaba por denegrir a imagem da própria oposição e ter efeito contrario quanto à opinião que se pretende promover sobre o Primeiro-ministro?

    Será que a oposição não compreende que enquanto não conseguir apresentar um projecto alternativo, qualitativamente melhor, não voltará a governar?

    Será que os políticos não compreendem que nós, povo, sabemos fazer o rastreio da informação e que facilmente conseguimos perceber quando nos estão a querer empurrar opiniões de fracções?

    Será que os políticos pensam que somos parvos?!!!!

    Com estas perguntas, que deixam subentendido muitas das minhas opiniões, não quero deixar de dizer que acho mal se houve irregularidades e influências indevidas. Contudo, acredito que estrategicamente a discussão está a ser conduzida para aspectos de carácter. Contudo considero, pelo menos, exageradas, dado que serão (obviamente) práticas comuns dos partidos que estiverem no poder.

    O que eu lamento, e muito, enquanto cidadão, é não ter qualquer forma de correr com os responsáveis máximos da nossa justiça conforme podemos fazer com os políticos. Como é que as escutas que temos conhecimento não são suficientes para originarem uma investigação?! Impressionante!! Afinal, quem fiscaliza o puder judicial? Quem põe cobro a esta vergonha? Já agora, como sugestão para um futuro programa do PSD, penso que uma proposta de uma grande reestruturação na nossa justiça, no caminho da sua credibilidade, é algo que poderá recolher muitos votos. Mas isto, claro está, apresentando-se propostas concretas e não só dizendo mal do que existe que é a única coisa que a oposição tem, infelizmente, sabido fazer! Igualmente, medidas anti-corrupção e um novo enquadramento penal, bastante mais pesado, para crimes que envolvam dinheiros públicos, penso que também seria muito bem recebido por nós, o povo!

    Dizer ainda que gosto de o ouvir, se bem que ultimamente tenho concordado menos consigo!

    Se me leu, obrigado pela atenção e continuação de um bom trabalho, cumprimentos,

    NC

  6. Ricardo Santos Pinto says:

    Olha mais um assessor.

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