2011

Assisti à entrada de 2011 na Ribeira do Porto. A partir das 22.30 começaram a convergir pessoas que se foram juntando à beira Douro. Nas mãos, nos bolsos dos casacos, em envergonhados sacos de plástico, garrafas de espumante, algumas de vinho, jovens misturavam substâncias ao tabaco de cigarros que desfaziam para voltar a refazer. Barcos iluminados rio acima, rio abaixo, comensais festivos acenavam num percurso repetitivo e um pouco claustrofóbico, sem que alguém lhes correspondesse.

Perto da meia-noite a multidão compactou-se junto ao rio. Depois de alguns minutos em ninguém parecia saber exactamente em que ano estava, se no velho ou no novo, as rolhas estoiraram, jorrou algum champanhe, trocaram-se beijos, ouviram-se alguns gritos sem grande convicção e, por volta 0h10m a chusma debandou ordeiramente, sem beijos, abraços ou foguetes. Eu aproveitei e desembiquei também.

Não devo ter sido o único acompanhado pela sensação de que o ano novo tinha nascido velho, cansado e tristonho. Poupou-se no fogo de artifício, vá lá, ao menos a hipocrisia não se vestiu de luzes.

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