No dignity

Hoje depois das aulas, depois de umas horas ao computador mudei para o canal História e dei por mim a ver um documentário semelhante a um outro que já tinha visto, sobre os acontecimentos na Praça de Tiananmen há 20 anos atrás. Só depois, ao ler este texto do Sérgio Almeida Correia, é que percebi porquê.

O que aconteceu em Tiananmen faz-me sempre lembrar uma cena do início do século. E no fim de contas estávamos no fim do século Não sei explicar bem porquê sinceramente mas sempre tive a, sem dúvida, rídicula sensação de que há vinte anos o que aconteceu não devia ter acontecido. Há coisas que há vinte anos – como agora – não deviam ter acontecido. E é por isso que me faz impressão. O facto de ser recente, logo quando se pensava que depois de tudo aquilo já não devia acontecer.

As pessoas não gostam de se lembrar de Tiananmen. Provavelmente porque não gostam de ser lembradas que uma das maiores potências mundiais é uma ditadura. E porque no fundo era muito mais fácil se a China fosse um país pobre de extrema direita com um general no poder provavelmente já nos convinha lembrar Tiananmen.

Nesse documentário, uma das dissidentes dizia que enquanto os Direitos Humanos não forem respeitados na China ela vai continuar a lutar e vai continuar a manifestar-se. Porque esse era o seu dever. A China é uma país que não respeita os Direitos Humanos. É uma país onde não há Liberdade de Expressão, onde há vinte anos milhares de estudantes morreram e não porque eram perigosos reacionários. There´s no dignity. Deles e nossa. E isto tem que ser relembrado. Vezes e vezes sem conta.

(Esta fotografia é para mim, uma das melhores fotografias do século. Representa toda a luta de UM só homem por um ideal justo)

Comments

  1. Carlos Fonseca says:

    Daniela, embora veterano, compartilho os sentimentos que expressas. Apenas questiono, e não é pouco, por que razão a China assume hoje a liderança económica mundial. À custa da pobreza dos seus cidadãos, da hodierna escravatura e da coninvência dos países ocidentais e organizações internacionais: OMC e OIT, em especial. É o maior credor dos EUA e o reduto preferido das multinacionais: da Apple à Dell, da HP à Sony, da Louis Vitton à Lacoste. Que merda de país é este? O de Tiannamenn. De há 20 anos e de hoje.

  2. Luís Moreira says:

    A China não é capaz de tirar os seus cidadãos da miséria, apesar da imensa riqueza acumulada. É um exemplo maldito para aqueles que acham que a social democracia europeia não responde às expectativas,e não esquecer que se trata de uma horrenda ditadura política.

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