Fraquinho

O discurso de Passos Coelho foi lamentável por uma simples razão.  O problema nem sequer foi os “dois anos” do Rangel ou o pedido ao Alberto João Jardim. O mais lamentável foi aquela justificação mal amanhada do seu percurso de vida. Passos Coelho queria justificar o injustificável. Que sempre foi um menino das jotinhas, que não tem uma carreira conceituada ou formada como os outros candidatos e que praticamente sempre viveu do Partido e para o Partido. A necessidade de dar uma justificação prova apenas que isto o incomoda a ele, que sabe e bem que os seus críticos têm razão. A mim não me choca absolutamente nada que Passos Coelho não tenha um nível cultural que outros antes dele tiveram. Não me choca que não tenha lido Ovídio ou que não saiba de cor os  sonetos de Camões. Quero lá saber. O que me interessa ou interessaria caso estivesse interessada no partido que é o PSD, é que ele tenha competência para governar um país porque é isso que ali se está a discutir. E ele não tem.

Comments


  1. Cuidado, porque o Churchill também sempre foi “apenas” um político. A comparação deve ser feita aí mesmo e assim, PPC desaparece do mapa, onde aliás, jamais pôs o pé.


  2. Caro Nuno é curioso que faça esse “semi comparação”. Há uns dias também vi uma comparação entre o Passos Coelho e a Thatcher. Aliás, Churchill era muito político, mas fez mais para além disso.

    Mas sabe o que é que curioso? É que esta justificação é um bocado paradoxal pois indica que ele tem algo para justificar. Parece que ele próprio tem vergonha de ter sempre vivido da política. E isso revela muito.


  3. Daniela, nada há de errado em sempre se ter trabalhado na política. É uma profissão, queiramos ou não. A qualidade dos mesmos será outra coisa e foi isso mesmo que quis dizer quando me referi a Churchill. Tem sido uma figura mitificada, escreveu aquilo que quis sobre si próprio, teve aspectos muito obscuros na sua acção, mas foi uma figura central ao longo de vários períodos. Conseguiu estar na ribalta, passou por ocasos mas regressou. Tinha aquilo a que chamamos “bagagem”.

  4. Ricardo Santos Pinto says:

    Concordo com a Daniela. Faz lembrar uma outra figura, que nos governa há anos e que nunca trabahou na vida.

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