Na noite da música

No sofrimento da noite da música enrosquei meus ramos de árvore seca no sono do teu regaço, nascido de um tempo sem tempo, tão perto e tão distante do peito amante na hora do desejo.

Por dentro da noite fechada e muda, aberta a sonhos que desmoronam tectos e paredes, de que servem rostos sem palavras, e o fruto maduro dos teus lábios caído na noite deserta?

Que amor de liberdade, que liberdade de amor, se todos os caminhos não passam de caminho sem regresso?

Metamorfoses de paz e desejo apenas multiplicam falsificações eróticas em urdidura de novela.

A força do piano de Pletnev acordou-me. Não há “interrupted dreams” dentro de mim, pois já não crescem “dreams” no meu jardim.

Teu sorriso de vento forte que ainda me ergue das águas fundas num impulso de mil ventos, já não abre a todo o pano as velas do meu barco, perdido no mar, muito longe de voltar.

Comments

  1. Alberto says:

    Metamorfoses de paz e desejo apenas multiplicam falsificações eróticas em urdidura de novela.

    Andam muitos afazer metamorfoses. Você também é desses?
    Ou já é há muito tempo?

  2. carolina santana says:

    não, não vou agarrar no mesmo parágrafo que o Alberto, que o enclausurou. vou antes segurar, com as mãos em sol, a noite.

    que mágoa insolente trespassa o peito a querer ser com poder e garras; que sofrimento tchaikovsky em sérénade mélancolique pode atenuar, que fruto maduro, suculento, enquanto fruto, sacia. categoricamente…

    há silêncios musicais, Adão Cruz. e quando somos polvilhados com o fulgor das estrelas, pouco que seja, não há noite que nos encerre.

    pode parecer confuso, mas é assim por dentro da minha confusão.

  3. Alberto says:

    Este Adão, copia e cola, já que nem interpretar o que aqui põe é capaz. Um inutil para a sociedade da luz, um servo para a sociedade do vício, da escuridão e da podridão.


  4. Bonito comentário, Carolina Santana.


  5. Exmo.Sr. Alberto, vá à merda!

  6. Alberto says:

    Que é onde você está e de onde sai de vez em quando.
    Porco.

  7. carla romualdo says:

    excelente texto, e inspirado comentário, o da Carolina

  8. graça dias says:

    bom comentário alberto.
    o autor do post ja partiu a louça

  9. maria monteiro says:

    excelente texto e… quem não está bem que se mude


  10. Que des graça! E logo entre a Carla e a Maria!

  11. carolina santana says:

    se o comentário tem algum valor, terá sido inspirado no texto do Sr. Adão Cruz.

    são as pequenas-grandes coisas, com as quais nos identificamos, que fazem com que esbocemos sorrisos. e encantam.

    muito obrigada, Adão Cruz e Carla Romualdo.

    gostava de deixar uma palavrinha ao sr. alberto: os seus comentários são impróprios para doentes cardíacos como eu. e já agora, há silêncios que valem ouro…

  12. graça dias says:

    sem comemtários sr adao. o sr é mesmo des graçado.

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