Posts históricos da blogosfera: Bruno Reis no «Barnabé»

Hoje, nas cartas ao Director do «Público» (tantas cartas ao director que escrevi na minha adolescência!), o ex-Simplex Bruno Reis dá conta de que nunca foi condicionado no blogue de apoio ao Governo, nem nunca tentaram infuenciar qualquer uma das suas opiniões.

Imagina-se, pois, que se ele tivesse começado a defender o PSD, não haveria qualquer problema por parte de Galamba e companhia.

Ao invés, diz Bruno Reis, foi muito condicionado e pressionado no histórico blogue «Barnabé», que nas suas palavras era um blogue plural de Esquerda com muita gente ligada ao Bloco.
Confesso que acho estranho que, num blogue de apoio ao Governo, uma das condições prévias não fosse precisamente apoiar o Governo. Se calhar pela mesma razão que não se contrata um motorista perguntando-lhe se ele tem carta de condução. Aquela gente é realmente muito democrática!
Pelo meio, Bruno Reis atira-se ao ex-aventador Carlos Santos por causa da polémica dos mails, dizendo que ninguém achou mal agora, mas na altura todos criticaram os mails do «Público» dados à estampa no «Diário de Notícias». Supõe-se, então, que Bruno Reis também achou mal na altura.
Porque tem interesse neste contexto, fui ao «velhinho» Barnabé buscar um «post» do Bruno Reis, que se seguiu ao «post» de despedida de Daniel Oliveira. O actual Arrastão deixou de se rever num blogue onde Bruno Reis começara a assumir posições claramente de Direita e anunciou que saía.  Bruno Reis anunciou que ficava, ao estilo de «daqui nao saio, daqui ninguém me tira, convidaram-me, saem por causa de mim, mas isso agora não interessa nada»….

«O Daniel Oliveira não me conhece, nem nunca mostrou interesse nisso. A minha entrada no Barnabé claramente irritou-o. No entanto, aprovou-a. Ele diz que não pensou devidamente no assunto. É pena porque assim se evitavam cenas tristes como esta.

Não sei nem me interessa se ele é marxista ou não. O que me interessa é a forma sistemática como ele resolveu atacar os postes que eu colocava aqui. Diz não ser juíz de quem é de esquerda, mas é essa mesma atitude que mais uma vez adopta neste seu poste. Ele não será o Lenine. Como e eu não serei nem o padre Melícias, nem a Fátima Bonifácio, nem o Bagão Félix. Se o Daniel não percebe as diferenças, o problema é dele. Quando se comenta seriamente como uma crítica à nova pedagogia – o que quer que isso seja – uma piada, suponho que falar de má-vontade não seja demasiado. E confesso que depois de me ver transformado em mosca temi pela minha sorte… Pelo visto tinha razão.

O pressuposto da minha adesão ao Barnabé foi o de que se tratava de um blogue de diferentes esquerdas e evidentemente de opinião inteiramente livre. Tal como o Daniel afirma, nunca acreditei, por conhecer bem um dos barnabés originais, que fosse um blogue ao serviço do Bloco. O Daniel tece grandes elogios ao Pedro Oliveira. Óptimo! É uma admiração que eu partilho, a par de muitas das mesmas ideias e simpatias partidárias. Era, a par do Rui Tavares e do Celso e do André Belo, a razão pela qual eu li, desde o início, o Barnabé. Claro que não estava à espera de concordar ou achar piada a tudo o que os outros escrevessem, mas pensei que me seria estendida a mesma cortesia. Nunca fui pessoa de seguir cartilhas. Se o objectivo de combater a nova ortodoxia neo-liberal me convém, não aceito ser alistado por qualquer outra.

Se é evidente que aceito que possa haver quem critique o governo socialista, não vejo porque é que eu não o posso defender. Ou agora o PS passou a ser de direita, fim de discussão? A defesa do mérito em relação à antiguidade é, aliás, uma velhíssima ideia de esquerda. E se concordar por acaso e eventualmente com a posição de alguém de direita, qual é que é o problema? Temos de deixar de pensar pela própria cabeça para provar que somos de esquerda? O Bloco ou o PCP preocupam-se, por acaso, por terem o CDS ou o PSD ao seu lado no ataque ao governo?

Folgo em saber que o Daniel é capaz de aparecer por outro lado na blogosfera, embora preferisse que reconsiderasse a sua posição em relação ao Barnabé e em relação a mim, já agora. Mas em todo o caso ele tem, como ele mesmo diz, o Expresso para continuar a atacar as minhas opiniões.

Várias vezes perguntei aos membros do Barnabé se havia temas tabu. O Daniel nunca se manifestou. Outros deixaram claro que não. Deixei também claro que estava disposto a sair a qualquer momento pela mesma porta por onde entrei. Ainda ontem o escrevi aos demais barnabés, e mantenho-o. Mas com certeza não o farei apenas para dar satisfação a uma pessoa que saiu livremente de um projecto em que as minhas opiniões o incomodavam. Fico, portanto, a aguardar instruções…»

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