O 1º de Maio na Alameda

Vou para a Alameda, já recebi a convocatória para me apresentar no local habitual, de preferência perto das barracas do bom vinho tinto alentejano, das sandes de presunto e longe da barulheira dos discursos e da música aos berros. Mas o pior de tudo são as palavras de ordem que uns gajos, escolhidos a dedo, gritam pelo megafone.

Os camaradas vêm de todo o país, com franel, gente generosa, distribuem tudo o que têm, produtos da casa, na província não há os dramas da grande cidade, eles têm o quintal, as couves, os nabos e o porquinho, e o vinho da aldeia, sem misturas, puro, só uva. E se não partilhamos é um desconforto, mas temos o Vitor com o pão alentejano que comprou na barraca dos comes e bebes e a garrafa do tinto, que os camaradas se apressam a dizer que é bom mas não chega ao deles.

Mas também aparece quem de grupo em grupo vá matando a fome. Em cada ano que passa há mais gente que passa mal, ouvem-se as estórias do fecho da fábrica, do filho desempregado, dos familiares que já emigraram.

O 1º de Maio já foi uma festa!

Comments

  1. maria monteiro says:

    O 1º de Maio é sempre a festa.

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